Obsession
28 Capítulo 27 - Chunking
Notas iniciais
31 de dezembro de 2013 – Nova York
POV Ally
31 de dezembro, véspera de Ano Novo. Por mais feliz que estivesse com a chegada do ano de 2014, eu não conseguia evitar entristecer-me ao pensar em Austin. Já havíamos completado mais de sete meses da dura separação e a cada dia que se passava, mais difícil era de se controlar a saudade.
Muitas coisas haviam acontecido em nossas vidas. Eu havia me tornado uma das chefes principais do Carbone. Apesar da complicada rotina, eu amava trabalhar com Jade, Marco e toda a equipe. Os clientes eram exigentes, mas também eram gentis e calorosos.
Meus amigos também haviam melhorado em suas vidas profissionais. Dallas estava se saindo muito bem na companhia onde era gerente. Cassidy descobriu seu amor pela psicologia, devido a sua experiência com a perda de memória, e acabou entrando na faculdade mais prestigiada de Copenhagen.
Dez abandonou o emprego de gerente de uma empresa alimentícia, após uma grande empresa ter descoberto seu talento para a indústria cinematográfica. Seu primeiro filme já estava sendo gravado, tendo previsão de lançamento para o próximo semestre.
Trish finalmente começou a ser reconhecida por seus lindos trabalhos como estilista e estava conseguindo mais prestígio a cada dia que se passava. Gavin havia sido promovido como diretor geral do hospital, após demonstrar a sua grande habilidade em administrar uma equipe médica.
Kira e Elliot haviam conseguindo a transferência que tanto desejavam e agora estavam morando em Miami. Brooke continuava secretária do estúdio de Mike, mas já começara a se especializar no ramo da fotografia. Com o apoio do marido e do chefe, a mulher estava se saindo melhor do que o esperado.
Piper e Thomas não podiam estar mais felizes. Após o nascimento da filha, o casal decidiu investir de vez na loja de roupas da loira. Thomas havia largado o emprego como designer gráfico de uma importante empresa e passara a ajudar a esposa tanto com a filha quanto com a loja. Piper não poderia estar se sentindo mais realizada como nessa sua nova fase. Com a sua experiência na área da moda e a ajuda do marido, ela estava se saindo muito bem com a confecção de roupas. A mulher até mesmo havia convidado Trish para se juntar a ela na loja e eu suspeitava que faltava muito pouco para que a mesma aceitasse.
Austin foi o que mais mudou profissional e mentalmente. Após receber uma oferta irrecusável de Bill Berkson, o loiro estava viajando o mundo ao lado do amigo Alonso e aprimorando seu conhecimento sobre a fotografia e outras formas de arte.
Eu estava muito feliz por ele, mas devido a sua agenda apertada e a minha rotina inquietante, estávamos nos falando cada vez menos e isso me incomodava e muito. Mesmo que sem querer, estávamos nos afastando. E eu não conseguia evitar sentir medo.
– Três Crab Cakes Carciofi, um Franco Bolli Royale, dois Fettuccine con Funghi para a mesa vinte e oito. – Grita Dimas, entrando na cozinha com sua bandeja cheia de pratos e copos.
– Deixa comigo. – Digo, correndo até a geladeira e pegando os ingredientes necessários.
– Um Lobster Ravioli, um Spicy Rigatoni Vodka e um Whole Branzino para a mesa treze pronto. – Grita Alan, colocando os pratos sobre a grande mesa metálica.
– Estou levando. – Responde Pietro, enquanto colocava os pratos sobre sua bandeja.
– Quatro porções de Tortelli di Carnevale. Uma porção recheada de chantilly e as outras três de creme para a mesa sete. – Pede Benjamin, entrando às pressas na cozinha, carregando sua bandeja, que assim como a de Dimas, estava cheia de louças suja.
– Eu fico com esse pedido. – Avisa Jade, pegando o açúcar e os outros ingredientes da sobremesa. A mulher geralmente fica encarregada apenas do atendimento aos clientes na ala principal do restaurante, mas em datas comemorativas como Natal e Ano Novo, a mulher fazia questão de colocar as mãos à massa e ajudar de todas as formas que podia na cozinha, ao lado do marido.
O restaurante estava lotado. Não tínhamos parado nenhum minuto desde que o mesmo havia sido aberto. E eu agradecia mentalmente por isso. Eu passaria a noite de Ano Novo sozinha e isso me traria inúmeras lembranças tristes. Piper e Thomas haviam me convidado para passar junto da família da loira, mas por ser uma viagem de três horas de Nova York a fazenda onde a festa seria realizada, preferi recusar.
Meus pais viajaram para Miami, onde passariam a virada do ano com os meus tios e primos. A família inteira estaria reunida, mas eu não poderia ir a Miami, sendo que eu trabalharia no dia seguinte no Carbone. Meus colegas de trabalho haviam me convidado para participar de suas festas, mas a verdade é que me faltava ânimo para ir a qualquer lugar.
As horas de trabalho pesado junto com a tristeza por não conseguir conversar com Austin desde o Natal eram motivos suficientes para que eu me isolasse um pouco de todos em minha casa, assistindo à virada do ano pela televisão, enquanto tomava um pouco de champanhe. Suspiro, frustrada, voltando a me concentrar em meu trabalho. Não importava o quão decepcionada eu estivesse, ainda havia muito a ser feito no restaurante. Eu não tinha tempo para lamentar a minha fracassada noite de Ano Novo.
Por volta das onze da noite, o último cliente deixa o restaurante, trazendo um grande alívio a todos, por termos concluído o dia com satisfação. Apesar da correria, todos os clientes saíram com o típico sorriso no rosto, não poupando elogios ao Carbone.
– Bom trabalho, pessoal. – Elogia Marco, assim que recebe o valor do faturamento do dia. – Nos saímos melhor do que o esperado. Todos estão de parabéns pelo trabalho duro.
– E como hoje é véspera de Ano Novo, não iremos prendê-los aqui por mais tempo. Todos estão liberados, mas não se esqueçam de estarem aqui no horário de sempre para abrirmos o restaurante amanhã de manhã. – Fala Jade, sorrindo carinhosamente.
A equipe sorri e bate palmas, comemorando o fim do expediente. Aos poucos, o restaurante foi se esvaziando até que sobrasse somente Marco, Jade, Elizabeth e Eric, os filhos do casal, e eu.
– Volte aqui, Lizzie. – Digo, arrancando risos da garotinha que corria pelo restaurante, enquanto eu a seguia, com seu irmão nos braços.
– Não. – Grita Elizabeth, rindo alto.
– Corre, Lizzie. Corre. A tia Ally vai te pegar. – Grita Eric, rindo, enquanto eu fazia cócegas no mesmo.
As crianças riam, divertindo-se com a brincadeira, enquanto esperavam pelos pais. Os gêmeos de quatro anos, mesmo passando das onze horas da noite, não pareciam nenhum pouco cansados, causando ainda mais cansaço em mim, que havia ficado em pé o dia inteiro.
– Ainda está aqui, Ally? – Pergunta Marco, surpreso, ao me ver brincando com seus filhos.
– Sim. – Respondo, sorrindo e colocando Eric no chão. – Como não tenho nenhuma festa para ir e nem estou esperando visitas, resolvi brincar um pouco com as crianças, enquanto você e Jade terminam de fechar o caixa do restaurante.
– Obrigada pela ajuda, querida. – Jade agradece, suspirando cansada. Ela se abaixa, com os braços abertos. As crianças sorriem e correm até a mãe, abraçando-a com animação.
Jade levanta as duas crianças e beija a testa de cada uma delas. Marco sorri e pega Eric do colo da mãe, sabendo que a esposa estaria cansada demais para segurar os filhos por muito tempo.
– A nossa oferta ainda está de pé. – Fala Marco, sorrindo simpático. – Não faremos nada demais. Somente um pequeno jantar de virada de ano.
– Vem com a gente, tia Ally. – Pede Eric, sorrindo animado.
– É, tia Ally. Vem com a gente. – Repete Elizabeth, com os olhos brilhando em ansiedade.
– Desculpa, crianças, mas a tia Ally está muito cansada. Tudo o que ela quer é ir dormir. Deixa para a próxima. – Respondo, sorrindo sem graça.
– Se é assim, então nos vemos amanhã. – Despede-se Jade, aproximando-se de mim e me abraçando com carinho, enquanto ainda segurava Elizabeth. – Feliz Ano Novo, querida.
– Feliz Ano Novo, Jade. – Digo, correspondendo ao abraço.
Separo-me da mulher e sorrio para a criança em seu colo. Balanço os cabelos castanhos da doce garota, e a acompanho nos risos. Beijo sua testa e passo para Eric que sorria tímido.
– Eric. – Cantarolo, fazendo o garoto esconder o rosto no pescoço do pai. Rio, aproximando-me dele. – Você não vai fugir de mim.
– Não. – Ri o garoto, escondendo-se ainda mais. – Não deixa a tia Ally me beijar, papai.
– Desculpa, filhão, mas a tia Ally é mais forte que eu. – Brinca Marco, enquanto eu puxava o garoto, que ria e gritava em brincadeira.
Beijo o rosto do garoto sobre protesto, em meio a risadas e gritos animados das crianças. Jade e Marco pareciam tão felizes com a animação dos filhos que não aparentavam terem trabalhado quase dezesseis horas sem descanso no dia.
– Feliz Ano Novo, Marco. – Desejo, assim que entrego Eric de volta para o pai.
– Feliz Ano Novo, Ally. – Fala o homem, puxando-me para um abraço paternal. – Tome cuidado e qualquer coisa nos ligue. Jade e eu estaremos perto de nossos celulares. Se você se sentir muito sozinha, ligue que daremos um jeito de ir te buscar.
– Não se preocupem comigo. – Garanto, sorrindo em agradecimento. – Eu vou ficar bem. Agora, eu tenho que ir. Vocês já devem estar atrasados para o jantar de virada do ano. Boa noite e até amanhã. – Digo, despedindo-me de meus chefes.
Pego minha bolsa e visto meus agasalhos. A neve caia com intensidade em Nova York e a noite não poderia estar mais bonita com as luzes natalina espalhadas pela cidade.
Caminho sem pressa pelas ruas, admirando a paisagem e sentindo a neve cair com delicadeza em meu corpo. O frio era demasiado, mas os sorrisos calorosos das pessoas que se apressavam para assistir ao show de fogos no Central Park pareciam diminuir o incomodo.
Sinto meu celular vibrar em meu bolso. Pego o aparelho e sorrio ao ver que quem me ligava era minha mãe. Respirando fundo para espantar a tristeza que ainda havia dentro de mim, atendo a ligação.
– Oi mãe.
– Já saiu do trabalho, querida? – Pergunta minha mãe, preocupada. Ao fundo, era possível se ouvir a animação de minha família, rindo e conversando sobre assuntos banais.
– Acabei de sair. – Respondo, sentindo um pouco do cansaço em meus ombros. – E como estão as coisas por aí? Estou vendo que a festa está bem animada.
– Ah, estaria melhor se você estivesse aqui. – Afirma a mulher, dando um triste suspiro. – Mas a festa está bem animada. Seus tios decidiram ver as antigas fitas de vídeo que sua avó guardava e estão relembrando as histórias do passado.
– Meu pai está aí? – Pergunto, sorrindo ao ouvir as gargalhadas escandalosas de meus tios.
– Sim. – Diz, pensativa. – Depois do susto que ele nos deu, achei melhor trazê-lo para a festa junto com os seus tios para passar o Ano Novo. Sabe que eu não confio na família dele.
Rio, lembrando-me das vezes em que meus tios por parte de pai e minha mãe discutiram. Mesmo estando separados a mais de onze anos, meus pais faziam questão de passar Natal, Ano Novo e Ações de Graça juntos. Apesar das brigas, era divertido vê-los agir como se ainda fossem casados.
Era nessas horas que eu me perguntava se eles realmente se odiavam como diziam ou somente era a forma mais fácil que eles haviam achado para encobrir o forte sentimento que sentiam um pelo outro.
Apesar dos anos de separação, meus pais jamais se casaram novamente. Estiveram em alguns relacionamentos, mas nada duradouro. Eles sempre colocavam defeitos nas pessoas e acabavam por ficarem sós. E eu suspeitava que o motivo deles acharem que seus pretendentes não eram bons, era o simples fato deles desejarem, inconscientemente, que fossem iguais aos seus antigos cônjuges.
Minha mãe havia se aproximado muito mais do meu pai nos últimos meses, desde que ele precisou fazer a cirurgia. Ela negava, mas eu via em seus olhos a preocupação ou o brilho de orgulho por vê-lo melhorar, toda vez que alguém citava o nome de meu pai.
– Tente não brigar com eles, mãe. – Recomendo, enquanto espero o sinal fechar para atravessar a rua. – Principalmente com o meu pai.
– Impossível não brigar com aqueles seis irresponsáveis. – Responde minha mãe. Eu não tinha dúvidas que a mulher revirava os olhos naquele momento. – Seu pai é o pior deles. Vive comendo o que não deve. Às vezes tenho vontade de jogar uma panela na cabeça de Lester, para ver se ele toma jeito.
– Mãe! – Repreendo a mulher, rindo. Atravesso a rua, ouvindo o suspirar cansado de minha mãe.
– Mudando de assunto, sabe quem está passando o Ano Novo aqui com a gente? – Fala Penny, despertando a minha curiosidade.
– Quem? – Pergunto, cansada demais para tentar adivinhar.
– Gavin, Mike, Brooke e Trent. – Responde a mulher, surpreendendo-me.
– Mesmo? Que legal, mãe. – Digo com sinceridade. – Gavin havia me contado que passaria o Ano Novo com vocês, mas eu não sabia que Mike, Brooke e Trent também iriam.
– Seu pai convidou o Mike e disse que poderia trazer quem ele quisesse. – Explica Penny. Sorrio e suspiro, feliz por saber que ao menos Mike ficaria bem com a minha família. – E você, filha? Vai mesmo passar o Ano Novo sozinha?
– Eu estou morta de cansaço, mãe. Não estou nenhum pouco animada para ir a festas de fim de ano. Trabalhei o dia todo e tudo o que eu mais estou desejando no momento é a minha cama. – Respondo, suspirando, cansada. Ouço a mulher bufar, inconformada com a minha escolha.
– Ao menos Austin te ligou? – Pergunta minha mãe, parecendo irritada.
– Não. – Sussurro, sabendo que a resposta não agradaria em nada a mulher.
– Não? – Repete Penny, suspirando em insatisfação. – Por que você ligou para ele, Ally?
– Ele deve estar ocupado, mãe. – Tento convencer a mulher, sabendo que seria em vão.
– Em plena véspera de Ano Novo? – Pergunta, sarcasticamente. – Não seja boba, Ally. – Repreende minha mãe, suspirando com irritação.
– Por que ele não poderia estar ocupado? – Questiono, enquanto desvio de alguns turistas que conversavam animados e ocupavam boa parte da calçada. – Ele é fotografo, mãe. Já pensou que ele pode ter sido contratado para cobrir alguma festa de Ano Novo?
– Isso não é motivo para ele não te ligar. – Repreende minha mãe, irritada. – Ally, nem que fosse para falar somente um “Feliz Ano Novo”, ele deveria te ligar.
– Olha, mãe, eu preciso desligar. Eu estou indo a pé para casa, então...
– Por que você não foi de carro? – Penny me interrompe, preocupada.
– Mãe, hoje é véspera de Ano Novo. Você sabe muito bem que as ruas de Nova York ficam um caos. Eu já tive estresse demais para um dia só. Não quero me estressar com engarrafamento e todas essas coisas. – Digo a mulher, com sinceridade. – Eu vou desligar, mãe.
– Tudo bem, querida. – Concorda a mulher, soando triste. – Liguei somente para saber como você estava e desejar “Feliz Ano Novo”.
– Feliz Ano Novo, mãe. – Desejo, sentindo a saudade apertar meu peito. – Eu te amo.
– Eu também te amo, minha princesa. – Responde a mulher. Ouço meu pai ao fundo, gritando “Feliz Ano Novo, filha. Eu te amo”. – Ouviu seu pai?
– Ouvi sim. – Respondo, rindo. – Deseje “Feliz Ano Novo” a ele e diga que eu também o amo.
– Certo. – Diz a mulher, parecendo um pouco mais feliz. – Se cuida, filha. Qualquer coisa liga.
– Tudo bem. Tchau mãe.
Desligo o celular e rio da mulher. Não importava o quanto eu crescesse, minha mãe sempre me trataria como uma criança. Suspiro e guardo o celular no bolso. Sentindo o vento assoprar com ainda mais força, encolho-me em meu cachecol e o ajeito para que cobrisse mais o meu rosto e puxo a toca para baixo, deixando somente os olhos e uma parte do nariz para fora.
– Que frio. – Sussurro, esfregando as mãos que estavam cobertas por grossas luvas.
Eu andava pelas ruas cobertas de neve e cada vez mais desertas, sentindo meu peito se apertar por saber que o novo ano se iniciaria e nem mesmo pude ouvir a voz de Austin no último dia do ano.
Tomando cuidado por onde eu andava para atravessar a pequena ponte, por onde passava um rio, agora congelado, por debaixo, acabo esbarrando em um desconhecido, que corria apressado, bem no momento em que os fogos começaram a colorir o céu.
Sou amparada pelos fortes braços do desconhecido, segundos antes de ir de encontro ao chão. Assustada com os barulhos, desvio meu olhar do homem e me afasto sem nem mesmo olhar seu rosto, e passo a encarar o lindo céu de Nova York em deslumbre. Por estar um pouco mais afastada de casas e prédios, a iluminação era menor, dando ainda mais intensidade as cores do show dos fogos de artifício.
O ano novo havia chegado e eu havia passado a virada ao lado de um desconhecido. Suspiro, tentando me conformar com a realidade. Desvio o olhar do magnifico show de cores, sentindo o olhar do estranho sobre mim. Quando encontro seus olhos é impossível não me assustar.
Austin estava ao meu lado, sorrindo docemente. Os fogos continuavam a serem lançados ao céu, mas de alguma forma, observá-las parecia ser um desperdício de tempo. Sorrio, sentindo as lágrimas se formarem em meus olhos.
– Austin! – Grito, pulando nos braços do loiro, sendo recebida com um forte abraço pelo homem. – Ai meu Deus! Eu não acredito que você está aqui! – Exclamo, apertando ainda mais o nosso abraço.
Austin se separa um pouco de mim e coloca as duas mãos em meu rosto, encarando-me com paixão. Ele encosta sua testa na minha e suspira, parecendo sofrer.
– Eu senti tanto a sua falta. – Sussurra, angustiado. – Passar esses meses longe de você foi uma tortura para mim, Ally.
– Eu sei. Para mim também. – Concordo, fechando os olhos, enquanto aproveito do carinho oferecido pelo homem.
E em meio ao belo show de fogos de artifícios, Austin e eu trocamos o nosso primeiro beijo do ano novo, carregado de desejo, saudade e paixão. Aquele era o melhor presente que eu poderia querer. Poder estar nos braços de Austin após sete meses longe era como estar no paraíso.
Nossas bocas se encaixavam de maneira simétrica, assim como antes. Nossos corpos pareciam querer se unir cada vez mais. E pela primeira vez em minha vida eu tinha certeza de que eu não poderia viver sem Austin. Eu o amava demais para permanecer longe.
– Ally. – Sussurra o homem, ao nos separarmos de nosso beijo.
Seus olhos brilhavam em ternura e meu coração parecia querer sair pela boca. Toco em seu rosto, esperando que fosse somente uma miragem. Volto a abraçá-lo, sentindo meu corpo se aquecer.
– Quando você chegou? – Sussurro, contra o peito do rapaz, que me apertava como se nunca mais fosse me soltar. Levanto o rosto para olhar em seus olhos.
– Por volta das nove. – Confessa, sorrindo. – Eu queria ir te fazer uma surpresa, mas peguei um engarrafamento enorme e só consegui chegar agora.
– Ano novo. – Digo, dando de ombros.
– Ano novo. – Concorda, entendendo o que eu quis dizer com isso. – Sinto muito não ter te ligado antes.
– Tudo bem. – Sorrio e me afasto um pouco do loiro. – O importante é que você está aqui.
Austin abre um lindo sorriso e balança a cabeça concordando. Ele volta a me abraçar, por um longo tempo, sem se importar no frio que fazia ou que estávamos parados bem no meio de uma ponte. Inspiro seu perfume característico, sentindo-me em paz após tanto tempo longe daquela essência única do loiro.
– Só temos um problema. – Afirma, inseguro.
– O que? – Pergunto, preocupada, afastando-me do homem.
– Eu só ficarei até amanhã à noite...quer dizer, até hoje à noite. – Revela, suspirando frustrado.
– Por que? – Pergunto, sentindo como se tivessem acabado de jogar um balde de água fria em minha cabeça.
– Com o sucesso da exposição das fotografias durante a comemoração dos setenta anos de Mercedes-Benz Fashion Week, Alonso conseguiu mais alguns trabalhos importante para nós. – Explica Austin, infeliz.
Austin havia passado três dias em Nova York no início do mês, durante os desfiles da semana da moda, mas por conta da agenda cheia de compromissos do loiro e a com a correria do restaurante, devida a alta temporada de turistas, nós não conseguimos nos ver. E agora, só teríamos apenas algumas horas juntos, antes que ele fosse embora mais uma vez.
– Eu sinto muito, Ally. – Desculpa-se o loiro, com sinceridade. Vejo desespero em seus olhos e suspiro, sabendo bem que a culpa não era dele. – Alonso assinou os contratos sem me contar todos os detalhes.
– Tudo bem, Austin. – Digo, acariciando sua face, sorrindo em compreensão.
– Mesmo? – Pergunta, inseguro. – Porque se não tiver, eu arranjo um jeito de te arrastar comigo para Londres.
Rio do rapaz e balanço a cabeça, confirmando. A oferta parecia muito tentadora, mas tínhamos que ser realistas. Nós havíamos decidido colocar nossas vidas profissionais na frente da amorosa, então só nos restava aceitar e terminar o que havíamos começado.
– Por mais que eu queira aceitar a oferta tentadora de passar um tempo com você em Londres, infelizmente eu terei que recusar, para a sua grande tristeza. – Brinco, arrancando um pequeno sorriso do loiro. Respiro fundo e sorrio. – Ainda que sejam somente algumas horas, eu quero passar esse tempo com você. Seis ou sete horas com você são melhores que nada. Então, vamos esquecer por esse tempo, que você realmente precisa ir embora. Eu só quero aproveitar essa noite fria de ano novo ao seu lado.
– Eu te amo. – Sussurra Austin, beijando em seguida minha testa, bochecha e finalmente minha boca. – Eu te amo muito.
– Eu também te amo muito. – Afirmo, antes de puxá-lo para mais um beijo.
Eu não me lamentaria. Por mais difícil que estivesse sendo ficar longe de Austin, eu havia tomado essa decisão e a saudade absurda era consequência de meus atos. E ainda que parecesse loucura, eu deixaria o tempo me guiar pelos caminhos tortuosos do destino. Enquanto isso, eu aproveitaria o pouco tempo que eu teria com Austin, sem me importar com o futuro ou como será difícil dizer adeus pela terceira vez desde que nos conhecemos.
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