Obsesso

10 09. Supermercado


Notas iniciais
I'm back o// ~~enjoy

Sasuke dirigiu-se tranquilamente até seu carro, sentindo-se mais calmo do que normalmente. Sentir o medo que exalava daqueles que estavam sob seus cuidados era realmente revigorante. Gaara já fora previamente avisado de que ficaria cuidando da delegacia, portanto Sasuke voltou para casa e ordenou que as caixas que Ino trouxera fossem levadas à cobertura. E então ele próprio subiu.

Sem pressa, o Uchiha tomou um banho relaxante e começou a se preparar emocionalmente para o que estava por vir. Com a água quente levando todo o estresse embora, permitiu-se, primeiramente, mandar Itachi aproveitar o inferno; seu irmão não podia ter morrido mais tarde? Preferencialmente quando Aya e Naoto já fossem velhos o suficiente para se cuidarem sozinhos, e Sasuke se limitasse apenas a mandar uma mesada gorda para eles? Não, claro que não. Tinha que morrer cedo e deixar as crianças para Sasuke cuidar.

Um pouco mais calmo, o Uchiha pensou nas palavras de Ino. Ela dissera que ele precisaria ser mais carinhoso, porém o moreno não se lembrava da última vez em que o havia sido. Talvez quando criança. Talvez ainda antes.

A indiferença que o rodeava era seu escudo, sua rota de fuga. Não se lembrava mais de quando a removera por completo. Provavelmente anos atrás, na presença de Itachi. Entretanto o mais velho não estava mais naquele mundo, e Sasuke sabia que, cedo ou tarde, teria que confiar em alguém novamente. Afastou o pensamento, incomodado. Não queria pensar naquilo. Não ainda.

Terminou a ducha e enrolou uma toalha ao redor de sua cintura, e ouviu a campainha tocar. Como sabia que eram apenas as caixas que mandara que trouxessem, o Uchiha caminhou naqueles trajes até a sala. O relógio marcava quatro horas; ainda havia tempo de puxar as coisas para dentro antes de ter que sair. Tranquilamente foi até a porta e olhou pelo olho-mágico, apenas querendo confirmar suas suspeitas. O serviçal não se encontrava mais por perto, e Sasuke agradeceu por aquilo. Abriu a porta. Aproximadamente vinte caixas o aguardavam ali, e o moreno sentiu vontade de rir. Como duas crianças podiam ter tantas coisas? Carregou-as para a sala e deixou-as ali mesmo; tinha o final de semana inteiro para se preocupar com aquilo.

Voltou ao quarto e vestiu-se, saindo do apartamento logo em seguida.

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Naruto tentava digerir a cena que presenciara no início da tarde. Sentira seu corpo todo tremer, e Sai, Mukade e Lee até mesmo haviam abaixado a cabeça. O loiro manteve-se encarando os presos, agradecendo mentalmente por não precisar estar em frente ao delegado naquele momento. Observou o objeto de seus pensamentos materializar-se à sua frente e recuou um pouco, involuntariamente. Apesar do receio que sentia em relação ao Uchiha, a curiosidade vencia. Seguiu-o com os olhos e percebeu que ele ia à sala de vigilância. Será que levaria trabalho para casa? Imaginou que sim; por algum motivo, Naruto não conseguia imaginar o Uchiha fazendo hora-extra na delegacia. Sorriu vitorioso ao perceber que Sasuke saía com duas grandes caixas do escritório. Seguiu o moreno com os olhos até este desaparecer, e então apoiou a cabeça entre seus braços. Estava exausto, e tudo o que queria era sua cama. Sairia ainda de noite para sua cidade natal, e não queria se atrasar. Marcara de ir a uma festa com Kiba e Shino, e ficaria com ambos até domingo, quando voltaria a Boston. Sorriu ao pensar nos amigos de infância; não se viam há muito tempo.

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Sasuke pegou as fitas que analisaria à noite e foi à escolinha dos sobrinhos para buscá-los. Estava quase na hora em que saíam, e o moreno não queria deixá-los esperando. Sabia que precisava compensar pela negligência de dois dias atrás.

Pensou com cuidado nas palavras de Ino. Sabia que precisava se comprometer de verdade com os garotos, mas ninguém nunca dependera dele. Nunca. E era realmente estranho ser responsável por duas crianças.

Saiu do carro quando os gritos infantis daqueles que eram liberados chegaram aos seus ouvidos. Apoiou-se no automóvel, vasculhando a multidão de crianças com seus olhos, procurando pelas duas cabeleiras negras dos gêmeos. Não demorou a encontrá-los, e tentou não alterar sua expressão ao vê-los. Ambos caminhavam devagar, com uma carrancuda mulher a segui-los. Aya olhava para todos os lados, procurando-o de forma quase desesperada. Ao encontrá-lo, a garota cutucou Naoto e largou tudo o que carregava, pouco antes de sair em disparada na direção do moreno. O Uchiha precisou conter a surpresa, e abaixou-se ao ver que a menina queria um abraço. Assim que se encontraram perto o suficiente, ambos jogaram-se contra o tio; choravam.

Sasuke tentou corresponder ao abraço da melhor maneira possível, mas ainda não tinha prática suficiente para isso. Seus abraços eram sempre maliciosos, e nunca abraçava crianças – afinal, não era pedófilo. Afastou o pensamento e levantou-se com ambos no colo. Os pequenos pareceram gostar da atitude, mas Aya ainda chorava.

— O que foi, Aya? Por que tá chorando?

— Pesadelo… – a menina murmurou. Não queria dizer mais nada. Não ali.

— Tá tudo bem, eu to aqui.

Ele quis rir ao perceber que as palavras que Ino o ensinara realmente haviam acalmado a garota. Aya não mais chorava, e até mesmo tinha um pequeno sorriso no rosto. Precisava de mais frases como aquela. Precisava urgentemente de mais frases como aquela.

A mulher aparentemente irritada apareceu carregando as duas mochilas sem quaisquer dificuldades, e quase as jogou ao chão quando ficou em frente ao moreno. Sasuke imediatamente começou a preparar sua defesa. Aceitava ouvir sermões de Ino, mas jamais aceitaria ouvir o que fosse de desconhecidos.

— Senhor Uchiha – ela começou. – É a primeira vez desde o início da semana que essas crianças fazem o dever de casa, e nunca as vi tão exaustas antes! Está na hora de o senhor começar a arcar com suas responsabilidades! Seu irmão era um pai realmente atencioso, ficaria decepcionado ao ver como o senhor tem cuidado dos filhos que ele deixou neste mundo.

Sasuke não demonstrou qualquer reação, simplesmente virou-se de costas e foi até o carro, colocando ambas as crianças no chão antes de abrir a porta. A mulher começou a ficar vermelha, mas foi rudemente ignorada pelo moreno. Sasuke colocou Aya na cadeirinha dela, e depois colocou as mochilas para dentro. Pegou Naoto no colo e acomodou o sobrinho em sua cadeirinha também.

— Já volto. – avisou.

Depois de colocar ambas as crianças no carro, o Uchiha voltou para perto da mulher, e começou a falar antes que ela pudesse proferir qualquer palavra.

— Meu irmão, pai de Aya e Naoto, foi assassinado e eu ainda não sei o motivo. Pode ter sido por estar na hora errada e no lugar errado; ou pode ter sido porque um maluco perseguia sua família e analisava sua rotina. Pode ser que este mesmo maluco esteja agora atrás de meus sobrinhos, portanto perdoe-me por não ter os desenhos de uma criança de quatro anos como prioridade.

E a deixou encarando o nada, enquanto caminhava tranquilamente até seu carro. Sabia que dramatizara e que a situação não era exatamente aquela, entretanto pessoas que pensavam que podiam sair gritando com todos o irritavam. Além disso, Sasuke detestava ser repreendido.

— Vamos ao supermercado agora, ok? – avisou.

Imediatamente as crianças concordaram, e Sasuke voltou sua atenção ao trânsito. Não conseguia compreender o que eles viam de tão divertido em ir às compras.

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Naruto saiu do serviço com o maior dos sorrisos. Ah, a noite apenas começava. Foi rapidamente até sua casa e começou a jogar várias roupas para dentro de uma mala laranja, simples. Quando pensou que estava suficientemente cheia – sem saber exatamente o que colocara nela – fechou-a, indo ao banheiro em seguida. Depois de uma rápida ducha pegou a carteira e a mala.

A noite prometia, e Naruto estava realmente ansioso pelos planos que tinha para o final de semana.

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Sasuke realmente não se importava com o dinheiro que gastara naquele final de tarde, porém não carregaria todas aquelas sacolas – porque os sobrinhos não se contentaram em pedir pouca coisa. Ao verem que o tio lhes daria tudo aquilo que pedissem, literalmente se esbanjaram. Dois funcionários carregavam cada qual um carrinho abarrotado de compras; nenhum parecia ter mais de dezoito anos.

O Uchiha estacionara em uma parte um pouco mais afastada, e logo saíram do campo de visão dos seguranças. A sensação de que estavam em perigo instalou-se em suas costas, e começou a procurar discretamente ao redor. Encontrou um homem estranho, que parecia observá-los com interesse. Tinha as mãos escondidas e não percebeu que Sasuke já o vira. Sabendo o que aconteceria, Sasuke arrumou as compras de um carrinho e colocou Aya entre elas. Rapidamente repetiu o processo com Naoto, e tanto os funcionários quanto as crianças o olharam um tanto quanto confusos. Sem dar qualquer explicação, Sasuke ajeitou a arma que sempre trazia escondida entre suas roupas.

Nem mesmo dez segundos depois, o homem de antes apontava um revólver para eles.

— Passa a grana, cara, e ninguém sai machucado.

Ele tremia, e obviamente não sabia com quem falava. Os funcionários imediatamente entraram em pânico, e as crianças apenas se esconderam melhor entre as compras. A arma era apontada para Sasuke, entretanto o moreno não demonstrava qualquer sinal de medo ou irritação.

— O senhor tem um minuto para colocar essa arma no chão.

Os garotos tremeram perante a petulância do homem, porém sabiam quem ele era e não se intrometeram. O suor chegava ao ponto de pingar, porém não poderiam fazer nada. Estavam no meio da noite, e uma arma era apontada para eles.

— Sua bicha louca! Eu não vou entregar nada! Eu vou atirar, juro que vou atirar. Passa o dinheiro!

Entretanto Sasuke manteve-se inexpressivo. Sabia bem com quem lidava, e qualquer ato brusco poderia resultar em uma bala perdida. Também poderia atirar no homem, entretanto a cena poderia ser desagradável para duas crianças de quatro anos. Já havia se passado vinte segundos. Mais quarenta e então o Uchiha chutaria o braço do homem, mandando a arma para longe. A arma foi engatilhada, e Sasuke repensou. Talvez não devesse esperar o minuto se completar.

Com seu melhor olhar indiferente, encarou o homem. Não encontrou nos olhos deste o suficiente para matar, e era ótimo em fazer análises rápidas. O homem estava descontrolado – provavelmente encontrava-se em uma crise de abstinência –, mas não parecia ser capaz de cometer um assassinato. Não antes de seus vinte e nove segundos chegarem ao fim.

Ao perceber que o moreno nem ao menos mostrava interesse nele, o bandido apontou a arma para os carrinhos.

— VOU ATIRAR N…

— Fechem os olhos – cortou Sasuke.

As crianças o obedeceram de imediato. Um tiro certeiro no peito do homem – próximo o suficiente do coração para que este ficasse devidamente assustado quando recebesse o resultado de seus exames – foi ouvido. Um dos funcionários desmaiou, enquanto que o outro apenas olhava, petrificado, para o homem agonizante ao chão. Sasuke não se comoveu com a situação, simplesmente pegou um par de algemas que sempre carregava consigo e prendeu as mãos do meliante.

Segundos depois três seguranças do mercado apareceram; todos tinham suas armas prontas para atirar, entretanto Sasuke não prestou atenção a eles. O Uchiha tinha seus olhos presos nos carrinhos, onde as crianças ainda não haviam aberto os olhos.

— O que aconteceu aqui? – um dos seguranças perguntou.

Sasuke tratou de tirar seu distintivo e mostrou aos companheiros que chegavam.

— Delegado Uchiha Sasuke. Ele estava armado, e parecia desesperado o suficiente para atirar. Não tive outra escolha. – era um mentiroso suficientemente bom para que ninguém percebesse a mentira ao final de sua fala.

Mas os seguranças ainda encaravam o distintivo, cada qual mais impressionado. O Uchiha conteve a vontade de revirar os olhos e limitou-se a levantar.

— Deixo-o sob responsabilidade de vocês. O coração não foi atingido, e ele se curará se chegar ao hospital logo.

Dando as costas ao que acontecera, o delegado voltou para perto dos carrinhos. O funcionário remanescente parecia realmente assustado. Sem dizer qualquer palavra, Sasuke pegou os carrinhos e passou a empurrá-los até o local onde estacionara. Apenas quando já estavam bem longe foi que o Uchiha permitiu que as crianças abrissem os olhos. E os pequenos sorriam. Sorriam, porque, novamente, Sasuke conseguira afastar o medo.

Notas finais
Heeey o// A parte final (do Sasuke atirando no cara) não foi planejada, mas eu não resisti u-u Eu sei que disse que alguém ia morrer meio logo, mas eu resolvi escrever sobre o final de semana do Naruto (porque tive uma ideia de última hora que, graças a Deus, consegui encaixar), então vai demorar mais um pouquinho. O próximo é 100% do Narutin :33 (e será, provavelmente, o mais longo até agora). CENAS CALIENTES O// Ok, era isso u-u Bjs e teh + ^3^//