Obsession
30 Capítulo 29 - Miami
Notas iniciais
6 de abril de 2014 – Nova York
POV Ally
O verão havia chegado mais uma vez, trazendo consigo uma visão completamente nova sobre essa época. Havia se passado um ano desde que fui abandonada no alta por Gavin e durante esse tempo, muitas coisas boas e ruins aconteceram.
Eu conheci pessoas incríveis. Vi e vivi momentos que jamais imaginei que seria capaz. E dentre essas experiências, voltei a me apaixonar e a descobrir a importância da amizade. Miami havia se tornado o lugar onde me proporcionou algo que nunca tive a chance de sentir durante vinte e dois anos de minha vida.
– Ally, acorda.
A entrada brusca de Trish em meu quarto desperta-me de um sono profundo. Suspiro, insatisfeita, e me viro para o outro lado, tentando voltar a dormir. Era o meu dia de folga e o que eu mais desejava fazer era permanecer na cama o máximo possível.
– Ally, eu estou falando com você. Acorda! – Fala Trish, balançando-me com força.
Após aceitar a proposta de Piper de se tornarem sócias no negócio de moda, Trish havia se mudado para Nova York e desde então tem morado comigo. Apesar de ser completamente diferente do que eu estava acostumada, morar com a minha melhor amiga era divertido e fazia com que eu me sentisse menos solitária na ausência de Austin.
– O que foi, Trish? – Pergunto, irritada, enquanto me sentava na cama.
– Já são quase onze horas. Já passou da hora de você se levantar. – Insiste a garota, voltando a me sacudir.
– Trish, hoje é o meu dia de folga! Me deixa dormir. – Reclamo, cobrindo minha cabeça com o cobertor.
– E pretende passar o seu precioso dia de folga na cama? – Repreende, sentando-se ao meu lado.
– Sim. – Respondo, com o rosto pressionado contra o travesseiro.
– Ally, escuta. – Começa Trish, descobrindo-me. Resmungo e ela sorri, deitando-se ao meu lado. – Eu sei que você está chateada, amiga. Sei que queria que Austin tivesse ao seu lado hoje. Eu entendo o quanto é horrível ficar longe de quem ama. Você sabe que eu sei, mas não pode se entregar a tristeza. Você aguentou firme durante todos esses meses, então não desista agora. Daqui alguns dias, nós iremos viajar para Miami e podemos nos encontrar com ele.
– Você sabe que não é certeza, Trish. – Murmuro, virando-me de frente para minha melhor amiga. – Ele me disse ontem que terá que cobrir o Fashion Week em Paris. Não nos vemos há meses e eu quase não consigo controlar a saudade que sinto dele.
– Eu não entendo vocês dois. Sério. – Fala a mulher, sentando-se a cama. Faço o mesmo que ela e a encaro, esperando que me explicasse. – Vocês se amam. Estão namorando a quase um ano...
– Quatro meses, Trish. – Corrijo, fazendo a garota revirar os olhos.
– Não, não. Pode parar. Vocês estão nessa enrolação toda desde o ano passado. Vocês se beijaram, dormiram juntos, deram crises de ciúmes, não se envolveram com ninguém além de vocês mesmo...enfim, eu tenho vários motivos para dizer que vocês estão namorando a quase um ano. – Repreende Trish, enquanto coloca as mãos em meus ombros. – Acorda, garota. Não acha que está na hora de vocês decidirem o futuro de vocês? Nós duas sabemos que Austin estar trabalhando tanto somente porque não aguentaria a sua indecisão neste momento. Se você dissesse que estar disposta a parar com essa palhaçada de dizer que você não está pronta para avançar um pouco mais nessa relação, tenho certeza que ele largaria tudo e viria para Nova York para viver com você.
– E é exatamente por isso que eu não quero dizer isso ainda. – Digo, fazendo minha melhor amiga levantar uma das sobrancelhas em questionamento.
– Como assim? – Pergunta, olhando-me em confusão.
– Pela primeira vez na vida, Austin está realmente se dedicando a sua carreira. Trish, ele é brilhante. As fotos dele são incríveis. Não quero estragar essa oportunidade. Eu conheço o Austin. Tenho certeza que ele seria capaz de abandonar tudo se eu pedisse. Ele já me falou isso, mas eu não tenho o direito de estragar a vida dele. – Eu explico, sentindo meu coração se apertar.
– Então você está disposta a desistir de sua felicidade, somente porque acha que ele merece uma vida melhor do que ao seu lado? É isso? – Pergunta a garota, sem acreditar.
– É. É isso. – Respondo, encostando minhas costas na cabeceira.
– Ally, eu já ouvi você falar muita besteira, mas essa foi a pior de todas. – Diz Trish, rindo com descrença. – Você ouviu o que você acabou de falar?
– Trish...
– Não, Ally. – Interrompe a londrina. – Você é a minha melhor amiga e eu te amo. Não posso deixar que você cometa uma idiotice dessa de não dizer ao Austin o que você realmente quer.
– O que ela quer? – Pergunta Piper, entrando no quarto.
– Piper? O que faz aqui? – Questiono, confusa.
– Trish me ligou dizendo que você não estava bem. Deixei Ellie com Thomas e vim o mais rápido que eu consegui. – Explica a loira, sentando-se ao meu lado. – E então? O que aconteceu?
– Hoje completa um ano que ela foi abandonada no altar e que conheceu Austin. – Responde Trish, suspirando em seguida.
– Ally! Por que não me disse antes? – Repreende Piper, olhando-me com preocupação.
– Porque não é nada importante. – Respondo, tentando evitar levar mais bronca.
Era verdade que eu estava me sentindo triste pela data, mas não era exatamente isso que me causava mais dor. Lembrar de Austin era o pior. Namoro a distância nunca foi algo que eu gostei e estava sendo difícil aceitar o meu relacionamento com o loiro.
– Não é importante? – Repete Piper, sem acreditar. – Se não fosse importante, você não estaria com essa cara de quem não dormiu a noite toda, pensando no assunto.
– Piper, para de...- Antes que eu continuasse meu discurso, meu celular começa a tocar. Suspiro aliviada e sorrio para as meninas, satisfeita em mudar de assunto. – Meu celular estar tocando.
– Atende, mas não pense que vai conseguir se livrar de nós. – Fala Trish, com um sorriso maldoso no rosto.
Rio e a ignoro, balançando a cabeça, negando. Olho para Piper e sorrio, esperando que a mesma pegasse meu celular que estava ao seu lado. Após um suspiro, a loira pega o aparelho e me entrega.
– Alô.
– Ally? – A voz animada típica de Cassidy soa do outro lado da linha. Sorrio e coloco a ligação em viva-voz.
– Cassy? Oi. – Digo, despertando a curiosidade das garotas ao meu lado.
– Cassy. – Diz Trish, animada. – Estávamos mesmo precisando falar com você.
– Oi Cassy. – Cumprimenta Piper, sorrindo.
– Trish? Piper? Ainda bem que estão juntas, assim nós não precisaremos fazer três ligações a mais. – Fala Cassidy, animada.
– Nós? – Questiono, confusa. – Você e Dallas? É algo relacionado ao casamento?
Cassidy e Dallas se casariam no próximo mês e, assim como Kira e Elliot, desejavam o casamento na praia, com todos os amigos reunidos. Os dois já estavam em Miami a mais de duas semanas, fazendo todos os preparativos com a ajuda de Kira, Elliot, Dez, Manu e Prince. Todos estavam ansiosos pela união do casal e como padrinhos, mesmo estando longe, Trish, Piper, Thomas, Austin e eu tentávamos ajudar da melhor forma possível.
– Não. Eu estava falando de Kira e eu. Não é nada relacionado ao casamento. Não se preocupe. – Garante a loira, carinhosamente.
– Então fala logo sobre o que é a conversar. – Apressa Piper, ansiosa. – Eu estou morrendo de curiosidade.
– Esperem um pouco. – Ela afasta um pouco o telefone, mas ainda é possível de ouvir sua voz. – Kira, você já terminou?
– Eu já estou indo. – Grita Kira, em resposta.
– Sobre o que será que elas querem falar com a gente? – Sussurra Trish, curiosa.
– Não faço a menor ideia. – Admito, preocupada.
– Espero que nada de ruim tenha acontecido. – Fala Piper, tão preocupada quanto eu.
– Não acho que algo de ruim tenha acontecido. Vocês não viram o quanto elas estão animadas? Se tivesse acontecido algo ruim, Cassy estaria chorando e Kira enlouquecendo. – Afirma Trish, dando de ombros.
– Voltei. – Anuncia Cassidy, animada.
– Acho que você tem razão. – Sussurro para Trish.
– Você acha? – Pergunta, irônica, enquanto revira os olhos.
– E então? Quando vão nos contar? – Pergunto, curiosa.
– Oi meninas. – Fala Kira, parecendo ansiosa. – Na verdade, a notícia que a Cassy disse que queria contar é relacionada a mim. Eu quero que saiba que eu descobri a pouco tempo. Para ser mais exata, eu descobri agora de manhã e só a Cassy está sabendo.
– Você está grávida. – Digo, mais como uma afirmação do que uma pergunta. As meninas me encaram assustadas e pela a agitação do outro lado da linha, sabíamos que eu estava certa.
– Sim. Eu estou grávida! – Revela Kira, animada.
– Ai meu Deus! Que notícia incrível, Kira. Parabéns! – Fala Piper, sorrindo.
– Obrigada. – Agradece a morena, sem esconder sua felicidade.
– Grávida? – Repete Trish, sem acreditar. – Parabéns, mamãe! Estou tão feliz por vocês, prima. – Parabeniza a mulher, animada. – Está de quantos meses? Quando vai contar ao Elliot? Quando você desconfiou que estava grávida?
– Trish, uma pergunta de cada vez. – Fala Kira, rindo. – Eu estou grávida de seis semanas. Eu não sei quando vou contar a Elliot. Talvez, ainda hoje. E eu desconfiei, porque, mesmo com a minha menstruação vindo, eu estava muito fraca e vivia vomitando. Cassy me mandou procurar um médico e eu recebi o resultado dos exames mais cedo.
– Parabéns, Kira. – Digo, feliz pela mulher. – Estou torcendo para que a criança venha com saúde e traga muitas alegrias para você e Elliot.
– Obrigada, Ally. – Kira agradece, com a voz suave.
– Eu fico imaginando qual será a reação de Elliot quando descobrir. – Diz Trish, aos risos.
– Provavelmente, ele vai ligar para todos os amigos para contar a novidade. Dez, que é escandaloso, vai ligar para todos novamente e depois vai querer fazer uma festa. – Supõe Cassy, rindo.
Todas começamos a ri, imaginando a cena. Elliot e Dez são os mais dramáticos e escandalosos da turma. Não havia dúvidas que qualquer que fosse a reação dos dois, com certeza, renderiam em muitas risadas por muito tempo.
– Sentimos muito a falta de vocês. – Confessa Kira, desanimada, assim que nossa crise de riso acaba.
– Nós também estamos com saudade. – Afirmo, sentindo meu coração se apertar.
Permanecemos em silêncio por um tempo, pensativas. Nosso grupo estava dividido entre Miami e Nova York. Austin era o único que estava longe de todos e eu não conseguia parar de pensar em como ele deveria se sentir solitário distante da turma na qual viveu sua vida inteira.
– Escuta, meninas, nós precisamos ir. Tenho que ir ao buffet para decidi qual será o cardápio do casamento. – Fala Cassy, suspirando em cansaço. – É tanto coisa para decidi e preparar, que acho que posso entrar em colapso a qualquer momento.
– Pensei que Ally fosse preparar o cardápio do seu casamento. – Diz Piper, em dúvida.
– Eu ainda pensei nessa possibilidade, mas ela será madrinha. Não quero sobrecarrega-la com tantas tarefas, principalmente, porque a festa será grande, graças aos amigos de meu pai e as pessoas que trabalham com Dallas. Só quero que ela prepare meu bolo. Você se importa, Ally? – Pergunta Cassidy, em expectativa.
– Claro que eu não me importo, Cassy. – Digo, com sinceridade. – Na verdade, eu estou feliz por querer que eu faça seu bolo.
– Obrigada, Ally. – A loira agradece, animada. – Ah, eu já ia me esquecendo. Como está indo os preparativos do meu vestido de noiva?
– Já estamos bem adiantadas. – Afirma Trish, sorrindo. – Além das pedras que precisamos colocar, queremos tirar suas medidas de novo para garantir que o vestido fique perfeito.
– Iremos terminá-lo em Miami, assim não precisamos nos preocupar com o caso de ficar diferente de seu corpo. – Complementa Piper.
– Ótimo. – Diz Cassidy, suspirando aliviada. – Estou ansiosa para saber como ele vai ficar. Estou confiando totalmente em vocês, Trish e Piper.
– Não se preocupe, o vestido vai ficar incrível. – Garante Piper, com determinação.
– Agora nós precisamos mesmo ir. – Fala Kira. – Tchau, meninas.
– Tchau, Kira. – Despeço-me, sorrindo. – E não se esqueça de nos ligar para contar como Elliot reagiu à notícia.
– Pode deixar. – Concorda Kira, rindo. – Até mais.
– Tchau. – Despede-se Trish e Piper ao mesmo tempo.
Encerramos a ligação, nos encarando e em poucos instantes estávamos rindo. Deito-me na cama e minhas amigas fazem a mesma coisa. Tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo que era até difícil de acompanhar, mas, apesar dos problemas, estávamos mais felizes que nunca.
– Quem está a fim de ir ao Carbone para almoçar? – Pergunta Trish, encarando o teto de meu quarto.
– Não temos reserva. – Afirma Piper, dando de ombros.
– Quem precisa de reserva quando temos Ally Dawson e Piper Scott? A melhor funcionária do lugar e a amiga de longa data dos donos do restaurante? – Questiona a londrina, rindo.
– Nem se fosse o papa, conseguiríamos uma mesa em cima da hora. – Brinco, fechando os olhos.
– Estou brincando. – Fala Trish. – Eu fiz reserva antes de ontem.
– Fez? – Pergunta Piper, impressionada.
– Claro. Eu sabia que a Ally estaria meio triste por hoje e pensei que almoçarmos fora seria uma boa ideia. Além de que estamos falando do Carbone. A comida é incrível e o ambiente melhor ainda. – Explica minha melhor amiga, sorrindo.
– Ela trabalha todo dia lá. Não acha estranho ir para o restaurante que trabalha bem no dia de sua folga? – Questiona a loira, nos encarando.
– Eu não me importo. – Afirmo, rindo. – Amo o Carbone e, mesmo sendo a minha folga, não vejo problema nenhum em almoçar em meu restaurante preferido.
– Ótimo. – Fala Trish, levantando da cama e batendo palma. – Então levanta dessa cama e vai se arrumar, enquanto Piper e eu ligamos para a Jade para avisar que já estamos indo.
– Tudo bem. – Digo, fazendo um esforço a mais para me levantar.
Após eu me arrumar, tivemos um almoço divertido que foi capaz de me distrair um pouco. Meus colegas de trabalho, principalmente, Amanda, Jenny e Jade, cientes do que aquele dia significava, fizeram de tudo para me fazer esquecer a saudade de Austin que eu estava sentindo por um tempo.
O dia passou despercebido com a ajuda das garotas. Mesmo sabendo que eu estava agindo como uma adolescente tola, eu não conseguia controlar a saudade em mim. A data havia sido somente uma desculpa. A verdade é que eu sabia que Trish estava certa. Quase um ano que Austin e eu estávamos nesse rolo e a culpa era minha. Não estava arrependida. Sabia que a minha decisão havia sido a certa, mas eu não aguentava mais. Nós precisávamos chegar a um acordo. E a minha única esperança era que o casamento de Cassidy e Dallas fosse um bom motivo para nos encontrarmos e decidirmos sobre nosso futuro.
[...]
20 de abril de 2014 – Miami
O aeroporto de Miami estava lotado. As pessoas sorriam e andavam apressadas, ansiosas para aproveitar a bela cidade. Trish, Piper, Thomas, eu e Ellie, que estava em meus braços, procurávamos por nossos amigos em meio ao mar de gente que havia no lugar.
– Trish, você já ligou para o Dez? – Pergunta Piper, arrumando o cabelo em um coque.
– Eu estou tentando falar com ele. – Afirma a mulher, mexendo no celular.
Desvio o olhar de meus amigos para a linda menina que dormia em meus braços. Sorrio e pego o pano, limpando o suor de seu rostinho. Ellie estava com dez meses e a cada dia que se passava, mais eu me apaixonava pela doce garota.
– Ela está muito pesada, Ally? – Pergunta Thomas, preocupado. – Se quiser, posso ficar com ela.
– Não se preocupe. Você sabe que eu já estou acostumada. – Garanto, sorrindo.
O homem balança a cabeça concordando e sorri, acariciando o rosto da filha. Piper sorri e me lança uma piscadela, feliz por estarmos em Miami mais uma vez.
– Tudo bem. Nós já estamos indo. Sim, amor. Tchau. – Trish finaliza a chamada e sorri para nós. – Eles já chegaram. Estão esperando por nós do lado de fora.
– Então vamos. – Diz Piper, puxando o carrinho com as nossas malas.
– Ally! Trish! Piper! Thomas! – O grito de Cassidy, balançando os braços, chama a nossa atenção, assim que chegamos do lado de fora do aeroporto. Ao longe, vemos Kira, Elliot, Dez e Dallas junto da loira.
Trocando alguns olhares entre nós, começamos a andar em direção ao grupo que nos esperava. A primeira a chegar ao lugar é Trish, que não demora a se jogar nos braços do namorado e a beijá-lo.
Dez e Trish estavam namorando a quatro meses. Após se embebedarem durante a véspera de Ano Novo, os dois acabaram dormindo junto e no dia seguinte não conseguiram fingir que nada havia acontecido. Então, vencendo o orgulho de ambos, finalmente, eles assumiram o que sentiam um pelo outro e começaram a namorar.
O único problema que os atingiam, além das frequentes brigas, era a carreira incerta do ruivo. Com o emprego de auxiliar de diretores em produções cinematográficas, Dez passava meses fora gravando filmes e ajudando com a edição dos mesmos.
Cassy se joga em Piper e Thomas, abraçando-os com força. Rio da garota e assim que ela se afasta de meus amigos, ela me abraça, tomando cuidado para não acordar Ellie.
– Ela está tão linda. – Sussurra Cassidy, acariciando o rosto alvo da loirinha em meus braços.
– E cada dia mais sapeca. – Afirmo, fazendo Cassidy ri, concordando.
Kira e os outros nos abraçam e uma conversa animada começa a se desenrolar. Dez era o mais agitado, como era de se esperar, com a pequena em meus braços. Sabendo que estávamos cansados, entramos nos carros e partimos em direção a casa de Cassy, onde ficaríamos por enquanto.
– É tão incrível ter vocês aqui novamente. – Comenta Cassidy, sorrindo.
Olho para Piper e Thomas, que estavam ao meu lado, e sorrio. A verdade era que também sentíamos muita falta de Miami. E nem mesmo o calor que fazia era capaz de tirar o encanto da cidade. Ainda era impossível vir para Miami e não volta a se encantar com as belezas naturais das praias e com a recepção calorosa das pessoas.
– Estamos felizes por estarmos aqui. – Admito, sentindo a brisa do mar entrar pela janela. Suspiro, sentindo meu corpo inteiro relaxar. – Eu estava morrendo de saudade dessa cidade.
– Você não sabe a animação dos clientes do Evan’s quando a Manu contou que você estaria chegando hoje, Ally. – Fala Dallas, sorrindo, enquanto dirigia.
– Eu sinto falta deles. – Confesso, sorrindo. – Mais tarde irei visitá-los.
– Eles vão ficar bem animados. – Afirma Cassidy, olhando para trás com um sorriso animado.
Não demoramos a chegar na casa da loira. Cumprimento os pais e a irmã mais velha de Cassidy e vou para o meu antigo quarto da casa. Eu estava morrendo de sono e tudo o que eu desejava era voltar a dormir.
– Ally, você vai ficar com Ellie? – Pergunta Piper, entrando no quarto, enquanto coloco a criança, que ainda dormia, na cama.
– Você vai sair? – Pergunto, prendendo meu cabelo.
– Sim. Thomas quer ir alugar um carro e eu vou com ele. Pode ficar com ela para mim? – Questiona a loira.
– Claro. – Concordo, deitando-me ao lado da criança. – Tudo o que eu quero é dormir e graças ao remédio que você deu para a Ellie, acho que ela vai dormir por um bom tempo.
– Obrigada. – Piper agradece, rindo e saindo do quarto em seguida.
Ligo o ar-condicionado e fecho os olhos em seguida. Não demoro a pegar no sono, tomando o cuidado de colocar os braços em volta de Ellie para não correr o risco de a criança cair.
– Ally, preciso de você. – Chama Trish, entrando de repente no quarto. Resmungo e ignoro o chamado da garota.
– Ally! Acorda! – Fala a mulher, balançando meu corpo.
Sinto Ellie se mexer e suspiro, cansada. Viro-me para a mulher e me levantando. Observo Trish, tentando entender o desespero da mulher. Suspiro mais uma vez e coço os olhos, cansada.
– O que foi, Trish? – Pergunto, com a voz rouca.
– Dez irá morar em Nova York. – Conta a garota, dividida entre nervosismo e alegria.
– Isso é ótimo, Trish. – Digo, sorrindo para a morena. O sono faz meus olhos pesarem e no mesmo instante volto a me deitar. – Agora, feche a porta e desligue as luzes para que eu possa voltar a dormir.
– Ally, levanta! – Repreende minha melhor amiga, voltando a me balançar.
– Ally, é uma emergência. – Dramatiza a garota, choramingando.
– Por que é uma emergência? – Questiono, preocupada, tentando entender o desespero de Trish.
– Ele vai se mudar para Nova York. – Conta, pegando um dos meus travesseiros e o abraça com força.
– Você já me falou isso. – Digo, revirando os olhos. – E por que isso seria uma emergência, Trish? É uma ótima notícia. – Falo, rindo da careta de minha melhor amiga. – Você mesma vive reclamando por estar longe do namorado e agora que você tem a chance de estar perto dele, fica reclamando? Eu, sinceramente, não te entendo.
– Ele quer se casar, Ally. – Explica Trish, apertando o travesseiro ainda mais contra si. Olho surpresa para a morena e noto o desespero em seus olhos.
– Uau. – Digo, surpresa. – Todo mundo resolveu se casar agora?
– Sim. – Fala Trish, deitando-se ao meu lado, revirando os olhos. – Ele colocou na cabeça que quer se casar e que não aguenta mais ficarmos longe. Mas, estamos namorando há somente quatro meses, Ally. E se estivermos apressando as coisas? E se percebemos, depois de casados, que não deveríamos ter casado? E se ele enjoar de mim?
– Trish, fica calma.
Eu nunca tinha visto Trish tão assustada como naquele momento. Eu entendia que a notícia havia a pego de surpresa, mas a sua insegurança me parecia um pouco exagerada. Mesmo namorando a quatro meses, os dois se conhecem desde que eram crianças.
– Como quer que eu fique calma? – Pergunta, olhando-me com apreensão.
– Trish, não acha que estar exagerando? Dez te ama e você ama o Dez. Vocês se conhecem desde sempre e sabem mais coisas um do outro que de si mesmo. Entendo que esteja com medo, mas não deveria acreditar um pouco mais nele? – Pergunto, acariciando o rosto de minha melhor amiga.
– Eu só não quero tomar uma decisão desse nível e me arrepender depois. – Explica, abaixando o olhar. – Eu amo o Dez. Amo mesmo, mas se já brigamos o tempo todo namorando, imagina se tivermos casados?
Ellie começa a choramingar. Respiro fundo e balanço a criança, desejando que a mesma voltasse a dormir. Totalmente desperta, minha afilhada começa a chorar. Olho feio para Trish, sabendo que a menina havia acordado por conta do barulho exagerado da londrina.
– Calma, minha princesa. Calma. – Digo, balançando Ellie em meus braços. Quando, finalmente, a criança para de chorar, encaro minha amiga, que estava com o olhar distante. – Lembra o que você me falou alguns dias atrás?
– O que? – Pergunta, confusa.
– Não acha que está na hora de vocês decidirem o futuro de vocês? – Repito a mesma frase usada pela morena. – Trish, pare de ter medo. Vocês merecem a felicidade, amiga. Não desista dele por achar que não serão capazes de superar as dificuldades. Acredite em vocês e no amor que preservam com tanto cuidado há tantos anos.
– Acho que você tem razão. – Fala, brincando com a mãozinha de Ellie, que nos observavam com curiosidade.
– Você acha? – Ironizo, fazendo a garota ri e revirar os olhos.
– Tudo bem. Você está certa. – Admite Trish, olhando com determinação para mim. – Obrigada, Ally. Você é a melhor.
– O que você estar esperando? – Pergunto, olhando com divertimento para a londrina. – Vai logo aceitar o pedido.
Trish sorri e balança a cabeça, confirmando. Sem esperar mais nenhum segundo, ela se levanta e sai do quarto, deixando Ellie e eu sozinhas no quarto. A garota ria e brincava com os dedos do pé.
– Parece que eu somos somente você e eu, Ellie. – Digo, olhando nos olhos da criança. Ellie ri e começa a balbuciar algumas palavras sem muito sentindo, enquanto continuava a brincar com os pés. – O que acha de um passeio?
O sorriso e o bater de palmas de minha afilhada deixa claro a sua opinião. Rio e levanto da cama, pegando a pequena menina no colo. Suspiro e beijo a testa de Ellie. Ignorando qualquer tristeza que pudesse me dominar, saio com a garota. Ainda que a saudade gritasse em meu peito, eu não deixaria de acreditar que Austin e eu conseguiremos nosso final feliz.
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