Obsesso

9 08. Ameaças


Notas iniciais
Hey o// ~~enjoy

Sasuke abriu os olhos devagar, sentindo frio. Percebeu que a toalha que lhe enrolara a cintura quando dormiu já estava jogada ao chão, e que ele se encontrava nu sobre a cama. Riu da ironia. Há quanto tempo não transava mesmo? Muito. Talvez tempo demais.

Afastou os pensamentos e levantou-se, indo buscar uma roupa negra. Depois de vestido e quente, olhou para o relógio. Cinco e meia da manhã. Espreguiçou-se e seguiu para a cozinha, encontrando-a vazia.

— Ok, eu vou ao mercado hoje.

Com um suspiro, colocou um sapato e pegou seu sobretudo, indo direto para a delegacia. Não comia nada desde o início do dia anterior, mas não sentia fome. Precisava fazer os preparativos para o dia. Descobriria, enfim, sobre um dos envolvidos na morte de Itachi.

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Ino deixou as crianças na escolinha e mudou o rumo. Sabia que levaria um belo de um sermão por chegar atrasada ao hospital, mas realmente não se importava. Precisava falar com Sasuke e sabia que o desgraçado não atenderia ao telefone, portanto mudou o rumo de seu carro para a delegacia.

Sasuke Uchiha iria ouvir algumas verdades. Ah, se iria.

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Naruto chegou à delegacia ainda cedo. Detestava acordar de madrugada, entretanto o sono nunca vinha naquela época do ano e ele precisava se distrair. Era sexta-feira e teria o final de semana livre para voltar a Worcester, onde já tinha encontros marcados com os amigos – muita bebida, bares e alguns garotos bonitos com os quais se divertir.

Não se surpreendeu ao encontrar Sasuke já perdido em meio aos papéis. Honestamente, aquele delegado não sabia fazer nada além de ler, ler, ler e reler aqueles papéis estúpidos. Não sabia o que o homem tanto investigava, mas suspeitava ser a respeito da morte de Itachi. Estranho um assassinato tão simples – afinal, ele morrera em serviço, não? – estar levando tanto tempo para ser resolvido.

Sentou-se em sua mesa e ouviu o telefone do Uchiha tocar. Tentou evitar, mas seus olhos voaram para o rosto indiferente e prestou atenção às palavras dele.

— Uchiha Sasuke.

— Certo. Passarei no seu escritório no período da tarde.

E desligou.

“Que nojo dessa gente que nem precisa marcar hora pra ir nos lugares. Vou passar no seu escritório de tarde, ele disse. Aposto que o cara vai cancelar tudo o que tem só pra ficar esperando esse diabo”.

Mas Naruto logo espantou os pensamentos, irritado consigo mesmo. Uma parte de sua raiva não era dirigida ao moreno. Sabia que tinha que parar com aquela mania estúpida de ficar encarando o Uchiha, mas ele o intrigava! Com aquele jeito estupidamente frio e vazio, quem não ficaria curioso? Naruto queria arrancar algum sentimento de dentro do Uchiha, para que ele parece mais… humano. Mesmo que detestasse admitir, Sasuke realmente parecia com um ser do submundo, e tal visão assustava bastante ao loiro, que tentava ao máximo encontrar qualquer traço de empatia na expressão do delegado. Tudo o que encontrava, entretanto, era o vazio. O vazio e o negro dos olhos dele, que quase nunca encaravam os azuis.

Um furacão loiro – que, milagrosamente, não era Naruto – invadiu a delegacia com a fúria de um dragão.

— UCHIHA SASUKE!

Calmamente o moreno levantou seu olhar para a mulher que entrava, e Naruto sabia que a conhecia de algum lugar. Tentou buscar em sua mente quem ela era, entretanto não encontrou a resposta.

— Imaginei que vinha. – ele respondeu apenas. – Vamos, ainda não tomei café da manhã.

E simplesmente saiu puxando a loira para fora. Naruto sentiu seu rosto ferver de raiva. Não bastava sair no meio da tarde para ir fazer sabe-se-lá-o-que com sabe-se-lá-quem, ainda tinha que trazer seus casos para o trabalho?! Comprimiu os lábios para não soltar nenhuma reclamação, e observou Gaara entrar calmamente na sala, sentando-se no lugar de Sasuke como se os dois houvessem combinado por telepatia que o ruivo assumiria enquanto ele estivesse fora.

Naruto tentou se manter indiferente enquanto via Sasuke sair com aquela mulher loira e ridiculamente bonita, mas não conseguiu. Ainda meio irritado, levantou-se para pegar água e acabou reparando no sorrisinho malicioso que Gaara mantinha.

Com o rosto corado, o Uzumaki percebeu que sua indignação fora percebida pelo outro. Fazendo o possível para não começar a soltar explicações sem sentido algum, ele voltou ao seu lugar e deixou Gaara com suas conclusões precipitadas.

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Ino acompanhou Sasuke até o carro, e então não conseguiu mais segurar a ira que a possuía.

— Sasuke, você não é irresponsável, o que foi que te deu?! Elas estavam com fome, sujas e carentes! A parte do carente eu já imaginava, mas não pensei que você ia deixar seus sobrinhos passarem fome!

O Uchiha apenas ouvia em silêncio, com os olhos presos na rua. Foram até o apartamento da Yamanaka, que estranhou o caminho.

— Não íamos a uma cafeteria?

— Seus gritos chamariam muita atenção e eu to sem comida em casa.

— Então vai simplesmente roubar comida da minha casa?

O moreno não respondeu e a loira se irritou ao ver que ele conseguira mudar o assunto da conversa.

“Maldito diabo manipulador!”

— Então vamos! Porque eu quero que me explique direitinho por que você deixou eles naquele estado!

— Eu só esqueci que estavam lá em casa e passei a noite trabalhando.

Uma veia saltou na testa da loira. Como ele podia falar aquilo com tanta calma? Como podia agir como se fosse algo normal?!

— COMO ASSIM ESQUECEU QUE ELES ESTAVAM LÁ?! ELES SÃO CRIANÇAS, NÃO OBJETOS QUE PODEM SER SIMPLESMENTE ESQUECIDOS, SASUKE!

O moreno nem ao menos suspirou de tédio, apenas ouviu as palavras de ira da mulher em silêncio. Sabia que merecia cada palavra repreensiva que lhe era dirigida, e as ouviria sem qualquer reclamação.

Sua expressão, entretanto, não demonstrava qualquer sinal de culpa ou arrependimento, mas não era como se Ino estivesse esperando encontrar tais sentimentos. A loira suspirou, apoiando-se para trás. Sabia que gritar não traria qualquer resultado com o moreno.

Chegaram à casa dela e a loira abriu a porta, indo direto para a cozinha e preparando um sanduíche e um café para o homem. Sasuke parecia uma grande criança que não sabia nem mesmo cuidar de si próprio.

— Sasuke, você precisa passar no supermercado. Você pode ser obcecado desse jeito e ficar sem comer, mas Aya e Naoto precisam de uma refeição balanceada.

— Vou passar hoje, antes de buscá-los.

— Leve os dois com você. – ela ordenou, entregando o alimento para o moreno, que arqueou uma sobrancelha ao começar a comer. – Vai ser bom pra elas escolherem o que querem comer, e é uma prova de confiança também. Assim elas já vão se aproximando mais de você, mesmo que eu ache que já estejam bem próximos.

Apesar de loira, Ino não era burra. Lançou a frase e analisou o Uchiha, que apenas voltou a morder o pão.

— Aya me detesta. – falou apenas, e Ino sorriu.

A loira negou lentamente com a cabeça alguns segundos antes de falar para Sasuke o que mais queria.

— Ela chamou por você ontem à noite. Eles tiveram um pesadelo, e Aya pediu para que você a buscasse.

Pela primeira vez em bastante tempo, Sasuke surpreendeu-se. Arregalou levemente os olhos antes de voltar à sua típica expressão indiferente.

— Pesadelo?

— Uhum. Não quis falar muito, mas ela e o Naoto acordaram chorando. Parece que foi forte. Os dois queriam que os levássemos a você, mas eu prometi que você ia buscá-los hoje.

Sasuke não respondeu por vários minutos. Queria muito perguntar à loira o que fazer com aqueles dois, pedir que ela o ensinasse a lidar com eles, entretanto nenhum Uchiha que se preze sai por aí pedindo conselhos, portanto se manteve calado.

— O que vão jantar?

— Pizza?

Ino negou com a cabeça.

— Faça uma massa. Você sabe fazer massa, não sabe?

Sasuke assentiu com a cabeça.

— Mesmo que pareça bobo, as crianças gostam de comidas feitas em casa. Vá com eles ao mercado e compre muitas frutas, elas precisam aprender a comer bem desde cedo. Compre também vários vegetais e aprenda a cozinhar.

Sasuke apenas ergueu a sobrancelha, visivelmente contrariado.

— Você tem crianças agora, Sasuke, e sua vida vai mudar completamente. Juro que se eu ver meus afilhados daquele jeito de novo, acabo com a sua imagem de bom menino ao divulgar fotos suas na internet!

— Eu te processo e ganho dinheiro. – respondeu ele apenas.

Ino revirou os olhos, sabendo que era verdade. A Yamanaka sabia que o Uchiha se preocupava com os dois, mesmo que não soubesse como demonstrar isso.

“Lamento, Sasuke, mas tá na hora de você sair da sua zona de conforto”.

— Sasuke, crianças precisam de carinho. Tá na hora de você…

— Não sei fazer isso.

— Pois aprenda! Não é difícil. Assistir televisão com eles, ajudá-los com os deveres, dar banho. Essas coisas são básicas e tá na hora de você começar a fazer isso. Eles não têm feito os deveres que a professora manda, e vão para a escola sujos!

— Eles têm quatro anos, que tipo de deveres podem ter? – resmungou.

— Colar, pintar, desenhar… essas coisas são muito importantes para as crianças, Sasuke. E Aya está louca para aprender a escrever. Por que você não a ajuda com isso?

— Eu não tenho tempo para…

— Eu sei que caçar o assassino de Itachi é importante, mas o Itachi está morto, seus sobrinhos não. Ele pode esperar um pouquinho mais pra ser vingado, mas Aya e Naoto não podem esperar para serem cuidados.

O Uchiha não conseguiu evitar que um suspiro saísse por seus lábios, e terminou de comer. Sabia que Ino estava certa, entretanto não estava em sua natureza cuidar dos outros. Não de forma emocional, ao menos.

— Quando for buscá-los hoje, tente acalmá-los, sim? Estavam bem assustados hoje de manhã. – ela pediu, com um olhar preocupado.

Sasuke não permitiu que a loira percebesse como seu orgulho foi ferido quando proferiu a frase que se seguiu.

— Como eu faço isso?

— Apenas diga que tudo ficará bem e que você está ali.

Sasuke não respondeu, mas achou a ideia da loira um pouco idiota. Se estivesse em frente aos sobrinhos era óbvio que estava ali, e como poderia dizer que tudo ficaria bem se ele não conhecia o futuro? Ainda assim, as palavras dela eram melhores do que nada.

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Naruto vegetava vergonhosamente ao encarar a tela do computador. Não queria aquelas chatices de papelada, queria ação! Mas esta era toda destinada aos demônios – Gaara, Neji e Sai – e aos outros veteranos. Pulou ao ouvir passos se aproximando, e encontrou Sasuke a encará-lo com uma sobrancelha erguida. Naruto imediatamente passou a fingir que estava concentrado em algo e, com muito esforço, conseguiu impedir seu rosto de corar.

Kami-sama realmente devia estar de brincadeira com a cara dele. Que merda era aquela de nunca estar normal quando o Uchiha chegava? Suspirou, e voltou a preencher a ficha criminal do homem que Sai prendera. Tinha também a papelada de Lee e Chouji para preencher, porque os dois eram preguiçosos e queriam apenas incomodá-lo.

Sasuke levantou-se.

— Uzumaki! – chamou.

O loiro imediatamente se pôs de pé, temendo ser repreendido pela sua falta de atenção.

— Chame alguém e leve todos os presos para o pátio agora.

Mesmo estranhando a ordem que lhe fora dada, o loiro fez uma reverência.

— Hai, Uchiha-sama.

Chamou Lee e Chouji e então abriu as jaulas, levando as almas para o pátio. Alguns tentavam acariciá-los, outros se limitavam a fazer piadinhas irônicas e a boliná-lo, mas Naruto sabia como lidar com pessoas assim e fez o que lhe foi ordenado sem grandes problemas.

Estranhou ao ver que quase todos os policiais que estavam de plantão naquele dia se postaram em uma fila única, e apressou-se a imitá-los. As almas que gritavam e riam, subitamente se calaram. Sasuke caminhava com calma e ia até a frente de todos. Naruto começou a controlar a respiração, com medo de respirar alto demais. Nunca antes vira um local tão silencioso com tantas pessoas reunidas. O Uchiha apenas encarava aqueles que se encontravam à sua frente, sem proferir qualquer palavra por quase um minuto inteiro.

A tensão era tão grande que Naruto sentiu o suor acumulando-se na lateral de sua cabeça.

— Uchiha Itachi, meu irmão mais velho, estava trabalhando infiltrado em uma organização, entretanto foi delatado e morreu. Os assassinos organizaram tudo para que eu pensasse que o delator fosse um de meus próprios policiais, e eu não sou tolo de descartar a possibilidade.

A tensão foi substituída pela confusão. Se o delator era um policial, por que eles estavam sendo intimados? Os olhos vorazes de Sasuke passavam pelo rosto de cada um deles, e o Uchiha parecia ser capaz de ver todos ao mesmo tempo. Parou em alguns homens que também o encaravam, e um deles tremeu. O olhar que lhe era lançado não podia ser humano.

— Porém eu tampouco sou manipulável como eles pensaram a princípio, e sei que o delator está entre um de vocês. – imediatamente a tensão voltou, e todos recuaram um passo. Por um momento Gaara aproximou-se do Uchiha, temendo que ele fosse simplesmente atirar em todos os presentes. – Vim aqui apenas para te dar um último dia de sol. A partir de amanhã você não saberá mais o que isso significa.

As palavras saíram junto de um sorriso de canto. Tão sádico e malicioso que fez com que os homens recuassem ainda mais um passo. Sasuke sentia o medo que todos aqueles homens exalavam e o prazer que isso lhe causava era quase indescritível. Queria que o desgraçado que delatara Itachi sentisse o medo que exalava dos outros. Queria que ele sofresse com antecedência. Passou os olhos mais uma vez por todos eles, e sua atenção foi novamente chamada para aquele pequeno amontoado de homens que não conseguia encará-lo.

“Bingo”.

Ao longe, um homem meio doente observava a cena com o coração a mil. Haviam-lhe dito que o Uchiha suspeitaria de um dos policiais e que o loiro novato seria culpado em seu lugar, porém ficava claro que o diabo não se deixara enganar pelos planos do outro. Buscou com o olhar o policial que o ajudava, entretanto este parecia muito entretido com o chão.

Sabia que não encontraria qualquer apoio ali. Sentiu raiva. Era robusto e forte, porém não tinha esperanças de conseguir fugir – todas as suas ideias de fuga já haviam sido colocadas em prática por outros, e nenhuma funcionara –, então decidiu seguir o conselho do delegado e foi para o sol.

Era seu último dia mesmo; nada mais sábio do que aproveitá-lo.

Notas finais
Esse final foi uma das primeiras coisas que eu imaginei na fanfic, tava louca pra escrever *--* SPOILER: capítulo 10. será todo focado no Narutin *--* (o próximo é o 09.) E então, o que acharam? Dica: a pessoa que morrerá apareceu pouquíssimas vezes u-u Obrigada pelos reviews o// Bjs e teh + ^3^//