Obsession
20 Capítulo 19 - Saving
Notas iniciais
Capítulo Anterior:
"Pego meu celular, que estava sobre a cama, e o desbloqueio, abrindo exatamente em minha foto preferida. Observo a imagem durante alguns segundos e suspiro, cansada. Saio da foto e noto que estávamos quase na hora de irmos para os Evan’s.
– Vamos. – digo, caminhando para fora do quarto. Assim que Ally tranca a casa, começamos a andar em direção à praia. Olho para Ally e sorrio, confiante. – Vamos fazer dessa noite a melhor de nossas vidas."
oOo
12 de Maio de 2013 – Miami
POV Ally
A madrugada estava fria e as ruas desérticas. A maior parte das pessoas ainda estavam no festival, aguardando ansiosamente a chuva de fogos de artificio. E por mais animada que eu aparentasse estar, eu não queria estar ali.
Trish estava calada, pensativa. Eu não precisava de muito para saber que minha melhor amiga estava pensando em um certo ruivo. Sua relação com rapaz não era uma das mais fáceis e eu torcia fortemente para que eles conseguissem se entender.
– Está tudo bem? – Questiono, mesmo sabendo a resposta.
– Eu estaria mentindo se dissesse que sim. – Responde, suspirando. – Mas não quero pensar nisso agora. Essa pode ser a nossa última oportunidade de sairmos para uma festa juntas. Quero aproveitar. – Fala, sorrindo animada, enquanto puxa meu braço para mais perto de si. Rio de sua atitude e encosto minha cabeça na sua.
Continuamos nosso caminho, enquanto Trish me contava algumas aventuras suas com Dez e os outros. E por mais que meu coração se apertasse ao ouvir o nome de Austin, eu pude me distrair um pouco da confusão que estava minha mente.
E assim que estávamos a poucos metros do festival, vejo Cassidy e Dallas aos beijos próximos a entrada do evento. Sorrio, feliz por ver que os dois estavam tão felizes juntos.
– Eles ficam tão bonitos juntos. – Comento, imaginando como seria se Austin e eu estivéssemos naquela mesma situação que meus amigos.
– Você tem razão. – Concorda Trish, sorrindo carinhosamente. – Eu estou muito feliz por eles terem se acertado. Eles mereciam isso.
De repente o casal se separa e, assim que Cassidy se vira para nós, ela abre um grande sorriso, fala algo para Dallas e começa a correr em nossa direção, parecendo aliviada por nos ver.
– Ally! Trish! – Grita Cassidy, próxima de nós.
Sorrio para a loira e sou surpreendida por um forte abraço seu. Confusa, correspondo ao gesto e olho para Trish, esperando alguma explicação por parte da mulher, mas a única coisa que ela faz é dar de ombros.
– Oi Cassy. – Digo, correspondendo ao abraço. – Aconteceu alguma coisa?
– Soube que Piper voltou. – Fala, separando-se de mim. – Você está bem com isso?
– E por que eu não estaria? – Questiono, fingindo-me indiferença à informação.
– Não tente se fazer de forte. – Repreende a loira. – Vocês dois estavam quase se entendendo. É tão injusto que ela aparece logo agora que Austin conseguiu seguir em frente.
– Austin e eu não temos nada. – Respondo, suspirando e dando de ombros. – Ela tendo aparecido ou não, não conseguiríamos ficar juntos agora.
– O que quer dizer com isso? – Pergunta Dallas, desconfiado, enquanto se aproxima de nós.
– Isso não importa. – Fala Trish, sabendo que eu não queria continuar naquele assunto. – O festival está quase acabando. Que tal irmos para o Evan’s como sempre fazemos?
– Fazemos? – Pergunta Cassidy, olhando confusa para Trish.
A morena olha de forma significativa para a loira e eu as encaro desconfiada. A maneira como Trish encarava Cassidy era muito suspeita, mas, decido ignorar o fato quando Dallas sorri sem graça e balança a cabeça confirmando.
– Sim, Cassy. – Diz o rapaz, abraçando a namorada por trás. – Já se esqueceu da nossa tradição?
– Ah, sim. – Responde a loira, sorrindo sem graça. Ouço Trish suspirar aliviada e isso só me faz desconfiar ainda mais do que minha melhor amiga poderia estar tramando.
– Vocês vão mesmo todo ano para o Evan’s ao fim do festival? – Questiono, demonstrando minha desconfiança.
– Sim, nós vamos, Ally. – Fala Cassidy, separando-se do namorado e me puxando pelo braço em direção ao restaurante. Somos seguidas por Trish e Dallas que conversavam aos cochichos. Encaro os dois amigos, mas Cassidy me obriga a olhar para si, quando me empurra fortemente. – Eu já estava me esquecendo disso. Tanta coisa aconteceu ultimamente que minha cabeça ainda confunde muitas coisas. Acho que isso é culpa da volta das lembranças passadas.
– Sei. – Respondo, sorrindo para loira, ignorando a atitude suspeita dos meus três amigos.
Continuamos a seguir para Evan’s, conversando sobre banalidades. A noite estava fria, mas ao mesmo tempo agradável. A brisa marinha tocava meu rosto e me fazia esquecer um pouco da tristeza existente dentro de mim.
– Você já decidiu se vai para Dinamarca? – Questiona Trish, olhando com curiosidade para Dallas.
– Cassy e eu andamos conversando sobre isso durante esses dias. – Confessa o moreno, que estava com os braços ao redor da namorada. Ele encosta o queixo na cabeça de Cassidy e suspira.
– E o que vocês decidiram? – Pergunto, curiosa.
– Dallas irá aceitar a proposta. – Afirma Cassidy, seriamente.
– Sério? – Fala Trish, tão surpresa quanto eu. – Eu jurava que você iria recursar. Quer dizer, você lutou tanto para ficar com Cassy e, agora que ela recuperou a memória, você irá para longe?
Dallas sorri e balança a cabeça, negativamente. Olho desconfiada para Cassidy e ela possuía um grande sorriso em sua face. A loira se separa do namorado e abraça Trish e eu com toda sua força.
– Eu nunca disse que a abandonaria. – Responde Dallas, lançando uma piscadela para nós.
– Adivinha quem vai acompanhar o namorado na viagem para Dinamarca? – Fala Cassidy, quase gritando.
– Oh, Meu Deus! – Grito, correspondendo ao abraço da loira. – Eu não acredito que você irá para tão longe de nós.
– Sua loira traíra! – Grita Trish, dando vários tapas nas costas de Cassidy, enquanto também correspondia ao abraço. – Agora que eu decidi morar em Miami, você decide me abandonar?
Dallas apenas ria de nossa animação. Eu os conhecia a pouco tempo, mas os amava como se fossemos amigos de infância. Era muito bom saber que eles estavam finalmente conseguindo se entender e começado a traçar um futuro juntos.
– Não se preocupem. Mesmo estando longe, todo final de semana eu irei perturbá-las por vídeo chamadas e telefonemas, além de que sempre que possível, irei visitá-las. – Fala Cassidy, ao se separar de nós. Ela nos olha com emoção e logo se é possível notar as lágrimas se formarem em seus olhos. – Eu vou sentir muita falta de vocês.
– Nós também. – Digo, sorrindo, emocionada. Cassidy volta a nos abraçar.
– E quando vocês irão? – Pergunta Trish, secando uma lágrima que descia pelo seu rosto.
– Três dias depois do casamento de Kira e Elliot. – Fala Dallas, aproximando-se um pouco mais de nós.
– E como seus pais reagiram a notícia de que você irá para tão longe deles? – Pergunto a Cassidy.
– Dallas conversou com meu pai ontem. Eles tiveram uma longa conversa e, no fim, meu pai concordou que eu não conseguiria viver longe de Dallas. – Fala, abraçando o namorado e se aconchegando em seu peito.
– E você só nos conta isso agora? – Questiona Trish, com falsa mágoa.
– Eu tentei contar, mas vocês estiveram o dia todo ocupadas. Ally estava trabalhando feito louca no restaurante e você, Trish, passou o dia sumida. Como queriam que eu tivesse contado antes? – Fala Cassidy, olhando divertida para nós.
– Tivesse nos contado ontem mesmo. – Retruca a morena ao meu lado.
– Ela não dormiu em casa ontem. – Respondo por Cassidy, que balança a cabeça, concordando. – Eles devem ter tido essa conversa ontem à noite.
– Exatamente. – Fala Dallas, sorrindo discretamente. – Agora, que tal irmos para o Evan’s? A chuva de fogos começará em alguns minutos.
– Você tem razão. – Concorda Trish, me puxando com pressa em direção ao restaurante. – Tenho certeza que você vai amar, Ally.
Em poucos minutos chegamos ao Evan’s. O local estava completamente desértico e escuro, tendo o brilho das estrelas como nossa única fonte de luminosidade. No entanto, algo estava estranho.
– O que está acontecendo aqui? – Sussurro, notando uma movimentação dentro do restaurante.
– Ally, olha! – Grita Trish, puxando-me para ver a chuva de fogos que começava.
Trish me puxa para sentar na areia, junto com Dallas, Cassidy e ela. De repente, Dez, Kira, Elliot, Gavin e Austin também aparecem e se sentam ao nosso lado. Antes que eu dissesse mais alguma coisa, volto minha atenção para os lindos fogos de artifício. Havia inúmeras explosões de cores no céu, tornando mágico o cenário.
Sorrio, encantada. Eles estavam certos. Daquele lugar, o show de cores se tornava ainda mais belo. A brisa marinha batia em meu rosto e foi como se todos os meus problemas tivessem desaparecidos.
– Os próximos fogos de artifícios são dedicados a Allycia Dawson. – Fala uma voz desconhecida.
Olho para os lados, a procura dos meus amigos, mas todos haviam sumido. Olho para trás e vejo funcionários e inúmeros clientes fiéis do Evan’s, que sorriam e batiam palmas. Trish, Cassidy, Dallas, Gavin, Dez, Kira e Elliot sorriam animados, enquanto seguravam uma espécie de vela estrela.
– Gostaríamos de enviar estes fogos de artifício como nosso gesto de agradecimento a Ally. Obrigado por sempre nos fazer uma deliciosa comida.
– Obrigado. – Fala Dez, fazendo uma exagerada careta. Rio, emocionada.
– Muito obrigado por ter vindo a esta cidade. – Continua o locutor, fazendo o púbico gritar e bater palmas concordando. – O nome Allycia significa “de qualidade nobre” ou “de linhagem nobre” e todos nós acreditamos que esses significados definem você. Uma pessoa de personalidade forte, você é a pessoa mais nobre que nós conhecemos. Você se tornou a nossa esperança para este verão. Pode ter sido difícil colocar nossos sentimentos em palavras, mas estamos torcendo para sua felicidade do fundo de nossos corações. Dos membros do Fã Clube do Restaurante Evan’s.
– Obrigada. – Digo, sorrindo, com a ovação de aplausos de todos os presentes naquele lugar, enquanto as lágrimas de felicidade desciam de meus olhos.
– Ainda não acabou. – Grita Elliot, com um sorriso convencido. – Isso aqui é apenas o agradecimento de seus amigos.
– Queríamos que você soubesse o quanto somos gratos por sua ajuda, Ally. – Fala Kira, sorrindo simpática. – Elliot e eu não tivemos muito contato com você e lamentamos por isso, mas olha só para eles. – Kira aponta para Dez, Dallas, Cassidy e Trish. – Veja o quanto estão diferentes. Você nos mudou e para melhor. Obrigada pelo que fez por nós.
Balanço a cabeça, negando que tivesse feito algo. Eu não conseguia dizer nada. As palavras pareciam presas em minha garganta. Eu queria lhes dizer que a única que deveria realmente agradecer sou eu. Graças a esse grupo de amigos de personalidades distintas e com sérios problemas de relacionamento, eu finalmente encontrei um lar. Um lugar onde eu sentia que não importasse o que acontecesse, eu nunca estaria sozinha.
– Eu falo em nome de todos aqui, que você sempre será a nossa salvadora, Ally. – Revela Trish, sorrindo. – Sabemos que não foi fácil nos aturar. Éramos um grupo de cinco pessoas com grandes problemas em nossas vidas pessoais. Cassidy, uma garota sem memória alguma de sua infância e que acreditava em um amor irreal. Dallas, um rapaz deprimido, que guardava consigo o segredo de amar alguém que nem mesmo se lembrava da história de amor que viveram. Dez, alguém que sempre escondeu seus sentimentos por trás do sorriso e que nunca foi capaz de lutar pelo que queria por medo de magoar aqueles que mais amava. Trish, uma pessoa cheia de feridas do passado e que, desde a traição de sua melhor amiga, não conseguia confiar nas pessoas. E o principal de todos: Austin, o homem obcecado por seu passado e que dedicou cinco anos de sua vida por uma pessoa que o abandonou sem nenhuma explicação. – Trish parecia fazer um grande esforço para segurar as lágrimas que ameaçavam descer.
– Você conseguiu fazer o que nenhuma outra pessoa conseguiu. Você nos deu forças para lutar pelo que queríamos. Mostrou que mesmo que a vida nos derrube, ainda é possível se levantar e seguir em frente. – Complementa Dallas, sorrindo. – Vimos você batalhar dia e noite para seguir sua vida da melhor maneira possível, mesmo que tivesse inúmeros motivos para desistir e talvez tenha sido isso que nos estimulou tanto a enfrentar nossos medos e nos tornar quem somos hoje.
– Obrigado, Ally. – Fala Dez, com sinceridade. – Sei que te causei inúmero problemas e peço perdão por isso. Eu fiquei vinte anos da minha vida agindo como um coadjuvante, observando meus amigos de longe e servindo apenas como apoio. Graças a você, hoje eu vejo que cometi um grande erro. Obrigado por abrir meus olhos. Obrigado por me mostrar que eu posso ser mais do que o palhaço da turma e que se eu tentar, posso conseguir o que eu quiser.
Os fogos de artifício continuaram a estourar no céu, fazendo com que todos voltassem a bater palmas. De repente, é possível se ver a frase “Eu te amo, Ally” no céu, finalizando a chuva de fogos de artifício. Olho assustada para trás e tudo que meus amigos fazem é dar de ombros.
Tudo volta a ficar escuro e, após alguns instantes, em silêncio, as luzes do Evan’s se acendem e todos que estavam de frente para o restaurante se afastam da entrada, revelando Austin. Ele estava lindo e segurava um belo buquê de flores. Ao longe, vejo Piper abraçada com um belo homem loiro, que acariciava a barriga da loira.
Olho confusa para Piper e ela sorri, encostando a cabeça no queixo do homem. Vejo a loira sussurra: “Eu sinto muito pelos problemas que causei”.
– Ally. – Fala Austin, se aproximando de mim, com um belo sorriso em seu rosto. – Nós somos as pessoas mais incoerentes da face da Terra. Ao mesmo tempo que queremos nos entregar, tememos nos envolver, porque a verdade é que somos intensos demais. A primeira vez que nos vimos foi em seu casamento. Você estava radiante. – Ele faz uma pausa e ri, parecendo achar graça da lembrança. – Quando seu pai nos apresentou, a minha primeira impressão que tive sobre você é que fosse uma garota delicada e doce, mas isso mudou completamente quando seu noivo fugiu. Mesmo abalada, você foi capaz de me nocautear de uma maneira bem dolorosa.
– Você mereceu. – Argumento, sorrindo, emocionada. – Que tipo de pessoa diz para uma noiva que acabou de ser abandonada no altar que tudo o que o ex-futuro marido dela estava passando era por uma fase? E ainda me chamou de noiva demoníaca.
– Eu não sabia o que fazer. – Confessa, sorrindo sem graça. – Eu queria te ajudar de alguma forma. A história de fase foi a primeira coisa que veio à minha cabeça. Concordo que isso foi estúpido.
– Muito estúpido. – Concordo, rindo.
– Mas, àquela sua reação me intrigou de uma forma inexplicável. Não importava o quanto eu tentasse, eu não conseguia parar de pensar em você. E, mesmo eu não querendo admitir, fiquei feliz quando Prince concordou em te chamar para trabalhar aqui. E foi a partir daquele dia em que você aceitou ser a substituta de Manu, que eu comecei a me apaixonar por você. – Revela Austin, fazendo algumas mulheres que estavam próximas de nós, suspirarem encantadas. – E em meio as loucuras que nos envolvíamos, eu conhecia a mulher mais incrível do mundo. Você é batalhadora, persistente, companheira e de uma personalidade bem difícil de lidar. Você é o tipo de pessoa que desiste da própria felicidade para ver seus amigos felizes.
Austin ri e limpa as lágrimas que marcavam meu rosto. Olho para meus amigos e todos eles sorriam ansiosos. Meu coração parecia prestes a explodir. O toque de Austin parecia emanar um calor aconchegante.
– Eu te amo, Ally. E sei que pode parecer loucura para todos, mas isso é muito real para nós. Eu passei cinco anos da minha vida idolatrando alguém que nunca amei de verdade e em menos de dois meses conheci a mulher que foi capaz de me fazer experimentar o paraíso e o inferno ao mesmo tempo. – Austin me entrega as flores e encosta sua testa na minha. – Eu amo você, desejo você e quero ficar com você. Não me importo com os problemas que teremos que enfrentar nem o passado que tivemos. A partir desse momento, quero construir minha história com você ao meu lado. Então, por favor, fica comigo.
Meus amigos pareciam loucos pela minha resposta. A ansiedade das pessoas era quase palpável e isso não ajudava a me acalmar. As palavras de Austin fizeram meu coração se acelerar ainda mais. Eu sentia a verdade em suas palavras. Ele estava a centímetros de mim. Mais um pouco, eu voltaria a sentir o sabor de seus lábios.
– Eu não posso. – Sussurro.
– O que? – Questiona, afastando-se de mim.
Todos que estavam presentes me olham assustados. Meus amigos me encaravam sem acreditar em minhas palavras. Eu estava me odiando por dizer isso. Meu coração parecia estar se partindo em mil pedaços, mas eu já havia me decidido. Nada do que me dissessem iria me fazer mudar de opinião.
– Eu não posso ficar com você. Não agora. – Digo, acariciando o rosto de Austin. A decepção em seus olhos só fiz com que a culpa dentro de mim aumentasse ainda mais.
– Por que? – Pergunta Austin, desesperado. – Ally, por que está tão relutante?
– Austin, eu ainda não estou pronta para você. – Falo, olhando em seus olhos. – Meu coração ainda está muito quebrado.
– Mas...
– Não, Austin. – Interrompo a sua fala, balançando a cabeça, negativamente. – Eu sei o que você vai dizer, mas você precisa me entender. Eu te amo e é por te amar que quero que isso dê certo. Nós já sofremos muito no passado por tomarmos decisões precipitadas. Eu quero estar inteira para me entregar por completa a você. Eu preciso aprender a confiar nas pessoas, novamente.
– Você está desistindo de nós? – Questiona o loiro, tristemente.
– Não! Nunca! – Digo, apressadamente. Encosto nossas testas e olho em seus lindos olhos. – Eu só estou te pedindo que espere um pouco.
– Quanto tempo? – Fala, seriamente.
– Eu não sei. – Afirmo, fechando os olhos. Suspiro e volto a abri-los. Acaricio, mais uma vez o rosto de Austin e forço um sorriso. – Talvez dias, meses ou anos. Eu não sei. Mas, eu dou a minha palavra que voltarei para você. Então, se não for pedir demais, confie em mim e me espere.
– Você enlouqueceu? – Grita Cassidy, frustrada. – Vocês passaram pelo que passaram e agora que vocês têm a chance de ficarem juntos, você diz não, Ally?
– Cassy...
– Não, Dallas. – Dala Cassidy, interrompendo o namorado. – Eles são meus amigos e eu quero que eles sejam felizes. Todos nós aqui os atrapalhamos de uma forma inexplicável. O mínimo que devemos fazer é abrir os olhos deles para essa loucura que estão cometendo.
– E é por esse motivo que nós não devemos nos meter ainda mais nesse assunto, Cassidy. – Fala Dez, tocando no ombro da loira. Ele olha para Austin e eu e sorri, discretamente. – O nosso papel agora é apoiar a decisão deles. Já nos envolvemos demais na história deles. Agora, a única coisa que podemos fazer é deixá-los decidir o que é melhor para eles.
– Dez tem razão, Cassy. – Concorda Trish, sorrindo para a amiga. – Por mais absurda que seja a situação, nós não temos o direito de nos envolver. Já cometemos esse erro no passado e olha só onde chegamos. Dessa vez, vamos nos controlar.
– Obrigada. – Sussurro para Trish e Dez, que se encaram por alguns instantes e sorriem satisfeitos.
– Bem, pessoal, a festa acabou. Se puderem se retirar, ficaremos agradecidos. – Fala Gavin, batendo palma para ter a atenção de todos.
À contragosto, as pessoas começam a se dirigir de volta para o festival, comentando sobre a minha loucura ou o quanto Austin havia sido fofo por fazer toda essa declaração. Suspiro, aliviada, assim que restam somente Kira, Elliot, Cassidy, Dallas, Dez, Trish, Piper, o homem que estava com ela, Austin e eu.
– E o que vai acontecer agora? – Questiona Kira, curiosa. – Quer dizer, agora que vocês não vão ficar juntos, pelo menos por enquanto, o que vocês irão fazer?
– Depois de seu casamento, eu voltarei para Nova York. – Revelo, cheirando as flores do buquê, surpreendendo aos meus amigos.
– Mesmo? – Fala Elliot, sem acreditar. – Por que? Eu imaginei que você iria se mudar de uma vez para Miami.
– Eu preciso resolver minha vida. Focar em algo que não seja meus sentimentos e, talvez, só assim conseguirei me recuperar. – Digo, desviando o olhar para Austin. Ele parecia desanimado, distante.
– E você, Austin? – Pergunta Elliot, dando tapinhas no ombro do amigo.
– Eu não sei. – Fala, sorrindo, forçadamente. – Talvez eu faço o mesmo que Ally, no entanto, continuarei em Miami.
– É melhor deixá-los, sozinhos. Eles ainda têm muito o que conversar. O que podíamos fazer, nós já fizemos, agora é com vocês. – Fala Piper, aproximando-se de nós. Todos os nossos amigos, lançam sorrisos de apoio e concordam com a loira, saindo logo em seguida.
– Quem é aquele homem? – Pergunto à Austin, curiosa.
– Thomas. O marido de Piper. – Explica o loiro, sorrindo. – Foi ele que nos ajudou a planejar esse espetáculo.
– Eles formam um lindo casal. – Digo, enquanto os observo de longe.
– Sim. – Concorda Austin. – Eles passaram por poucas e boas para finalmente ficarem juntos.
– Mesmo? – Falo, curiosa. – O quê, por exemplo?
– Quem sabe outro dia eu não te conto? – Responde Austin, sorrindo de leve. Ele me puxa para perto do Evan’s e se senta no último degrau da pequena escada da entrada. – Agora, eu quero falar de outra coisa.
– E o que seria? – Pergunto, colocando o buquê de rosas ao meu lado e sorrindo divertida, ao notar o olhar malicioso de Austin.
E como resposta, Austin me puxa pela nuca e me beija apaixonadamente. Seu toque era firme e dominador, tornando o momento ainda mais intenso. Eu suspirava, enfeitiçada pelo desejo de estar com ele.
– Eu te amo. – Sussurra Austin, ao se separar de mim. – E esperarei quanto tempo for preciso para ter você. Mesmo que seja a eternidade, eu esperarei por você.
– Eu te amo. – Murmuro, dando um selinho nele logo em seguida. – Obrigada por não desistir de mim.
– Nunca. – Fala, voltando a me puxar para mais um beijo.
E assim, passamos mais algum tempo apenas aproveitando o restante do tempo que ainda tínhamos. Por mais que eu quisesse continuar com ele, eu tinha que acordar para vida. Quanto mais tempo eu continuasse a me envolver com ele, mais difícil seria a nossa despedida quando chegasse a hora do “Até logo”.
[...]
Austin me levou para casa de Cassidy, quando o dia já começava a dar seus primeiros sinais de vida. Durante todo o trajeto, não trocamos nenhuma palavra, apenas caminhávamos abraçados e observávamos a cidade que nunca parava.
– Vejo você depois. – Sussurra Austin, sem olhar para mim, assim que chegamos em frente à casa de minha amiga. Ele beija a minha testa e se vira para ir embora. – Se cuida.
– Você também. – Respondo, dando um suspiro, logo em seguida, quando ele começa a andar. Olho para as flores em minhas mãos e suspiro mais uma vez. — Austin?
– O que? – Fala o loiro, virando-se para mim.
– Você se esqueceu de algo. – Digo, com seriedade.
– Esqueci? – Questiona, confuso.
Sorrio e corro até ele, puxando pelo pescoço e o beijo, deixando o buquê de rosas cair de minha mão. Mesmo surpreso, o loiro corresponde a minha ação, segurando minha cintura com intensidade. Aquele beijo era um beijo de despedida, mas continua muito mais sentimentos que qualquer outro gesto que já tínhamos feito. Talvez aquele fosse mesmo o último, ou talvez fosse apenas mais um dos muitos que ainda trocaríamos. Nós não sabíamos, mas precisávamos daquilo. Precisávamos daquele toque, pelo menos, pela última vez.
Após isso, Austin vai embora, deixando-me sozinha com meus pensamentos. De alguma forma, eu me sentia mais aliviada. Mesmo não estando oficialmente com Austin, eu sentia que nossos corações, não importasse quanto tempo estivéssemos separados, ainda estariam ligados por aquele sentimento tão intenso que nos dominou desde a primeira vez que nos beijamos.
Entro na casa de Cassidy e, sem fazer barulho, vou para o meu quarto provisório. A mala que eu havia feito antes de sair ainda continuava sobre a cama, da mesma forma que eu havia deixado. Coloco as flores sobre a penteadeira, suspiro e me jogo sobre o colchão, passando a encarar o teto do quarto.
Volto a me levantar e a encarar aquele lugar que continha tantas lembranças preciosas para mim. Eu sentiria falta desse quarto, dessa casa, dessa cidade. Miami havia se tornado o meu éden. Por mais que eu tivesse vivido inúmero momento de dor e tristeza, eu também passei por muitos momentos de felicidade e diversão.
– Ally? – Chama Cassidy, batendo na porta do quarto. – Posso entrar?
– Claro. – Respondo, sorrindo para a loira.
– Já está arrumando as malas? – Pergunta, tristemente, apontando para a mala e as peças de roupa jogadas ao meu lado.
– Somente algumas coisas. – Digo, fazendo sinal para que ela se sentasse ao meu lado.
Cassidy se aproxima e se senta na cama. Noto que ela carregava algo em suas mãos e a encaro confusa. A loira sorri e me entrega a caixa vermelha com um laço na cor branca.
– O que é isso? – Pergunto, ao pegar a caixa.
– Um presente. – Responde, sorrindo animada. – Espero que goste.
Abro a caixa e dentro dela vejo um porta-retratos com uma foto tirada recentemente. Nela estavam, respectivamente, Cassidy, Dallas, Trish, Dez, do meu lado direito, Austin, Gavin, Kira e Elliot do meu lado esquerdo e à minha frente, Prince e Manu, segurando a pequena Diana. Todos sorriam animados, felizes por estarmos todos juntos.
– Eu amei. – Sussurro, emocionada.
– Isso é para você sempre se lembrar de nós, onde quer que você esteja. – Fala Cassidy, sorrindo.
– Obrigada. – Agradeço, passando a mão com carinho sobre a imagem. – Eu jamais esqueceria de vocês.
– Eu sei, mas queria que tivesse alguma lembrança de nós quando voltasse para Nova York. – Explica a loira, olhando para a foto.
– Eu sentirei falta daqui. – Confesso, virando-me para a janela, próxima a cama e a abrindo, revelando o belo nascer do sol. – Muita falta.
– Eu também. – Diz Cassidy, admirando o cenário. – Acho que nenhum lugar será tão especial para nós como Miami.
Balanço a cabeça concordando. Mesmo tendo passando pouco tempo em Miami, eu já havia me acostumado com a aquela rotina de ir para o Evan’s às cinco da manhã, atender os simpáticos fregueses do restaurante e me divertir com aquele grupo de amigos insanos que eu havia feito.
Olho para Cassidy e sorrio, ao notar que a loira me encarava. Ela abaixa um pouco o olhar e suspira, como se fosse difícil para si aquela situação.
– Eu sou muito grata por tudo o que você fez por mim. Por nós. – Fala Cassidy, levantando a cabeça, com lágrimas em seus olhos. – Se não fosse por você, eu jamais conseguiria aproveitar esse verão com tanta alegria e intensidade. Eu sempre pensei que alguém não pudesse ser considerado um importante amigo a menos que passássemos muito tempo juntos, mas percebi que o tempo não importa depois de conhecê-la. – Ela encosta sua cabeça em meu ombro e sinto suas lágrimas caírem. – Eu acho que o seu número de uniforme será aposentado. É super raro uma ajudante estrangeira receber a homenagem dos personagens principais, sabe? – Brinca a garota, relembrando quando me disse que eu era sua ajudante estrangeira.
– Obrigada por ter me recebido. – Agradeço, limpando as lágrimas de meus olhos. – Você foi a primeira a me aceitar aqui e mesmo depois daquele problema todo quando você descobriu que Austin e eu havíamos dormidos juntos, você nunca deixou de ser minha amiga.
– Seja feliz, Ally. Você merece isso. – Fala Cassidy, me abraçando fortemente. – E jamais se esquece que sempre terá um ombro amigo aqui para o que você precisar. Não importa se estou aqui em Miami ou na Dinamarca. Eu sempre estarei pronta para te receber de braços abertos.
– Eu nunca me esquecerei disso. – Afirmo, emocionada.
Eu não podia negar que temia o futuro, mas eu o enfrentaria de cabeça erguida. O que quer que ele me reserve, eu estarei preparada, pois a partir de agora, eu não estou lutando somente por mim e sim por alguém que vale a pena lutar: Austin Moon.
✻
Continua...
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