Notas iniciais
Então, mafagafos, olha a tragédia. Já tem quase umas semana que era pra eu ter postado esse capítulo, mas, acontece que, como o capeta gosta muito de mim, o capítulo se apagou do nada, sem nem eu ter feito nada. E olha que eu sou o desastre em pessoa. Enfim, tive que reescrever e nem ficou tanto como eu queria, mas é isso aí, melhor que nada, né? Kkkk espero que curtam e desculpem qualquer erro. Té mais!

—VAMOS! ABRAM A PORTA! SABEMOS QUE ESTÃO AI. VAMOS ARROMBAR CASO SE NEGUEM.

O policial gritava de fora, impaciente, enquanto eu estava paralisada, sem saber o que fazer.

—Eu…

—Abra!

Santana disse simplesmente, sentando-se confortavelmente no sofá maior da sala.

—M-Mas o que acontecerá com…

—Abra. Simplesmente abra. Eles estão aqui por minha causa. Não pela sua.

—Como pode dizer isso tão tranquilamente?- eu me exaltei, com um semblante pasmo- É a polícia que está ali, prestes a arrombar minha porta.

—Não tenho nada a temer. Inclusive, sou à favor da justiça do homem, embora eles errem mais que acertem em certos casos- Santana juntou as mãos e distraidamente as pousou no joelho erguido- Tenha calma, anjo.

—Calma? Como pode me mandar ter calma? Eles provavelmente vieram me buscar por estar me envolvendo com uma aluna. – levei as mãos a cabeça, desesperada- Santo Shakespeare, o que foi que eu fiz? Vou ser presa por ser tão safada.

Santana me encarava com uma expressão tranquila e divertida, o que só a fez relaxar ainda mais o corpo no sofá. Um pequeno ruído lhe escapou da boca e nariz, quase como uma risada debochada, e no momento seguinte, ela ergueu a mão de lado e no mesmo instante, a porta se abriu com um estalo. Os policiais e eu nos encaramos sem nada entender.

—Como você fez isso???- indaguei bestificada para a latina, que somente franziu os lábios e deu com os ombros.

—Não é óbvio?- entortou o maxilar e me olhou como se fosse me contar o maior segredo do mundo- Não é que eles conseguiram mesmo destrancar a porta sem quebrá-la? Simplesmente admiro a esperteza policial- fez algo engraçado com os olhos. Manteve-se neutra o tempo inteiro, mesmo com um enxame de policiais invadindo a sala de visitas da mamãe – Não saia de casa. Nem venha atrás de mim- disse, agora com uma expressão dura.

—Mas...

—Não venha. Entendeu?

—Eu...

—Santana Lopez!- o que deveria ser o chefe foi o primeiro a se pronunciar.

—Sim, senhor policial- ela respondeu pelo chamado, de uma maneira solene e simpática. Totalmente diferente do que estava agora.

—A partir desse momento, você está sob custódia do departamento de polícia de Nova York. Tem o direito de permanecer…

— Calada. Senão, tudo que eu disser, pode e será usado contra mim no tribunal. Se eu não tiver condições de pagar um advogado, o Estado me concederá um- Santana completou a frase do policial, que a fitava com curiosidade- Que gentileza a sua me lembrar de meus direitos, senhor policial. Mas irei com vocês de livre e espontânea vontade. Embora eu peça alguns segundos para finalizar a minha xícara de café- apontou para a mesma , que eu sequer tinha noção de estar ali, sobre a mesinha de centro- Será que eu posso?

O policial franziu o cenho, porém com um gesto de cabeça, concedeu a Santana o que queria.

Ainda sentada, ela tomou a xícara para si e delicadamente tomou o restante do conteúdo, dando um breve suspiro de agrado.

—Agradecida. Realmente, uma delícia.

—Tudo bem, já tomou seu café. Agora vamos.

—Para onde vão levá-la? San!- perguntei preocupada, tentando tocá-la, porém o policial foi mais rápido. Ela não mais me olhou.

O homem tomou-a pelo braço naquela delicadeza masculina de sempre e a prensou contra a parede mais próxima, em busca de algo por suas vestes.

—Isso é realmente necessário?- questionei o policial que a revistava.

—Procedimento padrão, senhorita. Se afaste!

Apesar da estranheza dos acontecimentos, o por quê de ela estar sendo levada presa me abalou. Achei que fosse eu a procurada. Mas o que era aquilo?

—Para onde estão levando Santana?

—Departamento de homicídios. Está aqui o endereço- o chefe entregou-me um cartão.

—Homicídio?

—Sim. A menor está sendo acusada pela morte de Marissa Swan. Um inquérito foi apurado e ela foi apontada como principal suspeita.

—O que? Mas ela não fez isso. É um grande equívoco. Santana não faria mal a ninguém.

“Você ao menos acredita nisso, Brittany?”.

Revirei os olhos ao pensar nisso.

—Isso quem vai dizer são os investigadores. Por hora, ela é suspeita até que se prove o contrário. Com sua licença, professora Pierce.- ele foi até o policial que algemava Santana e o repreendeu- Ela não está oferecendo resistência. Não há motivos para algemá-la, homem. Solte-a- o policial acatou.

—Agradeço pela gentileza, senhor- Santana disse, massageando os pulsos avermelhados.

—Só faço meu trabalho, senhorita- ele voltou a mim, aparentando ter se lembrado de algo- A propósito, meu filho Finn adora sua aula, senhorita Pierce. Ele está progredindo muito na escola e isso me deixa feliz. Muito obrigado.

Mesmo perturbada, não pude deixar de me alegrar pelo fato. Amava o meu trabalho cada vez mais. Estava colhendo os frutos do meu esforço e isso era impagável.

—Ah, não precisa agradecer, senhor Hudson. Finn é um ótimo rapaz.- trocamos um aperto de mão saudoso.

—Bill. Pode me chamar de Bill. E obrigado. Meu filho é o meu maior orgulho. Agora, com sua licença. Sinto muito por toda essa bagunça. Alguém como a senhorita não merece isso.

Desculpe, senhor policial… mas infelizmente faço parte dessa bagunça mais do que deveria.

~•~

—Divisão de homicídios.

—Pra já!

Entrei no primeiro taxi que vi e, depois do destino dado ao motorista, eu fui confabulando maneiras dos quais, como, em nome de Shakespeare, eu, uma simples professora de Literatura poderia fazer algo por Santana naquele departamento.

—Então, senhorita Pierce, onde Santana estava na noite do crime?

O investigador me perguntaria.

—Bom, senhor policial, dependendo do horário da morte, ela provavelmente estava dentro do escritório do diretor transando comigo, a modo feitiche. Sim, eu... SUA PROFESSORA!

Seria uma bela resposta a se dar. Ô se seria.

Bufei. Como uma vaca pastando e dei com a cabeça do banco do motorista. O taxista me olhou pelo espelhinho, de cenho franzido.

—Tudo bem, senhorita?

—Sim, me desculpe- baixei o olhar para mãos sobre os joelhos e me veio um princípio de choro.

E se ela fosse culpada? Eu suportaria saber a verdade por trás dos motivos que levaram aquela garota linda, inteligente e tão cheia de intensidades cometer tal atrocidade com uma colega de escola?

Sabe de uma coisa? Eu deveria estar era buscando motivos pelo o qual ela não faria. Lutando por sua inocência, orando por sua liberdade de seus conflitos e motivos pelo qual foi dada como principal suspeita daquela crueldade.

Santana não era uma pessoa muito bem encarada naquela escola, (embora muitos aparentar querer sempre algo dela), mas não a seria única intrigante. O pé atrás de algumas pessoas ali era simplesmente por conta do seu jeito calado e misterioso. Mas, bem, seriam eles capazes de suspeitar que ali, naquele silêncio, ocultava uma assassina? Não. Com certeza não mora. Porque era nisso que eu realmente deveria acreditar.

—Só espero que não demore muito a chegar...

*PUC *PUC *PUC

Fez-se um barulho fino de algo batendo como um tilintar no vidro ao meu lado, da janela, o que acabou por chamar a minha atenção. Assim que virei, tomei o pior dos sustos. Aqueles olhos vermelhos sangue novamente estavam me encarando.

— Oh céus... Você novamente!- dei um grito escandaloso que acabou por assustar o motorista.

—O que está acontecendo?- o homem me encarava visivelmente confuso pelo espelho retrovisor- Você não está passando mal ou algo assim, não é? Se quiser eu paro. Paro mesmo. Da última vez uma mulher desmaiou aqui dentro e eu quase fui preso por tentar ajudá-la e caracterizaram como tentativa de estupro.

—Quê? Não. Não pare o carro, em hipótese alguma. Corremos perigo.

—Perigo?- ele olhou por todos os espelhos retrovisores, depois enfiou a cabeça pela janela à procura do que eu apontava. Sua expressão ficou enrubescida- Não tem nada aqui. Ô, moça, você por acaso não se droga não, né? Olha, o castigo de Deus vem a cavalo.

O taxista ficou listando os malefícios das drogas em um conceito interminável enquanto eu passei a bater no vidro onde o pássaro ainda bicava, na tentativa de assustá-lo. Mas nada. Ele apenas me encarava e bicava o vidro.

—Hey, hey, hey... Você vai quebrar minha janela!

—Por favor, me deixe em paz!- pedi, desesperada ao apoiar as duas mãos ao vidro e socá-lo em uma mistura de medo e raiva, tudo retorcido.

—Espera... Moça. Pare... Pare com isso. Eu vou encostar. Você precisa de ajuda.

—Não!- gritei, e sem pensar, pulei contra seu volante, tentando tomar a direção na tentativa de mudar meu curso do caminho daquela criatura horrível.

Mais uma vez... Ele me encontrou. O que aquilo queria comigo? Na verdade, o que era aquilo?

O pássaro preto se afastou da janela assim que joguei o carro em sua direção. Porém, em deu tempo de comemorar, logo ele voltava a ela e continuava a bicar.

Agradeço aos céus pelas ruas não estarem tão cheia naquele momento. Odiaria ferir alguém naquele desespero. Mas minha vida estava em risco e eu faria o impossível para ficar viva. Porque é isso que eu sou, uma sobrevivente. E não preciso ficar dependendo dos outros para me salvar.

—Vai acabar nos matando!- o taxista exclamou em mais uma tentativa de tomar a direção. São nesses momentos que eu sou grata por ser comprida como uma lagartixa, porque eu o prensei contra o banco sem sequer precisar sentar no seu colo.

Santo Shakespeare. Que merda eu estava fazendo?

Olhei para trás, o pássaro não estava mais ali. Suspirei aliviada. Porém, não durou muito minha tranquilidade. Um cheio horrível tomou minhas narinas. Senti vontade de vomitar minhas vísceras. Sim, transei tanto que esqueci que tinha um estômago e precisava de comida. Burra, burra!

—Eu já senti isso- comentei mais para mim mesma, lembrando-me de já ter sentido este mesmo cheiro antes. Essa sensação de perigo, a agonia encharcando meu peito, o sentimento de nunca mais poder ser feliz. Foi na viagem de volta para casa, me recordo agora. Mas aquilo tinha sido um sonho, não tinha?

De repente foi como se alguém tivesse jogado uma granada de penumbra no capô do carro. Uma sombra, densa e fumacenta, começou a subir pela frente do carro até cobrir completamente o vidro. Senti falta de ar. Um barulho de ferro amassando me fez perceber que algo prensava o táxi e logo em seguida, todos os vidros se partiram em um estouro horrível. Cacos de vidros voaram... Percebi algo escorrendo pelas costas. Meu ombro estava doendo muito. O taxista gritava, desesperado. Ele puxou o freio de mão, o carro brecou e deu dois giros na pista. Batemos em algo que amorteceu o impacto. Minhas pestanas estavam cada vez mais pesadas, mas antes que eu apagasse de vez, pude ver, quase que nitidamente, as sombras ganharem faces. Estas sorriam diabolicamente para mim, me ameaçando com o olhar e seus dentes amarelados asquerosos. Mas o que diabos estava acontecendo ali?

Algo pesado pousou no capô do carro, amassando-o ainda mais. Enquanto mais estilhaços de vidro caiam sobre mim, notei que as criaturas recuavam conforme o que tinha lá em cima se aproximava. No momento seguinte, tudo havia virado um borrão.

...

—Revelem, bruxas. Quantas mais de vocês estão entre nós?

Acordei com a voz grossa de um homem gritando ao meu ouvido. Ergui a cabeça, um tanto zonza. Senti resistência nos meus braços para levantar. Estava amarrada! E muito bem presa, diga-se de passagem, a um tronco de árvore cortado. Meus pés eram pinicados por folhas secas e palhas jogadas pelo chão estrategicamente. Aquilo parecia uma fogueira.

—Deixe-a em paz. Vosso negócio é comigo senhor.

—Santana?

A latina estava amarrada ao meu lado, da mesma forma, porém muito judiada e com o rosto banhado em sangue vivo. O homem acertou seu rosto com um soco forte que a fez cuspis uma rajada de sangue na sua direção. Ele se limpou, sorrindo.

—Raça imunda!

—O que está acontecendo aqui? Isso é desumano! Soltem-na. San...

Ninguém me deu bola. O homem continuava a castigar Santana com socos fortíssimos enquanto eu tentava me soltar. Em vão. Eu era inútil naquele momento.

—Soltem a jovem senhorita, por favor. Eu imploro. A culpa foi toda minha- Santana falhava a voz, ameaçando entrar em choro ali mesmo- Vocês sabem quem eu sou. Por favor, repensem nisso. Pelo menos por ela. Pelo o que fiz por cada um aqui.

Gargalhadas foram escutadas.

—Você se fez de amiga para ter acesso aos nossos lares, a nossa família. Aberração... Sua mentira é imperdoável. Nojenta... Contra as leis de Deus.

—Não fale por Ele... Nunca ouse dizer o que Ele quer.- a latina aparentava estar enraivecida pela menção do homem.

—E você pode?- puxou um coro de risada dos demais- Você corrompeu a jovem filha de Joseph Pierce. É um demônio.

—Eu a amo!- Santana gritou a plenos pulmões- A amo e ninguém aqui pode mudar isso. Mesmo se me matarem. Não matarão o que eu sinto por ela.

—San... – murmurei, sentindo as lágrimas escorrendo.

Por que eu estava sendo obrigada a ver aquilo?

—Demônios não amam- o homem agarrou Santana pela garganta e apertou- Mas queimam no fogo do inferno.

Dito isto, alguém jogou uma tocha aos pés de Santana e rapidamente acendeu as palhas secas aos seus pés. Ela se contorcia, pedindo para que parassem. Porém ela parecia mais que queria se soltar para me ajudar. Seus olhos alcançaram os meus, estavam banhados por lágrimas de tristeza, desespero e logo, ao ver que as chamas alcançaram a mim, eu vi ódio bailar por suas orbes, enquanto seu corpo queimava. Eu tentava gritar, mas a fumaça forte entrava por minha garganta e começava a me sufocar. Uma luz alcançou minha vista e não demorou para que eu apagasse. Tendo como a última visão, do fogo tomando proporções gigantescas e de uma Santana saindo dele, arrancando a cabeça do camponês com apenas um soco.

—Eu não quero morrer!- gritei, desesperada.

Eu tinha a mão sobre o meu pescoço tentando apagar um fogo que sequer estava ali.

—Brittany, calma- ouvi a voz de Sugar, sentindo-a me segurar pelos ombros com força.

Abri os olhos, dando direto com os seus preocupados.

—Sugar?

—Não. Você está morta e eu sou o capeta do purgatório, que toma a forma da pessoa que você mais ama. Vou queimar seu traseiro branquelo.- ela brincou, sorridente, dando um tapinha na lateral do meu bumbum. Sentei na cama, sentindo a cabeça doer.- Ei, ei... Fica quietinha aí, pirulitona. Você tomou um saracuto e tanto.

—Aonde estou?

—No hospital, sua irresponsável. Que merda foi aquela, dá pra explicar? Quase me mata de susto- me deu outro tapa, só que agora foi na testa- Isso foi por você ter me preocupado.

—Aí! Não se trata alguém em um leito hospitalar dessa maneira- apontei em sua direção, emburrada- Como eu vim parar aqui?

—Lalo trouxe você.

—Oi.- o garoto disse ao ser apontado pela prima.

Ele estava sendo em uma cadeira de aparência desconfortável, com uma revista de esporte entre as mãos e o seu costumeiro sorriso grande incrustrado no rosto.

Encarei Sugar sem nada entender.

—Ele estava passando por perto com a mãe, viu você no carro acidentado, e como estava perto do hospital, ele te trouxe até aqui no colo... – Sugar explicava enquanto eu, espantada, fitava Lalo lendo atenciosamente a revista esportiva, como se nada tivesse acontecido.

—M-Mas e o motorista?

O semblante tenso de Sugar me preocupou.

—Acho melhor você descansar e parar de fazer perguntas, Bee. O médico vai vir vê-la mais tarde.

—Sugar! Eu exijo saber como está aquele homem- segurei sua mão assim que ela ousou querer sair- Eu provoquei sua morte, foi isso?

—Não, claro que não, sua idiota. Ele está bem.

—Sugar...

—Ele está bem, Brittany- minha amiga forçou um sorriso do qual eu não estava gostando nada- Dorme agora, tá? Precisa descansar.

Respirei fundo, sentindo o coração alertar.

—Quando poderei ir pra casa?

—Logo. Agora descanse- Sugar acariciou-me a cabeça e deixou ali um beijo cuidadoso- Enquanto isso eu vou descolar um lanche mastigavel que não seja a gororoba horrenda que oferecem aqui. E de quebra descolar um médico gostosão por aí,que queira me mostrar sua seringa mágica-minha amiga perturbada então fez caras e bocas safadas ao sair do quarto.

—E quanto a Rachel?

Sugar parou no meio do caminho, como eu tivesse jogando uma bomba em sua cabeça. No segundo seguinte, a ruiva levantou o dedo do meio pra mim e saiu andando de costas ao me olhar feio.

—Senta aqui, Brittany... E saia rodando. Vadia...

E foi com essa malcriação que Sugar deixou o quarto, esquecendo do próprio primo ali no canto. Eu poderia até rir da situação, se não estivesse tão assustada com tudo que estava acontecendo e com todo mundo ignorando esse fato. Senti lágrimas alcançarem minha vista e turvá-la a ponto de eu esconder o rosto entre as mãos para que Lalo não presenciasse essa fraqueza vindo de mim.

—Não tem por que chorar- a voz de Lalo estava mais próxima. Ao levantar a cabeça novamente, me deparei com o garoto parado ao meu lado, com um sorriso encorajador- Você tem bravura. Mesmo assustada, soube lidar com a situação. Desastrosa, diga-se de passagem.

—Mas, eu...

—Você é uma lutadora, Brittany. Não se culpe. Logo tudo se ajeita- ele levou o polegar ao alto e sorriu de canto, galante.

—Obrigada pelo apoio... E por ter salvado a minha vida.

—Eu não fiz nada demais- deu de ombros- Santana, aliás, me mataria caso deixasse acontecer algo com sua preferida.

—É... Ela é meio protetora , às vezes e ... É o que??- pasmei, arregalando os olhos- Como...

—Eu sei de coisas que faria você arregalar bem mais esses olhinhos claros- riu Lalo- Mas relaxa, isso não é de hoje.

—O que quer dizer com isso?

—Absolutamente nada- ele resolveu dar de ombros e se afastar- Não negue a ajuda de Santana, ok? É a coisa mais sensata a se fazer.

—Por que? O que você está sabendo e eu não?

—Somos pessoas influentes, afinal. Você já deveria saber- Lalo piscou pra mim e foi até a porta- Você tem medo de pássaros?

—O que? Não. Eu adoro animais- elevei uma sobrancelha, confusa.

—Certo. Afinal... – olhou para trás e por um segundo, flashs vermelhos passaram por entre seus olhos. Olhei para os lados, procurando algum foco de luz por perto. Não encontrei- Pássaros são lindos.

—Seus olhos... – apontei, ele me interrompeu.

—Estarei aqui fora se precisar. Descanse.

—Eu só posso estar ficando louca- me joguei pra trás, afundando no travesseiro a procura de sono. Porém, ao meu lado o colchão cedeu com o peso de alguém. Abri os olhos no susto.

—Assustei você?

—San? Mas como...?- o sorriso tranquilo que ela me enviou, fez com que eu engolisse os questionamentos.

Dane-se! Santana está sorrindo tão bonito para mim. Eu tinha mais que admirar aquele acontecimentos.

—Como você está?

—Melhor que estou vendo você agora.- Santana se inclinou para me beijar, porém, antes que isso acontecesse, a parei com uma mão no ombro- Não é nenhum outro sonho fantasioso, não é?

A latina elevou uma sobrancelha, em sinal de malícia e mordeu o canto dos meus lábios.

—O que acha?

—Acho que é bom demais pra ser verdade. Depois de tudo que passei mais ainda- trocamos um beijo tranquilo e profundo. Ela acariciou-me o queixo e suspirou- Espera... Você foi liberada do inquérito policial? Santana, você não fugiu, não é?

—Falamos sobre isso uma outra hora. Mas está tudo bem. Acredite em mim. Porém, isso não diminui o fato de que você me desobedeceu e foi atrás de mim.

—Eu queria ajudar você, de alguma forma. Não ia lá adivinhar que ia me acidentar no caminho. Mas me desculpe se aborreci você.

Santana passou o braço por minha cintura, apoiando-o da outra lateral da cama para assim ficar cada vez mais próxima de meu corpo. Foi minha vez de suspirar.

—Isso não importa mais. Estou aqui estou aqui agora. E vou garantir que nada ruim lhe alcance novamente.

—Você não pode me prometer isso, San- passei a mão por seus cabelos, parando em sua bochecha. Santana aproveitou para deitar o rosto ali.

—Por você eu posso tudo.

Nos olhamos por incontáveis segundos. Havia tanta coisa para lhe perguntar, tanta coisa a ser dita, porém escolhi o silêncio e o aconchego de sua companhia. A latina deitou contra meu peito e beijou suavemente o meu pescoço. Abracei-a assim, nessa posição, e apesar do medo de alguém chegar e nos encontrar assim, estava mais desejando que sua tranquilidade se fundisse em mim e me acalentasse de tantos medos e incertezas. Porque, alguma coisa no profundo do meu ser, estava me alertando que uma coisa muito ruim estava por vir. E Santana era a chave de tudo.

Será que eu deveria confiar nela, afinal?

—Que tantos segredos você guarda de mim, Santana Lopez?- questionei em um sussurro, embora quisesse que ela bem me escutasse. Seu silêncio era uma faca afiada contra meu peito-San, você me escutou?

—Escutei- ela murmurou de volta e corrigiu sua postura para me olhar- Na hora certa, você saberá. Só prove que confia em mim.

—E como eu provaria isso?- indaguei, encarando-a com toda segurança que tinha. Faria tudo para desvendar toda aquela bagunça.

—Ficando comigo.

—Você sabe a gravidade do que está me pedindo, não sabe?

—Esse é meu preço. Sem reajuste ou desconto- ergueu mais uma vez aquela maldita sobrancelha, que simbolizava toda a malícia de seu ser- Há coisas que eu não posso fazer por você, mas com toda certeza terá minha ajuda para alcançá-las.

—E que “coisas” seriam?

—Confie. – Santana sorriu de canto e levou a mão por dentro do lençol que cobria minha cintura.

—Santana... – tentei repreendê-la, mas quando dei por mim, ela já estava com os dedos onde não deveria- Estamos em hospital... Hum..

—Você quer respostas? Podemos começar com estas- sussurrou a meu ouvido, dando uma senhora cheirada em meu pescoço.

—Mas assim não...

—Assim é a melhor das maneiras... Certo?

—Não é não- não pude deixar de rir de sua malícia- Precisamos conversar.

—Precisamos- concordou enquanto atacava meu pescoço com beijos e caricias.

—Agora!

—Agora... – e ela não retrocedia, embora talvez eu nem quisesse. Passei a mão por seu rosto e o segurei para que me olhasse.

— O que você é, Santana? Por favor, me explique aonde estou me enfiando- perguntei, dessa vez, séria e temerosa.

—O que eu sou?- ela replicou- Toda sua.

Depois que ela piscou para mim e me atacou logo em seguida naquela cama, tinha certeza de que aquela latina, embora mais nova, não tinha nada de inocente ou boba. Porque se tinha alguém sendo iludido, essa pessoa com certeza seria eu no final.

Uma mulher dessas não é real. Não mesmo.

Notas finais
Sejam gentis e me contem o que acharam, seus mafagafos. Vou tentar postar outro o mais breve possível, palavra. Talvez até esse fim de semana agora. Me ajudem! Beijão e obrigada a todos que ainda estão aqui comigo. Sobre o livro, tá indo se arrastando baleado, mas tô vendo o que faço. Quero sugestões de personagens, ok? Caso me agrade, eu os coloco no livro e você será devidamente creditado nas notas. Haha Qualquer dúvida, galera, com a fic ou outros afins, podem me procurar sm medo.