Obsessiva- O que te intriga... É o que te excita!
18 Você precisa de um gato
Notas iniciais
Não sei quanto tempo havia se passado, mas para mim era como se as horas houvessem congelado no instante que eu sentei naquela moto com Santana.
Ela tinha esse poder de fazer com que tudo fosse diferente e mais intenso. Mais fácil de se realizar, porém difícil de se lidar. Me fazia ficar assustada, mas ao mesmo tempo eu sentia prazer por isso, como uma louca, e me entregava de corpo e alma. O que era confuso para mim, contraditório demais para estar 100% satisfeita ou tranquila e perturbada demais para entender o que se passava comigo.
Dá para entender isso sem pirar? Oh, claro que não. Eu fico surtando!
Por que, alguém na escuridão, deitado em sua cama com o celular sobre o peito ou sentado no vaso sanitário se aliviando, se pergunta agora ao ler isso:
O pior era que, das muitas vezes com ela, apesar da forma que ela lida comigo e me faz tão submissa, eu ainda conseguia me sentir bem ao seu lado, uma sensação tentadora, lasciva e intensa, que eu nunca senti com ninguém em toda minha vida, mas tenho sempre aquela sensação de já ter vivido igual, só não sei aonde.
Eu vou acabar enlouquecendo antes de terminar com todos esses relatos. Escrevam aí!
-Senhorita?
—Hum?- murmurei, ainda sonolenta.
—Chegamos- ela alertou. Santana pegou-me pela mão e me ajudou a descer. Enquanto eu abria a porta, ela colocou a moto na lateral da casa, no intuito de ninguém bisbilhotá-la ou alguém perguntar sobre- Quer que eu a deixe até aqui, somente?
—Não, você pode entrar. Mamãe está em uma reunião da igreja a essa hora- abri a porta, dando passagem para que ela entrasse primeiro e assim o fez- E depois do que aconteceu, não me sinto à vontade ficando aqui sozinha. Espero que sua permanência aqui não te atrapalhe ou a encrenque com seus pais.
—Dos meus pais cuido eu- ela disse com certa força de propriedade e segurança.
Me olhou nos olhos por alguns segundos, mas rapidamente voltou a encarar os sapatos, levando as mãos aos bolsos atrás do jeans. Eu sorri levemente. Achava isso engraçado dela. Não parecia ser nem um pouco tímida, mas algumas vezes percebia de si um certo desconcerto, mesmo que este seja mínimo. Santana era do tipo que você ficava na dúvida se ria dela ou se benzia a si quando estava a sua frente. Era um ser humano dos mais incógnitos que já havia visto.
—Nunca estive com tanto sono como estou agora. Devo ter dormido a viagem inteira para cá. Não acredito que não cai da moto.
—Eu tampouco- Santana comentou, em tom de piada. Eu a olhei, cerrando os olhos, como se me sentisse ofendida por ela ter acabado de me chamar de desequilibrada. Isso não era lá uma novidade, a gravidade não era muito minha fã, mas fiz cara feia mesmo assim, para não quebrar o clima descontraído. Ela observava alguns cantos da casa, com um sorriso de canto misterioso.
—Obrigada por me lembrar disso.
—Estarei sempre aqui- me olhou de canto, depois ergueu uma sobrancelha- Por que me quer aqui, afinal?
—Como?- perguntei, não captando sua questão abrupta e irônica.
—Pediu que eu ficasse em sua casa e não é de seu feitio me deixar tão perto.
—Não entendi o motivo do questionamento. Você não capta educação nessas suas anteninhas de intrigas? – incitei, deixando casaco e minha bolsa em cima do sofá.
—Não- ela agora me olhou por inteiro- Minhas anteninhas de intriga só captam o quanto você nunca me quer por perto- expôs, agora em sua pose gelada de sempre- Estou mentindo?
—Bem, não... – gaguejei nessa parte- Mas...
—Anda, Senhorita Pierce, vamos logo ao que interessa de verdade e vá direto ao ponto- retirou sua jaqueta, jogando-a sobre um dos ombros- Não vamos nos tornar mulheres de rodeios- segurou uma das pontas da peça de couro por dois dedos apenas e passou a andar, como se fosse uma daquelas modelos provocantes da Victoria Secrets até mim e, quando perto, depositou a jaqueta de forma organizada sobre uma cadeira que ficava atrás de meu corpo.
Estava tão próxima a mim que eu podia sentir sua respiração quente, e me perdi no deslizar de seus lábios para formar aquele sorriso sarcástico tão predominante nela. Ela continuou:
— Vai me dizer o que quer comigo ou será que eu vou ter que descobrir sozinha?- olhou de meus lábios para meus olhos, sussurrando cada palavra. Tive que me buscar lá no fundo do buraco de desmantelo que cai, limpando a garganta, na tentativa de dissipar toda tensão.
—Só queria me mostrar agradecida por ter me defendido do Noah ainda pouco.
—Certo, de nada então. Mas, bom, tem mais. É claro. Espere, deixe-me adivinhar- pousou a mão no queixo e exageradamente, fingiu pensar- Você quer apenas jogar conversa fora até sua mãe chegar, como um chá da tarde inglês- retirou a mão do queixo e pôs as duas na cintura- – — Ou quem sabe brincar de bonecas em seu quarto? Não foi você mesma que disse querer ser minha amiguinha?
—Não seja ridícula. Você é calada, de fato, mas quando abre a boca, só Deus pode me julgar pela vontade que eu tenho de chutar seu traseiro- revirei os olhos e segurei-a pela antebraço, praticamente a arrastando até a cozinha- Bebe algo ou destilar veneno já afaga sua sede?
—Não, prefiro engolí-lo com um pouco de café- me pus risonha pelo comentário, balançando a cabeça negativamente.
—Puro ou com açúcar?
—O quão doce puder fazer.
—Achei que atletas evitassem açúcar para o corpo não desandar- cutuquei. Olhei-a enquanto mexia na cafeteira para preparar o café da adolescente irônica. Ela então levantou a blusa e mostrou a definição do abdômen, com um sorriso sacana desenhado nos lábios.
—Acho que meu corpo aguenta um pouco de doçura... Ele aguenta você, não é, Senhorita Pierce?- fiquei boquiaberta, ao encará-la, mas então rapidamente virei o rosto, voltando a atenção apenas na cafeteira e o café, porém não deixando de dar aquela mordida no lábio pela tentação. Espero que ela não tenha visto. Maldito abdômen saboroso!
—Não gostaria de sentar um pouco, Santana? Pode arrastar o banquinho atrás de você.
—Obrigada pela gentileza- achei que ela não aceitaria, não era habito seu sentar-se quando eu estava em pé, porém ouvi que ela de fato arrastou o banco e sentou-se, toda reta.
—Disponha!- fui até o armário e peguei uma xícara, colocando em frente à Santana para despejar o café ali. Ela agradeceu, provando de um gole intenso- Wow, cuidado! Vai acabar queimando a língua- Santana levantou uma das mãos, como se pedisse calma. Sorriu, como uma criança travessa louca por café. Aquilo foi até engraçado, nunca a tinha visto saboreando nada- Primeira vez que te vejo tomar algo. Já posso riscar vampiros da lista de coisas das trevas que eu suspeitava que você era.
—Vampiros são chatos- enrugou o nariz- E café é algo que eu realmente me simpatizo muito- tomou mais outro gole, e sorriu- O seu é muito bom.
—Agradeça a cafeteira. Se fosse eu a coar, você estaria passando mal nesse exato momento- ela deu de ombros, terminando de tomar todo líquido- Quer mais?
—Por favor- levantou a xícara para que eu despejasse mais. Ela tomava o café como alguém que havia passado um bom tempo sem tomar água. Realmente gostava do líquido negro – Quando vou poder retribuir o favor?
—Que favor?- indaguei, de cenho franzido enquanto de servia também.
—De invadir seu quarto... Como invadiu o meu.
A olhei diretamente nesse exato momento, e , pela forma que ela me olhava, seu comentário ia além do que ela dizia. Não era um simples: Quero entrar no seu quarto à qualquer custo. Estava mais para: Por que você entrou no meu quarto daquela forma e me fez surtar sexualmente com você de novo quando o que você sempre me pede é para ficar longe de seu corpo?
Já estava aprendendo a ler as entrelinhas tão bem daquela latina auspiciosa que, daqui a pouco, já dá até pra eu escrever um livro sobre: Como entender Santana Lopez. Eu sobrevivi, você também pode.
Deixei cair um sorriso leve na sua direção e desviei o olhar para sua xícara de café já quase vazia novamente.
—Você já se sentiu confusa em relação a alguma coisa?- perguntei. Notei que ela comprimiu uma das mãos.
—O tempo todo- foi sua rápida resposta.
—Digo, um tom mais forte de confusão. Do tipo que você se desconhece quando se trata de tal coisa. Seu próprio ser te trai quanto suas convicções e quanto mais você luta contra, mais você se aproxima. – soltei o ar dos pulmões e minha cabeça pendeu para um lado, sem jeito- Você vê o problema. Sente o perigo. Se inunda em medos, perde-se em pensamentos... Mas é o sentimento desconhecido que você segue inconscientemente achando que está fazendo o certo? E-Eu sei que é confuso. Mas eu tinha que perguntar a... – levantei meu olhar a ela. Santana olhava estática para mim- A você. Por que, sei lá, eu sinto que você também sente coisas confusas.
—Não sinto.
—Não?- me surpreendi pela resposta. Eu esperava algo, hum, diferente?
—Não sinto- repetiu, e trancou sua expressão- É claro quando aprendo onde devo olhar.
—E como você sabe disso?
—Prática. Porque não é de agora.
Eu emudeci por um grande tempo. Ela apenas ficou me olhando, como se tentasse me desvendar. Mergulhei em pensamentos pesados. Não sabia o que realmente estava fazendo ali, mas era pedir demais por respostas? Eu só queria ser esclarecida com tudo de estranho é estremo que estava acontecendo em minha vida atualmente. E eu sentia de verdade que Santana tinha as respostas... Mas não queria dá-las a mim.
Suspirei, levando a mão à nuca e a acariciei. Estava um tanto dolorida. Santana não tocou mais no café, senti que ela me encarava o tempo todo com aqueles olhos castanhos que às vezes, em momentos distintos, se tornavam esferas banhadas em petróleo. Ela estava tão quieta quem nem parecia estar mais ali, mal sentia que respirava. Enquanto eu, semideitada na bancada, ficava confusa no que pensar. Santana falou do nada:
—Você precisa de um gato.
—O que?- levantei bruscamente a cabeça e a olhei- Gato?
—Sim, um gato. Eu posso arranjar um para você.
—Por que exatamente preciso de um gato?- senti vontade de rir daquilo. Aquela garota realmente era um mistério. Ninguém sabia qual seria o seu próximo passo.
—Dizem que gatos afastam pensamentos ruins e até presenças ruins. Eles limpam o ambiente e o mantém equilibrado. Sua alma equilibrada. São como guardiões do lar- ela pareceu confusa ao dizer- Não sei direito, Sugar que me disse isso. Mas você precisa de um.
—Ok, é a primeira pessoa que dá ouvidos ao que Sugar fala e você está sendo hilária- eu zombei, rindo. Santana deu de ombros.
—Eu gosto dela.
Não sei o que foi aquilo, mas era como se por alguns segundos, uma luz atravessasse a cozinha e acertasse os olhos dela. Eu pude ver inocência e uma pessoa amável através do seu olhar. Pude ver até mesmo um sorriso largo e verdadeiro. Ouvi uma risada gostosa de sua voz rouca e seus cabelos negros serem chacoalhados pelo vento. No entanto, tudo isso para mim veio de um flash em minha mente. Algo como outros tempos, uma época diferente, um campo absurdamente verde e mãos unidas, celebrando uma linda união da extensão dos corpos de duas amantes jogadas na grama.
Senti a cabeça doer. Cocei os olhos e fui arrancada daquele vislumbre. Meu corpo inteiro estava dormente, como se eu o tivesse abandonado e retornado a ele brutalmente.
Quando já melhor, pude encarar Santana e dar de cara com seus olhos a cintilar, um tanto tremidos e banhados em preocupação. Ela então levantou e me surpreendeu ao me pegar no colo, como se eu fosse tão leve quanto um travesseiro.
—O que está fazendo?
—Você está quase apagando- analisei seu perfil e ela aparentava estar distante agora, com o maxilar rígido e o corpo tenso.
Me aconcheguei em seus braços e desse vez deixei ser levada. Santana não dizia nada, apenas sentia sua respiração pesada enquanto subia as escadas comigo.
O corpo moreno quente, ia tirando a tensão do meu a cada ponto mais cansado, fazendo com que eu me sentisse acolhida e completamente segura, apesar de ainda assustada pelo “sonho acordado” que acabara de ter.
Senti que ela abria a porta de meu quarto com cuidado e migrou o rosto até minha orelha, afim de sussurrar:
—Será que eu posso entrar em seu quarto, meu anjo?
Ao que eu balbuciei fracamente um:
—Por favor.
E saiu mais como um gemido.
Pelo pouco tempo que mantive os olhos abertos, pude ver Santana retirar os sapatos sem muita demora e os afastar com os pés para um canto da porta e por lá os deixou. Era educada, não se podia negar.
—De que mundo você veio?- perguntei-lhe em quase um devaneio.
—Do meu.
Enfim entrou comigo e caminhou até minha cama, me deitando com delicadeza. Não abri os olhos. Acho que nem conseguiria.
Senti logo em seguida que Santana retirava os pequenos saltos de meus pés e, por alguns segundos, achei que ela havia abandonado o cômodo, até que a mesma sentou-se ao meu lado e mexeu em meus cabelos.
—Agora eu vou, ok? Descanse bem e não vá a escola amanhã.
—Por que?
—Deixe que as coisas se acalmem primeiro.
—Por que você vai agora? Fique.
—Eu não posso.
—San... Fique. Por favor.
Abri parcialmente os olhos, o quanto podia, e a encarei. Ela parecia hesitante.
—Por que devo ficar?
—Estou com medo- aproveitei a aproximação para abraçar-lhe o pescoço como uma criança medrosa e a senti suspirar em meu pescoço- Você não pode fingir que tem sentimentos só por hoje? Que tem um coração?
—Eu tenho um coração.
—E por que você não me mostra?
—O que fará com ele se eu fizer isso?
—Tanto drama- disse arrastado- Vamos, deite aqui. Não me faça implorar.
Ela bufou e então deitou-se de frente para mim.
—Você só piora as coisas assim, sabia?
—Agora não importa- me aninhei a seu corpo, apertando os nós dos dedos a sua blusa. Ela passou um tempo de braços erguidos até que se deixou vencer pelo o cansaço e me abraçou, levando-me para perto de seu corpo que estava cada vez mais quente- Você é tão quente! Como pode?- divaguei. Ela não respondeu- Por que está tão quieta? Até agora não tentou algo mais íntimo comigo... Nossos corpos estão tão próximos. Você adora quando estamos assim- escorreguei o nariz por seu pescoço, senti que a deixou tensa.
—Não acho correto agora.
—Por que?
—Você está entorpecida pelo sono. E... – fez uma pausa quase que dolorosa- Não gosto desse cheiro dele em você.
—Não é natural que uma garota cheire a seu namorado?
—Não é natural que ela esteja deitada com outra em sua cama, pedindo intimidade?
—Touché!- ri contra seu peito- Me beije!
Mesmo mole, tentei subir mais na cama e alcançar seus lábios carnudos, porém, quando já tão próxima, ela sequer me deixou sentir seu cheiro, empurrando-me para o lado a ficar de costas contra o colchão e prendeu cada mão minha com as suas.
—Você precisa descansar.
—Preciso sentir você- fiz força para me soltar, porém isso não bastava contra Santana- Faz amor comigo.
—Não- fora fria.
—San...
—Eu não faço...
—Amor? Você não faz amor? Não faz, sua idiota?!- ela afrouxou o aperto e eu usei minhas últimas energias para empurrá-la de mim, onde foi parar de joelhos sobre a cama- Então o que está acontecendo, hein? O que a gente faz então? FODER?- gritei, enervada.
Não sabia de onde saiu toda aquela raiva, só senti que deveria expurgá-la de mim naquele momento. Santana me encarava sem o que dizer, as mãos apoiadas no colchão. O olhar que, pela primeira eu vi perdido, estava quase escondido sob os cabelos que caíram em cascada no rosto.
—Não vai dizer nada? Não tem uma piada agora para mim?
—Você não está bem- foi a única coisa que ela disse.
—Não, não estou. Eu estou com raiva. Você me deixa sempre assim. Com vontade de quebrar sua cabeça.
Eu devia estar parecendo uma louca porque até Santana pareceu um tanto assustada e confusa com minha reação. Mas acontece que, minha cabeça doía muito, eu estava exausta e assustada por meu quase estupro por um aluno, sem falar da confusão que eu sempre sentia quando estava perto de Santana. E ela não ficava atrás me confundindo cada vez mais com esse jeito irritantemente intrigante e misterioso, onde só o que me sobrava era desmantelo depois.
—FALA ALGUMA COISA!
—Se acalme e durma.
Isso não estava ajudando.
—Cala essa boca!- me joguei em cima dela de punhos cerrados porém o máximo que consegui foi que ela me agarrasse pelos pulsos e me prendesse longe de si.
Minha menstruação com toda certeza chegaria mais cedo. Estava louca dos nervos.
—Santana- ela desviou o olhar de mim e passou a olhar para baixo, como se me encarar lhe fosse doloroso.
—Não faz isso.
—Eu te odeio!- mais uma vez gritei. Santana deixou os ombros caírem assim como os cabelos ainda mais em seu rosto- Me solta. Eu te odeio.
—Não faz isso, anjo. Por favor- sua voz era suave e dolorosamente calma.
—Me solta.
—Por favor- ela voltou a repetir. Agora baixinho e como quase uma súplica- Não faça isso comigo novamente.
Santana então soltou-me os pulsos e abraçou minha cintura, puxando-me para si em um abraço enquanto agora, ambas estávamos de joelhos sobre a cama.
—Você é tão idiota- estapeei seus ombros- Mas eu gosto tanto de você.
—Gostar às vezes não é o bastante.
—Então por que você se cala tanto se isso não lhe é o bastante?
—O silêncio por muitas vezes pode ser a melhor atitude quando você não sabe o que dizer.
Eu bufei. Minha cabeça martelava. Estava entorpecida.
—Não seja tão vaga.
—Eu tento não ser.
—Não está tentando o bastante- afastei-a de mim- Olhe nos meus olhos.
—Não.
—San... Olhe nos meus olhos- ela negou-se novamente. Tive que fazê-la olhar para mim- Por que se preocupa tanto comigo, mas age como se só o que quer é me usar?
—Suas perguntas me ofendem- o olhar estremeceu.
—Me responda.
—Eu quis ir e você não deixou. E você está fedendo a ele.
—Não foi isso que eu perguntei.
—Mas é o que importa- Santana olhou para o lado e divagou- Você precisa de um gato.
—Eu preciso é de você agora- disse com toda sinceridade, apesar de estar me sentindo embriagada- San... – a fiz prestar atenção em mim. Os olhos ficando cada vez mais negros- Não me deixe na escuridão.
—Não vou. Mas você não deve abrir a caixinha- apontou para a própria cabeça- Eu sou o mal, meu anjo. Nasci do mal.
—Não diga isso. Você só está confusa.
—Não. Preciso ir. Preciso- senti que ela ficava cada vez mais quente também- Me deixe ir dessa vez.
—O que você tem? Está ficando febril.
Santana levou a mão ao rosto e suspirou.
—Você tem razão. Isso está errado.
—Está, mas isso nunca te impediu antes. Santana, o que foi? Eu te assustei? Machuquei você? Por que se for...
Ela do nada segurou cada parte do meu rosto e colou sua testa na minha.
—Você é o melhor que já me aconteceu.
—E por que você não se abre para mim, querida?- passei o polegar por sua bochecha- Eu quero ser sua amiga.
—E seu quiser mais?
—Podemos ajeitar isso com o tempo.
—Então me deixe ir.
—Não, você não vai- agarrei seu pescoço e puxei sua boca para minha, em um beijo profundo, mas curto.
—Você bagunça minha cabeça- falou de olhos fechados e respiração pesada.
—E você bagunça meu corpo inteiro.
Achei que eu estava perturbada, mas Santana parecia pior. Ambas confusas e contritas, nós nos confrontamos e nessa guerra toda, mais uma vez fomos traídas por nossos próprios corpos loucos um pelo outro.
Santana apertou-me a cintura e acabei prensada contra ela ainda de joelhos sobre a cama. Afundei as dez unhas em seu pescoço moreno, o que a fez morder meu lábio inferior como troco. Dolorido... Mas gostoso.
Estava de vestido leve, então foi fácil para que, conforme ela fosse subindo as mãos por meu corpo, fosse deslizando também a peça de roupa, me deixando só de roupa íntima.
—Seu corpo...
—Meu corpo...- incentivei, para que ela continuasse. Nos beijamos mais forte dessa vez.
—É minha fraqueza.
—Santana Lopez tem uma fraqueza?- sorri entre o beijo. Ela me jogou para trás e deslizou sobre meu corpo. Atrito delicioso. Me deixou cada vez mais molhada.
—Tenho muitas fraquezas... – retirou a própria blusa e a atirou para longe. Suspirei por aquele abdômen-... E todas elas são você.
—E você não faz amor, não é?- debochei, roubando-lhe uma mordida no queixo.
—Não faço.
—Santana Lopez... Você ainda tem tanto o que aprender.
—E você precisa descansar. – enfiei as mãos por dentro de seu top e apertei com luxúria ambos os seios, ela gemeu gostoso.
—Depois, Santana. Agora vem cá.
Há aqueles momentos em que palavras não devem mais ser ditas. Elas não cabem mais ali. Apenas olhares, ora avassaladores, ora de puro encanto, transformam o mais puro desprezo pelo convencional, no puro prazer do envolver de corpos desesperados por satisfação e contato. Mas não qualquer tipo. Há aqueles que foram feitos sob medida e só funcionam com seu par ideal. E eu tinha quase certeza de que o de Santana fora feito perfeitamente para mim e para quebrar todas as minhas defesas.
E ela sabia muito bem como fazer isso.
Selou-se entre minhas pernas e rebolou contra meu centro ainda sob a calcinha florida. Uma das mãos segurou a minha com força enquanto a outra vagava entre meus seios, brincando com os pontinhos eriçados.
—Vem cá.
E ela então virou-se e me pôs sobre o seu quadril. Ainda estava de calça, o que deixava tudo cada vez mais uma tortura muito deliciosa.
Logo me fez rebolar ali e dessa vez não usou da força para arrancar meu sutiã de mim, só destreza.
Não demorou para que tivesse um seio branquelo em sua boca tão carnuda. E ela sabia dá-lo atenção. Tanto com a boca, em chupadas embriagantes, quanto ao passear com a língua pelos biquinhos róseos e excitados. Cheguei a agarrar sua cabeça cada vez que ela chupava com mais força à ponto de eu achar que havia perdido um mamilo. Ficara dormente. E foi tão bom.
—Aí, San... Você sente?
—Claro que sim- nos pomos em conexão e logo ela sacou o que tanto eu queria.
Santana era uma garota ágil, conseguia me colocar em qualquer posição antes mesmo que eu piscasse. E já lá estava eu, jogada para trás novamente, vendo agora minha aluna de 17 anos arrancar a calcinha que eu usava e logo então, dobrar-me os joelhos em cada lado da cama, abusando de um olhar do qual estava com sede há dias.
—Não seja má comigo agora. Eu só preciso de você.
—Estou aqui- ela pegou minha mão e apertou entre a sua. Subiu por meu corpo e me beijou pela primeira vez tão docemente que me senti em minha primeira vez, tão melhor que a que realmente tive. Santana beijava tão bem, e tinha uma língua tão macia e morna. Um pacote perfeito para um beijo delicioso.
Sem muito esperar, ela seguiu com a mão até minha intimidade. Mas desse vez não foi a sua sozinha, a minha estava junto. Ela, mestre no que fazia, fez com que eu me tocasse enquanto me presenteava com o melhor dos beijos à base de gemidos.
É tão difícil explicar o quanto meu coração salta quando ela me chama de gostosa, com aquela voz tão perfeitamente rouca.
—Tão gostosa.
—Humm- eu gemia e mordia seus lábios.
Santana afastou-se, separando minhas pernas, o que lhe deu espaço para me saciar com o melhor carinho no ponto pulsante que só ela sabia dar. Eu adorava aquelas sugadas fortes naqueles justo ponto róseo, quando podia escutar estalar em sua boca e logo sentia ser preenchida por sua língua em meu interno.
Quase gritei à plenos pulmões.
Ela tirou a própria calça, a calcinha boxer preta que a deixava o mais puro tesão com aquele bumbum durinho, que eu logo trataria de apertar quando tivesse chance, também foi junto, e se pôs novamente entre minhas pernas, que ela mesma ajudou a fixar sobre sua própria cintura para ter liberdade de subir a descer sobre meu sexo e me causar a melhor das sensações.
—Oh céus, San... Estou tão perto.
—Só de ouvir você gemer assim pra mim, — chupou-me o lábio inferior e rebolou forte entre minhas pernas. Cheguei a revirar os olhos, agarrando-me a seus braços suados e tensionados- Já me deixa tão perto também.
—Vai gozar comigo?
—Geme para mim.
—Hum... San. Assim, vai- acatei, deixando uma mordida no lóbulo de sua orelha e isso a fez pender a cabeça para o lado, suspirando suspirando em agrado.
O ápice da coisa fora quando ela apoiou uma mão em cada coxa minha, deixando minhas pernas cada vez mais separadas e passou a dar algumas batidinhas de seu quadril no meu, causando impactos nocivos para minha sanidade entre nossas intimidades. Quase fui a loucura, gritei fino e apertei sua carne entre minhas unhas com força e já sentia os espasmos me alcançarem. Fechei as pernas rude nos quadris de minha latina e a prendi em mim, enquanto meu corpo tremia e a gente se beijava quase sem fôlego. Amaciava nossas línguas uma na hora como o mais delicioso dos sorvetes.
Tudo acabou quando ela deixou alguns beijinhos por meu pescoço e acabou por deitar-se logo abaixo no peito, suspirando cansada. Eu estava acabada, mal conseguia ficar de olhos abertos, com a respiração que parecia que nunca mais voltaria.
Beijei-lhe a testa. Afundei os dedos em seus lindos cabelos que brilhavam com a luz do Sol invadindo meu quarto banhado em branco e azul. Ela gemia de agrado.
Juntei todas as forças para arrematar:
—Isso foi mais uma foda para você?
Ela, porém, não disse nada. Pudera... Santana havia apagado primeiro do que eu. E seu corpo? Estava quente como eu nunca vi.
Olhei para a tatuagem negra tatuada na pele de suas costas. Dessa vez, não me sucumbi a vontade de tocá-las. Não estragaria esse momento por nada. Eu estava vendo Santana dormir e era tão mágico.
×××××
—Então você cedeu novamente?- o investigador perguntou a mim, visivelmente vermelho pelo o que acabara de ouvir. Mas a culpa era dele, pediu que eu contasse tudo detalhadamente. Agora que sofresse com as consequências. Deu vontade de rir da sua cara.
—Não, dessa vez fui eu quem procurou. Eu acho que precisava- “e desesperadamente queria”. Guardei essa parte para mim- Achei que assim, de alguma forma, eu entraria em consenso sobre o que estava sentindo.
—E entrou?
—Bom, eu achava que sim. Mas foi uma boa experiência. Santana fez com que eu me sentisse tão bem- cheguei a sorrir com a lembrança- Tão mais mulher.
O investigador ficou mais vermelho ainda, pigarreou e pediu licença para sair. Disse que ia pegar um café para a gente. Comecei a rir assim que ele saiu. Mas tudo cessou assim que as lembranças daqueles dia resolveram me agraciar nesse exato momento.
De fato, não posso negar... Aquele foi um dos melhores momentos da minha vida.
Acordei perdida algumas horas depois, mais atordoada que um pombo que bateu no poste da praça há uns dias. Levei algum tempo para assimilar onde eu estava, como estava e com quem eu estava para acabar nesse estado lastimável de cansaço. Foi aí então que vi a jaqueta de um certo alguém sobre uma cadeira e tudo voltou como um tiro em minha mente.
Uau... As sensações ainda estavam tão vivas em meu corpo que cheguei a tremer.
Precisaria de um longo banho para acordar totalmente, mas antes...
—Onde está essa latina maluca?- perguntei enquanto a procurava pelo quarto. Olhei pela janela, sua moto ainda estava lá. O que teria acontecido? Mamãe teria chegado e ela se assustou a ponto de esquecer a moto? Ou ela estaria por aí, espionando?- Não... Ela deve estar lá embaixo aprontando algo.
Peguei um robe com desenho de ursinhos e desci a escada na maior coragem do universo. Coçava os olhos enquanto a procurava, mas nem sinal do rastro de Santana Lopez. Franzi a testa. Nem mamãe estava aqui ainda.
Notei que tinha um bilhete na geladeira. Era de minha mãe, não o havia percebido ali antes.
“Brittany, tive de fazer uma viagem urgente para Ohio, pois seu tio Earl teve um derrame e está muito mal no hospital. Ligo à noite. Tome cuidado e não confie em ninguém.
Beijos... Mamãe”.
—Mas que... Droga.
O telefone tocou. Era uma mensagem de Sugar dizendo que não poderia vir hoje porque ajudaria a mãe em uma exposição e isso tomaria suas horas do dia.
Que droga é essa? Hoje é dia de abandonar a Brittany e eu não estava sabendo?
Fora a vez da campainha tocar. Andei até a porta, ainda sem entender o que estava acontecendo ali. Dei de cara com Santana com uma caixa nas mãos e uma expressão engraçada no rosto. Ela passou a caixa para mim e algo se mexeu lá dentro. Quase largo aquilo no chão pelo susto.
—O que, em nome de Shakespeare, é isso?
—Abra!- ela parecia ansiosa para que eu abrisse. Enruguei a testa e por fim revelei o conteúdo do pacote. Quase tive um enfarto quando vi um gato preto com cara de preguiçoso, dormindo em um canto da caixa.
—Isso é... Um gato?
—Eu disse que poderia te arrumar um. E esse é mansinho. Eu verifiquei.
—Céus!- me estremeci por dentro. Mal podia cuidar de mim mesma. Coloquei a caixa com o gato de bruxa no chão- Tudo bem. Vamos ver no que isso vai dar- disse mais aquilo para mim do que para ela.
—Então, sua mãe já chegou?
—Não. E nem voltará hoje. Teve um contratempo em Ohio. Meu tio está mal no hospital.
—Espero que ele melhore.
—Eu também- suspirei. Olhei para Santana com um certo olhar interesseiro- Eu vou ficar sozinha pelo resto do dia.
—Isso é perigoso.
—Com toda certeza- confirmei cinicamente, olhando para os dois lados da rua à procura de algum vizinho bicudo- Vou ficar aqui sozinha, a mercê de pessoas más intencionadas. Isso não soa infeliz para você?- Santana levantou uma das sobrancelhas e captou minhas intenções- O que você acha?
—Se isso for um convite, preciso de mais café para aceitar.
—Todo café que puder tomar- pisquei marota. Ela olhou-me de cima à baixo.
—O que tem debaixo do robe?
—Só minha pele, por que?- mordi o canto do lábio debaixo, provocando-a de verdade essa vez. Percebi a mudança de cor nos seus olhos.
—Trato feito, então.
Eu a puxei pela camisa e tentei um beijo surpresa, porém, ela, bateu a porta e me prensou contra ela, de costas para si.
—Espero que não se importe de fazer o café depois. Tenho algo melhor para beber agora.
—Vá em frente e se sirva, latina- olhei-a com lasciva- Temos o dia inteiro para isso.
Bom, queridos, será que eu bati a cabeça forte demais dessa vez?
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