Obsession
13 Capítulo 12 - Jealousy... - Parte 2
Notas iniciais
28 de Abril de 2013 – Miami
POV Austin
A imagem de Piper a poucos metros de nós, fez com que eu ficasse sem reação. A garota percebe que eu havia notado a sua presença e começa a andar, indo em direção a multidão de turistas que se aproximavam da praia.
– Austin? – Ally me olhava confusa, ainda debaixo de mim.
Levanto de cima da garota e sem dar nenhuma explicação, saio correndo atrás da loira. Empurrando inúmeras pessoas, começo a gritar pelo nome de Piper, no entanto, as únicas respostas que recebia eram os xingamentos e gritos de reclamação das pessoas em que eu esbarrava.
Avanço em meio aos carros, vendo a imagem da mulher se afastar cada vez mais. Ignorando qualquer perigo, atravesso a avenida movimentada de Miami e acabo sendo atropelado por um carro. Por sorte, o automóvel estava em velocidade baixa, atingindo-me de leve.
Solto alguns xingamentos, sentindo os ferimentos superficiais arderem. Resolvo ignorar a dor e continuo a correr, não dando atenção ao motorista preocupado. Pergunto para algumas pessoas se alguém havia visto a mulher e as respostas eram sempre negativas.
– Austin! – o grito de Ally, atrás de mim não faz com que eu pare.
Continuava a correr, procurando em todos os lugares que a garota poderia estar, mas todos diziam que não havia visto Piper. O cansaço queria tomar conta de mim, mas eu não desistiria de encontrá-la.
– Austin, cara! O que aconteceu? – grita Dez, tentando chamar minha atenção, mas eu não tinha tempo para responder.
Eu não sabia como reagiria quando estivesse cara a cara com Piper, mas eu precisava vê-la. Ainda que eu já não tivesse tanta certeza dos meus sentimentos para com a garota, eu precisava entender o motivo dela ter ido embora sem me dizer nada.
No entanto, sou impedido de continuar a minha procura, quando Dez consegue me alcançar e pula em cima de mim. A nova queda faz com que eu soltasse um urro de dor, afinal, eu já estava machucado com o recente atropelamento.
– Me solta, Dez! – grito, debatendo-me debaixo do ruivo.
– Austin, você quer parar? – fala meu melhor amigo, usando o seu tom ameaçador, algo que raramente usa.
– Vocês... Vocês estão bem? – pergunta Ally, assim que nos alcança. Ela respirava com dificuldade, como se o esforço tivesse exigido muito de si. – Austin, o que aconteceu? Você saiu correndo feito um louco, sem mais nem menos e... Meu Deus! Você está sangrando! – Ally parece em pânico assim que ver alguns dos cortes pelas duas quedas.
– Eu estou bem. – digo, aceitando a mão de Dez, que a estendeu assim que levantou. – Eu... Eu vi a Piper.
Ally surpreende-se com a minha afirmação, já Dez parecia desconfiado. Provavelmente, imaginava que fosse mais uma de minhas alucinações, algo que tive muito assim que Piper foi embora.
– Austin... Você tem certeza disso? Quer dizer, você... – interrompo o ruivo, sem paciência para mais um de seus discursos. Não que Dez fizesse muito isso. Pelo contrário, ele era um dos poucos que não manifestava sua opinião sobre Piper e a minha espera interminável pela loira.
– Eu tenho certeza disso, Dez. – afirmo, fazendo o outro suspirar cansado.
– Alguém mais a viu? – pergunta o ruivo.
– Não. – digo frustrado.
– Austin... – Dez tenta falar mais uma vez, no entanto, volto a interrompê-lo.
– Não, Dez. Não começa. – peço, fazendo meu amigo voltar a suspirar. Olho para a garota que nos encarava com intensidade.
Ally parecia dividida entre interferir ou não em nossa conversa. Ela olhava em volta, como se procurasse por Piper, mas, assim como eu, não estava obtendo sucesso.
– Acho melhor nós voltarmos. – fala Ally. – Já está anoitecendo e, mesmo que começássemos a procurar por Piper nesse horário, provavelmente ela já estaria longe. Agora, precisamos cuidar desses ferimentos de Austin. Ele foi atropelado e nós não fazemos a mínima ideia da profundidade desses cortes.
– Você tem razão. – concorda Dez, analisando meus ferimentos. – A casa de Austin não está longe. Vou ligar para Dallas e avisar que estamos indo para lá.
– Peça para ele trazer meu carro. – digo e o mesmo assente, enquanto pega seu celular e disca o número do amigo.
Enquanto Dez conversava com Dallas pelo celular, passo a encarar Ally. Ela estava pensativa e em seus olhos eu via o brilho de preocupação, encarando os ferimentos que estavam espalhados pelo meu corpo.
– Eu estou bem. – volto a afirmar, chamando a atenção da garota.
Ela sorri triste e balança a cabeça concordando. De repente, Ally passa a encarar o céu noturno de Miami. Diferente das noites anteriores, as nuvens nubladas já não cobriam as estrelas. A lua brilhava discreta, anunciando o início de uma noite de lua minguante.
– Hoje... Hoje completaria quatro anos de namoro, se eu ainda estivesse com Gavin. – comenta Ally, com o olhar distante, como se não soubesse como reagir ao fato.
– Você está bem? – pergunto preocupado e incomodado por saber que ela ainda se lembrava do noivo idiota que havia a abandonado no altar.
Ela para de encarar a lua e passa a me observar. Eu não conseguia decifrar seus pensamentos. Sua expressão era imparcial. Após alguns segundos, como se analisasse a pergunta, Ally sorri e suspira, voltando a olhar para Dez.
– Dallas disse que os ensaios já acabaram. – anuncia Dez, retornando para perto de nós. – Manu e Cassy enlouqueceram e queriam vir atrás de você, mas Prince conseguiu acalmar a esposa e Dallas deu um jeito de convencer a loira de que você iria ficar melhor sem tantas pessoas ao redor. Trish me fez prometer que assim que fizéssemos os curativos em Austin, era para Ally ligar para ela para informar que está tudo bem.
– E o meu carro? – pergunto, fazendo Ally ri e revirar os olhos.
– Por que vocês homens se importam mais com o carro do que com outras coisas? – questiona a garota, cruzando os braços e dando um sorriso sarcástico.
– Hei, eu não estou nessa lista. – afirma Dez, levantando os braços em sinal de rendição. Ally ri e dá um leve tapa no braço do ruivo. – E respondendo a sua pergunta, Austin, Dallas disse que iria levar seu carro para a casa dele e que amanhã de manhã você poderia ir buscá-lo. Por sorte, você deixou suas coisas lá largadas e ele não teria que vir aqui para pegar as chaves.
Suspiro aliviado. Não era que eu considerasse o carro mais importante que qualquer coisa, mas eu havia acabado de comprar o automóvel. Não seria justo se algo ocorresse com ele.
– É melhor nós irmos andando. – aconselha Ally, sorrindo gentilmente para nós.
Sem dizer mais nada, começamos a andar em direção a minha casa. As ruas de Miami estavam bem movimentadas por serem noite de um fim de semana, mas nada que tumultuasse. Era, até mesmo, relaxante observar os turistas encantados com a beleza da praia e da cidade, o vai e vem de carros e a animação dos comerciantes por receber tantos visitantes.
O silêncio que nos acompanhava era aconchegante. Eu ainda estava muito confuso com o suposto aparecimento de Piper. Depois de pensar por mais algum tempo, comecei a duvidar que eu havia visto mesmo a mulher. Eu só não conseguia entender o motivo de ter tido uma alucinação depois de tanto tempo.
Não demoramos muito a chegar a minha casa. Com muita dificuldade, sento-me no sofá da sala e aguardo pelos meus amigos, enquanto os mesmos vasculhavam a casa a procura do que precisavam.
Dez volta a sala com duas latas de cerveja na mão e me entrega uma delas. Eu precisava mesmo de uma bebida para relaxar e ao sentir o líquido amargo descer, foi impossível não soltar um suspiro de alivio.
– Eu estava mesmo precisando disso. – comenta Dez, após tomar um gole de sua bebida e se sentar no sofá.
– É. Eu também estava precisando. – afirmo, voltando a beber a cerveja.
Algum tempo depois, Ally aparece na sala com uma maleta de primeiros socorros em mãos. Ela coloca a caixa sobre a mesa de centro e, após achar tudo o que precisava, vira para mim e sorri divertida.
– O que? – pergunto, depois de engolir o líquido que estava em minha boca.
– Só estava imaginando que irei adorar ver você chorando que nem uma garotinha quando eu estiver limpando os ferimentos. – comenta rindo, fazendo Dez soltar uma alta gargalhada.
– Se isso acontecer, eu quero ter um celular para filmar essa cena. Eu irei jogar na sua cara essa filmagem pelo resto de sua vida. – fala meu melhor amigo, rindo ainda mais, enquanto pega o celular no bolso.
– Nossa, como vocês são engraçados. Hahaha... – digo sem humor, fazendo os dois rirem ainda mais. – Você não ia fazer os curativos, Ally?
– Eu já estou indo. – fala Ally, recuperando-se da crise de riso.
A garota pega um pedaço de algodão e molha com um líquido antibacteriano. Ela aproxima a mão de meu rosto e me olha como se pedisse uma autorização. Sorrio de sua preocupação e assinto, fazendo a mesma me lançar um sorriso gentil.
Com cuidado, ela começa a passar o algodão sobre os ferimentos em minha face. Foi inevitável não soltar um gemido de dor. Om machucados ardiam como nunca e, mesmo com Ally assoprando o lugar, ainda era torturante sentir aquele remédio fazendo efeito.
– Sinto muito. – sussurra Ally, afastando o algodão dos machucados e assoprando o local, para que a ardência acabasse de vez.
– Tudo bem. – falo sorrindo, encantando pela forma como ela estava agindo.
Por precisar está de frente para o meu rosto, Ally estava muito próxima de mim, no entanto, ela parecia não perceber o fato. Estava tão concentrada em tratar de meus ferimentos, que parecia que nada ao seu redor importava.
Dez, por outro lado, havia notado muito bem a nossa aproximação e não parecia muito satisfeito com isso. E, por algum motivo, aquilo me fez bem. Saber que ela estava dando atenção a mim e não a ele, fez com que meu ego subisse e eu não entendia o porquê disso.
Após terminar de limpar cada ferimento superficial de meu rosto, Ally coloca os algodões em cima da mesa de centro e pega os curativos, colocando-os sobre meu rosto.
– Pronto. Acho que isso é o suficiente para evitar que seus machucados no rosto se infeccionem. – afirma a mulher, sorrindo orgulhosa do que havia feito. – Agora, deixe-me ver os outros machucados.
– Claro, enfermeira. – concordo com humor, fazendo Ally soltar uma leve risada, balançando a cabeça negativamente.
Tiro minha camisa, enquanto ela procurava mais algodão. Assim que o encontra, a garota os encharca com o antibacteriano, mais uma vez, e volta sua atenção ao meu corpo.
Ally me analisa por um tempo e foi inevitável não lembrar da nossa noite. A mulher pareceu relembrar da mesma coisa que eu, mas, ignorando qualquer pensamento, ela volta a cuidar dos machucados.
Dez nos encarava sem dizer uma só palavra. Perdido em seus pensamentos, ele tomava sua bebida com calma, observando todos os nossos movimentos.
Ninguém disse mais nada, enquanto Ally cuidava de meus ferimentos. No entanto, aquele silêncio, diferente do que existiu enquanto caminhávamos para a minha casa, era incômodo e pesado. Eu não tinha dúvidas de que Dez estava desconfiado de algo. Apesar de muito brincalhão e, na maior parte das vezes, um idiota, o ruivo sempre fora esperto e observador. Dez conseguia notar coisas que a maioria das pessoas não percebiam e isso era uma das suas qualidades que eu mais admirava.
Assim que Ally terminou de desinfetar os ferimentos, que eram muitos, por sinal, e colocar os curativos, ela recolhe o lixo e a maleta e começa a andar em direção ao banheiro da casa.
Dez e eu nos encarávamos sem dizer nada. De alguma forma, era como se estivéssemos travando uma batalha entre nós. Não era preciso dizer nada. Apenas aquela aura que nos envolvia era o bastante para deixar claro que havia algo de errado.
– Austin, você tem alguma bebida além de cerveja? – pergunta Ally, pondo um fim ao embaraçoso silêncio que se fazia.
– De que tipo de bebida você gosta? – pergunta Dez, colocando-se de pé e caminhando até a morena. – Sei de inúmeras bebidas que Austin guarda em seu estoque secreto. – brinca o rapaz, como se nada tivesse acontecido.
– Mesmo? – pergunta a garota, sorrindo. – Essa eu quero ver. – afirma animada. – Que tal você me mostrar esse estoque e eu decido o que eu quero, afinal.
– Ótima ideia. – diz Dez, animado. – Vem comigo.
Puxando a garota pelo braço, Dez e Ally vão para a cozinha, deixando-me sozinho. Encaro o DVD que estava sobre a televisão. Uma promessa, até hoje, nunca cumprida. Volto meu olhar para a última foto que havíamos tirado juntos. Sorriamos para a câmera, como se nada no mundo nos abalasse. Piper estava radiante e segurava um filhote de cachorro com carinho.
Observar aquela foto ainda mexia comigo. Por mais que eu tentasse esquecer Piper, aquele sentimento de necessidade continuava dentro de mim. E não havia o que ser feito. Ainda que Ally faça com que eu sinta coisas que ninguém nunca me fez sentir, Piper ainda era importante para mim.
Dez retorna a sala com mais duas latas na mão. Ally passa por nós e vai para o lado de fora da casa, falando no celular e levando uma taça de vinho consigo.
O ruivo me entrega a cerveja. Ele me olha por alguns instantes e volta a se sentar. Ally continuava a conversar animada com alguém no telefone, enquanto o clima dentro de casa estava pesado.
– Ela está conversando com a mãe. – fala o ruivo, percebendo meu olhar curioso para a garota. – As duas não se falam a muito tempo.
– Como sabe disso? – pergunto desconfiado, abrindo a segunda lata.
– Ela me disse. – respondeu arqueando uma das sobrancelhas. – Por que está agindo assim?
– Não sei do que você está falando. – afirmo, tentando não me sentir incomodado com o olhar intrigado de meu melhor amigo.
– Sim, você sabe. – assegura o rapaz, sorrindo irônico. – Mas, não irei obrigar você a falar.
– Dez.. – sou interrompido pelo ruivo.
– Eu o conheço bem, Austin, assim como você me conhece. Tentar nos enganarmos não vai adiantar de nada. Apenas, fique ciente que você não vai poder esconder o que está acontecendo para sempre. Uma hora, as máscaras irão cair e as consequências serão inevitáveis. – dita Dez, seriamente.
Após dizer isso, ele volta a tomar sua bebida, sem demonstrar qualquer sentimento. Ele estava calmo e relaxado, como se a conversa que havíamos tido instantes atrás não tivesse ocorrido.
– Tudo bem, mãe. – fala Ally, entrando em casa. – Sim, eu vou me cuidar. – ela ri um pouco e balança a cabeça, negando. – Pare de implicar com meu pai. A senhora sabe que ele só quer o seu bem. – Ally se senta ao meu lado e coloca a taça de vinho, praticamente, vazia sobre a mesa de centro. – Eu preciso desligar... Falo com você depois... Eu também te amo... Beijos... Tchau.
Ao desligar o celular, Ally encara o aparelho de maneira carinhosa. Eu nunca tinha visto a morena ter um olhar com tanta ternura como naquele momento. Seus lábios moldavam um doce sorriso, deixando claro o amor que a mulher tem por sua mãe.
– Como está sua mãe? – pergunta Dez, interessado, fazendo a morena despertar de seus pensamentos.
– Está bem. – responde sorrindo. – Implicando com meu pai, como sempre, mas bem.
– Seus pais não possuem uma boa relação? – pergunto, observando a mulher deixar o sorriso divertido de lado e adotar uma posa mais pensativa.
– Eu não sei definir bem a relação dos meus pais. – fala, dando um leve suspiro. – Quando eu tinha oito anos, eles se separaram. No entanto, eu ainda vejo que eles se importam um com o outro. A implicância deles, na minha opinião, é puro amor. – com um sorriso nostálgico, ela continua: — Uma vez, eu perguntei a meu pai o motivo deles terem se separado. Ele parecia surpreso e não sabia o que responder. Eu esperava que ele dissesse que era porque o amor havia acabado, mas nem mesmo isso ele conseguiu dizer. Eu continuei a insistir por uma resposta, então, por fim, meu pai sorriu tristemente e disse que ainda que amasse minha mãe, algumas pessoas foram feitas para nunca ficarem juntas. Por mais que o amor fosse intenso, o destino iria conspirar contra e o relacionamento teria fim.
As palavras de Ally ecoavam em minha mente. Talvez, fosse apenas uma desculpa para não contar a filha o motivo de ter se separado de sua esposa, mas eu sentia que o pai de Ally estava certo. E aquele pensamento, fez com que eu, automaticamente, olhasse para a foto de Piper.
Ally passa a encarar o lugar no qual eu havia fixado meu olhar. Como uma criança curiosa, ela se aproxima da foto e a pega, olhando a imagem detalhadamente.
– Eu me lembro do dia em que Austin e Piper tiraram essa foto. – comenta Dez, sorrindo nostálgico. – Foi um dia divertido.
– O que aconteceu nesse dia? – pergunta Ally, ainda encarando a foto.
Dez olha para mim, como se pedisse a minha autorização para contar a história. Ele sabia o quanto era difícil para mim, relatar qualquer momento em que passei ao lado de Piper. No fim das contas, não importava quanto tempo se passasse, ainda doía lembrar do que nunca mais teria de volta. Suspiro cansado.
– Uma ONG que cuida de cães abandonados resolveu fazer uma festa beneficente para arrecadar dinheiro para a instituição. Piper amava qualquer evento de caridade e logo se animou com a notícia. Após insistir e muito, reunimos todos os nossos amigos e resolvemos ir para o evento. – começo, percebendo atenção de Ally sobre mim. Ela ainda segurava a foto, no entanto, seu olhar estava fixo em mim. – E apesar de não estarmos muito animado com a ideia, no fim das contas, aquele dia acabou se tornando um dos mais divertidos. Manu tirou inúmeras fotos de nós e deixou que cada um escolhesse apenas uma foto. Essa foi a minha preferida e ela permitiu que eu ficasse com ela.
Assim que termino de relatar, resumidamente, aquele dia, Ally coloca a foto no lugar e volta a encará-la. Ela, então, se afasta e volta a se sentar ao meu lado, perdida em seus pensamentos.
– Ela tinha um belo sorriso. – constata Ally, surpreendendo tanto a mim quanto a Dez. Passando a me encarar, ela sorri compreensiva. – Você ainda a ama, Austin?
E mais uma vez, Ally me deixa sem palavras. Não era algo tão difícil de se responder, mas ao olhar dentro daqueles olhos brilhantes e encantadores, eu não conseguia evitar me sentir confuso. Era certo que Piper ainda mexia comigo, mas eu não sabia dizer se ainda amava a loira. Todas as vezes em que os outros haviam me perguntando, eu não havia hesitado em responder que meus sentimentos por ela estavam intactos, mesmo não tendo tanta certeza assim disso, mas, de alguma forma, eu não conseguia dizer isso à Ally.
Dez nos olhava com curiosidade. Eu sabia que em sua mente estava a dúvida da minha demora em uma resposta. Como meu melhor amigo, Dez já havia visto essa pergunta ser feita milhares de vezes e de inúmeras formas à mim, mas nunca eu havia ficado sem dá uma resposta.
– Eu... – por sorte, o celular de Ally começa a tocar. Ela desvia seu olhar de mim e pega o aparelho.
– Trish. – ela diz, sorrindo sem graça. – Eu devia ter ligado para ela há muito tempo. Ela deve estar querendo me matar.
Sem esperar qualquer resposta de nossa parte, ela volta a sair da casa, enquanto atendia a ligação. Suspiro aliviado e me levanto do sofá. Não queria ver o olhar inquisitivo de meu melhor amigo.
Sem olhar para trás, vou para meu quarto e resolvo tomar um banho. Por mais que Ally tenha limpado e cuidado dos ferimentos, eu ainda estava sujo e coberto de areia da praia.
Enquanto eu estava debaixo do chuveiro, minha mente viajava nas lembranças do passado misturadas com as do presente. E essa confusão dentro de mim fazia minha cabeça doer. Por que eu estava tão confuso em relação a das pessoas tão diferentes?
Saio do banho, imediatamente. Eu precisava parar de pensar em tantas coisas ou eu enlouqueceria de vez. Sem pressa alguma e com muito cuidado, visto uma roupa leve.
Ignorando as risadas vindas da sala, deito em minha cama, encarando o teto. Ao lado, outra foto de Piper, mas dessa vez, ela estava sozinha. Sempre gostei de ter recordações da loira, para que me fizesse lembrar o motivo por esperá-la por tanto tempo.
Meus amigos me chamam de masoquista. Acreditam que, ver as fotos dela só faria com que eu sentisse mais falta ainda dela. Eu nunca me importei com o que eles diziam. Hoje, depois de tantos acontecimentos, percebo que ainda tenho as imagens espalhadas pela casa, por medo de esquecer Piper e de perder quem eu sou. Nunca fui adepto a mudanças e, por esse motivo, não consigo aceitar fácil qualquer mudança brusca em minha vida.
Suspiro frustrado. Eu não queria admitir, mas Ally estava sendo a principal responsável pela minha insanidade. No fundo, eu sabia que esse sentimento doentio dentro de mim, por Piper, era apenas uma obsessão. Meu pai estava certo. Eu não posso continuar a minha vida inteira correndo atrás de uma obsessão.
Durante cinco anos, eu vivi em função de uma ilusão, acreditando que ela ainda voltaria para mim. Briguei até mesmo com Cassidy para que fizesse seu pai deixar o outdoor de Piper na entrada da cidade, porque eu queria cumprir minha promessa de cumprimentá-lo todos os dias. Todo final de semana, ia a locadora da cidade, local onde Dallas trabalha, apenas para pagar a taxa de atraso pelo filme locado, no qual eu prometi a ela que assistiríamos juntos quando lançasse. Permaneci morando nessa mesma casa até hoje, para que quando ela voltasse — caso ela voltasse -, não tivesse a desculpa de não ter me encontrado.
Dia após dia, fiz tudo o que disse que iria fazer, simplesmente por medo de aceitar que nossa história havia acabado. No entanto, o destino parecia está ao meu favor. Quando eu já estava no fundo do poço, de repente, Ally apareceu e, desde então, tudo tem mudado e de maneira surpreendente.
A confusão em que eu estava não era nada menos que minha obsessão tentando fazer com que eu continuasse com essa doentia espera. Não havia dúvidas de que o momento de seguir em frente havia chegado e, diferente do que eu imaginei, eu estava me sentindo bem como a muito não sentia. Um enorme peso foi tirado de mim e eu estava mais leve do que nunca.
Levanto-me da cama, decidido a mudar a minha lastimável situação. O suposto aparecimento de Piper foi o estopim para o fim dessa loucura que me consumia a cinco anos.
Ao sair do quarto, percebo que Ally e Dez estavam muito quietos. A instantes atrás, ambos riam escandalosamente e, de uma hora para outra, estavam calados? Isso, com certeza, era muito suspeito.
Sigo, silenciosamente, para a sala de estar. Algo me incomodava e, eu não sabia dizer o que era. Talvez, lembrar-me que Ally estava sozinha com Dez tenha feito que o ciúme estivesse falando mais alto dentro de mim. A essa altura, eu já não via problema em admitir que eu tinha e muito ciúmes dos dois, principalmente, sabendo do interesse do ruivo pela morena.
No entanto, a ira toma conta de mim, ainda mais, quando chego ao cômodo. Dez havia encurralado Ally no sofá e estava muito próximo do rosto da mulher. Ela não parecia assustada nem nada do tipo. Encarava o ruivo com seriedade e o ouvia com atenção.
Eu não sabia sobre o que os dois conversavam, mas o sentimento, dentro de mim, sufocava. Olhar aquela cena fazia meu sangue ferver e o ciúme parecia prestes a tomar lugar a razão.
Incapaz de continuar a presenciar aquela interação entre os dois, forço uma tosse, chamando a atenção de ambos. Ally me olha assustada e, por milésimos de segundo, vejo um brilho de medo passar pelos seus olhos. Dez estava neutro e parecia não se importar com a minha presença, no entanto, afasta-se da garota.
– Atrapalho? – pergunto, exagerando no sarcasmo.
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Continua...
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