Obsession
25 Capítulo 24 - Goodbye
Notas iniciais
26 de maio de 2013 – Miami
POV Austin
“ – Crianças, venham. – Chama minha mãe, enquanto arrumava a mesa da praia e, com a ajuda de meu pai, colocava as guloseimas que havia preparado.
– Vamos, pessoal – Digo aos meus amigos, que brincavam com meu cachorro de estimação. – Vem, Léo.
O Pastor Australiano de seis anos corre em minha direção, sendo acompanhado de meus amigos. Dez e Elliot apostavam corrida, enquanto Dallas conversava com Cassidy. Trish e Kira corriam e criticavam Dez e Elliot por serem tão infantis.
– Eu cheguei primeiro. – Garante Dez, assim que os dois chegam à mesa.
– Não. Eu cheguei primeiro, não é, tia Mimi? – Fala Elliot, olhando com esperança para a minha mãe.
– Os dois chegaram ao mesmo tempo. — A mulher sorri e acaricia a cabeça dos dois garotos emburrados.
– Garotos são tão bobos. – Afirma Kira, recebendo língua de Elliot e Dez em resposta. Kira revira os olhos e cruza os braços, irritada.
– Não liga para eles, Kira. Eles só são dois idiotas. – Fala Trish, fazendo a prima ri em concordância.
– Sem briga, crianças. – Pede meu pai, vendo que as quatro crianças já se preparavam para uma grande discussão. – Ei, garotão. — Brinca meu pai, fazendo carinho na pelagem de Léo, que balançava o rabo e latia, feliz, aproveitando.
– Vão lavar as mãos, crianças. Eu já vou servir a comida. – Pede minha mãe, após me dá um beijo na cabeça.
Corro até o banheiro que havia próximo de nós e lavo minhas mãos, sendo acompanhado pelos meus melhores amigos. Sorrio, animado. Estava sendo um dia muito divertido. Meus pais haviam me levado junto com Léo a praia e desde cedo, Cassidy, Kira, Trish, Dallas, Elliot, Dez e eu não havíamos parado de brincar.
– Estou com tanta fome. – Fala Cassidy, levando a mão a barriga, fazendo cara de dor.
– E quando você não está? – Questiona Dallas, recebendo um olhar para mal-humorado da loira.
– Vamos logo. Eu também estou com fome. – Apresso meus amigos.
Todos concordam e não demoram a terminar de lavar as mãos. Quando estávamos saindo do banheiro, ouço o som de choro não muito distante. Paro de correr e começo a olhar em volta. Meus amigos nem haviam notado que eu não os acompanhavam e continuaram seguindo até a mesa onde meus pais estavam.
Presto atenção ao som e não demoro a identificar de onde ele vinha. Vejo uma garotinha abraçando os joelhos, enquanto chorava com intensidade. Aproximo-me com cuidado. Ela parecia ser um pouco mais nova que eu. Tinha um longo cabelo loiro e liso.
– Por que está chorando? – Pergunto, parando de frente para a garota.
Ela levanta o rosto, assustada e vejo seus olhos azuis repleto de lágrimas. Sento-me ao seu lado e ela se afasta, parecendo temer que eu fizesse algum mal a ela.
– Não precisa ter medo. Não vou te machucar. – Afirmo, sorrindo. Estendo minha mão e ela a encara, confusa. – Sou Austin Moon e tenho dez anos. E você? Como se chama?
– Melanie Dawson. Eu tenho seis anos. – Diz, tentando controlar o choro. Ela aperta minha mão e me olha com tristeza.
– Por que está chorando, Melanie? – Volto a repeti a pergunta.
– Eu me perdi da minha prima. – Responde, voltando a chorar.
– E como é a sua prima? – Pergunto, sem saber como fazer a garota parar de chorar.
– Austin? – Grita meu pai, sendo acompanhado do latido de Léo.
– Aqui, pai. – Grito em resposta, fazendo Melanie me olhar com curiosidade.
– O que aconteceu? Por que não voltou com os outros? E... – Meu pai para de falar ao notar a garotinha ao meu lado. – E quem é essa garotinha?
– Seu nome é Melanie. Ela se perdeu da prima dela, pai. Será que podemos ajudá-la? – Pergunto, apontando para a garota. Melanie se encolhe, assustada.
– Claro, filho. – Mike me entrega a coleira de Léo e caminha até a garotinha, ajoelhando-se a sua frente. – Oi docinho. Não precisa ficar com medo. Meu nome é Mike e esse garotinho é o meu filho. Pode me dizer como é sua prima para que nós possamos te ajudar a encontrá-la?
Melanie balança a cabeça, concordando. Ela limpa o rosto que estava molhando pelas intensas lágrimas e se levanta. Meu pai a acompanha e a encara com atenção. Léo caminha até a garotinha, e notando sua tristeza e lambe sua mão, na tentativa de animá-la. Melanie sorri e acaricia a cabeça do cachorro.
– Ela é...
– Mel! – O grito de outra garota interrompe a fala de Melanie e a faz levantar o rosto, assustada.
– Lilly. – Grita Melanie, correndo até a menina que parecia ser um pouco mais velha que ela.
A garotinha tinha olhos e cabelos castanhos. Sua pele era clara e delicada. Quando chega a garota, Melanie a abraça com força, sendo retribuída no mesmo momento. As duas conversam por um tempo e após Melanie apontar para nós, a garota que a acompanhava começa a nos encarar e puxa a mais nova pela mão, vindo em nossa direção.
– Obrigada por terem cuidado de minha prima. – Agradece, sorrindo em alívio.
– Foi um prazer. – Afirma meu pai. Ele se abaixa até ficar no tamanho de Melanie e bagunça seus cabelos. – Tome mais cuidado da próxima vez, Melanie. Você deixou a sua prima muito preocupada.
– É verdade. – Concorda a garota de cabelos castanhos. – Eu tive que te procurar por todos os lugares, Mel.
– Desculpa, Lilly. – Fala a loira, com um sorriso triste.
– Tudo bem. – Fala a prima da menina, sorrindo, a desculpando. – Só não faça mais isso. – Melanie balança a cabeça, concordando, enquanto sorri. – Agora vamos, porque nossos pais estão nos esperando para almoçar.
– Claro. – Concorda Melanie, sorrindo, enquanto puxa a prima pela mão.
– Obrigada. – Diz a morena, mais uma vez. Ela tinha um sorriso doce em seus lábios e acena, com animação, enquanto era puxada pela prima para irem embora. – Tchau. – Léo late em resposta, fazendo as garotas rirem e correrem ainda mais rápido.
Depois daquele dia, nunca mais me encontrei com Melanie ou sua prima Lilly, mas de alguma forma, o sorrido da mais velha ficou gravado em minha mente, como uma doce lembrança da minha infância”.
– Prontinho, Lindsay. – Digo, sorrindo para a adolescente, finalizando seu ensaio fotográfico. – Pode ir se trocar, enquanto converso com sua mãe.
– Tudo bem. – Concorda a ruiva, sorrindo agradecida.
Deixo a pequena sala de paredes brancas e me dirijo a minha sala. A mãe da adolescente aguardava, pacientemente, na sala de espera do estúdio. Suspiro, impaciente. Apesar de tentar me concentrar totalmente no trabalho, a noite anterior não saia de minha cabeça.
– Lindsay está terminando de se trocar, sra. Henkins. – Aviso a mulher, que sorri em resposta, enquanto se levanta da cadeira.
– E como ficaram as fotos? – Pergunta a mulher, com curiosidade.
– Muito boas. – Respondo, caminhando para a minha sala, sendo seguido pela mãe da garota. – Eu passarei as fotos para uma mídia para que você possa selecionar quais usará no book.
– Certo. Obrigada. – Fala, sentando-se na cadeira de frente para a minha mesa. – Acredita que as fotos estarão prontas em quanto tempo?
– No máximo quarenta e cinco dias. – Afirmo, enquanto conecto a memória de minha câmera em meu computador. – Quanto mais rápido selecionar as fotos, mais rápido entregarei o book.
A mulher balança a cabeça, concordando e, antes que dissesse qualquer coisa, meu celular começa a tocar. Olho para a tela do aparelho e vejo que Dallas era quem ligava.
– Eu preciso atender. – Eu explico a mulher. Abigail Henkins apenas dá de ombros e sorri, concordando. – Prometo ser rápido.
– Tudo bem, sr. Moon. Continuarei esperando aqui. – Afirma a mulher, sorrindo gentilmente.
– Qual o problema, Dallas? – Questiono, atendendo o celular, assim que deixo a sala.
– Muito ocupado?
– Espere um minuto. – Peço, levando a mão ao aparelho para abafar o som. Caminho até Brooke e sorrio, sem graça. – Brooke, poderia levar um café para a sra. Henkins?
– Eu já estou indo. – Concorda a mulher, levantando-se de sua cadeira e se dirigindo a mesinha onde estava a garrafa de café.
– Pronto, Dallas. Pode falar agora. – Digo, indo para fora da loja.
– Estamos querendo fazer uma festa de despedida para Ally. Você vai comparecer?
Suspiro e me encosto na parede da fachada da loja. Eu já imaginava que a turma iria querer fazer uma festa para Ally, mas eu não sabia se eu ficaria bem indo em sua despedida.
– Acho que sim. – Respondo, decidindo que aproveitaria os últimos instantes que teria com ela.
– Você vai ficar bem com isso? – Questiona meu amigo, preocupado, do outro lado da linha.
– Provavelmente. – Falo, suspirando em seguida. – Não posso evitar esse momento para sempre.
– Certo. – Diz Dallas, com a incerteza evidente em sua voz. – Avise ao seu pai e a Brooke.
– Claro. – Afirmo, desencostando da parede. – Que horas começa?
– Por volta das cinco ou seis. Vai depender de que horas Cassidy e Trish voltarem com ela do shopping. – Responde Dallas.
– Tudo bem. Eu aviso a todos. – Digo, voltando a entrar na loja.
– Ok. Até mais.
– Até.
Desligo o celular e o encaro por um tempo. Em sua tela, uma foto minha com meus amigos em um dos ensaios do casamento de Kira e Elliot. Ally e eu estávamos muito próximos e sorriamos junto aos outros.
Suspiro, mais uma vez, e volto a guarda o aparelho em meu bolso. Me lamentar não mudaria o fato de Ally ir para Nova York e só serviria para me tornar um ser ainda mais deprimente e merecedor de pena. Retorno para minha sala e termino de atender a sra. Henkins.
Quando, finalmente, termino de passar as fotos de Lindsay para a mídia e entrego para a sra. Henkins, as mulheres vão embora, demonstrando satisfação. Pego um pouco de café e volto a trabalhar em alguns trabalhos que devem ser entregues na próxima semana.
– Austin? – Chama Brooke, batendo na porta. – Posso entrar?
– Claro. – Respondo, sem tirar os olhos da tela do computador.
– Aqui estão as cópias das fotos que você havia me pedido. – Fala a mulher, entregando-me um grande envelope branco. – Enquanto você estava trabalhando, os empresários ligaram e pediram para que você retornasse à ligação.
– Ao menos disseram o que queriam dessa vez? – Pergunto, encarando Brooke.
– Não, mas eu imagino que seja a respeito da proposta que te fizeram. – Sugere a morena, dando de ombros. – Ah, já ia me esquecendo. Seu pai conversou com Alonso e ele disse que estaria vindo para Miami ainda essa semana.
– Alonso está vindo para Miami? Por que? – Questiono, surpreso.
Alonso e eu nos formamos na mesma faculdade. Nós éramos muito amigos antes dele conseguir um contrato com uma empresa multimilionária e se mudar para Nova York. Apesar de amigos, por causa da agenda cheia do homem, nós quase não conseguimos manter contato.
– Vai haver um evento aqui em Miami no próximo sábado e ele estará dando palestras. – Explica Brooke, pegando uma revista que estava sobre um porta-jornal e me entrega. – Essa revista saiu hoje de manhã. Ele deu uma entrevista contando um pouco do seu passado e citou um amigo no qual ele tem muita vontade de voltar a trabalhar. Talvez ele venha lhe oferecer uma proposta.
– Talvez. – Concordo, enquanto folheio a revista. Olho a página onde havia foto de meu antigo amigo e vejo outras três páginas dedicadas somente a ele. – De qualquer forma, Brooke, Dallas me ligou e pediu para chamar você e ao meu pai para irem na festa de despedida de Ally.
– Então ela vai mesmo viajar? – Pergunta Brooke, sentando-se a minha frente, enquanto me encara com tristeza. – Não a conheço muito bem, mas fico triste por ela ir embora.
– Eu também. – Digo, suspirando, enquanto passo a inclinar um pouco mais a minha cadeira para trás. – Não será fácil me despedir dela.
– Nunca é fácil. – Concorda a morena, com pesar.
O telefone da mesa de Brooke começa a tocar, acabando com o silêncio que havia se instalado sobre nós. A mulher suspira e me lança um sorriso condolente, saindo da sala em seguida.
Viro-me para o meu computador e abro na imagem que venho observado com frequência desde que eu a conheci. Ally sorria lindamente com o seu vestido de noiva. Sorrio e balanço a cabeça, negando.
A vida continua. Não será fácil, mas não irei me entregar a tristeza como na última vez. Eu confio em Ally. Confio em nós. Mesmo que se passe anos, eu a esperarei, mas isso não significa que irei deixar de viver a vida, assim como ela me ensinou.
Coloco a foto de Ally como papel de parede de meu computador e volto a trabalhar. Havia muitas fotos a serem editadas e trabalhos a serem feitos.
Ligo o ar-condicionado da sala e procuro por uma música em meu computador. Escolhendo Counting Stars de OneRepublic, sorrio e volto a me concentrar no que eu sei fazer de melhor, torna uma simples fotografia em uma bela recordação, da qual jamais será esquecida.
[...]
Batidas na porta me despertam de horas de concentração no trabalho. Meu pai entra na sala, trazendo consigo um copo de café e sorri, entregando-me. Bebo um pouco do amargo e quente líquido, sentindo meu corpo reclamar de horas na mesma posição.
– Parece que alguém andou fazendo um ótimo trabalho. – Fala meu pai, sorrindo com orgulho, enquanto se senta de frente para a minha mesa. – Você está bem?
– Estou...conformado. Acho que essa é a palavra. – Digo, voltando a olhar para a tela do computador, terminando de editar uma das fotos do casamento de uma cliente.
– Pretende ir na festa de despedida de Ally? – Pergunta Mike, encarando-me com atenção.
– Irei. – Afirmo, sorrindo tristemente. – Diferente do que aconteceu com Piper, ao menos quero poder me despedir dela.
– Você fala como se não fosse voltar a vê-la. – Brinca o homem de cabelos grisalhos. – Ânimo, meu filho. Vocês ainda são muito jovens. Ela só tem 22 e você 25. Não acha que ainda pode acontecer muita coisa na vida de vocês?
– Sei que sim. – Sorrio, concordando com meu pai. Bebo o resto do café e jogo o copo no lixo. – Só não sou o tipo de pessoa que lida bem com a distância e você, melhor que ninguém, sabe disso.
Meu pai se levanta e anda com calma até a mim. Ele vira a cadeira para si e me olha em meus olhos, com intensidade, e, assim como fazia quando eu era criança, ele se ajoelha, ficando um pouco abaixo da minha altura.
– Eu estou aqui, filho. Iremos passar por esse momento juntos, tudo bem? Não importa o quão difícil possa ser, sabe que eu estou aqui para te acolher quando precisar. – Afirma o homem, com a voz suave, sorrindo com carinho.
– Você sabe que eu não sou mais criança, não é mesmo? – Brinco, fazendo Mike arquear uma das sobrancelhas. Rio e respiro fundo. – Obrigado, pai.
– Não há o que agradecer, filho. – O homem se levanta e eu o abraço, agradecendo por minha mãe ter o escolhido para ser meu novo pai. Apesar de saber que não sou seu filho de sangue, Mike sempre me tratou como se fosse.
Ele desfaz o abraço e olha para a porta, encontrando uma Brooke e um Trent sorrindo felizes. O casal estava abraçado e nos encaravam com admiração. Meu pai faz sinal para que entrassem e caminha até o marido de sua mais antiga funcionária.
– Trent. Como vai? – Pergunta meu pai, cumprimentando o rapaz com um rápido abraço.
– Estou indo muito bem e você, Mike? Boa tarde, Austin. – Fala Trent, acenando em cumprimento.
– Boa tarde, Trent. – Digo, sorrindo.
– Estou ótimo. – Responde meu pai, colocando-se ao lado de Brooke.
– Austin, já são quatro e meia. Vai passar em casa ainda ou vai direto para o Evan’s? – Pergunta Brooke, voltando a abraçar o marido.
– Eu...- Antes que eu continuasse, meu celular começa a tocar. Tiro o aparelho do bolso e o nome de Ally aparece, surpreendendo-me. – Um momento. – Falo aos outros, enquanto atendo a ligação.
– Austin?
– Ally? Algum problema?
Ao ouvirem o nome de Ally, Mike, Brooke e Trent me olham com curiosidade. Ignoro os olhares questionadores e volto a prestar atenção na garota que estava no outro lado da linha.
– Não, não. – Apressa-se em responder. – Apenas queria passar um tempo com você antes de ir embora. Você está ocupado?
– Não muito. – Digo, sem saber o que dizer. – Onde você está?
– Estou na casa de Cassidy. – As vozes de Cassidy e Trish ao fundo, falando com Ally, faz com que a morena suspire. – Espere um pouco, Austin.
– O que ela quer? – Questiona Brooke, aos sussurros.
– Passar um tempo comigo antes de ir embora. – Respondo, no mesmo tom de voz, encarando os três à minha frente.
– Vai busca-la e a enrole, enquanto os convidados da festa vão chegando. – Sugere Trent.
– Ele tem razão. – Concorda Mike. – Ainda é cedo para a festa e o voo de Ally sairá somente às nove. Leve-a para passear e quando for umas seis horas, vão direto para o Evan’s.
– Austin?
– Oi Ally.
– E então? Podemos nos encontrar? Quer dizer, não precisa vir, se estiver muito ocupado. – A voz de Ally, apesar de calma, parecia estar carregada de esperança. Olho para Brooke, Trent e meu pai e os dois balançam a cabeça, me incentivando.
– Não se preocupe. Eu já estou terminando o que está me prendendo aqui no estúdio. E eu quero passar um tempo com você também. – Afirmo, ouvindo o discreto suspiro de alívio de Ally. – Em vinte minutos eu chego.
– Estarei esperando. Tchau.
– Tchau.
Desligo o celular e volto a guardá-lo em meu bolso, sob os olhares de curiosidade de meu pai e meus amigos. Apresso-me em desligar meu computador e guardar todos os meus materiais de trabalho.
Por ser domingo, a loja já havia fechado a horas, então eu não precisava me preocupar em deixar algum cliente na mão. Quando tudo está pronto, sorrio para os três e recebo uma piscadela de Brooke.
– Não se atrase para a festa de despedida, Austin. – Adverte Brooke, com tom de malícia. – Já basta você e a Ally terem sumido ontem.
– Não irei me atrasar. – Respondo, ignorando o olhar repleto de segundas intenções de minha amiga. – Agora, eu preciso ir. Vejo vocês as seis.
– Tudo bem. – Diz meu pai, sorrindo. – Juízo.
– Pode deixar. – Falo, pegando as chaves que estava em cima de minha mesa.
Saio da loja e sigo em direção à casa de Cassidy, que não ficava tão longe assim do estúdio. A rádio tocava uma música qualquer, que eu nem ao menos prestava atenção. Meus pensamentos estavam perdidos em Ally.
Quando chego a casa de Cassy, pego meu celular para avisar Ally que eu havia chegado e noto a mensagem de Trish. A garota pede para que eu enrole Ally, assim como Trent havia sugerido. Respondo, concordando e buzino, desistindo de ligar.
Em poucos minutos, Ally aparece. Ela estava linda com um vestido florido rodado de cor vermelho que ia até o joelho, uma jaqueta fina de frio e seus longos cabelos estavam soltos.
– Oi. – Fala, assim que entra no carro. Inclino minha cabeça para frente e a beijo rapidamente. – Que bom que veio. – Afirma, enquanto coloca o sinto.
– Eu não poderia recusar o convite. – Brinco, ligando o carro. – Alguma ideia de onde quer ir primeiro?
– Estou aberta a sugestões. – Diz, sorrindo, enquanto observa a paisagem pelo vidro do carro.
– Podemos ir ao cinema. – Sugiro, olhando discretamente para meu relógio.
– Não. – Nega, desviando seu olhar do vidro do carro, passando a me encarar. – Não quero passar minhas últimas horas em Miami, presa em uma sala.
– Parque de diversões? – Pergunto, vendo a garota considerar a sugestão.
– Gostei. – Diz, por fim, sorrindo.
– Então vamos ao parque. – Declaro, vendo Ally balançar a cabeça em afirmação.
Acelero o carro e começo a seguir em direção ao parque de diversões da cidade, que ficava no mesmo lugar onde havia sido o festival. Ally cantarolava ao som das músicas do rádio, enquanto observava a paisagem.
Não demoramos a chegar e como era de se esperar, o lugar estava cheio. O sol já começava a se pôr e o clima a esfriar. Pego na mão de Ally e a conduzo até o caixa, onde compro os ingressos para andar nos brinquedos.
– Esse parque é tão bonito. – Diz Ally, enquanto seguíamos em direção ao primeiro brinquedo. – Na última vez que eu estive aqui, nem pude aproveitá-lo.
– Hoje vamos ir em todos os brinquedos que quiser. – Afirmo, fazendo a garota sorri.
Entramos na fila da montanha-russa e, por não estar tão grande, rapidamente conseguimos andar no brinquedo. Ally gritava em pavor e eu não sabia se gritava ou se ria de suas caras e bocas. Quando saímos, ela me encarava com falsa mágoa, fazendo com que eu risse ainda mais.
– Quer parar de ri? – Fala Ally, arqueando uma de suas sobrancelhas.
– Desculpa. – Digo, rindo, enquanto limpava as lágrimas no canto do olho. – É que foi tão engraçado você chorando de medo.
– Eu não estava chorando. – Responde, dando um soco de leve em meu braço.
– Mas estava com medo. – Retruco, fazendo a garota revirar os olhos e ri.
– Tudo bem. Eu admito. Eu estava com medo. – Fala, levantando os braços em rendição.
– Lilly? – Uma garota loira de olhos azuis para a nossa frente e abre um grande sorriso.
– Mel? – Fala Ally, levando a mão a boca, enquanto sorria em descrença. Ela solta a minha mão e caminha até a garota, a abraçando. – Ai meu Deus! Olha como você está diferente.
– E você, então? – Fala a loira, se separando de Ally. – Eu quase não te reconheci. Faz tanto tempo que não nos vemos.
– Verdade. – Fala Ally, sorrindo em animação. – Ah, deixa eu te apresentar. – A morena me abraça de lado e aponta para mim. – Esse é Austin Moon. Austin, essa é a minha prima, Melanie Dawson.
– Melanie Dawson? – Repito, tendo a sensação de ter ouvido esse nome em algum lugar.
– Austin? – Repete Melanie, abrindo um grande sorriso. – Ai meu Deus! Quanto tempo? Lembra-se de mim? Eu sou aquela garotinha que se perdeu da prima anos atrás. – Diz, enquanto me puxa para um abraço.
– Claro. – Respondo, lembrando-me da menina de seis anos. Correspondo ao abraço e me afasto para encará-la.
– Meu Deus, Lilly. Olha que coincidência! – Exclama Melanie, animada. – Seu namorado foi quem me ajudou naquele dia que me perdi de você.
– Sério? – Pergunta Ally, com os olhos arregalados. – É verdade. Agora estou me lembrando. Uau, como esse mundo é pequeno.
– Mel, vamos? – Um homem alto e de cabelos encaracolados chega em Melanie, a abraçando por trás. Ao notar Ally, ele solta a loira e sorri, se aproximando da morena. – Ally, quanto tempo.
– Enzo. – Diz Ally, abraçando o rapaz, sorrindo com animação. – Faz muito tempo que eu não te vejo.
– Pois é. Acho que a última vez que nos vimos foi na festa de natal na casa da avó de vocês o ano passado. – Fala Enzo, olhando com repreensão para a garota. Ally balança a cabeça, concordando. – Bem, eu queria ficar para conversar mais com você, mas Mel e eu precisamos correr. Regina ligou dizendo que precisa que eu a leve para visitar um amigo que está no hospital.
– Ah, claro. – Concorda Ally, sorrindo. Ela se aproxima da prima e a abraça com força. – Foi bom te ver de novo, priminha.
– Digo o mesmo, Lilly. – Afirma Melanie, sorrindo. Ela se solta da prima e a olha com seriedade. – Não demore a aparecer. Tio Lester me disse que você está voltando hoje para Nova York. E o triste é que eu não consegui ir visitá-la.
– Sabemos que vocês estavam muito ocupados construindo a casa de vocês, então não tem problema. Prometo não demorar tanto tempo para aparecer. – Fala Ally, sorrindo com carinho para o casal. – Agora, vão. Mande um beijo para tia Regina e peça desculpas por mim de não ter ido visita-la.
– Tudo bem. – Concorda Melanie, sorrindo. – Faça uma boa viagem, Lilly. Tchau, Austin. Foi um prazer te encontrar mais uma vez.
– Tchau, Melanie. – Digo, abraçando-a em despedida.
O casal vai embora e eu começo a encarar Ally, lembrando de como ela estava diferente de quando era criança. Ela nota o meu olhar e sorri, parecendo fazer o mesmo que eu.
– Lilly? – Pergunto, tentando entender a origem do apelido.
– Não me pergunte. – Responde, fazendo sinal de redenção. – Ela me chama assim desde que aprendeu a falar. – Ally volta a me abraçar. Voltamos a andar. – Mas esse mundo é realmente pequeno. Jamais imaginei que encontraria aquele garotinho loirinho de novo. Durante semanas eu fiquei com a sua imagem em minha mente, querendo saber mais sobre você, mas tinha vergonha de perguntar para Melanie e desde então você se tornou o herói misterioso que aos poucos foi ficando para trás nas minhas memórias.
– Eu também sempre tive curiosidade de saber mais sobre você. Achei engraçado que uma garotinha que parecia ser bem mais nova que eu fosse tão madura a ponto de procurar sozinha a prima que se perdeu. Você tinha quantos anos? Oito?
– Sete. – Responde, rindo, enquanto levanta a cabeça e ria, concordando. – O destino parece mesmo conspirar a nosso favor. – Comenta, sorrindo com carinho.
Sorrio, concordando, e beijo sua testa. Continuamos a ir aos brinquedos até que recebo uma mensagem de Cassidy, pedindo que eu levasse Ally ao Evan‘s. Quando chegamos ao restaurante, a garota é surpreendida pela presença de nossos amigos e vários clientes do lugar.
Ally brincou, dançou e se divertiu com todos. Ela e Brooke ficaram ainda mais amigas, conforme conversavam juntas com Cassidy, Manu e Trish. As garotas riam e vez ou outra Ally olhava para mim e acenava, sorrindo com carinho. Kira e Elliot, como estavam em lua-de-mel, apenas ligaram e causaram um grande alvoroço na festa, contando de como os campos de tulipas de Noordoostpolder, na Holanda, são lindos e que tinham certeza que todos amariam conhecer.
E quando menos esperamos, Ally precisava ir para o aeroporto. A despedida no Evan’s havia sido difícil. Os clientes e os funcionários haviam se apegado e muito a garota. Cassidy, Trish, Manu, Brooke, Dallas, Dez, Gavin, Trent, Mike e eu a acompanharíamos até o horário do embarque, enquanto Prince ficaria cuidado do restaurante, então apenas observávamos a cena, sabendo que sofreríamos em dobro no momento do adeus.
Ally e eu fomos sozinhos no meu carro, enquanto éramos seguidos pelos outros. Permanecemos a maior parte do tempo em silêncio, pensativos. Quando, enfim, chegamos ao aeroporto, seguimos para o lugar onde Ally faria o check in.
– Tem certeza que não está esquecendo de nada? – Pergunta Manu, pela terceira vez, fazendo Ally revirar os olhos.
– Sim, eu tenho certeza. – Afirma, caminhando até a mulher, que balançava a filha.
Ally pega Diana no colo e a encara, fazendo caretas. A bebê encara a garota e dá um pequeno sorriso. Ally beija a testa da criança e a entrega para a mãe. Manu a olha com tristeza e puxa Ally para um forte abraço.
– Eu vou sentir sua falta. – Diz Manu, emocionada. – Por favor, nos ligue sempre que puder e venha nos visitar também.
– Tudo bem. – Concorda Ally, correspondendo ao abraço.
Cassidy e Trish se olham e com as lágrimas escorrendo pelos seus rostos, as duas correm até a amiga e a abraça em desespero. Ally também ameaça chorar, enquanto corresponde ao abraço. As três começam a conversar entre si, exigindo que a morena tome cuidado, ligue e que nunca as esqueça.
Ally então despede-se de Brooke e Trent, agradecendo pelo carinho e por terem comparecido à sua festa de despedida. Ela abraça Dallas e Dez, recebendo as mesmas recomendações das garotas. Ally então abraça o ex-noivo, com emoção. Eles ficam vários instantes no mesmo modo, conversando aos sussurros, enquanto Ally balançava a cabeça diversas vezes, concordando.
– Sr. Moon. – Fala Ally, assim que se separa de Gavin, caminhando até meu pai. – Muito obrigada por tudo.
– Eu é que tenho que agradecer a você, Ally, pelas mudanças positivas que você trouxe as nossas vidas. – Responde Mike, abraçando a garota. – Tome cuidado e não deixe de nos ligar. E deseje melhoras ao seu pai por mim. Um dia, quem sabe, eu vá visita-lo em Nova York.
– Ele ficará muito feliz em recebe-lo, assim como eu. – Afirma Ally, sorrindo com emoção.
– Tenho certeza que sim, querida. – Diz meu pai, acariciando a cabeça de Ally e a abraçando mais uma vez.
Ally se solta de Mike e me encara com tristeza. Meu coração se aperta com o anúncio de que os passageiros com destino a Nova York deveriam embarcar. Aproximo-me da morena e a abraço com força. Sinto as lágrimas de Ally em meu peito. A dor era inexplicável.
– Eu preciso ir. – Sussurra Ally, contra meu peito, apertando-me com ainda mais força.
– Tudo bem. – Concordo, contra vontade, soltando-a.
Nós no encaramos com tristeza. Ally então me puxa para o beijo de despedida. Permanecemos naquela maneira até que a voz feminina volta a fazer a última chamada do embarque dos passageiros. Nos separamos. Beijo sua testa e a solto, permitindo que ela pudesse ir.
Ally começa a andar, com lágrimas em seus olhos, sem olhar para trás, até que ela para e se vira para mim. Com o mesmo sorriso de quinze anos atrás, Ally grita sem se importar por estar chamando a atenção de todos do aeroporto.
– Assim como no passado, o destino irá nos ajudar mais uma vez. Então não desista e não se esqueça, nem mesmo por um segundo, que você é o único homem que eu amo e sempre irei amar.
Fale com o autor