Notas iniciais
Boa leitura!

– E o que eu farei com um presente de um traidor? — Daenerys perguntou para Jorah. Seus olhos estavam mais frios do que o inverno da Longa Noite.

Fechou a mão em punho para que ninguém percebesse que estava tremendo. Se remexeu no desconfortável Trono de Ferro.

Olhou de relance para Sor Barristan, sua expressão indiferente. Olhou para Daario, e depois para Jorah novamente. Oh, meu urso.

– Minha Rainha... — Começou Jorah. — Eu sei que errei, mas peço sua misericórdia. — O homem se ajoelhou e abaixou a cabeça por alguns segundos. Seu peito subia e descia, mostrando que estava nervoso. Quando levantou seu rosto para olhá-la nos olhos, Dany percebeu que o homem estava chorando. Apertou mais as mãos no Trono até que sentiu que havia se cortado, mas não se importou. — Trouxe Tyrion Lannister. Um dos homens da família cuja assassinou seu pai.

– Então você me dá a cabeça do anão e eu te perdoo? — Daenerys perguntou, sua voz fria como uma muralha de gelo. — Como posso confiar em você novamente?

Ouve um silêncio.

– Rainha... — O anão se manifestou. — Gostaria de dizer algumas palavras. Eu posso ajudá-la. Aconselhá-la. Não é fácil de se manter em Westeros...

Não, não é mesmo. Tudo que eu queria era a casa da porta vermelha, refletiu Daenerys.

– Cale-se. — A Rainha de Prata ordenou. — Verme Cinzento. — O Imaculado a olhou, esperando o comando. — Prenda Sor Jorah Mormont.

– Minha Rainha... — Começou a protestar, mas Verme Cinzento logo o deteu. O urso não pareceu resistir por muito tempo, e se deixou levar.

Não o matarei, decidiu. Respirou fundo e olhou para Tyrion Lannister.

– Sor Barristan, prenda Tyrion Lannister até eu saber o que farei. — E rapidamente seu velho cavaleiro obedeceu.

O anão fez algumas objeções, mas Daenerys já não estava ouvindo. Só conseguia pensar no rosto de Jorah quando mandou prendê-lo.

Desceu do Trono de Ferro e fitou Daario nos olhos. Seu mercenário estava acariciando sua arma com silhuetas de mulheres nuas. Normalmente aquilo a deixava excitada. Mas não hoje.

– Leve papel e tinta para os meus aposentos. — Ordenou a Rainha para Daario.

xxx

Fizeram amor naquela noite, pois Daenerys pensou que esse seria o único jeito de esquecer seu passado, seus demônios. Meus filhos em Meereen... Meus dragões, meu Jorah...

Daenerys esperou Daario adormecer. Quando isso aconteceu, se desvencilhou de seus braços quentes e se cobriu com a manta que havia ganhado de Drogo, há anos atrás.

O que farei?, se perguntou enquanto sentava-se numa cadeira de madeira e acendia uma vela. Na sua frente, havia um papel. Molhou sua pena na tinta e começou a escrever.

"Tyrion Lannister foi aprisionado sobre o comando de Rainha Daenerys, Primeira de Seu Nome, Rainha dos Ândalos e dos Primeiros Homens e Mãe de Dragões, acusado de traição.
O homem poderá ser solto com uma condição: se o Regicida Jaime Lannister se apresentar na corte para pagar por seus crimes. Caso contrário, Tyrion Lannister paga com a vida."

Leu algumas vezes a carta antes de selá-la com o Dragão de Três Cabeças.
Colocou um vestido simples e desceu até os aposentos do Meistre.

– Vossa Graça. — Disse Qyburn, sonolento. — A que devo a honra de sua presença?

– Preciso que envie isto aqui. — Disse enquanto lhe entregava o pergaminho.

– É claro. Neste momento, Vossa Graça. Para onde devo enviá-lo?

Daenerys demorou alguns segundos para responder. Rochedo Casterly. Sor Barristan me disse que esta é a Casa dos Lannisters. Seu coração começou a bater mais rápido só com a expectativa de que estaria cara a cara com o homem que matou seu pai em breve. E então poderei ter sua cabeça.

– Rochedo Casterly. — Respondeu sombriamente.

Notas finais
Gostaram? Comentem, por favor. :3