Obsession
32 Capítulo 31 - Surprises - Parte 1
Notas iniciais
14 de junho de 2014 – Miami
POV Ally
A chuva finalmente havia dado uma trégua e o sol brilhava com intensidade, quando Austin e eu chegamos a sua casa. Após a perigosa tempestade da madrugada, a cidade estava voltando ao seu estado normal aos poucos, mesmo que ainda tivesse muitas evidências do caos da noite anterior.
– Alonso! – Chama Austin, assim que abre a porta de sua casa.
– Austin. Bom dia. – Cumprimenta o homem que suponho ser Alonso. Ao notar minha presença, o amigo de meu namorado sorri e se aproxima com uma caneca de café em mãos. – Você deve ser a namorada do Austin.
– Sim. – Respondo, sorrindo. – Ally Dawson. – Digo, estendendo minha mão.
– Alonso Harper. – Diz, sorrindo, enquanto aperta a minha mão. – Finalmente nos conhecemos, Ally. Austin me falou e muito sobre você.
– Espero que somente coisas boas. – Brinco, encarando Austin, que sorria discreto.
– Você nem imagina. – Fala Alonso, rindo. – Aceitam um café?
– Claro. – Responde Austin, passando o braço por cima dos meus ombros. – Estamos morrendo de fome e bem cansados. – Acrescenta, guiando-me para a cozinha da casa. – Tem alguma coisa para comer?
– Brooke deixou uma cartinha sobre a mesa, falando que havia abastecido a despensa, então acho que deve ter algo. Eu acabei de acorda, então nem olhei o que tem para comer. – Diz o moreno, dando de ombros, enquanto se senta à mesa.
– Eu preciso tomar um banho. – Resmunga Austin, suspirando.
– Vai. Eu preparo o café da manhã. – Respondo, entendendo o quanto ele deveria estar cansado pela viagem e por ter passado a noite em claro.
– Obrigado. – Agradece, beijando a minha testa. – Alonso, ajude Ally no que ela precisar.
– Virei sua empregada? – Questiona o homem, lançando um olhar desafiador para o loiro.
– Sempre foi. – Brinca Austin, rindo.
– Você não ia tomar banho? – Pergunta Alonso com ironia, passando a ri divertido em seguida.
– Eu já volto. – Fala Austin, beijando meus lábios em um rápido selinho.
– Tchau, Romeu. – Provoca o moreno, bebericando um pouco do líquido amargo em sua caneca.
Austin balança a cabeça, concordando, e me lança uma piscadela, saindo em seguida. Sorrio e caminho até o armário, procurando por alguns ingredientes que pudessem ser usados.
– O que você vai fazer? — Questiona Alonso, curioso.
– Panquecas. Você gosta? – Pergunto, enquanto pego a farinha de trigo, o fermento e o açúcar e coloco em cima da pia.
– Quem não gosta de panquecas? – Brinca, sorrindo.
Concordo, rindo e pegando uma tigela para misturar os ingredientes. Enquanto eu preparava a massa, Alonso me olhava com curiosidade, como se me analisasse, ao mesmo tempo em que seu pensamento parecia distante.
– Algum problema, Alonso? – Indago, preocupada.
Despertando de seus pensamentos, o homem me olha por alguns instantes, parecendo estudar minha pergunta. Ele levanta e anda, lentamente, em direção a bancada, onde se estava a cafeteira e coloca um pouco de café sua caneca. Com o olhar distante, mais uma vez, Alonso observa a paisagem pela janela da cozinha.
– Ally, você já perdeu alguém que amava mais que a sua própria vida? – Pergunta, com seriedade, ainda encarando a paisagem.
Olho confusa para o homem e coloco a frigideira para esquentar, pensando em sua pergunta. Encaro seus olhos e vejo a dor estampada com intensidade. Vendo a minha expressão de preocupação, ele suspira e me lança um sorriso triste.
– Eu não...
– Não precisa responder. – Fala Alonso, voltando a se sentar. – Há seis anos atrás, eu conheci Victória. Divertida, bonita, inteligente e determinada. Não demorei a me apaixonar. – Ele sorri e suspira, nostálgico. – Victória trabalhava na mesma empresa que eu e era minha superiora, então foi difícil de me aproximar.
Alonso para de falar por um momento, como se escolhesse as palavras certas para continuar. Coloco um pouco da massa de panqueca na frigideira e o encaro com preocupação. Em seus olhos, eu via a dor brilhar com ainda intensidade.
– Quando finalmente começamos a namorar, eu soube que ela era a mulher pela qual eu lutaria para viver ao seu lado por toda a eternidade. Eu já fiz muitas besteiras nessa vida, Ally. Eu nunca fui do tipo romântico, nem que acreditava em almas gêmeas, mas Victória me fazia querer ser alguém melhor. Eu era alguém melhor quando estávamos juntos. Nos casamos depois de um ano e meio de namoro. – Relata, enquanto encarava e brincava com a caneca que estava em suas mãos. Ele sorri, brevemente, e depois suspira. – Permanecemos casados por três anos. Eu vi os anos mais felizes de minha vida serem levados por um trágico acidente de carro dois anos atrás. E o pior de tudo é que eu também estava no carro. Eu presenciei sua morte e não pude fazer nada.
– Meu Deus. – Sussurro, levando a mão na boca, tocada com o relato do homem. Desligo o fogo e dou minha atenção por completo a Alonso, que leva as mãos ao rosto, quando termina de contar sua história. – Eu...eu nem sei o que dizer.
– Não precisa dizer nada. – Alonso sorri, fracamente, e suspira, voltando a me encarar. – De qualquer forma, eu estou te contando isso, não para que sinta pena de mim. Quero que entenda o quanto a vida pode ser cruel. Você e Austin se amam. Dê uma chance ao que sentem. Não estou dizendo que vai ser fácil. Longe disso. – Ele ri, nostálgico. – Não perca tempo por conta de suas inseguranças, Ally. Nunca se sabe se vocês estarão vivos amanhã. – A última frase de Alonso possuía um tom melancólico.
– Obrigada, Alonso. – Agradeço, sentindo um nó em minha garganta, comovida pelas emoções do belo fotógrafo.
Alonso sorri e volta a tomar o seu café. Instantes depois, Austin aparece na cozinha, trajando somente uma calça moletom e uma toalha em seu pescoço, impedindo que as gotas de água de seu cabelo, caísse pelo seu corpo.
– Voltei. – Anuncia, sorrindo. – Sobre o que estavam conversando? – Questiona, desconfiado, ao notar meu olhar preocupado para com Alonso.
– Eu...
– Eu estava dizendo a Ally o quanto eu estou com fome e ansioso para provar da comida dela. – Responde Alonso, me interrompendo.
– Você não vai se arrepender. A comida dela é a melhor. – Afirma Austin, acreditando na história de seu amigo, enquanto se aproxima de mim. Rio e viro-me para o fogão, voltando a ligar o fogo. Sinto os braços de Austin ao redor de minha cintura e seu queixo sobre minha cabeça. – O que você está fazendo?
– Panquecas. – Respondo, concentrando-me no que eu fazia.
– Meu prato preferido. – Celebra Austin, como uma criança, apertando-me com ainda mais força.
– Austin! Eu estou cozinhando. – Repreendo o loiro, rindo de sua animação.
Austin ri e se afasta, pegando uma xícara de café no armário, logo em seguida. Ele enche a xícara com o café feito por Alonso e se senta ao lado do amigo, bebericando um pouco do líquido amargo, apreciando a bebida.
– Que horas o casamento começa? – Pergunta Alonso, com a voz monótona.
– Seis horas da tarde, não é, amor? – Questiona Austin, tomando mais um pouco de seu café.
– Isso, mas precisamos estar na praia no máximo as cinco. – Respondo, tirando a panqueca que estava na frigideira e colocando mais um pouco de massa. – Vocês já passaram as roupas de vocês?
– Ainda não. – Fala Alonso, parecendo lembrar do fato.
– Você conferiu se nossas roupas não molharam com a chuva de ontem? – Pergunta Austin a Alonso, que revira os olhos com a pergunta.
– Você acha que eu sou idiota? – Questiona irônico. – É claro que sim. Por sorte, elas continuaram secas. Estão somente amassadas. Só precisamos que alguém passe as roupas para nós.
– Eu passo. – Afirma Austin, dando de ombros.
– Nós vamos para um casamento. Se eu quisesse usar uma roupa queimada, eu mesmo passava. – Responde Alonso, rindo.
– Quem disse que eu não sei passar roupa? – Questiona Austin, irritado.
– Eu passei mais de seis meses morando com você. Acha que eu não sei disso? – Fala Alonso, levando um soco no braço de Austin, em seguida.
Rio da discussão infantil dos dois homens e termino de preparar as panquecas. Coloco-as em dois pratos e os levo para a mesa, junto com os talheres e pego o mel, a manteiga e a geleia que havia sobre o balcão. Abraço Austin por trás e, aproveitando que o mesmo estava sentado, coloco meu queixo sobre sua cabeça.
– Eu passo as roupas para vocês. Apenas deixem elas sobre o sofá para eu não esquecer de passar antes de voltar para casa. – Afirmo, fazendo Alonso fingir emoção.
– Você é um anjo, Ally. Livrou nossas roupas de um destino cruel. – Brinca, o moreno.
– Babaca. – Resmunga Austin, lançando o dedo do meio para o amigo. Austin levanta a cabeça e me encara com carinho. – Não vai comer agora? – Pergunta, preocupado.
Suspiro e beijo sua testa, balançando a cabeça, negativamente. Afasto-me do loiro e pego uma xícara, colocando um pouco de café dentro. Sento-me ao seu lado e aconchego-me em seus braços, quando ele me abraça.
– Não sinto fome pela manhã. – Respondo, fechando os olhos ao sentir os lábios de Austin beijarem minha testa.
– Tão melosos que chega a me causar diabetes. – Brinca Alonso, cortando as panquecas e levando um pedaço a boca.
Antes que rebatêssemos a provocação de Alonso, meu celular começa a tocar. Suspiro, cansada, e me levanto, indo pegar o aparelho que estava dentro da bolsa sobre o sofá.
– Alô. – Atendo a ligação, após ver que quem me ligava era Cassidy.
– Ally, eu preciso de você. – Afirma a loira, aos prantos do outro lado da linha.
– Cassy? O que aconteceu? – Pergunto, preocupada.
– Tudo está dando errado. – Fala, voltando a chorar. – Por conta da chuva de ontem, eu não vou poder me casar na praia.
– O que? – Questiono, sem acreditar. – Por quê?
– A tempestade inundou o salão onde estavam as coisas que usaríamos para o casamento e destruiu inúmeras coisas. Os tapetes estão sujos e as flores se despedaçaram. O cerimonial disse que a maior parte da ornamentação deu perda total. O buffet acabou de me ligar e disse que a inundação afetou o sistema elétrico do lugar e que será impossível fazer a comida. – Explica Cassidy, desesperada, chorando com intensidade. – E agora, Ally? O que eu faço? Como é que eu vou conseguir me casar se não tenho onde e nem como receber os duzentos e cinquenta convidados?
– Fica calma, Cassy. Você está em casa? – Pergunto, preocupada. – Onde estão as meninas?
– Eu estou em casa, enquanto Trish e Piper dão os últimos ajustes no vestido. Dallas, Dez e Thomas foram atrás de alguma solução, mas até agora não me ligaram. – Responde, soluçando, enquanto chorava. Olho em meu relógio e vejo que se passam das oito da manhã. – Eu estou a ponto de enlouquecer, Ally.
– Em vinte minutos, no máximo, eu estarei aí. – Afirmo, correndo até a cozinha.
– Tudo bem. – Concorda Cassidy, um pouco mais calma.
– Até daqui a pouco. – Despeço-me, desligando o celular.
– O que aconteceu? – Pergunta Austin, preocupado, assim que chego a cozinha.
Apressada, faço um coque malfeito em meu cabelo e termino de tomar o café que estava sobre a mesa. Suspiro, preocupada. Como conseguiríamos fazer uma cerimônia tão grande tão em cima da hora?
– A chuva destruiu boa parte da decoração do casamento, além do lugar do buffet que Cassidy tinha contratado. Eu preciso ir tentar acalmá-la. – Eu explico a Austin e Alonso, que me olham preocupados.
– Precisa de alguma coisa? – Pergunta Alonso, prestativo.
– Poderia pegar as roupas de vocês? Eu passo na casa da Cassidy. – Digo, recebendo um sorriso compreensivo do moreno. Ele se levanta e se apressa em pegar os ternos, camisetas e calças que usariam. – Obrigada. – Agradeço, enquanto ele me estende as peças, que estavam dentro de dois sacos próprio para roupas do tipo e no cabide.
– Eu levo você. – Avisa Austin, indo para seu quarto para pegar a chave do carro e vestir uma blusa. — Vamos? – Pergunta, assim que volta a aparecer.
– Claro. – Respondo, indo em direção a Alonso. – Foi um prazer te conhecer, Alonso. Vejo você mais tarde. – Aviso, retribuindo ao abraço desajeitado do homem, por conta das coisas que eu carregava.
– Digo o mesmo, Ally. – Afirma, sorrindo. – Até mais.
Austin e eu entramos em seu carro e seguimos em direção à casa de Cassidy. Enquanto o loiro dirigia, eu tentava ligar para Prince ou Manu. Após a minha terceira tentativa, finalmente, a mulher atende ao celular.
– Ally?
– Manu, você já está sabendo do que aconteceu com a decoração do casamento? – Pergunto, suspirando.
– Dallas me ligou mais cedo e me contou. – A voz de Manu carregava preocupação e tristeza. – Eu estou tão atolada aqui no restaurante que nem sei o que fazer. Pedi para o Prince ir ajudar os garotos, mas até agora nada. Nenhum cerimonial quer pegar um trabalho tão em cima da hora e o que foi contratado antes não sabe o que fazer. O prejuízo foi grande e todo o estoque que eles tinham foi destruído.
– É incrível como mesmo com a família de Cassy sendo tão influente na cidade seja impossível encontrar pessoas para fazer o serviço. – Comento, suspirando em seguida.
– Onde você está? – Pergunta Manu, curiosa.
– Indo para a casa da Cassy. Ela me ligou desesperada, contando tudo. Disse que estava sozinha e está prestes a enlouquecer. – Conto a morena, arrancando um suspiro preocupado da mesma.
Vozes do outro lado da linha ecoam ao longe. Manu responde as pessoas e percebo, então, que a mesma estava muito ocupada. A mulher suspira, mais uma vez, demonstrando todo o seu cansaço.
– Ally, eu tenho que voltar ao restaurante. Como irei fechar para a hora do casamento, preciso atender o máximo de clientes possíveis. – Explica a mulher, seriamente. – Se precisar de qualquer coisa, me liga. Vou ficar com o celular no bolso. E diga a Cassy para não se preocupar, pois esse casamento vai sair de qualquer jeito.
– Pode deixar. – Concordo, sorrindo. – Até mais tarde.
– Até. – Despede-se a mulher, desligando o celular logo em seguida.
Austin manteve-se calado o resto do percurso, pensativo. Devido à minha preocupação com os problemas para o casamento, ignoro o fato e me concentro em arrumar soluções. Com a cerimônia para ocorrer em menos de dez horas, tínhamos muito o que fazer em pouco tempo. Cassy tinha motivos suficientes para estar em desespero.
Em menos de dez minutos, Austin e eu chegamos a casa da loira. Olho para o loiro e suspiro, o abraçando, em seguida. O homem me aperta com força e sorri, me passando confiança.
– Boa sorte. – Sussurra, acariciando meu rosto. – Me ligue se precisar de alguma coisa.
– Tudo bem. – Concordo, sorrindo. – Agora vá terminar de tomar seu café da manhã e visite seu pai. Ele está morrendo de saudades. E depois veja se consegue acalmar Dallas. Com certeza, ele deve estar a ponto de enfartar.
– Sim, senhora. – Brinca Austin, com um sorriso carinhoso em seus lábios. – Eu te amo.
– Eu também te amo. – Afirmo, encostando minha testa na sua. Em despedida, beijo-o, rapidamente, e, após pegar as roupas e minha bolsa, corro em direção a entrada da casa de minha amiga.
Austin buzina e acena, antes de voltar para casa, deixando-me sozinha. Com dificuldade, abro a porta da casa, com a chave reserva que Cassidy havia me dado, e entro, colocando todas as coisas no sofá antes, de fechar a porta.
– Cassy! – Chamo, preocupada.
– No quarto. – Grita, em resposta.
Respiro fundo, preparando-me para consolar minha amiga. Calmamente, aproximo-me do quarto, ouvindo os soluços desesperadores da loira se tornarem cada vez mais altos. Quando nota a minha presença em seu quarto, Cassy corre e se joga em meus braços, apertando-me com intensidade.
Ela chorava como uma criança, demonstrando todo o seu desespero. Eu entendia bem o que a mulher estava passando. Foram meses de entrega quase que por completa por essa cerimônia para um dia antes dela ocorrer, uma maldita tempestade levar tudo por água abaixo.
– Calma, querida. Eu estou aqui. – Sussurro, suavemente, ao ouvido de Cassidy, enquanto esfrego com delicadeza as suas costas. A loira soluçava e balbuciava palavras que eu não conseguia compreender.
– O que eu...vou fazer, Ally? – Pergunta Cassidy, apertando-me ainda mais. – Eu sonhei tanto...com esse dia e agora...
A mulher se interrompe, voltando a chorar ainda mais. Com cuidado, guio Cassidy a sua cama e a faço sentar. Respiro fundo, tentando manter a calma, mesmo que isso fosse quase impossível. A delicada situação parecia cada vez mais complicada.
– Você precisa se acalmar, Cassy...
– Como? Me diz como eu vou me acalmar, quando tudo está dando errado? Fala, Ally! – Grita Cassidy, desesperada, interrompendo-me. Ao notar minha surpresa, a mulher volta a se entregar ao choro. – Me desculpa, Ally. É só que eu estou...
– Tudo bem, Cassy. Eu entendo. – Afirmo, sorrindo em compreensão para a loira e a abraçando com carinho. – Vai ficar tudo bem. Não importa o que aconteça, esse casamento vai ocorrer.
– Obrigada. – Murmura, tristemente.
Afasto-me da loira e vou a cozinha, pegar um copo de água e preparar um chá para acalmá-la. Enquanto coloco o bule no fogo, a campainha da casa toca. Alarmada, Cassidy sai correndo para abrir a porta, deparando-se com a mãe e a irmã mais velha. Sem esconder a sua decepção, a loira abre passagem para as mulheres entrarem.
– Oi amor. – Fala a mãe da loira, abraçando a filha com carinho. – Como você está?
– Péssima. – Admite Cassidy, correspondendo ao abraço da mãe. Em seguida, ela se encaminha até a irmã e a abraça. – Onde está o papai?
– Foi se encontrar com Dallas para ver se consegue encontrar as flores e tudo o que foi perdido com a tempestade de ontem. – Conta Kimberly, irmã mais velha de Cassidy. – Enquanto isso, viemos aqui para cuidar de você.
– Obrigada. – Cassidy agradece, soando infeliz.
Suspiro e sorrio, desculpando-me pelo comportamento da loira. Aproximo-me de minha amiga e a faço senta no sofá da sala, entregando o copo com água para a mesma.
– Beba. Você precisa estar bem. Estou preparando um chá para que você se acalme. Enquanto isso, por que não aproveita a visita da sua mãe e irmã? – Pergunto a Cassidy, sorrindo carinhosa para a loira. – Hoje é o seu dia. Preocupe-se apenas em ficar linda para Dallas. O resto deixe comigo e com os outros. Faremos esse casamento acontecer de qualquer forma. – Repito, ainda mais confiante.
– Obrigada, Ally. – Diz Cassidy, pegando o copo e sorrindo mais confiante dessa vez. – Eu não sei o que seria de mim sem você.
– Você deve ser Ally Dawson. – Fala Olívia, a mãe de Cassidy, me analisando.
– Isso mesmo. – Afirmo, desviando o olhar de Cassy, sorrindo e me aproximando da loira de olhos verdes. – É um prazer conhecê-la, senhora Turner.
– Digo o mesmo, querida. – Diz Olívia, puxando-me para um abraço caloroso.
– Obrigada por estar cuidando de Cassy. – Fala Kimberly, abraçando-me, assim que me separei de sua mãe.
– Não precisa agradecer. – Digo, com sinceridade. Recebo em resposta, sorrisos agradecidos das duas mulheres. – Eu irei pegar um pouco de chá para vocês. Bem...fiquem à vontade.
Volto para a cozinha e coloco um pouco mais de água no bule. Olho para as horas em meu relógio, novamente, preocupada com o tempo. Se eu me apressasse, conseguiria fazer os salgados e as refeições que Cassidy estava planejando servir para os convidados. O bolo que eu havia feito na noite anterior ainda estava inteiro no Evan’s quando sai do lugar mais cedo.
Com a ajuda de Manu e dos outros funcionários, em um pouco mais de sete horas conseguiríamos fazer tudo como a loira sonhava. Não seria fácil preparar tantos pratos e eu teria que abrir mão do salão de beleza e de todos os planos de me dedicar a Cassy o dia inteiro, para fazer tudo dar certo.
“Manu, o que acha de ficarmos responsáveis pelo buffet do casamento? Nós poderíamos pedir a ajuda do Christian e dos outros. Se tralharmos juntos, talvez nós conseguiremos terminar a tempo”.
Apressada, digito uma mensagem de texto a dona do restaurante, esperançosa para que a mulher concordasse. Com o curto prazo que temos, nenhuma equipe de buffet aceitaria o serviço, por isso, essa seria a nossa única solução.
“Acho uma excelente ideia. Vou pedir para o pessoal comprar mais ingredientes e podemos preparar tudo aqui no Evan’s. O almoço já está quase todo pronto. Peço para uma parte dos funcionários ficarem responsáveis pela parte do restaurante, enquanto nós nos focamos no casamento”.
A resposta de Manu me enche de esperança. Com animação, termino de preparar o chá e coloco o bule sobre uma bandeja, junto com as xícaras, colheres e o pequeno potinho de açúcar. Levo-os com cuidado para a sala de estar e coloco a bandeja em cima da mesa de centro, sendo observada atenciosamente pelas três mulheres.
– Cassy, eu preciso ir para o Evan’s. Pode me emprestar seu carro? – Pergunto, colocando um pouco do chá nas xícaras e as entregando para cada uma.
– Você vai me deixar sozinha? – Questiona Cassidy, em pânico.
– Você não vai estar sozinha. Sua mãe e sua irmã estão aqui. – Digo, sorrindo com carinho para minha amiga, enquanto sento-me ao seu lado e pego suas mãos com firmeza. – E eu vou voltar uma hora antes de você ir para a igreja. Qualquer coisa que precisar, me liga e eu venho correndo imediatamente.
– Por que você precisa ir? – Pergunta, um pouco mais calma.
– Manu e eu cuidaremos da parte do buffet. – Eu explico, surpreendendo a loira. – Essa foi a única solução que encontramos. Pode confiar em nós para cuidarmos disso?
– É claro que sim. – Responde Cassidy, emocionada. Ela coloca sua xícara sobre a bandeja, novamente, e me abraça com intensidade. – Obrigada, Ally. Muito obrigada.
– Eu vou deixar a Cassy por conta de vocês. – Digo a Olívia e Kimberly. – Qualquer coisa que precisarem, por favor, me liguem.
– Não se preocupe. Cuidaremos de tudo por aqui. – Afirma Kimberly, sorrindo. – Boa sorte.
– Obrigada. – Agradeço e levanto-me às pressas, pegando minha bolsa, em seguida. Vejo as roupas dos rapazes sobre o sofá e me lembro que eu ainda precisava passa-las. – Será que eu poderia pedir um favor?
– Algum problema? – Pergunta Olívia, preocupada.
– Não exatamente. – Sorrio, envergonhada e aponto para os sacos com as roupas dentro. – Eu precisava passar as roupas do meu namorado, que vai ser padrinho da cerimônia, e a de um amigo, mas, por conta do restaurante, talvez eu não consiga a tempo. – Conto, dando um sorriso ainda mais sem graça pelo pedido. – Será que vocês poderiam...
– Nós podemos cuidar disso. – Afirma Cassy, sorrindo.
– Isso é o mínimo que podemos fazer pela a ajuda que está nos dando. – Complementa Olívia, sorrindo.
– Obrigada. – Agradeço, sorrindo aliviada. – E desculpa pelo incomodo.
– Não é incomodo nenhum. – Fala Kimberly, sorrindo gentilmente.
– E não precisa avisar o Austin. Eu vou ligar para ele quando tudo estiver pronto. — Avisa Cassidy, sorrindo.
Dando um sorriso em agradecimento e um abraço em Cassidy, pego a chave do carro da loira e corro para o mesmo, rezando para que o trânsito não estivesse um caos. Tudo o que eu menos precisava neste momento era pegar um engarrafamento.
Sigo em direção ao Evan’s, o mais rápido que consigo, e para a minha sorte, o caminho estava tranquilo. Não demoro a chegar ao restaurante. Ao entrar no estabelecimento, cumprimento alguns clientes que tomavam café da manhã e os funcionários que estavam trabalhando no salão principal.
– Oi Ally. – Cumprimenta Christian, assim que me ver. Desde o verão passado, o adolescente havia se apaixonado ainda mais pela profissão e já havia se tornado um cozinheiro chefe do restaurante. Ele trabalhou muito para chegar onde chegou e eu me orgulhava muito por ter o ajudado de alguma forma. Antes que eu respondesse, o garoto me estende o uniforme da cozinha e sorri animado. – Manu está te esperando lá dentro.
– Obrigada. – Agradeço ao adolescente e caminho até a cozinha. Abro a porta do lugar e vejo a movimentação desgovernada dos funcionários. Apesar de não ser tão caótica quanto no Carbone, a cozinha do Evan’s era animada. Vê-la daquela forma me trazia boas recordações. – Oi pessoal. – Digo, atraindo a atenção dos cozinheiros e garçons que estavam no recinto.
– Finalmente você chegou. – Fala Manu, sem desviar o olhar do prato que preparava. – Se quiser começar a preparar as coisas, os ingredientes estão sobre a mesa. – Diz, apontando para a mesa metálica próxima aos fornos.
Coloco meu avental, amarro meu cabelo e coloco a toca. Após respira fundo, lavo minhas mãos e começo a cortar todos os ingredientes que seriam usados, tendo a ajuda de April, Valentina e Christian, assim como no casamento de Kira e Elliot.
Enquanto trabalho, meu celular começa a tocar freneticamente. Por estar concentrada no que fazia, acabo me cortando com a faca. Resmungo e levo o dedo a boca, ao mesmo tempo em que pegava o aparelho que estava em meu bolso. O nome de Austin brilhava no visor, junto a uma foto nossa. Atendo a ligação, levando o celular ao ouvido, enquanto voltava a trabalhar.
– Oi Austin. – Digo, concentrando-me em cortar as cebolas. – Aconteceu alguma coisa?
– Ally, será que você poderia vir aqui em casa? Quero te levar a um lugar muito especial. Eu tenho uma surpresa para...
– Desculpa, amor, mas estou muito ocupada. – Interrompo o loiro, antes que ele continuasse a sua sentença.
– Mas é bem rápido. – Afirma Austin, tentando me convencer.
– Eu não posso perder nem que seja um segundo, querido. – Eu explico, terminando de picar as cebolas. Afasto o telefone da boca por um momento e me viro para April. – Onde estão os tomates?
– Na geladeira. – Responde a mulher, focada em temperar as carnes que seriam servidas aos convidados.
– Ally, por favor. – Pede Austin, suspirando, cansado. – Eu prometo que você não vai se arrepender.
– Desculpa, Austin. Mas não vai dá. – Digo, pegando os tomates na geladeira.
– E se eu disser que tem relação com uma lembrança muito importante de sua adolescência? – Pergunta, presunçoso. – Melhor ainda. E se eu disser que eu tenho o seu amuleto da sorte a minha frente?
– Austin, não estou com tempo para brincadeira. – Repreendo o loiro, enquanto lavo os tomates. – Eu preciso desligar. Só me ligue quando algo realmente importante acontecer. – Digo, seriamente.
– Ally, espera...
Desligo o meu celular e volto a guardá-lo em meu bolso. Suspiro, cansada, e volto a me concentrar no que eu estava fazendo. Sinto o aparelho vibrar. Pego-o e vejo ser uma mensagem de Austin. Ignoro e torno a colocá-lo em meu bolso.
– Parece que alguém está bem insistente hoje. – Comenta Valentina, com um sorriso divertido. – Devia ouvir o que ele tem para te dizer.
– Não estamos com muito tempo, caso esteja se esquecendo. – Respondo, ignorando os olhares divertidos dos três cozinheiros.
Olho em meu relógio e noto que faltam menos de sete horas para que o casamento começasse. Cientes de que se continuássemos assim, não conseguiríamos preparar tudo a tempo, voltamos a trabalhar, não demorando muito para que Manu e mais outros seis funcionários nos ajudasse. Ainda havia muito a ser feito.
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