Obsessiva- O que te intriga... É o que te excita!
4 Noites sem estrelas atraem a escuridão
Notas iniciais
A escuridão da noite gela qualquer alma atormentada. O que vem das sombras possui um significado universal para qualquer um que se depare com um de seus seres... O perigo! O mais obscuro e malicioso perigo.
As mãos quentes deslizavam por meu corpo branco, causando um intenso ardor em cada pedacinho de meu ser, e com os dedos ia desenhando minha silhueta tão entregue a si naquela cama imensa e confortável. Senti aqueles lábios carnudos amaciarem minha cintura com beijos quentes e excitantes até alcançarem o interno de minha coxa e repetir o gesto, encontrando logo o centro lubrificado resultado de seus toques precisos de erostimo.
Senti cada célula do corpo acender e se remexer em mim, ansiando pelo toque mais íntimo, mais quente e tão gostoso a tal ponto de eu já ir gemendo atencipadamente, só olhando Santana parada ali, me comendo com os olhos e ... Espera! Santana?
–Espero que não se importe de eu te provar agora, loirinha.
–Santana?- indaguei confusa... Eu não estava com o Sam?
–Sim... É a mim que você deseja, não é?- ela ergueu-se sobre mim, me fitando bem de perto.
–N-Não posso... Eu não posso... Sai, você... — a morena me calou com um beijo forte, puxando-me os lábios da forma mais quente que já vi na vida.
–Você me quer- escorregou a mão para minha intimidade e a penetrou sem pudor algum. Eu gemi forte, me agarrando em seus ombros- Brittany, diga que me quer.
–Não... Eu não posso- eu dizia entre prazer e pudor. Ela me encarou com os olhos escuros como uma noite sem Lua- O que é isso que estou sentindo?- era como se meu corpo por inteiro estivesse imerso em chamas, porém a sensação era de completo gozo.
–Relaxe, Pierce- levou os dedos que me penetrava a boca, os chupando. Sua expressão de agrado me arrepiou completamente-Isso acontece quando um anjo é tocado pelo diabo.
–Santana!- acordei sobressalta, sentando-me ofegante em minha cama. Demorou alguns segundo para que eu recobrasse a conciência e percebesse que tudo não passava de um sonho... E que sonho!- Que droga!- resmunguei, acariciando a nuca suada, encostando-me a cabeceira da cama para encarar o teto pensativa- Eu realmente devo estar enlouquecendo- suspirei, enxugando a testa também suada. As lembranças do sonho, vamos dizer, intenso, foram chegando sem pudor em minha mente. Aqueles toques, aquelas sensações, céus, pareciam tão reais, apesar de assustadores. O pior de tudo era que eu tinha acordado excitada, minha calcinha quem o diga. Que vergonha, meu pai! Nunca mais conseguirei encarar Santana sem pensar naquilo- Isso não está certo! Nunca aconteceu comigo antes, por que agora? E por uma aluna logo? Deus, nem gay eu sou- me lastimava para o teto, gesticulando freneticamente- Sabe de uma coisa? Não acredito no que vou dizer, mas Sugar tem razão. Estou precisando urgentemente de sexo. Vai ver é isso- deitei novamente, virando-me de lado para a mesinha que tinha o despertador e este marcava agora quatro e meia da manhã- Que a semana passe rápido, por favor- me ajeitei na cama, fechando os olhos na procura do sono novamente- E mais ainda... Sem sonhos eróticos.
~°~
No intervalo na escola eu nada mais queria do que ir logo embora. Tomei duas aspirinas de uma vez, no intuito de que aquela maldita dor de cabeça aliviasse. Descobri com Lalo durante a aula, que Santana estava de licença da escola por duas semanas para participar de um campeonato em Los Angeles. Menos mal, seria menos uma dor de cabeça para mim.
–Noite agitada?- Sugar apareceu do nada, me assustando.
–Da próxima vez que você brotar do inferno e me assustar, juro que costuro aquela coisa horrorosa entre suas pernas- ameacei com uma feição nada amigável, apontando um garfo para ela.
–Meu Deus, mulher. Pelo visto ninguém te bulinou ontem- ela fez careta assombrada, levantando as mãos em rendição- Ou deve ter sido horrível a foda com o loirão ontem- agora seu semblante era de desgosto-Antes que me mate, sugiro que largue esse garfo e me conte tudo.
–Não tenho nada para contar a você. Mas tenho que lhe agradecer por ontem.
–Tem?- Sugar arqueou uma sobrancelha e eu sorri sinicamente.
–Sim, e é bem assim- fui até ela e lhe dei um beliscão potente na cintura- Falei a você que não queria que bancasse a cupido comigo e Sam.
–Égua de beliscão!- acariciou a cintura doída, fazendo careta- Eu só queria ajudar.
–De boa intenção o inferno está cheio, minha cara- peguei meu copo de café e caminhei até uma mesa, sentando-me a ela. Sugar me acompanhou, sentando-se de frente a mim em avaliação a minha cara emburrada.
–O que aconteceu, Britt?
–O que aconteceu?- repeti a pergunta com ironia. Ela assentiu confusa- Bom, o que aconteceu: Além do fato de você ter me largado com o Sam naquela boate sem eu sequer saber que por acaso a senhorita tinha marcado um encontro para nós, a mulher dele apareceu por lá e quase me mata porque por obra maravilhosa do destino, ele me beijou bem na hora que ela apareceu.
–Ex-mulher.
–O diabo que for, mas ela apareceu. Só não me comeu viva porque dei o pé de lá.
–Que pena!- me olhou penosa- Mas porque não me ligou, Britt? Eu teria feito companhia a você.
–Mas como se você sequer estava na boate? Faltei colocar aquele lugar abaixo atrás de você- rebati irritada. Sugar fez uma careta de culpada.
–Foi mal, eu tinha saído com um mega ultra gato para o apartamento dele, sabe? Rolou aquilo e tal. Acabei me esquecendo de você.
–Fico muito agradecida por isso, minha grande melhor amiga Sugar Motta- o sarcasmo havia tomado meu ser agora- O fato de eu quase ter sido estuprada em um beco escuro também.
–O que? Você...?
–Sim, dois homens me encurralaram e um deles me agarrou contra uma lixeira, enquanto o outro remexia em minha bolsa.
–Deus, Brittany! Eles machucaram você?- Sugar perguntou preocupada, sentando-se ao meu lado agora- Como conseguiu escapar?
–Felizmente não tiveram tempo de fazer mais nada, pois fui socorrida a tempo por... — dei uma pausa para limpar a garganta- Por Santana.
–Por Santana? Santana Lopez te socorreu?
–Isso mesmo.
–Uau!- ela parecia grandemente surpresa- O que ela fazia por ali?
–E eu é que sei? Isso foi a última coisa que passou por minha cabeça naquele momento.
–Poxa, Britt. Eu sinto muito por tudo. Não foi minha intenção causar isso a você. Me sinto horrível por isso- tocou minha mão como alento- Sou uma grande idiota mesmo, mas só queria ajudar.
–Tudo bem, Sugar. Você não poderia adivinhar que isso aconteceria- sorri levemente para ela- Só peço que não faça isso novamente. Não resolva nada por mim sem falar comigo primeiro, ok?
–Ok. Mais uma vez peço desculpas, Britt. Nunca me perdoaria se você tivesse se machucado.
–Hey, fica triste não. Estou bem. Vem cá- puxei a maluca para um abraço apertado. Sugar apesar de avoada sempre foi uma grande amiga. Foi quem me ajudou a superar a separação de meus pais e outras pendengas na adolescência. Às vezes acaba errando em algumas escolhas, mas sei que é uma ótima pessoa- Tudo bem agora?
–Se você está bem, também estou- sorriu mais tranquila. Algo atrás dela me chamou atenção.
–Não acredito no que estou vendo. Artie?- ele me olhou timidamente, acenando- Minha nossa, você também aqui- fui até ele e o abracei amigavelmente.
–Pois é. E no final de tudo, Memphs acaba como uma grande reunião de ex alunos- disse brincalhão.
–Verdade. Mas é muito bom ver você. Ainda te devo pelas ajudas nos trabalhos de matemática. Sempre foi pra mim uma mão na roda.
–Que é isso!- ele passou a mão na nuca desconcertado- Ficou com qual matéria?
–Literatura e você?
–Matemática.
–Não fiquei nada surpresa. Você sempre foi nosso gênio da matemática- cutuquei seu ombro e ele riu.
–Já você me intriga. Não achei que seguiria a área educacional. Está mais pra modelo internacional- acho que era pra soar como brincadeira, porém Artie ficou extremamente vermelho com o comentário. Achei super fofo. Sempre ficava assim quando eu falava com ele no colégio e pelo visto isso dura até hoje.
–Fico extremamente lisonjeada pelo elogio, Artie. Você que ainda continua um fofo- apertei sua bochecha, o que lhe resultou em um estado mais vermelho ainda.
–Hum... Preciso ir agora. Tenho, hamm, provas para corrigir- foi se afastando todo desconcertado- Foi bom te ver de novo, Brittany. Ai- tropeçou em uma cadeira- Eu... Até mais.
–Foi bom te ver também, Artie- ri de seu jeito desastrado. Ele saiu logo correndo.
–Artie Abrams...Tapado ontem, tapado hoje, tapado pra sempre e diante- Sugar comentou se aproximando- Esse cara tem problemas.
–Todos tem, Sugar- a empurrei com o ombro que a fez dar uns passos para o lado.
–Mas ele é estranho.
–Conheço gente pior- voltei a minha cadeira, tomando um longo gole de meu café.
–Fala de mim, Sam Evans ou de Santana Lopez?- me cutucou de maneira zombeteira.
–Sugar, chegue mais perto- ela se aproximou curiosa- Sabe onde pretendo enfiar esse garfo, caso você abra sua boca mais uma vez?- mostrei o garfo para ela sujustivamente ameaçadora. Ela arregalou os olhos encarando o objeto.
–Deus queira que não seja o que penso- Sugar afastou o garfo com a ponta do dedo indicador- Pois não vai ser nada romântico.
~°~
Uma semana já havia passado. Pra mim era como se haviam aumentado o dia para 40 horas. Sei lá, não sei o que aconteceu comigo nesse decorrer de tempo. Antes eu entrava na sala me sentindo desafiada a dar o meu melhor para todos aqueles alunos chatos e enfadonhos, porém com a cabeça perfeitamente preparada para adquirir conhecimentos, só faltando quem os fizesse despertar tal interesse pra coisa. Entretando, agora, aquilo tudo só parecia mais salas de crianças que um professor tenta dar aulas para que passem no fim do ano e faça jus a seu salário suado. Por que eu estava assim? Será que foi pelo fato de meu pai ter me ligado e jogado na minha cara novamente que isso nunca daria certo pra mim e a gente quase se comer pelo telefone em uma briga que assustou até o capeta? E o pior era que toda vez em que eu entrava na sala do último ano, não conseguia olhar para a cadeira vazia no fundo da sala, sem imaginar Santana sentada ali, me encarando com aquele sorrisinho de infinitos significados, com um olhar sombrio de puro mistério, que atiçava todos os sentidos de meu corpo para si. Oh Deus!
Pra minha sorte era sábado. Seriam dois dias de descanso para minha cabeça martelada pelos primeiros dias cansativos na Memphs. Hoje à noite eu iria a uma festa com Sugar. Dessa vez eu ia sem medo, pois o jantar se tratava de uma comemoração pelos vinte e cinco anos de casamento de seus pais. Seria algo bom para mim. Pessoas cultas, bem colocadas na sociedade, influentes... Com certeza encontraria com quem ter uma boa conversa interessante. Se papai me visse num lugar assim agora, eu com certeza diria em sua cara: Chupa, papai!
–Filha?- mamãe bateu na porta de meu quarto.
–Pode entrar, mamãe.
–Trouxe seu vestido. Está passadinho- peguei o vestido de sua mão.
–Obrigada. Está perfeito!- sorri agradecida. Era um vestido bem elegante azul escuro. Um pouco justo, no entanto, não podia ser taxado como vulgar. Minha mãe saiu sorridente e eu fui terminar de me arrumar. Depois de devidamente maquiada, vestida e perfumada, fui até Sugar que me aguardava na porta de casa. Estou pensando seriamente em comprar um carro logo. Toda vez que minha amiga me dava uma carona, eu orava em minutos o que não fazia em anos indo a igreja.
–Ui, gatona! Faça um favor pra mim e fique feia pelo menos uma vez na vida e pare de ofuscar minha beleza- eu ri entrando no carro e passando logo o cinto de segurança- Obrigada por ter aceitado me acompanhar no jantar de meu pai. Juro que não aguentaria ficar naquilo sozinha sem me suicidar antes do início da festa.
–Não precisa agradecer. Faço com maior prazer por você- ela me enviou um sorriso tenro- Sem falar que lá terá seguranças, então ficará mais difícil para você atentar contra minha vida com algum encontro que me arrume.
–Sem graça- ligou o carro emburrada- Você vai ver, Brittany. Eu ainda caso você com alguém gostoso. Se não for o Sam, por quem eu tanto torço, será com alguém bem melhor. Porque, minha filha... É um disperdiço você toda gostosa assim solteira.
–Eu dispenso a ajuda. Agora dirija- gesticulei para que ela fosse logo.
–Mulher chata da porra, nah! Nem deixa a gente desencalhar ela.
~°~
Já na festa, me deparei com quase todo tipo de pessoas desse meio corrido que são os negócios. Quando Sugar teve que se ausentar para se juntar aos pais, ela me deixou cautelosamente conversando com uma senhora de nome Rita, uma sócia de seu pai. Engatamos um papo interessante sobre os melhores autores da literatura inglesa. Ela era puramente amante de livros, então Sugar dessa vez me deixou bem acompanhada. Parecia que dessa vez eu iria passar uma noite tranquila.
–Hey, Britt- Sugar cutucou minha cintura depois que a senhora se retirou- Então... Já arrumou algum ricaço gostoso ou vai ficar mesmo com a velhinha do cabelo de algodão doce? Não sabia que você curtia uns chupões de dentadura.
–Credo, Sugar. Minha nossa!- fiz uma careta grotesca de nojo- Ela é uma senhora formidável. Tenha respeito.
–Você quer pegar é no peito? Humm, Britt-Britt safadinha... Quer pegar nos peitinhos da velhinha- fez chacota com minha cara, porém não pude deixar de rir.
–Céus, como você é infantil, Sugar!- ela me deu língua, cruzando os braços. Alguém bateu no microfone para testá-lo.
–Boa noite a todos. Em nome da família Motta, agradeço pela presença de todos nessa data tão especial. Meus vinte e cinco anos de casamento com minha querida esposa Rose- olhou apaixonado para a mãe de Sugar mais a frente- Bom, espero que a noite seja agradável a todos. Vamos brindar por isso- Steven Motta ergueu sua taça e os demais fizeram o mesmo. Ergui a minha com mais fervor ainda, pois era o que eu torcia para hoje: Tranquilidade, calmaria, diversão e boas companhias. Aquela noite no beco me assombrava até hoje- Saúde!
–Saúde!- todos repetiram e se dispersaram pelo salão.
–Então, amiga. Me conta sobre... — Sugar e eu conversávamos sobre coisas de Londres, se eu havia ficado com algum inglês bonitão e ela até mesmo me contou de suas aventuras sexuais pelo mundo, que me deixou mais vermelha que um tomate. Ouvi um sobrenome que me pesou esses dias ser chamado mais atrás e me virei, me deparando com Ernesto Lopez conversando com o pai de Sugar. Eles riam por algo que Lopez havia falado, então o mesmo fez um gesto de chamar alguém e duas pessoas se aproximaram, sendo que uma delas, me atormentava até em pensamento.
Santana estava de costas, porém a visão não deixou de ser a das mais favoráveis a meus olhos curiosos. Ela tinha os cabelos negros soltos como uma cachoeira sombria, trajando um vestido colado, que valorizava cada curva perigosa daquela desvasso corpo sinuso e sensual e mais ainda o formato de seu traseiro durinho deveras bonito, com um salto preto significamente fino. Para piorar a situação, o vestido que usava era vermelho como sangue... Um vermelho que exalava poder, luxúria e mais ainda sexualidade gritante... Céus, o diabo sexy de vermelho! Fiquei tão coopenetrada em seus gestos quase nulos, na forma que ela tamborilava os dedos na coxa como se estivesse impaciente ou entediada, que não percebi quando Sugar ficou estralando os dedos a minha face.
–Terra chamando Brittany! Câmbio, alô... Tem alguém aí?
–Ah, oi, Sugar... Disse alguma coisa?- perguntei totalmente perdida no tempo.
–Eu disse muiiitas coisas, mas acho que você encontrou nos Lopez algo mais interessante- meu rosto esquentou.
–Eu... Eu, bem, eu...
–Eu sei... Aquele homem dá tanto nojo que a gente fica assim, meio paralisada de asco- suspirei por mais uma vez Sugar ser maluca. Não era o pai que me paralisou, era a filha. Sugar começou a fazer um abc de insultos a Ernesto Lopez, porém voltei minha atenção a família que agora havia recebido a mãe na conversa. Se eu me recordo, o nome dela era Maribel. Ela agora arrumava a gravata de Lalo, que estava bem elegante em um terno evidentemente caro, com seu sorriso brincalhão de sempre. No entanto, Santana continuava de costas. Ernesto disse algo a Steven, que em seguida parabenizou a latina alegremente, apertando sua mão.
–O que tanto eles conversam? Queria ser uma mosquinha para saber- murmurei bem baixinho, com uma crescente de curiosidade. Credo, Brittany, larga a mão de ser bicuda!
A natureza às vezes é tão vingativa! Como obra de minha curiosidade, notei que Santana lentamente foi virando seu rosto, e agora eu me deparava com seu perfil. Olhando de canto, ela ergueu a sobrancelha e um sorriso irônico desenhou seus lábios carnudos. Céus, será que ela me viu?
–Então, eu vou e fico sabendo que ele estava transando com a minha empregada e...
–Sugar!- a cortei, tocando seu braço- Onde fica o banheiro aqui?
–Seguindo o corredor, à direita. Quer que eu vá com você?
–Não, obrigada. Até já- nem esperei resposta e saí correndo feito uma doida por entre as pessoas. Cheguei no banheiro e fiquei por lá por um tempo, jogando água na cara- Recomponha-se, Brittany! Vamos lá, você é mulher ou uma ratazana?- respirei fundo, me olhando pelo espelho- Uma ratazana?- acabei rindo de minha própria loucura- Não vou deixar uma simples adolescente mexer comigo assim. Sou uma mulher adulta... Uma mulher forte, segura, bonita, bem branquela e magricela infelizmente, mas bonita- suspirei como um precipício de profundo- Só preciso de ar. Isso... Um pouco de ar me fará bem.
~°~
Pelo visto a quietude que eu tanto almejava para essa noite, passou por mim fazendo gestos obscenos e rindo da minha cara, me chamando de trouxa e me abandonando por completo. Me distanciei dos demais na procura do terraço, e quando o achei, me encontrei logo a beira de um guarda-corpo, observando o céu negro e quase sem nenhuma estrela, que com certeza acusava uma forte chuva próxima.
Respirei fundo, sentindo uma brisa maravilhosa tocar meu rosto. Toda vez que isso acontecia, eu ficava me perguntando como era a sensação de voar. Com toda certeza deveria ser a melhor das sensações. Um vagalume planou logo a minha frente.
–Está bem longe de sua casa, amiguinho- falei tentando tocá-lo, porém ao fazer isso, minha pulseira de borboletas escorregou de minha mão e caiu para a rua- Droga, era a minha preferida!- lamentei, inclinando meu corpo pela proteção para tentar ver aonde a pulseira havia caído.
–Espero que não esteja tentando se jogar.
–Oh Céus! Santana!- me virei bruscamente com a mão no peito,assim que ouvi sua voz. É só o que ganhei pisando na América, susto atrás de susto.
–Presente, querida professora!- levantou a mão em brincadeira. O semblante ameaçadoramente sexy parecia pior cada vez que estávamos frente a frente. Ela encostou-se ao guarda-corpos para olhar para o que eu buscava. Havia trocado de roupas, usava agora seu estilo tradicional de calça jeans escura com jaqueta preta. Mas como?- É bem alto, não acha?
–É sim- limpei a garganta, olhando para o alto. Montei uma expressão de indiferença no rosto, como se estivesse alheia a sua presença.
–Se for pular, me avise com antecedência, pois preciso tirar a jaqueta antes de pular atrás de você. Essa é a minha favorita- abraçou a peça, encostando-se ao guarda-corpo. Piscou pra mim, marota. Como zomba de mim sem ao menos sorrir? Essa marra toda me dá vontade de... urrrrrrr.
–Eu não ia pular. Só tentei avistar minha pulseira que caiu lá embaixo.
–Que pena, não? Mas veja pelo lado bom: Presenteou alguma moça de rua- me enviou um sorriso irônico.
–Era minha preferida, então não zombe de minha lástima- Santana levantou as mãos em sinal de rendição- Você não deveria estar em Los Angeles em sua competição de luta?
–Escapei para vir a festa.
–É tão amiga dos Motta assim?
–Não vim por eles.
–Não?- franzi o cenho. Ela escorou o cotovelo na proteção para me olhar de lado- Por quem então?
–Por você- eu realmente não deveria ter perguntado nada. Nem deveria estar falando com ela. Olha agora meu estado todo remexido de novo.
–M-Mas... humm... Mas e seus pais e Lalo?
–Os vejo e falo com eles todos os dias- passou a olhar para o céu, como se houvesse algo muito interessante ali. Era um bom momento para eu correr, porém algo deveria ser esclarecido. Usei do fato de eu ter bebido o bastante para ter coragem.
–Sobre o que aconteceu em minha casa, eu...
–Não precisa- me cortou sem ao menos me encarar- Não se volta atrás com certas coisas.
–Mas eu quero voltar atrás com aquilo- me enervei- Você é minha aluna e respeito os meus alunos, mais ainda quero ser respeitada como retorno.
–Forcei você a alguma coisa?
–Bom, não, mas...
–Está nervosa à toa- aquela calma estranha dela que me deixava nervosa e mais ainda irritada.
–Se estivesse em meu lugar, estaria da mesma forma.
–Errado!- dessa vez ela me encarou e foi com um olhar provocativo- Se estivesse em seu lugar, não estaria tão distante de meu corpo.
–Por que faz isso comigo?
–Por que você deixa que eu o faça?
–Não deixo nada, você que me assusta- ela fechou o semblante.
–Por que tem medo de mim?
–Não tenho, só... — engoli em seco- Oras, você faz por onde- ela se mexeu, fazendo com que eu me assustasse achando que viria até mim, porém apenas encostou a parte da frente do corpo a proteção.
–Às vezes é bom que as pessoas tenham medo de mim- tinha o olhar perdido para o além do céu tenebroso.
–Por que? Eu não acho saudável para alguém da sua idade... Na verdade para ninguém, ter isso- Santana soltou um riso curto e seco pelo nariz, como deboche- É quieta demais, parece que nada te abala, sei lá... Por que não ri?
–Você se torna para as pessoas o que elas te pintam na mente. Talvez se me pintasse como palhaço na sua, eu riria para você- aquilo soou grosseiro, apesar do tom calmo e até mesmo brincalhão. Eu bufei, cruzando os braços em descontetação.
–Então, o por que de ser bom as pessoas às vezes terem medo de você?
–Por três motivos- olhou para baixo para as pessoas que transitavam- Um: As pessoas ficam assustadas, então não se aproximam- bom, é até um motivo aceitável. Existem certas pessoas que se quer mais é distância mesmo- Dois: As pessoas ficam assustadas e querem se aproximar, porém hesitam por falta de retorno, e três- Santana lentamente foi deslizando a mão pela proteção, se aproximando de mim- As pessoas se assustam, mas querem se aproximar e, dentre essas, alguma eu quero que se aproxime, apesar de ver em seus olhos o medo do que eu possa fazer a elas- os olhos agora negros pela falta de luz, estavam firmes em mim. A mão que deslizava o caminho inteiro, alcançou a minha e o calor, ao tocar minha pele gelada pelo frio e até mesmo medo, me fez sair do transe pelas palavras obscuras daquela garota intrigante- Em qual dessas você se encaixa, senhorita Pierce?
–Na de sua professora- puxei a mão debaixo da dela e dei um passo para trás, escondendo o olhar do seu. Ela repetiu o gesto de levantar as mãos- Preciso ir- Santana deu um passo para o lado, me dando passagem. Porém quando fui passar por ela, segurou meu pulso e me empurrou contra o guarda-corpo sem muita delicadeza, colando seu corpo ao meu.
–Queria poder controlar a sede que tenho de seu corpo- passou as unhas levemente pela lateral de meu bumbum, porém aquilo foi o bastante para me arrepiar- É como se tocar você me tornasse um ser supremo- ela disse tudo aquilo sem desgrudar os olhos dos meus- Eu te desejo, loirinha, que chega a doer- eu nada consegui dizer, principalmente porque agora Santana espalmou as mãos nas laterais de meu corpo e as deslizou para meu abdomên em uma pressão tão excitante que senti as pernas vacilarem. Mordi o canto dos lábios, já sentindo ela chegar em meus seios, porém parou um pouco abaixo- Mas prometi que nada farei sem que me peça.
–Você precisa... Ai, céus... Precisa ir, Santana- pedi com a respiração desregular, tocando seus ombros. Ela sorriu de canto, arqueando a sobrancelha esquerda- Saia de perto de mim, por favor.
–Tudo bem- ela me soltou, afastando-se de mim. Tirou a jaqueta e a pôs delicadamente em meus ombros- Aqui está frio pra alguém somente de vestido. Pode ficar com ela.
–Não é preciso, Santana. Passará frio por minha causa?- argumentei e ela somente deu de ombros. Não pude negar o quão estava gostoso dentro daquela jaqueta quentinha. Nova York é um lugar realmente muito frio à noite- Sem falar que já tem uma sua lá em casa, não quero fazer coleção. E não me disse que essa é sua preferida?
–Você também é- disse mansa, apoiando os polegares nas alças da frente na calça e se inclinando levemente para trás. Até nisso ela sabia ser sexy. Meu rosto esquentou não só pelo o que ela me disse há pouco, mas pela forma que me olhava, como se escavasse meu ser e sentisse prazer pelo o que encontrava.
–O que tanto me olha?- indaguei intrigada. Meu semblante fechou-se e o dela apenas ganhou uma linha de sorriso pecaminoso.
–Você.
–Eu o quê?- já estava me estressando.
–Você cheira a sexo- pronto, conseguiu me deixar nervosa. Meio que dei uma cambaleada discreta para trás, topando na proteção e me apoiando ali. As sombras do seu olhar pareciam me penetrar agora, pois sentia meu ser ir se esquentando a ponto de quase fundir meu corpo.
–Vá, por favor- pedi sôfrega.
–Como queira- tranquilamente ela aceitou com um aceno de cabeça, mas antes que se afastasse, a loucura me tomou. Senti algo em mim gritar pelo contrário, porém em outro lugar era mais forte para o que eu deveria fazer agora. Segurei seu braço e ainda de olhos fechados, murmurei.
–Talvez não seja isso que eu quero, apesar de tão errado- abri os olhos, sentindo todos os efeitos de seu olhar agora me devorando por completo. Santana cerrou os olhos, tomando uma postura tão fria quanto a noite estava agora- Talvez eu quero que me toque.
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