Obsession

31 Capítulo 30 - Pink Door


Notas iniciais
Oiii Cupcakes ♥!! Eu peço mil perdões pelo atraso, novamente, mas eu realmente não consegui escrever esse capítulo antes. Eu fiquei muito ocupada com o salão e desde domingo eu ando tendo muita enxaqueca, então não tive concentração para escrever. Mais uma vez, me desculpem. Eu quero agradecer a minha Italianinha Fran, a minha Jujuba ao Leite Condensado (JuuhLima Grande), a princesa da Bia (Inocente), a divertida Cycyr5, a fofa da Leleh (Nothing Is Impossible), a linda da Babi Farias, a minha doce Jujuba (Juliana Lorena), a fofa da Maria, linda da Divademi22, a princesa da Doreh Lynch Simpson, a fofa da Good Girl, a princesa da mamãe Viih (Vitória), a docinho da mamãe Soh (Sophia Stephane), a diva da mamãe Jenny (Diva Fox), a linda da Shaah e a fofa da AA Fan Fic pelos comentários lindos e divos no capítulo passado ♥. Ah, no começo do capítulo, temos um diálogo em francês. Se tiverem curiosos para saber logo o que eles falam, eu coloquei a tradução nas notas finais. Espero que gostem desse capítulo tanto quanto eu gostei da ideia e que não se decepcione com o antepenúltimo capítulo. Boa Leitura...

4 de junho de 2014 – Paris

POV Austin

O dia brilhava com intensidade na cidade luz. O verão intenso típico dessa época do ano me trazia certa nostalgia. As pessoas caminhavam apressadas, conversando ou apenas falando ao celular. E mesmo cercado de milhões de franceses, eu sentia como se algo estivesse faltando.

Entro em mais uma loja e observo as mercadorias. Umas das vendedoras se aproxima com um grande sorriso. Suspiro, notando que provavelmente eu não encontraria o que tanto procurava. Pego a foto de dentro da minha carteira, mais uma vez, e analiso a imagem com atenção.

Bon après-midi. Puis-je vous aider? – A vendedora sorri, esperando por minha resposta.

Bon après-midi. Vous auriez une porte rose? Pergunto e vejo o olhar confuso da vendedora.

– Rose? – Repete, sorrindo sem graça.

Oui. – Confirmo, sorrindo.

Je suis désolé, monsieur. Nous n'avons pas des portes qui couleur. – Lamenta. Ao notar minha decepção, a loira sorri com preocupação. – Il ya autre chose que je peux vous aider?

Non, merci. – Agradeço, suspirando.

– Sentez-vous libre. Si vous avez besoin d'autre chose, s'il vous plaît appelez-moi. Mon nom est Clarie. – Avisa a vendedora, com um sorriso simpático.

Merci. — Digo a Clarie, que sorri, em agradecimento, e volta para a entrada da loja para atender um novo cliente.

Suspiro e volto a encarar a foto em minhas mãos. Encontrar uma porta rosa igual a essa estava sendo mais difícil do que eu esperava. Desvio o olhar para as portas à minha frente. Brancas, marrons, cinzas, pretas, até mesmo azuis, mas nenhuma era rosa. Nenhuma possuía a delicadeza da porta de Ally.

– Nada, ainda? – Pergunta Alonso, colocando-se ao meu lado.

– Não. – Respondo, cansado.

– Nós já viajamos para Londres, Nova York, Milão, Santiago, Lisboa e, agora, Paris e nada dessa porta. Não acha que deveria desistir e mandar alguém fazer essa porta? – Questiona meu amigo, colocando a mão em meu ombro.

– Não. – Digo, convicto. – Eu prometi a mim mesmo que encontraria uma porta igual a essa, nem que eu tivesse que percorrer o mundo inteiro atrás dela.

– Estou preocupado com você, amigo. Ao invés de aproveitar as cidades que visitamos, a primeira coisa que você faz assim que chegamos é sair em busca dessa porta cor-de-rosa. – Afirma Alonso, acompanhando-me para a entrada da loja. Aceno para a vendedora em agradecimento e saio. – Por que não liga para Ally e explica que é impossível encontrar essa porta? Tenho certeza que ela entenderia.

– Ally nem ao menos sonha que estou à procura dessa porta, Alonso. Eu não vou desistir de encontrar essa porta. – Respondo, fazendo meu amigo suspirar.

– Você não vai parar até encontrar essa porta, não é? – Fala Alonso, confirmando. Balanço a cabeça concordando e sorrio para o homem, destravando o carro.

– Não mesmo. – Digo, rindo. – Vamos a uma outra loja.

Entramos no carro e saímos do estacionamento. Alonso parecia pensativo. Ignoro o fato e me concentro em dirigir em direção a mais uma loja de materiais de construções e artigos de decoração. Eu não perderia a esperança de encontrar essa porta.

Quando finalmente encontro a loja, estaciono o carro e desço, sendo acompanhando por Alonso. Entramos na bela loja, admirados. O lugar era enorme, tendo uma grande variedade de mercadorias. Em todos os lugares em que eu estive, nunca havia encontrado uma loja tão imensa como aquela.

Encantados por aquele mundo repleto de novidade para nós, Alonso e eu caminhávamos a procura do corredor de exposições de acabamento para casas.

– São muitas portas. – Comenta Alonso, assim que chegamos a sessão de portas e janela da loja. Haviam mais de vinte corredores de exposição, o que aumentava e muito a minha esperança de encontrar a porta igual à da infância de Ally.

– Talvez devêssemos nos separar. – Digo, dando de ombros. Alonso balança a cabeça, concordando. – Sabe como é a porta?

– Ela precisa ser rosa, certo? – Fala meu amigo, como se fosse a coisa mais óbvia do mundo.

– Precisa ser como essa, Alonso. – Respondo, pegando a foto que estava em minha carteira e estendo para o homem. – Exatamente como essa.

– Você só pode estar brincando. – Diz Alonso, sem acreditar. – Só pode ser uma porta igual a essa?

– Isso mesmo. – Falo, dando de ombros, enquanto observo Alonso tirar uma foto da fotografia em sua mão.

– Por que vocês têm sempre que complicar as coisas? – Questiona Alonso, mal-humorado. – Não poderia ser só uma porta rosa simples? Por que uma porta cheia de detalhes como essa? Por quê?

– Por que ao invés de chorar e reclamar feito uma menininha, você não vai fazer algo útil, como procurar a porta? – Ironizo, fazendo Alonso bufar e revirar os olhos com irritação.

– Você é um babaca. – Afirma o rapaz, devolvendo a foto, socando meu ombro em seguida, enquanto caminha na direção inversa à minha. – Um grande babaca, Austin. – Diz, indignado.

– Eu também te amo, Alonso. – Grito, aos risos, enquanto recebo um dedo do meio em resposta.

Rio e começo a procurar pela porta em meio a dezenas delas. Havia inúmeras cores, tendo até mesmo algumas rosas, mas as tonalidades eram muito diferentes da que eu queria.

A cada decepção recebida por não ser a minha porta desejada, mais eu sentia que não encontraríamos essa porta nessa impressionante loja. Suspiro cansado e vou atrás de Alonso, que estava perdido em meio aos inúmeros corredores da loja.

– Me diz que você encontrou. – Peço, assim que encontro o homem, que mexia nas portas expostas.

– Infelizmente, não. – Fala Alonso, sem desviar o olhar das portas. – Parece que nem mesmo aqui nós iremos encontrar essa porta.

Suspiro, enquanto bagunço meus cabelos. Alonso me encara com preocupação e sorri, jogando o braço por cima dos meus ombros. Olho desanimado para o homem e ele balança a cabeça negando.

– Vamos voltar para o hotel. Amanhã nós continuamos a nossa procura pela porta encantada. – Brinca, bagunçando meu cabelo. – Nada de desânimo, Austin. Ainda temos alguns dias para encontrar a porta rosa.

– Você está certo. – Admito, sorrindo.

– É claro que eu estou certo. Eu sempre estou certo. – Ironiza o outro, fazendo eu revirar os olhos, enquanto caminhamos para fora da loja.

– Humilde. – Digo, revirando os olhos e me soltando dele. Alonso ri e eu o acompanho. – Vamos. Eu estou morrendo de cansaço e preciso dormir um pouco.

Entramos no carro e seguimos em direção ao hotel em que estávamos hospedados. O Paris Fashion Week seria realizado nesse final de semana. Por todo lugar que passávamos havia uma placa anunciando o evento.

– Tudo bem. – Alonso suspira, deixando-me confuso.

– O que? – Questiono, olhando de relance para meu amigo.

– Eu vou te ajudar a encontrar essa porta de uma maneira bem mais efetiva. – Afirma, sorrindo determinado.

– E como seria essa maneira bem mais efetiva, exatamente? – Pergunto, desconfiado.

– Você esqueceu quem eu sou? – Ironiza, sorrindo com malícia. – Eu conheço muita gente, você sabe.

– E... ? – Incentivo Alonso a falar.

– E que eu posso usar meus contatos para descobrir mais sobre essa porta e encontrar uma igual a essa. – Fala Alonso, dando de ombros. – O que me diz?

– Está brincando? – Digo, sem acreditar.

– Estou falando sério, Austin. – Afirma, sorrindo. – Você é meu amigo e sei o quanto sente falta de Ally. Por mais idiota que eu ache essa sua atitude, entendo que esse é o pretexto que você estar procurando para resolver de vez a sua vida com ela.

– Não é somente um pretexto...

– Não importa. – Interrompe Alonso. Ele olha para a janela do carro e com um olhar distante, sorri. – Esse será o nosso último trabalho antes de voltar para Miami, Austin. Depois disso, você estará livre para seguir ao lado de Ally. Como presente de despedida, encontrarei essa porta para você. Então me prometo que você e ela serão felizes.

– Eu prometo. – Respondo, sorrindo. – Obrigado, Alonso.

– Vamos para o hotel. Eu tenho muita coisa para fazer. – Diz, dando de ombros.

O caminho de volta para o hotel foi tranquilo. Alonso permaneceu mexendo em seu celular durante todo o tempo, provavelmente, pedindo ajuda para encontrar a porta. Quando finalmente chegamos, fui para o meu quarto, tentar dormir um pouco. Eu havia virado a noite editando fotos e ajudando Alonso em alguns trabalhos. Meu corpo clamava por descanso.

Após tomar um relaxante banho, deito-me na confortável cama e pego meu celular. A primeira coisa que vejo ao desbloquear o aparelho é uma foto de Ally e eu juntos no Ano Novo. A saudade crescia a cada dia mais. Mesmo com as ligações e as trocas de mensagem, não era a mesma coisa. Eu queria estar com ela. Nada mais que isso.

Uma conhecida música começa a tocar no celular. Olho para tela e sinto meu coração bater acelerado ao notar que Ally era quem me ligava. Sem perder tempo, atendo a ligação. A voz suave de minha namorada ressoa do outro lado da linha, trazendo a sensação de paz que eu sentia somente quando estava com ela.

Austin? – A voz embargada de ansiedade de Ally soa como uma doce melodia aos meus ouvidos.

– Ally. – Suspiro, fechando os olhos e aproveitando daquele momento. – Eu ia agora mesmo te ligar. Você está bem?

Eu... – Ally suspira, cansada. – Estou.

– Qual o problema? – Questiono, preocupado.

O casamento de Cassy e Dallas é na próxima semana. Quando você vai chegar? – Pergunta Ally, parecendo preocupada.

– Provavelmente, na madrugada de sexta para sábado. – Respondo, sabendo que minha resposta não a deixaria nada feliz.

– Você tem certeza que você vai vir, Austin? – Pergunta, seriamente.

– Sim. Eu tenho certeza. É o casamento de dois dos meus melhores amigos. Eu tenho que ir. – Afirmo, frustrado pela incerteza de minha namorada.

O choro de uma criança no fundo faz Ally suspirar. Ouço o movimento de minha namorada. Não demoro muito a perceber que quem chorava era a pequena Ellie. Sorrio, sentindo a saudade apertar meu peito. Eu sentia falta da menina, mesmo tendo só a encontrado uma vez.

Em seu aniversário de um ano, Ellie será batizada e Ally e eu nos tornaremos padrinhos oficiais da menina. Esse era mais um dos motivos que eu tinha para me apressar a decidir o meu futuro com Ally.

– Austin? Você está aí? – Fala Ally do outro lado da linha, enquanto parecia estar balançando Ellie.

– Sim. – Respondo, sorrindo. – Onde estão Piper e Thomas?

Piper e Trish estão cuidando do vestido de Cassy, com a ajuda de Kira. Thomas saiu com Dallas, Dez e Elliot para comprar algumas coisas que estão faltando para o casamento, então acabei ficando como babá de Diana e Ellie. – Fala a morena, com carinho.

– Diana está com você? – Pergunto, surpreso.

Sim. – Responde Ally, aos risos. – Ela acabou de dormir. Manu está muito ocupada com o restaurante e pediu que eu cuidasse da Diana. Eu sugeri que ajudasse com o Evan’s, mas ela insistiu que estava tudo bem, só precisava que alguém ficasse com a menina, porque Brooke não poderia cuidar dela hoje.

– Soube que Brooke é a nova fotógrafa preferida de meu pai. – Comento, rindo. – Manu não terá mais a sua preciosa babá.

– Manu está quase enlouquecendo com esse fato. – Fala Ally, rindo. – A Brooke está se saindo muito bem. Vi alguns trabalhos que ela fez e admito que estão ficando excelentes. Tenho certeza que muito em breve ela será uma grande fotógrafa. – Continua Ally, bem-humorada. Ouço Ellie voltar a chorar. – Shiii, dorme minha princesinha. Dorme. – Ellie continuava a resmungar. – Desse jeito você vai acordar a Diana. Sabe o quanto foi difícil fazer ela dormir?

– Parece que alguém trocou de profissão. – Brinco, rindo.

– Parece que sim. – Concorda a mulher, suspirando. – Austin, eu preciso trocar a frauda da Ellie. Só... – Ally volta a suspirar. – Me prometa que chegará a tempo. Você e eu...nós...você sabe, nós precisamos conversar. Eu não aguento mais essa situação, Austin.

– Eu sei. – Respondo, entendendo onde Ally queria chegar. – Eu prometo que vou estar no casamento.

– Mesmo que algum trabalho apareça? – Pergunta, com insegurança.

– Mesmo que algum trabalho apareça. Eu juro, Ally. – Afirmo, confiante. – Não importa o que aconteça, eu estarei presente no casamento de Cassy e Dallas.

Obrigada. – Agradece, sussurrando, parecendo estar tentando se controlar sua ansiedade.

– Eu te amo. – Sussurro, fechando os olhos, ouvindo a respiração descompassada de minha namorada.

Eu também te amo, Austin. – Declara, sorrindo.

Desligo o celular e suspiro, colocando o aparelho sobre a cômoda ao meu lado. Encaro o belo teto do quarto e o observo até pegar no sono. Agora eu tinha duas promessas para cumprir. A única coisa que eu torcia era para que todas as entidades divinas cooperassem para que ao menos dessa vez, eu tivesse a chance de ficar junto daquela que amo.

[...]

14 de junho de 2014 – Miami

A chuva caia de forma intensa em Miami quando o avião conseguiu pousar. O aeroporto estava cheio e o número de pessoas só aumentava cada vez mais conforme a tempestade se intensificava. Respiro fundo e sinto o suave cheiro da brisa marinha chegar as minhas narinas.

– Enfim em Miami. – Fala Alonso, dando uma leve cotovelada em meu braço. – Como está se sentindo?

– Ansioso. – Confesso, fazendo meu amigo ri.

– Eu imagino. Se eu que nem estou envolvido nessa história, estou nervoso, você deve estar prestes a ter um colapso. – Brinca o homem, arrancando um discreto sorriso meu. – E então? Não vai ligar para alguém vir nos buscar?

– Não. – Respondo, dando de ombros, enquanto sorrio para o homem. Começo a caminhar ao lado de fora do aeroporto, em busca de um taxi. – Eu quero fazer uma surpresa.

Alonso ergue uma das sobrancelhas e suspira, balançando a cabeça negativamente. Apesar da insatisfação, ele apenas ri e dá de ombros, provavelmente, sabendo que não adiantaria tentar me contrariar.

– Para onde nós vamos, então? – Pergunta Alonso, curioso.

Um taxi para ao nosso lado e sorri em cumprimento. Alonso e eu retribuímos ao gesto e nos aproximamos do carro. O homem sai do carro e abre o porta-malas.

– Para a minha casa, é claro. – Respondo, enquanto ajudo o taxista a colocar nossas malas no carro.

– Tudo bem. – Concorda o moreno, dando de ombros e passando a ajudar.

Assim que terminamos, entramos no taxi e passo o endereço de minha casa para o motorista. Conforme adentrávamos a movimentada cidade, noto que o caos havia a dominado. A chuva estava piorando cada vez mais, causando a locomoção quase impossível.

O engarrafamento foi inevitável. Observo a chuva com preocupação. Os trovões e relâmpagos se alastravam pelo céu da cidade. Ally com certeza estaria apavorada neste momento. Pego meu celular para ligar para a mulher, mas não havia nenhum sinal.

– Droga. – Sussurro, atraindo a atenção de Alonso.

– O que houve? – Pergunta, confuso.

– Meu celular está sem sinal e eu não consigo ligar para Ally. – Respondo, voltando a discar o número.

– Meu celular também está sem sinal. – Fala Alonso, enquanto observa a tela de seu aparelho.

– A chuva está forte demais. Por mais que tentem, não conseguirão ligar para ninguém. – Avisa o motorista, olhando pelo retrovisor do carro para nós.

– Ele tem razão. Essa tempestade está dando interferência. Não vai conseguir ligar para Ally. – Fala Alonso, seriamente. – Pensei que quisesse fazer uma surpresa para Ally. Por que quer ligar para ela agora?

Trovões ecoam novamente. As luzes da cidade, de repente, se apagar. Aperto meu celular com força, quando as imagens de Ally indefesa invadem minha mente. Alonso continua a me encarar preocupado e a chuva parecia só piorar a cada instante, enquanto o trânsito permanecia parado.

– Ally precisa de mim. – Sussurro, apertando ainda mais meu celular.

– Agora? – Questiona Alonso, confuso. – Como você sabe?

– Alonso, Ally tem medo de trovões. Ela deve estar apavorada. – Digo, surpreendendo ao homem. – Eu tenho que a encontrar o mais rápido possível.

– Austin, a chuva está muito forte e nós estamos no meio de um engarrafamento, além de que a energia acabou por toda a cidade. Dessa vez, a Ally vai ter que se contentar com os amigos dela. – Explica meu amigo, enquanto volta a guardar seu celular. – Você mesmo me disse que ela está na casa de Cassidy com Dallas, Piper e Thomas. Então se controla. Ela vai ficar bem.

– Você não entende, Alonso. – Digo, insatisfeito.

– Então me explica. Apesar da aparência, você sabe que eu não sou burro. – Fala Alonso, dando de ombros.

– Você não a viu chorar de medo quando uma tempestade como essa caiu sobre Miami o ano passado. Ela ficou apavorada, Alonso. Ally é a mulher mais forte que eu conheço, no entanto, quando se trata de trovões, ela se transforma em uma criança assustada e perdida. – Respondo, sentindo a adrenalina consumir meu corpo. – Ela precisa de mim.

– Austin, não tem como você ir atrás dela agora. – Avisa Alonso, olhando-me com preocupação.

Contrariado, volto a tentar ligar para Ally, mas ainda estava sem sinal. Mais trovões se alastram pelo céu, enquanto observo pela janela as ruas cobertas pela intensa chuva. O mar estava bem mais agitado que o normal.

– Eu vou atrás dela. – Afirmo, soltando-me do cinto.

– Austin, não seja inconsequente! – Repreende Alonso, pegando em meu pulso e me impedindo que eu abrisse a porta do táxi. – A cidade está um caos.

– Escute seu amigo, senhor. O melhor a fazer é esperar essa chuva passar. Eu posso levá-los até a mulher que o senhor procura. – Aconselha o taxista, preocupado.

– Se fosse a mulher que você ama, Alonso? E se fosse Victória? O que você faria se estivesse na mesma situação que eu? – Questiono, olhando com seriedade para meu amigo.

Victória havia sido esposa de Alonso por três anos, mas acabou falecendo em um acidente de carro dois anos atrás. Lembro-me de como o homem ficou desolado e desde a perda da mulher que amava, ele se dedicou de corpo e alma pela profissão, viajando com frequência pelo mundo, sobrecarregando-se de serviços, na tentativa de evitar pensar na morte de Victória.

– Eu... – Alonso parece abalado com a pergunta. Repreendo-me internamente por tocar no assunto. Todos evitavam falar sobre a mulher desde sua morte, pois sabíamos que ainda era difícil para o homem aceitar que Victória nunca mais voltaria. – Você sabe que se ela estivesse viva, eu iria atrás dela, mas eu sou um idiota. Eu arriscaria minha vida quantas vezes fosse preciso para vê-la bem e feliz. No entanto, você é um dos meus melhores amigos, Austin. Não posso deixar que você cometa as minhas típicas idiotices.

– Alonso, por favor. – Peço, puxando meu pulso de volta. – Você também é um dos meus melhores amigos e eu entendo que só quer me proteger, mas, assim como você, eu arriscaria minha vida quantas vezes fosse preciso por Ally, então apenas me deixe ir. Por mais idiota que pareça, ela precisa de mim.

Alonso suspira, balançando a cabeça em negação. O motorista sorri, parecendo compreender meu desespero. Por fim, Alonso pega a blusa de frio que usava e me entrega, junto com um guarda-chuva que havia no carro. Sorrio para meu amigo e o abraço, agradecido.

– Tome cuidado, Austin. – Pede Alonso, preocupado. – E diga a Ally que desejei melhoras e que estou ansioso para conhecer a mulher que foi capaz de fazer meu amigo certinho virar um maluco apaixonado, capaz de arriscar a própria vida em meio a uma tempestade por ela.

– Obrigado, cara. – Agradeço, rindo. Afasto-me de Alonso e olho determinado para o mesmo, enquanto visto a blusa de frio. – Agora, eu preciso ir.

– Boa sorte. – Deseja Alonso, quando eu abro a porta do carro, em meio ao engarrafamento e abro o guarda-chuva tamanho família.

Ziguezagueando por entre os carros, corro em meio a tempestade. A chuva estava muito forte e a energia havia acabado. Era difícil enxergar qualquer coisa que estivesse a mais de um metro de distância. O vento forte fazia o guarda-chuva ser levado para trás e os grossos pingos de chuva me atingirem com violência.

Tento me localizar pelas placas de sinalização, com dificuldade, e suspiro, angustiado, ao perceber que estava a mais de quinze quilômetros de distância da casa de Cassidy. A locomoção se tornava ainda mais complicada com a água batendo dois palmos acima do meu tornozelo.

Alonso tinha razão. A cidade estava um caos. Carros, motos e pessoas tentavam compartilhar o mesmo espaço, mas a inundação atrapalhava a todos. Estressado com força que eu precisava fazer para não ser levado pelo vento, por causa do guarda-chuva, que já começava a se quebrar, jogo o objeto na lixeira mais próxima na calçada e volto a me concentrar em minha corrida.

O ar em meu pulmão diminuía a cada passo que dava. A pouca visibilidade fazia com que eu esbarrasse em inúmeras pessoas que corriam para se proteger da tempestade. Aparentemente, eu era o único louco que estava disposto a enfrentar o clima impiedoso daquele momento.

Quando a minha respiração começa a falhar, paro de correr e me apoio em meus joelhos, a procura do ar, enquanto sinto a chuva me atingir sem compaixão. Pego meu celular e tento ligar para Ally, rezando para que ao menos dessa vez a ligação se completasse.

Austin? – O sussurro amedrontado de Ally, após o terceiro toque, me alivia e, ao mesmo tempo, me preocupa ainda mais.

– Ally, você está bem? – Pergunto, com a respiração entrecortada.

Eu... – Ally começa a falar, mas antes que continuasse, um trovão ecoa pelo céu, fazendo a garota chorar e abafar um grito de susto. – Droga... – Sussurra, chorando.

– Onde você está? – Questiono, voltando a correr.

Estou no Evan’s. – Responde Ally, tremendo. – Onde você está, Austin?

– Espera. – Paro de correr no mesmo instante, surpreso. – O que você está fazendo no Evan’s?

– É uma longa história. – Fala minha namorada, cansada e temerosa. – Onde você está, Austin? – Ally volta a repetir sua pergunta.

– A caminho do Evan’s. – Afirmo, atravessando a avenida, sobre buzinadas e xingamento dos motoristas, por eu me jogar de frente aos carros, sem me importar com o perigo de ser atropelado.

– O que? – Murmura Ally, sem acreditar.

– Eu já estou chegando, Ally. – Digo, correndo ainda mais rápido pelo calçadão da praia.

O Evan’s estava bem mais perto que a casa de Cassy, para o meu alívio. Ally continuava no outro lado da linha, não acreditando no que eu havia dito. Ao longe eu conseguia ver o restaurante, com as luzes apagadas e solitário.

– Não brinque comigo, Austin. – Repreende Ally, com a voz fraca.

– Eu...não estou...brincando. – Respondo, tendo dificuldade para falar, devido ao esforço que eu fazia.

Continuo a correr, ultrapassando todos os meus limites. Meu corpo parecia se tornar cada vez mais pesado. E quando finalmente consigo chegar ao Evan’s, desabo na entrada, respirando com dificuldade e tentando controlar os descompassados batimentos cardíaco.

– Eu estou aqui. – Sussurro para Ally, no celular.

Ouço o choro de Ally se intensificar. Ela estava assustada e sozinha, enfrentando seu maior medo. Antes que eu abrisse a porta e corresse até a mulher, Ally o faz primeiro, jogando seu corpo contra mim, abraçando-me com todas as suas forças, enquanto chorava intensamente.

– Austin... – Sussurra, contra meu peito.

Acaricio seu cabelo e a aperto ainda mais contra mim, sentindo todo o seu corpo tremer. Ally parecia um animal indefeso perdido na escuridão que o restaurante estava.

– Shiii...eu estou aqui. – Sussurro em resposta, tentando acalmá-la. – Não precisa mais ter medo. Eu estou aqui.

Ally me abraça com ainda mais força e se encolhe ao ouvir o forte trovão. Com cuidado, a guio de volta para dentro do restaurante. Fecho a porta e tento ligar as luzes do lugar, mas percebo que ainda estávamos sem energia.

Eu estava completamente molhado e agora que havia parado de correr, começava a sentir o frio. Percebendo meu estado e tentando controlar seu emocional, Ally se afasta e caminha com cuidado, pois não conseguia enxergar, até o banheiro do restaurante e volta, logo em seguida com uma toalha em mãos. A mulher me estende a peça e trava os dentes e fecha os olhos ao ouvir mais barulhos de trovão.

Com uma rapidez desconhecida por mim, retiro a blusa de frio que eu usava e a camiseta, além dos tênis e das meias, ficando somente de calça e com a toalha. Encaro Ally com preocupação e como a um ano atrás, mesmo na escuridão, consigo ver a delicadeza de seus traços e a beleza única da mulher.

Sem esperar por mais nada, puxo-a para um beijo. Ally joga seus braços sobre meus ombros e não demora a corresponder ao desesperado ato. A mistura de paixão, saudade e medo definia nosso beijo.

Nos separamos por alguns instantes e nos encaramos com intensidade. Os olhos de Ally brilhavam. Tendo somente os relâmpagos como iluminação, boa parte do rosto de minha namorada estava obscuro, mas ainda sem a luz, eu via todos os sentimentos de Ally pelos seus olhos.

– Você veio. – Sussurra Ally, acariciando meu rosto, com fascínio.

– Eu disse que eu estaria aqui não importava o que acontecesse. – Afirmo, enquanto encosto minha testa na sua. Sua suave respiração batia contra meu rosto, trazendo conforto ao meu peito.

Ally sorri, enquanto pequenas gotas caiam pelo belo rosto. Beijo sua testa e limpo suas lágrimas. A mulher volta a me abraçar, começando a controlar sua respiração e esquecendo-se, mesmo que fosse somente naquele momento, o seu medo e a tempestade que dominava a cidade.

Notas finais
Diálogo em francês: "- Boa tarde. Posso ajudar? - Boa tarde. Vocês teriam uma porta rosa? - Rosa? - Sim. - Sinto muito, senhor. Não temos portas dessa cor. Há algo mais em que eu possa ajudá-lo? - Não, obrigado. - Fique à vontade. Se precisar de alguma coisa, por favor, me chame. Meu nome é Clarie. - Obrigado." oOo O que acharam, pessoal? Críticas? Elogios? Alguma sugestão? Oi Cupcakes ♥! Animados para os últimos capítulos da história? O próximo capítulo é o penúltimo e teremos muitas coisas interessantes acontecendo. Estou ansiosa pela opinião de vocês, então deixem comentários, tudo bem? Beijocas ♥ oOo PS.1: Quem quiser participar do grupo no face: www.facebook.com/groups/677328449023646/ >o< !! PS.2: Criamos um grupo no WhatsApp, então podem participar também, basta apenas me enviarem uma MP com o DDD de vocês e o número do celular que eu adiciono *-* !! Unlike Cinderella: http://fanfiction.com.br/historia/514701/Unlike_Cinderella/ Fire Scars (Fic Prielle): http://fanfiction.com.br/historia/578178/Fire_Scars/ Unfaithful: http://fanfiction.com.br/historia/630878/Unfaithful/