Obsession

26 capítulo 25 - Survive


Notas iniciais
Oiii Cupcakes ♥! Eu confesso que tive certa dificuldade em escrever esse capítulo. Não porque não sabia o que aconteceria, mas quando se trata de um assunto tão delicado quando a vida de uma criança, eu sempre me envolvo emocionalmente. Mas, acho que consegui escrever algo razoavelmente bom. Eu realmente espero que gostem desse capítulo. Quero agradecer a minha Mamis Confeiteira e Poderosa Jade, a linda da Vííh lenna, a minha vaquinha Josynha, a divertida Cycyr5, a minha doce Jujuba (Juliana Lorena), a minha amada italianinha Fran, a fofa da Leleh (Nothing Is Impossible), a princesa da Evellyn Maddox, a minha amoreco Pequena Miss e a minha Jujuba ao Leite Condensado (JuuhLima Grande) pelos lindos comentários no capítulo passado. Boa Leitura...

12 de junho de 2013 – Nova York

POV Ally

Vinte e um dias haviam se passado desde que cheguei a Nova York. A cidade continuava igual, desde que saí, mas algo estava diferente, ou talvez fosse somente eu que havia mudado. De alguma forma, mesmo cercada de milhares de pessoas, constantemente, eu sentia como se estivesse faltando algo. E sempre que eu fechava os olhos, as lembranças de Miami invadiam minha mente.

Eu sentia muita falta de todos. Sentia falta de Dez, indo ao Evan’s para tomar vitamina de morango e fazer brincadeiras idiotas. Sentia falta de Cassy passando um tempo no restaurante e fazendo questão de comentar sobre como as pessoas estavam ridiculamente vestidas. Sentia falta de Dallas sentado na mesa mais afastada da multidão, lendo um livro qualquer, enquanto bebia seu café forte com uma colher de açúcar. Sentia falta de Trish falando suas besteiras e implicando com Dez, enquanto desenhava roupas incríveis. Sentia falta de Manu e Prince e de seus conselhos e abraços carinhosos. Sentia falta de Mike, Kira, Elliot, Brooke, Trent e Gavin. Mas, principalmente, sentia falta de Austin. A saudade parecia me consumir cada vez mais.

– Ally, o restaurante já fechou. – Avisa Jade, olhando-me com preocupação. – Você deveria ir para casa descansar. Trabalhou o dia inteiro, sem pausa.

– Obrigada, Jade, mas já estou quase terminando aqui. – Afirmo, enquanto corto os tomates para fazer Spaghetti vongole.

Jade é a esposa de Marco, o dono do Carbone. Apesar de trabalhar mais na área da financia do lugar, a mulher fazia questão de ter contato com os funcionários e clientes, sempre atenta a tudo o que ocorria.

– Não exagere, Ally. Todos temos limites. Sei que quer aprender todas as receitas do menu, mas precisa ir com calma. – Aconselha a mulher, sorrindo com compreensão. — Desde que chegou, a única coisa que tem feito é trabalhar sem descanso.

– Eu estou bem, Jade. – Garanto, sorrindo com confiança.

– Tudo bem. – Fala a mulher, dando-se por vencida. – Você não é criança e acho que já sabe o que é melhor para si. Então, você pode fechar o restaurante para mim? Elizabeth e Eric estão sozinhos em casa e Marco ainda está em uma reunião de negócios com alguns empresários.

– Claro. – Concordo, sorrindo. – Pode ir. Não precisa se preocupar.

– Obrigada. – Agradece, sorrindo com alívio. Ela pega sua bolsa e sai pela porta dos fundos do restaurante, deixando-me sozinha.

Volto a me concentrar na receita que Marco havia me passado. Eu estava amando trabalhar no Carbone. Não era fácil. Não havia um só momento que o restaurante parasse, mas os funcionários eram calorosos como uma família. E a cada dia que passava, mais eu aprendia com a incrível equipe do lugar.

Alan, Stacy, Maggie, Paul e Marco formavam a equipe principal dos cozinheiros. O menu do incrível restaurante, composto por mais de setenta opções, havia sido quase todo criado pelos cinco e não havia ninguém que não elogiasse o sabor e a beleza dos pratos.

Levo os ingredientes da receita para o fogo, mexendo com cuidado, assim como Marco havia me dito. O aroma não demora muito a subir, mostrando que após diversos fracassos, eu finalmente estava conseguindo fazer da maneira correta.

Apesar de parecerem simples, os pratos do Carbone eram difíceis de se fazer. Era muito mais do que ler uma receita, juntar os ingredientes e decorar o prato. O mais famoso restaurante de comida italiana do país fazia sucesso pelo intenso sabor e a harmonia de ingredientes nos quais deve-se ter muito cuidado com suas dosagens. Muitos restaurantes tentaram copiar, mas nenhum obteve sucesso e agora eu havia descoberto o motivo.

E em meio ao silêncio do ambiente, meu celular começa a tocar. Observo o aparelho sobre a mesa da cozinha e pondero se devo ou não atender, pois se apagasse o fogo neste momento, o molho do Spaghetti perderia a sua complicada essência. Suspiro e apago o fogo.

Levo a panela para a pia e pego meu celular, vendo o nome e a foto de Piper na tela. Aperto em atender a ligação e levo o aparelho ao ouvido. Ouço um choro baixo e suspiros de agonia do outro lado da linha.

– Piper? – Chamo, temendo que estivesse acontecendo algo de ruim.

Ally...me ajuda. – Sussurra Piper, aos prantos.

– Piper, o que está acontecendo? – Questiono, preocupada. – Onde está Thomas?

A....bolsa...ela estourou. – A frase de Piper é o bastante para me desesperar. No mesmo instante tiro meu avental e chapéu.

– Tudo bem. Já estou chegando. Fique calma. – Peço, correndo ao vestiário do restaurante, à procura de minha bolsa.

Não demora...por favor. – Implora Piper, chorando com ainda mais intensidade. – Está...está doendo tanto.

– Não se preocupe. Em menos de dez minutos eu estarei aí. – Asseguro, enquanto digito a senha para ligar o alarme do estabelecimento e corro, trancando a porta dos fundos, torcendo para que Jade e os outros estivessem certificado que a porta da frente estaria trancada. Não dava tempo de conferir a segurança do lugar, assim como eu sempre fazia.

Está bem.

Piper desliga o celular e meu coração se aperta. Apesar de feliz por finalmente ver o rostinho de Ellie, eu não podia fingir que a situação não é preocupante. O parto de Piper é arriscado. Qualquer erro pode resultar na morte da loira e na da criança. Por sorte, o prédio onde Piper e Thomas moram não é longe do restaurante, mas devido ao trânsito caótico de Nova York, um percurso que em um lugar comum leva dez minutos, aqui demora cerca de quarenta minutos.

Assim que chego ao edifício de Piper, travo meu carro e sigo direto para o elevador. O porteiro do lugar já me conhecia e por esse motivo não me parou e pediu por minha identificação. Quando finalmente o elevador chegou, aperto no botão do décimo andar, enquanto sinto meu coração bater tão forte ao ponto de parecer que a qualquer momento sairá pela boca.

O som típico do elevador, anuncia que havia chegado ao andar desejado. Corro até o apartamento de Piper, rezando para que a porta estivesse aberta, mas minhas preces não haviam sido atendidas.

– Piper! Piper! – Grito, batendo com força na porta. Toco a campainha diversas vezes, desesperada.

Os gemidos de dor da mulher são a única coisa que tenho como resposta. Pego meu celular e tento ligar para Thomas, mas a ligação vai direto para a caixa de mensagem.

– Piper! Você consegue destrancar a porta? – Pergunto, desesperada.

– Não. Ai. Ally, está doendo tanto. – Piper parecia fazer um esforço descomunal para falar alto o bastante para que eu a ouvisse.

Começo a procurar por uma chave reserva por perto, mas não encontro nada. Tento, então, arrombar a porta, jogando meu ombro diversas vezes contra a peça de madeira, mas eu não tinha força suficiente para isso.

Desesperada, corro até ao apartamento vizinho e toco a campainha diversas vezes. Quando ouço os gritos de um homem vindo do apartamento, afirmando que já estava indo, suspiro aliviada.

– Oi? – Fala o homem, assim que abre a porta. – Quem é você?

O homem vestia um roupão cinza e seus olhos inchados e o rosto meio amassado, mostrava que havia acabado de acordar. Olho desesperada para o homem e ele parece entender que algo estava errado.

– Oi. Por favor, ajude-me. – Imploro, com o coração apertado. – A minha amiga, que mora aqui ao lado do seu apartamento, acabou de entrar em trabalho de parto e está trancada no apartamento, sozinha. Me ajuda. Por favor.

– Querido. Quem é? – A voz de uma mulher, vinda de dentro do mesmo apartamento, impede que o homem me responda.

– Amor, Piper acabou de entrar em trabalho de parto. Você sabe se Thomas deixou alguma chave reserva conosco? – Grita o homem.

– Ai meu Deus! Não, ele não deixou. – Fala a mulher, aparecendo na porta, parecendo tão desesperada quanto eu. – Oi.

– Olá. – Respondo, angustiada. Estávamos demorando muito.

– O síndico tem a cópia de todas as chaves dos apartamentos. Se pedimos a ele que traga, podemos...

– Não dá tempo. – Interrompo a mulher, cansada da enrolação. Olho para o homem, quase aos prantos. – Você consegue arrombar a porta?

– Talvez. – Afirma o homem, incerto.

– E o que está esperando, Spencer? – Pergunta a mulher, desesperada. – Arrombe logo a porta do apartamento.

Concordando com a esposa, o homem corre para frente à porta de Piper e começa a jogar seu corpo, da mesma forma que eu havia feito antes. Na quarta tentativa, ele consegue empurrar um pouco a porta e após um forte chute a abre por completo.

Corro para dentro do apartamento e encontro Piper caída no chão da sala. Havia um copo quebrado perto da loira e ela se encolhia de dor, murmurando por ajuda. Sem esperar mais um segundo, corro até a mulher.

– Piper. – Chamo, tentando fazê-la levantar.

– Ally. – Piper chorava com intensidade. – Graças a Deus.

– Consegue ficar de pé? – Pergunto, olhando-a com preocupação.

– Acho que... – Piper se esforça um pouco para tentar se levantar, mas se contrai e volta a cair. Em um movimento rápido, consigo a amparar, mas ela gritava de dor. – Deus! Como dói. Eu não consigo. Ally, eu não consigo.

– Tudo bem, tudo bem. Não se esforce muito. – Peço, olhando desesperada para a mulher. Viro-me para o homem, implorando por sua ajuda. – Pode levá-la até o meu carro?

– Claro. – Concorda Spencer, correndo até nós e com cuidado a ergue. – E Thomas? Onde ele está? Ele ao menos sabe que a esposa dele entrou em trabalho de parto?

– Não sei onde ele está. Já tentei ligar para ele, mas está indo direto para a caixa de mensagens. – Respondo, enquanto sigo às pressas para o quarto de Ellie, procurando pela bolsa que deveria ser levada para o hospital. Quando a encontro, suspiro aliviada e corro até o quarto do casal, a fim de pegar a bolsa com os documentos de Piper. – Vamos. – Anuncio, assim que chego na sala, torcendo para que eu não estivesse me esquecendo de nada. Eu pego o celular de Piper que estava no chão, coloco-o dentro de sua bolsa e corro até o homem, que segurava a minha angustiada amiga.

– O elevador chegou. – Grita a esposa de Spencer do corredor.

Spencer e eu corremos em direção ao elevador. A esposa do homem entra junto e nos acompanha até o térreo. Simon, o porteiro, nos olha assustado, assim que nota a situação.

– O que aconteceu? – Questiona o homem, correndo em nossa direção.

– Não há tempo para explicações, Simon. – Digo, abrindo a porta do edifício para Spencer. – Tente ligar para Thomas e avise-o que Piper acabou de entrar em trabalho de parto. Diga que eu a levei para o Kravis Children's.

– Claro. – Concorda Simon. – Boa sorte, sra. Wally.

– Obrigada, Simon. – Sussurra Piper, sorrindo fracamente para o homem.

Destravo meu carro e a esposa de Spencer abre a porta de trás para o marido. Spencer coloca Piper com cuidado no banco traseiro do carro, enquanto eu entro no lado do motorista e jogo as bolsas ao meu lado. O homem fecha a porta e o casal corre até mim.

– Meu número e o de minha esposa estão no celular de Piper. Spencer e Emma Underwood. Ligue-nos se precisar de alguma coisa e assim que Piper tiver tido a bebê. – Pede Spencer, sorrindo com preocupação. – Boa sorte, Piper.

A loira sorri e logo volta a fazer uma careta de dor. Balanço a cabeça, concordando com o homem e ligo o carro. Aceno em despedida e não demoro a correr em direção a maternidade onde Piper havia feito o seu pré-natal.

Em poucos minutos consigo estacionar o carro. Eu não conseguiria carregar Piper e a mulher não estava em condições de se esforçar. Saio e vou em direção a recepção. Uma das recepcionistas me encara em confusão.

– Em que posso ajudá-la, senhora? – Pergunta a mulher, com um sorriso simpático.

– Oi. – Sorrio, atordoada. – Minha amiga acabou de entrar em trabalho de parto e está dentro do meu carro. Será que alguém poderia ajudá-la a sair de lá?

– Claro. – Responde a mulher, pegando o telefone. – Um momento.

A recepcionista liga para a equipe de emergência e não demora para que dois homens, trajando um uniforme azul, aparecesse com uma maca. Com cuidado, eles retiram Piper de dentro do carro e a colocam deitada. Pego as bolsas que estavam do lado do passageiro e tranco o carro, rezando para que a vaga não fosse proibida. A última coisa que eu precisava era que meu carro fosse rebocado.

Começo a correr atrás da maca, enquanto ouvia os múrmuros de dor de Piper e, às vezes, seus gritos devido as contrações. Eles passam com ela por uma porta e a fecham antes que eu tivesse a chance de entrar junto. Praguejo algumas vezes e volto a recepção, sabendo que eu precisaria preencher a ficha de Piper.

– Aqui, senhora. – A recepcionista, que havia me atendido antes, me entrega uma prancheta onde pedia as informações de Piper, quando volto a entrada.

– Obrigada. – Agradeço e saio, indo em direção a sala de espera, por onde Piper havia passado.

Sento-me em uma das cadeiras e coloco as bolsas ao meu lado. Pego em sua bolsa seus documentos e o celular. Volto a tentar ligar para Thomas, enquanto preencho o formulário de Piper, mas a ligação continuava a ir direto para a caixa de mensagens.

– Onde quer Thomas esteja, quando eu o ver, irei matá-lo. Por que não atende as minhas ligações? – Digo a mim mesma, discando o número do homem novamente. Suspiro, cansada de ouvir a fala da secretária eletrônica.

– Ally Dawson? – Um homem alto e com a roupa de cirurgião questiona, assim que sai pela porta por onde Piper havia sido levada.

Levanto-me no mesmo instante e me aproximo do homem, olhando-o com preocupação. O médico continuava inexpressivo, angustiando-me ainda mais.

– Sou eu. – Digo, com preocupação. – Como está Piper?

– Teremos que fazer seu parto cesariano. Ela não está em condições de esperar até que sua passagem esteja completamente dilatada. Sua pressão está muito elevada e os sinais vitais da criança já estão começando a diminuir. – Explica o homem, com seriedade. Inspiro o ar, atordoada. – A paciente tem direito a um acompanhante e ela pediu que a senhora a acompanhasse no parto.

– Mas e o marido e a família dela? Eu ainda não consegui entrar em contato com eles. – Digo, recuperando-me do susto.

– Sinto muito, sra. Dawson, mas não estamos com muito tempo. – Alerta o médico. – Precisamos realizar o parto imediatamente. Precisa se decidi se vai ou não acompanhar a sra. Wally.

– Eu...eu vou. – Afirmo, confusa. – Eu só preciso encontrar um lugar onde deixar essas bolsas e a ficha dela.

– Na recepção. – Aponta o médico para as três recepcionistas. – Eu preciso entrar, mas uma das enfermeiras da minha equipe estará aguardando a senhora aqui para levá-la a sala de higienização e a preparará para entrar na sala de cirurgia.

Balanço a cabeça, concordando, e corro até uma das atendentes. Sorrio, forçada, enquanto aguardo que uma das moças desocupassem. Cansada de esperar, empurro um dos pacientes e entro em sua frente.

– Ei. – Reclama o homem, irritada.

– Sinto muito. – Digo, sorrindo sem graça. – Mas é um caso de emergência. – Eu explico ao homem e me viro para a recepcionista. – Por favor, guarde essas bolsas para mim. Aqui está a ficha da paciente e caso um homem com o nome de Thomas Wally apareça por aqui, entregue as bolsas a ele.

– Tudo bem, senhora. – Diz a mulher, pegando as bolsas que eu estendia. – Apenas me diga seu nome para identificar seus pertences.

– Allycia Marie Dawson. – Respondo, apressada. – Posso ir?

– Sim, senhora. – Afirma a mulher, após digitar meu nome. – Boa sorte.

– Obrigada. – Agradeço, correndo em direção a uma enfermeira que me aguardava no lugar do médico.

– Vamos? – Pergunta a mulher, sorrindo gentilmente.

– Claro. – Concordo, sentindo meu coração bater acelerado.

A mulher sorri e faz sinal para que eu a acompanhasse. Assim que passamos pela porta que separava a sala de espera da área de emergência, a enfermeira a fecha e me guia a uma sala onde havia roupas azuis, máscaras, toucas e luvas.

Assim que chegamos, a enfermeira pede para que eu tire o relógio, os brincos e o colar que eu usava, em seguida, ela me ajuda a vestir a roupa. Coloco a toca, a máscara e as luvas para evitar que eu contaminasse a sala de cirurgia com alguma bactéria.

Após garantir que eu estava devidamente preparada, a enfermeira volta a me guiar, mas dessa vez em direção a sala de cirurgia. Vejo Piper ligada a vários aparelhos assim que entro no lugar. O bipe de medição dos batimentos cardíacos apontavam o seu nervosismo, além das intensas dores que ela demonstrava sentir.

– Piper. – Sussurro, aproximando-me da mulher. Assim que me ver, Piper volta a chorar, com os olhos brilhando em puro medo. Inspiro um pouco de ar e corro até a garota. A loira me estende sua mão e eu a seguro com firmeza. – Vai dar tudo certo, querida.

– Conseguiu falar com Thomas? – Sussurra, enquanto as lágrimas desciam por seu rosto alvo.

– Não. – Respondo, sentindo meu coração se partir com o olhar decepcionado e perdido de Piper. – Eu sinto muito, Piper. – Ela fecha os olhos e chora em silêncio. – Mas tenho certeza que alguém vai conseguir falar com ele.

– Já estamos prontos para começar a cirurgia. – Anuncia o médico, olhando-me com seriedade.

– Tudo bem. – Concordo, apertando a mão de Piper com mais força. Ela abre os olhos, demonstrando toda a sua insegurança. – Eu estou aqui. Você e Ellie ficarão bem. Você vai ver.

– Ally...me prometa que...se eu não sobreviver...você vai cuidar da minha menina. – Pede a loira, sussurrando.

– É claro que eu vou cuidar dela, mas você estará junto, tudo bem? – Digo, limpando as lágrimas que manchavam o rosto de Piper. – Ellie e Thomas precisam de você. Não pode nos deixar desse jeito. Você vai sobreviver e ver sua linda menininha crescer feliz e saudável.

– Você sabe que as chances de eu sobreviver a esse parto são mínimas. Menos de um por cento, para ser mais específica. – Diz Piper, com um misto amargura e tristeza.

– Então eu irei acreditar nesses menos de um por cento. – Afirmo, determinada. – Piper, você não pode desistir. Precisa acreditar. Pense nas pessoas que precisam de você. Não precisa ter medo. Irá dar tudo certo.

Piper sorri e aperta ainda mais a minha mão, chorando. Olho para o lado e observo os médicos trabalhar. Vejo a barriga de Piper ser cortada pelo médico, enquanto o mesmo era auxiliado por três enfermeiros e um outro médico. Vez ou outra ele verificava os sinais vitais de Piper e da bebê.

– Obrigada, Ally. – Sussurra a garota, sorrindo. – Obrigada por estar aqui.

– Ei, não precisa agradecer. – Digo, dando um beijo na testa da garota e acariciando seu rosto. – Somos amigas, não somos? – Pergunto. Piper balança a cabeça, concordando, enquanto sorria em meio as lágrimas. – E por você ser minha amiga, precisa me prometer que você vai sobreviver ou juro que mato você. Então prometa que vai ficar bem.

Piper ri e beija minha mão. Ela olha para a lâmpada da sala e fecha os olhos, respirando fundo. Por fim, ela volta a me encarar e abre um lindo sorriso, enquanto balança a cabeça, concordando.

– Eu prometo.

Permaneço ao lado de Piper, segurando a sua mão, enquanto vejo, por cima do pano que impedia a loira de ver o procedimento cirúrgico, o parto sendo feito. Mas, algo começa a dar errado. O coração de Piper começa a diminuir suas batidas.

– Os taxas dela estão caindo. Ela está tendo uma parada cardíaca. – Alerta uma das enfermeiras.

– A criança não está conseguindo respirar. – Avisa outra enfermeira, olhando para a tela onde indicava os sinais de Ellie.

Olho assustada para cena. A mão de Piper se mantinha presa a minha e ela parecia ter perdido os sentidos. De repente, seu coração para de bater por completo.

– Usem o desfibrilador e a máscara de oxigênio. Agora! – Exige o médico.

As enfermeiras que auxiliam no parto concordam e correm até o aparelho, voltando logo em seguida com ele. Eu me tremia e não conseguia controlar o choro.

– Precisa se afastar. – Pede um enfermeiro, tocando em meu ombro.

– Ela...ela está segurando minha mão. – Digo, desesperada.

O homem me ajuda a me soltar de Piper e no instante seguinte as enfermeiras começam a usar o desfibrilador, enquanto um enfermeiro coloca uma máscara de oxigênio no rosto da mulher. Eles tentavam a todo custo trazer Piper de volta, mas seu coração não respondia as tentativas.

Os médicos encaravam a mulher com preocupação. Ellie também estava morrendo. Seu coração batia cada vez mais devagar e pelo que pude entender da troca de palavras dos médicos, ela estava agonizando. Precisavam tirá-la de uma vez de dentro da mãe ou não sobreviveria.

– Por favor...por favor...sobrevivam. – Peço, encostando minhas mãos em uma espécie de oração. Eu não conseguia controlar o choro e o medo de perdê-las. – Por favor...

E de repente o coração de Piper volta a bater. Suspiro aliviada, mas pelas expressões da equipe médica, ainda não havia acabado. Os médicos continuam a cortar a barriga de Piper, agora com mais pressa, enquanto o enfermeiro continua a segurar a máscara oxigênio no rosto da loira.

Aproximo-me, devagar. Volto a segurar em sua mão e a rezar silenciosamente. Quando finalmente conseguem tirar Ellie de dentro de Piper, a garotinha estava roxa e apertava seu próprio cordão umbilical. A cena era de partir o coração.

Um dos médicos começa a tentar reanimar a criança, enquanto o outro costura o corte de Piper. Os minutos se passavam em pura agonia. Todos estavam apreensivos pela falta de respostas de Ellie. E após a recém-nascida receber outro tapa em suas costas, o choro finalmente é audível.

Ellie havia nascido e estava viva. O médico sorri e balança a cabeça, confirmando que haviam conseguido salvá-la. Uma enfermeira envolve a criança em uma toalha e a leva para ser pesada e medida. Assim que termina o procedimento padrão, ela se aproxima de mim.

– Quer segurá-la um pouco? – Pergunta a mulher, sorrindo com doçura.

Balanço a cabeça, concordando. A enfermeira estende Ellie e eu a pego de maneira desengonçada. A garotinha era simplesmente linda. Sua cabecinha possuía uma pelagem loira e era tão branca quando a mãe, apesar de estar roxinha pelo parto complicado.

– Bem-vinda ao mundo, Ellie. – Digo, emocionada, enquanto beijo sua testa. A garotinha ainda chorava, mas eram inexplicáveis o alívio e o amor que eu sentia por vê-la chorar. Levo a delicada criança até a mãe e encosto sua cabecinha na de Piper, que continuava inconsciente. – Essa é a sua mamãe. Ela lutou bravamente para que você pudesse nascer. – Pego Ellie de volta e a garotinha já estava mais calma. Ainda emocionada, acaricio sua bochecha. – Obrigada por também não ter desistido de lutar por sua vida.

– Ela precisa fazer exames e ser levada para a incubadora. – Avisa o médico, com um sorriso discreto.

– Ah, claro. – Digo, voltando a entregar Ellie para a enfermeira. Aproximo-me da pequena e pego em sua delicada mão. – Nos vemos mais tarde, princesinha.

A enfermeira sai com Ellie em direção a uma outra sala. Volto a me colocar ao lado de Piper e a encaro com preocupação. Apesar de não entender nada de aparelhos médicos, eu conseguia ver que sua pressão ainda estava muito alterada e seu coração batia fracamente.

Antes que eu tivesse a chance de perguntar sobre o estado de Piper aos médicos, a garota começa a se debater sobre a mesa de cirurgia. Seus batimentos cardíacos começam a se acelerar e sua língua começa a enrolar.

Piper estava tendo uma convulsão. Vejo os enfermeiros correndo até a garota, tentando puxar sua língua para fora e controlar seu corpo. O médico pede que apliquem um medicamento nela, mas era difícil quando não conseguiam parar seu corpo. E, após uma luta intensa, uma enfermeira consegue aplicar a injeção.

Aos poucos, Piper volta a normalizar seus sinais vitais. Foram longos minutos vendo-a se contorcer de dor e não poder fazer nada. E após tantas complicações, o quadro da loira se estabiliza. Os médicos a levam para fazer exames, enquanto eu sou levada para fora da sala de cirurgia. No fim, mesmo com as complicações, tudo havia dado certo. Piper e Ellie conseguiram sobreviver ao parto sem sequelas.

Quando volto para a sala de espera, encontro Thomas, sua mãe e a família de Piper, ansiosos por resposta. O médico não demora a aparecer, afirmando que tanto mãe quanto filha estavam bem e descansavam. Abraços e sorrisos não faltaram. No entanto, o que eu mais precisava naquele momento era quem estava a mais de mil quilômetros de distância.

Notas finais
Ellie: http://i1127.photobucket.com/albums/l630/larissa3010/Fotos-de-Bebecircs-Receacutem-Nascidos4_zpsmnzgd4jz.jpg oOo O que acharam, pessoal? Críticas? Elogios? Alguma sugestão? Oi Cupcakes ♥! Estou bem curiosa sobre o que acharam desse capítulo um pouco mais tenso. Como eu disse, sempre fico muito receosa quando se trata da vida de uma criança. Espero que o capítulo não tenha ficado muito ruim. Enfim, vejo vocês amanhã. Beijocas ♥ oOo PS.1: Quem quiser participar do grupo no face: www.facebook.com/groups/677328449023646/ >o< !! PS.2: Criamos um grupo no WhatsApp, então podem participar também, basta apenas me enviarem uma MP com o DDD de vocês e o número do celular que eu adiciono *-* !! Unlike Cinderella: http://fanfiction.com.br/historia/514701/Unlike_Cinderella/ Fire Scars (Fic Prielle): http://fanfiction.com.br/historia/578178/Fire_Scars/