Notas iniciais
Hello There !!!! Espero que tenham tido uma boa semana. Trago mais um capitulo fresquinho para vocês meus queridos leitores. O conto de hoje deu um certo trabalho hahaha Teve uma hora em que eu pensei até em não postar, mas ai pensei ``perai, vou arrumar isso e vai ficar bom ´´´e esse foi o resultado. Achei um site incrivel de fãs de Star Wars que traduzem vários tipos materiais, desde hqs a livros e contos, e descobri que em um desses contos há uma pequena passagem sobre o colar que Anakin deu a Padmé. No conto, ela entrega ao Obi Wan em seu leito de morte, mas ele decide que o colar deve ser enterrado junto com ela. Eu descobri esse conto depois de ter escrito o meu hahahah por isso desanimei um pouco. Mas no conto, tem só esse trechinho ( de Padmé entregando o colar a Obi Wan ), não mostra nada além disso. Então eu decidi ir além e mostrar como o colar foi parar nas mãos de Padmé, como podemos ver no final do terceiro filme. No conto, ela entrega para ele depois de dar a luz aos gemeos, mas na minha versão acontece diferente. Peguei também alguns trechos do filme para complementar a narrativa. Inclusive tem um diálogo de Obi Wan que foi cortado do filme, onde ele conta a Padmé que sempre soube do relacionamento dos dois. Então eu adaptei tbm... ( Gostaria muito de ter visto essa cena ahhhhh ) Vou deixar o link desse site nas notas finais para vocês. É um site muito legal, com bastante conteúdo e acho que vale a pena ser divulgado para que outras pessoas conheçam. Boa leitura, espero que gostem link da imagem: https://br.pinterest.com/pin/392376186281417315/

Padmé estava sofrendo e ele sabia disso. Um medo incontrolável de perder ela e o bebe consumia seu coração aos poucos, mas ele sequer cogitou a hipótese de sair do lado da Senadora. Ficaria ali com ela até que chegassem a Polis Massa e depois, bom, ele não sabia. Sua mente estava embaralhada demais para pensar no que faria depois. Com isso, decidiu que seguiria seu coração — mesmo que estivesse enevoado pelo medo.

Segurava com carinho a mão de Padmé, como forma de demonstrar sua presença ali, mesmo que ela não estivesse totalmente consciente. Um gemido de dor o despertou de seus pensamentos e ele voltou sua total atenção a jovem mulher deitada na cama ao seu lado.

— Obi Wan — sua voz saiu num sussurro quase inaudível. — O bebe. Por favor, salve o bebe.

Apertando suavemente a mão dela, Obi Wan se inclinou um pouco e com a mão livre, acariciou a testa úmida e quente da Senadora.

— Não se preocupe. Você e o seu filho ficarão bem. Estamos quase lá. — Ele disse se esforçando ao máximo para acreditar nas próprias palavras. — Aguente firme Padmé.

Ela não respondeu e ele achou que ela tivesse adormecido. O Jedi se recostou na cadeira e massageou o rosto. O tempo parecia ter estagnado e isso o estava deixando angustiado. Polis Massa não era tão longe assim, por que ainda não tinham chegado?

Decidido a descobrir o motivo, levantou-se na intenção de ir até a cabine e questionar os droides, mas antes que pudesse se afastar totalmente, sentiu um aperto em sua mão direita e se virou. Padmé parecia usar suas ultimas forças para segura-lo.

— Não... Não me deixe. Fique comigo, por favor. — Lagrimas surgiram nos olhos semiabertos da Senadora.

Obi Wan instantaneamente se sentou e olhou para baixo. Sentia- se envergonhado demais para encara-la diretamente nos olhos. O medo se misturando a culpa. O remorso e a dor da perda crescendo a cada minuto dentro de si, como se fosse uma bomba prestes a explodir. Com as duas mãos, apertou com força a mão dela, quase como se quisesse garantir que com isso, a vida dela não escorregasse por entre seus dedos.

— Fique com isso. — Ela levou a mão livre do aperto do Jedi ao pescoço e segurou com fraqueza um cordão cujo pingente estava escondido sob suas vestes. — Quero que guarde isso para se lembrar... Se lembrar de nós...

Hesitante, Kenobi soltou a mão dela e segurou o cordão. Com cuidado, desfez o nó e contemplou o pequeno amuleto na palma da mão. Observou com curiosidade os símbolos esculpidos, mas não soube identificar o que significavam exatamente. De repetente Imagens vivas e coloridas tomaram conta de sua mente e não demorou para reconhecer seus amigos nelas.

Eram eles, Anakin e Padmé, na época em que se casaram. Tão jovens e cheios de vida, além da esperança de um dia poderem viver esse amor proibido. Era como se Obi Wan estivesse presente na cerimonia. Às vezes via as coisas pela visão de Anakin, em outras estava no lugar de Padmé, porém em ambos os casos, sentia a mesma coisa: Um amor intenso e verdadeiro, capaz de ultrapassar todas as barreiras, exceto uma: O lado negro que se apossou de Anakin e o dominou por inteiro. Por mais que quisesse acreditar que ainda havia bondade nele, Obi Wan não conseguia tirar de sua mente a imagem de Anakin o fuzilando ferozmente, amaldiçoando-o pelo resto da vida.

— Padmé — Emocionado, sentiu seu rosto arder. — Vocês vão fica bem... — Apertou o pingente com força na palma da mão.

Sem forças para continuar olhando para Padmé, o Jedi voltou sua atenção para o pequeno pingente em sua mão e por uma fração de segundos, sentiu como se segurasse a essência de Anakin entre os dedos. Nunca tinha visto tal colar, mas sabia sem sombra de duvida de que aquilo era extremamente importante e o guardaria como se sua vida dependesse disso. Sentiu – a força lhe possibilitou ver além – que o colar era uma espécie de elo entre os dois. Foi por meio dele que Anakin e Padmé, ingênuos demais na época para entenderem o que o amor significava, selaram seus destinos.

Fechou os olhos e permaneceu ao lado do leito de Padmé pelo resto da viagem. Era a única coisa que podia fazer por ela naquele momento.

Sabendo dos sentimentos de seu ex-aprendiz por ela, Obi Wan adiquiriu com o tempo um certo carinho pela Senadora e a considerava quase como parte de sua família. Talvez se tivesse prestado mais atenção e conversado com Anakin antes que as coisas piorassem, nada disso estaria acontecendo. Seu amigo estaria ao lado da esposa e veria seu filho nascer. Anakin provavelmente seria expulso da ordem, mas ele não se importaria, pois em troca teria uma vida feliz ao lado de sua família e se permitisse, Obi Wan adoraria fazer parte disso. As coisas ficariam complicadas, mas juntos — ele e Anakin- conseguiriam dar um jeito.

Tantas possibilidades, tantas coisas que poderiam ser evitadas se Obi Wan ao menos uma vez, deixasse de lado seu dever como Jedi e olhasse para Anakin, não como um companheiro Jedi, mas como alguém que precisasse de orientação. Ele se tornara arrogante e cego, assim como todos os Jedi ao seu redor. No fim, os Jedi compactuaram para sua própria queda. Não eram inocentes, muito menos heróis. Eram vitimas do próprio orgulho e presunção. Fecharam-se em sua própria bolha, acreditando que jamais seriam atingidos, mas a verdade era que quanto mais alto, maior a queda.

Kenobi respirou fundo e quando abriu os olhos, percebeu que haviam saído do hiperespaço e estavam prestes a pousar em Polis Massa. Levantou-se rapidamente e da forma mais respeitosa possível, pegou Padmé nos braços e dirigiu-se para a saída. Estava decidido a não perder mais ninguém naquele dia. Desceu a rampa de aceso e seguiu para dentro da instalação medica, há poucos metros de onde tinham pousado. Sequer prestou atenção no que Bail organa lhe disse ao avista-lo ou nos droides ao seu redor. Padmé estava cada vez mais enfraquecida em seus braços, não havia tempo para mais nada.

Adentrou o complexo e correu pelo corredor, com a Senadora inconsciente em seus braços.

`` Aguente firme Padmé, Por favor, ´´ era só o que conseguia pensar no momento.

Parou em frente à sala de cirurgia, preparada especialmente para recebê-la e entrou. De relance, avistou Mestre Yoda do lado de fora e algo em sua postura deixou Obi Wan em alerta.

Com a autorização dos Droides, colocou Padmé sobre a mesa e se afastou relutante. Tinham chegado, mas e agora? O que deveria fazer? Dirigiu-se para fora da sala e se juntou a mestre Yoda, Bail organa, R2-D2 e C-3po. Do lado de fora, Obi Wan tentava- ao máximo conter sua ansiedade, enquanto os droides faziam a avaliação do estado de Padmé.

Não demorou para um deles ir flutuando até a saída e informar a eles sobre as condições reais em que a Senadora se encontrava.

— Ela perdeu a vontade de viver. Devemos operar o mais rápido possível para salvar os bebes. — Disse o droide com cabeça achatada.

— Bebes? — Bail Organa questionou surpreso.

— Ela está esperando gêmeos. — Respondeu o droide prontamente.

Sem saber o que dizer a respeito, Obi Wan deu alguns passos e parou para observar Padme através do vidro, deitada sobre a mesa cirúrgica. Não podia acreditar no que tinha acabado de ouvir. Perder Anakin esgotara todas as suas forças e agora isso. O que mais ele teria que suportar?

Atordoado, ele se voltou para o droide. A única certeza de que tinha naquele momento era de que queria estar ao lado dela.

— Posso ficar ao lado dela? — O Ruivo gaguejou. — Eu só... Só quero ficar ao lado dela, por favor.

— Como quiser. — a falta de emoção na resposta do droide causou calafrios no Jedi. Padmé não era uma maquina, era uma pessoa! Não deveria estar nessa situação, sozinha. Mesmo que ele estivesse ao seu lado, não era ele quem deveria estar lá. Por mais que ela deixasse claro sua amizade para com ele, Kenobi não se achava digno de estar ali. Acreditava ser o responsável por ela estar morrendo e por ter deixado seu marido para trás, sozinho naquele planeta terrível, a beira da morte.

Mesmo assim, entrou na sala e estacionou ao lado da mesa. Olhou para além do vidro e captou uma enorme tristeza vindo de Mestre Yoda, que o envolveu por inteiro. Ele se deu conta de que não era o único que havia perdido tudo.

— Obi Wan. — o sussurro de Padmé fez o ruivo sair do transe. — Você pode segurar minha mão?

Perturbado, Kenobi se aproximou da mesa e ao pegar a mão fria e quase sem vida da Senadora, sentiu-se tonto. Ela estava morrendo e era sua culpa. Tudo aquilo era sua culpa e mesmo assim, ela ainda o queria por perto. Padmé deveria sentir raiva e ódio do Mestre Jedi, não desejar sua presença num momento como aquele.

Em silencio, o Jedi não conseguia tirar os olhos da face pálida da mulher que um dia fora rainha, depois uma das mais importantes e justas senadoras do Senado da Republica galáctica. Padmé agora se encontrava entre a vida e a morte, prestes a dar a luz a duas crianças, fruto do amor proibido entre uma senadora e um Jedi, jedi esse que um dia fora seu melhor amigo.

Somente quando ouviu o choro, foi que ele desviou a atenção dela e fitou a pequena criança que o droide médico erguia nos braços metálicos. Instintivamente, ele se adiantou e pegou o bebe nos braços, fitando- com ternura. Inclinou-se para que Padmé pudesse ver o rosto de seu filho.

— Luke. — Ela disse e esboçou um sorriso, fazendo um pequeno carinho em seu filho.

Ao mesmo tempo em que sentia estar fazendo o certo ao ficar do lado dela, sentia-se um intruso naquele momento tão intimo. Anakin deveria estar ali, segurando o filho nos braços, não ele.

No mesmo instante, Padmé voltou a gritar por conta das contrações e passado alguns minutos, o droide se aproximou carregando o segundo bebe.

— É uma menina. — Obi Wan disse docemente fitando a senadora. Sentia uma paz enorme no coração enquanto segurava cuidadosamente Luke no colo. A sensação de segurar o filho de seu melhor amigo amenizou um pouco a dor que sentia.

— Leia. — Padmé respondeu sem hesitar e por um momento, Obi Wan teve a impressão de ver um pouco de brilho nos olhos dela ao olhar com carinho a filha.

— Viu. — Ele tentou sorrir. — Eles estão bem.

Ela não respondeu. Logo sua expressão tornou-se sofrida novamente e ela fechou os olhos. Cada minuto que passava respirando era uma tortura para ela.

— Obi Wan — Padmé estava usando suas ultimas forças. O Jedi aproximou-se mais para poder ouvir melhor. — Ainda tinha bondade nele, eu sei... Ainda tinha...

Antes que pudesse dizer alguma coisa, o Ruivo observou com enorme tristeza que Padmé enfim partido. Partiu ainda acreditando que Anakin pudesse ser salvo, sem saber que naquele instante, ele provavelmente também já havia morrido.

Com luke chorando nos braços, Obi Wan encarou pela ultima vez o rosto da senadora, frio e pálido, totalmente diferente do rosto iluminado e gentil que outrora conheceu. Lembrava-se com nitidez do dia em que a viu pela primeira vez, pois fora naquela época em que sua vida mudou em todos os sentidos.

Absorto em suas lembranças, parecia estar no piloto automático quando os droides o levaram para fora da sala, para que pudessem preparar o corpo de Padmé. Do lado de fora da sala, observou outra dupla de robôs levarem os bebes para receberem os primeiros cuidados. Sentiu um leve toque em sua mão que apertava entre os dedos o pingente que Padmé havia lhe entregado enquanto ainda estavam a bordo da nave — o segurava com tanta vontade que o objeto parecia fazer parte dele mesmo — e notou que Mestre Yoda estava ao seu lado. O pequeno ser verde o observava atentamente.

— O que é isso na sua mão, humm? — Perguntou Yoda.

Obi Wan ergueu o braço e visualizou o pingente na palma de sua mão. Padmé havia pedido que guardasse aquilo com ele para que se lembrasse, mas do que exatamente? De que havia falhado com eles? No final das contas, não precisava de nada para se lembrar. Sabia que aquilo o acompanharia pelo resto da vida.

—Padmé me deu isso, mas não sei o que é. — Ele disse, tentando conter a emoção. Algo me diz que significava muito para ela, provavelmente fora um presente de Anakin. Mestre... — Yoda o interrompeu.

— Devolver ao verdadeiro dono, você deve! — Yoda Disse com firmeza. — Lembranças de um passado que não lhe pertencem, é o que vai ter se carregar isso com você.

Obi Wan engoliu em seco e assentiu. Mestre Yoda estava certo. Se mantivesse aquilo com ele, seria apenas mais um meio de tortura para sua existência condenada. Por mais que quisesse guardar aquele precioso artefato consigo, não era o certo.

— Eu irei mestre. — Deixou o braço cair ao lado do corpo. — Eu irei.

Obi Wan não teve oportunidade de ver o corpo de Padmé depois. Não que ele quisesse, só de pensar nisso seu estomago se revirava. Mas era preciso, ele tinha que devolver o colar a ela. Apesar de ter dito que o guardaria, o colar era uma relíquia preciosa e deveria ficar com ela. Anakin iria preferir que fosse assim.

Quando ele, Mestre Yoda e Bail Organa decidiram que Padmé deveria ser enterrada em Naboo, o planeta natal da senadora, ele achou que teria uma chance de devolver o colar antes que o corpo fosse encaminhado para lá, porém não teve tempo. Anestesiado pelos últimos acontecimentos e informações que havia recebido de Mestre Yoda, observou angustiado quando o corpo, dentro de uma capsula metálica e muito bem vigiado, foi encaminhado para a nave de transporte de Naboo. Seria um cortejo rápido, para não levantar suspeitas. A segurança das crianças era a prioridade.

Apesar de arriscado, partiu com Bail Organa em direção a Naboo. Teria apenas uma ultima chance de devolver o pingente a Padmé, antes que fosse tarde demais. Depois que ela fosse enterrada, ele partiria e passaria o resto de seus dias em Tatooine, cuidado do pequeno Luke.

— Eles estarão lá, mestre Kenobi. — Comentou Organa. — Tem certeza de que quer fazer isso? O império parece sentir que há alguma coisa errada. Haverá muitos guardas a postos por todos os lados.

De pé, um pouco a frente do senador, Obi Wan massageava a barba enquanto olhava através da enorme vidraça do quarto. Lá em baixo, as pessoas se aglomeravam na rua para poderem prestar suas ultimas homenagens a Padmé Amidala.

— Tenho. Preciso fazer isso. — Ele respondeu. Com a outra mão, que pendia ao lado do corpo, segurava fortemente o colar. Não o soltara um minuto sequer desde que Padmé o entregou a ele.

A cerimonia foi programada para iniciar assim que o corpo desembarcasse. Havia um sentimento de melancolia no ar. Com pessoas de luto por toda a parte, não seria difícil para o jedi se misturar entre elas. Vestindo seu manto e com o capuz cobrindo praticamente todo o seu rosto, Obi Wan caminhava apressadamente entre a multidão. Não podia demorar-se. Além de correr o risco de chamar a atenção dos Soldados, ainda tinha uma longa viagem pela frente: Levar Luke até seus tios, que moravam em Tatooine.

Embora mestre Yoda demonstrasse seu nervosismo com o plano, Kenobi não viu alternativa. Sua intenção era devolver o pingente diretamente para as mãos frias de Padmé, só assim teria certeza de que o colar não iria se perder para sempre. Apesar de mórbido, era o único jeito de apaziguar seu coração. Não teria sossego sabendo que o precioso elo entre o casal havia se perdido.

Caminhado apressadamente entre as pessoas, acabou esbarrando numa senhora e pediu desculpas, retomando a caminhada logo em seguida. Precisava manter-se focado, ou não conseguiria. Levantou um pouco a cabeça e avistou o inicio do cortejo alguns metros à sua frente. Se corresse, alcançaria o caixão antes que chegasse ao destino final.

Arrumou o capuz e apertou o passo. Por mais que pensasse que era o certo, não sabia se teria coragem de encarar o rosto sem vida da Senadora.

— Concentre-se! — Murmurou para si mesmo.

Levantou a cabeça novamente e percebeu que andara mais do que o cortejo. Vagarosamente, a capsula em que descansava o corpo de Padmé se aproximava de sua posição, sendo seguida de seus familiares e logo atrás, Obi Wan avistou Jar Jar e alguns representantes de seu povo. Não viu nenhum soldado imperial por perto, mas aquilo não significava que estava em segurança. Qualquer passo em falso e tudo estaria perdido.

Relutante, o Jedi se enfiou no meio das pessoas e chegou à outra extremidade, que dava direto para a rua pela qual passava o cortejo. Não teria outra oportunidade. Teria que ser rápido e discreto. Com o coração acelerado, começou a duvidar de sua capacidade. Olhou ao redor e percebeu para seu espanto que algumas pessoas o encaravam, desconfiadas. Não as julgava, pois seu comportamento era totalmente suspeito.

Respirou fundo e voltou sua atenção para o cortejo que se aproximava. 5 metros... 3 metros... 1 metro... Pulou da calçada para a rua e parou quando a capsula fúnebre de Padmé passou diante de si. Sabia que o simples movimento de se inclinar para perto da capsula chamaria a atenção, mas fez mesmo assim.

Aproveitando o rápido momento de distração dos familiares que vinham logo atrás da capsula, colocou o pingente sobre a barriga saliente dela e enrolou o cordão nos dedos gelados da mão de Padmé e só então teve coragem o suficiente para encarar sua face.

Para seu alivio, ela parecia apenas estar dormindo. Não havia dor nem sofrimento em seu rosto, apenas uma expressão serena e angelical.

— Que a força esteja com você, minha querida. — Ele murmurou e tirou rapidamente a mão, escondendo-a por baixo de seu manto.

Olhou para os lados e sutilmente, entrou na multidão novamente. Angustiado, deu uma ultima olhada para a capsula e por um instante, uma fração de segundos, ele viu de relance Anakin deitado ao lado de Padmé. Estavam de mãos dadas e de olhos fechados. Os dois tinham uma expressão calma e suave, como se enfim tivessem encontrado a paz ao se reencontrarem quando Obi Wan devolveu o pingente que Anakin havia dado a Padmé, como prova de seu amor.

O Jedi Balanaçou a cabeça assutado e olhou novamente. Dessa vez viu apenas Padmé, parecendo segurar com afinco o pingente. A mente às vezes pode ser traiçoeira, pensou o Jedi.

Teria ficado até o fim do cortejo se não fosse os guardas que vinham em sua direção. Não sabia de onde tinham saído. Provavelmente estavam bem escondidos, observando qualquer atividade suspeita. Era obvio que o viram perto da capsula da Senadora e iriam lhe questionar do motivo. Sem alternativa, acelerou o passo em direção a uma viela, onde conseguiu despistar os guardas que vinham em seu encalço.

Sozinho naquela viela, Obi Wan retirou o capuz e escorregou pela parede, até sentar-se no chão. Em tão pouco tempo, havia perdido tudo que lhe era mais importante e não conseguia deixar-se de se sentir culpado. Será que um dia deixaria de sentir tanta culpa? Será que um dia a luz voltaria a iluminar a galáxia?

Uma lembrança então surgiu em seus pensamentos. Lembrou-se de uma das ultimas conversas que tivera com Padmé antes de tudo acontecer.

— Eu não sou cego Padmé, embora eu tenha me esforçado muito para ser durante todos esses anos. Sempre soube do amor que Anakin nutria por você, desde que vocês se conheceram naquela loja onde ele, sendo um escravo na época, trabalhava. — Obi Wan fitou Padmé com ternura, não queria que ela se sentisse ameaçada ou que sentisse que sua privacidade estava sendo invadida por ele. — Ele nunca tentou esconder isso e eu sempre respeitei; eu apenas fingia que não sabia para que ele não se sentisse pressionado. — Ele pousou a mão no ombro da Senadora. — Saiba que apesar de tudo, fico contente por ele e por você, pois você o fez feliz quando nada mais poderia realmente.

Padmé ficou muda, sem saber o que dizer a respeito. De repente seus olhos se encheram de lagrimas e ela sorriu com carinho para Obi Wan a sua frente.

— Isso me deixa muito aliviada, Obi Wan. —Ela disse enxugando com a mão as lagrimas. —Obrigada por ser tão bom para nos, meu querido amigo.

— Saiba que poderão sempre contar comigo. — Ele retribuiu o sorriso. — Diga isso a Anakin por mim, quando se encontrarem.

A imagem então se desfez e Padmé se tornou um borrão, deixando o Jedi sozinho novamente no beco úmido e escuro. A multidão já havia se dispersado, indicando que o cortejo terminara. Por um momento, imaginou se ela tinha tido a oportunidade de dizer.

Emocionado, ele Olhou para o céu escuro e lembrou-se de que ainda tinha uma ultima missão a cumprir e por mais que estivesse destruído, não podia parar. Não agora. A Galáxia estava mergulhada na escuridão, tomada pelo lado negro. Poucos haviam restado para defende-la e ele precisava ser forte para lidar com o futuro incerto e traiçoeiro que o aguardava.

— Ainda há esperança. — Ele sussurrou para si mesmo no escuro. — Tem que haver.

Notas finais
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