Obi Wane-Shots
17 Não Anakin!
Notas iniciais

Kenobi Mal recebera a noticia de sua nomeação como mais novo membro do alto conselho e Anakin já aproveitara a oportunidade para lhe importunar. Caminhavam lado a lado pelos corredores do templo, em direção ao saguão de entrada, onde receberiam uma comitiva de senadores. Juntos, discutiriam novas abordagens com relação à guerra que se alastrava pela Galáxia.
— Não —Disse Obi Wan sem olhar para seu ex-padawan.
— Mas mestre... — Anakin gesticulava com uma das mãos.
— Não Anakin. — Ele parou e fuzilou o jovem Jedi. — Já disse não. Aceite e vamos terminar logo com isso, sabe que eu não gosto nem um pouco de lidar com esses assuntos políticos. — Ele retomou a caminhada, deixando o seu amigo para trás. — Quanto antes terminarmos, melhor. Tenho alguns assuntos para resolver.
— Já sei! — Anakin deu dois passos largos e agarrou o braço do ruivo. — Deixe os senadores comigo e você terá o resto da tarde para resolver seus assuntos. — Ele piscou. — Assim terá mais tempo para pensar no que eu lhe pedi.
Puxando o braço, Obi Wan semicerrou os olhos e pousou a mão no queixo barbudo.
— Já disse que está fora de cogitação Anakin. — exclamou. — O que está me pedindo é um absurdo! — Ele balançou a cabeça. — Agora mais do que nunca, não posso simplesmente passar a mão na sua cabeça toda vez que desrespeitar uma ordem. Você não é mais criança, já é um cavaleiro Jedi e possui sua própria Padawan. Precisa mostrar para Ahsoka que é responsável — Obi Wan se aproximou e depositou a mão direita no ombro de Skywalker. — Está me pedindo para deixar que cometa uma loucura. Quem você acha que vai ser responsabilizado por isso quando der errado?
Anakin deu de ombros.
— Não seria a primeira vez, Obi Wan. — Ele disse desanimado. —Tudo o que estou pedindo é que confie em mim. Nada de ruim vai acontecer, tenho tudo planejado bem aqui — Anakin cutucou a testa.
— E eu confio, meu amigo. — Kenobi soltou um sorriso solidário. —Mas depois do que aprontou em Kashyyyk, o conselho não vai deixa-lo dar um passo sem supervisão. Escute-me pelo menos dessa vez e tire essa ideia louca da cabeça.
Anakin assentiu emburrado e olhou para o rosto amigável do ruivo.
— Em minha defesa — Ele disse quando voltaram a caminhar pelo corredor. — Eu não consegui entender o que os Wookiees queriam dizer. Achei que queriam ajuda para eliminar aquele bicho enorme.
Obi Wan sufocou uma risada.
— Aquela criatura era sagrada para eles, Anakin. Por pouco, eles não se revoltaram contra a republica. Graças a intervenção de Mestre Yoda, a situação foi controlada. Se dependesse de você, a essa altura estaríamos envolvidos em outra Guerra. Sabe que a aliança com os Wookiees é extremamente valiosa para nos.
— Certo, eu já entendi. — O Jedi mais jovem adiantou-se para frente e parou, fazendo o ruivo parar também. — Sou irresponsável e inconsequente. Você já deixou isso bem claro, mas o que estou pedindo a você é apenas um pequeno favor. — Obi Wan tentou se desvencilhar, mas ele impedia sua passagem. — Ora vamos Obi Wan, eles vão ouvir você!
Kenobi olhou para além de seu amigo insistente, exausto de tentar convence-lo a mudar de ideia quanto ao seu plano mirabolante — e totalmente absurdo. De onde estava, conseguia ver o saguão de entrada e notou que os senadores já haviam chegado e aguardavam para que eles os guiassem até a sala de reunião. Durante boa parte do dia, teria que lidar com pouco mais de 20 políticos exaltados e irritados e ele não estava nem um pouco a fim de ouvir cobranças e mais cobranças. Era uma guerra sem precedentes e os Jedi não tinha a solução para todos os problemas ocasionados por ela. Eles faziam o que podiam, inclusive coisas que estavam fora da jurisdição dos Jedi e nem por isso eles exigiam que os senadores tomassem atitudes com relação às decisões frouxas e infundadas tomadas pelo senado. Definitivamente, o senado e o conselho não estavam em harmonia.
Voltou sua atenção para Anakin e suspirou.
— Por que acha que eles iriam permitir uma coisa dessas? — Obi Wan perguntou, cogitando a hipótese de talvez, ajudar Anakin com sua questão. Sua aversão a políticos o deixava suscetível a aceitar a proposta do jovem.
— Por que você agora faz parte do Alto Conselho mestre, e tudo o que você disser, eles irão levar em consideração. — Anakin tinha um sorriso travesso no rosto. — Tenho certeza de que irão permitir se você pedir.
— Você ainda vai acabar com minha reputação, meu jovem. — Obi Wan passou a mão esquerda pelo rosto e suspirou. — Tem certeza de que consegue dar conta dos Senadores? — Ele indicou com o queixo o saguão lotado. — Por acaso sabe o que dizer para acalmar os ânimos deles?
Espontaneamente, Anakin virou-se para trás e com uma rápida olhada, encontrou um rosto conhecido no meio dos senadores e sorriu. Padmé Amidala encontrava-se próxima ao Senador Organa e quando seu olhar encontrou o de seu amado, retribuiu o sorriso e disfarçadamente, acenou.
— Não se preocupe, tenho afinidade com alguns senadores. Será fácil lidar com eles. — Ele virou e fitou o rosto de Obi Wan, que tinha uma expressão de curiosidade. — Fácil como tirar doce de criança.
Deixando a tensão de lado, Kenobi cruzou os braços e encarou seu amigo.
— Você por acaso já tentou tirar um doce de uma criança? — Obi Wan ergueu uma sobrancelha. — Seu excesso de confiança me assusta, mas não tanto quanto ter que lidar com eles. — Obi Wan mordeu o lábio. — Muito bem, vou falar com o conselho. — Ele ergueu a mão, impedindo que Anakin dissesse alguma coisa. — Não prometo nada, mas farei o possível para que eles deem permissão a você. Eu só peço uma coisa: Não faça eu me arrepender.
— Não se preocupe, Obi Wan. — o sorriso no rosto do Jovem Skywalker era contagiante. — Pode confiar em mim.
O ruivo balançou a cabeça em negação. Confiar em Anakin era algo muito arriscado e por varias vezes arriscara o próprio pescoço por ele. Entretanto, aprendeu que conviver com o jovem Skywalker era uma constante prova de sobrevivência e percebeu que às vezes era preciso extrapolar e quebrar algumas regras para alcançar pelo menos parcialmente, o resultado desejado e ninguém melhor para lhe ensinar isso do que seu amigo, um expert no assunto.
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