Notas iniciais
Para começar, eu precisei fazer as coisas mais focadas na Emma. Nos próximos capitulos, vão ser sobre todos, espero.♥

Hoje

Ela abriu os olhos, logo sentindo a claridade queimar os mesmos. Ouvia-se uma música baixa, parecendo vir de outro lugar, enquanto inalava um cheiro de fumaça. A luz no quarto apenas intensificava sua dor de cabeça, consequência da noite passada. Ela não deveria ter acompanhado Kathryn a lugar nenhum, ela sabia que a vadia a arrastaria para alguma festa com cocaína de má qualidade. Mesmo assim, quando é que Emma Swan diz não para diversão?

Ela tentou se levantar, falhando miseravelmente ao sentir as pontadas em sua cabeça a deixarem tonta, tapando os olhos e se lamentando. Se jogou contra o travesseiro novamente, bufando. E então começou a observar o quarto com olhos arregalados. Não sabia nem onde diabos ela estava.
Enquanto observava o quarto, tentando se lembrar de qualquer detalhe, - Que tipo de casa tem cortinas roxas com bolinhas amarelas? What the hell - sentiu um cutucão em seu braço ao seu lado na cama. Imediatamente, a dor de cabeça foi esquecida para dar lugar a sensação de desespero.

Ela olhou para o seu lado na cama, encontrando apenas a visão de cabelos bagunçados saindo de baixo de outra coberta, diferente da sua. - Rosa e cheia de flores. Really? - A pessoa ali estava com o rosto e corpo completamente cobertos, como se estivesse nevando, ou como uma criança se escondendo de medo de trovões. Emma respirou fundo e segurou a borda de sua coberta com força, espiando para dentro. Não que ela não tivesse acordado em lugares desconhecidos com pessoas desconhecidas antes, mas todas as vezes sentia a mesma aflição.

“Graças a Deus.” – Emma disse com seu sorriso crescendo largo, ao se encontrar com todas suas roupas no lugar. Respirou fundo, orgulhosa de si mesma. Mas ainda sim, estava em um quarto desconhecido com alguém ao seu lado. Se apoiou nos seus cotovelos, observando os cabelos negros bagunçados ao lado. Levou alguns segundos e então tomou coragem, esticando sua mão para sacudir a pessoa, esperando acordá-la. – “Hey.”

Nem um único movimento. Emma sacudiu com mais força, e ainda sim, a pessoa permanecia imóvel. Ela nunca foi muito paciente. Deu um soco onde estava sacudindo, chamando mais alto, e ouviu um gemido de dor.

“Eu acho que se uma pessoa esta coberta até a cabeça, quer dizer que ela quer bloody hell dormir.” – Ele dizia, enquanto tirava brutalmente a coberta de seu rosto. Olhou pra ela, franzindo a testa, a encontrando com olhos arregalados e de boca aberta. – “Swan?”

Ele disse, parecendo preocupado. Emma precisou de alguns segundos para processar que Killian Jones estava ali, ao lado dela, como se não fosse grande coisa. Não levou muitos instantes pra ela gritar assustada, ouvindo o próprio grito dele depois, se assustando com a reação da loira.

Emma tentou se levantar, se deslocando para trás e se esquivando dele, chegando a beira da cama e caindo da mesma. Killian se levantou, ficando de joelhos na cama e a observando no chão, sua mão pairando no ar enquanto uma expressão de preocupação tomava conta de sua face.

“Swan, você esta bem?”

“Que porra é essa?!” – Ela continuava gritando do chão, incapaz de se mover. Não tinha ideia do que estava acontecendo, ou como ela foi parar na mesma cama que ele. –

“Você poderia por favor, parar de gritar?” – Ele disse, fazendo uma careta de dor e passando uma das mãos pelo cabelo. Parecia que ela não era a única com uma ressaca. – “Minha cabeça esta doendo, e não ajuda nada se você continuar gritando como se-”

“Jones, o que você esta fazendo aqui?!” – Estava ofegante, sentindo seu coração acelerado. Ver que ele estava também vestido era um alivio, mas não ajudava seu desespero. – “O que eu estou fazendo aqui?!” – Observou o quarto mais uma vez, antes de voltar seus olhos para Killian. O bastardo estava a estudando, com uma expressão confusa em seu rosto. – “Onde é "aqui" ?”

“Não se lembra, love?” – Ele sorriu, realizando que a garota estava tão confusa quanto ele na primeira vez, quando se conheceram. –

“Se eu me lembrasse, você acha que eu estaria perguntado?”

Ela foi rude, apenas para ver o sorriso dele aumentar. Ele coçou atrás da orelha, um ato que ela notou que ele apenas fazia quando estava nervoso, e então se deitou na cama novamente, colocando as mãos atrás da nuca e cruzando as pernas. – “Bom, lass, eu ficarei feliz em te lembrar. Mas só depois de eu ter mais alguns minutos de sono.”


-x-

Ontem

“Você sabe que a gente pode te ouvir suspirar, certo?”

Emma disse a Mary Margaret, causando a mesma a piscar os olhos e olhar pra ela, como se estivesse despertando de um sonho. Ruby empurrou Emma de leve com seu ombro, enquanto as duas davam risada da morena. Mary Margaret parecia estar enfeitiçada, quando se tratava de David. Ela obrigava Ruby sentar todos os dias com ela no banco próximo a onde o time de futebol se exercitava, apenas para ficar observando David olhar para ela algumas vezes e dar um sorriso tímido.

“Eu não estava suspirando.” – Replicou, com as bochechas coradas de vergonha. –

“É claro que não.” – Ruby disse, olhando na direção do time com olhos famintos. – “Você só estava apreciando a vista.”

Ruby disse acenando para um dos garotos do time, fazendo Mary Margaret rolar os olhos e Emma a rir novamente.
Mary Margaret e Ruby. Elas eram as melhores amigas de Emma, desde que ela tinha 12 anos. Elas eram as tipicas "boas garotas" que qualquer um gostaria de ter como amigas, e antes Emma costumava se sentar com as duas o tempo todo, e apenas conversar e rir sobre qualquer coisa. Mas isso foi antes. Antes dele.
Agora, ela apenas ficava com as garotas as vezes. Ela ainda tinha má lembranças daqueles dias com ele. Desviou o olhar do time de futebol, e os virou para o banco do outro lado do pátio. Robin, Kathryn e Victor estavam sentados em cima da mesa, enquanto um dos inspetores pareciam estar discutindo com Robin. Provavelmente, foram pegos fumando no pátio novamente. Emma sorriu. Seu novo grupo não era perfeito como Mary Margaret, David e Ruby. Eram apenas desajustados e rebeldes. Ladrõezinhos. Não eram bons. Mas quando estava com eles, eles a faziam esquecer dos fantasmas do passado que insistiam em assombrá-la. Então ela passou a passar mais tempo ficando bêbada, se drogando e se metendo em problemas, do que rir de uma coisa inocente; como irritar Mary Margaret por suspirar pelo garoto por quem ela estava apaixonada a mais de um ano.

“Olha, a Rainha chegou.” – Mary Margaret disse irônica, fazendo a atenção de Emma se voltar para outro canto no pátio. Regina Mills, marchava em seus saltos altos com seu esquadrão a sua volta; Jefferson, Aurora, Tinker e Graham seguiam a abelha rainha, todos andando por ai como se dominassem o mundo.

“De novo, me lembre.” – Ruby disse, colocando a mão na cintura enquanto observava a rainha e seus súditos. – “Por que ela odeia vocês duas?”

“Porque,” – Mary Margaret cruzava os braços, claramente irritada apenas com a presença de Regina. – “Eu contei ao meu pai que a mãe dela estava traindo ele, quando eles estavam casados. Dá pra acreditar que eu e ela éramos meias-irmãs?” – Disse, ficando alguns segundos em silêncio depois. Ela e Regina tinham tanta história, mais do que ela jamais poderia contar. Mas isso foi muito antes dela se tornar a "rainha" do colégio, como se mandasse em tudo porque todos sentiam medo dela. Ela a era mais poderosa, justamente pelo fato de sua mãe ser a prefeita da cidade. – Eu tinha 9 anos, ela deveria apenas esquecer isso.

“Well, eu não sei porquê ela me odeia.” – Emma disse dando de ombros, e Mary Margaret fingiu se engasgar, zombando. –

“Porque você dormiu com o Graham quando ele ainda era namorado dela.” – Continuo, olhando incrédula para a loira. –

“Sim, e dai?” – Emma disse revirando os olhos. Desde que ela começou a andar com seu novo grupo, Mary Margaret as vezes falava com ela como se fosse sua mãe. – “Eu durmo com o namorado de todo mundo.”

“Hey,olhem.” – Ruby disse, indicando com a cabeça para o corredor de armários. Obviamente, ela estava olhando para um garoto. Ele estava tentando abrir o armário, e mesmo com seus óculos grossos, não parecia acertar a senha. Emma o observava, notando a grande quantidade de livros em sua outra mão. – “Carne nova.”

“Ruby!” – Mary Margaret a repreendeu apenas com o tom de sua voz. – “Ele é Killian... Killian alguma coisa. Esta em todos os grupos de estudo fora da escola.”

“Cool. Um nerd.” – Emma disse com um sorriso irônico, tirando um cigarro do bolso. –

“Um nerd gostoso.” – Ruby sorriu, não tirando os olhos do garoto. –

“Ruby, please. Um nerd.” – Emma desviou o olhar para o cigarro, acendendo o mesmo com o isqueiro que Robin tinha lhe dado. Tinha bastante certeza que ele devia ter roubado de alguém. – “Ele é uma aberração.”
Ruby ficou em silencio por alguns instantes, como se estivesse pensativa, enquanto Mary Margaret arrancava o cigarro da boca de Emma e o jogava no chão. Logo, como se uma lampada tivesse iluminado seus pensamentos, a morena dos cabelos lisos agarrou o braço de Emma, sorrindo animada.

“Beije ele.”

“O que?” – Emma olhava para Ruby confusa, sem entender o repentino interesse dela no garoto dos armários, muito menos a ideia de beijá-lo. –

“Vamos, eu aposto que você não consegue.” – Ela continuava com um sorriso enorme, e Emma continuava sem entender. –

“Por que eu iria querer beijar ele?”

“Você disse que dormiu com o namorado de todo mundo, mas aposto que não conseguiria fazer com que um nerd te beije.” – Ruby dobrou os joelhos, dando pequenos pulos, como uma criança tentando convencer a mãe a ir na roda-gigante de um parque de diversões. – “Vamos, é um desafio! Nós estamos entediadas mesmo! Please!”

“Isso é ridículo.” – Mary Margaret descruzou os braços apenas para colocar as mãos na cintura, parando na frente das duas garotas e as olhando com um olhar de repreensão. Emma olhou para Ruby, que fazia aquele rosto de cachorro pedindo comida, e depois de volta para Mary Margaret, com a expressão de "não" no rosto. Respirou fundo e se endireitou em pé, ajeitando seu uniforme. – “Emma, não-”

“Okay.”

Disse e saiu sorrindo, enquanto ouvia Ruby comemorar atrás dela. Demorou para chegar até os armários, olhando para trás apenas para ver as duas morenas a observando de longe. Voltou a atenção para o garoto que ainda tentava abrir o armário, puxou o ar em seus pulmões e forçou a si mesma a parar ao lado dele.

O garoto não tinha notado ela ali, concentrado demais em sua tarefa. Isso deu tempo para observá-lo. Através dos óculos, tinham olhos azuis intensos como o próprio mar. Ele tinha uma pequena cicatriz na bochecha, o que a fez logo se perguntar como ele conseguiu a mesma. Ele era de longe o nerd mais bonito que ela já tinha visto. Seus braços eram fortes, o que era incomum para um garoto estudioso. E ele tinha a barba ainda por fazer, o que também era incomum para todos os garotos de sua idade, o que imediatamente fez Emma querer sentir como é a sensação da barba passando no interior de suas coxas e–

“Ahn... posso te ajudar com alguma coisa, lass?” – Senhor olhos azuis perguntava, levantando uma das sobrancelhas. Emma então percebeu que estava encarando diretamente para ele boquiaberta, e se esforçou muito para que suas bochechas não ficassem vermelhas. Engoliu em seco e desviou o olhar para o armario, forçando um sorriso. –

“Não. Eu posso te ajudar.” – Apontou para o armário estranhamente, voltando os olhos para ele. – “Parece estar tendo problemas para abrir seu armário.”

“Oh.” – O garoto disse libertando sua mão do armário, apenas para coçar atrás da orelha, olhando para o chão. – “Eu não consigo lembrar a senha dessa coisa estupida.”

“Você não precisa dela.” – Disse e entrou na frente dele, ficando entre ele e o armário. Emma podia sentir o garoto ficar parado como uma estátua, enquanto sentia o peito dele em suas costas. Com o contato fisico, ele imediatamente deu alguns passos para trás, timidamente. Emma sorriu para si mesma, tirando um canivete do bolso de sua saia. David ja tinha a repreendido por andar com isso no bolso, mas Victor tinha lhe ensinado que um canivete pode ser muito útil em algumas situações. –

“O que você esta fazendo?” – Ela ouviu ele atrás dela, um tom de nervosismo em sua voz. –

“It's all about the tumblers.” – Disse concentrada, e então, depois de alguns segundos, ela finalmente conseguiu arrombar a fechadura do armário. Ela não pode conter a risada que saiu de sua boca ao ver que teve sucesso em sua tarefa, sempre parecia como se fosse a primeira vez. Se virou imediatamente, apenas para encontrar o garoto primeiramente com os olhos arregalados, e então, um sorriso largo. – “Pronto.”

“Bloody hell. Isso foi incrível!” – Ele voltou a se aproximar, enquanto Emma guardava o canivete. – “Brilhante.”

Emma deu um sorriso tímido, desviando o olhar para seus pés. Os garotos costumavam elogiar ela, mas era sempre superficial e para conseguir alguma coisa. Ninguém nunca apreciou os hábitos criminais que ela tinha aprendido, exceto pelo seu grupo.

“Eu sou Emma-” – Ela disse voltando o olhar pra ele, estendendo sua mão para frente. Seu sorriso desapareceu quando ela encontrou ele olhando para algum ponto atrás dela, com a testa franzida. Emma se virou para trás, avistando de longe Mary Margaret e Ruby soltando pequenas risadas, enquanto olhavam na direção deles. Estúpidas, estúpidas, estúpidas. Voltou a olhar para ele, percebendo que os olhos deles estavam concentrados nela agora. Tentando disfarçar, continuou com a mão estendida, sorrindo. – “Swan.”

Ele ficou alguns instantes em silêncio, observando ela, ainda com a testa franzida. Os olhos dele iam e voltavam de Emma para as garotas atrás dela. Não demorou muito para se tornar constrangedor a mão dela estendida ali, esperando que ele apertasse.
Ele empurrou a mão dela para o lado, abrindo o armário e guardando os livros. Suspirou, ajeitando a mochila em seu ombro, agora segurando apenas um livro.

“Olha, lass, seja lá o que for, não estou interessado.”

Ele disse, e simplesmente saiu andando. Emma ficou ali parada, boquiaberta. What the fuck? Depois de tentar processar o que tinha acabado de acontecer, ela seguiu atrás dele, sem entender.

“Não esta interessado em que?” – Ele não parou de andar, fazendo com que ela continuasse o seguindo. –

“Love, eu sou bastante perceptivo. É meu primeiro dia aqui, e uma garota do seu tipo veio falar comigo. Qualquer que seja o que você e suas amigas tem em mente, não estou interessado.”

Emma parou de andar, incrédula. Não apenas pelo fato de que ele podia ler ela e perceber o que estava acontecendo, mas também pelo modo como ele falou. Nunca, em um milhão de anos, um garoto tinha dito não estar interessado em Emma Swan.

“Uma do meu tipo?” – Ela repetiu gritando, ainda parada, enquanto o garoto já estava longe. –

“Foi um prazer.”

Ele disse se virando para olhá-la pela ultima vez, e então continuou seguindo seu caminho. Emma ficou alguns segundos parada lá, como se alguém tivesse colado seus pés no piso. Ainda incrédula e boquiaberta, girou em seus calcanhares, e seguiu a caminho do banco onde suas amigas estavam. Apesar de Mary Margaret ter discordado, agora parecia bem animada, recebendo Emma com um sorriso de orelha a orelha.

“Como foi?” – Mary Margaret dizia, passando seu braço no de Ruby e enganchando no mesmo. –

“Ele.. meio que... me dispensou.” – Ela cuspiu as palavras, ainda não acreditando no que tinha acabado de sair da sua boca. Ainda estava dificil de entender o que tinha acabado de acontecer. –

“Ele o que?” – Ruby disse boquiaberta, choque estampado em seu rosto e no de Mary Margaret. – “Ninguém dispensa você.”

“Ele dispensou.”

“... Isso significa que você perdeu?” – Ruby disse, recebendo uma careta de Emma. –

“Isso ainda não acabou. E eu tenho que ir agora.” – A loira disse, passando pelas duas morenas e pegando sua mochila. – “Vejo vocês depois.”

Ela continuou andando, em direção ao outro grupo. Ainda tinha dificuldade de compreender aquilo tudo. Primeiro,o fato de que o garoto conseguiu decifrar o jogo em questão de minutos. Segundo, ele realmente, realmente tinha falado daquele jeito com ela, e a dispensado. Isso era o tipo de coisa que não acontecia com ela desde ... sempre.

-x-

“Kath, eu não posso fazer isso.”

Emma disse, parecendo cansada. As duas estavam paradas em um dos corredores do supermercado, na seção de doces, depois da escola. Kathryn segurava uma bolsa com o interior cheio de pacotes de maconha, enquanto tentava entregar a mesma para Emma.

“Por favor, Emma. Você sabe que se eu for pega, vão ligar para o meu pai de novo. Eu posso até ser expulsa.” – Ela disse, com os mesmos olhos de cachorro pidão que Ruby tinha mais cedo. –

“Por que você esta vendendo isso mesmo? E por que em um supermercado?”

“Porque eu preciso do dinheiro. E porque o cliente marcou aqui. Agora,” – Entregou a bolsa para Emma, colocando as mãos nos bolsos da blusa que usava por cima do uniforme. – “Por favor, você só precisa encontrá-lo. Ele esta com uma blusa vermelha.”

“Ok.” – Emma disse bufando, se dando por vencida. – “Mas você fica me devendo.”

Emma bufou novamente, andando para longe de Kathryn. Andava pelos corredores olhando para os lados, se sentindo como se fosse ser pega a qualquer instante. Ela já tinha acompanhado Kathryn e os outros quando iam comprar drogas, mas nunca tinha presenciado nenhum deles vendendo, e muito menos fez parte da venda.
Ela estava distraída, procurando qualquer pessoa com uma blusa vermelha, quando de repente bateu em alguma coisa a sua frente. Ela se chocou contra alguém, derrubando as sacolas de compra da pessoa e a própria bolsa que carregava. Se abaixou imediatamente junto com a outra pessoa, tentando recolher as sacolas o mais rápido que pudesse.

“Me desculpe! Eu-” – Cortou a si mesma, ao olhar para frente e ver com quem ela tinha encontrado. Ele ainda estava olhando para baixo, tentando recolher as coisas, mas ela o reconhecia pelos óculos. –

“Foi minha culpa. Eu sinto muito.” – Ele finalmente olhou pra cima, e ficou boquiaberto ao vê-la. – “Você.” – Havia um tom de surpresa em sua voz. –

“É, eu.” – Ela disse soando brava, ainda irritada com o que tinha acontecido de manhã. – “Aquele tipo de garota.” – Disse afiada, tentando recolher as coisas que sairam da sacola dele e colocar de volta rápido. - basicamente um monte de revistas nerds e doces — Afinal, ela ainda tinha que entregar os pacotes sem ser descoberta. –

“O que, você esta brava, love?” – Ele começou a ajudar ela, espelhando a mesma rapidez. –

“O que você acha?”

“Mas o que bloody hell eu fiz-” – Ele parou de falar, mas Emma mal tinha percebido, concentrada nas sacolas. – “Isso é maconha?”

Emma imediatamente voltou seus olhos para ele. O garoto estava segurando um dos pacotes na mão, levantando o mesmo na altura de seu rosto para analisar. Emma jurou que podia sentir seu coração ter parado por alguns segundos, quando percebeu um dos funcionários do supermercado logo atrás de Killian, apenas a alguns metros de distância, observando o pacote na mão do garoto. O funcionário então se virou depressa, provavelmente tentando chegar a alguém que pudesse avisar o gerente.

“Merda!” – Emma arrancou o pacote da mão dele, enfiando o mesmo dentro da bolsa e se levantando depressa. – “Kathryn!” – Chamou gritando, se virando e começando a correr. –

“O que você esta fazendo?!” – Ouviu ele gritando atrás dela, enquanto o mesmo se levantava sem saber o que fazer. –

“O que você esta fazendo?!” – Ela parou no final do corredor, se virando para olhá-lo, avistando alguns funcionários de longe indo em direção a eles. Começou a gesticular com a mão, apontando para a saída. – “Nós temos que ir!”

“Por que?!”

“Por que se não você esta fodido!”

Emma se virou novamente, voltando a correr, e ouvindo os paços dele logo atrás dela. Kathryn estava parada na saída, parecendo assustada, sem entender.

“O que aconteceu?!” – Kathryn disse apavorada, enquanto ela ficava cada vez mais próxima. –

“Fodeu! Fodeu!” – Emma gritou enquanto passava por ela, logo ouvindo a garota começar a correr também. Uma vez ou duas ela olhava para trás, ainda tendo alguns funcionários em vista, atrás deles. –

“E quem é esse, e porque ele esta te seguindo?!” – Kathryn também gritava, estava dificil apenas falar sem folego, enquanto ainda corriam. –

“Eu não estou seguindo ela!”

“Killian! Killian ... alguma coisa! Ele é apenas efeito colateral!”

Os três continuavam correndo, até estarem longe do supermercado e perder os funcionários de vista. Emma se encostou contra uma parede qualquer, tentando recuperar o folego, enquanto Killian sentava no chão e Kathryn apoiava as mãos em seus joelhos, curvada, também sem folego. Ela observava o lugar a sua volta, percebendo não saber nem em qual bairro estavam. Voltou seus olhos para o garoto, mesmo ele estando distraído. Ele tinha um rubor, que passou de seu rosto para suas orelhas, enquanto lutava para puxar ar para seus pulmões. Era adoravel.

-x-

“Então, você nunca ficou doidão?”

Emma disse, terminando de enrolar mais um cigarro de maconha. Eles já estavam ali conversando por alguns minutos, num pequeno parque para crianças, ela sentada em um dos balanços, e ele no chão de areia em frente a ela, abraçando seus próprios joelhos.

Kathryn tinha decidido abrir alguns pacotes, já que não tinha dado certo a venda. Ela já estava no celular a um bom tempo, afastada dos outros dois. Killian estava apenas ali o tempo todo observando Emma. Ela não podia fingir que não via o jeito como ele olhava para ela, como se estivesse impressionado. Como se ela fosse uma coisa nova, totalmente diferente de tudo que ele já tinha visto. Como uma criança olha para um novo jogo de video-game.

“O que "doidão" quer dizer?” – Ele disse depois de uma risada, achando interessante a escolha de palavras da garota. –

“Você sabe.” – Emma acendeu o cigarro, apontando com a cabeça para o mesmo. – “Doidão.”

Killian deu risada mais uma vez, só que dessa vez um pouco mais curta. Desviou os olhos para o outro lado do parque, soltou seus braços das pernas, esticando as mesmas para frente, e pondo as mãos no chão atrás de si, se apoiando.

“Nunca, e também nunca fiquei bêbado.” – Voltou a olhar para ela, com um pequeno sorriso no rosto, como se sentisse desconfortável ao confessar sua inexperiência. –

“Seriously? Em que mundo você vive? É só manter a fumaça em seus pulmões e depois soltar.”

“Das pessoas normais. E nós não fazemos isso.”

Ele disse em tom de indignação, como se tivesse sido ofendido. Ela sorriu, achando engraçado a irritação do rapaz. Depois de alguns segundos debatendo a ideia em sua mente, se levantou do balanço, indo em direção a ele no chão. Killian a observava com olhos curiosos, enquanto ela se ajeitava no chão, sentando sobre seus joelhos ao lado dele. Emma colocou o cigarro na boca, puxando a fumaça para dentro de seus pulmões.

“O que esta fazendo?” – Ele disse confuso ao ver Emma tirando seu óculos com uma das mãos, colocando o mesmo no chão ao seu lado, e depois tirando o cigarro da boca e o estabelecendo ao lado do óculos. –

“Fazendo você ficar doidão.”

Colocou uma das mãos no queixo dele, inclinando a cabeça dele para cima. Os seus olhos verdes encontraram os dele, aqueles olhos intimidadores. Ela sentiu pela primeira vez seu estômago ficar desconfortável, depois de muito tempo. Oh, não. Borboletas. As malditas borboletas no estômago estavam de volta. Isso era um mal sinal.
Tentou afastar o pensamento, aproximando mais seu rosto do dele. Ele mantia seus olhos no dela, abrindo um pouco a boca automaticamente, como se tudo que ele precisasse fazer estava escrito nos olhos dela.

Ela inspirou pelo nariz, e depois de alguns segundos, começou a soltar a fumaça na boca dele, realizando que seus lábios estavam apenas a alguns centímetros de distância. A partir do momento em que ela soltou a fumaça, os olhos dele se fixaram em sua boca, fazendo Emma sentir um arrepio na nuca. Ela poderia beijar ele agora, e acabar com aquele jogo estupido. Ela queria beijar ele agora.
Toda a fumaça foi liberada de seu pulmão, e realizando que ele já tinha puxado a mesma para seu pulmão, Emma afastou seu rosto do dele, tirando a mão de seu queixo e observando. Ele manteve a fumaça em seus pulmões por alguns instantes e a soltou, devagar.

“Acho que vou precisar de um pouco mais que isso para ficar doidão.” – Sorriu selvagemente para ela depois de alguns instantes, como se tivesse feito a coisa mais incrivel do mundo. –

“Ainda tenho alguns pacotes.” – Ela sorriu também, como se tivesse ensinado a ele alguma coisa extraordinária, tirando o cigarro do chão. – “Porque eu sou esse tipo de garota.”

Emma cuspiu as palavras, lembrando de seu encontro com ele mais cedo. Ele coçou atrás da orelha, parecendo com vergonha, e então sorriu pra ela.

“Sobre isso... me desculpe, love. Eu não deveria ter falado com você daquele jeito.”

“É, você não deveria.” – Apagou o cigarro, jogando o mesmo longe e cruzando os braços.–

“Nós começamos com o pé esquerdo. Vamos fazer isso de novo.” – Estendeu o braço para frente, oferecendo a mão para ela apertar. – “Emma Sven, eu sou-”

“Swan!” – Cortou ele, descruzando os braços incrédula. Um nerd, um nerd não se lembrando de seu nome! –

“Ok, Swan.” – Continuava sorrindo, o idiota. – “Eu sou Killian Jones.”

Emma observa a mão dele parada em sua frente, lembrando do momento constrangedor mais cedo. Ela olhou para ele apenas para vê-lo fazendo beiço, como se implorasse para ela apertar a mão. Idiota. Ela rola os olhos, apertando a mão, sentindo sua pele queimar com o toque. Nenhum dos dois pareciam querer mover as mãos de lugar, como se precisassem do contato fisico.

“Emma, nós temos que ir.” – Kathryn chamou, se aproximando dos dois. – “Tem uma festa na casa daquela garota ... Como o nome mesmo? Eu não sei, Aurora alguma coisa.”

“Aurora? Nós não podemos ir lá.” – Emma disse, soltando a mão dele imediatamente ao perceber que estava parecendo uma idiota de mãos dadas com o garoto, e se levantou. – “Ela é amiga da Regina. É área proibida.”

“Não se nós formos pra vender.”

Kathryn disse com um sorriso perverso no rosto. Emma considerou por alguns instantes, e então bufou, pegando a bolsa que tinha deixado em um canto qualquer, seguindo atrás de Kathryn. Não demorou muito para ouvir o garoto se levantando atrás dela.

“Hey, eu posso.. posso ir com vocês?”

“O que você vai fazer em uma festa ?” – Kathryn disse enquanto as duas paravam, se virando para observá-lo. – “Você não é tipo... um nerd ou coisa assim?”

“Ficar doidão.” – Desviou os olhos de Kathryn, sorrindo para a outra loira. Emma teve que morder seu lábio inferior para tentar impedir a si mesma de sorrir, o que não funcionou muito bem. –

“Ele pode vir. Ele é um amigo.”

-x-

Hoje

“Então vocês quase transaram?”

Ruby disse, fazendo Emma revirar os olhos. Elas, David e Mary Margaret estavam na lanchonete, do outro lado da rua do colégio, tomando café da manhã. Emma saiu o mais rápido que pode daquela casa, antes que Aurora acordasse, ou ela estaria em problemas, e não teve tempo nem de tomar café da manhã em sua casa. Killian tinha feito ela lembrar de como os dois beberam na festa, e como ele tinha continuado deitado na cama após ela sair do quarto. A imagem dele espalhado em uma cama não saia de sua cabeça. Droga.

“Não, Ruby! God, você ouviu direito tudo o que eu disse?” – Emma tomou um gole do suco, tentando não perder a paciência. – “Ele me disse que foi procurar qualquer lugar para deitar, e eu já estava na cama. Eu provavelmente devo ter enchido a cara e desmaiado lá, ou alguma coisa assim.”

“Mas vocês podiam ter feito.” – A morena continuava falando, um sorriso maldoso surgindo em seu rosto depois de alguns minutos de silêncio. – “Vamos mudar a aposta.”

“Eu não acho que vocês deviam continuar com isso.” – David disse roubando um pedaço do sanduiche de Emma, e falando de boca cheia. – “Killian parece ser um desses garotos, sabe, estudiosos. Recatados ... virgem.”

“Eu concordo com David.” – Mary Margaret dizia, terminando de beber seu refrigerante. –

“É claro que você concorda com ele.” – Ruby disse revirando os olhos, e então voltando sua atenção para Emma. – “Aposto 250 dólares que não consegue tirar a virgindade dele.”

“Emma, não-” – David e Mary Margaret começavam, em um coro. –

“Fechado.”

Ela cortou os dois, sorrindo e apertando a mão de Ruby para selar o acordo. Isso poderia ser divertido. E além disso, o garoto não era tão ruim como ela pensou que seria. Logo ela lembrou das borboletas, e o pensamento do garoto dormindo ao seu lado a fez corar de vergonha. Droga. Ela parecia uma virgem inexperiente. Balançou a cabeça para afastar o pensamento, se concentrando no dinheiro.