Obsession
5 Capítulo 4 - Insane...
Notas iniciais
20 de Abril de 2013 – Miami
POV Austin
“– Austin! – diz Piper, surpresa, sorrindo encantada. – Ficou lindo.
Analiso as feições de minha namorada, encarando o grande outdoor do centro da cidade, onde exibia uma propaganda com a foto da loira. A satisfação que sinto ao ver a alegria dela, é inexplicável.
– Você realmente gostou? – pergunto, abraçando a garota por trás.
– Eu amei. – fala, com os olhos brilhando em pura felicidade. — Você precisa cumprimentar esse outdoor toda vez que passar por aqui.
– O que? – digo, surpreso. Rio, estranhando o pedido insano de Piper. – Você só pode estar brincando.
– Vamos, Austin! Você não pode passar por um outdoor tão incrível como esse e não dizer nada. – reclama a garota, cruzando os braços. – Imagine que você está falando comigo.
– Falando com você? – repito, rindo. – Para que eu falaria com um outdoor, se eu tenho você aqui, pertinho de mim?
Abraço mais forte a loira e beijo a sua nuca. Ela estremece com o toque e solta uma risada baixa. Piper vira-se para mim, coloca seus braços em volta do meu pescoço e me encara com diversão.
– Você é sempre tão sem graça. – diz, sorrindo como uma criança sapeca. – Qual o problema nisso? Vai ser como nosso ritual. Caso eu não esteja por perto, o outdoor vai me substituir. Falar com a minha foto não vai ser tão estranho assim.
– Por que eu ainda insisto em fazer tudo que você me pede? – pergunto, dando um rápido selo em seus lábios.
– Porque você me ama. – ela ri e me beija com carinho. A sensação de sentir seus lábios sobre os meus é maravilhosa. Eu não me importaria de viver para sempre ao lado da loira.
– É, eu realmente te amo. – afirmo. – E, não se preocupe, não importa o que aconteça, toda vez que eu passar de frente a sua foto, eu a cumprimentarei.”
Acordo assustado e percebo que tudo não passou de um sonho. A minha última lembrança de Piper que insiste em assombrar-me todas as noites desde que a mulher que mais amei em minha vida foi embora.
Observo o teto do meu quarto e tento acalmar a minha respiração. Meus batimentos cardíacos estavam acelerados e a saudade gritava dentro de mim.
Após algum tempo, o dia amanhece. Percebo que hoje é o dia em que eu mais esperei desde o ano passado. A abertura do Evan’s e o início da temporada de verão.
Arrumo-me, animado, tentando deixar qualquer pensamento ruim de lado. Decido ir tomar meu café da manhã no Evan’s. Saio da casa de bicicleta, disposto a distrair a minha mente das lembranças e da saudade de Piper.
Enquanto sigo o meu caminho de rotina, sou surpreendido pela presença de Ally e Cassidy de frente ao outdoor onde possui a foto de Piper. Elas a encaravam e conversavam sem dá muita importância ao que acontecia ao seu redor.
Aproximo-me, devagar, tentando ouvir o que as duas conversavam, mas, infelizmente, sou notado antes que tivesse a oportunidade de ouvir qualquer fala.
– Bom dia, Austin. – cumprimenta Ally, chamando a atenção de Cassidy, que sorri ao me ver.
– Bom dia Aus. – fala a loira, animada.
– Bom dia. – respondo, desconfiado, descendo da bicicleta e a colocando encostada em uma placa próxima de nós. – O que vocês estão fazendo aqui? Você não deveria estar no Evan’s, Ally?
– Eu estou em meu horário de descanso. – fala Ally, erguendo uma sobrancelha. – Por que você está falando como se eu estivesse cometendo um crime?
– Eu não estou falando assim. – afirmo. – Eu só estou surpreso de vê-las aqui.
– Prince disse para Ally descansar um pouco, antes da abertura, porque ela está trabalhando desde as quatro da manhã. – explica Cassidy, jogando um braço ao redor do pescoço da morena. – Essa garota é um orgulho.
– Deixa de ser boba, Cassy. – fala Ally, sorrindo.
– Quatro da manhã? – repito surpreso, colocando-me ao lado das garotas, observando a foto de Piper no outdoor. – Não esperava por isso.
– De qualquer forma, eu preciso voltar. – apressa Ally, dando um rápido abraço em Cassidy. A garota sussurra algo no ouvido da loira e ao se afastar, apenas acena em despedida para mim.
– Qual o problema dela? – pergunto, intrigado.
– Ela é divertida. – fala Cassidy, sorrindo.
A loira se senta de frente para o outdoor e volta a encarar a imagem. Sento-me ao lado dela e permanecemos calados por algum tempo. Isso se tornou um costume desde que Piper foi embora sem dizer nada.
– Sobre o que vocês estavam conversando? – pergunto, deixando a curiosidade falar mais alto.
– Ela me contou como conheceu o ex-namorado dela. Sabe, ela meio que me lembra você. – diz Cassidy, suspirando cansada. – Ambos sofrem por alguém que não merecia.
– Não começa, Cassy. – peço, um pouco irritado. – Piper ainda vai voltar. Não importa o quanto você ou os outros pensem o contrário, eu ainda vou continuar a acreditar que ela vai voltar.
Cassidy se cala com minha sentença. Ela não estava surpresa com minhas palavras, afinal, repito isso a cinco anos para todos que insistem em dizer que é loucura da minha parte.
– Vamos para Evan’s. Estou ansiosa pela abertura. – fala a loira, mudando de assunto. – Kira e Elliot ligaram para mim e avisaram que nos encontrarão lá.
– Tudo bem. – concordo, levantando do chão. Ajudo Cassy a se levantar e dou um rápido adeus ao outdoor. Monto em minha bicicleta e começo a andar em direção ao Evan's ao lado de Cassidy.
Não demoramos a chegar a praia. O lugar já estava lotado e isso só me animou ainda mais. A cada ano que se passa, o fluxo de turistas que frequentam Miami Beach aumenta.
– Hey! – ouço o grito de Dez ecoar pela multidão de pessoas que estavam em frente ao Evan’s, que ainda estava de portas fechadas. – Finalmente vocês chegaram.
– Olha só esse tanto de gente! – fala Cassy, admirada por ver tantas pessoas cercando Evan’s.
– Isso porque ainda são sete da manhã, baby! – exclama Dez, batendo na mão de Cassidy.
– Pergunto-me se teremos lugar para sentar. – diz Dallas, aparecendo de surpresa, assustando a todos.
– De onde você surgiu, criatura do além? – grita Dez, fazendo escândalo, como sempre.
– Quando você vai parar de fazer escândalos, ruivo idiota? – fala Dallas, lançando um olhar frio para Dez.
– Eu vou deixar passar, dessa vez. – diz Dez, lançando um olhar irritado para o moreno.
– Vejo que vocês continuam os mesmos de sempre. – fala Kira.
– Kira! – grita Cassidy, abraçando a amiga. – Eu senti tanto a sua falta.
– Eu também senti muita falta de vocês. – diz Kira, correspondendo ao abraço de maneira exagerada.
– Se você está aqui, isso quer dizer que... – começo a falar, mas sou cortado pela morena.
– Sim, Elliot está aqui. – responde, enquanto caminha em minha direção e me dá um abraço. – Como você está?
– Quem se importa em como o Austin está? Cadê o Elliot? – grita Dez, puxando Kira e a balançando com desespero. – Cadê ele?
– Eu estou aqui, Dez! – grita Elliot, chamando a nossa atenção.
– Elliot! – grita Dez, correndo para abraçar o amigo. – Finalmente alguém que pode se divertir comigo.
– Ele não muda nunca, não é? – pergunta Kira a Dallas, enquanto o abraça.
– Infelizmente, não. – diz o moreno, suspirando cansado.
– Ah, como eu senti a falta de vocês! – fala Cassidy, indo abraça Elliot, depois do surto de Dez.
– E nós sentimos falta de vocês. – afirma Elliot. – Aliás, Kira e eu temos novidade.
– O que é? – pergunto curioso.
– Revelaremos amanhã. – fala Kira, sorrindo animada.
– Isso não é justo! – grita Dez. – Conta logo.
– Deixa de ser curioso, Dez. – fala Elliot, bagunçando o cabelo do ruivo.
– Atenção, por favor. – pede Ally, usando um megafone. – Meu nome é Ally Dawson. Esse ano, eu substituirei Manu por algum tempo. E é com muita alegria que eu tenho o prazer de abrir as portas do Evan’s nesse ano de 2013.
Após dizer isso, a multidão que aguardavam a abertura do Evan’s começam a gritar. A morena puxa a fita vermelha que limitava o acesso das pessoas. Prince abriu as portas do estabelecimento e logo o lugar se encheu de clientes. Deixou minha bicicleta em um local próprio para ela e entro no Evan's junto com os cinco.
Por um milagre, meus amigos e eu conseguimos uma mesa. Ally tinha mais dois ajudantes, que atendiam as mesas, enquanto ela estava aos cuidados da cozinha.
O restaurante e lanchonete tinha como especialidade os frutos do mar, mas servia de tudo um pouco. Desde sanduiches até sopas. Nunca entendi o motivo de só abrirem o lugar por apenas três meses, afinal, o Evan’s tem tudo para ser um ponto fixo.
O tempo foi passando rápido. Kira e Elliot entretinham-nos com suas histórias sobre Washington DC e as aventuras que estão vivendo na incrível cidade.
– Vocês precisam ver a Diana. – Cassidy não se cansava de elogiar a primogênita de Prince e Manu. – Ela é tão linda.
– Eu estou louca para conhecê-la. – confessa Kira, animada. – Nós precisamos vê-la antes que as duas saiam do hospital, Elliot.
– Não se preocupe. Se conseguirmos, ainda hoje vamos dá uma passadinha lá. – afirma Elliot, sorrindo para a namorada. – Mas, eu queria saber onde o Prince está. Eu ainda não lhe dei os parabéns pela chegada da filha.
– Ele teve que voltar para o Sea’s. – fala Dallas.
– Entendo. – diz Elliot, pegando a xícara de café que havia chegado a pouco. – Obrigado. – agradece ao garçom. O rapaz sorri e sai para atender outros clientes.
– O trabalho não pode parar. Principalmente, agora, com a chegada da bebê. – diz Cassidy, tomando um pouco do seu suco.
– Pelo menos, nós temos o lado positivo. – afirma Dez, sorrindo de maneira sapeca. O olhar dele deixava claro que iria sair besteira da boca dele. – Ally é uma excelente substituta para a Manu.
– Cala boca, Dez. – repreendo o ruivo. – Não pode ver um rabo de saia que já parece cachorro no cio.
– Qual é, Austin?! – fala Dez. Meus amigos riam da cara do ruivo, divertindo-se com a sua carranca. – Vai negar que a Ally é bonita? Além disso, ela é nova da cidade. Precisa de companhia.
– Ela já te rejeitou, idiota. – grita Cassidy, rindo. – Assim como todas as garotas da cidade.
– Calada, loira oxigenada. – grita Dez de volta.
– Ally Dawson? – pergunta Kira, ignorando a discursão infantil de Dez e Cassidy. – Ela parece tão popular na cidade. Vocês têm certeza que ela só chegou antes de ontem?
– Noiva demoníaca. – explica Dallas, rindo, em seguida.
– Então ela é a noiva demoníaca? – pergunta Elliot, rindo.
– Esse apelido é muito maldoso. – fala Kira, segurando o riso.
– Isso é culpa do Austin. – diz Dez, gargalhando.
– Minha culpa? – questiono, fazendo-me de ofendido. – Vocês que ficam repetindo esse apelido idiota.
– Mas foi você que começou. – argumenta Cassidy, rindo.
– Estou vendo que estão falando de mim. – fala Ally, sorrindo de maneira gentil. – Vocês não perdem tempo, não é?
– Ally! – fala Cassidy, animada. – Resolveu sair da cozinha um pouco.
– Eu fiz questão de trazer as guloseimas de você pessoalmente. Quero saber se o café da manhã está ao agrado de vocês. – diz Ally, colocando o resto dos lanches em nossas mesas.
Pães, bolos e algumas frutas, junto com os sucos e cafés que havíamos pedido foram espalhados por toda a mesa. A aparência das coisas dava água na boca. Sem dúvida, aquilo estava maravilhoso.
– Se os pães e as outras coisas estiverem tão boas quanto as bebidas, pode ter certeza de que nós vamos amar. – fala Kira, depois de tomar um gole de café, arrancando um lindo sorriso orgulhoso de Ally.
– Obrigada. – agradece Ally.
– Ally, esses são Kira Starr e Elliot Tucker, outros amigos nossos que cumprem com a tradição de passarem o verão aqui em Miami. – apresento, apontando para os dois.
– Seja bem vinda ao Evan’s, Ally. – diz Elliot, simpático. – A propósito, a refeição está ótima.
– É claro que está ótima, afinal, foi Ally que fez. – fala Dez, levantando de sua cadeira e indo até a garota. Ele pega a mão da morena e a beija, lançando um olhar galanteador para a mesma. – Você está provando ser cada vez mais perfeita, Ally. Tem certeza de que você não é um anjo? Você existe mesmo?
– É um prazer conhecê-los. – diz Ally, se referindo a Elliot e Kira. – E, Dez, querido, isso não vai funcionar. Seja mais original. Essa já é velha. — os risos foram inevitáveis. Ally, com certeza, é uma garota interessante.
– Ai, essa doeu. – afirma Dez, colocando a mão no coração, fingindo-se de magoado.
– É por isso que eu te amo, Ally. – grita Cassidy.
– Bem, pessoal, eu preciso voltar. Vejo vocês depois. – fala Ally, despedindo-se de nós com um rápido aceno.
– Desiste, Dez, Ally é areia demais para o seu caminhãozinho. – declara Dallas, dando uma mordida em seu pão, em seguida.
– Dallas, por que não vai ler um dos seus livros de autoajuda e me deixa em paz? Todo mundo fica feliz assim. – ironiza Dez.
Não é preciso dizer que mais uma discursão se iniciou. Era inevitável não me divertir com aqueles cinco. Por mais que nós brigássemos a maior parte do tempo, essa sempre foi a nossa maneira de nos entendermos.
[...]
A madrugada estava bem parada para um sábado. O dia havia sido bem cansativo. Fotografar um aniversário infantil e um casamento em um dia só, consumiu todas as minha energias.
Enquanto eu dirigia de volta para casa, vejo Ally na parte rochosa da praia. A garota parecia melancólica e isso me preocupou. E se ela tivesse enlouquecido e quisesse se matar? Quer dizer, ela foi abandonada no altar, após descobrir que o ex-futuro marido era gay e tudo isso em menos de um mês.
Estaciono o carro e me apresso para chegar até Ally. A garota estava perdida em pensamentos e brincava com a aliança que ganhou de Gavin. O vento gélido da noite bagunçava os cabelos da morena, mas ela parecia não se importar com isso.
– Ally? – chamo, surpreendendo a garota.
– Austin? O que você está fazendo aqui? – pergunta, escondendo o anel no qual mexia a poucos instantes.
– Eu é que te pergunto isso. – falo, desconfiado. – O que você está fazendo aqui? Já é tarde e é perigoso você andar sozinha por ai a essa hora.
– Eu só... – ela suspira, cansada. Ally se senta e abraça os joelhos, parecendo uma criança indefesa. – Eu estava tentando pôr um fim em tudo, mas... Eu não consigo.
– Você quer se matar? – pergunto assustado.
– O que? Não! Enlouqueceu?! – fala, surpresa. Ela mostra a aliança e continua a falar: — Eu queria jogar isso fora.
– Ah. – solto, sentindo meu rosto esquentar, por ter pensado bobagem. Sento-me ao lado da garota e começo a encarar o mar. A noite estava bem frio e percebo que Ally está tremendo. Pego minha jaqueta e estendo para ela. – Toma. É melhor você se agasalhar ou irá pegar um resfriado.
– Obrigada. – agradece, enquanto veste a jaqueta.
Permanecemos em silêncio, depois disso, apenas encarando o agitado mar de Miami. O único som audível era os das ondas se chocando contra as rochas.
– Eu sou tão fraca. – diz a garota, depois de um tempo. – Tudo o que eu preciso fazer é jogar isso fora – ela aperta a mão com a aliança. – e acabar com essa ilusão que ainda insiste em viver dentro de mim, mas eu não consigo. A esperança de que ele vai voltar, que tudo isso não passou de um pesadelo continua a habitar dentro de mim. Eu sei que isso é tolice... Eu... – as lágrimas começam a cair do belo rosto de Ally. Eu entendia a dor dela.
– Você não é fraca. – digo, virando-me para Ally. Ela me encara com os olhos vermelhos. Limpo algumas lágrimas que escorriam de seus olhos e continuo: — Você está tentando seguir em frente, Ally. Mesmo depois de tanto tempo sendo enganada por Gavin e tendo todos os motivos do mundo para desistir de tudo, você está lutando. Eu admiro isso em você.
Ela parece surpresa com as minhas palavras. Ally se levanta e volta a encarar o mar. Após um alto suspiro, ela abre a mão e encara a aliança com mágoa.
– Se eu jogar isso fora, eu não acho que vou conseguir esquecê-lo de imediato. Para dizer a verdade, eu não superei e não sei se vou conseguir superar. Mas para seguir em frente, eu tenho que jogar isso fora. Eu, com certeza, não consigo perdoar quem não cumpre com suas promessas. Ele jurou que ia me fazer feliz... Ele jurou que ia cuidar de mim até o fim... Ele me disse que mesmo que ficássemos velhinhos, iriamos ser um casal companheiro... Homens que só falam e são irresponsáveis e que não conseguem manter suas promessas... Eu odeio. – Ally começou a se aproximar do fim da rocha em que estávamos, segurando a aliança com o punho apertado. — Eu, que fui uma idiota nas mãos dele, que não o superei... Que mesmo ele tendo me trocado por um outro homem, eu ainda espero ligações dele... Eu realmente me odeio. Já estou cansada disso!
Após gritar a última parte, Ally joga o anel ao mar, usando toda a sua força. Ela se vira para mim e, mesmo chorando com intensidade, sorri de maneira encantadora. Como se estivesse aliviada, ela sorri com orgulho. O vento litorâneo bagunçava seus cabelos e, por incrível que pareça, a deixava mais linda ainda.
– Parabéns. – digo, levantando-me.
– Obrigada. – fala, suspirando aliviada. As lágrimas ainda desciam pelo rosto, mas ela parecia feliz e isso, por algum motivo, fez com que eu ficasse feliz, sentisse orgulho dela.
Inesperadamente, meu corpo começa a andar na direção de Ally. Era como se eu estivesse no modo automático. Eu sentia uma necessidade estranha de abraçá-la e assim o fiz.
Eu sentia seu corpo encaixar perfeitamente no meu isso me assustou. Afasto-me de Ally na mesma hora. Seu olhar confuso parecia me questionar sobre o que eu estava fazendo.
Olho para seus lábios e eu sinto um desejo inexplicável de senti-los. Por que eu estava assim? O que está acontecendo comigo? Por que quero tanto sentir o sabor do brilho labial de Ally?
– Desculpa. – digo, com a voz um pouco rouca, ainda a encarando.
– Pelo que? – pergunta, quase sussurrando.
– Eu vou te beijar. – falo.
– O que...
Antes que ela falasse mais alguma coisa, eu a puxo pela nuca e a beijo. Surpreendentemente, ela corresponde de imediato. Sinto suas mãos puxarem meus cabelos com firmeza, incentivando-me a aumentar o ritmo daquela insana ação.
Era como se meus instintos me guiassem. Sem qualquer explicação, eu sentia que precisava tê-la mais perto de mim. Uma perigosa e, aparentemente, deliciosa atração.
Quando os nossos pulmões reclamaram por ar, nós nos separamos. Eu não sabia o que pensar ou como agir a isso. Ally parecia tão confusa quanto eu.
– Eu preciso ir. – digo, andando em direção ao carro.
– Isso, Austin. – ouço Ally gritar. – Eu sou a garota e é você que foge. Obrigada por me beijar e depois sair correr. Atitude muito máscula da sua parte.
Não olho para trás. Por mais que eu soubesse que estava agindo como uma garotinha que acabou de ter seu primeiro beijo, eu não conseguia evitar.
Eu estava com medo. Eu amo Piper. Isso é fato. Mas, por que eu beijei Ally? Por que sinto que isso foi o certo a se fazer? Por que não consigo parar de lembrar do beijo de Ally?
– Morango. – digo, abaixando minha cabeça no volante do carro. – Esse é o sabor dos seus lábios, Allycia Dawson.
✻
Continua...
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