Obsesso

25 24. Tio Naru


Notas iniciais
~~enjoy

Como todo bom parque, aquele estava cheio de barraquinhas de comida e brinquedos. Caminharam até uma delas – segundo Naruto, a que tinha um dos melhores chocolates do mundo –, e Sasuke sentiu-se receoso ao ver o produto. A barraca estava velha, e ele tinha certeza de que aquela vasilha de chocolate não estava devidamente esterilizada.

— Talvez devêssemos ir a um restaurante… – sugeriu Sasuke.

Aya segurava a mão de Naruto e manteve seus olhos presos no loiro enquanto ele respondia.

— Mas o legal de tomar chocolate-quente é fazer isso na rua, na barraquinha.

— Eu nunca comi da barraquinha… – murmurou Naoto.

Era a primeira vez que ele se dirigia diretamente a Naruto, que abriu o maior dos sorrisos para ele, querendo que o garoto se sentisse bem em sua presença.

— Precisamos mudar isso. Vai que você cresce sem conhecer um dos melhores prazeres da vida?

— Realmente não acho que esse chocolate seja um dos melhores prazeres da vida – disse Sasuke, sem conter o escárnio.

O Uchiha não conseguia parar de pensar que o Uzumaki estava a ponto de envenenar suas crianças.

— O senhor nunca provou, só por isso.

O Uzumaki comprou quatro chocolates e olhou para os pequenos com o sorriso mais traquina do universo ao mostrar a compra a eles. Aya, que criara uma confiança infinita em uma questão de segundos – crianças eram estranhas – sorriu e começou a pular, animada. Estendeu os bracinhos.

— Tá quente. Sossega essa bunda ou vai derramar tudo e se queimar – ordenou Naruto.

Ela parou de pular e se remexer, e ficou bem quietinha. Naruto assoprou um dos copos e provou, mas ainda estava muito quente.

— Vamos sentar numa mesinha ali na grama. Depois eu dou o chocolate, ok? Agora tá muito quente ainda.

— Mas eu sou grande, posso tomar quente – retrucou a garota.

— Não pode não – disse Sasuke. – Depois sou eu quem vai ter que te levar pro hospital.

A menina emburrou e agarrou a mão que o tio oferecia. Naruto estava com as mãos ocupadas com o café, e Sasuke não se sentia seguro para deixar Aya completamente livre. O susto de antes já valera para o ano todo.

— Tio Naru, cadê sua criança?

Naruto franziu a sobrancelha, confuso.

— Eu não tenho nenhuma criança, Aya-chan.

A menina formou um perfeito “ó” com os lábios.

— Mas o que tá fazendo no parque se não tem criança?!

Aquela pergunta muito interessava a Sasuke. Quis beijar Aya naquele momento. Como podia uma criança ser igualmente tão inteligente e tão ingênua? Observou Naruto, que ficou levemente corado com a pergunta. Ele não parecera nada envergonhado há quatro dias, quando tivera aquela estranha reação ao ver suas roupas. Por que agora parecia desconfortável?

— Hm… Sabe, Aya-chan, eu sou a minha criança. Eu queria dar uma volta, sair de casa, e eu sempre gostei do parque. E eu queria ser criança de novo, só um pouquinho.

— Mas você é grande, tem que trabalhar!

Naruto riu. Ele concordava, mas Sasuke não parecia muito interessado em deixa-lo trabalhar.

— Às vezes a gente não pode trabalhar. Aí a gente quer ser criança de novo.

— Ah… tio Sasuke sempre pode trabalhar.

— Por quê?

— Oras! Ele nunca é criança, né?!

Sasuke olhou para Aya com uma sobrancelha erguida, e a menina continuou seu caminho como se nada tivesse feito. Naruto tentava controlar a risada ao lado dela, mas era difícil. A expressão levemente – bem leve, quase imperceptivelmente – indignada do Uchiha era engraçada.

— Eu cresci, Aya. Essa coisa de ser criança é pra quem não tem o que fazer.

— EI! – protestou Naruto.

— Pelo menos ele brinca.

Sasuke sentia que aquela conversa iria para um lado que ele não queria discutir. Abrira mão de muitas coisas desde que começara a cuidar dos dois pequenos, mas não conseguia ficar brincando com eles por muito tempo. Era um desperdício de horas, horas essas das quais ele precisava para trabalhar.

— Vamos sentar aqui, sim?

Sentaram-se em uma mesa de pedra. Aya correu para sentar ao lado de Naruto, que já colocava os chocolates sobre a superfície dura. A menina subiu com dificuldade, e teve que ficar ajoelhada para poder enxergar as bebidas. Mas o banco era afastado, e ela se esticava toda para chegar ao chocolate. Naruto a pegou no colo e a colocou sentada sobre a mesa, tornando tudo muito mais simples.

— Tio Naru! Eu não posso ficar em cima da mesa, titio não deixa!

Ela olhou assustada para Sasuke. Mesmo Itachi, que era liberal em muitos sentidos, tinha aquela ideia fixa de que eles deveriam ser extremamente educados em público, e subir em mesas era proibido. Quase um tabu.

— Mas você não consegue ver do banco. Nesse caso, o titio deixa, né?

Aya olhou receosa para Sasuke, que não parecia feliz com aquilo.

— É muito alto, você pode cair…

— Mais fácil ela cair se esticando toda aqui no banco pra chegar na mesa, não?

Sasuke detestava quando sua lógica estava errada.

— Fique mais pro meio, e não chegue perto das bordas. Se quiser descer, peça ajuda.

Naoto sorriu e estendeu os braços para o Uchiha.

— Também quero, também quero!

— Ai, Nao, você só me imita!

— Não tô imitando! Eu pensei primeiro, tá?

— Pensou nada!

— Se brigarem não ganham chocolate – ameaçou Naruto, e as duas crianças se calaram imediatamente.

Um silêncio quase sagrado se instalou. Nele, Naruto sorria e brincava com o copo cheio de chocolate-quente. Bebeu um golinho só, e viu que o frio já tratara de amornar a bebida. Sorriu para Aya e Naoto, e segurou dois copos.

— Prontos pra mudarem a vida de vocês?

As duas crianças tinham os olhos presos nele, e estavam ansiosíssimas.

— SIM, SIM!

Naruto afastou os copos daquelas mãozinhas ansiosas, e deixou seu ar mais sábio transparecer.

— Bebam devagar, aproveitando o sabor. O chocolate é sagrado.

— Ok.

— Repitam. “O chocolate é sagrado”.

Sasuke revirou os olhos, achando toda aquela encenação ridícula. Estava a ponto de interromper quando percebeu a adoração de Aya e Naoto para com o loiro. Olhou novamente para o rosto de Naruto, que agora esperava pela resposta.

— O chocolate é sagrado – disseram os pequenos.

Naruto deixou o ar sábio e abriu aquele sorriso que deixava Sasuke igualmente irritado e encantado. Ele parecia uma maldita criança! Era um sorriso e um olhar tão puros… algo tão… não-corrompido que ele não entendia como podia vir de um adulto.

— Vocês estão prontos! Desfrutem!

Naruto entregou o chocolate, e as crianças encararam os copos descartáveis como se estes carregassem um mel sagrado que curaria todas as doenças do mundo. Bebericaram devagar, daquele jeito que criança faz quando bebe algo novo. Os olhinhos se iluminaram daquele jeito que não acontecia desde Itachi, e Sasuke não sabia se aquilo era por Naruto encará-los como se eles fossem os maiores críticos gastronômicos do mundo, ou se era porque a bebida realmente estava gostosa.

— E então?

— É PERFEITO! – gritou Aya, tomando mais um golinho.

— BONZÃO ASSIM! – Naoto largou o copo à sua frente e abriu os braços o máximo que conseguiu.

Naruto sorriu e estendeu as mãos para eles, com a palma aberta. As crianças bateram, e o Uzumaki finalmente desviou o olhar para Sasuke, que apenas analisava a tudo com sua típica expressão desinteressada.

— Uchiha-san – Naruto entregou o copo a Sasuke, que o pegou com um aceno de cabeça.

Naruto sorriu e bebeu de seu chocolate. Sasuke olhou para o copo e o imitou. Quis vomitar. Era como se sentisse a gordura descer por sua garganta. Gordura, leite e chocolate em pó. Horrível. A pior coisa que já tivera o desprazer de experimentar. Olhou para Aya, porém a garota realmente parecia ter adorado a bebida.

— Isso é só gordura com chocolate em pó – reclamou.

— Isso que faz ser tão bom – disse Naruto, rindo.

— Você está nos envenenando – murmurou Sasuke.

Aya arregalou os olhos e largou o copo, assustada. Naoto fez o mesmo.

— Está o quê?!

— Não, Aya-chan, não é isso. O titio só quis dizer que esse chocolate é gostoso, tipo batata frita, mas a gente não pode comer sempre.

— Ah… papai chamava batata frita de “comidatela…” – ela olhou confusa para Sasuke, sem conseguir pronunciar a palavra.

— Comidaterapia. Comida ruim pra afogar as mágoas sem se viciar em nada ilícito.

Ela piscou e sorriu. Não entendera a segunda parte, mas a palavra era aquela mesma.

— Isso aí.

— É um bom nome. Tão gostando do aniversário?

Naoto assentiu com a cabeça, e Aya também. Naoto tomou o maior gole que conseguiu e sentiu seu corpo todo esquentar. Sorriu.

— Titio vai levar a gente pra comprar o quarto depois… – falou.

Ele ainda olhava receoso para Naruto, sem saber como agir perto do loiro. Não era como Aya, que simplesmente se entregava de corpo e alma às novas amizades. Demorava até conseguir confiar em alguém.

— Um quarto novo? Todinho?

Aya assentiu com a cabeça.

— Nosso quarto é chato. Aí tio Sasuke vai nos dar outro.

Naruto riu.

— Simples assim?

— É só um quarto – Aya disse, voltando a beber.

Apesar de estar delicioso, ela não sabia se conseguiria tomar tudo. Entretanto não queria magoar Naruto e continuou tomando para que ele não pensasse que ela não estava gostando.

— Eu tenho um amigo que tem uma loja aqui. Ele vende essas coisas.

Aya abriu seu maior sorriso.

— VAI COM A GENTE! Podemos ir na loja do seu amigo. Podemos, né, tio Sasuke?

Naruto olhou receoso para o Uchiha, sentindo que talvez estivesse ultrapassando alguns limites ali. Afinal, estava interagindo com os sobrinhos dele. Além disso, não pensara realmente que Aya ganharia um quarto novo. Ele bem sabia como camas e roupeiros estavam caros, e imaginar alguém comprando tudo assim, de uma vez, numa loja cara como a de Genma…

— Tem certeza? Não tá cansada? Não quer ir pra casa dormir?

Naoto se agitou. Moveu-se rapidamente, agitado, e teria caído de cabeça no banco não fosse a agilidade de Sasuke em segurá-lo.

— Naoto! Ok, chega de mesas. Vamos descer, Aya.

Naruto pegou a garota no colo e a colocou do seu lado. Ela pareceu aceitar o lugar apenas por um momentinho, e depois já se arrastava para o colo de Naruto, que a deixou se acomodar.

— Mas eu quero o quarto, tio Sasuke! É nosso aniversário! – completou Naoto, agora seguro nos braços do tio.

— Tudo bem, mas vamos logo antes que algum de vocês acabe me matando do coração.

Naruto levantou e pegou Aya em seu colo. A menina estava pronta para descer, quando ele a içou e acomodou-a em seus ombros. Ela o olhou encantada. Sasuke não fazia aquilo. Nunca. Apenas Itachi.

— Posso mesmo?

— Você está de aniversário. Hoje pode tudo, Aya-chan.

A menina abriu aquele sorriso que era o mais lindo do universo, e se mexeu para que Naruto começasse a se mover. Naoto olhou para Sasuke com os olhos brilhando, e o Uchiha sabia o que aquilo significava. Olhou para Naruto com raiva, querendo que o Uzumaki soubesse que aquilo era tudo culpa dele, mas ele estava ocupado demais brincando com Aya.

Sasuke não esperou que Naoto pedisse, apenas colocou o sobrinho em seus ombros. Aya olhou e sentiu aquela pontada de ciúmes forte em seu peito. Sasuke nunca fazia aquilo com ela. Ele nunca a colocava em seus ombros como estava a fazer com Naoto, e ela desejou estar no lugar do irmão. Sabia que Naruto era mais divertido, mas Sasuke era o titio dela, e ela queria estar nos ombros dele. Talvez Naruto tenha percebido a tristeza repentina dela, ou talvez tenha apenas cansado, porque ele parou de pular e caminhou tranquilamente ao lado de Sasuke.

— É meio longe… podemos pegar o metrô.

— Eu vim de carro.

Naruto assentiu com a cabeça, e Aya olhou para o irmão. Naoto olhou para ela e sorriu. O ciúme foi embora, e ela sorriu de volta.

— Mais perto do tio Sasuke, tio Naru.

“QUÊ?!”

— Oi?

— Mais perto, eu quero pegar na mão do Nao.

Naruto engoliu em seco, sem querer obedecer. Aya esticava seu corpinho para o lado, querendo alcançar a mão que o irmão lhe estendia. Naruto se aproximou, desconfortável, e teve que andar tão perto de Sasuke que sentia o cheiro do perfume dele. Não sabia a marca, só sabia que era bom pra caramba. Respirou fundo, sabendo que a mão dele estava a menos de dois centímetros e sentindo uma vontade insana de agarrá-la. Segurou Aya pelos joelhos, impedindo que ela caísse e que ele tocasse em Sasuke.

Aquilo não ia prestar.

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Genma atendera-os com seu costumeiro cigarro não-aceso nos lábios. Aya não gostou dele – sabe-se Deus por que –, e decidiu que faria o homem mostrar a ela cada fronha com detalhe em rosa ou roxo que ele tinha – e Genma tinha muitas.

— Querida, ficaremos aqui o dia inteiro se for assim. Por que não me diz qual é a parede do seu quarto, hm?

Aya olhou para Sasuke, que segurava a mãozinha pequena dela.

— Bege.

— Mas vamos mudar! Eu quero rosa.

— Nããão! – protestou Naoto. – Eu sou menino!

— Então cada um faz seu quarto – disse Sasuke, querendo ir embora logo.

— NÃO! – protestaram as duas crianças juntas, e Sasuke já não soube mais como proceder.

Naruto pareceu pensar por alguns segundos, e então tinha a solução.

— A gente pode fazer assim: pintamos duas paredes de branco, que é uma cor de todo mundo, e sobram duas paredes. Uma pra cada um decidir o que fazer.

Aya sentiu os olhos brilharem.

— Eu quero unicórnios na minha!

— E eu quero lasers! – disse Naoto.

— Tenho vários adesivos prontos. Vocês nem precisam contratar ninguém. É só pintar a parede e colar os adesivos quando estiver pronto. Querem ver? – os adesivos eram caros, e Genma estava louco para vendê-los.

— SIM!

As crianças largaram Sasuke e subitamente passaram a gostar do dono da loja. Naruto riu ao observá-las, e Sasuke ficou para trás, sempre mantendo um olhar nos pequenos.

— Eu não me esqueci de quarta.

Naruto sentiu todo o seu corpo esfriar. Suspirou.

— Eu não matei Itachi.

— Sua reação foi suspeita.

— Existem coisas que não gostamos de lembrar. Não há nada sobre seus sobrinhos na internet, então acho que não quer que ninguém saiba sobre eles. Também tem coisas que eu quero que ninguém saiba.

Sasuke nunca o vira tão sério. Sentiu-se estranho, quase como se presenciasse um momento importante.

— Eles são pessoas, não roupas.

— O que fez com as roupas que usava quando seu irmão morreu?

Estavam jogadas em um canto longe dos olhos de Sasuke. Não gostava nem de lembrar que elas ainda existiam.

— Não vem ao caso.

— Acho que agora estamos entendidos.

Sasuke pareceu pensar por um tempo, e depois acabou assentindo com a cabeça.

— Não aja mais daquele jeito. Se me bater de novo, eu juro que te prendo.

Naruto tentou, com todas as forças, não levar aquilo para o outro lado. Tentou não se imaginar algemado a uma cama, enquanto Sasuke fazia de tudo com seu corpo. Tentou, mas não conseguiu. Não imediatamente, ao menos.

Segundos depois, Aya e Naoto voltaram correndo, cada um com mais adesivos do que conseguiam carregar. Eram adesivos enormes, que cobririam muito bem a parede.

— Eu peguei um castelo de princesa, e um arco-íris, e unicórnios! – Aya tagarelava.

— Eu tenho robôs e lasers, e olha, um carro legal, e essas coisas aqui, olha, olha! – dizia Naoto tão entusiasmado quanto a irmã.

Naruto envolveu-se em analisar tudo o que os pequenos tinham, e Sasuke apenas ficou observando. Não entendia como o loiro conseguia uma sincronia tão grande, sendo que os conhecia apenas há algumas horas. Se ao menos confiasse nele como confiava em Gaara… se ao menos não tivesse tanto medo de deixar seus pequenos longe de seus olhos…

— E qual vai ser a cor da parede?

— Qual cor o pintor pinta, tio Sasuke? – perguntou Naoto.

— Pintor?! Mas a graça de montar o quarto é pintar tudinho! – protestou Naruto.

Os pequenos olharam para ele com os olhos brilhando, e Sasuke podia ter socado o loiro naquele exato momento. No que diabos ele pensava?!

— Vamos poder mexer na tinta?

— E sujar as mãos, e os pés, e essa é a diversão! – respondeu Naruto, animado.

— Pode, tio Sasuke, pode?! – pediu Aya.

— Aya, é um trabalhão…

— Por favor! O tio Naru ajuda! – disse Naoto.

Era a primeira vez que ele o chamava assim, e Naruto achou que “tio Naru” ficava realmente bom na voz dele.

— Uzumaki tem mais o que fazer, e eu também.

— Mas é nosso aniversário! Deixa, deixa!

Aya tinha aqueles olhos pidões, aqueles olhos que Sasuke ainda nem sabia que seriam sua perdição para sempre. Ainda era cedo, mas o Uchiha descobriria que era incapaz de dizer “não” a ela quando Aya pedia coisas inocentes daquele jeito tão bonitinho.

— Aya, eu preciso trabalhar…

— Por favor, eu quero muito, tio Sasuke! – pediu Naoto.

Sasuke suspirou.

— Ok, mas é o Uzumaki quem vai fazer isso com vocês. Eu não me envolvo, e vocês limpam toda a bagunça depois.

— EBA!

Naruto sorriu constrangido. Não era bem aquilo que queria. Não queria realmente se meter na vida de Sasuke. Na verdade queria, mas não daquele jeito. Parecia que forçava uma entrada por meio de Aya e Naoto, e não eram esses seus planos.

Os pequenos comemoraram, e logo todo o resto foi escolhido. Tinta azul clarinho para Aya – assim seu castelo ficaria nas nuvens, e seu unicórnio pareceria estar voando – e verde para Naoto – para que encenasse as batalhas robóticas que desejasse.

Genma ligaria para Naruto assim que as tintas ficassem prontas, e o loiro ficara encarregado de levá-las à casa de Sasuke. Camas foram escolhidas – duas de casal, para que eles aprendessem a dormir sozinhos –, assim como um roupeiro duplo – que seria personalizado com as cores rosa e azul – e uma estante de parede para livros. Uma escrivaninha dupla para que os pequenos estudassem quando chegasse a hora, e muitos brinquedos novos que eram “necessários”.

Naruto nunca viu alguém gastar tanto dinheiro assim. Sasuke pagou à vista. O Uzumaki tinha a consciência de que poderia trabalhar a vida inteira e nunca poderia pagar por tudo aquilo à vista.

Finalmente entendia por que Sasuke oferecera-lhe cinco mil ao mês.

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Sasuke deixou Naruto em casa depois de saírem da loja de tintas. O Uzumaki saiu com um sorriso bobo no rosto. Vira Sasuke sorrir. Talvez nem o moreno tenha percebido, mas ele abrira um sorrisinho de canto, tão lindo que Naruto sentira vontade de dizer a ele que devia sorrir sempre assim. Fora para Aya e Naoto, claro. Naruto nem sabia que ele podia amar com tanta intensidade, mas amava. Aquele sorrisinho que nem Sasuke percebia provava aquilo.

Suspirou, sabendo que a atração ficava mais forte. E aquele corpinho estivera TÃO próximo do seu naquela tarde… pudera sentir a respiração de Sasuke ao seu lado quando Aya resolvera dar a mão a Naoto, e sentira tanta vontade de beijá-lo!

Suspirou, afastando os pensamentos, e pensou nos pequeninos. Como duas crianças tão meigas e puras podiam estar sendo criadas por Sasuke? Ele nem mesmo conseguia se comunicar com elas! As palavras saíam difíceis, e sempre que o diabo precisava criar uma metáfora ou eufemismo, parecia que estava matando alguém.

Por algum motivo, Naruto achou essa dificuldade adorável.

Quase tão adorável quanto aquele sorriso de Aya. Mas ele sabia, mesmo que bem lá no fundinho, que nada no mundo poderia ser mais lindo do que o sorriso cheio de dentes tortos daquela garotinha.

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Assim que Sasuke chegou em casa, percebeu que Shikamaru lhe ligara dezoito vezes. Não sabia como pudera não perceber as chamadas, e então lembrou que o celular estava no silencioso.

— Fiquem aqui na sala. Depois vamos ao banho, sim?

Aya correu ao sofá e ela e Naoto começaram a trocar segredos sem importância. Sasuke retornou a chamada, e foi atendido no segundo toque.

— Cara, onde você tava?!

— É aniversário de Aya e Naoto, fomos ao parque…

— Verdade, eu esqueci! – Sasuke ouviu algo se remexer no outro lado. – Tenho presentes aqui.

— O que é, Shikamaru?

— Sim, certo, vamos ao assunto. Eu descobri uma coisa.

— O quê?

— Você não vai gostar.

— Quê?

— Aquele loiro pegou coisas dos casos do seu pai. Apenas uma coisinha de cada uma, só pra provocar. E uma caixa inteira.

— Que caixa?

— Aquela com as evidências sobre o assassino dos seus pais.

Sasuke gelou. Sem as evidências, Danzou podia sair da prisão quando quisesse.

— Ele… ele está tentando soltar Danzou?

— Advogados já entraram em contato com a prisão… se não aparecerem novas evidências…

— Tínhamos todas as evidências.

Sasuke tinha o maxilar cerrado. Danzou não podia sair. Não ele.

— Sumiram. Precisamos daquela caixa.

Sasuke saiu da sala, caminhando tranquilamente pelo corredor. Apertava o celular como se quisesse destruí-lo. Ao chegar ao seu quarto, chutou seu colchão com toda a força. Não houve bagunça ou barulho.

— Ok. Como a conseguimos?

— Eu não sei…

— Shikamaru, ele não sai da prisão – Shikamaru não era amigo próximo de Sasuke, porém sabia que aquele tom de voz não podia significar nada de bom.

— Sasuke…

— Ele tentou me matar quando eu era uma criança. Esse desgraçado não vai chegar nem perto de Aya e Naoto.

— Eu não tô dizendo que ele deve ser solto, só estou dizendo para que você não o mate.

— Eu não vou.

Outra pessoa o faria. Se Danzou saísse da prisão, Sasuke compraria o assassinato dele. Não o matara antes por insistência de Itachi. Mas Itachi não estava mais ali, e Sasuke não deixaria que lhe roubassem os dois últimos pedacinhos que ainda tinha do irmão.

Notas finais
Tan, tan, taaaaan! E agora? Deidara está tentando retirar o assassino dos pais de Sasuke da prisão... e aí? O que vocês acham que vai acontecer? Por que ele quer fazer isso? A ação tá começandoo o// Mais um pouquinho de SasuNaru pra vocês, mas não muuuito. Mas, como deu pra perceber, Narutinho não vai sumir da vida do Sasuke, né? Quero agradecer de coração por todos os comentários lindos, vocês são incríveis! Acreditam que já passamos dos 120 acompanhamentos? Eu ainda não kkkkk Obrigada mesmo, gente :33 Nos vemos domingo que vem o// Bjs e teh + ^3^//