Obsessiva- O que te intriga... É o que te excita!
11 Árvore da intriga
Notas iniciais
–HEY, NINFOMANÍACAS!-um grito nos tirou daquela bolha quente, fazendo com que eu me separasse como um foguete de Santana. Mesmo zonza, pude ver que Sugar nos encarava com os olhos arregalados, com as mãos na cintura, estufetada- Mas que porra é essa?
–Oh, céus!- cerrei os dentes, de olhos arregalados e estiquei os cantos da boca pra baixo até formar uma careta grotesca de espanto. Agora eu estava realmente ferrada. Oh se estava. Sugar me encarava de boca aberta e olhos se comprimindo em uma surpresa raivosa, que se ela tivesse a capacidade de soltar raios pelas orbes... Eu já estaria uma loira chamuscada dos pés à cabeça.
–Oh loira... Você está realmente ferrada agora- ela foi recolhendo as mangas compridas de sua blusa para o alto, como se quisesse mostrar os bíceps inexistentes ali e se preparasse para uma briga, no maior estilo barraqueira do hip hop.
–Su-Sugar... Ami-miga... Isso não é o que você está pensando- quase dei um moonwalker pra longe de Santana, que estava parada com as mãos nos bolsos sem expressar nada muito grande... Como se nada estivesse acontecendo e ela entediava-se. Elevei as mãos para o alto, como se aquilo fosse um assalto e gesticulei freneticamente em negação. Sugar só parecia mais zangada.
–Não é o que estou pensando?- indagou, sentindo-se ofendida- NÃO É O QUE ESTOU PENSANDO?- repetiu com a voz elevada e eu neguei com a cabeça. E Santana na dela... Nem pra me ajudar, aquela cachorra- Ah, me desculpe, minha best friend forever, por eu estar imaginando coisas. Acho que o capim que eu ando fumando estava realmente estragado- ironizou, cerrando os olhos- Ou será que eu vi mesmo você com a língua enfiada na guela de minha prima bem no meio da floresta, como se estivessem protagonizando um filme lésbico erótico professora/aluna sexy da Amazonia? Quem é o Tarzan e a Jane aí?
–Acho que eu sou o Tarzan.
–Santana!- dei um tapa forte no ombro dela pela, hã... Brincadeira? (Ela sabia brincar? HOOH)!, e a mesma sorriu de canto, levantando as mãos em sinal de desistência- Não complica, droga.
–Ah, então é isso mesmo? Você está transando com minha prima, sua vadia?
–Não se meta, Sugar!- Santana cortou a prima de uma maneira humanamente impossível de calma, mas que acabava dando medo por seu olhar imerso em sombras- Não lhe diz respeito com quem eu vou pra cama ou deixo de ir. A senhorita Pierce e eu não devemos nada a ninguém.
–Ah é assim, sua ingrata. Eu aqui tentando defender sua honra e você fica aí do lado dessa tiazona tarada por crianças.
–Não possuo honra alguma pra ser defendida- sua pose superior agora havia se desatado- Por favor, peço que não conte a ninguém o que viu aqui... Por sua amiga.
–Amiga? Essa traidora não é minha amiga caralho nenhum- apontou pra mim, irada- E aquela conversa de Por Deus, Sugar... Santana é uma criança!"? Ou aquele papinho furado de ética? Sua falsa das canelas finas.
–Sugar, eu posso explicar...
–Explicar é o caralho... Você vai sentir é o peso da minha mão na tua fussa, bitch- ela deu um pinote e veio com tudo a minha direção. Vi minha vida passar por meus olhos arregalados em um susto que me fez ficar grudada no chão, sem reação de correr nem pra salvar minha vida. Santana continuava na sua tranquilidade que parecia ensaiada... Onde qualquer mosquito passando por perto era mais interessante que me salvar da prima barraqueira dela. E a ruiva estava cada vez mais perto... Os passos estavam mais rápidos e largos... Os olhos quase estourando pelo tanto que se comprimiam... A mão abrindo em uma elevação de braço só no ponto de descer o cacete em mim, quando de repente ela parou. Sim, Sugar freou bruscamente, abrindo os olhos por inteiro como se tivesse sido atingida por um tiro no peito. Ela paralisou daquela forma... Com a mão erguida só no ponto de me atacar, mas congelada como uma estátua viva.
–Su-Sugar?- gaguejei ainda assustada pelo quase espancamento, porém mais ainda por intriga de ver Sugar daquela forma, como se alguém tivesse roubado sua alma. Ousei em toda coragem que havia restado em meu corpo e levei lentamente meu dedo na direção de seu braço, no maior medo do mundo... Estava cada vez mais perto, quando já estava tocando...
–Brittany?
–AHHHHHH!- tomei um susto filho da mãe, pulando pra trás, onde foi certeiro no colo de Santana, que me segurou rapidamente, dando um sorrisinho até divertido.
–O que... Mas... Onde vocês estavam? As procuro desde cedo- Sugar perguntou, piscando os olhos e olhando para os lado, parecendo confusa.
–A senhorita Pierce quis dar uma caminhada pela floresta mais cedo, então resolvi acompanhá-la... Percebi que a mesma possui tendencias a desastres, por isso não a deixei ir sozinha.
–Hum... Então ta... Estão nos chamando pro café, vamos- a maluca da minha amiga então coçou a cabeça intrigada, como se não soubesse o que estava fazendo aqui, e tomou a nossa frente na caminhada até o refeitório. Virei o rosto e me deparei com as orbes castanhas me fitando em avalia. Toda vez que nos colocamos de olhares pareados, era como se mesclasse os azuis de meus olhos com os castanhos intrigantes dos dela, e dessa junção se formasse um elixir de pensamentos impuros, onde o desejo de acabar com a distância dos nossos corpos ardesse em brasas por todo meu interior. Será assim com ela também? Será que é por isso que mexe tanto comigo?
Tantas questões... Tantas quentões me roendo por dentro, mas mesmo assim, a vontade de chupar aqueles lábios carnudos como uma manga madura docinha, poderia estragar agora o já momento mais estranho de todos os séculos. Depois de ter notado ainda estar nos braços fortes de Santana (pausa pra suspirar feito uma demente por isso) e sair daquele transe de uma tensão sex... hã, reflexiva, pulei rapidamente dali, me recompus e só então senti a cabeça borbulhar pelo repentino derrame cerebral de Sugar, que a fez desistir de me matar. Olhei para o lado e Santana estava na mesma... Andando com as mãos nos bolsos da calça, lábios alinhados em um semblante neutro e reflexivo, mas que sempre me gritam perigo constante. Será que a reação sem explicação de Sugar estranhou apenas a mim?
–Sugiro que pergunte logo o que quer a mim, antes que tenha uma hemorragia cerebral- a latina disse do nada, me assustando, como se tivesse adivinhado meus pensamentos.
–E-Eu... Hummm... Bem, o que aconteceu com Sugar? Uma hora queria meu fígado em uma bandeja e depois, virou uma zumbi do nada e agiu como se nada tivesse acontecido?
–Bom, é Sugar. Não tem explicação- disse tranquilamente, como se fosse a coisa mais natural do universo.
–Aquilo foi estranho até pra Sugar, Santana.
–Então sugiro que esqueça isso, tal como ela... Será bem melhor pra você, senhorita- a postura ereta como a de um Lord inglês escondia a escuridão que pairava naquele ser que só me intrigava a cada dia. A parei de repente, segurando seu braço.
–Tem algo a me guardar, Santana?- dessa vez ela não me doou seu olhar, apenas fitou-me os lábios, como se algo em meus olhos a fizesse temer encarar.
–Não abra a caixinha, meu anjo... Não abra- curvou o indicador para baixo e o usou para levar meu queixo até seus lábios, em um beijo curto, mas tão cheio de efeitos que me senti pular de cabeça em um precipício.
–Santana... — rapidamente olhei para onde Sugar andava e a mesma já havia desaparecido, nos deixando a sós... (Volta aqui, Sugar, guria do Satanás... Não me deixa a sós com ela... Para de me deixar assim, sem controle de meu próprio corpo, garota estranha) comecei a gritar internamente enquanto sentia os lábios carnudos saírem de meu queixo, deslizando pela linha do maxilar até meus lábios, em um beijo profundo, onde quase suga minha alma, porém sem usar a língua.
–Não sabe o quanto me dói te tocar... Queima aqui- pegou minha mão e levou até seu peito, onde senti batidas fortes de seu coração... Fortes como uma bola de demolição a um rochedo- Mas se eu não te tocar, não me sinto viva... O que fazer se meu respeito e minha veneração por você me impede de tê-la em mim?
–O que quer dizer com isso?- indaguei em uma intriga que já estava me dando uma dor forte de cabeça. Que conversa estranha era aquela, Jesus?
–O que quer dizer? Rumm- deu um risinho de ironia- Que se não toco em você... Meu coração não bate- puxou-me pela cintura, e me curvou pra trás, naquela pose de valsa que o casal se olha nos olhos e toda uma magia acontece. Só que nesse caso aqui não era nada de romance ou magia, mas sim de temor, tensão, TESÃO, desejo, sexo pulsando, corpo vibrando, mente em colapso e tudo acendendo dentro de mim. Ela ainda não havia me olhado nos olhos, mas agora me deixou vê-los... Pude agora ver o tom negro que ia se formando em suas orbes castanhas... Conflitante, mas acabei de uma forma ou outra hipnotizada por aquelas feições desumanas de tão perfeitas. A mão em um calor excitante foi deslizando pela lateral de meu corpo, fazendo se energizar como cargas de um raio por toda sua extensão. Com a ponta da unha ela desenhou meu maxilar e lábios, testando a textura ali. Esperei por um beijo de zerar o ar dos meus pulmões, porém ela desviou no último instante para minha testa e deixou um bicada ali, como um beijo maternal. Tenho certeza de que minha careta agora foi de assustar até um poste.
–Mas, o que...
–Não abra a caixinha, meu anjo- agora deixou um beijo demorado e delicado na lateral de meu pescoço, onde suspirei profundamente- Somente não abra- me colocou na postura correta, sem quebrar a linha dos nossos olhares- Não quebre isso novamente- e foi com essas palavras em que nada entendi bulhufas alguma, que Santana beijou-me a mão educadamente e me deixou plantada ali, como uma árvore... A árvore da intriga.
~°~
TILIN TILIN TILIN TILIN
O barulho incessante do tilintar de talheres naquela cantina já estava me dando dor de cabeça. Eu deveria estar com uma carranca gritante de irritação, pois todos que queriam encostar a minha mesa, faziam uma careta estranha e passavam direto. Não sei o que era aquilo em mim... Talvez um mecanismo de defesa? Ou talvez e até com certeza era a culpa me consumindo pelo o que eu fiz com minha aluna. Céus, se alguém descobre, estou horrivelmente ferrada. Além de anti ético, é contra as regras da escola, da sociedade, e, por Deus, até as minhas. O que é isso que tanto me atormenta aqui dentro?
Levei a mão ao peito, sentindo o coração inconstante. Sempre pude discrever cada tipo de batida de meu coração referente ao que eu estivesse sentindo, só que agora... Nada. Apenas o sinto latejar dentro de mim como um alerta... Alerta esse que mesmo eu não sabendo o que significava, deveria seguir, pois foi assim que me saí de muitas enrascadas a tempo de me ferrar por completo. E era isso que eu iria fazer, mesmo estando ainda tonta pelos efeitos que Santana me causou noite passada e por boa parte da madrugada. O que me lembra... Céus, eu estou exausta!
–Ainda aqui, pirulitona?- Sugar disse ao meu lado, me tirando daquele silêncio atormentador de reflexão.
–Sim, Sugar- respondi em um tom baixo, encarando meu prato tão bem feito, mas que não estava me inspirando começar a comer.
–Algum problema com você?
–Não, por que?- Sugar e seu radar pra o que não deveria.
–Você está aí toda avoada, mais do que de costume e sequer tocou no seu prato. É fanática por morangos e ainda não tocou em nenhum, apenas fica aí brincando de drible com as frutas- apontou para o meu prato, referindo-se do fato de eu estar jogando alguns pedaços de frutas, de um lado pro outro, sem levar nada a boca até agora- O que foi? Parece tristinha.
–Só estou cansada. Adolescentes são dose!
–Pior que são mesmo- concordou, fazendo careta- Acredita que eu fui correr hoje de madrugada e, passando por um certo ponto da floresta, pude escutar gritos?
–Gritos? Alguém se machucou?- franzi o cenho, temendo por algum aluno ter se ferido.
–Também achei isso, então fui correndo em busca de proximidade aos gritos e sabe o que descobri?
–O que?- perguntei em um alto grau de curiosidade. Ela se aproximou de mim, como se o que fosse dizer era sigiloso.
–Que era apenas só uma escandalosa em uma transa selvagem. E o pior... Com outra garota- arregalei os olhos e meu queixo quase caiu. Será que ela... Nãoooooo.
–Du-Duas garotas? Onde?
–Sim, nas proximidades da cabana de detenção- e meus olhos quase saltam de meu rosto- O mais engraçado era o que ela falava. Oh Deus... Isso é loucura! Me fode, morena... Assim... Ahh, sua língua é maravilhosa''- minha boca se abriu, onde eu a tampava com ambas as mãos, totalmente pasmada- E ela ainda disse...
–NÃO! Já chega, pelo amor de Deus- dei um grito que assustou a todos. Me encolhi na cadeira, em um estado de vermelidão no rosto digna de um tomate menstruado. Sugar me encarava em um misto de intriga com diversão, agradada a meu estado de desconcerto a sua revelação- Não diga mais nada, por favor.
–Ooook, senhorita tomate- ela não deixou de rir, o que só fez com que eu ficasse mais vermelha- Relaxa, loira... Isso não te deixou menos pura ou envolvida por um sexo lésbico.
–E eu não disse não que era.
–O que disse?
–Nada... Humm- limpei a garganta, perdendo meu olhar em qualquer lugar- E o que você acha?
–Do que?
–Esse tipo de coisa entre mulheres- disse toda avessa. Sugar riu.
–Você quis dizer sexo, transa, foda, nheco nheco, tesourada, colocar as aranhas pra brigar, tartaruga encalhada, minhoca caolha versão lésbica...
–SUGAR!- tapei sua boca, tentando esconder o rubor que isso me causou- Não entre em detalhes, por favor. Só me responda o que lhe perguntei.
–Oras, o que acho sobre sexo entre mulheres... Hoje em dia é normal, não? Não vejo mal, por que? Ta querendo praticar comigo?- ela então colocou a mão no peito, dramaticamente pasma.
–Jesus, Sugar... Não é nada disso, eu...
–Estava te zuando, pirulitona. Relaxa aí- e mais uma onda de gargalhadas de Sugar alcançou meus ouvidos- Sei que deve ser curiosidade sua, somente. Se com um cara você não desenrola, quem dirá com uma garota?- minha cara, Sugar... Se você soubesse o que fiz com sua prima, não estaria duvidando de minhas capacidades de conquistas. Sim, oh da poltrona, pode rir- Pra isso precisa de tecnicas avançadas.
–E no que você é conhecedora nisso?
–Em nada- deu de ombros- Tive lá minhas experiências na faculdade como toda americana mais rodada na vida que prato de microondas. Apesar disso, não sou expert no assunto. Porém sei que no sexo lésbico não é preciso lá muita segurança, como camisinha, pílulas ou a porra toda. Talvez um extintor de incêndio do lado da cama, pro caso no esfrega esfrega das partes de baixo sair alguma faísca e pegar fogo nas perseguidas. Sei lá... É bom prevenir. Vai que incendeia?
–Você realmente não vale nada, Sugar- não aguentei e cai na gargalhada por mais uma das pérolas de Sugar Motta... Aquela garota era pirada mesmo!- De onde você tira essas coisas mesmo?
–Acredite, loira... Você não vai querer saber.
–E a tal minhoca caolha... O que raios é isso?- isso realmente não saía de minha cabeça.
–Isso mesmo que você não vai querer saber, pirulitona. Transe a cada refeição e eu te falo- franzi o nariz e balancei negativamente a cabeça várias vezes. De repente um ser pequeno se materializou na nossa frente, fazendo Sugar entortar o nariz.
–Bom dia, meninas. Será que posso me juntar a vocês no café?
–Sim.
–Não.
Eu consenti, porém Sugar foi do contra.
–Desculpa, pirulito de elfo... Mas olhar pra você enquanto como me dá cólicas.
–Sugar!- a repreendi com um tapa no ombro- Não ligue pra Sugar, Rachel. Ela ainda precisa aprender os pilares de uma boa educação- fiz cara feia pra ela enquanto a baixinha se sentava e Sugar a encarava fazendo uma careta malcriada.
–Eu sei, Britt. Sugar nunca soube o que é isso... Educação. Muito menos respeito... Responsabilidades... Executar promessas. Companheirismo- disse tudo, encarando a ruiva com cinismo.
–Ah, desculpa, senhorita Berry... Disse alguma coisa? Não consegui prestar atenção no que você falava, pois me distrai com essa coisa estranha na sua cara.
–E o que seria?- Rachel, a professora de língua espanhola, perguntou, usando um garfo para observar seu reflexo em busca de algo estranho no rosto- Não vejo nada. O que é?
–Sua cara?- Sugar cutucou, balançando a mão em frente ao próprio rosto pra sinalizar isso- Ou esse nariz do tamanho de Plutão?
–Ora, su hija de...
–Parem com isso as duas, já- as repreendi e ambas cruzaram os braços, emburradas. Elas viviam em um arranca rabo todo dia, de dar dor de cabeça. Sempre se provocando com alfinetadas e mais alfinetadas. Era assim desde a adolescência, só que agora estava pior, e pelo visto ia durar eternamente. Pior de tudo era que ninguém sabia o motivo de se odiarem... Só sabíamos que uma tinha alergia a outra- Isso não são modos de duas professoras se tratarem.
–Ela que começou!- as duas disseram juntas, se olharam raivosamente e começaram a se xingar de novo. Onde até comida voava de um lado pra outro. Bufei cansada e, antes que eu as repreendesse novamente, meu olhar se vidrou a uma figura latina passando por entre as mesas onde os alunos se alimentavam e conversavam animadamente. As mãos estavam escondidas nos bolsos da jaqueta preta, de sua coleção de jaquetas descoladas que com certeza valiam mais que minha alma, onde sempre as ostentava pelos corredores da Memphs High, naquele seu jeitão fechado, reflexivo, mas tão sexy que doía na vista. Fica impossível não repará-la. Notando todos os rostos daquele refeitório virados a ela, tomei isso com um com certeza, ninguém deixa de olhá-la...Nunca. Até os professores.
Tinha o olhar voltado em parte para o chão. Não que ela tivesse intimidada com os olhares pra si, pois sei que já deve estar acostumada pelo tanto que se tornou conhecida por suas proezas nos esportes e também por ser filha de um dos homens mais bem sucedidos dos Estados Unidos, sem falar naquela beleza quase que exagerada que possuía, onde os traços latinos mais que perfeitos nos davam aquela mescla de inveja e atração, por querer ser explorador de cada curva de seu corpo sinuoso (que, cá entre nós, apesar da gravidade da situação, me senti honrada em poder tocar daquela forma).
Se ela mantém o olhar ali, ainda não entendo o porquê, apesar de saber que intimidada ela não está... Só que Santana nunca olha para frente enquanto anda, é sempre pra baixo. E nunca a vi também olhar para o alto quando o dia está claro e limpo como hoje, então aí ela coloca aqueles óculos escuros charmosos, tão quais a pessoa que o usa, e nos impede de ver seus perfeitos olhos castanhos escuros tão intrigantes. O que só aumenta meus conflitos internos por ela.
Santana então passou em frente a minha mesa, e foi como se tudo ficasse em câmera lenta enquanto ela desfilava" há poucos metros de mim. O seu andar seguro e ao mesmo tempo sinuoso ficou cada vez mais atraente naquela velocidade que meus olhos a captava. O olhar, que antes estava mais nos próprios sapatos do que no seu caminho a frente, foi contorcendo para minha direção, mesmo o pouco que fosse até juntar um soslaio sorrateiro.
Foi uma troca curta de olhares, mas, céus, foi como se uma projeção de toda nossa noite passada passasse por meus olhos. Tão real... Tão intensa quanto foi de fato o ato... Tão potente, que com toda verdade da minha vida, pude sentir os mesmos efeitos do toque de seus dedos e lábios em minha pele, que cheguei a me arrepiar por completo, sentindo subir aquela sensação gelida passear por minha espinha até me tirar da postura correta na cadeira. Entreabri os lábios como se sentisse o seus macios e carnudos pairando ali, e os toquei relembrando a sensação gostosa de tê-los sendo tomado. Voltei então a seus olhos... Eles foram se escondendo de mim naqueles óculos caros de garotas más que andam em motos antigas transadas, e a última coisa que me sobrou daquela conexão de olhares... Foi o ardor que senti no exato lugar onde seus lábios comprimiram-se em meu pescoço.
~°~
–Você vai ao baile comigo!
–O que?- indaguei confusa, me virando para Sam que aparecera do nada, dizendo aquilo. Eu estava concentrada, fazendo a contagem de alunos que subiam no ônibus que os levaria de volta ao centro de Nova York. Mais dias haviam se passado naquele acampamento cheio de efeitos a minha pessoa, e agora nos preparávamos para partir- Que baile, Samuel?
–Ora, que baile... O anual de máscaras, não lembra? Sempre foi a maior sensação da Memphs, desde muito antes de estudarmos lá- disse como se eu o houvesse ofendido por não me recordar desse detalhe.
–Ah... Esse baile.
–O que foi?
–O que?- perguntei, voltando a anotar na prancheta cada aluno que passava por mim pra subir no ônibus.
–Você anda meio estranha ultimamente. Esse baile é tudo de bom e você me respondeu como se eu estivesse te chamando para um velório- o encarei, suspirando.
–Esse acampamento me consumiu por completo, o que você queria?- dei de ombros, concordando mentalmente comigo mesma sobre o quanto fui consumida nesses dias que se perduraram nesse lugar. Sendo como professora, de olho naqueles seres sem freio e que dão uma canseira acompanhar, ou se foi aquela única noite com Santana Lopez e todos seus efeitos aterradores, que a cada momento que me vinha a cabeça, eu podia sentir cada coisa novamente, me causando assim um devaneio perigoso pra minha saúde mental- Por que toda essa euforia por um simples baile?
–É nítido!- lavantou as mãos- Porque vou levar a garota mais gata e gostosa de Nova York comigo nele, e vamos dançar feitos loucos, até sentir vontade de vomitar. O que será que ela acha?- sorri sem jeito enquanto ele se aproximava e abraçava minha cintura.
–Ela acha que você é um bobo e um tanto cego por achar isso dela- ele revirou os olhos e eu o soltei de mim- E mais ainda que você deve se afastar, pois aqui está cheio de alunos e ela não vai querer pegar uma advertência por ser vista agarrada a outro professor.
–Ela é um bocado chatinha então.
–Tanto faz- joguei um ombro pra trás e o empurrei, porém sorrateiramente ele me agarrou pela cintura e tomou meus lábios em um beijo demorado e carinhoso.
–Sam!- o repreendi, usando as mãos a seu peito forte para afastá-lo, porém apenas recebi três selinhos curtos e tenros.
–Vai ao baile comigo.
–Não- fiz bico e ele beijou, com um sorrisinho brincalhão.
–Vai... Por favor, B- Sam tombou a cabeça pro lado, com uma carinha sofredora. Muito do chantagista esse moço.
–Sam... Pára- belisquei sua cintura e ele me soltou- Tudo bem. Eu vou com você... Só que nada de gracinhas, viu?
–Ok... Palavra de escoteiro- ele fez um gesto típico dessas promessas.
–Pensei que você fosse lutador.
–Vale também- passou por mim, me deu um selinho e saiu correndo enquanto eu balançava a cabeça negativamente- Não vai se arrepender de ter aceitado.
–Também espero que não. Sempre ando com spray de pimenta na bolsa.
–Agora você me assustou.
–Porque ainda não falei da espingarda que minha mãe esconde debaixo da cama- fiz pose e ele riu, levantando as mãos.
–Gente... Estou começando a me arrepender do pedido. Ser menino bom cansa- piscou pra mim e entrou no ônibus, me deixando rindo de sua infantilidade.
–Que casal fofo!- virei bruscamente no susto, na direção da voz rouca que tanto me assombrava- Sério, chegou a cair uma lágrima aqui.
–Santana! De onde você saiu, garota?- levei a mão ao peito enquanto ela me encarava com um sorrisinho cinico.
–Da sua cabeça... Pensava em mim, não?- me olhou de cima à baixo, como se me avaliasse- Seu corpo me chamou e aqui estou.
–Já conversamos sobre isso... Aquilo tudo acabou lá, entendeu?- olhei pra todos os lados, no intuito de ver se alguém nos espiava, sussurrando como uma criminosa- Morreu aqui o assunto, ok? Passou... Bola pra frente. Repita comigo: Não vou mais atrás da minha professora de literatura ou ficar mexendo com ela por qualquer meio que seja... Agora repita.
–Eu até faria...- encostou-se a lateral do ônibus, toda marrenta, retirando os óculos escuros- Só que seria mentira e você não gosta de mentiras, gosta?
–Santana, pare com isso- elevei a voz, porém me consertei no mesmo instante, com medo de alguém ter escutado- Me deixe em paz, ok?
–Não foi o que me pediu quando eu estava entre suas pernas ontem, senhorita... Você quis mais- umideceu os lábios e mordeu a pontinha do debaixo- Implorou por mais, e eu te dei... Mais do que deveria. E não me arrependo nada.
–Por que é tão dificil lidar com você? Fico fora de mim- bati o punho com força no metal do ônibus, me arrependendo logo depois pela dor que me causou aquilo.
–Talvez porque é pra ser assim... Como sempre foi e será- franzi o cenho, como sempre, confusa.
–Como assim?
–Melhor deixar pra lá, senhorita... Cedo demais pra entender e tempo errado pra lidar- antes que eu dissesse algo, ela pegou a mão que eu havia machucado e pôs entre as suas- Tão delicadas quanto eu me lembrava- as acariciou calmamente, como se quisesse decorar toda a forma e textura... Senti por onde tocava espalhando um rastro quente, que fez todo meu corpo se arrepiar pelo efeito tranquilizante que isso causou- Vide àquela que mergulha na penumbra da existência e se aquece do algoz que vem da luz e adormece seus olhos. Àquela que o toque aquece, rasteja pelo corpo e assola a alma escura e turva, firmada do grito daqueles que padecem pelos pecados da carne e da mente, em que se mesclam a natureza do ser em se alinhar as trevas e coexistir com a luxúria. Áquela que os olhos formam um manto escuro, nublado, em que a alma se esconde e teme cujo outros olhos a cobiça, e usa de entreliça os lábios tão macios como plumas a um travesseiro ao tocar nos seus- deslizou o polegar pelo lugar dolorido, onde eu observava cada movimento seu, intrigada pelo efeito que isso me causava e a citação de algo que eu sequer conhecia, mas sentia cada palavra, com um aperto no peito- Eu vejo seu penar, àquela de quem luto contra o luto sombrio... Cujos braços me aquecem, o corpo me inunda de prazer, mas a alma nunca poderei salvar, pois a quem pertence, o núcleo do mal fora o criador- senti a mão ir perdendo a dor naquela massagem estranha que Santana fazia, porém eram em seus lábios ao entoar cada palavra que eu me concentrava- Quero-te com o dia o Sol e a Lua a noite negra e turva.... Pois teu corpo és meu leito- beijou minha mão demoradamente, como se eu fosse uma princesa e ela um vadio galante- E meu coração teu escudo contra seus próprios demônios, meu doce então demônio confuso. Onde em suas asas negras eu repouso... — me fitou agora, naquele mar de sombras que sempre foram seus olhos- Em toda nossa eternidade de vidas.
–Nossa!- foi a única coisa que pude dizer depois daquelas palavras absortas, tirando minha mão dela e levando a nuca- Que, hum, intenso! Quem disse isso?- ela então recolheu as mãos para os bolsos de sua jaqueta, observando algo ao longe enquanto refletia sobre alguma coisa- Santana?
–Foi você, um dia- se eu comprimisse mais minha testa, era capaz dela cair no chão.
–Muito engraçado- cruzei os braços, chateada pela brincadeira- Se não quiser falar, tudo bem. Mas espero que estejamos conversadas sobre AQUELE assunto.
–Sempre concordarei com tudo que disser, meu anjo... É minha sina.
–Só me deixe em paz, ok? Me esqueça nesses termos que eu sequer lembrarei de já termos, hum... Algo do tipo- ela balançou a cabeça levemente e se aproximou, me fazendo bater com as costas no ônibus. Olhou pra meus lábios e eu segurei a respiração com o gritante desejo dela os tomar que transpassava por todo ranger de seu corpo. Lentamente aproximou o nariz de meu pescoço e o cheirou com vontade, fazendo com que eu largasse a prancheta da mão, por perder até o jeito de segurar algo ali. Então parou lábio a lábio com os meus, olhando pra baixo... Mordeu as pontinhas e sorriu de canto ao se afastar.
–Ok então- mexeu na franja negra e a jogou pra trás, abusando de seu olhar safado para meus seios que subiam e desciam pela sensação pesada daquela aproximação a meu corpo até recolocar os óculos escuros- Boa sorte com isso, meu anjo.
–E-Eu...- engoli um contra ataque enquanto ela se retirava, com aquele maldito sorrisinho vencedor nos lábios, como se adorasse me deixar naquele estado- Vai... Vai se ferrar, Santana Lopez! Urrrrrrrrr!
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