Obsession
10 Capítulo 9 - Desires....
Notas iniciais
23 de Abril de 2013 – Miami
POV Austin
A madrugada se aproximava e destacava a noite fria que Miami estava enfrentando. Em pouco tempo, uma tempestade torrencial cairia e isso não me agradava muito.
Já se passavam da meia noite e eu não conseguia pegar no sono. As imagens de mais cedo continuavam a me atormentar. Por algum motivo, eu ainda conseguia sentir o corpo de Ally colocado ao meu. No entanto, o que mais me incomodava era a sensação que tive ao ver Dez conversando com Ally.
Vê-la sorrir com as brincadeiras idiotas de meu melhor amigo não me agradou muito. A maneira como eles se olhavam ou quando eles se beijaram rapidamente. Todas as cenas vinham a minha mente, mostrando que a minha sanidade está se esvaindo aos poucos.
Sem vontade de continuar a rolar na cama, levanto-me e suspiro frustrado. Coloco uma roupa qualquer, pego o guarda-chuva que estava encostado na parede ao lado da porta e resolvo enfrentar a ventania que estava do lado de fora da casa.
Conforme ia caminhando, sem destino, por Miami, acabo me encontrando com Prince e Manu. Os dois estavam sentados na praia, perto do Evan’s. Surpreendentemente, o casal não estava com a filha. Eles conversavam tranquilos e observavam o agitado mar.
Sorrio feliz por ver a felicidade de meus amigos. Eles riam e vez ou outra se beijavam, como um casal de namorados apaixonados. Aproximo-me devagar, apreciando a cena e não conseguindo evitar pensar nos dias em que passei com Piper no mesmo lugar em que Prince e Manu estão.
– Olá. – falo, assustando o casal, que sorri calorosos quando percebem a minha presença.
– Austin. – diz Manu, animada, levantando do chão e vindo me abraçar.
– Oi Manu. – respondo, enquanto retribuo o abraço caloroso da mulher.
– Sente-se conosco, Austin. – propõe Prince, sorrindo. – Estamos apreciando o mar, enquanto a chuva não chega.
Balanço a cabeça concordando e me sento ao seu lado. Manu, logo volta a fazer o mesmo, encarando o mar, em seguida. Não dizemos nada por um tempo, apenas aproveitando a calmaria e o vento que agitava nossos cabelos.
– Onde está Diana? – pergunto, encarando o casal.
– Com Brooke. – responde Manu, sorrindo. – Ela se ofereceu para cuidar da bebê, enquanto tiramos um descanso. Segundo ela: “Um casal deve aproveitar a vida mesmo depois do nascimento do herdeiro. E praticar muito mais a vinda de um novo” – a mulher imita a amiga, rindo da fala da mesma.
– Isso é bem a cara da Brooke. – digo, rindo.
– O bom é que Trent disse que cuidando de Diana, eles podem treinar a cuidar de uma criança quando os dois tiverem um filho. – fala Prince humorado, puxando a mulher para mais próximo de si.
– E como a bebê está? Nunca mais eu a vi. – pergunto sorrindo.
Manu encosta a cabeça no ombro de Prince e sorri encantada. O homem beija a testa da esposa e depois os lábios da mesma. Por fim, ele levanta seu olhar e suspira feliz.
– Está cada dia mais esperta. – responde Manu. – Ela é o bem mais precioso que nós temos, querido.
– Engraçado, os casais que eu conheço geralmente reclamam da falta de sono e essas coisas e não ficam soltando fogos de artificio. – brinco, fazendo a morena revirar os olhos.
– Não se engane. – fala Prince, rindo. – Já faz um bom tempo desde a última vez que tive uma boa noite de sono. Mas, toda vez que eu olho para aquela garotinha, eu me esqueço de todos os meus problemas e volto a sorrir feito um bobo.
– Mas, o que faz aqui há essa hora, Austin? Já é bem tarde. – pergunta Manu, encarando-me, desconfiada.
– Eu não consigo dormir. – respondo sem encarar a mulher.
Eu não queria contar a Manu as coisas que me atormentavam e sabia que se ela olhasse em meus olhos, perceberia a confusão de meus sentimentos. No entanto, como era previsto, ela não aceitou muito bem a minha resposta.
A mulher lança um olhar significativo ao marido e o mesmo balança a cabeça de maneira negativa, como se não concordasse com a interferência da esposa, mas sabia que não adiantaria negar algo a ela.
– Ok. Eu entendi. – fala Prince, levantando. – Eu estou esperando você no carro.
– Claro. – responde Manu, beijando o marido. Após alguns segundos tendo que presenciar a demonstração de afeto dos dois, Prince se separa da mulher e me olha com pena.
– Boa sorte, Austin. – dizendo isso, Prince começa a caminha pela praia, seguindo em direção ao seu carro que estava próximo de nós, no acostamento da pista.
Manu continuava a me encarar, esperando qualquer fala da minha parte. Esse sempre foi o maior problema da mulher. Por ser a mais velha do nosso grupo de amigos, ela tinha um forte instinto protetor e sempre procurava nos ajudar, obrigando-nos a contar qualquer problema que estivéssemos tendo.
– O que houve? – pergunta Manu, cansada de me encarar.
– Nada. – respondo, observando o mar.
– Não minta para mim, Austin. – pede Manu, com o tom de voz suave, materno.
– Eu só estou confuso, Manu. – respondo, suspirando cansado. – Tudo o que eu sempre tive certeza, parece está se tornando incerto.
– Cada minuto que se passa é uma nova chance para mudar tudo que nos atrapalha a continuar lutando, Austin. – fala a morena, passando a mãos em meus cabelos. – Talvez esteja na hora de seguir em frente, querido. Não acha que essa sua obsessão por Piper já durou tempo demais?
– Não comece Manu. – peço, levantando-me. – O que sinto por Piper não é obsessão. Eu a amo. Por mais que todos me condenem por esperar por ela, eu não me importo. Eu continuarei a fazer isso por todos os dias de minha vida, enquanto eu a amar.
– Austin, você tem a oportunidade de ser feliz novamente, mas se recusa a tentar. – fala Manu, chateada. – Sabe quantas pessoas queriam ter essa chance que você está tendo? Você é jovem, bonito e tem um talento maravilhoso. Aproveite a vida. Siga em frente. Encontre outra mulher a quem possa amar.
– Não quero nenhuma mulher que não seja Piper. – afirmo, tentando esconder as minhas dúvidas.
A mulher se levanta e suspira tristemente. Em seus olhos eu via a decepção por ouvir minha resposta. No entanto, por mais que eu me entristecesse por magoar a mulher a minha frente, que sempre foi como minha irmã mais velha, eu não poderia mudar o que eu sou.
– Eu sinto muito, Austin. Mas uma hora ou outra terá que aceitar a verdade. – diz a mulher, aproximando-se de mim. Ela beija a minha testa e bagunça meus cabelos. – Aproveite seu guarda-chuva e leve Ally para casa. Não seria nada bom se ela pegasse um resfriado.
Observo a mulher se afastar, tentando convencer a mim mesmo que eu estou certo ao não desistir de Piper. Mas, por mais que eu detestasse admitir, eu sinto que as coisas estão mudando, que a dor de não ter a loira ao meu lado vem diminuindo a cada dia e isso me assusta.
Como eu poderia desistir de Piper, após passar cinco anos a sua espera? Cinco anos cumprindo as nossas promessas, na tentativa de não enlouquecer por não tê-la comigo.
Mas, o que mais me incomoda mesmo é não conseguir mais pensar em Piper sem me lembrar de uma morena de personalidade forte. Ally vinha a minha mente de maneira irritante e, a cada vez que isso acontece, mais minha mente se embaralha e eu já não consigo pensar com racionalidade.
Sou despertado de meus pensamentos com o som do forte trovão ecoando pelo céu nublado de Miami. Suspiro, cansado de tentar entender o que se passa comigo.
Encaro o céu nublado de Miami. Alguns segundo depois, eu sinto os primeiros pingos da chuva, que estava por vir, cair sobre meu rosto. Começo a caminhar na direção ao Evan’s. Havia algo que eu precisava me certificar, antes de tomar a minha decisão.
[...]
Não demoro a chegar à parte da praia que só é aberta no verão, onde fica o restaurante. Os finos pingos continuavam a cair, mas isso era só a prévia da tempestade que estava por vir, da mesma forma como eu encontrei Piper pela primeira vez.
“A chuva caia com intensidade em Miami. As ruas estavam desertas e nenhum louco se arriscaria a sair de casa em um tempo tão perigoso. Infelizmente, eu não tinha escolhas. A tempestade me pegou no meio da volta para casa.
Um evento infantil havia sido realizado para comemorar a reinauguração de um orfanato na cidade. Por sorte, o evento teve fim antes que a forte ventania e os grossos pingos de água se iniciassem.
O verão havia começado recentemente e a cidade estava cheio de turistas. Isso significa muito mais trabalho para realizadores de eventos, ou seja, pessoas como eu.
Enquanto seguia meu caminho para casa, tentando enxergar algo em meio a tempestade que caia, meu pneu acaba furando no meio da estrada.
Sem alternativa, irritado pela minha falta de sorte, acabo descendo do carro para trocar o maldito pneu furado. A dificuldade que tive apenas para caminhar até o porta mala e pegar o estepe do carro e as ferramentas necessárias não chegou nem perto do malabarismo que foi na hora de retirar o pneu furado.
Além de estar escuro, devido a falta de energia e de carros na estrada, a chuva dificultava ainda mais a minha tentativa quase falha de enxergar algo.
Quando finalmente troquei o pneu e resolvi voltar para o lugar mais seguro no momento, que era meu carro, devo ressaltar, surpreendo-me ao ver uma figura feminina sentada na areia em meio a tempestade.
Penso em ignorar a garota e ir embora, mas algo de mim dizia que eu precisava ajudá-la. Eu não entendia o motivo de tanta curiosidade sobre a loira.
No entanto, antes que eu tivesse a oportunidade de convencer a minha consciência que seria loucura eu ir falar com ela, a garota se vira para mim.
Meu erro foi encarar seus belos olhos verdes. Mesmo vermelhos pelo choro excessivo, seus olhos ainda brilhavam de maneira encantadora. Seus cabelos loiros, bagunçados pelo vento e a chuva, contornavam seu rosto delicado.
A garota tremia e seus lábios estavam roxo, devido ao frio que estava sentindo. E antes que eu percebesse, eu comecei a caminhar em direção a loira.
Ela continuava a me encarar, não entendendo o que eu estava fazendo. Em poucos minutos, eu estava em frente a ela, estendendo uma mão para ajudá-la a levantar.
A loira, desconfiada, aceita a minha ajuda e caminha ao meu lado sem dizer nada, apenas chorando em silêncio. Após chegar ao meu carro, com muita dificuldade, por conta da tempestade, ela entra no lado do passageiro e começa a encarar suas mãos.
– Oi. – digo, tentando puxar algum assunto. – O que estava fazendo em meio a essa tempestade?
– Isso não importa. – fala a garota, revelando sua voz suave. – E geralmente as pessoas se apresentam antes de exigirem respostas.
Ela levanta seu olhar e começa a me encarar, parecendo esperar que eu me apresentasse. Rio divertido por seu comportamento e balanço a cabeça concordando.
– Sou Austin Moon. – respondo, estendendo minha mão em sua direção. – E você? Como se chama?
– Piper. Piper Scott. – diz, pegando em minha mão.
– Tem algum lugar a qual você queira ir, Piper Scott? – pergunto, ligando o carro. – Onde você mora? Se quiser, posso te levar para casa.
Ela ri sem humor. Encaro a garota sem entender o motivo do seu falso riso.
– Muito cedo para querer ir para minha casa, não acha, Austin Moon? – debocha a garota, rindo com ironia.
– Não me entenda mal. – tento me explicar, levantando as minhas mãos em sinal de rendimento e controlando ao máximo a minha vontade de ri. – Eu não vou levar você para cama, se é isso que te preocupa. Só quero te ajudar.
– E por que faria isso? – perguntou desconfiada. – Você nem me conhece. Por que está me ajudando?
– Isso nem mesmo eu sei responder. – digo com sinceridade.
Continuo o caminho até a minha casa, sem dizermos uma só palavra. Piper estava pensativa e encarava a paisagem, sem realmente prestar atenção em alguma coisa.
Quando finalmente estaciono o carro, a garota parece voltar a si. Percebendo que estávamos em frente a uma casa, ela me encara, cobrando explicações pelos belos olhos verde.
– Onde estamos? – pergunta olhando para a casa.
– Em minha casa. – respondo. – Eu prometo não fazer nada com você.
Piper volta a me encarar, mas diferente do que imaginei que ela fosse fazer, a garota deu um belo sorriso de agradecimento e solta algumas lágrimas, em silêncio. Rapidamente, ela limpa seus olhos e respira fundo.
– Obrigada. – agradece, sorrindo aliviada.
Depois daquele momento, passamos a noite nos conhecendo. Ela era engraçada e curiosa. Falava o que vinha a mente, adorava abusar da ironia e o melhor de tudo, ela me completava.”
As lembranças daquele dia ainda estavam vivas em meu peito e em minha mente. Foi durante aquela chuva de verão que conheci o amor pela primeira vez, mas jamais imaginei que dois anos depois eu sofreria tanta decepção.
Resolvo deixar qualquer pensamento ruim de lado. O, antes, fino sereno, agora estava começando a engrossar, ameaçando se transformar, em pouco tempo, em uma forte tempestade e eu ainda não tinha certeza se Ally estaria no restaurante naquele momento.
Surpreendo-me ao visualizar a morena sentada na varanda do Evan’s ao lado de Trish. As duas pareciam entretidas com a conversa que estavam tendo. Aproximo-me, devagar, na intenção de não ser visto e conseguir ouvir a conversa.
– Acredite, os meus sentimentos por ele já diminuíram consideravelmente. Pode passar muitos anos, mas um dia eu irei superar por completo esse amor platônico. – fala Trish sorrindo. – Mas, agora, vamos falar sobre você.
As palavras de Trish me deixam confuso. A quem ela estava se referindo? A latina nunca me contou que já foi apaixonada. Ignoro o assunto e volto a prestar atenção na conversa.
– Falar sobre mim? – pergunta Ally, insegura.
– Sim. Você. – responde Trish, sorrindo maliciosamente. – O que você sente por Austin, afinal?
A surpresa foi inevitável, mas o que mais me surpreendeu foi a minha curiosidade excessiva para saber a resposta da garota. Eu não conseguia entender o porquê de parecer ser tão importante para mim a resposta que Ally iria dá a Trish, no entanto, eu sentia que eu precisava descobrir.
– Não seja boba. – responde Ally, nervosamente. – Austin e eu somos amigos ou nem isso.
– Ally, para de tentar esconder a verdade de mim. Por favor, pode confiar em mim. Eu não vou contar para ninguém. – diz Trish, segurando as mãos da amiga.
– Por que é tão importante para você saber disso? – questiona Ally, desconfiada.
– Porque é a felicidade dos meus amigos que está em jogo. – explica Trish. – Ally, você não vê, mas dependendo de suas escolhas, você será a única capaz de mudar essa situação em que estamos vivendo a cinco anos.
Ally começa a ri, nervosamente, parecendo em dúvida se acreditava ou não nas palavras da latina. Eu estava confuso, mas ao mesmo tempo, sentia que o que Trish estava falando fazia sentido.
– Eu? Não viaja, Trish. Como eu seria capaz de mudar uma situação tão complexa assim, sendo que nem fui capaz de reparar que eu iria me casar com um gay? – pergunta a garota, rindo sem acreditar.
– Ok. Eu tenho que concorda que você foi muito sem noção em não reparar que iria se casar com um gay. – admite Trish, arrancando uma fraca risada da amiga. – Mas, talvez, tudo o que nós estávamos precisando era de alguém para nos mostrar que nunca é tarde para seguir em frente. Você está tentando superar seu passado, Ally, e é isso que nosso grupo de pessoas estranhas e cheias de paranoias precisa para ser feliz. Seguir em frente.
– Não espere muito de mim, Trish. – fala Ally, sorrindo tristemente, enquanto encara a amiga. – Já faz algum tempo que eu nem mesmo sei mais quem eu sou.
– Bem vinda ao nosso mundo estranho, desconhecida. – diz Trish, levantando e dando um beijo na cabeça da amiga. – Eu confio em você.
Após dizer isso, Trish começa a ir à direção contrária em que eu estava, para minha sorte. Continuo encarando Ally, sem saber se devo ou não aparecer para a garota.
– Droga, está chovendo. – reclama a garota, nervosamente, ajeitando a bolsa em seu braço, parecendo se preparar para ir embora correndo.
– Ally. – chamo, antes que a mesma se arriscasse em correr em meio a tempestade sozinha.
– Austin? O que faz aqui? – pergunta surpresa.
– Eu trouxe um guarda-chuva. – digo, mostrando o objeto. – Quer companhia para voltar para casa?
Ally me encara ainda mais surpresa. Seus olhos ficaram distantes por alguns instantes e demonstravam uma dor intensa. Ela fecha os olhos com força e aperta os punhos, parecendo controlar as lágrimas que ameaçavam descer. Ela não demora a descer as escadas e a se colocar ao meu lado, embaixo do guarda-chuva que eu havia acabado de abrir.
– Por que não? – responde, sorrindo agradecida.
Iniciamos nossa caminhada em silêncio. A cada instante que se passava, a chuva aumentava, parecendo preocupar a mulher. A recente reação de Ally no instante em que eu mostrei o guarda-chuva me incomodava, mas não tive coragem de perguntar.
Infelizmente, no meio do caminho, a chuva estava forte demais para nosso guarda-chuva aguentar e o mesmo acabou se quebrando. Como pessoas supernormais que somos, Ally e eu começamos a ri e corremos com rapidez e sem parar até chegar a casa de Cassidy.
Ally abriu a porta da casa e me deu passagem para entrar, enquanto riamos de nossa loucura. O sorriso de Ally me fazia bem e tudo o que eu mais desejava fazer, naquele momento, era ficar encarando-o até me cansar.
– O que foi? – pergunta a garota, recuperando o ar, enquanto tentava controlar o riso. – Por que está me encarando?
– Não é nada. – respondo, rindo.
– Deus, eu devo está horrível. Meu cabelo está todo bagunçado e a minha maquiagem deve está toda borrada, além de que eu estou toda suja. – fala rindo, enquanto tentava arrumar o cabelo.
Ela estava certa. Seu cabelo estava todo bagunçado e cheio de nós, sua maquiagem borrada na área dos olhos e suas roupas molhadas, estavam sujas de lama, mas, por algum motivo, ela continuava linda aos meus olhos.
– Não acho que esteja horrível. – digo com sinceridade, enquanto tento disfarçar com um sorriso discreto, o meu encanto pela mulher a minha frente.
– Realmente, eu estou bem pior do que horrível. – comenta rindo, enquanto se encara no espelho. – Eu vou pegar uma toalha para você e ver se Cassy está em casa. – avisa, andando em direção aos quarto das casa. – Cassy! – grita, mas não obtém nenhuma resposta.
Enquanto a garota continua a chamar pela amiga, analiso a casa, tentando trazer minha sanidade de volta ao que era antes. O celular de Ally começa a tocar e logo o barulho se encerra.
A morena volta para a sala com uma toalha na mão e a outra a rodeando, enquanto fala ao telefone com alguém que eu não soube identificar e nem fiz questão de prestar atenção na conversar para descobrir quem é.
Quando termina a ligação, Ally me encara com tristeza. Preocupo-me no mesmo momento. Ela me entrega a toalha e coloca o celular sobre a mesa de centro da sala de estar.
– O que houve? – pergunto preocupado, enquanto me aproximo da garota.
– Nada demais. – fala sorrindo sem graça. – Cassy está na casa de Dallas. A chuva está forte demais para eles saírem, então ela vai passar a noite lá.
Não consigo evitar sorri satisfeito com a noticia. Talvez, essa poderia ser a chance de Dallas dizer a Cassidy toda a verdade, mas conhecendo meu amigo como conheço, sei bem que ele continuará calado.
– E por que está tão triste? – pergunto, voltando a dar atenção a garota a minha frente.
– Eu não estou triste. – diz Ally, cruzando os braços.
– E o que há de errado então? – questiono, vendo a mesma suspirar frustrada.
– Não é... – antes que Ally completasse sua afirmação, um forte trovão corta o céu, fazendo um enorme barulho. A garota grita e me abraça, de repente, tremendo.
– Ally? – pergunto assustado.
A garota me apertava com força e as lágrimas desciam pela sua bela face. Ally tremia assustada e logo eu entendi o motivo de sua preocupação, ela estava com medo.
– Ally? – volto a chamar, enquanto acaricio sua cabeça, tentando acalmá-la. – Está tudo bem.
Parecendo perceber o que estava fazendo, a garota se afasta de mim, surpresa pelo que havia feito. As lágrimas ainda caiam com intensidade e ela encarava a janela da sala assustada.
– Desculpa. – fala, respirando com dificuldade. – Sei que é infantil, mas tenho medo de trovões. – explica envergonhada.
– Por que tem medo de trovões? – pergunto, aproximando-me da garota.
– Quando eu tinha quatro anos, em um dia chuvoso como esse, meus pais tiveram que ir resolver alguns problemas e eu fiquei em casa com a babá. A mulher me deixou sozinha em casa e foi a padaria para comprar algo para fazer meu lanche. O problema foi que a chuva piorou e se tornou uma forte tempestade. A energia acabou e os trovões faziam um barulho assustador. – conta a garota, chorando ainda mais. – Desde aquele dia, eu passei a ter medo de trovões e sempre que tem uma tempestade, eu tenho medo de ficar sozinha.
Um clarão ilumina a casa e logo outro trovão rasga o céu. Ally se encolhe assustada. Ela tremia e chorava com temor evidente em seus olhos. Ally coloca a mão sobre o ouvido e começa a se balançar, como uma criança indefesa e aquilo me parte o coração. Abraço a garota, sentindo uma imensa vontade de afastar qualquer pavor que ela estivesse sentindo.
Vendo que a mesma continuava apavorada pela tempestade, abaixo meu rosto e toco meus lábios de leve sobre os da garota, assustando-a com minha atitude.
– Shiiu... – sussurro no canto dos lábios dela. Minha mão escorrega em direção à sua nuca e meus dedos se emaranharam em seus cabelos. Dou alguns beijos suaves em seu rosto, têmpora e sobrancelha. – Não chore mais, Ally.
Ela me encarava, parecendo duvidar que conseguiria, mesmo se quisesse. Enquanto a chuva caia com intensidade no lado de fora de casa, a garota começa a se acalmar um pouco, mas ainda era possível ver a sua angústia. Beijo seu nariz e, então, aproximo-me de seus lábios, mais uma vez, sussurrando em seguida:
– Você precisa pensar em outra coisa. — Puxo a cabeça de Ally, levemente para trás e a mesma entreabre os lábios. – Não precisa ter medo. Eu estou aqui.
Ally fica na ponta dos pés e me beijou com desejo. Os lábios entreabertos pressionaram suavemente os meus. O sabor morango de seus lábios despertavam sensações indescritíveis em mim. A língua tocava, serpenteava e provocava. Ela passou os dedos pelo meu cabelo, enquanto eu a apertava ainda mais contra mim. Um desejo intenso tomou conta de todo o meu corpo, quase me fazendo perder o controle.
Afasto-me da garota para fitá-la diretamente no rosto. Os lábios dela brilhavam, a respiração levemente irregular. Ally já não chorava mais e ela parecia não lembrar mais da intensa tempestade que caia em Miami.
Encaro seus cabelos molhados e bagunçados, cor de chocolate, que emolduram seu rosto delicado. A claridade dos raios e trovões que iluminava a sala, fazia os cabelos brilharem com intensidade. Eu sabia que deveria me afastar. Apenas me virar e ficar longe da garota, enquanto minha sanidade permitia que eu não a atacasse. Porém, cometi o erro de voltar a olhar em seus olhos castanhos.
O desejo que me consumia era tão intenso quanto o que brilhava nos olhos da morena. A vontade que eu sentia de possuí-la fazia meu corpo arrepiar em ansiedade.
Coloco uma mão na nuca de Ally e inclino a cabeça dela para o lado e a beijo longamente. Enquanto minha boca se deleitava com a dela, começamos a andar para trás, até cairmos no sofá. Eu continuava a beijá-la pelo rosto e pelo queixo. Meus lábios percorriam seu pescoço e decido afastar seus cabelos, que desciam pelas costas. Ally exalava um aroma de flores e tinha a pele quente e macia. Ao levantar sua blusa, eu senti Ally enrijecer-se. Digo a mim mesmo que devo parar. Afasto-me um pouco da morena e encaro seus belos olhos.
– O que estamos fazendo? – sussurra Ally, encarando meus olhos com luxúria. – Isso é loucura.
– Eu sei. – afirmo, colocando uma mecha do seu cabelo atrás de sua orelha.
– Austin... – murmura Ally, como se não soubesse o que fazer. Encaro seus lábios e sinto vontade de tomá-los para mim, mais uma vez. Eu sei que devo parar, mas meu corpo não obedece minha mente. Eu a queria e eu não conseguia mais negar isso.
– Eu desejo você, Ally. – confesso, surpreendo a garota. – Eu a quero, Ally. Aqui e agora.
✻
Continua...
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