Obsession
14 Capítulo 13 - Jealousy... - Parte Final
Notas iniciais
29 de Abril de 2013 – Miami
POV Ally
– Atrapalho? – a voz de Austin era banhada pelo sarcasmo.
Dez olha para o amigo com seriedade e se afasta de mim. Austin se aproxima de nós, contendo um olhar furioso. O ruivo levanta do sofá e passa a encarar o loiro.
Levanto e me coloco em alerta. Algo me dizia que aquilo não iria acabar muito bem. Eu não sabia o que fazer e ainda estava em choque pela investida de Dez.
– Algum problema, Austin? – pergunta Dez, com a voz neutra, no entanto, seus olhos possuíam uma dureza impressionante.
– Afaste-se dela. – pede Austin, surpreendendo-me.
– Me afastar? – pergunta Dez, rindo em descrença. – Você enlouqueceu? Qual o seu problema?
– Garotos... – chamo, temendo o pior.
Austin continuava a encarar Dez de uma maneira que eu jamais havia visto, desde que nos conhecemos. Os dois pareciam ignorar a minha presença e essa atitude me irritava profundamente.
– Você iria beijá-la? – pergunta Austin.
Dez o olha confuso, como se tentasse entender o que se passava na cabeça de seu melhor amigo. De repente, o ruivo o olha assustado e balança a cabeça negativamente. Afastando-se do amigo, Dez passa as mãos pelos cabelos, furiosamente, não acreditando no que estava acontecendo.
– Eu não acredito! – fala Dez, irritado. – Você se apaixonou por ela, seu maldito! Você sabe que eu estou gostando da Ally e você simplesmente se apaixona por ela? Essa é a primeira vez que eu gosto de verdade de alguém e, justamente, você tem que gostar dela também?
A surpresa foi inevitável. Meus olhos estavam a ponto de saltar de suas órbitas. Austin permanecia firme e continuava a encarar o melhor amigo.
– O que...? – balbucio, em choque.
– Fica longe da Ally. – pede Austin, novamente.
Ele estava fora de si, caminhava na direção de Dez com os punhos fechados. Antes que eu tivesse qualquer ação, o loiro já havia pressionado o melhor amigo contra a parede. O ruivo o olha assustado, mas logo suas feições se transformam em fúria.
Em um movimento rápido, Dez consegue inverter as posições. Eles se encaravam com um ódio surpreendente. A minha surpresa era tanta que eu não sabia nem como agir.
– Desgraçado! Eu não vou me afastar dela. – fala Dez, com firmeza, pressionando ainda mais o amigo. – Você não tem o direito de me pedir isso. Durante anos, você sofreu por Piper e eu sempre estive ao seu lado. Eu respeitei suas decisões e tentei não me importar com as suas burradas apenas para te ver feliz. Agora, eu lutarei pela minha felicidade e não desistirei de Ally.
– Dez, você está machucando o Austin. – assim que me recupero do susto, corro até os dois e tento puxar o ruivo. – Parem com isso!
Austin dá um soco no estômago de Dez, fazendo o ruivo soltar o mesmo e arfar de dor. Olho assustada para o loiro, não acreditando na sua atitude. Quando eu estava prestes a ajudar Dez, o garoto parte para cima de Austin, dando um soco em seu rosto. O loiro cai, mas logo volta a se levantar, olhando para o amigo de maneira colérica.
– Eu nunca pedi para que me ajudasse! – exclama Austin.
– Eu sou seu melhor amigo, babaca! O que queria que eu fizesse? Queria que eu ficasse assistindo você se acabar no álcool e em sua depressão? – grita Dez, furiosamente. – Eu não vou abrir mão da Ally. Não importa o que você diga.
– Eu a amo! – grita Austin, fazendo Dez arregalar os olhos. Meu coração passou a bater mais rápido. Por mais insana que fosse a afirmação de Austin, eu não consigo evitar me encantar por ela.
– Você só pode estar brincando comigo. – diz Dez, passando as mãos pelos cabelos, demonstrando seu descontrole. – Você ouviu o que você acabou de dizer?
– Eu a amo. – Austin volta a repetir, com o tom de voz mais baixo.
Dez o olha com fúria e, em poucos instantes, Austin está no chão após receber um soco do melhor amigo. O loiro não deixa por menos. Não demora a partir para cima de Dez, dando um soco no olho e outro no queixo.
– Parem com isso! – grito, não sabendo como cessar a briga dos dois. – Vocês estão loucos?
Tento puxar o braço de Dez para fazê-lo parar, mas ele continuava a socar Austin e a receber os golpes. O que mais me preocupava era que o loiro havia sido atropelado mais cedo e já possuía feridas em seu corpo.
Afasto-me dos dois, sem saber o que fazer. Eu não conseguiria parar sozinha dois homens quase duas vezes maiores que eu e não havia ninguém por perto por quem eu poderia pedir ajuda. Lembro-me de Dallas e rezo para que o moreno já estivesse em casa.
Corro até a mesinha de centro, onde estava meu celular, e ligo para Dallas. Após alguns toques, o que foi uma eternidade para mim, o moreno atende ao telefone.
– Dallas, eu preciso que você venha imediatamente! – peço, antes mesmo que o rapaz tivesse a chance de dizer alguma coisa.
– Ally? O que aconteceu? – pergunta, preocupado e a voz embargada pelo sono.
– Austin e Dez estão brigando aqui na casa do loiro. – digo, desesperada. – Se continuar assim, eles vão se matar!
– O que? – fala, assustado. – Esses idiotas! – exclama, revoltado. – Espere uns minutos. Eu já estou indo.
– Poderia chamar mais uma pessoa? Eu não sei se apenas você vai conseguir separá-los. – digo, preocupada com a possibilidade dele se machucar, tentando interferir na briga.
– Claro. Vou ligar para Prince. – diz Dallas. Ao fundo, era possível se ouvir o moreno vestindo as roupas. – Fique calma. Eu já estou chegando.
Desligo o telefone e volto a prestar atenção na briga. Austin estava em cima de Dez, distribuindo socos por todo o corpo do amigo. O ruivo tentava se defender e atacar ao mesmo tempo. Os dois já estavam sangrando o nariz e a boca. Os ferimentos de Austin começavam a se abrir novamente.
Meu desespero só aumentava a cada instante. Eles continuavam a se bater, ignorando os meus apelos para que se separassem. Eu me sentia incapaz por não conseguir pôr um fim àquela situação. A única coisa que eu podia fazer era observá-los.
Dez dá um soco no peito de Austin, que urra de dor e cai para trás. Percebo que o ruivo havia atingindo um corte, fazendo o ferimento voltar a sangrar.
– Austin! – grito, assustada com o estado do garoto. – Dez! Parem com isso, por favor.
O ruivo me olha com fúria e se afasta do amigo, ainda atordoado. Corro até Austin, preocupada com seu estado. Ele estava ensanguentado e a cena me assustou ainda mais. Seus olhos estavam inchados e os cortes do rosto estavam ensanguentados.
– Desgraçado! – fala Dez, passando o braço pelo nariz, limpando o sangue que escorria. Sua fala estava mais suave do que antes, no entanto, ainda era possível sentir sua ira.
– Você ainda bate feito uma mulherzinha. – comenta Austin, com sarcasmo, enquanto se desvia de meus braços e se levanta. Ele repete o mesmo processo que o amigo e sorri com implicância. – Quando vai aprender a lutar como homem?
– Austin! – digo e antes que eu fizesse algo para impedir que eles voltassem a lutar, Dez o atinge com um forte soco no estômago. – Dez! Não!
Após o soco no estômago, Dez atinge Austin no olho e na costela. O loiro se choca contra a parede da sala e derruba o abajur e alguns objetos que estavam na pequena mesa ao lado do sofá. A troca de golpes continua com intensidade quando Austin cai no sofá e Dez continua a acertá-lo. Meu coração batia em desespero. Eu tinha que fazer alguma coisa.
Na esperança de acabar com aquela loucura, tento puxar Dez pelos ombros e empurrar Austin para longe, no entanto, eles possuíam uma força absurda. O ruivo continuava a bater em Austin e, em um dos seus bruscos movimentos, ele acaba acertando uma forte cotovelada em minha costela, deixando-me sem ar. Afasto-me, atrapalhada, e acabo esbarrando em um dos objetos jogados no chão. Perco o equilíbrio e caio em meio aos cacos do abajur.
Sinto uma dor aguda em minha barriga, mas a ignoro, supondo que ainda fosse pela cotovelada recente. Com dificuldade, me levanto, lentamente, sentindo minha barriga dilatar. Respiro fundo e me arrependo da minha escolha. Algo estava errado, no entanto, eu não tinha tempo para me preocupar comigo mesma. Austin e Dez continuavam a se espancar, agora, no chão da sala e a situação ia de mal a pior.
Volto a tentar cessar a briga, mas a cada tentativa falha, eu me sentia mais fraca. Eles se socavam e se chocavam contra os móveis da sala, derrubando e destruindo inúmeros objetos frágeis, preocupando-me ainda mais. O caos havia tomado conta do lugar e a qualquer momento eles poderiam se ferir gravemente.
De repente, a porta da sala é aberta. Vejo Dallas e Prince entrarem apressadamente. Eles me lançam um rápido olhar e não demoram a separar Austin e Dez, apartando, finalmente, a briga.
– Me solta! – grita Dez, debatendo-se nos braços de Prince. – Eu vou acabar com esse babaca!
– Essa eu quero ver. – ri Austin, debochadamente. O loiro se remexia fortemente, fazendo com que fosse quase impossível para Dallas segurá-lo. – Me larga, Dallas. Eu terei o prazer de quebrar a cara dele.
– Já chega! – fala Prince, furioso. – O que vocês pensam que estão fazendo? Perderam o juízo de vez? Estavam planejando se espancarem até a morte?
Os dois começam a se acalmar. Dallas olha para os amigos, com decepção. A única coisa que eu consegui fazer foi suspirar aliviada e me jogar no sofá, tentando entender como as coisas chegaram a esse ponto.
– Você está bem, Ally? – pergunta Dallas, preocupado.
– Eu... Eu não sei. – digo, sentindo uma dor insuportável em meu abdome. Eu tremia e suava frio. Sentia que em breve perderia minha consciência.
O moreno solta Austin, que já possuía arrependimento em seus olhos e caminha até mim. Prince suspira cansado e faz o mesmo com Dez. Antes que os dois caminhassem em minha direção, meu chefe coloca o braço na frente, impedindo que eles continuassem.
– Vocês já fizeram bobagens demais para um dia só. – fala o homem, rispidamente. – Vão lavar esses ferimentos e esfriar a cabeça. A última coisa que a Ally precisa, nesse momento, é ver vocês.
Inconformados, Austin vai para o quarto e Dez entra no banheiro. Prince me lança um sorriso triste se aproxima de mim. Dallas abre os braços como se entendesse o que eu mais precisava naquele momento. Não demoro a me jogar na direção do rapaz. Sinto seus braços me envolverem em um aperto forte. A dor em minha barriga aumenta, fazendo com que eu me encolhesse, discretamente. Eu não queria preocupá-lo ainda mais.
– O que aconteceu aqui, Ally? – sussurra Dallas, suavemente, enquanto acaricia minha cabeça.
Suspiro dolorosamente e me afasto do moreno, voltando a me sentar no sofá. Começo a ficar tonta. Era como se minha consciência estivesse se esvaindo lentamente. Prince, interessado em minha resposta, senta-se ao meu lado e coloca a mão em meu ombro, incentivando-me a falar. Dallas coloca-se de joelho a minha frente e sorri carinhosamente.
– Eu virei o objeto de desejo de Austin e Dez. – digo, envergonhada. Eu não fazia ideia de como reagir a essa novidade. – Eu não sei o que vai acontecer agora, mas ambos deixaram claro que não desistiram de lutar por mim.
Um enorme cansaço se apossa de mim. A dor estava se tornando insuportável. Sem me controlar mais, coloco a mão sobre o local que latejava. Sinto uma estranha umidade e uma agonizante ardência sobre o ferimento. Levanto minha mão e olho para a mesma. Um líquido purpúreo brilhava com intensidade. Olho para Dallas e ele me encarava assustado.
– Ally! – fala Dallas, segurando-me, antes que eu caísse. – Prince, ela está ferida.
– Precisamos levá-la para um hospital, imediatamente. – ouço a voz alarmada de Prince, ao longe, enquanto o mundo a minha volta começava a escurecer.
– Que ótimo! Mais um problema para minha vida. – sussurro, semiconsciente.
A cada segundo que se passava a fadiga se tornava maior e, gradativamente, começo a perder meus sentidos. E, antes de me entregar a inconsciência, vejo Prince escrevendo um bilhete para os rapazes e sinto Dallas me pegando no colo. Após isso, tudo se tornou escuridão.
[...]
Barulhos metálicos são audíveis aos meus ouvidos, despertando-me do que quer que tivesse acontecido comigo. A minha mente estava um caos e minha cabeça parecia uma bomba relógio prestes a explodir. Lentamente, passo a abrir meus olhos, sentindo-os arder devido a claridade. Tento me mexer, mas sou impedida por um peso sobre mim.
– Parece que a Bela Adormecida despertou. Permaneça quietinha, sim? Eu já estou terminando de fechar esse ferimento. – fala um homem desconhecido. Confusa, olho assustada para ele e percebo que estava sendo costurada. Minha garganta estava seca e qualquer movimento brusco fazia meu corpo implorar pelo repouso. — Está sentindo alguma coisa? – pergunta, assim que termina o curativo.
– On... Onde eu estou? – questiono, fazendo um grande esforço para que minha voz saísse audível.
– Não se lembra do que aconteceu? – interpela o moreno, sorrindo gentilmente. Noto, então que ele vestia uma roupa de médico. Ele retira as luvas que usava e os restos dos materiais hospitalares e joga dentro de um enorme balde de lixo. – Você está no Baptist Hospital of Miami¹. Não sei o que aconteceu com você, mas quando chegou aqui estava com um grande corte no abdome e inconsciente. Como perdeu muito sangue, acredito que esteja fraca e sentirá algumas dores por alguns dias. – ele ri discretamente, parecendo lembrar de algo engraçado. — Seus amigos estão bem preocupados. Dois deles fizeram um grande alvoroço na sala de espera e, por muito pouco, não foram expulsos do hospital pelos seguranças.
As lembranças da briga retornam a minha mente. Suspiro frustrada e balanço a cabeça, concordando com a fala do médico. Eu estava exausta, mas sentia uma louca necessidade de saber se eles estavam bem.
– Doutor... – falo, sem saber o nome do homem.
– Shepherd. Derek Shepherd². – diz, simpático. Ele anota algumas coisas em sua prancheta e volta a prestar atenção em mim.
– Eu posso ver meus amigos? – pergunto, com a voz fraca. Ele analisa minhas feições e me olha em dúvida.
– Não é uma boa ideia, Allycia. – fala o médico, suavemente. – Você ainda está fraca e os remédios logo farão efeito. Durma um pouco e descanse. Quando melhorar, você poderá conversar com seus amigos.
Suspiro frustrada. O médico sorri e me ajeita na cama, deixando-me em uma posição mais confortável. Ele apaga a luz e sai do quarto. Olho para janela e percebo que ainda não havia amanhecido. Fecho os olhos e deixo as lembranças retornarem a minha mente.
Em poucos meses, minha vida mudou por completo. O pedido de casamento, a saída do restaurante, a cerimônia, o abandono no altar, minha mudança a Miami e Austin. Eu não conseguia mais negar que eu não sentia apenas uma atração pelo loiro. Ouvir aquelas palavras saírem de sua boca fez meu coração saltar, encantado.
No entanto, por mais que eu quisesse me entregar a essa loucura, eu não conseguia evitar de sentir medo. Meu coração ainda estava em pedaços pela decepção com Gavin. Eu gostaria de dizer que eu já o esqueci, mas não posso mentir para mim mesma.
Volto a encarar a janela do quarto. Eu não estou em dúvida sobre meus sentimentos por Austin. Sei que estou completa e loucamente apaixonada pelo loiro mais sem noção que conheço, no entanto, eu sou a prova viva de que apenas amor não basta.
“O jogo de basquete ocorria de maneira fervorosa. O time da casa estava empatado com os adversários. Ao meu lado, Gavin torcia e gritava junto a torcida, empolgado com a possibilidade da escola levar o prêmio do ano.
Eu o observava, discretamente. Esse era o meu passatempo predileto. O rapaz de cabelos claros e olhos azuis cerúleo possuía um ar misterioso e carinhoso que cativava a todos ao seu redor.
Ele desvia o seu olhar do centro da quadra e passa a me encarar com um brilho divertido nos olhos. Envergonho-me, por ser pega em flagrante, observando-o.
Gavin volta a se sentar ao meu lado e pega minha mão com carinho. Suspiro apaixonada e o olho encantada. Esse era o nosso primeiro encontro desde que começamos a namorar. Ele sempre foi apaixonado por basquete, mas, por conta de um acidente a poucos meses, Gavin teve que abandonar as quadras e esquecer de todos os seus sonhos de ser um famoso jogador de basquete.
– Você está bem? – pergunto, preocupada. Eu sabia o quanto o garoto sofria por ver seus companheiros de equipe jogando com toda a sua garra.
– Não se preocupe. – fala, sorrindo gentilmente. – Eu estou aqui, assistindo minha equipe jogar como nunca, tendo a chance de vencer o campeonato e, de quebra, tenho minha namorada ao meu lado. Não poderia estar melhor.
Aperto mais a sua mão e encosto minha cabeça em seu ombro, vendo os Manatees marcar uma cesta de três pontos. Gavin vibra, mas não se levanta. Ele passa os braços em volta da minha cintura e encosta a cabeça sobre a minha.
– Oi casal vinte. – fala Megan, a garota do jornal da escola, segurando sua inseparável câmera e com um sorriso traquina em seu rosto.
– Oi Megan. Como vai? – pergunto, sorrindo para a garota, enquanto me separo do meu namorado. Gavin apenas balança a cabeça de leve para Megan.
– Oi Ally. Estou bem, obrigada. – responde, animada como sempre. – Gavin, concederia uma entrevista exclusiva ao jornal da escola?
Gavin lança um olhar insatisfeito para mim. Ele nunca gostou de ser o centro das atenções, mesmo sendo o capitão do time de basquete da escola. Gavin não se importava com a popularidade e tentava ser gentil com todos. Ele trabalhava em um pequeno mercado para ajudar sua mãe a pagar as contas, cuidava do pai doente e sempre batalhou muito para seguir seus sonhos.
Quando se machucou durante uma partida decisiva contra a Whitechalpe High School, ele fraturou a coluna gravemente. Gavin conseguiu se recuperar, mas já não conseguia jogar como antes. Sentia dores intensas e logo os médicos descobriram que ele não poderia voltar a jogar basquete, pois a lesão deixou sequelas irreversíveis.
Na época, ainda estávamos nos conhecendo. Eu vi a luta de Gavin para poder voltar às quadras, mesmo todos dizendo que ele não era capaz. Infelizmente, ele teve que desistir. Se continuasse naquele ritmo, Gavin poderia perder o movimento das pernas. E foi assim que passei a admirá-lo e me apaixonei perdidamente por ele.
– Você deveria aceitar. – sussurro para ele, divertindo-me com sua cara de assustado.
– Tudo bem, Megan. – concorda o rapaz, suspirando cansado. – Assim que o jogo acabar, você pode me entrevistar.
– Excelente! – fala a garota, batendo palmas, animada.
Logo Megan volta para perto de seus amigos que também fazem parte do jornal e conta a notícia para eles. Todos pareciam animados com a chance de entrevistar Gavin.
– Eles ficaram felizes. – comento, apontando para os amigos de Megan.
– Estão apenas interessados em fazer fofoca. – diz, carrancudo. – Eu não acredito que terei que fazer isso. – choraminga.
Rio e beijo sua bochecha. Ele não demora a começar a ri também e me puxa para um beijo. Sentir seus lábios sobre os meus fazia meu estômago se revirar e me sentir viva como nunca. A sensação era maravilhosa.
O tempo passa rápido e logo o jogo chega ao fim, tendo como vitoriosos os Manatees. A euforia toma conta de todos os alunos do Marino High School. Gavin não poderia estar mais feliz do que naquele momento. Ele participou de apenas dois jogos nesse campeonato, como capitão do time, mas foi a todos os jogos, treinos e torceu por eles como ninguém.
– Parabéns! – digo, abraçando-o com força.
– Nós ganhamos! Ally, conseguimos ganhar o campeonato! – fala o rapaz, enquanto me rodopiava no ar. Eu ria de sua animação.
– Eu sei. – falo, pegando em seu rosto e o beijando.
O time começa a correr na nossa direção e pega Gavin pelos ombros, passeando pela quadra, enquanto festejavam. Seus olhos brilhavam como nunca. Eles o jogavam no ar e gritavam “vivas” ao eterno capitão dos Manatees.
– Agora, vamos ouvir algumas palavras de nosso capitão, Gavin Young! Ele que, mesmo machucado, continuou nos ajudando nos treinos, apoiando e, acima de tudo, nos dando força para continuar a jogar. Não teríamos conquistado se não fosse por você, Gavin! – grita Johnny, capitão substituto do time, no holofote do treinador.
Ele entrega o holofote a Gavin, que já ameaçava chorar de tanta emoção. Sinto alguém me abraçar por trás e, quando me viro, vejo que era Samanta, irmã de Gavin e uma das líderes de torcida da escola.
– Samy! – falo, dando um forte abraço na garota.
– Ele está tão feliz, Ally. – diz a garota, emocionada.
– Sim, ele está. – nós compartilhávamos o mesmo sentimento de alivio e emoção pela felicidade de meu namorado.
– Uau, por essa eu não esperava. – confessa, passando a mão pelos olhos. — Obrigado, Johnny. – fala Gavin, sorrindo animado. – Não pude participar do Campeonato Regional Escolar de Miami, mas eu queria dizer que estou muito orgulhoso do time.
Todos os jogadores passam a gritar o nome de Gavin, fazendo o rapaz se emocionar ainda mais. Vê-lo daquela forma me enchia de alegria. Gavin merecia aquela homenagem.
De repente, ele pede para descer e começa a caminhar na minha direção, tendo atenção de todos da escola. Ele possuía um sorriso encantador e ainda carregava o holofote junto a si. Assim que ele fica de frente para mim, Gavin pega em minha mão e a beija.
– Pessoal, essa mulher foi a pessoa que mais me inspirou a continuar ao lado de vocês. Se não fosse por ela, eu jamais teria tido forças para continuar a lutar. – fala, fazendo todos gritarem, inclusive minha cunhada, que me cutucava, animada. – Allycia Dawson, eu te amo.
Os gritos da plateia se mistura aos dos jogadores, vibrando com a pequena declaração de amor de Gavin. Meu coração acelera e meus olhos se enchem de lágrima. Aquela havia sido a primeira vez que Gavin dizia que me amava. E o que mais me impressionava era que ele havia deixado a timidez de lado e dito aquelas três palavras na frente de toda a escola.
Jogo-me em seus braços e o beijo. As lágrimas rolavam com intensidade e a única coisa que eu queria era pausar aquele momento e fazê-lo durar para sempre.
– Eu também te amo, Gavin Young. – grito, assim que nos separamos. A escola volta a gritar, nos apoiando e, em meio aos escândalos de Samy e as brincadeiras dos nossos amigos, a única coisa que fizemos foi voltarmos a nos beijar.”
A lembrança ainda fazia meu peito doer. Na manhã de segunda-feira, o jornal da escola tinha em sua capa uma foto nossa. A escola toda comentava que éramos o casal perfeito. Naquela época, lembro-me de concordar, internamente, com aquela afirmação, mas hoje, isso faz com que eu me sinto uma tola.
Durante anos, eu guardei cada momento nosso como uma joia valiosa, um item colecionável, para, então, ser abandonada pelo homem que achava que passaria a eternidade ao meu lado e me faria feliz. Ingênua ilusão.
Sinto as lágrimas se formarem em meus olhos, mas as limpo antes que caíssem. Respiro fundo e fecho os olhos com força, odiando a mim mesma por sentir medo. Tantos fatores nos impedem de ficar juntos, que eu me perguntava o motivo de só me apaixonar por homens errados.
– Ally? – Austin sussurra, colocando somente a cabeça para dentro, após abrir a porta lentamente. – Está acordada?
Penso por alguns segundos se deveria fingir e evitar uma conversa sobre o assunto da declaração ou enfrentar tudo de uma vez e pôr um fim a essa confusão que minha vida havia se tornado.
– Estou. – falo, fechando os olhos, tentando controlar o medo do que aconteceria em instantes. Torno a abri-los e vejo o loiro entrar no quarto e fechar a porta. Ele se aproxima, cautelosamente, de mim, contendo um olhar repleto de culpa. – O que está fazendo aqui? O médico me disse que eu não poderia receber visita.
Observo suas feições. Seu rosto estava repleto de curativos e hematomas, no entanto, ele caminhava normalmente e não parecia estar sentindo dor. Sinto um enorme alívio ao ver que os machucados eram superficiais e que ele estava bem.
– Bem, ele não sabe que eu estou aqui. – Austin ri, aproximando ainda mais, ficando ao meu lado.
– O que? – pergunto, confusa. – Então, como você conseguiu entrar aqui?
– Trish. – fala, carinhosamente. Notando a minha confusão, ele solta uma leve risada e continua a explicar: — Ela me obrigou a contar tudo o que aconteceu e, por muito pouco, ela não voou em meu pescoço e me esganou. – rio com sua afirmação, não duvidando desse fato. – No entanto, ela disse que precisávamos resolver nossa situação, por isso, a doida criou uma confusão com Dez, chamando a atenção toda para eles, dando-me a chance de vir até aqui.
Dou um sorriso discreto e me levanto lentamente. Austin tenta me ajudar, mas recuso a ajuda, empurrando seu tórax de leve. Ele me olha, tristemente, e se afasta. Sento-me na cama e passo a encará-lo.
– O que você quer, Austin? – pergunto, sentindo meu coração palpitar descompassado. Minhas mãos estavam suando e eu me condenava por ser tão fraca quando o assunto era Austin Moon.
Ele volta a se aproximar e pega em minhas mãos. Eu temia que ele descobrisse os efeitos que tem sobre mim, por isso, retiro minhas mãos, rapidamente. Austin parecia frustrado com as falhas que estava tendo quando tentava me tocar.
– Ally, eu sinto muito. – fala, firmemente. A culpa e a sinceridade alternavam em seus olhos. – Eu sei que passei dos limites, mas eu não segui me controlar. Ver Dez tão próximo a você, fez meu sangue ferver. Eu... – ele suspira, frustrado, e me encara com intensidade. – Eu entrei em desespero quando encontrei o bilhete de Prince, dizendo que ele e Dallas haviam ido para o hospital, porque você estava ferida. Não sabe o quanto eu me condenei por isso e... Eu... Eu sei que fiz bobagem, mas o ciúme me cegou...
– Austin, isso não justifica o seu surto. Ciúmes todos sentem, mas é preciso aprender a se controlar. Além disso, você não tem o direito de se envolver em minha vida. Você é apenas meu amigo. Se eu tivesse com Dez ou não, isso é algo que envolve somente ele e eu, ninguém mais. – digo, frustrada. Eles quase se mataram por causa de ciúmes bobo. Só em pensar que a briga poderia ter ocasionado em uma tragédia, meu corpo se retrai.
– Apenas amigos? – ele repete, ironicamente, enquanto ria em descrença. – Ally, “apenas amigos” não fazem o que nós já fizemos.
Levanto-me da cama, ignorando as dores em meu corpo e fico de frente para Austin. Eu sabia que ele tinha razão. Não éramos apenas amigos, mas não podíamos ser mais que isso.
– O passado não se pode mudar. Vamos fingir que nada aconteceu e seguir em frente. Assim será melhor para todos. – as minhas palavras saiam cortando meu peito. Eu não queria dizer aquilo. Eu queria dizer a Austin todos os meus sentimentos, mas já havia feito escolhas erradas demais.
– Você ouviu o que acabou de dizer? – pergunta o rapaz, incredulamente. – Nós dormimos juntos e você quer fingir que nada aconteceu? Que tipo de homem você acha que eu sou? Acredita mesmo que eu vou para cama com qualquer uma?
– Austin, eu...
– Não, Ally. – interrompe o loiro. Ele estava alterado e a raiva parecia consumi-lo tanto quanto no momento da briga. – Eu dormi com você, porque eu te amo e desejava apenas você. Aquela noite foi muito mais que apenas um momento de fraqueza e prazer. Significou muito mais para mim. No entanto, não parece ser isso que você pensa, não é mesmo? – fala Austin, parecendo magoado. Suas palavras atingiam como facas afiadas o meu coração.
– Não diga coisas que você não sabe! – digo, furiosa, aproximando-me do rapaz. Eu andava devagar, devido as dores intensas, mas continuava firme, não deixando o ferimento em minha barriga me parar. – Aquela noite foi única.
– Mesmo? – diz o loiro, sarcasticamente. – Pois não parece!
– O que você quer que eu faça? – falo, alterada.
– Eu não sei! – grita Austin, furiosamente. – Qualquer coisa, menos agir como uma mulher que vai para cama com qualquer um e acha que sexo é algo comum entre amigos.
Em uma atitude impulsiva, acerto-lhe um tapa em sua face. Eu não conseguia acreditar no que Austin dizia. E, antes que eu dissesse qualquer coisa, a porta do quarto é aberta bruscamente. Assusto-me ainda mais quando vejo Cassidy entrar no quarto, carregando mágoa em seus olhos.
– Isso é verdade? – questiona Cassidy, deixando algumas lágrimas rolarem por sua face. Ela me encarava com seriedade, demonstrando decepção e nojo. – Vocês transaram?
✻
Continua...
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