Notas iniciais
Buenas noches, cenouros e cenourinhas. Sim, estou viva, e sim, é capítulo novo, tchê. E pra quem me cobrou capítulo novo quase me ameaçando de morte, e não comentar o que achou do mesmo, se você está lendo isso... Bem vindo à sua fita, caçapetes. Enfim, espero que gostem. Voualá! Mindira, isso nem é francês! Obs: capítulo dedicado a super Dudica, minha maninha bah tchê das gaúchas que eu amo mais que lasanha.


Já pelas tantas da noite, beirando um aneurisma, lá estava eu a farfalhar novamente, peito subindo e descendo em quase um ataque cardíaco por mais um ápice de prazer que Santana me proporcionou nesse dia louco.
Para falar a verdade eu já havia perdido as contas de quantas vezes fizemos... Só sei que foi bom... Melhor do que antes, e antes disso...e Antes disso também, afinal. Bem, especificando melhor, o sexo com Santana em cada vez que se passava, só tendia a melhorar e agora, aff, eu mal podia falar.
—S-Santa... Na... Vou... Voci...V-Você... Ahhh!
—Acho bom você respirar antes de tentar falar, anjo- Santana se jogou para o lado e ficou a me fitar, com um sorrisinho gabola e presunçoso- Lembra como se faz... Respirar?
—Não enche!- a empurrei com o que me sobrava de força e com um pouco mais pude levantar e correr para o banheiro. Meu corpo ardia em brasa.
Não esperei mais. Me joguei debaixo do chuveiro, deliciada com aquela água gelada refrescando meu corpo em chamas. Cheguei a gemer de agrado.
—Quer uma ajuda aí, senhorita Pierce?
—NÃO! Fique aí mesmo, Santana Lopez. Longe de mim, em nome de Shakespeare- gritei de volta, quase abraçada a parede. Pude ouvir a porta bater e tudo ficar em silêncio.
Será que ela havia ido embora?
Tentei ser o mais breve possível no banho, e mesmo exausta, desci correndo logo em seguida, de roupão e tudo para a sala. Certo que apesar de já sermos um tanto “íntimas” não me agrada nada Santana Lopez perambulando por aí, pela casa da minha mãe. Vai saber o que ela pode vir aprontar.
Ouvi a voz de Santana já do patamar da escada, porém não consegui entender bem o que ela falava e melhor... Com quem ela falava.
—... Não fracasse, Ok? Confiança é uma dádiva entregue uma única vez.
Foi tudo que consegui captar ao chegar, dando de cara com uma Santana de roupas íntimas, cabelos amarrados em um rabo de cavalo e uma grande e gorda bola de pelos entre os braços, a ronronar. Se não fosse uma cena fofa... Acharia aquilo bem inusitado e esquisito.
—Fico feliz que tenha se juntado a nós, senhorita Pierce – ela, ainda de costas ao encarar ao gato e acariciar seu pelo, se direcionou a mim. Não lhe escapava uma, nossa- E tenho que dizer que está deslumbrante nesse roupão.
—Se você não fosse tão esquisita e sinistra, eu até levaria isso como um elogio. Mas por hora, vou só fingir que você tem olhos nas costas e encarar isso naturalmente – eu dava com os ombros ao rolar os olhos e me dirigir até a geladeira, em busca de um grande e saboroso copo de leite.
Já sentia o corpo desidratar só de lembrar das horas passadas de coisas EXTREMAMENTE erradas que havia praticado com Santana.
Fiz um gesto com a mão, oferecendo o mesmo que eu tomava a ela, que negou com a cabeça, pondo logo em seguida uma coleira preta no gato gordo.

—Cabe você agora escolher um nome.
—Certo. Mas, vem cá, o que “falava” com o gato?- fiz aspas com o dedos, ironizando a pergunta. Santana olhou para o bichano e franziu o cenho, como se pensasse pesado.
—Só passando instruções.
Ela disse seriamente, porém não me controlei.
— OK. Isso também não é nada estranho- rolei os olhos. Santana deu com ombros, o que me deu vontade de acertá-la com o copo de leite na fuça. Ao invés disso, eu ri. Não pela situação, mas pelo fato do gato gordo ficar impaciente por Santana ainda não tê-lo colocado no chão, o que o fez começa miar e gemer, ao final dando uma senhora mordida na mão dela.
Quase tive um ataque de rir. Seria um momento perfeito para uma crise de gargalhadas entre a gente, porém ela, lá, sem sair daquela pose de “macho alpha” sequer esboçou a reação de um risinho. Apenas ficou a fitar o gato de maneira séria.
—Malcriado!- ela fechou o semblante, depois deu um leve sorriso satisfeito. Milagre!
Bem que eu queria mesmo era ouvi-la rir agora... Como naquele vislumbre do nada que tive. Parecia tão... Viva!
—O que foi?- ela perguntou de repente, e agora tinha a atenção em mim. Isso me fez sair de mais pensamentos desafortunados. Era como se ela sempre tivesse noção do que eu estava pensando.
—O que foi o que?
—Você... Ficou séria de repente. Foi algo que eu fiz?
—Não. Relaxe. Eram só pensamentos chatos- tomei um gole grande de leite agora, como se fosse um shot de tequila, no intuito de recuperar a lucidez. Algo me veio a cabeça agora ao lembrar de Santana conversando com o gato e tinha que tirar isso a limpo- San?
—Hum?
—Posso lhe perguntar algo?- ela confirmou com a cabeça- Mas você vai me responder com sinceridade ao invés de ficar me enrolando até acabar não respondendo nada?
—Pergunte, anjo. Tem a minha palavra- ela pôs a mão no peito e me olhou inquisitiva. Devolvi o olhar com ponderação, na procura de como abordá-la sem que a fizesse se retrair.
—Vamos para a sala, hum? Ficaremos mais à vontade.
—Como queira.
Tomei-a pela mão e assim nos dirigimos a sala, eu andando de costas sem tirar meus olhos dela, e esta, com um olhar em um misto de safadeza e encanto, fitava meu corpo escondido no roupão até parar em meus olhos, dando uma leve piscadela quando assim o fez. Eu sorria como uma adolescente boba, que havia acabado de conhecer o amor e ficava vermelha toda vez que ela, a pessoa que me cortejava, olhava para mim com desejo, satisfação e muitas vezes com admiração. Eram um misto de sensações em conflitos que Santana me fazia sentir que às vezes eu chegava a me perguntar se ela era algum tipo de bruxa que havia me enfeitiçado com ilusões baseadas em meus desejos mais profundos.
Nos sentamos lado a lado, de faces pareadas. O gato gorducho se deitou esparramado no tapete de barriga para cima, perto de nossos pés, ronronando como uma britadeira.
—Anjo... Comece, por favor.
Ao apoiar o braço no encosto do sofá, ela se pôs mais perto de meu corpo, descansando o queixo em meu ombro, doando a mim sua total atenção. Ela tinha um jeito fofo na expressão ao me observar. Apesar do olhar de coisa ruim que não saía por nada. As vezes eu sentia que se deixar envolver por Santana era reservar um assento bem na frente no trem para o inferno. Essa garota não era de Deus.
—Anjo? Se não me contar, como quer que eu a ajude com suas questões que fica mastigando mentalmente cada vez que olha para mim?
—Não é você quem só vive na minha mente e a lê perfeitamente? Não lhe veio nada agora, hum?- debochei. Santana deixou o rosto cair para o lado.
—Não quando eu quero- entortou o maxilar ao falar- E é pelo contrário. Você quem está na minha mente, sempre. Eu só vejo o que você me mostra. O que quer que eu veja -tocou no meu queixo e mordeu o canto da boca. Eu a olhava perplexa. Santana era muito intensa para sua idade- E na maioria das vezes... Você imagina coisas sobre meu corpo. E se repreende por me desejar tanto. Porque vai contra sua conduta... Sua ética, não é, senhorita Pierce? Pensar em transar com uma garota mais nova, e imaginar o corpo dela sobre seu, Unidos em tanto prazer que chega a lhe causar tontura só de pensar, lhe tortura, não é?
Ela me provocava. Era só o que Santana sabia fazer da vida agora. Apesar de que tudo aquilo que ela descrevia agora ser a mais pura verdade (para a minha extrema vergonha), aquela latina sempre encontrava uma forma de me deixar tão a seu mercê que esquecia até de meus propósitos e da própria sanidade. E ela falando isso tudo, enquanto levava a mão sorrateiramente até minha coxa esquerda, descobrindo-a do pano de meu roupão para poder passar as unhas levemente ali, não ajudava em nada.
—Não é isso, anjo? O que você quer me mostrar?
Agora ela vinha perigosamente na direção de minha boca, tentando um beijo que provavelmente levaria a coisas loucamente quentes, que eu me arrependeria mais tarde por ter cedido tão facilmente. Mas, por hora, decidi virar o rosto, fazendo-a acabar beijando meu pescoço. Nem assim ela parou. Ficou por aplicar beijos curtos e precisos ali mesmo. Apoiei as mãos à seus ombros e a impulsionei para trás. E a sua mão que estava em minha coxa, eu tomei para mim, entrelaçando nossos dedos. A olhei sério e firme, o que a fez retroceder.
—Certo, entendi o recado. Momento sério agora- eu fiz um gesto confirmando o que ela havia dito e a latina suspirou, afastando alguns fios de cabelo que haviam caído sobre seu rosto.
—Obrigada- enviei um sorriso leve a ela- San, tem algo que está me incomodando e sinto que devo ter essa conversa contigo.
—Sobre meu treinador, aposto.
—Não. Isso fica para outro momento, infelizmente- tentei conter o incômodo que se formava em meu peito em lembrar do Sam e o que eu estava fazendo por suas costas- Precisamos falar sobre Marissa.
Ela franziu o cenho ao ouvir minha menção a garota assassinada provavelmente durante o baile da Memphis.
—Marissa?
—Sua colega de sala, Santana. Marissa Swan. Não finja que não a conhece.
—Estudo com tantas pessoas, senhorita. Recordar o nome de todas é deveras falho para a minha mente.
—Certeza de que não conhece?- cerrei os olhos, ao perguntar.
—Se conheço, não me recordo.
—E se eu disser “a líder de torcida gostosa e burra assassinada durante o baile da Memphis que foi cedo demais”? É assim que muitos de seus colegas estão se referindo a ela- Santana ficou quieta e reflexiva- Vocês já tiveram algo? Foi o que ela deixou claro aquele dia que encurralaram Marley nos armários e você interviu.
—Sério que é isso que você quer saber?
—Sim. Mas não por ciúmes, ou seja lá o que você esteja pensando. Presenciei algo entre vocês no dia que ela trombou em mim e algo peculiar por acaso chamou a minha atenção.
—Me viu pegar nos seios dela?
—Você pegou?- questionei, estarrecida. Cheguei a ficar vermelha. Santana sorriu de canto.
—Estava brincando, anjo- ela tocou no meu queixo com as pontas dos dedos – Me lembro dela agora, depois da sua menção do ataque a Marley. Sim, conheço a garota em questão. E sim, já tive algo com ela. Só não lembrava dela, de fato. Foi há tanto tempo.
—São tantas assim para você se confundir dessa forma?- cruzei os braços, visivelmente incomodada. Santana se sentou corretamente no sofá, com o braço apoiado ao do móvel. Sua expressão era séria- Eu sou mais uma na sua vida, Santana?
Depois de alguns segundos calada, ela virou-se até mim e me fitou, como se me julgasse por algo.
—E eu, anjo? Sou mais uma na sua vida?
Eu a encarei boquiaberta. Como ela poderia rebater daquela forma? Isso não vinha ao caso, vinha? Estávamos falando dela, oras.
—Isso não vem ao caso agora, Santana.
—Claro que não vem. Sou eu quem está na reta agora, não?
—Eu só preciso de uma explicação cabível, Santana. Estou preocupada com você.
—E o que Marissa tem a ver com isso?
—O último encontro que vocês tiveram foi deveras intrigante. Sei lá, deu a entender que algo causava atrito entre vocês, a ponto dela querer me atacar por suspeitar de nosso envolvimento. Ela escreveu um bilhete endereçado a mim. Espere, eu o deixei por aqui- levantei e fui até o armário, onde deixava uma caixinha contendo alguns trecos meus e tirei de lá um bilhete, que estava escondido dentro de minha carteira de bichinhos fofos- Tome!
Santana tomou o papel entre os dedos e leu o conteúdo tranquilamente, como se tentasse interpretar até a cor das letras. Pus a caixinha a seu lado, no sofá.
—Nossa saudosa Memphs possui as garotas mais perturbadas que existem- a latina sorriu de lado enquanto ainda observava um papel- Um não é tudo menos um não para elas, não é mesmo?
—Do que você está falando?
Santana mal me deixou perguntar e levantou-se de repente, segurando meus braços e me puxando para si.
—Ela quis transar comigo e eu não quis. Satisfeita?
—Por que você não quis?- aquilo fazia meu estômago doer. – Ela não era linda e loira o bastante para você?
— Beleza é algo relativo para mim, senhorita.
—E então o que foi?
—Não tinha espaço para ela em mim- chegou mais perto para sussurrar- Você já ocupa tudo. Satisfeita?
—M-Mas você disse que vocês tiveram algo, Santana- disse, vacilante. Santana já começava a jogar seu veneno de sedução no ar, para no fim me fazer morrer em seus braços.
—Tivemos. Mas tudo não passou de um único beijo- um semblante de curiosidade rompeu minha face- Anjo, só aconteceu. Eu a encontrei devastada há um tempo, depois de tomar um fora de um jogador que só quis ir até a segunda base com ela. Eu a fiz companhia por um tempo, e acho que deu a entender que por algum motivo eu queria alguma coisa com ela. Só que Marissa me beijou de surpresa, eu retribui de alguma forma e a garota insistiu em seguida para irmos até a casa dela, para assim termos algo mais íntimo. Porém eu me neguei. Ela se chateou, me deu um tapa e depois me perseguiu por um tempo. Só isso.
—Só?
—Sim. Não está achando que eu matei a garota, não está? Então esta é de fato a questão. Se eu sou uma assassina... Uma assassina que seduz e depois mata a tamancadas... Ou dou minhas vítimas de presente para meus escorpiões? — ela disse em um tom brincalhão, porém engoli a seco aquilo. Não que de fato eu achasse que Santana estivesse envolvida naquele assassinato brutal, porém, algo em mim me pedia para averiguar. Ela era o mais puro mistério vivo e por acaso esteve envolvida em algo mais misterioso ainda com a falecida garota. Era tanto mistério que já estava me dando tontura.
—Céus, não. Que absurdo, Santana! Só fiquei curiosa- levei a mão ao rosto e respirei fundo- Quando eu soube da morte dela pela TV, me lembrei da última vez que a vi. E estava com você. O que me leva a uma segunda questão... Desde quando você fala latim fluente?
Santana pareceu se incomodar com a pergunta.
—Ah, isso. Bom, eu passei um tempo em um internato na Itália entre freiras, padres e religiosos afobados. Então, enfim, latim era dada como uma das matérias na escola, acabei por me interessar pela língua e estudei afinco. Já tive aulas na própria Memphs também.
—Marissa também falava latim? Porque pareceu que ela entendeu o que você falou.
—Aquilo foi só uma brincadeira, anjo. Eu só quis intimidá-la.
—E por que faria isso?- cerrei o olhar ao perguntar.
—Por você. Tirá-la do seu caminho- deu de ombros como se fosse a coisa mais natural do mundo.
—Santana, você não...
—Eu não a matei, senhorita Pierce. Não faço mal a ninguém, não tenho porquê. Esqueça isso!- ela usou um tom calmo, porém o seu olhar era da mais pura firmeza. – Será melhor para você.
—Isso foi uma ameaça?
—Ameaça? Céus, isso é um conselho. Odiaria que acabasse machucada por se meter no que não deve, anjo. Saia dessa defensiva comigo- Santana me soltou e se afastou. Parecia ofendida- Realmente não sei o que você acha que eu sou, mas está completamente equivocada com seus julgamentos.
—Eu...
—Olha, acho que é melhor eu ir agora. Nos vemos por ai- ela apontou com o polegar para porta alguns metros atrás de si e se movimentou em sua direção.
Eu fiquei sem ação. Queria de fato sanar algumas questões que eu tinha sobre ela, não podia negar que me sentia assustada, porém não queria que ela fosse embora daquela forma. Acabei agindo por impulso e a segurei pelo braço, puxando-a de qualquer jeito. Santana acabou batendo com a perna na minha caixa de trecos que despencou dela e foi dar de encontro com o chão duro. A latina foi rápida e a aparou no meio do caminho, porém, algumas coisas que continham na caixa caíram, e , dentre elas, um terço de cor branca que eu ganhei na infância por minha mãe, que é muito religiosa, acertou o braço da adolescente.
Santana soltou um urro de dor assustador e caiu sentada no sofá, desesperada para tirar o objeto religioso de si, e quando conseguiu, o atirou para longe e ficou a respirar forte, com uma expressão espantada e a mão repousada sobre o local “lesado” pelo terço. Pude ver rapidamente que havia ficado a marca certa da cruz em seu antebraço, como se fosse uma queimadura forte e bem avermelhada.
—Aí, meu Deus, San! Está tudo bem?- indaguei, preocupada com seu estado de susto e o ferimento em seu braço, que aparentava ser grave- Me deixe ver seu braço.
—NÃO!- ela gritou. Pulei para trás, surpresa. Logo se refez, com uma expressão mais calma, agora, porém não menos dolorosa- Desculpe. Será que eu posso usar seu banheiro? Prometo não mexer em nada.
—C-Claro. Use o lá de cima. O daqui debaixo tá em reforma- disse, ainda buscando entender o que estava acontecendo aqui.
—Certo. Obrigada.
—San...
—Estou bem, senhorita... É só uma alergia severa que eu tenho a essas coisas. Digo, hum, o material dessas coisas. – ela fez um movimento de aceno com a cabeça e subiu correndo pelas escadas, me deixando aqui com a cara de perdida na vida.
—Mas o que foi aquilo?
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—Espera! Volte um pouco e me explique melhor o ocorrido. Ela se cortou com o terço e surtou?- O investigador questionava, intrigado.
—Não. Aparentemente ela queimou-se com o mesmo. Aí surtou- deixei a cabeça cair de lado, parando para pensar o quão absurdo aquilo parecia quando eu dizia fora da minha cabeça.
—Se o objeto estava na caixa... Como ela haveria se queimado com ele sem estar exposto ao calor intenso?
—Foi exatamente o que eu me perguntei no momento. Porém, ela me disse que aquilo se tratava de uma alergia severa ao material do qual o terço era feito. E quando se trata de alergias, se pode esperar tudo. Já conheci uma garota que tinha alergia a...
O investigador me olhou encucado por mais alguns instantes e saiu, sem esperar eu acabar o que falava. Ele voltou com uma pasta amarela em mãos, a atirou sobre a mesa e sentou-se novamente. De dentro da pasta sacou alguns papéis que já estavam ficando amarelados e o analisou brevemente.
—Sabia que isso estava estranho. Essa tal alergia não consta no histórico médico de Santana Maria Lopez. Impossível eles deixarem passar algo desse grau de importância. – o homem levou o dedo indicador e o polegar ao queixo e deu alguns apertos na barbicha rala. – Qual foi mesmo o formato da queimadura no braço de Santana que você citou?
— De uma cruz.
—Uma cruz, hum?- enquanto questionava, ele sempre anotava algo em seu caderninho de capa marrom barrento , que lembrava o que meu avô tinha e cheirava a charuto. Só a lembrança já me dava agonia.
—Sim, uma cruz. Exatamente igual a cruz contida no terço. Se quiser peço para minha mãe trazê-lo aqui. Mas, que mal lhe pergunte, o que nisso é relevante ao caso mesmo?
—Tudo é relevante nesse caso, senhorita. Estamos lidando com uma pessoa extremamente perigosa, com frieza bastante nas veias para assassinar adolescentes inocentes da maneira mais brutal que se possa pensar. A garota que você citou no relato, Marissa, por acaso teve a vida ceifada por esse doente.
—Oh, certo. Desculpe-me pela ignorância, senhor investigador.
—Não se preocupe. – jurei que ele fosse me enviar qualquer sorriso simpático, mas o máximo que fez foi deslizar um papel na minha direção, com uma expressão rígida — Assine isso, por favor.
— O que é?- franzi o cenho ao observá-lo.
—Protocolo. Sem alarde.
—OK. Está aqui- terminei de assinar e devolvi o papel para ele, que o socou apressado em sua maleta.
Toda vez que eu sentia que estava me simpatizando com esse investigador engomado, ele me fazia querer estar pendurada de ponta a cabeça, pelo pé, sendo torturada.
—Acho então que devo dar continuidade aos fatos, certo?
—Por favor...
¶∆¶
Enquanto eu ainda tentava entender o faniquito da latina por conta do meu terço antigo (que por acaso era muito importante porque foi um presente da minha mãe onde ela havia pedido, em uma viagem a Itália, que um padre o abençoasse. E ele o fez, com belas palavras e água sagrada tiradas das fontes antigas da igreja), meu celular tocou, me assustando. Atendi com pressa, achando que se tratava de minha mãe com notícias boas ou ruins sobre o tio Earl.
—Alô? Mamãe?
—Bom, olha, pode até ser, mas só me chamam assim depois de no mínimo meia hora de sexo selvagem ardiloso. E eu nem toquei em você e nesse seu corpo virgem cheio de teia de aranha, para começo de conversa.
—Sugar!- disse com uma voz emburrada.
—E quem melhor seria? Sasha Grey? Hahaha.
—Sugar, quantas vezes vou ter que te dizer que eu não sou mais virgem? Há muito tempo. E muito menos vejo pornô.
—E eu sou Tammy Gretchen. Vem cá procurar meu peru, que é mais verdadeiro que sua perda de virgindade.
—Vá se ferrar, Sugar. Pergunte ao Sam, então. Ele saberá te responder e muito bem- e a tua prima também, se bobear, sua carola.
Rapidamente escorreguei desse pensamento infame. Sugar riu do outro lado.
—E agora vocês vão casar? Porque isso é um grande milagre divino... Do qual eu ainda duvido.
—Pelo visto você está bem melhor, não é, Sugar? Já está até enchendo meu saco novamente com essas suas conversas infames.
—Se eu não falar de sexo com você, com quem mais vai falar, sua tiazona virgem? Aposto que quando o Sam vai aí te ver, vocês ficam fazendo crochê enquanto escutam música religiosas sobre esperar até o casamento.
—Vontade de chutar sua bunda agora não me falta.- disse como quase um rosnado. Sugar riu alto.
—Você sabe que eu tô brincando, não é? Provocar você é a coisa mais engraçada das galáxias. Encana facinho, sua britânica carrancuda.
—Você que é uma mala sem alça- tentei ainda parecer chateada.
Sugar mal sabia que sempre me fazia rir com essas besteiras que dizia e fazia. Chegava até melhorar meu dia, acreditem ou não. Seu jeito, sincero e espontâneo era a coisa mais engraçada do universo. Ela conseguia transformar qualquer coisa em divertida em um piscar de olhos. Até quando meu cachorro morreu, e eu o amava muito, ela deu um jeito de me fazer rir como uma louca quando se jogou no buraco que eu o enterraria no quintal, para, dizendo ela, “testar” se era bom ser um defunto.
Pode não parecer, mas Sugar era a melhor pessoa do mundo para mim. Porque mesmo as vezes me metendo em enrascadas desde a nossa infância, ela nunca saiu do meu lado por nada. Mesmo quando me mudei para a Inglaterra, ela sempre se fez presente em minha vida em todos os momentos. Ainda que me ligando as vezes de madrugada, bêbada, perguntando se meu pai estava solteiro porque ela havia acordado sentindo vontade de ser minha madrasta, Sugar conseguia irradiar alegria para meus dias mais obscuros.
—Ligou só para me encher mesmo, ou tem mais alguma coisa que queira me dizer? Você esteve estranha demais esses dias. Até para Sugar Motta, que inventou a bizarrice. – ela demorou um pouco para responder. Parecia pensar bastante antes de qualquer coisa que fosse dizer.
—Bom, rum- limpou a garganta antes de continuar- Eu pensei bem durante esse tempo estive “longe” e cheguei a conclusão de que há certas coisas que eu não deveria ocultar de você. Pelo menos não de VOCÊ, que é acima de tudo minha melhor amiga e a pessoa que mais me apoia nas minhas loucuras e...
—Sugar, respire, por favor. Vai acabar sufocando. – me apressei em interrompê-la antes que acabasse explodindo. Nunca vi Sugar tão nervosa.
—Desculpa. É que não é fácil dizer isso.
—Só diga. Não deve ser tão grave.- disse, em um tom calmo de uma forma que a encorajasse a falar.
—Bom, eu...fiquei com seu pai uma vez.
—-QUÊÊÊÊ? SUGAR, EU VOU TE MATAR!
—É brincadeira, tonta. Seu pai até que é gato, mas quem gosta de coroa é a rainha Elizabeth, que já está quase 170 anos reinando a Inglaterra e vai enterrar o filhos, os netos e os bisnetos antes de entregar o reino para aqueles bananas — ela gargalhava que nem uma louca do outro lado- Foi só para descontrair. Desculpe! Mas queria ter visto sua cara. Haha!
—Vou desligar... NA TUA CARA, VAGABUNDA!
—NÃO! Fica aí. Não vou conseguir começar essa conversa novamente.
—Certo. Então fale logo. E se não for algo relevante, juro que nunca mais falo contigo- intimei. Sugar respirou fundo do outro lado- E olha que eu...
—Rachel e eu já namoramos.
—Porque eu nunca mais te darei outra chance pois... É o quê???- perguntei, pasma.- Eu escutei direito?
—Sim.
—Não é mais nenhuma brincadeira sua, não é, Sugar Motta? Porque se não...
—Bee, é sério.
—Sério? Mesmo? Certeza?
—Sério, caralho. Não faz isso ficar pior me fazendo repetir essa merda.
—Mas, Sugar... – fiz uma pausa como se fosse soltar o maior segredo do mundo- Você a odeia. E transa com quase todo cara que tromba por aí.
—Poxa, Pierce. Valeu por me chamar de puta.
—Mas você mesma se chama de puta- levantei a mão, com a feição de desentendimento.
—É, mas não é o momento para nivelar a minha putisse de puta. – apostaria 1000 como ela estava fazendo bico nesse instante.
—OK, me desculpe- rolei os olhos para seu drama- Então, como aconteceu isso? E porque vocês duas esconderam isso sendo que desde o colégio uma tentava matar a outra todo santo dia?- não vou negar que eu sempre desconfiei. Agora que a história veio à tona, me lembro de tê-las pego em situações duvidosas na nossa época de ensino médio. Como eu pude ser tão avoada?
—Deixa isso para lá, pirulitona. Recordar é viver, então eu prefiro morrer muda. E Já passou. Estou me sentindo melhor agora que contei. Agora só. Bye!
—Nem ouse desligar esse telefone sem me contar como aconteceu sem a gente desconfiar, Sugar... Hey... Espera... E desligou. – olhei para o celular que estampava “chamada encerrada” na tela e mordi o canto da boca, toda avessa àquela história. Sério que a minha melhor amiga me escondeu isso esse tempo todo? Ah, mas eu a faria contar. Pode ter certeza.
—Senhorita Pierce?
Dei um pulo de susto quando Santana me chamou.
—San! Que susto! Há quanto tempo está aí, parada?
—Acabei de chegar. – ela deu de ombros. Maldito gesto!
—Amanhã mesmo vou comprar esse bendito sino. – olhei para o alto, reflexiva.
—O que foi? Você parece afobada- Santana se aproximou de mim e passou os braços pela minha cintura, me puxando para mais perto de si. Ela parecia bem mais calma agora. Voltou a aquela tranquilidade de dar raiva.
—A louca da sua prima. Me jogou uma granada nas mãos e saiu correndo. – amaciei seus ombros, como se a tivesse aquecendo e Santana me lançou um belo sorriso divertido. Cheguei a me espantar com o gesto. Nem parecia a Santana assustada e nervosa de ainda agora por causa do terço.
—Sugar é a melhor em deixar alguém nervoso e divertido ao mesmo tempo.
—Você também me deixa nervosa. É coisa de família?
—Talvez- a latina fez careta. Eu ri- Te deixo nervosa, é?
—Só de vez em sempre- ela refez o sorriso magnífico. Aquelas covinhas fofas me deixou hipnotizada. Cheguei a tocá-las em uma carícia leve- Você devia sorrir mais assim. Me encanto quando sorri. Parece uma bolinha de...
—Doçura?
—Pare de completar minhas frases. Que mórbido!- cheguei a me arrepiar.
—Desculpe. Mas não sabe o quanto sua voz ecoa na minha cabeça.- deixou a cabeça cair para o lado, em gesto fofo- É difícil ignorá-la. Nina meus sonhos, sabe?
—Que fofo!- sorri, encantada.
—Menos os eróticos. Nesse seus gemidos que me ninam- dito isso, ela mordeu meu ombro e eu a estapeei por isso.
— Você e sua família têm problemas sexuais, sério. Quando não é Sugar, é você. Inacreditável.
—Perdão se você me faz te querer até a última gota- Santana me olhou devassa, mordendo o canto da boca. Senti as pernas chacoalharem.
—Céus- tomei sua boca para mim em um beijo intenso- Por que você faz isso comigo? Você é que nem uma droga para meus sentidos.
—Porque é o que você precisa. Certo?
—Te odeio por me entender como ninguém- lacei seu pescoço com os braços, mordendo levemente seu lábio inferior- Isso me deixa transparente a seu olhar. E vai escorregando sorrateiramente cada vez mais para dentro do meu coração.
—E isso é bom, não é?
—Espero que seja. Porque estou com medo.
—De que?- franziu o cenho.
—Do erro que estou comentendo. Das coisas ruins que eu sinto que nos cercam. O que me leva...- me separei dela, puxando seu braço- O que foi aquilo com o terço? – sua postura era dura agora.
—Alergia, já disse.
—Nunca vi reação alérgica daquela forma. Sua pele ficou marcada com a cruz.
—Não ficou, não.
—Ficou sim- eu tentava puxar seu braço mas, apesar de não parecer, ela fazia força para não deixar.
—Não... Não ficou. Deve ter sido impressão sua. – ela então cruzou os braços e passou a encarar o chão.
—San, me deixa ver o seu braço. Estou preocupada.
—Sem necessidade. Confie em mim.
—San... Querida, o braço. Por favor- abusei de meu olhar tristonho para fazê-la mudar de ideia. Santana bufou e estirou o braço, porém, não havia nenhuma marca lá. A não ser uma tatuagem de lua, bem pequena, no pulso esquerdo. – Mas, eu...
—Não disse? Não morreria se começasse a confiar mais em mim- a garota me olhou chateada e depois saiu recolhendo suas coisas pelo chão, começando a vestí-las- De onde você tira essas coisas, anjo?
—San... Hey... Espera- corri até ela e a puxei para o sofá, sentando em seu colo- Me desculpa,tá? Eu só fiquei preocupada.
—Tudo bem. Eu te entendo. Mas vai com calma- passou os dedos por meu queixo e encarou meus lábios- Não é de mim que deve ter medo. Estou aqui para cuidar de você. O que sou, o que fui, nunca interferiu no que eu sinto por você. Em nenhum momento- tocou seus lábios nos meus em um beijo terno e cuidadoso, que eu retribui desconcertada.
—Não acha que está cedo demais para falar de sentimentos, hum?- deitei em seu peito, deixando beijos preguiçosos embaixo de seu queixo. Sua respiração mudou de curso.
—Qualquer momento é o momento certo para falar sobre amor.
Aquilo me pegou de surpresa. Porém apenas me endireitei para poder olhá-la direto nos olhos.
—Você me ama, Santana?
A latina então pegou minha mão e a pôs no próprio peito. Seu coração estava louco a pular sem limites.
—Há mais de mil anos. – Santana em seguida sorriu do tamanho da esperança- Isso é pouco para você?
Não tive reação para responder. E nem pude. Alguém bateu na porta como se fosse derrubá-la e um grito esganiçado soou lá de fora enquanto Santana e eu nos encarávamos cada uma em seus pensamentos cheios de conflitos.
— Senhorita Brittany Susan Pierce! Soubemos que você se encontra nesta residência com a menor Santana Lopez. Por favor, abra a porta. Aqui é a polícia!
Polícia? Mas o que foi agora, meu santo Shakespeare?

Notas finais
Relôu, pirigóticos! E essa puliça aí, atrapalhando a DR lésbica gótica trevosa? Gostaram? Ficou chato, confuso, JCÉtico demais? Digam-se, yo preciso depois de tanto tempo batendo cabeça mais que uma drag queen com esse capítulo desgraçado. Enfim, não lembro se respondi os comentários antigos, mas se não, até amanhã estarei fazendo isso. E quanto ao livro, muitos me perguntaram como será, aonde vou lançar e etc etc epicétera... Será o seguinte, eis a bomba: Uma garota mucho loka da vida, que ama se aventurar, viver a vida das mais perfeitas formas, acaba sofrendo um grave acidente ao tentar salvar a irmã do mesmo. Ela fica em um coma delicado durante um tempo, o que a faz ficar no limbo, se perguntando se era esse o fim que ela queria para seus planos de vida. Mas, daí, um ser místico, que está mais para um demônio, se aproveita da situação e a propoe um acordo em que ele a faz voltar a vida, sem nenhuma sequela, caso ela o deixasse se fixar em sua aura espiritual para sentir o gosto da liberdade. Pois só assim ele consegue viver. Ela, com medo de se perder no esquecimento, acaba aceitando. So que , mal sabia, que ele além de adentrar em sua aura, tem a capacidade de controlar sua mente para sanar suas vontades por prazeres mundanos. A garota então, terá o fardo de conviver com esse parasita em si, lutando contra suas vontades obscuras e más para continuar com a sua vida, com seus sonhos e com seus recem poderes descobertos vindos do próprio capiroto em si, em que ela consegue sugar a aura mágica de alguma forma. E para quem perguntou se terá pegação lésbica, sim, a protagonista acaba se tornando bissexual por conta da taradisse do coisa ruim, onde ela acaba se atraindo pela rival cientista de sua irmã gêmea. Porém ela também sente algo por seu antigo namorado. O que a deixará em impasses durante a trajetória da história. E onde eu vou lançar? Sei lá, talvez num buraco e jogar cimento. Kkkk brincadeira. Ainda não sei, porque eu quero muito entregar isso a vocês livremente, mas tô needindo de money para comprar umas paradas de loucas para me ajudar a salvar vidas. Sim, ou da poltrona, sou bombeira civil em treinamento agora, hum. Mas se eu for fazer assim, tento fazer em um valor que seja acessivel a todos, ok? Se eu não me embanar e dá-los a vocês gratuitamente, como tô querendo. Mas, isso é para outro momento. Ainda nem tô no capítulo 5 do livro. Então, o que acharam? Eu sinceramente ainda não sei se continuarei com esse projeto, mas vou ver o que vai dar. Minha vida tá uma correria. Enfim, agora fui-me!