Obsession
33 Capítulo 32 - Surprises - Parte 2
Notas iniciais
Conforme as horas iam se passando, mais desesperados nós ficávamos. Durante esse tempo, Dallas e os outros conseguiram comprar tudo o que era necessário para a ornamentação da cerimônia. Aos poucos, as coisas começavam a se ajeitar.
Austin voltou a me ligar mais algumas vezes, insistindo para que eu fosse vê-lo, mas como na primeira vez, eu rejeitei a ideia. Por mais que minha curiosidade gritasse para que eu largasse tudo para fazer o que o loiro estava me pedindo, eu sabia que se fizesse tal loucura, o casamento de Cassidy sairia prejudicado.
– Ally, está quase tudo pronto. – Avisa Manu, sorrindo, cansada, mas feliz. – Se importa se eu for na frente para amamentar a Diana e me arrumar?
– Pode ir. Não precisa se preocupar. – Concordo, sorrindo. – As únicas coisas que faltam são somente embalar os docinhos e terminar de cozinhar as carnes. Nós conseguimos dá conta sozinhos.
– Tudo bem. – Afirma a mulher, sorrindo. – Se precisarem, já sabem onde me procurar.
Suspiro, cansada, e coloco a mão em meu pescoço, sentindo todos os meus músculos reclamarem de dor. Meu celular vibra no meu bolso, lembrando-me do alarme que eu havia colocado para não me esquecer do horário em que eu deveria começar a me arrumar. Respiro fundo e volto a trabalhar. Estávamos mais perto do fim do que nunca.
Faltando um pouco mais de uma hora para o casamento, conseguimos terminar tudo. Vincent Turner, pai de Cassidy, havia contratado uma equipe que ficaria responsável por servir os convidados e por levar toda a comida para o lugar da festa, então eu não precisaria me preocupar com essa parte.
Quando a van, repleta de panelas, doces, salgados e o bolo que eu havia feito especialmente para o casal, deixa o Evan’s, a caminho do improvisado salão de festas da praia, onde seria realizado o casamento, suspiro aliviada e abraços a equipe de cozinheiros do restaurante.
– Conseguimos. – Fala Christian, suspirando aliviado.
– Eu confesso que não acreditava que conseguiríamos terminar a tempo. Tínhamos tanta coisa para fazer. – Comenta April, sorrindo com orgulho.
– Ainda não acabou. – Digo, seriamente, assustando meus ajudantes.
– O que? Como não acabou? – Pergunta Valentina, apavorada.
– Temos um casamento para irmos, esqueceram? – Respondo, rindo de suas caras assustadas.
– Você quase me matou do coração agora. – Repreende April, levando a mão ao coração. Christian suspira, concordando.
– Desculpa. – Falo, recuperando-me da crise de risos. – Mas agora eu preciso correr e vocês também. – Digo, sorrindo animada.
Concordando com a minha afirmação, terminamos de fechar o restaurante. Sabendo que estava atrasada, corro o mais rápido que posso e quando finalmente entro na casa de Cassidy, a loira é a primeira a me receber. Ela já trajava seu belíssimo vestido de noiva, assim como seu cabelo e a maquiagem já estavam impecáveis.
– Finalmente você chegou. – Fala Cassidy, sorrindo nervosa. – Deu tudo certo?
– Oi. – Cumprimento, sorrindo. – Conseguimos terminar tudo a tempo.
– Graças a Deus. – Cassidy suspira, aliviada. Ela parece se lembrar de algo e me olha com horror. – O que você está esperando? Vai logo se arrumar. Trish e Piper deixaram seu vestido em cima da cama.
– Onde elas estão, a propósito? – Pergunto, estranhando a calmaria da casa.
– Todos estão terminando de dá os últimos toques no lugar onde vai ser a cerimônia. Minha mãe está terminando de se arrumar e Kim está tomando banho. Agora só falta você. – Fala a loira, puxando-me para meu quarto, me apressando.
– Tudo bem. – Digo, rindo, um pouco antes de entrar em meu quarto. – Ah, já ia me esquecendo. Você está linda.
– Obrigada. – Cassidy agradece, radiante.
Entro em meu quarto e fecho a porta. Encosto-me na gélida madeira e suspiro, cansada. O dia havia sido estressante. Por mais feliz que eu estivesse por Cassidy, eu não podia negar que tudo o que eu desejava era a confortável cama a minha frente.
Aproximo-me do móvel e me sento ao lado do longo vestido bege cintilante que Trish e Piper haviam desenhado para mim. Sorrio e pego meu celular. Tento ligar para Austin, no entanto, o mesmo não atende. Disco o número mais algumas vezes e, notando que não seria atendida, desisto. Olho as horas no aparelho e me assusto com o horário. Eu estava atrasada. Levanto-me às pressas e corro para o banheiro.
Tomo banho o mais rápido possível e seco meus cabelos, optando por fazer um coque. Ainda que fosse simples, isso era o máximo que eu conseguiria fazer tendo apenas trinta minutos para arrumar o cabelo e a fazer uma maquiagem.
Quando finalmente termino, pego minha carteira, coloco meu celular dentro e sigo para a sala, encontrando Kira, Piper e Manu, que estavam com as filhas nos braços, Trish, Kimberly, Olívia e Cassidy à minha espera. Elas sorriem, aprovando a minha escolha. Suspiro aliviada e me aproximo.
Analiso as garotas e sorrio da mesma forma que ela. Kira usava um vestido bege soltinho, mas que contornava com elegância a saliente barriga de grávida. Piper estava com um vestido azul marinho com detalhes em pedras no busto, que moldava muito bem em seu corpo. Trish usava um vestido prata tomara que caia simples e bonito. Manu trajava um vestido dourado todo bordado. Kimbely usava um vestido brilhoso na cor vinho e Olívia estava com um cinza justo até sua cintura, que combinava muito com a sua esbelteza.
– Tudo pronto? – Questiono, pegando meu celular, novamente. Tento ligar para Austin e mais uma vez a ligação vai parar na caixa de mensagens.
– Sim. – Afirma Piper, sorrindo, enquanto balança minha afilhada com carinho. – Apesar de todos os problemas, conseguimos arrumar tudo a tempo.
Sorrio e me aproximo de Ellie, acariciando seu rosto em seguida. A garotinha usava um delicado vestido branco e sapatos brancos, além da faixa em sua cabeça. Olho para Diana e me encanto com seu visual. Manu sorri orgulhosa e ajeita a filha melhor em seus braços.
– O lugar ficou tão bonito. – Comenta Trish, parecendo encantada ao lembrar dos detalhes.
– Nem parece que arrumamos tudo em cima da hora. – Fala Kira, encostando sua cabeça na de Cassidy.
– Eu dei uma passadinha por lá para conferir se os pratos estavam da maneira que deveriam estar para ser servidos e me surpreendi com o lugar. Ficou encantador. – Diz Manu, arrumando a flor que estava no cabelo da filha.
– Vocês estão me deixando curiosa. – Reclama a noiva, sem esconder a sua felicidade.
– Todos fizeram um ótimo trabalho. – Elogia Olívia, sorrindo e pegando na mão da filha caçula.
A campainha da casa toca, trazendo ainda mais nervosismo a todas.
– Seu pai chegou, querida. – Anuncia Olivia, abrindo a porta para o marido.
– Onde está a minha garotinha? – Pergunta Vincent, entrando na sala, acompanhado de um homem alto e de cabelos e olhos escuros, que sorri e se aproxima de Kimberly, beijando a mesma, em seguida. – Cassidy...você...
A emoção contida nos olhos de Vincent fazer lágrimas se formarem nos olhos azuis intensos de Cassidy. Encantado, o homem se aproxima da filha e a abraça com carinho, parecendo não acreditar que sua caçula se casaria em pouco menos de uma hora.
– Oi pai. – Fala Cassidy, respirando fundo para não chorar. – Charles.
– Cassidy. – Cumprimenta o marido de Kimberly. – Você está linda.
– Obrigada. – A noiva agradece, sorrindo. — Vamos? Não quero me atrasar ainda mais.
Seguimos para o lado de fora da casa e vejo uma limusine preta estacionada. O pai de Cassidy sorri, divertindo-se com a cara de espanto das madrinhas, e caminha até o carro, abrindo a porta, em seguida.
– Madames. – Fala Vincent, estendendo sua mão.
Cassidy é a primeira a entrar, sendo acompanhada na sequência por Kira, Piper, Manu, Olívia, Kimberly, Charles, eu e, por último, Vincent. O caminho a praia foi imerso de ansiedade e apreensão, no entanto, piorou ainda mais quando chegamos ao local.
A entrada da cerimônia estava linda. Havia um arco enfeitado com flores brancas e vermelhas e luzes semelhantes às usadas no natal. O tapete vermelho e as velas que guiavam ao altar completavam o visual deslumbrante do local.
Os convidados já estavam em seus lugares, aguardando ansiosos pela entrada da noiva. Dallas, Austin, Dez, Thomas, Elliot e Prince esperavam por nós junto com Gavin e Brooke, que ficariam responsáveis por olhar Diana e Ellie durante a cerimônia, e pelos pais de Dallas. Cassidy permanece no carro com o pai, enquanto a sua mãe, seu cunhado e todas as madrinhas começam a descer.
O noivo, ao notar nossa presença, suspira aliviado e sorri para os pais. Com certa dificuldade para andar na areia, devido aos saltos que usávamos, seguimos de encontro a Dallas e os outros.
– Pronto, Dallas? – Pergunta Manu, sorrindo, enquanto entrega a filha a Brooke.
– Mais do que nunca. – Afirma Dallas, confiante, enquanto era abraçado pela mulher.
Enquanto meus amigos conversavam, brevemente, aproximo-me de Austin. Ele me encarava com um misto de admiração e seriedade. Não era preciso muita coisa para perceber que meu namorado estava irritado comigo.
– Oi amor. – Cumprimento, cautelosa.
– Oi. – Responde Austin, ainda sério, enquanto estende sua mão, notando a minha dificuldade para me mover.
– Está chateado? – Pergunto, mesmo sabendo a resposta. – Eu sinto muito ter ignorado você o dia todo, mas eu realmente estava ocupada. Com a falta do buffet do casamento, eu assumi a responsabilidade junto com a Manu de fazer tudo o que estava planejado antes. Então, eu não podia perder um minuto sequer do curto tempo que eu tinha.
– Você não viu? – Questiona Austin, surpreso.
– Vi o que? – Pergunto, confusa. Meu namorado parecia perdido em pensamentos, deixando-me ainda mais confusa. — Austin? Qual o problema?
Ele suspira, cansado, e, por fim, abre um discreto sorriso, quando lanço um olhar cheio de preocupação pela demora em sua resposta. Balançando a cabeça, negativamente, Austin beija meus lábios, suavemente, e depois a minha testa.
– Você está linda. – Afirma o loiro, sorrindo carinhosamente.
– Você também está muito bonito. – Digo, abraçando-o com intensidade.
– Austin, Ally, o casamento já vai começar. – Avisa Trish de braços dados com Dez.
– Vamos? – Pergunta meu namorado, sorrindo.
– Claro. – Concordo, passando meu braço pelo seu e passando a andar em direção a fila de padrinhos que estava sendo formada.
Assim como no casamento de Kira, os padrinhos entraram logo após o noivo e sua mãe. Cada casal segue para seus respectivos lugares, sorrindo ansiosos por conseguirmos fazer o casamento acontecer, mesmo quando, a um pouco menos de dez horas atrás, essa realidade parecia tão distante.
Cassidy não demorou a aparecer acompanhada de seu pai, desfilando pelo tapete com seu buquê de rosas vermelhas em mãos. Ela estava radiante e sorria como nunca eu havia visto antes. Dallas parecia enfeitiçado pela beleza da noiva e era impossível não se comover com o amor evidente do casal.
Ao chegar ao altar, Cassidy me entrega o seu buquê e seu pai entrega sua mão a Dallas, pedindo para que o mesmo cuidasse de sua garotinha. E com isso, o casamento seguiu de forma emocionante e divertida.
– Dallas Noah Miller você promete, diante de Deus e destas testemunhas, receber Cassidy Aubrey Turner, como sua legítima esposa para viver com ela, conforme o que foi ordenado por Deus, na santa instituição do casamento? Promete amá-la, honrá-la, consolá-la e protegê-la na enfermidade ou na saúde, na prosperidade ou na adversidade, e manter-se fiel a ela enquanto os dois viverem? – Pergunta o juiz de cerimônia para Dallas.
– Sim, eu prometo. – Fala Dallas, sorrindo e olhando com carinho para a noiva.
– Cassidy Aubrey Turner você promete, diante de Deus e destas testemunhas, receber Dallas Noah Miller como seu legítimo esposo, para viver com ele, conforme o que foi ordenado por Deus, na santa instituição do casamento? Promete amá-lo, honrá-lo, respeitá-lo, ajudá-lo e cuidar dele na enfermidade ou na saúde, na prosperidade ou na adversidade, e manter-se fiel a ele enquanto os dois viverem?
– Eu prometo. – Afirma Cassidy, emocionada e com a voz tremula.
– E com o poder que me foi concedido pela benção de nosso Pai poderoso, eu vos declaro, marido e mulher. – Fala o juiz segurando os ombros de Dallas e Cassidy. – Pode beijar a noiva.
O casal se encara de maneira calorosa e não demoram a se beijar. Emocionados, todos se levantam e aplaudem Dallas e Cassidy. Olho para Austin e o mesmo me beija, sorrindo, feliz pelos amigos. E após todo o ritual de assinaturas e a passagem dos noivos com a chuva de arroz, finalmente seguimos para a festa, que ficava próximo ao local da cerimônia.
Assim que consegui me sentar, suspirei aliviada, por finalmente, poder descansar. Observo as encaradas repletas de significados entre Alonso, Gavin, Brooke e Austin com curiosidade. Os quatro pareciam descordar de algo e estava bem explícito que o assunto me envolvia, devido as apontadas discretas por parte de meu ex-noivo.
– Ally, vamos comigo ao banheiro? – Pergunta Brooke, sorrindo simpática.
– Claro. – Respondo, desconfiada.
Todos na mesa me encaram de maneira estranha. Era como se soubessem de algo que eu não sabia. Eu via a expectativa nos olhos de Piper, Trish, Kira e Manu. Os rapazes estavam mais discretos, mas ainda assim pareciam curiosos a cada movimento meu.
Entrego minha carteira a Austin e sigo Brooke ao banheiro. A morena parecia um pouco nervosa e puxava minha mão com firmeza, como se temesse que eu fugisse.
– Algum problema, Brooke? – Questiono, assim que chegamos ao banheiro.
– Não. Por que? – Pergunta, retocando o seu batom.
– Vocês estão estranhos. – Afirmo, olhando desconfiada para mulher.
– Por que acha isso? – Retruca Brooke, demonstrando ainda mais nervosismo.
Vendo que a mulher continuaria a me enrolar, suspiro e balanço a cabeça. Eu estava cansada demais para continuar a insistir por respostas, por isso, dou de ombros e sorrio sem graça.
– Nada. Esquece. – Digo, encarando a minha imagem no espelho.
Brooke suspira, disfarçadamente, aliviada. Ela sorri gentilmente e volta a se concentrar em retocar a sua perfeita maquiagem. Não havia dúvidas que ela estava me mantendo presa apenas para que os outros armassem alguma coisa. Vejo a morena mexer em seu celular de maneira discreta, como se não quisesse que visse e isso só comprovava ainda mais a minha teoria.
Após alguns minutos de enrolação, Brooke finalmente decide que estava na hora de voltarmos para a mesa. Na volta, a mulher parecia muito mais tranquila e comentava sobre banalidades. Por conta da minha desconfiança, eu só conseguia responder com respostas monossilábicas.
Sento-me ao lado de Austin, mais uma vez, e tudo parecia igual à quando Brooke e eu havíamos saído. Meu namorado pega em minha mão e entrelaça nossos dedos, enquanto bebe um pouco do vinho que estava em sua taça.
Meus amigos engatam em uma conversa animada como se nada estivesse acontecendo. Eu não conseguia parar de pensar que algo estava errado. Dentro de mim, eu ouvia a minha intuição gritar que alguma coisa estava prestes a acontecer.
Pego meu celular dentro de minha carteira e antes que eu desbloqueasse o aparelho, Austin o toma de mim. Olho confusa para meu namorado, esperando uma explicação de sua parte. Ele sorri e volta a guardar o celular.
– Estamos em uma festa. Que tal deixar o celular um pouco de lado e aproveitar o momento? – Fala, com um leve tom de repreensão.
– Eu só ia olhar as horas. – Respondo, desconfiada.
– São oito e vinte, Ally. – Fala Alonso, sorrindo gentil.
– Obrigada. – Respondo, sentindo-me um pouco incomodada pelos olhares de meus amigos sobre mim. – Qual o problema, pessoal? Por que estão me olhando assim? Há algo de errado comigo?
– Pelo contrário. – Diz Gavin, dando de ombros. Ele abre um sorriso bonito e me lança uma piscadela. – Você está muito bonita.
– Obrigada. – Agradeço, ainda achando estranha toda a situação.
Alguns minutos se passam e tudo continuava estranhamente normal. Até que vejo Dallas fazer um sinal discreto com a mão para Austin, que sorri e balança a cabeça, concordando. Os outros parecem notar o mesmo que eu, mas ignoram a cena e continuam a conversar.
– Vem comigo. – Sussurra Austin, pegando em minha mão e a puxa, obrigando-me a levantar. Pego minha carteira que estava em cima da mesa e encaro Austin, sem entender o que estava acontecendo. – Pessoal, nós já voltamos. – Anuncia Austin aos outros, que assentem, sorrindo em compreensão.
– Aonde você está me levando? – Pergunto, curiosa, quando começamos a nos afastar da festa.
– Quero te mostrar uma coisa. – Responde, olhando de soslaio para mim.
Continuamos o caminho até que Austin para no meio do nada e me olha com atenção. Seus olhos brilhavam em ansiedade e nervosismo. Apesar da falta de iluminação no lugar onde estávamos, a lua cheia brilhava intensamente no céu, permitindo que eu conseguisse ver uma parte do belo rosto de Austin.
– Austin? – Chamo o loiro, vendo a sua insegurança.
– Ally, você confia em mim? – Pergunta, cauteloso.
– Por que está me perguntando isso agora? – Questiono, preocupada.
– Apenas me responda. – Pede Austin, olhado seriamente para mim.
– Eu confio. – Respondo, meio atordoada.
Austin me encara por um tempo, como se analisasse a minha resposta. Durante alguns instantes, o silêncio permanece entre nós, enquanto meu namorado continuava pensativo. Ele respira fundo e tira uma espécie de venda de dentro de seu bolso. Olho confusa para meu namorado.
Com um sorriso carinhoso, Austin anda até as minhas costas e coloca o pano preto em meus olhos. Após garantir que eu não estava vendo nada, ele pega em minha mão e volta a me guiar.
– Pode me explicar o motivo de você ter me vendado? – Falo, incomodada com a escuridão.
– Você já vai descobrir. – Garante, com a voz carregada de inquietação.
Continuamos o resto do caminho em silêncio. De alguma forma, a cada minuto que se passava, mais nervosa eu ficava. A falta de respostas de Austin misturada com o fato de não conseguir enxergar nada naquele momento aumentava a minha curiosidade.
E como se ouvisse as minhas preces, Austin para de repente. Ele solta minha mão e ouço o mesmo se afastar de mim. Desconfiada, resolvo retirar a venda de meus olhos, mas sou impedida pelo o grito de Austin.
– Não! Não tire ainda. – Pede, apressado.
– O que está acontecendo aqui, Austin? – Questiono, irritada, enquanto abaixo as minhas mãos. De repente, o som de alguma coisa caindo e resmungos ao longe, me deixam em alerta. – Quem está aí, Austin? Que barulho foi esse?
– Espera só mais um pouco, amor. – Fala meu namorado, nervoso. – Só mais um pouco.
Respiro fundo e concordo, enquanto cruzo os braços. Minha mente criava inúmeras teorias para o que estava acontecendo, mas a cada ideia rejeitada, mais ridículas as teorias se tornavam. Eu nunca fui uma pessoa muito paciente e saber que a única coisa que me impedia de descobrir o que Austin estava escondendo era somente uma faixa, irritava-me e aguçava ainda mais a minha curiosidade.
– Pode tirar a venda, Ally. – Fala Austin, próximo de mim.
Ansiosa, retiro o pano que cobria meus olhos e me assusto com a cena. Estávamos de frente para a Igreja na qual eu encontrei Austin pela primeira vez. O lugar estava todo enfeitado com flores e uma linda porta rosa estava na entrada da igreja. Ao lado da delicada peça de madeira, estavam Cassidy, Dallas, Gavin, Trish, Dez, Piper, Thomas, Kira, Elliot, Brooke, Trent, Alonso, Manu, Prince e a pequena Diana, onde cada um segurava uma letra, que, quando juntas, formavam, respectivamente: A-L-L-Y-C-A-S-A-C-O-M-I-G-O–?
Olho para Austin e o mesmo estava ajoelhado a minha frente, estendendo-me uma caixinha vermelha com um lindo anel dentro. Volto a encarar meus amigos, que sorriam, ansiosos pela resposta. Rio, enquanto as lágrimas desciam pelo meu rosto. Meu coração parecia prestes a sair pela minha boca. As palavras estavam presas em minha garganta. A porta cujo um dia fora o meu amuleto da sorte estava a minha frente mais uma vez. Austin havia ido atrás e achado daquilo que eu procurei durante anos e nunca fui capaz de encontrar.
Gavin sorri e sussurra: "Veja a mensagem em seu celular"! Atordoada, abro minha carteira e pego meu celular, abrindo na mensagem que havia recebido mais cedo de Austin. Nela estava a foto da porta rosa na loja onde eu a vi pela primeira vez. Na mensagem ainda havia uma legenda: Eu encontrei o seu amuleto da sorte. O mínimo que você pode fazer é aceitar ser a minha esposa.
As lágrimas desciam com ainda mais intensidade pelo meu rosto. Guardo o celular dentro da carteira e volto a encarar meu namorado, que continuava ajoelhado a minha frente.
– Ally, você aceita se casar comigo? – Pergunta Austin, sorrindo apreensivo.
– Sim! Eu aceito! – Grito, jogando-me nos braços de Austin e o beijando com intensidade.
Os gritos de meus amigos ecoam pelo lugar, sendo acompanhados de aplausos de inúmeras pessoas. Rimos durante o beijo e nos separando, em meio a várias trocas de rápidos selos. Austin encosta sua testa na minha e pega a minha mão esquerda, colocando o anel no meu dedo anular.
– Eu te amo. – Declara Austin, beijando o anel que estava em meu dedo.
– Eu te amo. – Digo, passando meus braços por sua nuca, puxando-o para mais perto. – Eu te amo eternamente. – Sussurro contra seus lábios.
Austin acaba com a pouca distância que havia entre nós, beijando-me com paixão. Em uma dança alucinante, nossas bocas se completavam e demonstravam todo o amor que sentíamos naquele momento. Meu coração batia acelerado e meu corpo parecia em estado de êxtase.
Por mais idiota que fosse, ver aquela porta rosa havia me dado a confiança que faltava em mim. Todos os meus receios se foram, dando lugar a certezas e esperanças de um futuro ao lado daquele que eu tanto amo. Austin é o meu homem perfeito. E dessa vez não havia dúvidas.
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