Oblivion.
2 "Não tô procurando ninguém que me complete. Se me diverte, já tá bom."
Notas iniciais
Hoje
Regina tomou mais um gole do café, franzindo a testa e se perguntando se deveria reclamar com alguma das atendentes sobre como o café estava amargo. Mas sua cabeça estava doendo e nenhuma das moças iria ouvir de qualquer forma, então ela cruzou os braços em cima da mesa e escondeu o rosto neles, suspirando. As lembranças de ontem de manhã ainda estavam frescas em sua cabeça. Estéril. Estéril. Foi impressionante como abrir um simples envelope com resultados de exames do mês passado, mudou todo o planejamento de vida dela.
Suspirou de novo, perdida em seus pensamentos, quando ouviu uma pequena batida na mesa. Levantou a cabeça enquanto seu corpo pulava involuntariamente com o susto, apenas para encontrar aqueles cabelos loiros e olhos claros.
“O que você esta fazendo aqui?” – A morena perguntou olhando para os lados, se certificando de que ninguém os via. A última coisa que ela precisava era ser vista com o ladrão, thank you very much. –
“Tomando café, Princess.” – Ele respondeu naturalmente, pegando o café de Regina e bebendo alguns goles, tentando esconder o sorriso atrás do copo. –
“Queen!” – Ela o corrigiu rispidamente, tomando o copo da mão dele. –
“Ok, Queen.” – Ele tinha ainda um sorriso maior que o anterior, o bastardo. Ele manteve os olhos nela por longos segundos, antes de voltar a falar. – “Come on, porque esta sendo tão má comigo? Ontem a noite, você estava muito mais amigáve...
“Ontem,” – O cortou rapidamente, como se com medo de que alguém o ouvisse, tirando uma gargalhada dele. E se olhares pudessem matar, ele com certeza estaria morto. – “Deve ser esquecido.” – Concluiu, respirando fundo enquanto ajeitava seu cabelo, em toda sua glória de rainha. – “Foi o efeito do alcool falando. Nós não somos amigos.” – Disse a ultima sentença finalmente olhando dentro dos olhos dele, esperando que suas palavras tivessem soado tão convincente como tinham em sua cabeça. Regina não tinha nem chegado perto de ficar alcoolizada ontem. –
“Okay. ” – Ele permanecia com aquele sorriso irritante no rosto, se inclinando para frente e roubando alguns biscoitos do prato dela. – “Continue dizendo isso até fazer você mesma acreditar. ”
Ele piscou pra ela, enquanto se levantava e ia embora. Regina bufou, não tirando os olhos dele até ele encontrar a saída. Cruzou os braços e se encostou, jogando a cabeça para trás. Queria que o dia de ontem nunca tivesse acontecido.
–x-
Ontem
Regina caminhava pelos adolescentes bêbados a sua volta, empurrando todos para o lado sem se preocupar com as reclamações que recebia de volta. O que ela estava fazendo nessa festa, afinal? "Distração", disse Tinker. E como um monte de garotos suados se esfregando nela iria ajudar ela a se distrair?
Respirou fundo, finalmente chegando ao sofá. Bastou apenas um olhar dela para os dois garotos se beijando se levantarem e procurarem outro lugar. Caiu sentada, sentindo o peso do mundo nos ombros, enquanto inalava aquele cheiro de coca-cola velha no couro do sofa. Regina queria a vida perfeita. As notas perfeitas, os amigos perfeitos, o namorado perfeito, ir para a faculdade perfeita, e eventualmente, a familia perfeita. E tudo isso foi tirado dela no momento em que viu o resultado dos exames naquela manhã. Ela não podia ter filhos, e o olhar de decepção que sua mãe tinha lhe dado quase a fez chorar.
Bufou, tomando o copo das mãos da garota que passava em sua frente. Bebeu longos goles da cerveja quente, fazendo careta. Ela não era acostumada a beber como seus amigos, mas cada vez que seu mundo desabava, ela não recusava uma boa bebida.
Começou a observar todas aquelas crianças vazias na festa, procurando por um rosto conhecido, quando avistou aqueles cabelos loiros vestidos com a arrogância que só uma pessoa tinha. Emma Swan. O que ela estava fazendo ali? Em "território inimigo"? Ela fuzilava a loira e o garoto de cabelos negros que a seguia por todos os cantos, quando foi distraída com outra imagem assustadora. Aurora e Jefferson passavam tropeçando nas pessoas pela frente até encontrarem uma parede, onde as mãos dele começaram a subir da cintura para dentro da camisa dela, e voltou a beijá-la como se nada mais importasse. A imagem era atormentadora para Regina, e não só porque Aurora namorava aquele garoto tolo, Philip, mas sim porque nunca tinha se acostumado a ver seus amigos daquele jeito.
“Eca, eca eca.” – Regina disse apoiando as mãos no sofá ao lado de suas pernas, se virando para o outro lado e fechando os olhos, com a testa franzida. – “Meus olhos, meus olhos.” – Continuou, dizendo para ninguém em particular. –
“Falando sozinha, Princess?”
“Queen!” – Regina disse quase que automaticamente, sua boca mais rápida que seu cérebro. Virou na direção de onde ouvia aquele sotaque, apenas para encontrar um garoto se jogando no sofá, com uma garrafa de cerveja na mão e um sorriso maléfico no rosto. Ele deu risada ao ouvir a retruca dela, colocando um dos braços na costa do sofá, como se não fosse grande coisa. Depois de alguns segundos observando o insolente, ela finalmente conseguiu produzir algumas palavras. – “Who the hell are you?”
“Robin.” – O loiro disse, mesmo que Regina não estivesse nem um pouco interessada em realmente saber, bebendo mais um gole de sua garrafa. – “Robin Hood.”
“Oh.” – Ela abriu a boca em realização, se lembrando do nome e entendendo porque Emma estava aqui. Provavelmente estavam lá para vender alguma droga de má qualidade. Ela ouviu da reputação desse pequeno grupo. – “O ladrão.” – Disse com o tom mais julgável que conseguiu, com um sorriso irônico estampado no rosto. –
“Hey.” – Tirou os olhos dela, tomando o cigarro da mão de alguém que passava em sua frente. – “Posso ser um ladrão, mas não sou eu quem está sozinho e sem amigos no sofá de uma festa lotada.” – Disse e deu uma tragada, enquanto Regina olhava para ele com uma expressão de interrogação no rosto. –
“Well, você meio que esta.” – Disse cruzando os braços, enquanto o garoto olhava a sua volta. –
“Por que eu quero. Não porque eu sou uma garota de coração frio, metade do colégio me odeia e todos meus amigos estão ocupados transando.”
“Hey!” – Estava incrédula, mas não sabia exatamente como retrucar aquilo. Abriu a boca algumas vezes mas o som não saia, enquanto o garoto se divertia com a situação. Bufou, cruzando os braços e voltando a se encostar. – “Bom, eles não me odeiam. Só ... não gostam de mim.” – Ela disse, sem dar muita importância. Não era como se ela fizesse muita diferença para tentar mudar o conceito de todos sobre ela. Não, ela preferia desse jeito. "É melhor ser temida do que amada". Mas, para ser a Rainha do baile no final do ano, ela precisaria mais do que ameaçar as pessoas para conseguir votos. Precisaria que gostassem dela. –
“You're a cold hearted bitch.” – Tragou pela ultima vez, jogando o cigarro no chão e se ajeitando no sofá, para mais perto dela. –
“Como é?” – Regina disse boquiaberta, impressionada com tamanha insolência. Não que não sabia que era isso o que as pessoas pensavam dela, mas nunca ninguém se atreveu a falar assim na frente dela como este garoto insolente. –
“Não se preocupe, M'Lady. Eu, e aposto que muitas outras pessoas, gostam das garotas más.” – Ele disse se aproximando mais, colocando o braço em volta dos ombros dela, com aquele sorriso diabolico. Pôs a outra mão sobre sua coxa, e enquanto a mão se arrastava para o lado interno da mesma, a morena sentiu um arrepio passar pelo seu corpo ao sentir o toque da mão gelada contra sua carne quente. –
“What the hell are you doing?” – Foi tudo que ela conseguiu dizer, virando o rosto para encará-lo. O que, foi um grande erro. Seus rostos estavam próximos, e ele olhava dentro dos olhos dela como se fosse perfurar sua cabeça. Os olhos claros eram intensos. Foi como se estivesse sobre algum feitiço. –
“Todo mundo aqui esta bêbado ou desmaiado no chão.” – Uma pausa. Parou de olhar em seus olhos, o que foi um alivio, mas seu olhar caiu para os lábios. Ele passou segundos em silêncio que pareciam décadas, enquanto observava sua boca. Mordeu o próprio lábio inferior com tanta força que Regina pensou que iria rasgar a carne ali. Por fim, voltou os olhos azuis para os castanhos da morena, sorriso desaparecido de seu rosto. – “Eu não conto se você não contar.”
Apesar da tensão ter feito ela engolir em seco, Regina não conseguia parar a vontade de socar o rosto do garoto. Sim, queria bater nele. Estava com tanta raiva. Mas no fundo, ela sabia que não era só pela insolência e coragem do garoto, de afrontar ela desse jeito e achar que ele merecia alguém como ela. Ela estava com raiva de si mesma e do mundo. Estava tudo tão injusto em sua vida agora. Ela queria fazer tudo isso ir embora. Queria esquecer de tudo, nem que fosse por apenas alguns minutos. Queria bater nele. Mas não bateu.
Ela colocou uma das mãos no pescoço dele, o puxando para ela até que seus lábios se chocaram. A mão dele apertou em sua coxa, seu dedão fazendo padrões circulares na mesma. Regina se inclinou ao toque, suspirando em sua boca. Lábios sugavam e puxavam, até a lingua dele pedir passagem e começar a deslizar contra a dela. Oh, God. Sim, isso definitivamente a faria esquecer.
–x-
Hoje
Ruby folheava uma revista, não realmente lendo, sentada em uma mesa na biblioteca da escola, enrolando a ponta do cabelo com a outra mão e esperando que o tempo passasse rápido, enquanto se perguntava porque a biblioteca estava vazia, com ninguém além dela, a esta hora da manhã. Estava entediada. De novo. Tinha acabado de aumentar a aposta com Emma enquanto tomavam café da manhã, mas isso foi a uns 15 minutos atrás, e quando Mary Margaret no caminho para escola se recusou a matar aula, ela se encontrou fugindo das responsabilidades na biblioteca. Estava entediada.
Enquanto estava lendo qualquer coisa desinteressante sobre as celebridades na revista, sentiu uma presença parada ao lado dela, a observando. Mas nem se incomodou de verificar, afinal, a biblioteca era um imã para nerds. Nerds adoravam ficar em cima de garotas como ela, e ela adorava ignorá-los.
“Eu vi que você postou no facebook "Se sentindo entediada".” – Ela finalmente voltou os olhos para o dono da voz, para encontrar Graham se sentando ao lado dela, com aquele perfume que faria qualquer garota pular em seu pescoço e nunca mais largar. – “E uma carinha triste.” – Aquele sorriso que ele tinha, poderia fazer uma garota engravidar apenas ao olhar para ele.
“O que você esta fazendo aqui?” – Ela disse fechando a revista, incapaz de esconder o sorriso. –
“Eu vim te salvar do tédio.”
“Eu não preciso ser salva. E, se a QueenQueen te encontrar ao meu lado, ela vai arrancar seu coração.”
“Ela pode arrancar se quiser, ele ainda vai continuar batendo por você.” – Ruby gargalhou, achando engraçado a tentativa do garoto, enquanto Graham franzia a testa, parecendo quase ofendido pela risada da morena. Ele dizia esse tipo de merda para tantas garotas, que isto estava começando a ficar velho. – “Come on. Eu te direi do tédio dá ultima vez ...” – Ele arrastava as palavras, enquanto seu olhar passava pelo corpo da morena, até mirar seus cabelos. Passava a ponta dos dedos nas mechas vermelhas que a morena tinha feito escondida no ultimo verão, o que tinha causado sua vó a deixar ela de castigo por duas semanas. – “Não tirei, Red?”
Sua lingua estalou na ultima palavra, capturando a atenção de Ruby. A morena cerrou os lábios em uma linha fina, desviando o olhar para a porta, e para o resto da biblioteca. Eram só os dois, nem ao menos a velha bibliotecária havia chegado. What the hell, por que não?
Ruby se levantou, pegando Graham pelo pulso, e o puxando pela biblioteca, até chegar atrás de uma das estantes de livros. Os olhos dele já estavam escuros com malicia, enquanto ela o empurrava contra a estante, mordendo os lábios e abrindo o botão da calça dele.
Mulan andava pelos corredores do colégio, perdida com seu papel de instruções na mão, procurando pela diretoria. Não era fácil estar em uma nova escola, ainda mais em um novo país. Avistou uma porta, onde segundo as coordenadas que foram lhe dadas estaria a sala do diretor. Respirou fundo e tocou na fria maçaneta, abrindo a porta. Vazio.
Deu alguns passos para dentro do local, e logo percebeu ser uma biblioteca. Continuou a observar o lugar, até ouvir barulho de livros caindo, e algo capturar sua atenção no canto da sala.
“Oh God. Sua boca fica tão bem em mim, Red.”
O garoto dizia, agarrando umas das mãos na prateleira, enquanto mais livros caiam no chão. Sua outra mão agarrava os cabelos de uma morena ajoelhada em sua frente, puxando-a mais e mais para ele. A garota bombeava seu pênis, sua boca sugando e chupando enquanto se segurava com a outra mão na cintura do garoto, seu batom todo borrado e seu cabelo já uma bagunça.
Mulan tinha seus olhos esbugalhados. Se virou em seus calcanhares, andando rapidamente para fora da sala, com medo de ser notada ali. Fechou a porta atrás dela, se encostando na mesma, sua respiração em curtos intervalos.
“Oh My God.” – Seu coração batia mais rápido, sentia suas bochechas quentes de vergonha. Levou alguns segundos pra processar o que tinha acabado de acontecer. Imediatamente, começou a olhar para todos os lados, se perguntando se alguém tinha notado ela ali, se alguém tinha notado o que estava acontecendo ali dentro. Estava tão preocupada, com seus olhos indo de uma pessoa para outra, que não percebeu a tempestade de olhos claros vindo em seu caminho. A tempestade que iria arruinar sua vida pra sempre. –
“Hey!” – O som tirou Mulan de seus pensamentos. Assutada, virou o rosto imediatamente para encontrar uma garota parada em sua frente, com um sorriso que faria até o sol parecer menos brilhante. – “Eu sou Aurora, do comitê de boas vindas da escola, para alunos de intercâmbio. Bom, na verdade, eu sou o comitê,” – Ela continuava, desviando o olhar para o chão, colocando uma mecha de cabelo atrás da orelha. – “já que eu sou a única que se voluntariou para isso.” – Voltou a olhar para Mulan, com um sorriso no rosto. Depois de uma longa pausa e registrar os olhos assustados de Mulan, estendeu a mão para frente, esperando a outra apertar. – “Você é Mulan, da China, certo?”
“C-certo.” – Mulan, relutante, deixou os livros em apenas uma mão, e com a outra apertou a da garota a sua frente. Respirou fundo, olhando nos olhos da garota que não parava de sorrir. Não planejava a contar para ninguém o que seus olhos viram. Esse país era tão estranho. – “Eu estou procurando pela diretoria.”
“Oh. Eu posso te mostrar o caminho.” – Aurora gesticulava para a garota, fazendo a mesma a caminhar ao seu lado, enquanto seguia por um dos corredores. – “Sabe, você não esta sozinha. Estávamos esperando outra aluna, Belle, da França. E a alguns dias atrás chegou um aluno da Irlanda, Killian.” – Disse, bufando para as ultimas palavras. – “Na verdade, não é verdade tudo o que dizem sobre as pessoas da Irlanda. O garoto é um ogro.”
Aurora dizia empolgada, com as mãos atrás da costa. Não notou que não parava de falar por um segundo, pulando de um assunto para outro, mas Mulan se pegou achando isso adorável.
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Belle bufou, continuando a andar em seus saltos altos, se sentindo perdida. Tentava criar coragem para perguntar a alguém onde ela podia encontrar a diretoria ou o comitê de boas vindas, mas todo mundo parecia tão ocupado, em seus celulares, ou com seus amigos. Então resolveu achar sozinha.
Começava a olhar de um lado para o outro, procurando a porta certa em qual entrar, sem olhar para frente. De repente, esbarrou em alguma coisa, ou melhor, em alguém. Ouviu seus livros caindo no chão, assustada, e imediatamente se agachou para pegá-los.
“Me desculpe.” – Uma voz desconhecida falava, se abaixando na frente dela e ajudando- a a recolher os livros. –
“Esta tudo bem, eu não estava olhando para frente.” – Belle disse timidamente, olhando para frente. Não sabia que seu destino a partir daquele dia, seria olhar naqueles olhos misteriosos e egoístas como se fossem os olhos mais doces do mundo. –
“Eu sou o professor Gold. Mr Gold.” – Entregou ela alguns dos livros, se levantando juntamente com a morena. –
“Belle French. Aluna de intercâmbio.” – Sorriu, ajeitando os livros em seus braços. – “Escuta, já que você é um professor, poderia me dizer onde eu encontro a sala do diretor?”
“Of course, dearie.” – Se virou, apontando para o final do corredor. – “Siga em frente, vire a direita e então siga reto de novo. No final do corredor.”
Ela assentiu com a cabeça, passando pelo homem a sua frente e seguindo seu caminho. Normalmente, sempre se sentia nervosa a falar com homens mais velhos. Não conseguia nem falar com alunos da faculdade sem ficar corada de vergonha. Mas aquele homem, foi como se ja tivessem se encontrado antes.
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Ruby sorria animadoramente, virando mais uma pagina da revista em quadrinhos em suas mãos. Tinha saído da biblioteca a pouco tempo, matando aula sozinha agora, já que não conseguiu convencer Mary Margaret ou até mesmo Emma de ir com ela. Estava em uma loja bem longe da escola, afinal, se as pessoas soubessem que ela gostava de coisas nerds como revistinhas de heróis, seria o fim da popularidade dela.
“Eu prefiro o Batman.” – Uma voz a tirou de seus pensamentos. Um garoto, sorrindo ao lado dela, que logo ela notou ser um dos amigos de Emma. Com as sobrancelhas arqueadas ela observou o garoto, e avistou atrás dele outro garoto com quem Emma saia, o tal de Robin. Ótimo. – “Não se preocupe, não vamos dizer a ninguém que te vimos aqui.”
“Batman não tem super poderes.” – O cortou, colocando a revistinha do Super Man que lia de volta na prateleira, passando os olhos sobre as outras revistas. – “Ele não é um Super Herói. Ele é só um herói.”
“Só um herói?” – O garoto disse incrédulo, colocando uma das mãos sobre o peito e boquiaberto. Parecia verdadeiramente ofendido pelo personagem, o que fez Ruby sorrir em divertimento. – “Garotinha, você precisa ser reeducada.”
Ruby arqueou uma das sobrancelhas, enquanto o garoto saia, se juntando a Robin no fundo da loja. Os dois começaram a olhar para todos os lados, de forma suspeita, como se temessem estarem sendo observados. A morena respirou fundo, bocejando e encontrando seu caminho para sair da loja.
Já a alguns passos de distância fora da loja, ouvia alguém chamando-a pelo seu apelido devido as mechas de cabelo. Não era surpresa, muitas pessoas a conheciam apenas pelo apelido e reputação, não apenas pela simples Ruby. Virou para trás, encontrando o mesmo garoto da loja correndo devagar em sua direção. Parou a sua frente, respirando fundo, deixando Ruby confusa. Então, de repente, puxou uma revista de dentro do bolso da calça, oferecendo para ela.
“É uma revista do Batman.” – Ele disse, olhando primeiro por alguns instantes para a revista, e então para Ruby, percebendo os olhos confusos da garota. Respirou fundo mais uma vez, inclinando a cabeça para o lado.” – Eu roubei pra você.
Red piscou os olhos por alguns instantes, tentando processar a informação. What? Garotos costumavam a dar flores, oferecer garrafas de água enquanto ela estava treinando com as outras animadoras de torcida, convidavam-a para ir ao cinema. Ninguém nunca havia roubado alguma coisa para ela, principalmente uma coisa tão insignificante quanto uma revista. O simples gesto era interessante e ... gentil.
“Obrigada.” – Pegou a revista devagar, sorrindo gentilmente, ainda incerta das intenções do garoto. –
“Sem problemas.” – Ele disse, ficando em silêncio por alguns segundos, a observando, com um sorriso genuíno e gentil. Se virou então, com as mãos no bolso, enquanto o outro garoto esperava por ele a alguns metros de distância. –
“Hey, você não me disse seu nome.” – Ruby chamou, causando o garoto a se virar, dando passos cegos enquanto continuava sua direção, olhando para ela. –
“Victor Whale.”
“Whale.” – Red sorriu, gostando do som do nome. – “Minha vó esta viajando, então eu vou dar uma festa em minha casa. Você pode vir, se quiser. Seu amigo esta convidado também.”
“Nós vamos estar lá.”
Ele disse, esperando a garota se virar para ir embora, e então girou em seus calcanhares e voltou a olhar pra frente, seguindo seu caminho. Chegando até Robin, o outro loiro começou a acompanhá-lo, com um sorriso zombeteiro no rosto.
“Eu espero que abrir as pernas dela valha mesmo tudo isso.” – Robin disse, empurrando Whale ombro com ombro. –
“Hey, eu consegui o convite para a festa que você queria, não consegui?” – Disse rindo. Apesar da situação improvisada, não atuou com a garota. As coisas tinham fluido naturalmente. Talvez ele tenha até se afeiçoado ao jeito da morena. – “Vai valer.”
–x-
Killian andava pelo refeitório procurando por uma mesa vazia, enquanto sentia pontadas em sua cabeça por causa da claridade. Ele nunca tinha bebido antes, e o pouco que tomou na noite passada, já havia feito um enorme estrago. Mas a dor era esquecida, quando ele sorria ao lembrar dela. O furacão loiro. A causadora de problemas não deixava a cabeça dele, mesmo quando ele tentou se concentrar na aula de matematica alguns instantes do sinal para o intervalo ter batido.
Bocejou, e então avistou uma mesa um pouco longe das outras. Aurora, a garota que tinha conhecido a poucos dias quando chegou a escola — que, aliás falava demais e o causou uma enorme dor de cabeça — falava animadamente de pé em frente a mesa, onde havia duas garotas sentadas. Ele tirou suas conclusões, imaginando que para Aurora não estar com seu grupo diário de amigos, só podiam ser as outras duas alunas de intercâmbio.
Ele caminhou até a mesa, sorrindo ansioso, para conhecer pessoas que realmente entendam como é estar em um lugar totalmente diferente de que em seu país na primeira vez essa semana.
“Oi. Eu sou Killian Jones, da Irlanda.” – Chegou até elas, seu sorriso aumentava, enquanto colocava seu lanche em cima da mesa, recebendo sorrisos simpáticos das outras garotas. –
“Ugh. Isso está aqui.” – Aurora disse, fazendo Killian olhar para ela confuso, com uma das sobrancelhas levantadas. Ao menos, a garota dos cabelos lisos, sentada na mesa deu risada, se divertindo com o comportamento da outra. – “Nós conversamos depois, meninas.”
“Eu sou Belle, da França.” – A garota com cachos no cabelo disse sorrindo, estendendo a mão para frente enquanto Aurora saia desfilando em direção a suas outras amigas. Killian apertou sua mão, logo oferecendo a mão para a outra garota ao lado de Belle. –
“Mulan. Da China.” – Sorriu, apertando a mão dele de volta, mesmo que parecendo meio desanimada com a saída de Aurora. –
“Finalmente pessoas que não são estranhas, e que não me tratam como se eu tivesse alguma doença infecciosa.” – Killian disse, pegando a pequena caixa de suco de seu lanche em uma das mãos. – “Mas se eu tivesse, acreditem, eu iria passar para cada um desses pirralhos mimad-”
“Jones.”
Apenas o som da sua voz fez um arrepio passar pela espinha dele. Seu corpo, reagindo a ela sem ao menos reconhecê-la antes. Virou o rosto, apenas para encontrar Emma ao seu lado, com as mãos atrás das costas e um sorriso inocente no rosto. Mas seu sorriso não combinava com seus olhos, onde se dava para ler planos travessos quase sempre.
“Swan.” – Disse liberando o ar em seus pulmões, sem perceber estar apertando a caixa de suco forte demais. Apertou com tanta força, em seu nervosismo, que a caixa simplesmente rasgou, fazendo o suco cair em cima da mesa e fazendo Belle e Mulan mal conseguindo disfarçar o riso. – “Eu não vou te passar uma doença infecciosa.” – Largou a caixa em cima da mesa, se virando para ficar de frente com a loira, sentindo suas bochechas corarem de vergonha ao perceber que estava se atrapalhando com as palavras em seu nervosismo. – “Quero dizer, eu não tenho uma doença infecciosa. Mas se eu tivesse, eu não passaria para você.” – O sorriso de Emma se alargava, se divertindo enquanto ele se atrapalhava. Killian desviou o olhar, levando um dedo atrás da cabeça e coçando atrás da orelha, um gesto nervoso que não conseguia parar. – “Posso ajudar em alguma coisa, Swan?”
“Eu vim me desculpar pelo meu comportamento desta manhã.” – A loira desviou o olhar para o chão, coçando o canto da boca. O simples fato de ouvir a voz dela fazia com que o resto do mundo desaparecesse. Isso não era bom. – “E eu vim te convidar para ir a festa na casa da Ruby.” – Disse a ultima sentença torcendo o nariz, voltando a pousar seus olhos verdes nos dele. Ela estava .. timida? Era adorável. –
“Esta me chamando para um encontro, love?” – Ele sorriu, arrogante e todo cheio de si. Os olhos de Emma ficaram esbugalhados ao ouvir as palavras, ficando boquiaberta. –
“Não! Emma Swan não chama ninguém para um encontro!” – Ela cuspia as palavras, parecendo ofendida e irritada. – “Emma Swan rejeita pedidos de encontros.”
“Esta falando de você mesma na terceira pessoa?”
“Killian!” – Ela disse irritada e então fez uma pausa. Respirou fundo, levantando as mãos a sua frente que prendiam seu olhar, como se precisasse disso para se acalmar. Esvaziou o ar dos pulmões, voltando a olhar para ele, menos irritada. – “Apenas, se quiser, esteja lá as 8h00, ok?”
“Tudo bem.”
Ele sorriu arrogante mais uma vez, enquanto a loira revirava os olhos. Ela se virou, indo embora em passos largos, enquanto Killian a observava ir. Depois de longos segundos, se sentou na mesa, apenas para encontrar Belle e Mulan olhando uma para outra com sorrisos que pareciam compartilhar segredos, antes de voltar os olhos brilhantes para ele.
“O que foi?” – Ele mordeu um pedaço de seu hamburguer, observando o suco derramado na mesa. –
“Você gosta dela.” – Mulan cantarola. –
“Não, não gosto.” – Ele responde, quase muito rapidamente. –
“Gosta sim.”
Belle diz, fazendo ele revirar os olhos. Ele não gostava dela, não, de jeito nenhum. Ainda mais, por que ainda desconfiava que ela tinha alguma coisa tramada com Ruby. Mas ..se gostasse, estaria tão na cara assim?
–x-
David jogava as coisas dentro do armário, enquanto cantarolava a música que ouvia em seus fones de ouvido, no corredor lotado. Finalmente, tinha acabado de terminar um teste na aula de Mr Gold, e poderia ir treinar com o time. Estava guardando seus livros distraidamente, quando de repente sentiu alguém parando no armário ao lado. Ele virou o rosto para encontrar Regina, suando e apertando suas mãos ao lado de sua saia. Os dois ficaram longos segundos se encarando, sem dizer uma palavra, até David resolver quebrar o momento estranho, tirando os fones de ouvido.
“Oi?”
“Oi!” – Ela respondeu em um som agudo. – “Guardando suas coisas para ir treinar com o time?” – Forçou um sorriso nervoso no rosto enquanto olhava para as coisas dentro do armário, o que apenas fazia a expressão de duvida no rosto de David aumentar. – “Você nem deveria aparecer por lá.” – Disse e imediatamente se arrependeu das palavras, olhando-o boquiaberta. – “Não que você não mereça estar no time. Quis dizer que você é tão bom que nem precisa treinar.” – As palavras saiam mais rápido do que ela conseguia controlar, fazendo-a se arrepender delas segundos depois, respirando fundo. – “Oh God.”
“Regina.” – Ele fechou a porta do armário, batendo a com força, o que fez a morena pular em seu lugar. Se inclinou contra o armário, cruzando os braços e bufando. – “Você me odeia, e claramente quer algo de mim. Vamos direto ao ponto.” – Pousou o olhar nos olhos nervosos da morena, que desviou o olhar para o chão e suspirou. –
“Só para constar, eu não odeio você. Odeio Mary Margaret. E Emma.” – Voltou os olhos para ele, se endireitando e colocando as mãos na cintura. Evil Queen estava de volta. – “Se eu quiser ser rainha do baile no final do ano, eu vou precisar de um rei, e ser vista com esse rei. Causar boa impressão nas pessoas. Eu quero que meu ultimo ano aqui seja perfeito.” – Limpou a garganta, desviando o olhar mais uma vez. – “Você é minha melhor opção. Eu pesquisei. Você é o único que consegue manter suas notas altas, mesmo sendo popular e jogando no time de futebol com aqueles atletas estúpidos. Eu gostaria que você me acompanhasse na festa da sua amiga Ruby esta noite.” – David podia jurar que viu as bochechas da morena corarem por alguns segundos, logo antes dela cruzar os braços e voltar seus olhos sérios para ele. – “Em troca, eu posso fazer com que o time de futebol tenha mais horas para treinar. E com que você seja dispensado de algumas aulas, só basta uma ligação da minha mãe para o diretor. O que você me diz?”
Ela terminou seu discurso, esvaziando o ar dos pulmões. David continuou sem se mexer, tentando processar as informações e considerando a proposta. Não podia negar que tudo isso resolveria muito dos problemas dele. Depois de alguns instantes, foi a vez dele de limpar a garganta, se endireitando.
“Okay. Mas eu não tenho uma limusine para sair desfilando com você.”
“Por favor, esteja usando roupas decentes.”
Ela estampou mais uma vez aquele sorriso mesquinho no rosto, e saiu marchando em um piscar de olhos. David colocou os fones de ouvido de volta, revirando os olhos, e com a mesma rapidez que Regina saiu, Mary Margaret apareceu ao seu lado, fazendo seu coração quase sair pela boca.
“Eu estou ficando maluca ou eu te vi conversando com a Regina?” – A pequena cruzou os braços, confusa. –
“M&M. Não te vi chegando.” – Ele sorriu. Nunca conseguiu disfarçar muito bem o quanto a presença dela o fazia ter borboletas no estomago. –
“M&M?”
“Sim. Igual aqueles chocolates em formato de bolinha, aqueles coloridos que você adora.” – Ela sorriu, o que fez o estomago dele revirar mais ainda. Passou uma das mãos no enorme cabelo dela, enrolando a ponta do mesmo em um dos dedos. – “Eu já disse como seu cabelo fica bonito solto? Gosto deles assim.”
“Não mude de assunto.” – Ela rolou os olhos, mas não conseguiu conter o enorme sorriso que surgiu em seus lábios, enquanto os dois começavam a andar pelo corredor. – “O que ela queria?”
“Ela só disse algumas besteiras sobre o time de futebol e as aulas do Mr Gold. Nada demais.”
David não era tolo. Não cometeria o erro de dizer a Mary Margaret que ele tinha acabado de fechar um acordo com a pior inimiga da morena.
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Killian andava tropeçando nas pessoas, enquanto as duas morenas o seguiam. Essa não era muito diferente da festa da noite passada, apenas mudava o endereço, o qual ele teve que procurar no facebook.
“Killian, eu não acho que nós deveríamos estar aqui.” – Belle fez uma pausa, empurrando um garoto que se aproximou dançando perto dela. – “Aquela garota, Emma, convidou você, e não eu e Mulan, afinal.”
“Não seja timida, Belle. Esta mais que na hora de pessoas como a gente se enturmar, você não acha?”
Ele achou que Belle começa a argumentar alguma coisa com ajuda da outra morena, mas ele não ouve ou sequer presta atenção. E não foi por causa do som auto, e sim pela imagem que viu a sua frente. Emma Swan, dançando em cima de uma mesa, enquanto várias pessoas ao redor dela gritam como se ela fosse a atração principal. Droga. Ela estava usando um vestido branco, onde cobria apenas metade de sua coxa, e seus ombros e pescoço ficavam expostos. Killian não podia tirar os olhos dela, e não podia deixar de imaginar suas mãos naquelas coxas, sua boca passando por aquele pescoço, beijando e deixando marcas naqueles ombros, enquanto ela se contorcia em baixo dele.
Repreendeu a si mesmo por tais pensamentos. Isso nunca iria acontecer. Emma era praticamente uma princesa, ele era um mero garoto estrangeiro, como eles diziam; "nerd", e nunca teria uma chance da loira olhar pra ele com olhos diferentes.
Os olhos dela encontraram ele no meio da multidão. Verde encontrando azul. E o modo como ela sorriu pra ele, foi como se o resto do mundo tivesse parado. Como naquelas cenas de filme, onde tudo acontecia em câmera lenta. Mas isto não era um filme. E, o modo como Emma se dirigia para perto dele, certamente não era em câmera lenta.
“Você veio!” – A loira disse, se aproximando dele enquanto tropeçava. Segurou ele pelo pulso, o que o fez sentir como se suas pernas tivessem ficado bambas. Mas de alguma forma, conseguiu andar para frente, enquanto ela começava a puxá-lo pelo meio das pessoas. –
“Eu encontro vocês depois.” – Ele gritou para Mulan e Belle, sorrindo, enquanto as duas pareciam indignadas, e Emma continuava o puxando para longe. – “Love, o que você esta fazendo?”
Emma soltou seu pulso, se virando de repente, e perto demais. Seus corpos se chocaram, e seus rostos ficaram tão próximos, que Killian podia jurar que ela estava roubando todo o ar para ela, enquanto ele sentia o hálito de cerveja em sua voz.
“Vamos dançar.” – Ela continuava sorrindo, claramente alcoolizada a ponto de nem perceber ou não se importar o quanto próximos eles estavam. –
“Você já bebeu bastante, não foi, lass?” – Ele sorriu largamente enquanto ela negava com a cabeça, se esforçando para manter os olhos focados nos olhos, e não na boca dela. Ela estava tão próxima, ele poderia apenas imaginar como os lábios dela seriam contra os dele. – “Eu não danço.”
Ele mal terminou de falar, e uma música lenta começou a tocar. Perfeito. Essas coisas tinham que acontecer com ele, no momento que ele mais precisava. Emma levantou os braços pra cima, comemorando e gritando junto com o resto das pessoas, e então se aproximou dele, colocando os braços em volta de seu pescoço.
Automaticamente, ele estabeleceu hesitante as mãos na cintura dela, incerto do que fazer, enquanto sua cabeça de esquivava para trás. Ela apenas sorriu para ele como sinal de que estava tudo bem, tirando os braços de seu pescoço, deixando as mãos em seus ombros. Ficou alguns instantes com os olhos fechados, ouvindo a música, e então deitou a cabeça em seu ombro. Ele inalou o máximo de ar que pôde, e soltou longos segundos depois, acompanhando os pequenos passos que ela dava, não saindo direito do lugar. Ter ela tão perto o fazia sentir como ela se encaixava perfeitamente em seus braços, e que ela deveria ficar ali pra sempre. Mas era sonhar alto demais. E afinal, o que ele estava fazendo? Ele conheceu essa garota ontem, mal via ela direito até alguns dias atrás. Porque ele estava agindo feito um idiota assim, tão rápido? Talvez fosse isso. Talvez fosse a ideia de que ele nunca poderia ter ela, que o fazia querer mais ainda. Apenas pelo desafio. Mas mesmo assim, nenhum desses pensamentos o impediu de aproximar o rosto de seu cabelo, sentindo o cheiro do mesmo, inalando o perfume tão bom quanto o campo de flores que encontrou uma vez, enquanto andava com seu irmão por um dos campos na Irlanda. O cheiro o fazia navegar em seus pensamentos, sentindo o corpo dela quente nele, o fazendo apertá-la contra ele involuntariamente e sem perceber. Ele sentiu o sorriso dela mesmo através de sua camisa, e corou de vergonha ao ver o que estava fazendo, liberando-a de seu aperto. Sentiu Emma encostar o queixo em seu ombro, bufando com a falta de toque e aproximação.
Rapidamente, a loira desencostou a cabeça de seu ombro, segurando o pulso dele de novo e voltando a puxá-lo pela casa, não dando a chance a ele de perguntar para onde ela estava o arrastando agora.
–x-
Robin terminou de cheirar a cocaina em cima da mesa através do canudinho e levantou a cabeça para o teto, enquanto todos ao redor gritavam e batiam palmas como se ele tivesse feito uma das coisas mais incriveis do mundo. Ele se levantou, limpando a garganta e esfregando a costa da mão no nariz, passando pelas pessoas a sua frente. Depois de alguns instantes, avistou uma cena que o fez arquear as sobrancelhas.
Regina, the Queen, estava parada a frente de David, o garoto do time de futebol, tocando o braço dele amigavelmente, e sorrindo. E, o garoto também, parecia se divertir. What the hell. Ele tinha caido por algum buraco e o levou para um mundo paralelo? A cocaina já estava fazendo efeito? Não. Não, ele não conseguiu entrar nessa festa, para ter os planos estragados por David. Ontem, enquanto assistia de longe a morena sozinha, apenas estava pensando em se divertir e a fazer descer do salto. Mas, hoje acordou com vontade de ter ela contra seus braços mais uma vez. Talvez você a resistência dela. Talvez fosse porque ela era má, talvez você porque ela o tratava como se ele não fosse ninguém. Mas a queria.
Ele conhecia David. Ele era amigo de Emma, e todos sabiam que ele e Mary Margaret sentiam alguma coisa um pelo outro, exceto, é claro, os dois mesmos. Ele passou uma das mãos pela boca, arquitetando um plano em sua mente, quando avistou Whale, se jogando para cima das garotas de intercambio no canto da sala. Foi até ele, o puxando pelo ombro, e o arrastando entre as pessoas, sem se importar com os protestos do garoto.
“Hey! Eu estava prestes a me dar bem, mate!”
“Não me importo.” – Robin sorria, maleficamente. – “Você vai me ajudar com um plano.”
–x-
Mary Margaret bufa, tentando não esbarrar em ninguém. Olhava para as pessoas, tentando encontrar um rosto familiar, como Ruby, David ou Emma. Cansada, se encosta em uma mesa, apoiando suas mãos e bufando mais uma vez. Não deveria nem ter vindo a esta festa. Levantou a cabeça, mais uma vez tentando achar algum de seus amigos, quando viu a cena que partiria seu coração pela primeira vez. Ela não conseguia se mover, apenas paralisada, enquanto seus olhos chocados observavam tudo lacrimejantes, e sua boca formava um "o". Em um canto, Regina tinha suas mãos em volta do pescoço de David, enquanto ele a beijava lentamente.
Ela não entendia. Não conseguia processar o que estava acontecendo. Ela estava alucinando? Emma colocou ecstasy no café dela, de novo? Mas os eventos eram muito reais a sua frente. David era o primeiro garoto que a olhou diferente. Por quem ela se apaixonou a anos atrás, quando eram apenas crianças, quando ela roubou o anel de plástico que ele tinha ganhado na loja de brinquedos. E agora, ele estava beijando Regina, a garota que praticamente todos os dias tentava fazer da sua vida um inferno.
Ela engoliu em seco, fechando a boca em uma linha fina, ainda incapacitada de se mover ou tirar os olhos dos dois. Mal percebeu, quando alguém se encostou na mesa ao lado dela, a observando.
“Olha o que temos aqui.” – Ela reconheceu a voz de Whale, conseguindo virar o rosto apenas por alguns segundos para o garoto ao seu lado, mas logo voltando sua atenção para os outros dois no canto, ainda sentindo os olhos do loiro em seu rosto. O silêncio permaneceu por mais alguns segundos, enquanto o estomago dela se revirava com enjoo. – “Sabe, Mary Margaret. Se fosse eu, eu nunca te trocaria por ela.”
Mary Margaret voltou os olhos pra ele, franzindo a testa, confusa. Não tinha certeza do que o garoto estava falando, mas ele não tirava os olhos dela. Desviou o olhar para David e Regina de novo, e então, mais uma vez para Whale. Por que não?
Robin avistou David parado, então se pôs a andar em sua direção, cambaleando e fingindo estar muito mais bêbado do que atualmente estava. Esbarrou no garoto alto, se segurando nos ombros dele e o fazendo girar na outra direção para qual ele estava olhando.
“Oh, me desculpe, mate.” – Ele piscou os olhos, ainda se apoiando nos braços do garoto. –
“Esta tudo bem.”
Disse David, se endireitando, e ajudando Robin a ficar de pé, quando algo chamou sua atenção atrás do garoto. Alguns metros distância, Mary Margaret se encontrava pressionada contra uma parede, enquanto beijava um garoto como se o mundo fosse acabar amanhã. A cena o deixava sem reação. Ele nunca imaginou que veria ela ao lado de outro garoto a não ser ele, o que dizer beijando outra pessoa. Ele pensou que sempre a teria para ele, mesmo não a tendo.
Ele ficou parado como um idiota, enquanto Robin saia do meio do caminho, até a voz de Regina chamar sua atenção. Ela parou ao seu lado, com dois copos de cerveja na mão, sorrindo.
“Eu trouxe nossa bebida.”
A morena continuou sorrindo, mas não recebeu nada em troca. David nem sequer olhou para ela, apenas se virou e começou a andar rapidamente, ignorando enquanto ela o chamava. Regina ficou parada com os copos na mão, enquanto o assistia sair pela porta.
Ela ficou furiosa. Como ele podia simplesmente sair desse jeito, o que as outras pessoas iriam pensar? Ela bufou, apertando os copos com tanta força em sua mão, que mal percebeu que estava derramando a cerveja pelas bordas, ou que estava fuzilando a porta com o olhar.
“Well, well.” – Robin dizia, parando ao lado dela, sempre com aquele sorriso irritante no rosto. – “Nos encontramos de novo.”
–x-
“Swan, nós realmente não deveríamos estar aqui. Os donos da casa podem estar ai dentro.”
Killian dizia nervoso, com medo de ser pego. Isso não impedia Emma de continuar correndo pelo quintal da casa que eles acabaram de invadir, alguns metros de distância de onde a festa estava acontecendo. Ela simplesmente pulou o muro, como se ja tivesse feito isso milhares de vezes antes, e ele como qualquer ser humano normal, não ia deixar uma garota que não esta em seu estado mais sóbrio sozinha. Apesar de toda a preocupação, ele não podia negar que estava se divertindo.
“Você é tão certinho. Pare de me dizer o que fazer.” – Ela diz fazendo o bico mais lindo que ele já tinha visto, quando de repente se ouvia a música da casa de Ruby soar mais alta, que até pessoas a quadras de distância ouviriam. Emma ficou alguns segundos parada, em silêncio, escutando a música, quando de repente reconhece a letra e sorri, começando a dançar e cantar junto com a letra. – “When she was 22, the future looked so bright. But she's nearly 30 now, and she's out every night.” – Ela cantava, enquanto seus movimentos desleixados acompanhavam, girando em uma pirueta e continuando a andar para frente. Fazendo uma pausa para olhar para ele por cima dos ombros, seu sorriso aumentou quando o via seguindo- a. – “Esta ouvindo, Jones? Isso sim é música de verdade, Lily Allen.”
A loira disse, se desfazendo do salto que usava, deixando o celular em uma de suas mãos no chão, e então pulou na piscina, espirrando água para todos os lados e inclusive em Killian. Mas ele mal sentiu a água em seu rosto. O vestido começou a grudar em seu corpo, e damn it, estava ficando transparente. Logo ele percebeu que estava encarando diretamente para ela, ficando corado de vergonha, ao encontrar seu rosto e ver que ela sorria com maldade em seus olhos. Ele desviou os olhos, tentando afastar tais pensamentos, de como só queria arrancar aquele vestido dela ali mesmo. Ela era perfeita, o vestido grudando em sua pele deixava mostrar suas curvas perfeitas. Ela apenas deu risada, parecendo gostar do poder que tinha, o que o fez lembrar de como ela poderia estar apenas brincando com ele.
Ele pegou o celular do bolso, esperando que o estado dela não a deixasse perceber que o sorriso dele era forçado. Ele abriu a playlist, procurando com os dedos uma música.
“Não, isso,” – Ele deixou o som tocar, colocando o celular no chão, ao lado da piscina. – “É musica de verdade. The Smiths.” – Sorriu, orgulhoso de seu gosto músical. Depois de alguns segundos, ela esbugalhou os olhos, sorrindo, ao ver que reconhecia a letra. –
“Take me out, tonight. Where there's music and there's people that are young and alive. Essa música é tão velha.” – Ela deu risada, enquanto ele se focava em deixar os olhos apenas no rosto dela. – “Come here, Killian.”
“Não é velha, é clássica. E ...” – Ele coçou atrás da orelha, depois de uma pausa, inclinando a cabeça para o lado. – “Não acho que seja uma boa ideia, Swan.”
“Ah, come on. Você tem que parar de se importar tanto com as coisas, viver os momentos, ou então não esta realmente vivendo.” – Passou uma das mãos pelo cabelo, enquanto o observava. Ele parecia pensativo, encarando nem um ponto especifico na piscina, e então começou a tirar os sapatos. –
“Ok, você venceu.”
Ele disse bufando, fazendo ela sorrir vitoriosa. Terminou de tirar os sapatos, e então, de repente tirou a camisa, jogando-a ao lado do celular, causando Emma a ter os olhos esbugalhados. Como um nerd, conseguia ser definido, quando aparentemente vive com a cara nos livros? Os músculos dele eram visiveis a luz da lua, causando um arrepio em Emma, mesmo na água gelada. Ela não podia parar os pensamentos que viam a sua cabeça. Ela queria tocar, arrastar as unhas por cada centimetros dos braços e peito dele. Mas então, o barulho de ziper se abrindo a assustou, tirando a atenção de sua mente pecaminosa. Ele estava tirando a calça.
“Hey, hey! O que você esta fazendo?” – Olhou para ele, corada de vergonha, enquanto ele a interrogava com o olhar. –
“Ah, não sei não, love. Acho que tirando minha roupa?” – Ele disse como se fosse a coisa mais natural do mundo, jogando a calça para o lado e arrancando as meias, estabelecendo o óculos no chão. – “Eu não vou voltar com as roupas molhadas para casa.”
Emma fez tanto esforço para não desde o olhar para baixo, que podia sentir uma veia pulsando ao lado da testa. Então ele pulou na água, enquanto Emma fazia o possivel para não olhar para a cueca dele. Não, definitivamente, ela não iria se sentir atraída por ele. Apenas uma aposta, Emma, ela continuava tentando se convencer. Ele voltou a superfície, com aquele sorriso de tirar o folego. Era como se o corpo dela fosse involuntariamente atraido por ele, quando ela se viu se aproximando cada vez mais do bastardo.
“And if a double- decker bus, crashes into us.” – Ela gritava mais do que cantava, sorrindo, enquanto arrancava gargalhadas dele. – “To die by your side.. Jones, canta comigo. Isso é uma ordem.”
“And if a ten-ton truck, kills the both of us, to die by your side, well, the pleasure and the privilege is mine.”
Ele cantou perdendo uma pequena parte da música, ainda sorrindo. Depois os dois riram, olhando um para o rosto do outro. Ele estava olhando pra ela daquele jeito de novo. Aquele jeito diferente.. parecido como quando Mary Margaret olhava para David. Chacoalhou a cabeça, tentando afastar o pensamento. Ela devia estar vendo coisas. Ela mal conhece este garoto. Era apenas para não perder para Ruby, tentou convencer a si mesma outra vez.
“Então todos os homens na Irlanda gostam de andar semi nu por ai?”
“Não, não todos. Mas as mulheres na Irlanda certamente apreciariam a vista, ao invés de reclamarem.”
“Então acho que não sou igual as mulheres na Irlanda.”
“So, tell me, love. Isso não é um pouco demais para o primeiro encontro?” – Mudando de assunto, ele inclinou a cabeça, sorrindo arrogante. Ela o encarou por alguns segundos, com olhos esbugalhados, antes de franzir a testa. –
“Isso não é um encontro!”
“Ah, mesmo? Bom, você já cantou pra mim, e você já esta me vendo praticamente sem roupas.” – Ela rolava os olhos para a conversa, mesmo assim sorrindo. Ele era um idiota. – “O que falta mais para ser um encontro?”
“A kiss.”
Emma respondeu imediatamente sem pensar, se arrependendo das palavras no instante que sairam da sua boca, seu sorriso desaparecendo. Observou os olhos dele ficarem esbugalhados, enquanto sentia suas bochechas corarem de vergonha. Sim, se ela pretendia dormir com ele, provavelmente teriam que começar por um beijo. Mas ela nunca se atirou pra cima de um garoto desse jeito, e Killian provavelmente era do tipo que levava as coisas devagar, se era um virgem, como ela presumiu.
“Me desculpa. Eu não- eu não quis dizer isso.”
Engasgava nas palavras, enquanto ele permanecia em silêncio. Ele não disse nada, apenas ficou ali, olhando-a com aqueles olhos gentis. Os olhos que pareciam ler através de sua alma. As gotas de água caiam de seu cabelo para o rosto, se arrastando por suas bochechas, ao lado de sua boca – Eh, oh God, sua boca - , pingando em seu peito. Ela observava tudo com olhos famintos. Ele estava apenas a alguns centimetros de distância, e pousou o olhar nos lábios dela. Ele passou longos segundos, com os mesmos olhos famintos que ela, mas como se estivesse incerto de que deveria fazer isso. Engoliu em seco, como se quisesse tocar e não pudesse. E tudo que ela podia pensar era em sua boca na dele. Ele devia estar mais perto, precisava estar mais perto. Ele então voltou os olhos para os dela, e seu olhar parecia pedir permissão. Ela permaneceu com os olhos sobre os lábios dele, imaginando como ela queria morde-los até ficarem roxo, e então voltou a encarar seus olhos. Aqueles azuis, só podiam ler o que era claro nos dela. Kiss me. Kiss me. Kiss me.
Os dois despertaram da tensão em um pulo, quando ouviram o tilintar do som do celular de Emma tocando. Então ambos pareciam constrangidos, desviando olhares, sem saber o que fazer. A loira foi até a borda da piscina, pegando o celular, para ler "Mary Margaret — 1 mensagem" na tela. Abriu a mensagem, onde Mary Margaret pediu que a encontrasse na casa dela, e que deixaria a janela do quarto aberta. Emma respirou fundo, fechando o celular e se apoiando na borda, saindo da piscina.
“Tenho que ir.” – Disse, pegando o celular e os saltos do chão. –
“Aonde você esta indo?” – Ele dizia confuso, observando a loira voltar os olhos nele. –
“Mary Margaret precisa de mim.” – Emma sorriu, como se estivesse se desculpando. O olhar dela então mudou dele para as roupas ao lado dela. Dam it. Ela não conseguia fazer nada sobre isso. Era como se tivesse algo ruim dentro dela. Ela não conseguia ficar sem fazer coisas imprudentes, apenas por diversão. – “E.. talvez eu seja mesmo como as garotas na Irlanda.” – Com um sorriso diabólico, começou a juntar as roupas dele do chão. –
“Emma, o que você esta fazendo?” – Ele perguntou preocupado, desespero alcançando seus olhos enquanto a observava. –
“E eu gosto tanto da vista, que quero que o resto mundo aprecie também.” – Deu risada, e começou a caminhar para longe da piscina. –
“Swan!” – Ele gritou, como se aquilo fosse fazer ela mudar de ideia, enquanto a loira corria em divertimento com as roupas. – “Swan!”
–x-
Killian chega de volta a festa, tremendo de frio. Graças a Deus, as pessoas estavam bêbadas demais para notar que ele apenas usava cueca, achando não ser nada fora do normal. O problema seria andar na rua. Ele tinha voltado a casa de Ruby, na esperança de encontrar Emma lá, mas ao que parecia ela ja tinha saído. Então ele resolveu procurar pelas duas garotas que havia trazido com ele, pois as duas estavam sobre a responsabilidade dele, querendo ou não.
Continuando a andar, e finalmente avistou Mulan e Belle. As duas garotas pareciam bêbadas, dando risada e gritando como todos a volta. Ruby estava deitada na mesa, usando apenas um sutiã, e então de repente, Belle começou a fazer um bodyshot na morena. Killian teve bastante certeza de que se ele não estivesse tremendo de frio e molhado, ele estaria excitado. Continuou a se aproximar das garotas, puxando Mulan por um dos braços, e recebendo vaias e um empurrão de volta.
“Mulan, Belle, nós temos que ir!”
“Mas nós estamos nos divertindo!” – Belle disse limpando os cantos da boca, enquanto Ruby se sentava na mesa. –
“Vocês beberam demais.”
“Então!” – De repente, aquele garoto que todos chamavam de Graham subiu em cima da mesa onde Ruby estava sentada, cambaleando com um lança-chamas em mãos. E, se já não tivesse visto coisas estranhas o suficiente nessa festa, Killian ficaria espantado. – “Olha o que eu encontrei nos fundos. Quem quer me ver atear fogo no ar?” – Ele gritou rindo, enquanto os outros jovens ao redor gritavam e batiam palmas positivamente, levantando as mãos para o alto e gritando o nome do garoto. –
“Isso não é uma boa ideia, mate.” – Disse em voz alta, chamando atenção de todos. O bom senso de Killian não o deixava ficar quieto. Isso era perigoso. E ele, por mais que tentasse não se importar e ficar calado, sempre era o bom moço. –
“Ah, mesmo, mate?” – Graham soluçou, ja apontando o equipamento pra cima. – “Eu acho que os outros não concordam com você.”
E então, em questão de segundos, uma chama curta foi do equipamento até o teto, com tempo o suficiente para fazer as pessoas gritarem e o fogo se espalhar para o os cantos, com Graham perdendo o equilibrio e ateando chamas em uma das paredes.
–x-
“Tão bonita, e tão sozinha.”
Robin dizia as palavras, com beijos de boca aberta pelo pescoço dela. Regina agarrou mais forte em seus ombros, enquanto suas pernas apertavam o corpo dele para mais perto do seu. Ela retrucaria agora, mas a cada balanço de quadris ela ficava mais incapaz de produzir algum som. E ele continuava a prendendo contra a parede, enquanto a penetrava devagar, apertando suas coxas onde mais tarde ela teria certeza que teriam marcas roxas.
Ela estava com sua camisa quase desabotoada, e ele quase completamente vestido. Só agora ela teve tempo para perceber que estavam com tanta pressa que mal arrancaram todas as roupas. Apenas entraram dentro de um armário enquanto a festa passava lá fora, com tanta rapidez para estarem um contra o outro que por longos momentos ela só conseguiu pensar em como era bom sentir ele dentro dela. Como foi que eles chegaram ali?
“Cala-aah” – Ela tentou dizer, interrompida quando ele a penetrou com mais força, fazendo a gemer no meio da sentença. Agarrou uma das mãos no pescoço dele, deixando marcas de unha, enquanto mordia o lábio para não fazer um som tão alto. Não podia arriscar que alguém a encontrasse com ele. – “Cala boca.”
Ela fechou os olhos, enquanto ouvia a risada convencida dele, sentindo beijos quentes por seu pescoço. Depois de alguns segundos, ele a segurou pelos quadris, a levantando mais alto, e começando a entrar nela mais rápido. Ele jogou a cabeça para trás, cada vez mais rápido e cada vez a deixando gritar mais alti. Ela se segurou nele, sentindo seus olhos lacrimejarem, sentindo que iria chegar a sua libertação a qualquer instante. Estava vendo pontos brancos no canto dos olhos, por estarem fechados com tanta força, enquanto ele entrava nela com tanta força, e de repente, ela chega.
Ela relaxa em seu aperto, enquanto ele continua por mais alguns segundos logo após de chegar também. Ofegante, ela encosta a cabeça na parede atrás dela, olhando para o teto. Não tinha certeza porque estava ali. Não tinha certeza porque estava ali com ele, depois de apenas minutos de conversa e uma raiva irracional de David. Mas, tinha absoluta certeza, que ele foi o melhor que ela já teve.
Depois de alguns segundos divagando em seus pensamentos, sentiu o loiro encostando a testa em seu ombro, ofegante. Seu coração começou a bater mais devagar, até estabelecer seu ritmo normal, e então ela finalmente foi capaz de abrir a boca.
“Se você contar a alguém, você é um homem morto.” – Ela disse, e ouviu mais uma vez sua risada, sentindo um sorriso contra seu ombro. Ele beijou o lugar uma ultima vez, desencostando a cabeça e a olhando nos olhos, com sempre o mesmo sorriso irritante. –
“Não se preocupe, M'Lady. Seu segredo esta a salvo comigo. Posso ser um ladrão, mas ainda tenho honra.”
“Você..” – Ela começa, não dando muita atenção para as palavras dele e começando a olhar ao redor. – “Esta sentindo um cheiro de queimado?”
–x-
O lança-chamas definitivamente não tinha sido uma boa ideia. Depois que as chamas começaram a se espalhar por alguns dos móveis, Ruby pegou o institor de incêndio e tentou apagar as chamas, enquanto todas as pessoas começaram a correr para fora. Ela pensou até ter visto um dos amigos de Emma e Regina saindo de um armário. De qualquer forma, ela foi deixada sozinha com toda a bagunça.
Estava subindo a escada cansada, logo após os policiais terem vindo se certificar que estava tudo bem, pois os vizinhos haviam reclamado do barulho. Enquanto entrava no quarto, só conseguia pensar em como a vó dela iria deixá-la de castigo para o resto da vida. E depois, possivelmente, matá-la.
Tirou as botas, as jogando em um canto no quarto escuro, e então caminhou para a cama. Se deixou cair com o corpo pesado no colchão, apenas para sentir que o mesmo estava duro demais. Se levantou depressa, puxando as cobertas, avistando aquela garota chamada Aurora seu namorado, dormindo na cama dela como se nada tivesse acontecido.
“Fuck!” – Ela gritou, começando a puxar a garota por um dos pés, enquanto Philip nem se mexia. – “Fucking hell, eu não posso nem dormir na minha própria cama mais.” – Aurora apenas se mexia desconfortável, nunca abrindo os olhos, e Ruby deu um tapa em sua perna. – “Aurora!”
“Vai embora!”
A garota disse sonolenta, se virando de costas para o namorado. Ruby bufou, soltando um pequeno grito histérico. Pegou a coberta e estava se preparando para descer e dormir no sofá, quando ouviu barulho de pedregulhos batendo na janela. Estranhando, foi até a mesma, abrindo-a e encontrando aquele garoto de mais cedo, Victor, com um punhado de pedras na mão, sorrindo.
“Whale?” – Perguntou sorrindo, enquanto o garoto continuava no meio da rua.–
“Red. Só queria te dizer uma coisa.” – Ele levantou os dedões da mão, sinalizando para a garota. – “Best party ever!”
O loiro disse e saiu correndo pela rua. Ruby deixou uma risada escapar, esquecendo o mau humor de apenas instantes atrás. Passando pelo quarto, olhou para a escrivaninha onde a revistinha se encontrava dentro da gaveta. Desceu as escadas sorrindo, lembrando do pequeno agrado que tinha ganhado do garoto.
–x-
Emma pulou a janela, caindo de pé dentro do quarto de Mary Margaret. Encontrou a morena deitada na cama, no escuro e suspirou. Andou na ponta dos pés até ela, se deitando enquanto a morena continuava de costa para ela. Depois de instantes deitada observando o teto, finalmente conseguiu falar.
“O que houve?”
“Eu vi David beijando Regina.” – Ela disse como se estivesse com um nó na garganta, como se estivesse prestes a chorar. Emma se espantou com a noticia, e como Mary conseguia falar isso tão rapidamente sem enlouquecer. Depois de instantes, se inclinou mais perto, começando a planejar palavras para consolar a morena, quando reparou que suas longas madeixas negras estavam cortadas e caídas no colchão. –
“Mary Margaret, o que houve com seu cabelo?” – A loira disse, mais chocada do que queria parecer. –
“Eu cortei. David gostava dele longo.” – Disse suspirando, como se fosse a coisa mais simples do mundo. Emma ficou alguns segundos a observando, sem saber o que falar. Lembrava da primeira vez que teve o coração partido. Não conseguia parar de chorar nem por um instante, e Mary Margaret estava sendo tão forte. –
“Sinto muito.” – Suspirou, aguardando sem saber o que fazer. – “Amanhã vou te ajudar a terminar de cortar. Isso esta totalmente torto.” – E para seu alivio, conseguiu arrancar um riso da pequena. Sorria orgulhosa, se aproximando mais da garota, e a abraçando por trás, igual faziam quando eram menores e Emma ia dormir na casa dela, quando ficava com medo do escuro. – “I love you.” – Disse, e ouviu a morena murmurar alguma coisa como "eu sei". Suspirou, fechando os olhos, e esperando que no dia seguinte não estivesse com muita dor de cabeça, e que, com certeza, David iria ganhar um olho roxo.
“Emma, porque você esta molhada, e encharcando minha cama?” – A voz séria a fez despertar. –
“Ahn.. eu estava com Killian. Longa história.” – Ela disse sorrindo, voltando a fechar os olhos, enquanto Mary Margaret ficava em silêncio. –
“Whoa. E você ficou tão molhada assim? Devemos ligar para Ruby e dizer que você ganhou a aposta?”
“Cala boca! Não estou molhada desse jeito.”
Ela disse rindo enquanto dava um pequeno empurrão na morena, as duas dando gargalhadas em voz baixa. Isso era bom, era bom que, mesmo que o mundo de uma delas estivesse caindo aos pedaços, elas ainda tinham uma a outra.
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Robin tentava atirar as pipocas na boca de Emma, que mantinha a mesma em um formato de "o". O sol da manhã era muito claro e não permitia que ela abrisse os olhos completamente, incapaz de ver se Robin estava errando e acertando seu rosto de propósito, que era o que parecia. De qualquer forma, a cada erro, os dois riam, enquanto Whale e Kathryn observavam, sentados no banco. Estava o começo de uma manhã perfeita, estava tudo tranquilo. Mas nada podia continuar bem assim por muito tempo nos dias dela.
“Swan!”
Ela ouviu a voz familiar, esbugalhando os olhos. Não precisava nem virar para trás para descobrir de quem pertencia, e muito menos porque o tom de raiva em seu nome.
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