Obsession
6 Capítulo 5 - Attraction...
Notas iniciais
21 de Abril de 2013 – Miami
POV Ally
Os primeiros raios de sol começavam a apontar quando eu terminei de preparar os pães e bolos para o café da manhã no Evan’s. Suspiro cansada, não evitando levar o braço em direção a testa e limpar um pouco do suor que havia no local.
Olho para o relógio do silencioso estabelecimento e percebo que ainda é bem cedo. Lavo as mãos e resolvo descansar um pouco, enquanto espero a primeira fornada do dia sair.
Saio do restaurante e observo o mar agitado de Miami. O Sol estava nascendo, deixando a paisagem ainda mais bonita. O vento gélido do amanhecer roçava em meu rosto, como se acariciasse minha pele.
Sento-me na calçada e fecho os olhos. A sensação de angústia volta a tomar conta de mim. Eu ainda não havia me encontrado com Cassy e não sabia se deveria contar ou não sobre o que aconteceu entre Austin e eu na noite anterior.
E as lembranças retornam de maneira assustadora. De alguma forma, eu ainda sentia o leve formigamento de ter seus lábios sobre os meus e sua mão segurando com firmeza a minha nuca. Odiava admitir, mas eu havia gostado e muito do beijo de Austin.
Levo a mão a boca e dou um longo suspiro. Massageio as têmporas cansada de pensar, sentindo os sinais da futura dor de cabeça se manifestar.
Resolvo voltar aos meus afazeres. Ainda que fosse quase seis horas da manhã de um domingo, eu precisava fazer muitas coisas e o tempo não estava a meu favor.
– Bom dia. – ouça a voz de Prince vindo da entrada do restaurante, assim que eu havia chegado na porta da cozinha do Evan's e não consigo evitar o susto.
– Bom dia. – digo, recuperando-me do susto. Reparo, então, que o homem não estava sozinho. Junto a ele, havia uma mulher que segurava uma recém-nascida. – Você deve ser a Manu. – supus, sorrindo, enquanto me aproximava.
– Sim. – responde Manu, de maneira calorosa. – E você deve ser Ally, não é mesmo? – ao ver que eu havia confirmado, ela sorri gentil e continua: — Eu ouvi falar muito sobre você.
– Mesmo? – pergunto surpresa.
Prince pega a bebê do colo da esposa e a mulher aproveita para se sentar em uma das mesas do local. Ela faz sinal para que eu repetisse sua ação. Prince sai com a criança, deixando Manu e eu à sós.
– Sim. – diz, rindo. – E as conversas sobre você se resumiram em noiva demoníaca, uma excelente chefe de cozinha e uma bela mulher.
– Pelo visto, eu serei conhecida para sempre como a noiva demoníaca. – digo, fingindo tristeza. Mas logo volto a sorri. – É um enorme prazer conhecer a mulher mais amada da cidade.
– Mais amada da cidade? – questiona, rindo de minha fala. – Não se engane, querida, eles só estão interessados em minhas habilidades culinárias.
– Manu. – chama Prince, enquanto se aproxima de nós com um carrinho. – Eu preciso ir para o Sea’s. Tem certeza que quer ficar aqui?
– Não se preocupe. Eu estou bem e tenho certeza que Diana amou a ideia de dá um passeio. – responde Manu. O marido da morena olha desconfiado para a esposa.
– Tudo bem. – fala Prince, dando-se por vencido. Ele beija a testa da filha, que dormia, tranquilamente, dentro do carrinho e se aproxima de sua esposa. Eles selam os lábios com doçura e, após se separarem, o homem beija a testa de Manu. – Eu te amo.
– Eu também te amo. – diz Manu, sorrindo com carinho.
– Até mais tarde, Ally. – acena Prince, enquanto caminha para a saída. Aceno de volta e o observo até que não seja mais possível ver seus traços.
– O restaurante está ótimo. – comenta Manu, chamando a minha atenção, enquanto analisa o lugar com carinho. – Muito obrigada por ter me substituído, Ally.
Olho nos olhos castanhos da bela mulher e vejo um brilho de sinceridade estampado. Sorrio feliz por saber que estava sendo tão bem aceita por Manu.
– Obrigada por ter me dado a oportunidade de trabalhar no Evan’s. – digo, sorrindo. Encaro minhas mãos e suspiro baixo. – No entanto, eu não poderei ficar pelos três meses.
Ela me olha com seriedade, mas não aparentava surpresa. Seus olhos pareciam ver minha alma e aquilo me assustou um pouco. Após algum tempo me encarando, Manu sorri, como se não acreditasse em minhas palavras e suspira.
– Mesmo? É uma pena que pense assim. – fala, divagando. – Tenho a impressão que não será assim.
– Por que diz isso? – pergunto, confusa.
– Apenas intuição. – diz gentilmente. – No entanto, espero que possa aproveitar o tempo que está aqui para dá mais uma chance para o amor, querida Ally.
– Oh, não. Esqueceu-se do desastre que ocorreu recentemente? – digo, fazendo cara de aterrorizada. – Acredite. Eu estou muito bem sozinha e pretendo ficar assim por muito, muito tempo.
– Se você diz... – fala sem acreditar no que eu dizia.
Após nossa rápida conversa, eu voltei para cozinha, coloquei as formas com os pães e bolos que restavam para assar e, cerca de uma hora depois, tudo já estava pronto. Quando voltei para a mesa, Manu e eu continuamos conversando.
Conforme o tempo passava, mais eu percebia o quanto ela é uma mulher incrível. Descobrir que ela e Prince se conheceram no Canadá e ele se apaixonou a primeira vista por ela. Infelizmente, para ele, na época, Manu estava namorando com outra pessoa e eles só se tornaram amigos.
– Mas como vocês ficaram juntos? – pergunto curiosa. – Quer dizer, você estava namorando a muito tempo com outra pessoa, não é mesmo?
– Eu cheguei a me casar com essa pessoa. – ela fala de maneira nostálgica. Percebendo minha cara de espanto, ela ri com graça. – Eu nunca imaginei que ficaria com Prince.
– Você já se casou? – a minha surpresa era tanta que eu não conseguia esconder. – O que te levou a se separar dele?
– Não nos separamos. – vejo a melancolia passar em seus olhos. Percebendo a minha confusão, Manu dá um sorriso triste. – Ele morreu, enquanto fazia uma de suas viagens com os amigos no mar.
– Sinto muito, Manu. Eu não deveria ter perguntando. – eu estava me sentindo muito culpada por ter a feito lembrar de um assunto tão delicado. – Eu sinto muito mesmo, Ally.
– Seu nome era Victor. Nós nos conhecemos quando eu fui fazer intercâmbio em Montreal. Eu me apaixonei tanto pela cidade que acabei decidindo morar lá. – fala sorrindo.
– Vocês se apaixonaram a primeira vista? – pergunto, escondendo o sorriso irônico. Não que eu não acredite no amor ou algo assim, mas é impossível você amar uma pessoa por completo sem nem a conhecer. É como dizer que ama ou odeia algo sem antes provar.
– Não. – diz, gargalhando em seguida. – Muito pelo contrário. Nós nos odiamos a primeira vista.
– Como assim? – pergunto, rindo de sua reação.
– Victor era um idiota. – comenta, parando de ri, mas ainda havia um tom cômico em sua voz. – Acredita que ele derramou café em cima de mim na primeira vez que nos vimos? Eu vestia um vestido branco e não havia nenhuma roupa para trocar. Eu, com o meu gênio maravilhoso, fiquei louca da vida. A minha vontade era de esganá-lo, porque eu ia para uma entrevista de emprego.
– Mentira. – falo, sem acreditar. Começo a ri, enquanto a mulher fazia careta de raiva ao se lembrar da cena.
– Bem, ele e eu começamos a discutir no meio da rua e juramos ódio eterno. De qualquer forma, isso piorou ainda mais quando eu descobrir que ele era irmão mais novo do meu chefe. Vivíamos em pé de guerra no restaurante. – diz, rindo. Ela olha para a filha que dormia tranquila em seu carrinho e continua a história: — Não demorou muito para que do ódio passasse para admiração e, por fim, amor. Por mais idiota que Victor fosse, ele era trabalhador e dedicado. Não desistia fácil e era honesto. E talvez tenha sido isso que tenha feito meu coração bater mais forte por ele. Um pouco mais de um ano após o nosso encontro, começamos a namorar e seis meses se passaram até que ele me pedisse em casamento. Eu quase surtei, pois achava que ainda estava cedo para nos casar. Entretanto, quando Victor colocava algo em sua cabeça de vento, era impossível desistir. Dei-me por vencida alguns dias após o pedido.
Suspiro, sentindo um pouco da dor de Manu. Ela descrevia sua história com tanto carinho e sentimento, que até mesmo eu, acabei me comovendo por Victor.
– Como Prince entrou nessa? – perguntei, curiosa, mesmo sabendo que podia estar ultrapassando meus limites de perguntas pessoais.
– Como você sabe, Prince e eu nos conhecemos quando eu ainda era namorada de Victor. Os dois se deram tão bem, que se tornaram melhores amigos em semanas. E nisso, Prince acabou se tornando nosso padrinho de casamento. – explica, rindo. Olho assustada para Manu e ela ri ainda mais com isso. – Eu sei. Surpreendente, não? Mesmo estando apaixonado por mim, Prince jamais desrespeitou o meu relacionamento com Victor e nunca tentou se colocar em nosso caminho. Quando Victor morreu, Prince foi o melhor ombro amigo que eu poderia ter tido. Ficou do meu lado e nunca se aproveitou da minha fragilidade emocional. Ele era o que mais sofria com a história, mas permaneceu forte para que eu pudesse seguir em frente.
– Prince realmente te amava. – comento, encantada pelas palavras de Manu.
– Prince pode ter todos os defeitos do mundo, mas ele é o homem mais integro que eu conheço. – explica, deixando uma lágrima cair, mas logo a limpa. Ela sorri e vejo seus olhos brilhar em felicidade. – Eu aprendi a amar de novo, Ally. E você também pode amar novamente. Você ainda é tão jovem. Não desista.
Manu coloca sua mão em meu rosto, como minha mãe sempre fazia comigo quando eu era criança e sorriu compreensiva. Coloco a minha mão por cima da sua e sorrio, agradecida pelo gesto.
– Obrigada, Manu. – falo com sinceridade. – Mas duvido que eu volte a amar alguém.
– Ally, eu encontrei alguém que foi capaz de colar os cacos de meu coração. Até mesmo eu, alguém que já havia formado uma família e achado o amor, consegui seguir em frente, então, você também pode. – diz, olhando em meus olhos. – Por mais que esteja machucada e seu coração esteja partido, ainda existe alguém que será capaz de amá-la tanto ao ponto de colar cada caquinho solto.
– Como, Manu? – digo, com a voz embargada, ameaçando deixar lágrimas caírem de meus olhos. – Como você conseguiu esquecer Victor? Como você conseguiu fazer com que a dor desaparecesse?
Manu sorri tristemente e suspira pesado, como se entendesse o que eu estava passando. De alguma forma, eu não conseguia controlar as lágrimas que desciam por meu rosto. As lembranças dos momentos com Gavin voltavam dolorosamente, fazendo meu peito se comprimir em tristeza.
– Eu nunca superei ou deixei de amar Victor, Ally. – confessa, surpreendendo-me. – Victor foi e sempre será uma parte preciosa de minha vida. A dor ainda existe dentro de mim, mas, agora, eu tenho algumas coisas que me deixaram mais forte. Que foram capazes de me fazer enxergar que, ainda que Victor seja especial para mim, eu posso ser feliz e amar com intensidade ainda maior.
– Que coisas são essas? – pergunto, soluçando um pouco.
Manu sorri radiante e pega a filha do carrinho. Ela acaricia o rosto da linda bebê e a mesma sorri de maneira tão fofa que foi impossível não sorri também. A morena beija a testa de Diana e me olha com doçura.
– O amor de mãe e esposa. – explica, sorrindo apaixonada. – Prince e eu nos amamos tanto que Diana é a nossa maior prova disso. Eu não vou te dizer que você esquecerá Gavin, Ally, porque eu estaria mentindo, mas você vai amar alguém tão incondicionalmente que quando você menos esperar, esse alguém se tornou seu mundo e seu ponto de equilíbrio. Assim como Prince é o amor de minha vida. O seu cara ainda está por vir e te fará sentir coisas que jamais imaginou que fosse possível sentir.
[...]
Após minha emocionante conversa com Manu, a morena teve que ir para casa, pois estava cansada e havia saído recentemente do hospital, além disso, a doce Diana precisava de um descanso também.
Confesso que me senti muito mais leve depois que conversei com a esposa de Prince. Ela havia agido de maneira tão carinhosa e compreensiva comigo, que, por um tempo, era como se eu estivesse conversando com minha mãe.
O movimento do Evan’s estava tranquilo comparado ao dia anterior ou talvez fosse só a calmaria antes da chuva, afinal, ainda eram nove horas da manhã.
Para minha sorte, nem Cassidy tampouco Austin apareceram por aqui. Não que fosse da minha natureza fugir de assuntos pendentes, mas após tantas emoções em uma manhã só, eu precisava repor as minhas energias mentais.
Com a calmaria, acabei conseguindo descansar um pouco lá fora. Por mais que amasse passar o dia enfurnada dentro de uma cozinha, havia momentos em que eu precisava sentir os raios solares sobre mim.
E, enquanto observava o mar, consegui ver um ruivo saindo do mar com uma prancha correndo em minha direção. Não demorei a notar que era Dez. Sorri pela animação do rapaz e pelo esforço de correr e segurar a prancha.
– Bom dia, Ally. – cumprimenta-me, sorrindo, assim que consegue chegar ao meu encontro.
– Bom dia, Dez. – respondo, sorrindo, enquanto cruzo os braços. – Não sabia que surfava. – comento, observando ele colocar a prancha ao seu lado na areia.
– É, eu surfo. – fala, como se fosse algo para se gabar. – Em todo verão, eu costumo acordar cedo e pegar algumas ondas.
– Ah, é mesmo? – pergunto, divertindo-me com a maneira como ele falava. Estava claro que ele estava mentindo.
– Com certeza. – afirma, dando uma piscadela.
– Certo. – digo, segurando o riso ao notar um detalhe na prancha de Dez. – Mas, sabe, Dez, acho que antes de surfar, você deve retirar a película que protege a prancha.
Quando termino de dizer isso, o garoto olha assustado para a prancha e arregala os olhos. Seu rosto fica um pouco vermelho, o que me fez ri. Ele para de segurar a prancha e coça a cabeça sem graça e começa a ri.
– Pelo visto você me pegou. – fala, fazendo com que eu risse ainda mais. – Tudo bem. Não se pode ganhar todas, não é mesmo?
– Eu diria que foi uma boa tentativa. – digo, divertida. Ele sorri animado.
– Então quer dizer que tenho chances de ter um encontro com você? – pergunta esperançoso.
Olho para Dez e finjo pensar por um momento. Ele me olhava desconfiado e sorria radiantemente. Por fim, vejo que já havia feito suspense demais.
– Eu disse que tinha sido uma boa tentativa, não que você havia me conquistado. – respondo, sorrindo.
Dez faz uma expressão de falsa ofensa e depois muda para a de triste, mas logo volta a sorri com determinação. Bagunço seu cabelo avermelhado e sorrio, por ao menos uma vez na vida, mesmo estando na parte mais alta da escada que leva a entrada do restaurante, eu estava mais alta que alguém.
– Bem, eu não irei desistir. – diz, dando uma piscadela e sorri divertido em seguida. – Você vai ver que é impossível não cair nos braços desse ruivo gostoso.
– Quanta modéstia, Dez. – fala Kira, aproximando-se de nós. – Em plena manhã de domingo você já está importunando a pobre da Ally? – Kira me abraça com carinho, sorri simpática e se afasta de mim antes de continuar: – Bom dia Ally.
Antes que eu tivesse a chance de ver quem estava acompanhando Kira ou responder a garota, um raio loiro e animado joga-se sobre mim, quase me fazendo cair pela surpresa. Constato, então, que não era ninguém menos que Cassidy.
– Bom dia, Ally! – grita animada, enquanto me abraça.
– Bom dia Cassy. – digo, rindo, retribuindo ao abraço da garota.
Ela, então, solta-se de mim e sorri, parecendo feliz por me ver. O sentimento de culpa volta a me preencher e não consigo encarar seus olhos por muito tempo.
Além de Kira e Cassidy, todos os outros do grupo estavam reunidos, inclusive Austin que parecia sem graça por estar ali. Vejo Elliot se aproximar de mim, após uma rápida conversa com Dez.
– Bom dia Ally. – fala o moreno, abraçando-me animado.
– Olá Elliot. – digo sorrindo.
Abraço Dallas e o cumprimento animada, mas logo a descontração acaba quando percebo que o único que eu ainda não havia cumprimentado era Austin. Nossos olhos se encontram, como ímãs que se atraem e as imagens da noite anterior revive dentro de nós. Infelizmente, o clima estranho foi notado pelos outros.
– Vocês estão bem? – pergunta Dallas, desconfiado.
– Sim. – responde Austin, desviando o olhar de mim para responder ao amigo. – Não aconteceu nada.
– Está sim. – digo, sorrindo sem graça. Os amigos de Austin parecem não acreditar muito em nossas palavras, por isso, resolvo continuar: – Eu apenas estava lembrando que não agradeci a Austin pela ajuda de ontem.
– No que ele te ajudou ontem? – questiona Cassidy.
Dou uma rápida olhada para Austin e percebo que ele exibia um misto de surpresa e dúvida ao me encarar. Volto a olhar os olhos de Cassidy e analiso toda a doçura que eles emanavam.
– Eu consegui jogar fora o anel que havia ganhado de Gavin. – digo e vejo Cassidy me encarar de maneira orgulhosa e animada. – Mas isso não importa muito.
– Não importa? – diz Cassidy, incrédula. – Isso é incrível, Ally! Eu estou muito orgulhosa de você!
– Bem, eu preciso voltar para a cozinha. – falo, tentando evitar falar muito sobre o momento em que eu joguei o anel fora. – Fiquem a vontade.
Não demoro a retornar a cozinha. Eu precisava preparar as bebidas matinais e alguns pratos dos clientes que haviam chegado. E agradeci pelo movimento do Evan’s ter aumentado durante esse tempo.
E assim o dia foi passando. Não tive muita oportunidade de ir observar como estava o restaurante, mas com a grande quantidade de pedido, supus que devia estar uma confusão.
Ao fim do dia, eu estava exausta e desejava fortemente a minha cama. No entanto, antes de ir para casa, eu precisava arrumar a bagunça que o restaurante havia se tornado, o que demorou cerca de uma hora.
Saio do lugar, fechando a loja e não consigo evitar o grito quando sou surpreendida por Austin, que estava me esperando do lado de fora. Encaro o garoto, assustada, controlando-me ao máximo para não lhe chutar tão dolorosamente quanto no dia do casamento.
– Calma. – diz, fazendo sinal de redinção. – Sou só eu.
– O que você está fazendo aqui? – pergunto, recuperando-me do susto.
– Kira e Elliot estão chamando você para ir no Sea’s. Aparentemente, eles tem uma novidade para nos contar e quer que você esteja presente. – explica.
– Era só você ter me ligado. – digo, começando a andar, tentando ao máximo ignorar sua presença. Eu anda estava chateada e com meu ego ferido, devo admitir, pelo papel prestado por Austin em nossos últimos encontros.
– Eu sei. – fala, correndo para me alcançar. – Mas... Eu queria conversar com você.
– Ah, então agora você quer conversar? Tem certeza que não vai fugir? – perguntei irônica, apressando os passos.
– Eu sinto muito, Ally. Sei que eu agi feito um idiota, mas eu não sabia o que pensar. – confessa, com o olhar triste.
Paro de andar e suspiro cansada. Passo a mão pelo meu rosto e respiro fundo antes de encará-lo novamente. Eu sentia seus olhos cravados sobre mim, esperando alguma resposta.
– Olha, Austin, você não era o único confuso. – digo, cansada.
– Sinto muito. – volta a repeti. – Eu... Eu ainda amo Piper e quando eu beijei você...
– Vamos ser realistas, está bem? – corto sua fala confusa, o mais gentil possível. – Você ama Piper e eu amo Gavin. O que aconteceu ontem foi apenas... Atração? — Ele me encara pensativo. Ele suspira, parecendo concordar comigo.
– Bem... Sim. – diz, enquanto caminhávamos.
– Então vamos colocar um ponto final nesse assunto. — digo, sorrindo forçadamente. — Só estou preocupada com Cassidy. – admito, lembrando-me da loira.
– O que tem ela? – pergunta Austin, confuso.
– Como assim “o que tem ela”? Austin, ela é apaixonada por você a anos. Se ela souber o que aconteceu, ficará arrasada. – explico, sentindo a culpa se tornar ainda maior.
– Ela não me ama. – fala, sorrindo triste. – Apenas acha isso.
– Você só pode ser louco. Ela tem esperado por você faz dez anos. Como pode dizer que ela não o ama? – pergunto, incrédula e indignada.
– Ainda não é momento para falar sobre isso, Ally. – fala, dando o assunto por encerrado.
– Bem, não importa. – digo, atraindo a atenção de Austin. – A partir de hoje, devemos nos afastar o máximo possível para não machucarmos Cassidy e nem a nós mesmos.
Austin me encara surpreso. Ele suspira alto e balança a cabeça, concordando com a minha sentença final. Não dissemos mais nada depois daquilo.
Seguimos o caminho até Sea’s em completo silêncio. Por sorte, o bar não era longe do restaurante, então não precisamos ficar naquele clima estranho por muito tempo.
Assim que abrimos a porta do bar, o barulho preencheu meus ouvidos. A gritaria vinda de dentro, demonstrava a animação do local. Em meio a tantas vozes, Dez, Elliot e Cassidy eram os que mais se destacavam nos escândalos.
– Chegaram! – grita Dez, correndo em nossa direção com uma lata de cerveja na mão. O garoto me abraça com força e sorri animado. – Que bom que você veio, Ally.
– Vim incomodar vocês um pouquinho. – brinco, enquanto sento a mesa junto com os outros. – Boa noite a todos.
– Finalmente vocês chegaram! – diz Kira, sorrindo. – Eu estava a ponto de enfartar com a insistência de Dez e Cassidy em quere saber o anuncio que Elliot e eu temos a fazer.
– Não era só você que estava indo a loucura, Kira. – reclama Dallas. – Esses escandalosos não conseguem conversar em tom normal.
– Você só sabe reclamar, Dallas. – diz Cassidy, dando língua para o amigo. O moreno revira os olhos em resposta da infantilidade da loira. – Isso não é nada legal.
– ‘Tá. Tanto faz! – grita Dez, animado. – O que vocês têm para nos dizer?
Prince chega até nós com uma taça de vinho e um copo com chope e entrega o primeiro a mim e o outro a Austin. Ela sorri, como forma de cumprimento e volta a trabalhar. O bar estava lotado e ele precisava se virar em muitos para atender a todos.
– Bom, já que todos estão aqui, acho que já podemos dizer, querida. – fala Elliot, sorrindo para a namorada.
– Nós vamos nos casar. – anuncia Kira, enquanto pega na mão de Elliot e sorri feliz.
A animação de todos foi inevitável. Dez, Dallas, Cassidy e Austin não paravam de fazer pergunta aos noivos. Sorrio ao ver o quanto os seis são amigos. Isso fez com que a saudade de Nova York falasse alto.
– Isso não é tudo. – continua Elliot. – Nós queremos que vocês sejam nossos padrinhos.
– Incrível! – fala Austin, feliz.
– Quais serão os pares? – diz Cassidy, ansiosa.
– Nós ainda estamos analisando, porque querendo ou não, existem poucas mulheres para muitos homens. – brinca Kira. – Mas, se Ally aceitar o meu convite de ser madrinha de casamento, todos os casais estarão completos.
– Eu? – pergunto surpresa. – Vocês têm certeza disso? Pode haver alguma amiga mais intima que vocês queiram no meu lugar.
– Queremos que você seja nossa madrinha de casamento, Ally. – afirma Elliot. – Você já faz parte do nosso grupo de amigos íntimos.
– Bem, se for assim, eu aceito. – concordo, feliz.
– Agora que Ally concordou, quais serão os pares? – pergunta Dez, animado.
– O primeiro casal será Prince e Manu, afina, eles foram os principais incentivadores de nosso romance. – fala Kira. A morena olha para o namorado e ele sorri e aperta a mão da noiva. – Por fim, após muitas discussões e debates, Elliot e eu decidimos que Dez fará par com minha prima Trish, Dallas com Cassidy e Austin com Ally.
– O que? – a surpresa de todos foi inevitável.
– Austin e Ally? – questiona Cassidy.
– Sim. – afirma Kira, decidida. – Austin e Ally serão um dos pares de padrinhos de nosso casamento.
Austin e eu nos olhamos, ainda sem acreditar naquela verdade. Eu havia decidido me afastar de Austin e de repente aparece a notícia de que seriamos um dos casais de padrinhos do casamento? Ótimo, isso era tudo que eu precisava.
✻
Continua...
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