Obsession
34 Epílogo
Notas iniciais
19 de junho de 2015 – Miami
POV Austin
A marcha nupcial ecoa pela bela igreja, enquanto todos os convidados se levantam para admirarem a noiva na entrada. Acompanhada do pai e da nossa afilhada, Ellie, e dos gêmeos Elizabeth e Eric, Ally cruza, elegantemente, a passarela de vidro.
Como dois anos no passado, a mulher exibia um lindo sorriso, enquanto seus olhos expressavam paixão e felicidade. Diferente daquela época, eu estava no altar a esperando e com planos para viver a eternidade ao seu lado.
Lester beija a testa da filha e me entrega sua mão. Ele me abraça, rapidamente, e, após pedir para que eu cuidasse bem de sua filha, ele sorri e ocupa seu lugar no altar. Estendo minha mão a noiva. Ela estava linda. A noiva mais linda que eu já havia visto em toda a minha vida.
Beijo sua testa e voltamos a encarar o padre. Nossos dedos se mantiveram entrelaçados a cerimônia inteira e eu podia sentir o nervosismo de Ally. Eu não a culpava. A lembrança de ser abandonada ao altar nunca seria esquecida. Mesmo que tudo já tivesse sido esclarecido e Gavin tivesse se tornado nosso grande amigo e nos ajudado de inúmeras maneiras a ficarmos juntos, ainda haveria uma parte de nós que sempre se recordaria daquele fatídico dia.
Vez ou outra eu observava meus amigos e padrinhos de casamento. Nossas vidas haviam mudado muito nesses dois últimos anos. Era incrível como somente uma pessoa tivesse sido capaz de nos mudar tanto.
Manu e Prince estavam mais do que felizes com a vida que estavam levando e estavam à espera do segundo filho, Peter. Diana estava a cada dia mais linda e inteligente. A felicidade da família era o que nos inspirava a todos a dar o melhor de si em seus relacionamentos.
Kira e Elliot também estavam indo muito bem. O filho do casal, Anthony, era a alegria de suas vidas. O garoto havia nascido com Síndrome de Down, devido a complicações durante a gestação de Kira. Mas apesar de tudo, ele era uma criança muito amorosa e encantadora. Qualquer um que passe um tempinho com Tony, se apaixona pela doçura do menino.
Brooke e Trent finalmente haviam realizado seu sonho de serem pais e para a surpresa de todos, eles tiveram gêmeas, Julie e Clara. A mulher não poderia estar mais feliz com a família e com sua carreira profissional. Após anos trabalhando como secretária do estúdio de meu pai, ela se tornou uma excelente fotógrafa.
Cassidy e Dallas desistiram de Copenhague e retornaram para Miami. Apesar da incrível vida que levavam no gélido país, eles não conseguiam ficar longe da família e dos amigos. A loira, com a sua experiência na área da psicologia, estava trabalhando uma grande empresa da cidade. Dallas se juntou ao sogro e trabalhava com a administração das fábricas de cerveja do homem.
Trish e Dez se tornaram os queridinhos da mídia. Após fazer sucesso com seu filme de estreia, o ruivo passou a ser um dos diretores mais requisitados do país. Trish continuava a trabalhar com Piper, no entanto, a empresa havia crescido de maneira surpreendente. Celebridades de várias partes do mundo as procuravam, ansiosas por vestir a marcar das mulheres. O melhor de tudo era que eles estavam muito felizes e satisfeitos com suas vidas de casados.
Piper e Thomas continuavam casados e felizes ao lado da filha. O homem havia apresentado melhoras em seu tratamento e já conseguia reconhecer os rostos de algumas pessoas. Piper estava muito mais que feliz por seu negócio ir melhor do que esperado ao lado de Trish. Ellie se tornou, oficialmente, afilhada de Ally e eu, mas a garotinha insistia em nos chamar de “papa” e “mama”.
Alonso continuou a fazer grandiosos trabalhos como fotógrafo pelo mundo, mas agora acompanhado da namorada. Lianna era uma mulher muito divertida e com um talento incrível para a fotografia. Eles estavam juntos a quase um ano e já estavam com planos para se casar.
Gavin voltou para Nova York e se tornou o diretor de um dos melhores hospitais da cidade. Junto a promoção, ele conheceu James, o irmão de Marco, chefe de Ally, que também é médico. Depois de muitas intrigas, confusões, loucuras e medo de se envolverem, finalmente ambos estavam juntos. Se Ally e eu éramos complicados, James e Gavin conseguiam nos superar, mas ao menos estavam felizes a maneira deles.
Jade e Marco ainda são os donos do Carbone e chefes de Ally. Agora, mais estabilizados e com alguém de confiança para administrar o restaurante, estavam aproveitando ainda mais os filhos e pensavam em aumentar a família.
Uma outra surpresa foi os pais de Ally. Depois de tantas brigas, o casal estava junto, novamente. Lester e Penny haviam se aproximando muito desde o problema de saúde de meu sogro. Foi somente questão de tempo para que revelassem que planejavam se casar mais uma vez. Mesmo receosa, Ally apoiou os pais, que estão casados a mais de seis meses.
O único que ainda me preocupava era meu pai. O homem continuava sozinho e alegava que estava bem assim e que a única mulher que ele amou e sempre amaria era a minha mãe. Ao mesmo tempo que sua afirmação me deixava feliz, ela me dava mais motivos para me preocupar. Segundo Brooke, ele estava conhecendo uma mulher, mas que ainda não era certeza que ambos engatariam em um relacionamento sério.
A vida de todos havia melhorado consideravelmente. A felicidade estava presente em nossas como nunca antes. E era de frente para o altar, ao lado da mulher que amo, sendo observado por todos os nossos amigos e por pessoas que testemunharam as idas e vindas de nosso romance, que eu era capaz de ver o quanto havíamos mudado. E o mais incrível nisso era que estávamos gostando dessa mudança.
– Uma vez que é vosso propósito contrair o santo Matrimônio, unam as mãos direitas e manifestem o vosso consentimento na presença de Deus e da sua Igreja. – Pede o padre, com um sorriso gentil em seus lábios, após a entrega das alianças por parte de Elizabeth. Me viro para Ally e estendo minha para pegar na sua.
– Eu, Austin Mônica Moon, recebo-te por minha mulher, a ti, Allycia Marie Dawson, e prometo ser-te fiel, amar-te e respeitar-te, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, todos os dias da nossa vida. – Repito as falas do padre, sentindo meu estômago se revirar em nervosismo.
– Eu, Allycia Marie Dawson, recebo-te por meu marido a ti, Austin Mônica Moon, e prometo ser-te fiel, amar-te e respeitar-te, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, todos os dias da nossa vida. – Ally, assim como eu, repete a fala do padre. Seus olhos estavam marejados, mas os mesmos brilhavam em felicidade e amor.
O padre abençoa as alianças e as estende. Pego a aliança de Ally e sorrio, sem conter a minha felicidade. Um flashback com todos os momentos em que passamos para chegarmos aonde estávamos começa a passar em minha mente.
– Allycia, recebe esta aliança como sinal do meu amor e da minha fidelidade. – Digo, enquanto coloco a aliança no dedo de Ally. Assim que termino, beijo sua mão e limpo as lágrimas que descia pelo seu delicado rosto.
– Austin, recebe esta aliança como sinal do meu amor e da minha fidelidade. – Fala Ally, colocando a aliança em mim. Ela beija a aliança que estava em meu dedo e sorri com doçura.
– Conforme o Senhor, benignamente, o consentimento que manifestastes perante a sua Igreja, e Se digne enriquecer-vos com a sua bênção. Não separe o homem o que Deus uniu. – Fala o padre, com os braços abertos. Sobre os olhares ansiosos de toda a igreja, o homem sorri e toca em nossos ombros. – Pode beijar a noiva.
E assim como é dito pelo o homem, puxo Ally para um beijo. A euforia dos convidados é inexplicável. Separo-me de minha, agora, esposa e acaricio seu rosto, sentindo-me o homem mais feliz do Universo. E mesmo com os gritos dos meus amigos, naquele momento, para mim, somente Ally e eu existíamos.
Após a chuva de arroz, seguimos em direção ao salão de festas. O lugar estava incrível. Os convidados não demoraram a chegar e a ocupar os seus lugares. Os discursos seguidos dos brindes arrancaram muitas risadas e algumas lágrimas de algumas mulheres, principalmente, daquelas que vivenciaram tudo o que Ally e eu passamos.
A festa se iniciou e enquanto os convidados dançavam e se divertiam, eu estava sentado, encarando a foto da porta rosa que havíamos feito questão de colocar como decoração do casamento. Ela passou a ter um significado muito maior para mim, depois de tudo o que aconteceu.
Por conta do sucesso que minha noiva estava fazendo com o restaurante e dos meus inúmeros contratos de marcas famosas de Nova York, decidimos continuar na metrópole. A primeira mudança que fizemos no apartamento foi colocar aquela porta na entrada para nos lembrar de sua importância.
Apesar de nosso grupo de amigos terem se dividido entre Miami e Nova York, a tradição continua. Todo verão, Manu e Prince abrem o Evan’s e, como na infância, nos reunimos no restaurante. A única diferença é que agora tínhamos nossas famílias e mais amigos e isso só tornava nossos reencontros ainda mais divertidos.
Rio e observo a animação dos convidados, enquanto aproveito a taça de champanhe. As crianças riam e corriam pelo salão. Era muito bom ver que todos estavam aproveitando a festa. E era por estar tão concentrado em observá-los, que não noto minha esposa se aproximando de mim.
– O que tanto passa por essa sua cabecinha loira oxigenada? – Pergunta Ally, encostando sua cabeça em meu ombro. Sorrio e reviro os olhos, ignorando seu comentário sarcástico.
– Apenas pensando em tudo o que passamos para chegarmos aqui. – Respondo, enquanto puxo Ally por sua cintura. – Minha noiva demoníaca.
A morena sorri e passa seus braços pelo meu pescoço. Ao ritmo da música, nos movemos de maneira lenta. Ela encosta sua cabeça em meu peito, aconchegando-se. Inspiro seu perfume e a aperto ainda mais contra mim.
– Até quando devemos ficar aqui mesmo? – Pergunto, com um sorriso malicioso moldando meus lábios.
Ally se afasta um pouco para me olhar. Ao perceber o que eu queria dizer com a pergunta a garota ri e balança a cabeça negando, enquanto eu a rodo. Ally fingi pensar por um momento e depois me abre um sorriso tão malicioso quanto o meu.
– Mais algumas horas. – Afirma, dando de ombros.
– Não podemos fugir antes? – Pergunto, fazendo uma cara de decepção.
Minha esposa ri e se aproxima de mim, ficando a poucos centímetros de meu ouvido. Sinto meu pescoço se arrepiar com a respiração da mulher batendo naquela área tão sensível.
– Por que? Por acaso você quer o meu corpo? – Sussurra Ally de uma maneira incrivelmente sexy.
Aperto a cintura da mulher e a vejo se afasta com um brilho de malícia em seus olhos. Olho para a mulher e lanço um sorriso discreto.
– Não consigo evitar. – Suspiro, balançando a cabeça, negando. Com um falso tom de desapontamento, continuou: – Eu sou um homem fraco e tenho uma total obsessão por você.
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