Obsesso

16 15. O melhor que conseguiram


Notas iniciais
I'm back! ~~enjoy

Sasuke pegou seu celular e olhou para aquele que retirara do loiro. Ainda estava no saquinho de evidências, e não parecia ter sido alterado de nenhuma maneira. Revirou os olhos. Loiro idiota, o que pensava que estava fazendo? Roubando evidências… se não estivesse com tantos outros problemas – sobrinhos, Itachi, assassinos, Kisame, sobrinhos de novo, porque cuidar de crianças não era fácil – teria demitido o intrometido na hora. Mas tinha coisas mais importantes a fazer, portanto resolveu dar ao Uzumaki uma segunda chance.

Ligou para Shikamaru, que atendeu no terceiro toque.

— Estou passando na sua casa pra deixar um celular. Foi encontrado na cela de Kisame.

— Oi pra você também.

— Kisame está morto e atirou em Lee. Não sei a condição dele, mas está em cirurgia.

— Sasuke…

Sasuke desligou sem responder, e entrou em seu carro em seguida. Era bom que Shikamaru descobrisse muita coisa com aquela merda, porque tinha a impressão de que perderia um ótimo policial por causa daquilo. E Neji ficaria insuportável. Simplesmente… insuportável. Como ele próprio sabia que estava.

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Todos encaravam o caixão descer lentamente. Neji não chorava, mas tinha o olhar mais frio que um homem poderia possuir. Naquela tarde, o demônio estava mais gélido do que o diabo. Sasuke tampouco chorou, mas sentia por Lee. O velório dele era bonito, e fora enterrado com seu uniforme de serviço.

Tenten chorava. Odiava chorar, mas não tinha como evitar. Chorara no dia anterior, quando o amigo morreu, e passara o dia inteiro chorando. Era Lee. Lee, que a derrubara no dia em que se conheceram e que passara três horas se desculpando depois. Lee, que marcou um encontro às cegas entre ela e Neji para que finalmente pudessem ficar juntos. Lee, seu mais fiel amigo e confidente. O garoto que seria padrinho de seus filhos, e que os tiraria de casa quando ela e Neji sentissem saudades dos tempos em que eram apenas os dois.

E morrera ao defender um traidor.

A traição de Mukade já era conhecida em todo o departamento de polícia e, em breve, o resto do mundo saberia sobre. Sasuke prometera não deixar que o sacrifício de Lee passasse em branco, mas Tenten sabia que ele fazia aquilo muito mais por Neji do que pelo próprio Lee. Ele e Neji tinham uma estranha ligação. Alguns chamavam de amizade, mas Tenten não achava que Sasuke pudesse realmente ter amigos. Não quando não se abria com ninguém.

Naruto também estava lá, e aquele velório foi muito pior do que o velório de Itachi. Daquela vez era alguém que ele conhecia – mesmo que pouco –, e a dor era enorme. Não chorava, porque já passara por momentos piores. Sentia um pouco de vontade, mas a raiva era maior. Raiva de si mesmo, em parte. Raiva de Sasuke também. Roubara a evidência para que Sasuke se importasse com Lee, ao menos um pouco, sem saber que o moreno já se importava. Sentia-se mal pelo que fizera, principalmente por saber que atrasara o interrogatório do traidor. E Mukade fora legal consigo! Naruto realmente gostava dele, e não entendia como não percebera antes quem o homem realmente era. Como ninguém percebera antes.

Até o momento, Naruto se considerava um bom julgador de caráter. Dificilmente se deixava enganar por outros, e nunca desconfiara de Mukade. Era um homem bom, decidido e quieto. Enganara-se, aparentemente. Entregando informações sigilosas da polícia em troca de dinheiro? Nunca esperara isso. Ao menos agora ele estava sendo exposto para todos, e não poderia mais machucar ninguém. Em breve seria preso.

Neji encarou o caixão, agora já dentro da cova. Não conseguia acreditar. Sentiu as lágrimas comicharem seus olhos, mas não permitiu que nenhuma delas escorresse. Não choraria. Não…

— O que você está fazendo aqui mesmo?

Lee simplesmente invadira sua casa, e agora pegava uma cerveja na geladeira, como se também morasse ali.

— Eu quero saber tudo sobre ooooontem.

Neji revirou os olhos e resolveu ignorar o tom malicioso usado pelo amigo. Lee carregava seu melhor sorriso maroto, e espichara o ontem por quase cinco segundos, apenas de provocação.

O Hyuuga sentou-se num dos dois sofás da casa, e observou o outro escolher as bebidas. A sala e a cozinha eram um cômodo único.

— Não aconteceu nada ontem, ok?

— Tenten dormiu aqui.

Neji arqueou uma sobrancelha.

— E você sabe disso como…?

Lee sorriu e desviou o olhar para o teto.

— Tenho meus contatos.

— Ah, Lee, por favor, me diz que não ficou espionando a gente.

Lee bufou e revirou os olhos.

— Claro que não! A Tenten me ligou ontem, perguntando que roupa vestir.

Neji riu e observou o outro se jogar no sofá ao lado, entregando-lhe uma cerveja em seguida.

— Então agora você dá dicas de moda pra minha namorada?

Lee deu de ombros.

— Ela precisa de algumas amigas.

— Dá pra ver.

Ficaram em silêncio por quase três minutos, e Lee mantinha aquele olhar brilhante e cheio de expectativas, além do sorriso abobado no rosto.

— O que foi, Lee?

— Aconteceu, não aconteceu?!

Lee parecia ainda mais excitado com aquilo do que Neji, que apenas deu de ombros e bebeu mais um gole de sua cerveja.

— AI MEU DEUS! VOCÊS VÃO CASAR E TER FILHOS! EU ACHO QUE SOU O MELHOR CUPIDO DO UNIVERSO! ADMITE, NEJI, ADMITE!

— Cala a boca.

Neji não estava com o rosto corado, porque Hyuuga Neji não cora. Simplesmente estava um pouquinho quente ali, e aquilo se refletia levemente em suas bochechas. Nada além daquilo, é claro.

— NEJI, SEU FILHO VAI TER MEU NOME, NÉ?! UMA HOMENAGEM!

— Cala a boca, Lee. A gente não vai casar e ter filhos.

Lee parou de correr e pular pela sala como um retardado, e voltou a sentar no sofá com seu melhor sorriso sabichão.

— Claro que vão.

— E você sabe disso como, exatamente?

— Porque eu sou o melhor cupido do mundo.

— Cala a boca.

Lee começou a rir novamente; estava realmente feliz. Neji brigara com toda a sua família e, pelo que ele sabia, não mantinha contato com ninguém além de uma prima, mas nem com ela falava muito. O moreno não gostava de falar sobre o que acontecera, mas Lee sabia mesmo assim. Em noites de bebedeira, até Hyuuga Neji se abria. E o passado dele era cruel e triste, mas o futuro não precisava ser assim. Lee não queria que fosse, assim como também queria apenas o melhor para Tenten. Eles também eram sua família, afinal.

— Hey, Neji.

Neji apenas desviou o olhar para ele, levemente receoso.

— Você vai pedir a Tenten na minha frente, né? Eu preciso ver isso.

Neji pegou a almofada que estava ao seu lado e acertou o rosto do amigo com ela, que caiu na gargalhada novamente.

— Cala a boca.

Neji sorriu com a memória. Era antiga, de quando haviam acabado de começar a faculdade. Era bom. A sensação de quando Lee estava por perto… A sensação de ter uma família, já que a dele não era exatamente unida… Neji sentia falta daquilo. Se passara apenas um dia, mas ele sentia falta daquilo. Fora tão rápido. Em um instante Lee estava com ele e no outro… no outro não estava mais. Sem últimas palavras, sem tempo para aceitar aquilo. Não era como nos filmes. Nos filmes, sempre havia palavras! Palavras que o ajudariam a seguir em frente. Palavras de conforto, ou o que fosse. Mas Lee não tivera tempo de dizer nada. Em um momento estava vivo e no outro… no outro não estava mais.

O Hyuuga olhou ao redor, e percebeu que poucos restavam da multidão de outrora. Apenas Sasuke, Tenten, Gaara e Shikamaru permaneciam. Não soube por quanto tempo ficou perdido nas memórias, mas era bom saber que não estava mais rodeado por estranhos.

Neji não era um homem impulsivo, mas agiu por impulso. Tenten estava jogando uma rosa vermelha sobre o caixão do melhor amigo deles quando Neji a puxou para trás. Ela o encarou confusa, enquanto ele se ajoelhava e pegava na mão dela.

— Esse não é o momento perfeito, e nem é o dia perfeito, e nem nada perfeito. E Lee queria que fosse tudo perfeito, porque eu acho que ele vivia pelo nosso relacionamento. Mas ele pediu pra fazer que isso acontecesse na frente dele, e essa é a última oportunidade que eu tenho. E eu não planejei nada, por isso não posso tirar um anel milagrosamente do bolso, mas prometo comprar um nos próximos dias.

Tenten continuava confusa. Uma parte dela meio que sabia o que aquilo significava, mas o resto não conseguia realmente acreditar. Todos que observavam também tinham o cenho franzido. A cena era, para dizer o mínimo, inusitada. Alguns diriam inapropriada, mas nenhum dos que a presenciava diria isso. E não diziam, porque… bem, eles também não eram apropriados em muitas ocasiões.

— O que eu quero dizer é… você aceita casar comigo?

Neji tinha os olhos marejados. Tenten não sabia se ele estava pedindo aquilo porque era o que Lee queria, ou se estava pedindo aquilo porque realmente queria, mas Tenten também sabia que havia uma palavra para responder. E a cena não era bonita como ela queria que tivesse sido. A cena era triste. Triste, porque não havia um garoto verde pulando ao redor deles e gritando “Eu sabia! Eu sabia! Eu sabia!”, mas parecia certo. Lee os incomodava sobre aquilo há quase dois anos – quando Tenten admitira que estava esperando pelo pedido –, e não parecia haver melhor maneira de honrá-lo. Ela assentiu com a cabeça e Neji levantou, tomando-a nos braços.

O Hyuuga prometeu que não choraria, mas algumas lágrimas escorreram de seus olhos quando foi envolvido pelo cheiro de Tenten. Chocolate, é claro. Ela gostava daquele perfume. Ficaram se abraçando, em frente ao túmulo ainda aberto de Lee, por vários minutos. Ninguém percebeu as lágrimas de Neji – ou fingiram não perceber –, mas tampouco aplaudiram. Foram felicitados brevemente quando voltaram para perto dos outros, mas nada entusiástico. Apenas sorrisos amigáveis, e um olhar de aprovação de Sasuke.

Tenten não esperava ser pedida em casamento num enterro, mas foi o que aconteceu.

–-//--//--//--//--//

Ironicamente, o mundo não para quando um amigo morre. Naruto inclusive precisou ir atrás de um assaltante naquela noite. Sasuke o deixara de plantão – provavelmente devido à evidência que fora roubada –, e Naruto via-se obrigado a trabalhar até o amanhecer. Uma delegacia não pode ficar sem atendimento noturno, principalmente porque é à noite que a ação acontece. E por isso ele precisou sair, às dez horas da noite, com Sai.

Naruto esperava um pouco de ação. Ele queria ação, verdade fosse dita. Queria esquecer o choro de Tenten, e a morte de Lee… e até mesmo a estranheza de Neji. Não conseguira se aproximar quase nada do Hyuuga, porque ele era, como diziam, um demônio. Na opinião de Naruto, todos os policiais de Sasuke deviam ser chamados de demônios. Mas, é claro, apenas alguns tinham tal privilégio. Três, mais especificadamente. Gaara, Neji e, ironicamente, Sai. Mas Sai não parecia como os outros. Ele era mais… receptivo. Não era tão distante, e frio, e indiferente e… bem, Naruto não sabia mais como defini-los. Só sabia que podiam ser mais legais e menos parecidos com o diabo Uchiha.

Chegou à loja que era assaltada e sentiu a adrenalina tomar conta de seu corpo. Não devia ficar feliz por ver tantos reféns em desespero, mas estava. Ali havia uma situação que ele sabia como lidar. O cerco policial foi feito, e ele fez sinal para Sai, indicando que os dois entrariam pelos fundos. Sai assentiu, e os policiais remanescentes, apenas quatro, começaram as negociações de praxe.

Sai e Naruto sinalizaram um para o outro. Os homens estavam armados, e cada um dos policiais atirou na mão que segurava o armamento. Desarmados, eles eram alvos fáceis. Naruto vinha procurando alguém em quem descontar sua raiva há muito, e deixou sua arma cair ao chão. Correu até os homens, e o primeiro soco que deu fez com que todos os músculos de seu corpo relaxassem. Sentia-se em paz.

Enquanto Naruto mantinha-se em uma briga quase desonesta com os dois assaltantes, Sai começou a retirar os reféns. Ele não conhecia Naruto suficientemente bem, mas jamais adivinharia que o Uzumaki tivesse tanto treinamento. Ele próprio não teria lutado melhor – não sem sua arma –, e perguntou onde diabos ele teria aprendido tudo aquilo. Naruto colocou em prática todos os ensinamentos de Jiraya. Não entre em pânico, nunca esqueça que há um adversário atrás de você, e nunca morra.

Os homens não tiveram muita chance, e Naruto socou-os um pouquinho além do que seria necessário. Fez apenas para extravasar sua raiva, que era bem grande. Lee estava morto, e Lee era um garoto legal. Mukade os traíra, e ele confiava em Mukade. Nada mais fazia sentido. Apenas aquilo: acabara de impedir dois caras maus de fazerem coisas ruins. Aquilo era sensato, aquilo era certo.

— E o que vamos fazer com ele agora? – perguntou o Uzumaki.

— Vamos levá-lo pra cela. Conheça a mais nova Alma do nosso Inferno, Naruto.

Naruto sorriu e arrastou um dos homens até o carro; Sai arrastou o outro. O último que pegara – com Sasuke, numa manhã que parecia que seria entediante –, acabara no hospital, e Naruto nunca mais o viu. Aqueles ali seriam diferentes; não estavam tão maus a ponto de precisarem de hospital, apenas não conseguiriam se sentar direito por um bom tempo. Mas Naruto cuidara para não quebrar nada; eles não mereciam que médicos perdessem tempo cuidando deles.

— Ele fica com a gente até amanhã, e depois vai direto pra penitenciária, ou qualquer outro lugar. Não importa.

— Então a gente fica só com os vagabundos nas celas?

— Basicamente. Não somos uma prisão, sabe? É só uma delegacia. Temos as Almas só porque elas não podem ficar soltas por aí.

Naruto deu de ombros. Em Worcester era o mesmo, mas realmente seria legal ver Sasuke lidando com presidiários. Por algum motivo, achava que ele seria ótimo no trabalho.

Apesar de ter sido uma prisão simples, Naruto estava cheio de orgulho. Era sua primeira prisão de verdade desde que começara em Boston, há uma semana. E, apesar de ter participado do velório de um colega naquele dia, talvez as coisas fossem melhorar dali para frente. Talvez a sorte deles fosse mudar.

Talvez.

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Naruto entrou na delegacia com a cabeça erguida e seu ego um pouquinho inflado. Carregou o homem quase até a mesa de Sasuke, que lia alguns papeis e parecia distraído.

— Uchiha-san.

Sasuke conhecia o tratamento japonês, e quase quis dizer ao loiro que estavam na América, mas se impediu. Estava levemente irritado porque Neji estava atrasado, portanto relia os papeis envolvendo Itachi. Tinha uma versão escrita do interrogatório do dia anterior, e anotara as principais informações até então recolhidas. Aparentemente, o assassinato de Itachi não fora pela razão que ele imaginara originalmente. Talvez a Akatsuki – era bom finalmente poder colocar um nome à organização – nunca houvesse descoberto sobre a traição de Itachi. Talvez ele tivesse morrido apenas por ser um Uchiha. E aquilo era preocupante, porque havia dois pequenos projetos de gente que também carregavam esse sobrenome.

— Capturamos eles tentando roubar uma loja no centro.

A voz de Naruto era cheia de orgulho. Sasuke olhou por dois segundos para os ladrões fajutos e voltou seu olhar para o interrogatório.

— Sai sabe o que fazer. Pode ir preenchendo a papelada, Uzumaki.

Naruto sentiu o rosto esquentar de raiva, mas não disse nada. O que diria? Não havia o que dizer, verdade fosse dita. Em Worcester era temido nos bairros menos amigáveis, e pensara que tudo seria ainda melhor em Boston. Ledo engano. Boston estava sendo uma bosta, verdade fosse dita.

Sai acompanhou Naruto até as celas, e mostrou a ele quais protocolos seguir, uma vez que os meliantes estivessem em suas mãos.

–-//--//--//--//--//

Neji e Sasuke olharam para o beco. O primeiro atrasara-se alguns minutos, o suficiente para deixar o Uchiha nervoso. Esperavam que o receptor do ódio que compartilhavam passasse por ali, coisa que este não demorou a fazer. Mukade passava por aquele beco todas as noites ao ir para casa. Era uma vizinhança perigosa, mas nunca antes realmente sentiu medo.

Aquela noite seria diferente.

Sasuke apareceu em frente a Mukade, obrigando-o a parar. O ex-policial sentiu um arrepio percorrer todo seu corpo ao encontrar o olhar frio de Sasuke. Um poste de luz ficava bem perto deles, mas o Uchiha não parecia estar com medo de ser visto. Mukade olhou para a rua movimentada que ficava ali perto, mas ela estava vazia.

— É tarde, Mukade. Ninguém costuma andar na rua por essas horas.

Mukade virou-se, pronto para fugir correndo, mas Neji o esperava atrás. Engoliu em seco, sem ter para onde ir. Estava em um beco estreito, e desejou ter escolhido outro caminho para voltar para casa.

— Sabe qual é a melhor parte? – Neji perguntou, aproximando-se devagar. – Nós nunca conseguimos limpar essa parte do bairro, e existem mais de trinta possíveis suspeitos para o seu assassinato. E Sasuke e eu não estamos nessa lista.

— Mas a culpa é sua. Andar com um relógio tão bonito… chama a atenção.

Sasuke não sorriu maliciosamente. Apenas se manteve inexpressivo. A raiva que sentia era enorme, mas o que ele sabia que aconteceria em alguns minutos lhe trazia uma paz estranha. E não podia deixar sua máscara cair. Se caísse, tudo sairia de seu controle.

— Eu já falei tudo o que eu sabia.

— Isso não trás Lee ou Itachi de volta.

Mukade engoliu em seco. Podia começar a gritar, mas provavelmente não seria visto. Sentiu um líquido quente escorrer por suas pernas, e ficou com ainda mais vergonha. Estava mijando nas calças.

Sentiu o frio na barriga e a vontade de vomitar, mas aquilo não pareceu tão embaraçoso no momento. Afinal, estava sendo ameaçado pelo diabo e seu demônio.

— Como eles te contataram?

— Eu não vou falar!

Neji chegou por trás e segurou o homem pelo pescoço. Sussurrou baixinho no ouvido dele:

— Você vai falar sim. Por bem, ou por mal.

— Eles só vieram! Sasori veio. Ele me disse que tinha um trabalho pra mim. Foi só isso!

— Sasori?

— Ruivo, baixinho. Parece uma criança, mas ele é razoavelmente velho. A idade do Itachi, eu acho. Um pouco mais.

Sasuke apenas assistia, enquanto Neji tentava retirar o resto das informações de Mukade. Era como espremer uma laranja. Arranca-se todo o sumo – no caso, a informação –, e depois se joga a casca fora.

— E o que você disse a eles?

— Falei sobre Itachi e… e sobre o senhor Uchiha. Eles queriam saber sua rotina, e eu contei. Chega cedo ao trabalho, vai embora tarde. Sasori me contou que era de uma organização, e que eles só queriam ficar de olho em vocês, só isso. Mas uma vez ouvi uma conversa no telefone. Ele falava com o Orochimaru, que é o chefe, pelo que eu sei. Eles falavam muito do senhor e de Itachi. Nunca citaram seus sobrinhos, disso eu sei. Não na minha frente. ´

— O que mais?

— Nada. Foi só isso! Mas quando o Itachi morreu… eu acho que associei as coisas. Eu falava só com o Kisame, por aquele celular que vocês acharam. E com o Sasori. Era com eles que eu falava. Nunca conheci mais ninguém.

— O que mais?

— Nada, eu juro!

— Como conheceu Kisame?

— Sasori disse que ele ia me ajudar a espionar o senhor Uchiha. Por favor, eu não fiz mais nada!

Mukade começou a chorar quando o aperto ao redor de seu pescoço aumentou. Neji estava realmente irritado. Lee morrera por pouquíssimas informações.

Sasuke também sentiu a raiva aumentar. Aquela laranja estava assustada, e o líquido escorria para fora dela numa velocidade impressionante; e isso que Neji nem apertava tanto. Ao menos ele não precisaria usar sua tão preciosa faca.

— O que quis dizer ontem? Sobre ele ser obcecado por mim?

— Eles só queriam saber sobre vocês. Eu não sei, pensei que o senhor e Itachi tivessem irritado eles no passado.

Não tinham. Sasuke nunca ouvira falar dessa Akatsuki. Neji irritava-se cada vez mais, e Sasuke não tinha mais informações para arrancar. A laranja fora espremida. O Uchiha olhou para o homem deplorável que chorava e implorava por sua vida, e não compreendeu por que ele estava vivo e Itachi, que era tão bom e nobre, morto.

Sasuke não conseguiu mais se segurar e jogou-se para frente, enterrando seu punho no rosto de Mukade. Vestia uma luva e roupas compridas, além de toca. Para que o DNA ficasse no corpo de Mukade após acabar com ele, seria necessário que o ex-policial arranhasse seu rosto. Neji estava da mesma forma. Mukade não teve chance de tocar nos rostos deles.

Sasuke descontou a frustração por estar sem Itachi, a irritação por ouvir Mukade chamar o irmão pelo primeiro nome, e o ódio por ter que cuidar de Aya e Naoto. Os sobrinhos eram tão mais queridos quando não precisava dar banho neles! Quando era necessário apenas dizer palavras falsas e passar alguns minutos, para que não esquecessem que tinham um tio. Quando Itachi vivia para lidar com as partes complicadas de sua vida! Estava tão extremamente irritado por estar sozinho, que deixou uma ou duas lágrimas de frustração escaparem.

Neji deixou toda a frustração pela morte de Lee e pelo afastamento de Sasuke escorrerem para fora de seu corpo. Sasuke nunca fora uma pessoa fácil de se lidar com, mas estava insuportável desde a morte de Itachi. Era uma frieza tão enorme, que Neji sentia vontade de socar a cara dele. Descontou a raiva pelo melhor amigo, por Sasuke não o protegera e Neji o culpava por isso, mesmo sabendo que Sasuke não teria como proteger Lee. Espancava Mukade para esquecer o fato de que não havia absolutamente nada que pudesse fazer para acabar com a dor que o consumia, assim como também não havia nada que pudesse parar a dor de Tenten.

Em algum momento Mukade perdeu a consciência, mas não soube exatamente quando. Foi depois de vomitar, porque acabara de comer, e Neji acertou um soco excessivamente potente em seu estômago. Depois de sua cabeça ser atingida tantas vezes por socos, e chutes, e empurrões, ele parou de sentir. Era como se estivesse em uma bolha. Ainda sentia os golpes, mas tudo era amaciado pelo estado de semiconsciência em que se encontrava. Sabia que fizera besteira ao aceitar a proposta da Akatsuki, mas, na época, não parecera tão ruim. Era dinheiro fácil em troca de algumas informações que qualquer um poderia conseguir. Nada perigoso, certo?

Bem, ele não devia ter mexido com o diabo e seu demônio. Arrependia-se profundamente de ter começado aquilo, mas sabia que seu arrependimento de nada valia.

Ofegantes, Neji e Sasuke deixaram o corpo moribundo no chão. Não sabiam se Mukade estava vivo ou morto, e nem se importavam. Sasuke puxou a arma da cintura – um revólver simples, comprado anos atrás para ser usado em situações como essa. Não era rastreável, e não possuía nenhum registro de compra. Podia ser de qualquer pessoa – e atingiu a cabeça dele. Jogou a arma ao lado do corpo em seguida. Não possuía nenhuma impressão digital – nem nas balas, nem no cabo, nem no gatilho. Apenas o sangue de Mukade e a marca borrada de seus dedos cobertos pela luva.

Ainda cansados, os dois se trocaram ali no beco mesmo. As roupas ensanguentadas com o sangue de Mukade foram queimadas mais tarde. Nenhum rastro foi deixado para trás.

Matar Mukade não trouxe ninguém de volta, nem aliviou o vazio que os mortos deixaram. Mas deu aos dois homens a sensação de trabalho cumprido, e aquilo era o melhor que conseguiriam.

Notas finais
Heeey o// Sei que demorei, desculpem-me, mas ta tudo muuuito corrido. Prometo que, com obsesso, não demoro mais tanto pelo menos até o cap. 17 ahashuhashauhuasuhsahusahu Obrigada pelo apoio de todos, ok?! E aí, apoiam ou são contra o q o Sasuke e o Neji fizeram? Alguém suspeitava do Mukade? Bjs e teh + ^3^//