Obsesso
15 14. Segunda-feira sangrenta
Notas iniciais
O garotinho abriu os olhos azuis lentamente, ainda confuso com o que acontecia ao seu redor. A mulher ruiva o pegara no colo no meio da noite, e o abraçava bem forte.
— Kushina, vai. Eu arrumo aqui.
— Eu não demoro.
Minato sorriu e se aproximou rapidamente. Beijou a testa do filho ainda sonolento, e bagunçou os cabelos dele, como sempre fazia.
— Se comporte, Naruto. Eu e mamãe amamos você, ok?
— Papai?
Mas Minato apenas indicou a porta e voltou à cama infantil. Arrumava os cobertores para que pensassem que o garotinho não estava em casa. Kushina correu com o pequeno nos braços. Naruto já estava mais desperto, e encarava as lágrimas da mãe sem compreendê-las.
— Por que tá chorando, mamãe?
— Shiii. Não fala nada, meu anjinho. Fica quietinho, ok? Mamãe explica depois – ela sussurrava.
Naruto ficou assustado e a abraçou mais forte, enterrando o rosto nos cabelos vermelhos. Kushina o levou até o escritório de Minato, e apertou uma parte da parede que Naruto nunca suspeitara que pudesse se mexer. Uma voz estranha falou “Uzumaki Kushina”, e a parede abriu. Naruto arregalou os olhos e olhou para o quartinho que ali ficava. Tinha uma cama e uma geladeira, provavelmente cheia de comida; um vaso sanitário e também um armário.
Kushina carregou o filho até o armário e o colocou ali dentro. O fundo era falso, e ela acomodou o loirinho nos cobertores que ali ficavam.
— Mamãe… – Naruto quase chorava, mas a mulher sorriu.
— Fica aqui, ok?
— Eu to com medo. O que tá acontecendo?
— Não se preocupe. Tem uns homens maus aqui, mas papai vai proteger você. Mas não pode fazer um barulhinho, ok?
— Mamãe, e você?
Naruto era pequeno para a idade, e parecia ainda mais novo quando falava daquele jeito, com lágrimas escorrendo pela pele clarinha. Kushina tentou guardar todas as lembranças com o pequenino em seu coração, pois sabia que não voltaria a vê-lo.
— Mamãe vai ficar bem. Você conta até mil, ok? Se não ouvir nenhum barulhinho, pode sair. Se ouvir, começa do zero, tá? Não sai desse quarto até eu ou o papai virmos te buscar. Ou o vô Jiraya.
— Vocês vão vir, né mamãe?
— Fique quietinho, meu amor.
— Mamãe…
— A mamãe te ama.
Kushina deu um último beijo na testa do filho e fechou a porta falsa do armário, saindo do quartinho em seguida. Naruto ouviu-a ir e não pôde fazer nada além de chorar baixinho. Não conseguiu chegar ao cem antes de ouvir barulhos de passos e ter que recomeçar a contagem. Ouviu os pais gritarem, e tentou ficar quieto com aquilo. Não conseguiu por muito tempo. Saiu do armário e foi até a porta, mas não conseguiu passar por ela. A voz estranha continuava repetindo “não autorizada a saída antes das seis horas da manhã”. Naruto bateu na porta e tentou sair, porque precisava ajudar os pais.
Não conseguiu, mas ficou tentando até ouvir passos no escritório do pai. Não era a mãe, porque Kushina tinha o caminhar leve e saltitante. Não era o pai também, porque Minato era tranquilo, e seus passos não eram pesados como os que vinham. Assustado, o garotinho de oito anos correu de volta para o fundo falso do armário e recomeçou a chorar.
Naruto acordou num pulo, com a cabeça doendo. Não era ressaca, porque essa já passara. Fora o pesadelo que o deixara assim. Suava frio, e seu rosto estava molhado pelo que ele suspeitava serem lágrimas. O Uzumaki respirou fundo e tentou recuperar sua calma, mas não conseguiu.
Deixou-se, então, chorar novamente. Fazia tempo que não chorava pela morte dos pais, mas aquele pesadelo trouxera toda a dor e todo o medo novamente. Com as lágrimas escorrendo, Naruto abraçou seu travesseiro e fechou os olhos, entregando-se à dor que ele achava não sentir mais.
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A operação fora meticulosamente planejada por Shikamaru, Sasuke e Gaara. Se dependesse apenas do delegado, seriam ele e Gaara a executá-la, mas Shikamaru insistira para que outros três homens também participassem, portanto Lee, Sai e Mukade os acompanhavam. Caminhavam lentamente até a cela de Kisame, todos armados para o confronto.
O homem parecia esperá-los, e a reação dele ao perceber que se aproximavam foi o suficiente para minar qualquer dúvida que Sasuke ainda pudesse ter. O Uchiha usou todo seu autocontrole para não enfiar uma bala na testa do homem.
— Kisame.
— Sasuke, hm? Demorou pra me descobrir. Itachi falava tão bem de você… acho que ele se enganou, não?
Gaara aproximou-se um passo do Uchiha, pronto para impedi-lo caso Sasuke tentasse fazer alguma loucura. Conhecendo o temperamento do delegado como Gaara conhecia, o Sabaku não duvidava de nada.
— Itachi era ingênuo. Eu não sou. Revistem ele.
Kisame riu enquanto Lee o segurava com força, prendendo seus braços. Mukade começou a revistar o homem por trás, e Gaara saiu revistando a cela. Sasuke apenas encarava-o sem demonstrar qualquer emoção. Sai foi ajudar Mukade com Kisame, e cobriu a visão do Uchiha por um segundo. Foi o suficiente para Kisame pegar a arma de Lee.
Quando Kisame conseguiu a arma, tudo aconteceu muito rápido. Sasuke tentou mirar no preso, mas Sai lhe cobria a visão. Kisame virou-se para Lee, Mukade e Sai, que estavam muito juntos, e apontou a arma para eles. Sasuke hesitou por um segundo, confuso. Pelo que tudo indicava, Kisame deveria usar aquela oportunidade para matar a ele, não a outra pessoa. O segundo que Sasuke hesitou foi o suficiente. Kisame apertou o gatilho, mas Lee empurrou o policial que seria atingido para o lado e recebeu a bala no lugar dele.
Sasuke atirou três vezes na cabeça de Kisame, e Gaara atingiu-o nas costas duas vezes. Estava morto antes de atingir o chão.
— Gaara, estanque o sangue. Vocês dois me sigam.
Vários outros policiais apareceram com os tiros, e todos correram para ajudar Gaara. Naruto encarava a cena assustado, sem entender o que Sasuke fazia. O Uchiha parou no corredor, enquanto os outros presos gritavam em pânico e os dois policiais atrás dele tremiam confusos.
— Uzumaki, leve Rock Lee ao hospital. Akimichi, remova o corpo de Kisame, por favor. Hyuuga, você vem comigo. Mitsashi, reviste a cela de Kisame. Gaara, venha.
— Mas senhor, o Lee… – começou Tenten.
— Estará no hospital assim que você terminar. Rápido.
Naruto ligou para a ambulância e assumiu o lugar de Gaara ao estancar o sangue de Lee, que parecia ter bastante dificuldade para se mover. Chouji conferiu os batimentos de Kisame, mas não havia como o homem ter sobrevivido a tantos tiros. Tenten ignorou Sasuke e correu até o amigo.
— Lee!
— Tenten, Uchiha-san…
— Foda-se ele! Eu vou com você ao hospital, ok? Naruto revista essa merda se quiser, mas eu vou ficar com você.
Lee riu um pouco.
— Falando desse jeito, até parece que você me ama. Neji vai ficar com ciúmes.
— Cale a boca! Lee, fica quieto, ok?
Ela trocou de lugar com Naruto, mas ele não conseguiu se mexer. Tinha um policial morrendo ali, e tudo o que Sasuke fizera fora levar aqueles dois imbecis embora, além de sair com outros dois policiais que poderiam estar ajudando naquela merda de situação. Ele começou a entrar em desespero, e teria começado a correr em círculos se Chouji não colocasse a mão em seu ombro e o puxasse para cima.
— Tenten está cuidando dele, Naruto. Nós precisamos fazer o nosso trabalho, ok?
— Nosso trabalho? Você está louco?! Lee foi baleado! O Uchiha-san devia estar aqui cuidando dele e chamando a porra da ambulância, não…
— Ele é o chefe, Naruto. Anda, começa a revistar a cela.
Naruto olhou para o corpo meio desmaiado de Lee e depois para a cela. Mandando todos ao inferno, ele ajoelhou-se ao lado do moreno e ajudou Tenten a estancar o sangue. Sabia que não estava fazendo nada realmente importante e que pouparia tempo se seguisse as ordens de Sasuke, mas era humano. Não podia ficar vasculhando a bosta da cela quando um dos homens que mais o ajudaram a se adaptar estava morrendo. Ele simplesmente não podia.
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— Sasuke, Lee é um amigo.
— E não há nada que você possa fazer por ele agora. Preciso de você aqui, Neji.
Neji assentiu com a cabeça. Sasuke era um dos homens mais racionais que o Hyuuga conhecia, e ele jamais deixaria um de seus policiais sangrando se não fosse extremamente necessário.
— Poderíamos saber o que está acontecendo, por favor? – Mukade pediu, ainda tremendo.
A cena que ele e Sai presenciaram fora horrível, e tudo o que queria era ir para casa. Para longe daquele lugar que cheirava a morte. Sai sabia o que Sasuke pensava, portanto apenas permaneceu calado e rezou para que o Uchiha não cometesse nenhuma loucura.
— Não.
Mukade calou-se depois da resposta fria de Sasuke, que guiou os dois policiais até a sala de interrogatório. Mukade franziu as sobrancelhas, confuso com tudo aquilo, mas Sai manteve-se impassível.
Sasuke jogou-os ali dentro e algemou ambos à mesa, um de cada lado. Removeu as armas que carregavam sem dizer uma única palavra.
— Senhor, o que está acontecendo?
Mukade parecia confuso, principalmente por Sai manter-se tão tranquilo. Ou estava apenas quieto? Naquela situação, parecia tudo a mesma coisa.
— Senhor…?
Sasuke fechou a porta depois de passar por ela sem dizer uma única palavra, e então apoiou as costas contra a parede. Neji o encarava um pouco confuso, e Gaara estava apenas preocupado.
— Sasuke, o que está acontecendo?
Sasuke então começou a explicar tudo o que sabiam sobre o caso de Itachi. Ele tinha o policial traidor preso dentro da sala de interrogatório, e queria Neji bem informado. Afinal, precisava de seu melhor interrogador para aquilo. Se ficasse sozinho com o imbecil por mais alguns segundos, meteria uma bala na cabeça dele, assim como fizera com Kisame. E Gaara estava ali apenas para impedi-lo de invadir aquela sala, caso seu autocontrole sumisse e ele resolvesse acabar com aquilo de uma vez por todas.
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Tenten foi com Lee até o hospital, mas Naruto ficou. Fez seu trabalho como ordenado, e começou a revistar a cela do falecido Kisame. Chouji tirou as fotos necessárias para o arquivo, e depois ajudou Naruto. Não encontraram nada além de um celular descartável.
— Como ele conseguiu isso? – perguntou Naruto.
Se fosse em qualquer outro lugar, o Uzumaki compreenderia. A corrupção não era incomum. Mas no Inferno? Naquela delegacia de polícia que, ironicamente, era chamada de 666ª delegacia? Com Sasuke como delegado? Naruto estava decepcionado. Quando primeiro chegou ali, achou que trabalhar no Inferno seria perfeito. Agora completava uma semana que chegara, e já tinha dois mortos e um moribundo.
O Uzumaki pegou o celular e o guardou num saquinho de evidências. Chouji disse a ele para deixar o celular sobre a mesa de Sasuke, e o loiro caminhou até sua própria mesa, que ficava perto da do Uchiha. Olhou para a mesa que o delegado usava todos os dias e para o escritório quase abandonado que era reservado a ele. Sasuke, por algum motivo, preferia ficar junto dos outros policiais, e usava sua sala apenas quando precisava ter alguma conversa particular.
Sentiu raiva. Sasuke estava sabe-se-lá Deus onde, fazendo sabe-se-lá Deus o quê, enquanto um de seus policiais morria no hospital. Pelo que Naruto sabia, Lee podia já estar morto. Suspirou e resolveu que iria ao hospital ver o outro. Não podia chamá-lo de amigo – não ainda –, mas Lee fizera o possível para que Naruto se sentisse em casa em seu primeiro dia, e o Uzumaki nunca se esqueceria daquilo. Naruto olhou para o celular que parecia ter causado toda aquela confusão e o colocou no bolso. Se Sasuke queria tanto aquela merda, então que viesse buscá-la.
Sem nenhum peso na consciência, apenas preocupação, Naruto foi até seu carro.
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— Então Lee pode ter se sacrificado pela merda de um traidor? È isso que tá me dizendo?
Neji nunca fora bom com emoções, assim como Sasuke e Gaara. Mas os três eram bons com a raiva e a ira, e eram esses sentimentos que os dominavam naquele momento. A Neji e a Sasuke um pouquinho mais do que a Gaara, mas o ruivo gostava de Lee. E, como todos, adorava Itachi.
— Por isso preciso que mantenha a calma e arranque tudo o que puder daquele pedaço de merda. Depois ele vai sofrer um acidente.
Aquilo ficaria apenas entre os três, é claro. Kisame também sofreria um acidente se não tivesse atacado Lee e dado a Sasuke uma boa desculpa para matá-lo. Os três acreditavam no sistema e nas leis, mas algumas coisas não podiam ser perdoadas, e o traidor pagaria bem caro por aquilo.
— Eu planejo o acidente, Sasuke. Eu sei que ele mexeu com Itachi também, mas Lee era meu parceiro.
— Eu tenho planos para quem manda nele, Neji. Esse bosta é todo seu.
Neji assentiu com a cabeça, aliviado. Se Sasuke decidisse que queria a cabeça do moreno, então não teria como se vingar. Mas tudo daria certo.
Antes que pudessem planejar as perguntas que Neji faria, Chouji apareceu correndo. Estava envergonhado, e parecia preocupado. Aquilo soou um alarme na cabeça dos três policiais.
— O que aconteceu?
— Eu e Naruto encontramos um celular na cela de Kisame…
— Mandei a Mitsashi revistar a cela dele.
— Ela foi com o Lee pro hospital, e eu e o Naruto assumimos a tarefa. Ninguém saiu prejudicado.
Chouji não gostava de desobedecer Sasuke, e tampouco gostava quando outros o faziam. O Uchiha ficava com aquele olhar vazio cheio de algo parecido com desconfiança e aborrecimento, e Chouji odiava aquilo. Aquele olhar o assustava.
— Eles fizeram o trabalho deles, Sasuke.
O Uchiha desviou o olhar para Neji, que o desafiava a recriminar sua namorada pela atitude dela, e Sasuke acabou desistindo. Desde que tudo fosse feito como ele queria, não importava realmente quem o fazia.
— Ok. Cadê o celular? Preciso entregá-lo ao Shikamaru.
— Então, esse é o problema.
Chouji recuou um passo, constrangido.
— Akimichi, cadê o celular?
Chouji olhou para o chão, e acabou não percebendo a mão de Gaara, que puxou Sasuke para trás.
— Então… eu acho que o Naruto meio que levou com ele pro hospital.
Aquilo causou alguns segundos de silêncio no lugar. Uma veia começou a saltar na testa de Sasuke, e Chouji percebeu que gostava muito mais quando o Uchiha mostrava-se indiferente.
— Ele fez o quê?
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Naruto encontrou Tenten sentada em uma cadeira. Caminhou até ela, e a garota tentava não chorar.
— Como ele tá?
— Em cirurgia. Eu não sei… ele é meu melhor amigo, Naruto. Lee não pode morrer.
— Ele é forte.
Naruto realmente não sabia o que dizer. Tenten chorava baixinho ao seu lado, enquanto o melhor amigo dela morria. Tentou imaginar Shino naquela situação, mas não conseguiu. Ficaria louco se o mesmo acontecesse a ele ou a Kiba. Eram a única família que tinha e, aparentemente, era o mesmo para Tenten.
— Há quanto tempo se conhecem?
— Desde sempre, eu não sei. Foi ele quem mais deu força, sabe? Pra mim e pro Neji. A gente nunca ia ficar junto se não fosse por ele. E eu provavelmente nem seria policial. Neji foi contra quando eu falei que queria entrar na polícia, e o Lee foi o único que me apoiou.
Naruto não soube o que dizer. Apenas a encarou e esperou que ela continuasse falando.
— Lee estava tentando convencer Neji a casar comigo.
Ela riu e ficou alguns segundos sem falar.
— Ele não está muito a fim. É muita responsabilidade, e o Neji não sabe lidar muito bem com os sentimentos dele. Mas o Lee ajuda, sabe? O Lee nos ajuda. Ele seria nosso padrinho, se o Neji me pedisse.
Mais lágrimas, e dessa vez Tenten não conseguiu parar de chorar para falar. Naruto sabia que Lee tinha amigos e família, assim como a maioria das pessoas. E, se ele fosse embora, ele faria falta. Naruto não aguentava mais mortes.
— Eles têm a melhor cirurgiã do mundo aqui, sabe?
— Como você sabe?
— Ela é minha avó. Bem, não de sangue, mas ela namorava meu avô. Ela é ótima, sério.
— É ela quem está cuidando dele?
— Eu não sei. Mas eu vou lá falar com ela, ok? Vou pedir pra nos trazerem notícias.
— Sério mesmo?
Naruto assentiu com a cabeça com um sorriso, e Tenten o abraçou enquanto chorava. Naruto retribuiu o abraço e se levantou, indo até a recepção. A mesma garota de quando trouxera o bandido com Sasuke estava ali. Ele sentia que a conhecia de algum lugar.
— Por favor, eu gostaria de falar com a Doutora Tsunade.
A garota corou violentamente ao olhá-lo, e Naruto desviou o olhar para o crachá dela. Hinata. Hinata… ele a conhecia, não?
— Quem gostaria?
— Sou eu, Hinata. O Naruto, de Worcester, lembra?
Haviam estudado juntos! Ela era legal com ele, Naruto lembrava.
— Naruto! Lembro, lembro sim.
Ela corou ainda mais ao dizer tais palavras, e o Uzumaki não entendeu realmente o porquê daquilo. Bagunçou os cabelos, um pouco constrangido, enquanto ela pesquisava algumas coisas no computador.
— A Doutora Tsunade está ocupada. Quer deixar um recado?
— Diz pra ela que eu to aqui, ok? E que é uma emergência, por favor.
— Eu não sei…
— Por favor, Hinata. É importante.
A garota corou ao encará-lo novamente e acabou cedendo. Pegou o telefone e ligou para a sala da médica. Só esperava não perder seu emprego por aquilo.
— Doutora Tsunade, tem um jovem aqui que quer falar com a senhora. Ele disse que é urgente. Seu nome é Naruto Uzumaki…
— E POR QUE ESSE MOLEQUE NÃO TÁ NA MINHA SALA AINDA?! MANDA ELE PRA CÁ PRA EU ARREBENTAR ESSA CARA SUMIDA DELE, HINATA! MANDA LOGO!
Naruto conseguiu ouvir os gritos – qualquer um que estava meio perto conseguia –, e riu um pouco nervoso. Não falava com Tsunade há quase dois anos, e a loira nunca fora conhecida por sua paciência. Hinata corou ainda mais depois de ouvir os gritos e indicou a sala dela a ele.
— Tchau, Hinata.
— Tchau.
Naruto correu até a porta indicada pela garota, tremendo um pouco. Queria muito rever a loira, porque sentia falta dela, mas também estava meio receoso. Abriu a porta sem bater e encontrou a mulher em pé, andando de um lado para o outro.
— Explique-se, mocinho. Qual é a dificuldade que você tem de pegar a merda do celular, hm?! Ou será que é muito difícil acalmar meu jovem coração? Quando você sumir assim da próxima vez, eu juro que te deixo sem orelhas!
Ela recomeçaria a falar, mas Naruto apenas a abraçou, e Tsunade disfarçou as lágrimas que queriam escorrer. Ela o abraçou de volta, forte o suficiente para deixar o loiro quase sem fôlego. Naruto riu. Sentira falta daquilo, daqueles abraços de urso que apenas ela sabia dar.
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Naruto conversou com Tsunade por alguns minutos e explicou a situação de Lee para ela. Depois de ouvir alguns xingamentos por ela apenas ser lembrada em momentos de crise, Naruto convenceu Tsunade a ir ajudá-lo. Voltou para a sala de espera com o coração mais leve e cheio de esperança. Com Tsunade no caso, não havia como Lee não escapar com vida.
Toda sua tranquilidade se esvaiu quando viu Sasuke a esperar junto de Tenten. Ele estava com cara de poucos amigos, e o estômago de Naruto embrulhou ao vê-lo. Respirou fundo e voltou a caminhar. Continuava acreditando que fizera o certo.
— Eu falei com a Tsunade-baa-chan e ela foi dar uma olhada nele. Ela é ótima, ok? Não precisa se preocupar.
Tenten sorriu, mas não muito. A presença de Sasuke era desconfortável.
— Obrigada.
— Uzumaki, vamos conversar.
Naruto assentiu com a cabeça e seguiu Sasuke até o lado de fora. Lá, o Uchiha estendeu a mão.
— Não sei no que você estava pensando ao levar uma evidência embora da delegacia, mas depois conversamos sobre isso. Me entregue o celular.
— Sabe, eu trouxe pra que o senhor viesse pra cá. Não sei se lembra, mas é o delegado e o chefe do Lee, e agora ele pode morrer por…
— Eu sei que sou o delegado. Estou fazendo o meu trabalho.
— Que trabalho?! Seu trabalho é proteger e apoiar seus policiais!
— E eu estava pronto para o interrogatório do homem que causou essa confusão toda, mas tive que deixar Neji cuidando disso sozinho porque precisava vir resolver essa situação ridícula.
— Kisame atirou em Lee, e ele já está morto.
— Você entrou na delegacia semana passada. Eu não tenho que me justificar para você, você se justifica pra mim. O celular.
Sasuke estendeu a mão. Seu olhar era profundo, e não vazio. Ele obrigava Naruto mentalmente a fazer o que queria, mas o Uzumaki estava irritado demais para sentir medo.
— Como pode ser tão insensível?! Seu policial pode morrer, e…!
Sasuke revirou os olhos e derrubou o Uzumaki no chão. Pegou o celular do bolso dele e se levantou. Naruto não esperava por aquilo, e foi a surpresa que o fez cair. Foi a surpresa que o deixou indefeso. Ao menos, era o que tentava dizer a si mesmo.
— Da próxima vez que fizer algo como isso, considere-se despedido. Você tem sorte de eu estar com pressa.
Sasuke deu as costas ao loiro e voltou a andar. Estar perto de Naruto era desconfortável. Ele era expressivo demais, e impulsivo demais. Aquelas características o irritavam, principalmente quando o faziam parecer tão desrespeitoso.
Sasuke voltou à delegacia para o interrogatório. Queria estar lá quando Neji começasse. Dois policiais na sala, apenas um culpado. E todos sabiam por quem Lee levara um tiro. E aquele desgraçado pagaria caro por todo o mal que havia causado.
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Naruto voltou para dentro, e Chouji também estava ali com Tenten. Ele sentou-se com os dois, e ouviu histórias sobre Lee por quase duas horas. Ele era um bobão alegre, mas sonhava em ser pai e em ter uma família. Ainda não encontrara a garota certa, e morava junto de seu professor – o que poderia parecer estranho para a maioria das pessoas, mas Naruto acabou descobrindo que não era tão estranho – desde que resolvera ser policial.
Lee conhecia Neji e Tenten desde o colegial, e os três eram inseparáveis desde então. No início Neji e Lee se detestavam e cabia a Tenten acalmar os dois, mas depois foram se conhecendo melhor, e a amizade ficou extremamente forte.
— Eu queria saber o que eles estão fazendo… – murmurou Tenten, que já não chorava mais.
— Não pode ser nada importante. Não tem como…
— Se não fosse, Neji estaria aqui, acredite. Ele faria de tudo para estar aqui, mas o senhor Uchiha deve ter pedido algo muito importante a ele.
Naruto suspirou.
— Não é estranho chamar um cara da nossa idade de “senhor Uchiha”?
— Você se acostuma – murmurou Chouji.
Depois de mais uma hora de espera, Tsunade apareceu. Ela parecia exausta, e Naruto se levantou de imediato ao vê-la. Os outros dois a imitaram.
— Tsunade-baa-chan, como o Lee tá?
Tsunade não conseguiu dizer nada, ela simplesmente fez um gesto negativo com a cabeça. Foi tudo o que precisaram para saber que Lee estava morto.
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