Obscure - The Aftermath
1 Corey
Notas iniciais
Os raios de luz entravam pelas frestas da janela semiaberta. Seus olhos ainda pesavam do sono, mas o doce cheiro dos cabelos negros de Mei o despertaram. Ele mantinha um braço sobre a cintura da garota enquanto o outro, ela usava como travesseiro. Afundou o nariz nos cabelos macios e os cheirou novamente.
– O que tá fazendo?– Ela questiona com a voz rouca de sono.
– Nada.– Corey se curva para frente e beija Mei entre as sobrancelhas e lentamente desliza os lábios até os seus.
Mei tinha um charmoso piercing abaixo do lábio inferior. Corey o amava. Amava cada centímetro daquela garota. Seu estilo, seu fanatismo por videogames e computadores e até mesmo o olhar de desprezo que ela lhe dava quando ele fazia algumas idiotices, que por sinal não eram poucas.
Ele levanta contornando o corpo da garota. Assim que ele pisa no carpete pode escutar o barulho de um Cheetos sendo esmagado sob seus pés.
– Já passou da hora de dar um geral nisso aqui. — Ela diz com os olhos semicerrados.
Olhando em volta, Corey pode notar que ela tinha razão. Seu dormitório mais parecia uma seção de avarias em um depósito. Pelo chão se encontrava pacotes de salgadinhos e latas de cervejas. Garrafas de energéticos rolavam ao encontro das paredes e estantes.
– Algum dia, Mei. — Ele diz dando de ombros. — Mas agente já está atrasado. Sven vai fazer umas misturas loucas antes da festa da fraternidade Delta Gamma.
– Ok! — Mei concorda erguendo os braços como se estivesse se rendendo e levanta da cama meio sonâmbula.
Nos corredores, Fallcreek era como qualquer universidade. Simon perseguia Tommy que roubara sua câmera. Rolos de papel higiênico se estendiam pelos corredores em decorrência dos trotes recém realizados.No fim do corredor Correy avistou Matth, um cara forte com ombros largos e pele morena recostado sobre a parede falando ao celular. Quando se aproxima, Matth desliga e guarda o celular no bolso.
– E aí cara! — Matth ergue a mão para cumprimentar.
– Vai estar na fraternidade para a festa mais tarde? — Correy pergunta apertando a mão do estudante.
– Acabei de confirmar minha presença. — Ele diz com um sorriso e dando um tapinha no celular guardado no bolso.- Olá Mei!
– Oie! — Mei acena.
– Vai ser uma festa muito exclusiva cara. Qualquer problema pode me dar um toque.
– Não esquenta. Nós temos a Jun.
Jun é a irmã mais nova de Mei. Poderiam ser gêmeas, tanto fisicamente como em pessoa. Mas Correy sabia que no fundo eram bem diferentes. De algum modo Jun conseguia acesso a qualquer lugar dentro ou fora da faculdade.
– Então nos vemos mais tarde. — Diz Matth com um aceno.
Corey percebeu a tatuagem no bíceps de Matth. Sempre soube que ele tinha várias tatuagens, mas esta é nova. Muito mais maneira que qualquer outra que Corey já tinha visto.
– Até mais tarde. Tatuagem maneira. — Ele diz e se afasta com Mei no seu rastro.
Ao chegar em frente à porta do dormitório de Sven. Corey sente um cheiro diferente. Alguma coisa estava queimando. Gostou daquilo. Não sabia de onde vinha, mas acalmava seus nervos. O cheiro aumentou quando a porta foi aberta. Sven estendeu o braço.
– Entrem e sintam-se à vontade — Ele diz cordialmente.
Sven é o cara que qualquer garota gostaria de possuir. Ombros largos e peito estufado. Cabelos dourados e olhos de um azul intenso. Corey se sentia pequeno e indefeso perto dele. Mei adentra o dormitório com pulinhos ao encontro de sua irmã deitada no sofá. Ao entrar, avistou Amy, com suas tranças loiras duplas que caíam sobre os ombros. Ela usava um decote exagerado que mostravam grande parte dos seus seios. E Correy podia ver seu fio dental quando a garota se virava de costas. Tentava desviar a visão, mas simplesmente não conseguia. Ela veio em sua direção com um pote fumegante.
– Aqui. Cheira isso!
Ao examinar o conteúdo, Correy viu uma substância negra moída. Era daquilo que vinha o cheiro. Ele aproxima o nariz e dá uma leve fungada.
– Ah! O que tem aí dentro? — O cheiro forte subiu queimando por suas narinas e se instalam sobre seus olhos que lacrimejam.
– Todo mundo no campus está usando essa nova espécie de planta. É a nossa vez de experimentar! — Sven interveio animado.
– E aí gente! — O pote foi tomado das mãos de Correy por Kenny. Um cara musculoso o qual não tinham muito contato até pouco tempo. Sven conspirava que ele tinha uma queda por Amy.
Keeny dá um longo suspiro no conteúdo moído e faz uma careta de alívio.
– Kenny! O que está fazendo?! Temos que ir! Agora!. - Uma garota pálida com cabelos negros o puxa pela gola da regata.
– Ótimo, minha irmã. — Ele revira os olhos. — Vejo vocês na festa. Amy! Você vai comigo?
Amy pensa um pouco e enfim responde:
– Sim! Claro!
Com um sorriso, Kenny se afasta ainda sendo puxado pela irmã.
– Família estranha. — Comenta Amy.
– Ainda não acredito que você vai mesmo com ele. — Protesta Sven.
– É só uma carona.
– Eu posso te dar uma carona. — Ele protesta novamente. A discussão já estava ficando quase pessoal.
Correy deixou o conteúdo de lado por um momento até se estabilizar. Amy revira os olhos e muda de assunyo.
– Todos prontos para a festa da fraternidade Delta Gamma? Vai ser muito exclusiva.
– Matth disse a mesma coisa. — Responde Correy enquanto cruza a sala para uma poltrona vaga.
– Se você estiver comigo, isso não vai ser problema. — Jun disse levantando o polegar para Correy.
Ele ainda estava com o pote com aquele conteúdo negro e desconhecido nas mãos ao se sentar. Não achava certo ficar respirando aquilo sem ao menos saber do que se trata. Mas no fim a tentação é mais forte. Ele dá mais uma tragada no pote e apaga.
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