Oasis

8 Loira Alienígena


Notas iniciais
Estava com tempo, disposição e sem nada pra fazer, então resolvi ser legal e postar o próximo de uma vez. Curtam o presente e deixem sua opinião. É muito importante pra mim!

"– Eu nunca comi mais meninas do que posso contar – Disse o idiota, olhando pra mim.

E eu só pensava: "Caralho, vou ficar chapado pra porra"

Suspirei e tomei mais um gole.

Essa noite seria longa."

– Ah, coitado do Logan – Disse Iris falsamente triste.

– Quem mandou ser um puto.

– Obrigado pelo apoio, gente – Ironizei.

Com amigos assim, quem precisa de inimigos, não é mesmo?

– Eu nunca transei com a minha melhor amiga ou amigo – Falou Art olhando curiosamente para mim e Iris.

Então, ele estava interessado nisso? Sorri maliciosamente. Será que estava de olho na minha melhor amiga?

– Fazer o que, a Iris é irresistível – Dei de ombros e bebi mais um pouco.

– Não dá pra negar fogo pra esse ruivo – Afirmou ela antes de dar um gole na garrafa.

Olhei para o moreno a minha frente e sorri malandro enquanto ele arqueava as sobrancelhas com desinteresse.

– Bom, já imaginava – Ditou Art, coçando a parte de trás da cabeça.

Hm, que isso, ehm jovem? ‘Tá afim mesmo da minha melhor amiga?

– Vamos dizer que o Lolo foi o meu primeiro, mas já tem tempo – Riu a menina. É impressão minha ou ela já estava um pouco alterada?

Minha cabeça começou a vagear nas possibilidades do que poderia ter dentro daquela garrafa para fazer efeito assim tão rápido.

– Foi um desastre – Ri um pouco, lembrando-me do dia. Estava começando a sentir os efeitos do álcool depois da terceira dose.

– Mudando de assunto, agora é minha vez – A menina deitou-se no meu colo e ficou pensativa por um tempo, pra logo depois sorrir maliciosamente em direção a Art – Eu nunca fiquei com duas meninas ao mesmo tempo.

O loiro engoliu em seco e sorriu amarelo. Então nem mesmo ele era santo. Ri internamente.

Fiquei pensando no que diria, já que era a minha vez, até me lembrar de algo que havia me incomodado por um tempo e que estava muito curioso em relação a isso. Não teria outra oportunidade pra receber uma resposta. Acho que esse era o momento.

– Nunca fui virgem – Fitei o russo intensamente que apenas deu de ombros e bebeu da garrafa.

Então era isso? Ótimo saber.

Porque essa sensação de alívio me preencheu?

Vi quando o rosto do menino começou a ficar um pouco vermelho. Quer dizer que ele não tem tolerância para bebida? Outra informação importante que consigo hoje.

– Essa matou minha curiosidade – Sorriu satisfeita a menina – Sabe, eu posso resolver o seu problema, gostosinho.

Levantou com um sorriso malicioso e sentou-se no colo do idiota, passando a mão pelo seu cabelo para que a franja não ficasse no caminho dos seus olhos.

Que abuso é esse?

Apesar de sentir uma imensa vontade de rir pela situação. Queria só ver a cara dela quando eu contasse que o cara era gay.

Grey estava mesmo um pouco alterado, para nem mesmo se mexer com o movimento mais ousado da garota, não a xingou e nem a afastou. Isso era novidade.

– Eu nunca comi aquela loira aguada da festa mais de uma vez – Era a vez do russo e eu me assustei ao saber que ele estava curioso quanto a isso.

Sorri maliciosamente ao mesmo tempo em que tomava mais daquele líquido sem nome. Estava fodido. Acordaria com uma puta ressaca no dia seguinte.

– Quem é essa? – Perguntou Iris com desgosto, saindo de cima do menino e vindo pra cima de mim.

A menina não era muito grande, devia ter um metro e sessenta e cinco centímetros e, apesar do corpão, cabia perfeitamente no meu colo.

Nunca conheceria alguém mais carinhosa do que ela. Não vive sem um contato direto.

– Uma tal aí que eu fico de vez em quando – Dei de ombros, não querendo continuar com aquele assunto.

Vi o olhar desgostoso de Grey e pensei que ele ficava muito mais sincero quando bêbado. Essa brincadeira estava interessante, tirando pelo fato que minha cabeça começava a rodar.

– De vez em quando? Ela estava aqui hoje, não é? Não vai torcar sua melhor amiga linda e gostosa por uma loira vadia, não é? – A morena bêbada era a pior coisa do mundo.

Se ela já falava demais quando sóbria, nesse estado era dez vezes pior.

Sempre fazia questão de arrumar um barraco.

– Não, princesa. Ela não estava aqui.

– Ebtão estava quando?

– No início da semana.

– Que nojo. Você é um puto idiota – Mostrou a língua e foi sentar nas pernas do gostosinho novamente.

– É um vadio mesmo! – Irritou-se o Ivanovich.

Ouvi a risada de Art e fuzilei-o com o olhar.

– Não é? – Disse Iris animada e fitando o moreno com carinho e aprovação – Você me entende, não é, gostosinho?

– Entendo – Colocou as mãos na cintura dela e arregalei meus olhos. Que porra era essa? – O Logan é uma porra de um vagabundo!

– Isso mesmo!

Estava morto de raiva, que era intensificada pelas três doses que havia tomado antes. Tudo piorou quando Art começou com uma crise de risos e eu queria mata-lo.

O desgraçado me odeia, mas, quando é pra me xingar, se junta com aminha melhor amiga.

Que tipo de amizade era essa que tinha?

– Tá, agora sou eu – Respirou fundo o loiro para parar rir – Eu nunca gemi e xinguei o Logan enquanto dormia na aula.

Seu olhar era provocativo para o moreno de cabelos diferentes, que apenas desviou os olhos para qualquer canto do quarto que não fosse nenhum de nós.

– Nunca fiz isso.

– Mentira que eu vi. Não adianta negar.

– Então quer dizer que anda tendo sonhos eróticos comigo? – Sorri malicioso.

– Nunca!

– Bebe, Grey – O loiro de farmácia esticou a mão com a bebida ao menino, que, resignado, tomou mais um gole e ficou mais vermelho enquanto fazia uma careta.

– Até dormindo? ­– Riu a morena – Boa, Grey!

Levantou a mão, esperando que ele tocasse a dela e foi o que o idiota fez. Revirei os olhos.

– Não ria da minha desgraça – Resmunguei.

– Estou de mal contigo, Lolo. Não me contou da loira piriguete.

– Hm... Não me lembrei? – Fiz cara de inocente e fui respondido com um olhar fuzilante.

A menina agora estava deitada com a cabeça no colo de Art e as pernas em cima do outro garoto. Folgada!

Nesse momento, percebi que estava muito chapadão porque não conseguia ser discreto e quase comia o Ivanovich com os olhos. Estava muito gostosinho naquela roupa meio larga.

Bufei, insatisfeito comigo mesmo.

Eu não era tão necessitado assim, não era desse jeito desesperado. Não ficava correndo atrás que nem um cachorrinho. Isso porque, geralmente, não precisava.

Por isso gostava de um desafio. E ele era um dos grandes.

Porém a questão que me incomodava nisso tudo e me deixava confuso, nem era o fato de que sua personalidade era horrível, mas o fato de ser um homem.

Não que eu fosse um homofóbico de merda ou tivesse preconceito. Isso tudo era novo demais pra mim. E a bebida piorava tudo. Impossiblitava-me de pensar.

Tudo isso me irritava profundamente.

– Eu nunca despi o Logan com os olhos nesse momento – Não tinha nada mais criativo não, Iris?

Espera...

O Grey BEBEU?

Fiquei meio surpreso, mas aquela confusão dentro de mim ainda incomodava demais. Queria provoca-lo por isso, mas não sabia o que fazer. Estava estressado. Não consegui pensar e a única coisa que me vinha a mente, faria-me um total filho da puta.

– Nunca contei que era primo do Grey – Acusei.

Art olhou-me ofendido e com raiva por um momento, mas pareceu pensar um pouco logo depois e suspirou, balançando a cabeça em negativa.

Meu corpo pegava fogo e eu estava com a cabeça rodando. Droga.

– Você é um baita de um filho da puta, Logan – Rosnou – Só te perdôo por dois motivos: Está totalmente bêbado e eu não sabia como falaria isso pra ele. Agora não preciso mais.

– Como assim? – O russo estava confuso.

– Isso mesmo que você ouviu.

Eles começaram a conversar, mas minha atenção não saía da cueca vermelha que o moreno usava e que estava a mostra por causa de um movimento descuidado.

Porra.

Porra.

O que eu faço?

Isso me incomoda tanto.

Não sou gay. Nunca senti isso por homem nenhum.

Ah, tive uma ideia.

Eu sei que isso não era certo, mas... Era a única coisa que me aliviaria nesse momento.

Peguei o meu celular no bolso da calça e disquei um número. Foram precisos três toques para que a ligação fosse atendida.

– Oi, loirinha – Disse quando ela atendeu – ‘Tá livre agora? Pode vir aqui em casa? Urgente?!

A atenção dos outros presentes no quarto foi totalmente focada em mim naquele momento. Iris me olhava com raiva e decepção. Não podia fazer nada. Queria me livrar daquele sentimento estranho e esse era o único jeito que eu conhecia.

Ou que consegui pensar naquela hora.

Ela disse que chegaria em dez minutos e guardei o aparelho de volta no bolso.

– Não acredito nisso – Minha melhor amiga balançava a cabeça em incredulidade.

– Estou precisando.

– A merda que ‘tá precisando, seu idiota – Xingou com raiva.

– Eu volto agora, ‘tá?

– Morre por lá – Rebateu Grey.

– Nós estamos na sua casa, Logan.

– Não faz mal. Daqui a uma hora estou de volta, não vou fazer barulho.

Levantei-me sem olhar pra trás e desci rapidamente até a porta, pra logo depois abri-la e sentar-me na frente da mesma, na calçada.

Eu sei que estava sendo um cretino, mas aquela sensação era sufocante. Eu queria, mas não podia. Não sabia como era isso. Não tinha sentido isso por homens antes e, por algum motivo, não queria sentir agora.

Provoca-lo estava tudo bem. Deseja-lo... Eu sei que sentia isso. Mas esse desejo era demais.. Dava uma sensação de sufoco. Não queria isso.

Eu odiava aquele menino.

Suspirei e logo pude sentir alguém tocando meu ombro. Quando fui olhar, era ela. Em uma saia curta e uma camiseta preta básica que tinha um belo decote. Levantei-me e parei perto da menina.

– Tudo bem? ‘Tava parecendo meio desesperado pelo telefone – Indagou com preocupação.

Era ruim saber que eu não ligava pra essa preocupação. Eu me sentia mais cafageste do que já era.

– ‘Tá tudo tranquilo. Vem – Estendi a mão pra ela enquanto sorria amavelmente – Vamos entrar.

Depois de entrar e trancar a porta, subi em direção ao quarto de hóspedes. Quando coloquei-me lá dentro, fechei a porta e sorri maliciosamente pra ela.

– Por que não vamos pro teu quarto? – Estava com uma expressão confusa. Alice já tinha estado ali umas duas vezes.

– Tem gente lá – Não devia satisfações a ela.

A menina olhou-me duvidosa por uns instantes, mas logo deu de ombro e veio caminhando em minha direção com um olhar felino. Os olhos claros reluzindo de desejo e satisfação.

Quando estava a milímetros do meu corpo, enlaçou meu pescoço e lambeu os lábios. Inclinei-me e capturei seus lábios pequenos e com gosto de batom.

Essa merda era horrível, mas o beijo afoito me fazia esquecer certas coisas.

Fomos andando quase caindo em meio aos beijos até a cama que ficava ali, debaixo da janela grande que iluminava o quarto com a luz da lua.

Caí na cama, fazendo questão que o corpo pequeno e curvilíneo da loira ficasse por cima do meu. Parei o beijo para dar-lhe um sorriso sacana e retirar-lhe a blusa com pressa.

Tinha uns seios grandes e redondos escondidos por um sutiã de renda vermelho. Essa cor me fez lembrar a cueca do russo e fiquei tenso. Estava fazendo aquilo justamente para esquecê-lo. Suspirei e fitei o rosto da menina que me olhava curiosa. Agarrei sua cintura fortemente, prensando-a mais contra meu corpo.

– Fica por cima hoje, vai – Pedi manhoso com o olhar brilhando.

– ‘Tá, se quer assim. Seu safado – Sorriu libidinosa.

E voltei a beija-la. Dessa vez com mais desejo e muito mais intesamente do que a primeira. Desci uma alça do sutiã no meio tempo e infiltei uma de minhas mãos pela saia minúscula que a loira usava. Apertei suas coxas roliças e ouvi seu suspiro sendo abafado pelo meu beijo.

Suas mãos estavam passando por todo o meu abdomén coberto pela camisa, mas logo passou a tocar minha pele diretamente.

Quando meu corpo começava a reagir, ouvi um estrondo. Parei o que fazia na hora e olhei para o local do barulho. A porta tinha sido aberta com violência e lá estava um Grey Ivanovich completamente alcoolizado, escorado na parede.

A garrafa da minha melhor amiga balançava em suas mãos enquanto ele me olhava com fúria.

Logo pude ouvir a menina gritar com a presença de outra pessoa no quarto, pegando rapidamente sua blusa para se esconder.

– O que você quer aqui? ‘To meio ocupado, sabe – Rosnei.

Estava com raiva e bêbado. Não podia dar nada de bom. Toda vez, toda santa vez! O desgraçado fugia de mim, me dava patadas e agora se achava no direito de entrar no meu quarto e acabar com minha diversão?

A menina olhava-o como se pudesse mata-lo a qualquer momento.

– O que essa bicha veio fazer aqui? – Perguntou com desgosto e nojo.

Fiquei com raiva do tom usado, mas suspirei.

– Veio fazer um trabalho aí.

– E por que ele está aqui até agora? – Voltou a indagar com autoridade.

Espera. Quem ela achava que era pra falar como se fosse minha dona? Revirei os olhos, sem paciência. Só me faltava essa agora.

Sempre deixei claro que não tínhamos nada e ela sabia.

– Não é da sua conta, vadia! – Cuspiu Grey com raiva – Só levanta essa vagina usada sua e sai daqui!

– Quem vai embora é você. Se não percebeu, estamos ocupados e você está atrapalhando.

– Logan – Ignorou a menina – Você me obrigou a ficar aqui, agora aguenta. Manda essa loira alienígena pra casa porque não sou obrigado a ficar ouvindo seus gemidos.

– Eu fico – Gritou ela – Se não quer ouvir, que vá embora daqui. Além do mais, eu tenho algo que você não tem e é exatamente o que esse ruivo aqui gosta. Não tem nada pra você aqui.

– Ah é assim? – Começou a rir – Então vamos ver.

No instante seguinte, o moreno subiu na cama, agarrou a menina pelos cabelos e jogou-a no chão. Fiquei sem reação pelo susto. Não sabia o que fazer além de olhar apavorado com a boca aberta em um ‘o’ perfeito.

– Você não fez isso, seu gay nojento – Esbravejou com os olhos ardendo em fúria.

Alice não deixou barato e foi pra cima do menino, dando um tapa forte na cara dele e arranhando-o com suas unhas enormes e pintadas de rosa.

Deu uma rasteira na menina e subiu em cima dela, com o olhar mortal.

– Sai daqui! Sua vadia de quinta!

Vi quando ela chutou suas partes baixas e Grey caiu pro lado, em posição fetal e gemendo de dor. A menina se levantou e olhou-o superior.

Eu ainda estava abobalhado com tudo e sem saber o que fazer.

Logo o garoto se recompôs e levantou-se do chão, agarrando os fios loiros e arrastando-a pra fora do quarto. Nesse momento, saí do transe e reagi. Fui começar a segui-los, mas parei quando vi Art e Iris na porta do meu quarto, rindo quase que histericamente. Fuzilei-os com o olhar.

– Grey! – Gritei, mas ele não me ouviu. Suspirei sem saber o que fazer – Me ajuda, seus idiotas. Ele vai matar a garota! – Pedi “carinhosamente” aos meus amigos.

– Não tenho nada a ver com isso – O loiro levantou as mãos em sinal de paz.

– Bem feito! Ninguém mandou chamar essa escrota com a gente aqui – A morena deu de ombros e eu suspirei, saindo correndo escada a baixo.

A minha sorte era que a minha mãe e pai estavam em uma festa essa noite.

Quando cheguei no andar inferior, vi o menino empurrando fortemente a garota porta a fora enquanto ela se debatia e tentava acerta-lo com as unhas. Seria engraçado, se não fosse preocupante.

– Grey, pelo amor de Deus, para com isso. Vai machucar a Alice – Intervi. Não queria tragédia na minha casa.

Imagina a manchete do jornal do dia seguinte: “Estudante de escola particular mais conceituada do Rio mata colega por causa de sexo”, ou algo assim.

– Ah – Riu sarcástico – O nome disso é Alice? Nome de puta mesmo.

Peço desculpas para todas as meninas chamadas Alice em nome desse asno.

– Grey – Adverti com um tom sério e vi-o rolar os olhos – Alice, por favor, vai pra casa. Já está tarde. Vão acordar os vizinhos.

– Eu que tenho que ir?! – Disse ultrajada – Vai defender ele, Logan?

– Não estou defendendo ninguém.

– Então manda que ele vá embora daqui.

– Não dá. Não ‘tá vendo que o garoto ‘tá bêbado demais?

– Não estou bêbado, seu ridículo – Deu-me um soco doloroso nas costas.

– Ai, cacete. Fica quietinho ali no canto da disciplina, Grey – Tratei-o como uma criança e fiz com que o moreno sentasse quieto no último degrau da escada.

– Você me paga, Logan! – Gritou a menina.

– Alice, vai, por favor. Depois a gente conversa.

– Você prefere comer esse daí então? – Riu com desgosto e amargamente – Tudo bem, mas você ainda me paga por isso.

Dito todo esse discurso que merece um óscar, ela saiu batendo a porta como se tivesse em uma novela mexicana. Acho que eu tinha me metido numa desgraça quando decidi comer essa daí.

Nem liguei pras ameças e puxei Grey, pegando-o e colocando no meu ombro e, mesmo com os vários protestos, chutes e socos, consegui leva-lo para o quarto de hóspedes, já que o meu estava trancado com meus dois amigos lá dentro.

Filhos da puta! Eles queriam me jogar na jaula do leão.

Meio cambaleante (ainda estava bêbado, caralho), entrei no quarto e coloquei o russo na cama, que se encolheu e escondeu-se com o lençol que havia ali.

– O que foi isso? – Indaguei logo depois de suspirar.

– Não te interessa e não fala comigo – Resmungou.

Ouvi um gemido de dor da parte dele e sentei-me na beirada da cama, puxando a coberta para olha-lo nos olhos. Suas orbes estavam semi-cerradas, como se fosse difícil ficar com os olhos abertos.

– ‘Tá tudo bem?

– Logaaan – Chamou-me manhosamente, prolongando uma letra do meu nome. Seu tom foi tão diferente que arregalei os olhos e fiquei surpreso. Nunca, na eternidade, pensei que seria possível que ele usasse uma voz assim – Meu estômago dói.

Então esse era o Grey bêbado?

Interessante.

– É claro. Aposto que não está acostumado a beber.

– Cala a boca – Encolheu-se mais ainda na cama e fechou os olhos.

Levantei-me da onde estava e fui ao banheiro, que havia naquele mesmo andar, pegar um comprimido para que ele pudesse beber. Quando voltei, dei pra o menino beber.

– Não vou te agradecer – Resmungou.

– Não esperava que fizesse isso – Sorri.

Era o Grey afinal.

– Vou ter que dormir aí – Apontei pra cama – Não tem colchão aqui e os dois idiotas tracaram meu quarto.

– Dorme no chão, Logaaan – Coçou os olhos.

– Mas a cama é minha – Reclamei.

– Não estou nem aí.

Não liguei para a sua negativa, apenas tirei o chinelo que usava e deitei-me ao seu lado na cama. O menino se distanciou o máximo possível de mim.

– Você vai me bater amanhã, não é? – Virei-me para ele que estava deitado de lado, com o rosto virado para o meu, os olhos fechados e as mãos juntas, como se rezasse, debaixo da cabeça.

Ele era lindo quando estava de boca fechada. E seu cheiro de morango impregnava todo o ar do quarto.

Percebi que já dormia por causa da sua respiração ritmada e calminha. Depois de um tempo, ouvi-o resmungar em meio ao sono:

– Com certeza. Eu te odeio, ruivo.

– Eu também, russo – Sorri.

Notas finais
Muito obrigado pela leitura! Qualquer dúvida, pode perguntar!