OTH - Dias de Luta

14 Ao Que Devo Agradecer parte 2


Notas iniciais
Segunda parte dos acontecimentos do dia de ação de graças. Espero que gostem!

#Narrador

O dia de ação de graças é, tecnicamente, o dia em que você deve agradecer pelas bençãos recebidas naquele ano, mas não para Tree Hill, não naquele ano. Um garoto em coma, uma vadia a solta, um casamento sendo adiado pela terceira vez, e uma mulher de cabelos negros, entrando em uma boate que planejava sua primeira festa depois de dois meses, procurando por Ellie. Ela já sabia exatamente quem era e sabia exatamente o que faria.

– Em que posso ajudar? — perguntou, com um sorriso no rosto, fingindo que não sabia quem ela era.

– Anna, é você? Sou eu, sua mãe Rita — ela disse, tentando capturar a mão de Ellie por cima do balcão do bar — Não se lembra de nada?

– Não, eu não me lembro, mas sabia que você viria. Venha — contornou o balcão do bar e a agarrou violentamente pelo braço — Vamos conversar em um lugar mais privado, mamãe.

As duas entraram no banheiro e Ellie trancou a porta. Uns minutos depois, alguém bateu e ela abriu, deixando Lydia entrar e trancando a porta novamente.

– Rita, como vai? Só precisamos de uma coisinha. Ainda mantém contato com a sua patroa, a Jen? — Lydia perguntou, bem séria e direta. Ellie percebeu quando a mãe começou a tremer.

– Eu não... Eu não sei do que estam falando — gaguejou, andando até a porta — Abram essa porta! Eu juro que irei embora e sumirei de sua vida.

– É mesmo? — Ellie cruzou os braços.

– Estou cansada desse papinho de mãe e filha — Lydia se meteu, encaixando a mão com vontade no couro cabeludo de Rita e puxando-a com força em direção aos espelhos perto das pias, que estavam postas em uma fileira organizada — Eu estive presa, vale ressaltar. Se eu quiser dar com sua cara nesse espelho, varias vezes, até ele finalmente quebrar, eu faço. Sem piedade, Rita! Agora, sobre a Jen... Você ainda tem contato com ela?

– Eu não posso — Rita resmungava, entre lágrimas — Filha, por favor...

E Lydia acertou-a contra o espelho pela primeira vez. Ellie sentiu um arrepio, então preferiu olhar para o lado. Um arranhão com uma gota de sangue se formou na testa de Rita.

– Acha que estou brincando? Você ainda tem contato com a Jen? Eu posso ficar aqui o dia todo, Rita. Bater em vadias é muito prazeroso — Lydia gritava e seu tom ameçador causava mais lágrimas em Rita.

– Está bem. Eu falei com ela nesta manhã. O que querem? — finalmente cedeu.

– Ligue para ela. Diga que a sua Anna caiu direitinho no papo da mamãe e que quer se encontrar com você de novo. Seja convincente. Aquela ali sente cheiro de armação de longe. Peça para se encontrar com ela em um lugar privado e peça dinheiro. É a sua cara exigir mais dinheiro. Faça agora!

– Esta bem. Não grite — Lydia a soltou e ela pode pegar no celular, colocando-o no viva voz, Jen atendeu-a.

Está tudo bem? Foi até a boate da vadia?

– Sim, Jennifer, eu fui. A garota é tão ingênua que caiu na minha. Almoçaremos juntas — disse. Até mesmo Lydia estava convencida, pelo jeito que ela falava.

Perfeito, Rita. Você sabe que eu não gosto de ferir as pessoas, mas, se você não tirar essa melequenta da cidade, eu acabo com ela.

– Eu quero dinheiro para levá-la a um restaurante chique. Preciso impressioná-la.

O que for preciso. Me encontre no Pier. Está meio sujo, mas dá para te receber. Você não se impressiona fácil, ou se impressiona?

– Para mim está perfeito, Jennifer — e desligaram — Agora posso ir?

– E avisá-la? Não. Ficará até eu chegar no Pier — disse Ellie — Ajude Davis com a festa, Lydia, depois que liberar essa dai, caso eu demore.

Antes de ir atrás de sua inimiga, Ellie resolveu dar uma passada no hospital.

A caminho do quarto de Logan, ela fora parada pelo jovem doutor Stanfield, que estava de jaleco, como sempre.

– Veio visitar seu namorado? — perguntou em um tom quase confidente.

– Sim. Ele esta bem? Alguma mudança? — ela queria ouvir que sim, que ele estava acordado e saldavel como sempre. Deixaria até mesmo seus planos de lado e ficaria com ele.

– Logan ainda esta em coma. Sinto muito.

Ela se afastou e entrou no quarto. Sarah estava sentada em uma cadeira, enquanto Quinn segurava seu ombro de pé.

– Sarah. O medico disse que ainda...

– É — seu tom era triste e cansado — Não viu Jude e meu pai por ai, viu?

– Sinto muito — respondeu. Sarah acariciava a mão de Logan entre as suas. Ellie fez o mesmo com a outra mão — Querem ir procurá-los? Eu cuido dele.

– Esta bem — Quinn respondeu.

Depois que elas sairam. Ellie se sentou aonde Sarah estava e ficou em silêncio.

– Me desculpe — disse, depois de um tempo — Eu devia ter ficado com você quando disse. Não teria me deixado pela Jen se eu tivesse deixado você me fazer sua. Em parte, foi porque eu já era sua de qualquer maneira — ela beijou a mão dele — Sua mão está fria. Eu amo você, meu cabeça dura. Faço qualquer coisa...

Ela se levantou, beijou-o de leve nos lábios e saiu.

No caminho para o Pier, ela passou na delegacia. Thomas, o delegado, estava sentado atrás da sua mesa no escritório, digitando algo no computador, com uma pasta azul jogada em seu colo.

– Elizabeth... — disse, ao vê-la entrar.

– Está pronto?

– Conseguiu fazer contato com a suspeita? — disse ele, surpreso — Bom trabalho!

– Eu disse que ela pagaria pelos seus crimes, por ter ferido Logan. Vamos!

Dentro da viatura, lembrou-se de ir, junto com Lydia, a delegacia.

– Tenho tudo armado na minha cabeça — ela tinha posto Lydia contra a parede e a garota aceitou ajudá-la a prender a ruiva em troca de emprego na boate.

– E o que faremos? — disse Thomas.

– Alguem está chegando por esses dias. Alguém que é a nossa única ligação com a vadia. Eu conseguirei um encontro em um lugar neutro — Lydia havia gravado sua parte do plano.

– Eu irei ao encontro e arrancarei a confissão, com uma escuta — Ellie gravou a dela.

– E eu, com sorte, prenderei Jennifer, Connor e Jed, de uma vez só. Quem sabe eu ganhe um aumento — brincou Thomas, para descontrair.

O carro estacionou bem longe do Pier. Eles observaram bem o lugar e Thomas pode ver Connor de guarda em um dos galpões. Ele abriu um estojo que, antes, estava jogado no banco de trás de seu carro, tirando dele um pequeno aparelho e conectando-o no sutiã de Ellie, na alça, por debaixo de uma blusa de manga longa que ela vestia.

– Arranque a confissão e a participação deles. Se estiver em perigo, pergunte se ela vai te matar. Se eu puder entrar, diga que ela está ferrada, entendeu? — explicou.

Tinha, por ali, uns cinco policiais disfarçados, com uma mesma escuta, prontos para agir quando ela disser Você está ferrada! Apenas concordou com a cabeça e saiu do carro. Andou até o galpão e falou com Connor, que a deixou entrar em seguida. Jen estava de pé, como se a esperasse.

– Ellie, que surpresa! Esperava outra pessoa aqui hoje — disse ela, mesmo surpresa, parecia ter vencido alguma guerra.

– A minha mãe, Rita. Sua amiguinha, Lydia, me contou sobre ela. Devia tomar cuidado com as pessoas em quem você confia. Mas não se preocupe, eu pretendo sair da cidade logo. Não tem mais nada que me prenda aqui. Só preciso que me conte uma coisa.

– Diga o que, meu anjo. Em que posso ajudá-la, para que suma de vez da minha vida — as duas ficaram tão próximas, que podiam sentir a respiração uma da outra.

– Fazia parte dos seus planos de me tirar daqui, quando você matou Logan a sangue frio? — Ellie deixou uma lágrima cair de cada olho, para parecer mais verdadeira. Jen se afastou, o corpo inteiro tremendo. A voz falhando.

– Ele morreu?

– Morreu hoje de manhã. Os médicos disseram que ele estava aguentando bem, mas... — chorou mais um pouco — Está feliz por ter conseguido o que queria? Você acertou dois tiros nele.

– Não, eu não fiz. Connor fez. Connor atirou nele, depois que Logan acertou um pedaço de ferro no pescoço de Jed. Ele está morto, sabia? Nós o enterramos. Não acha que queriamos um enterro melhor para um amigo?

– Logan estava apenas se defendendo, pelo que você fez com a irmã dele e depois com ele, sem falar na minha boate — Ellie soltava as iscas e Jen estava caindo feito um peixe no anzol.

– Mas a culpa é toda sua. Estavamos indo bem — ela começou a se descontrolar — De inicio, sequestramos a Sarah apenas por causa da Lydia, que se arrependeu em seguida. Ela nem aceitou minha ideia de deixar Connor e Jed estuprarem-na. Sua boate, foi só um castigo. Eu vi vocês se beijando. Botar fogo lá foi a coisa mais fácil, agora o Logan... Era só falar seu nome que ele pirava. Acertamos ele na cabeça, prendemos ele bem aqui, já que o outro galpão foi pego pela policia. Nos divertimos fazendo ele sofrer, mas eu nunca quis matá-lo.

Ellie acertou-lhe no rosto, depois sorriu.

– É o suficiente, Jen. Você está ferrada! — disse. Não demorou muito para Thomas e os policiais invadirem e pegarem Jen e Connor.

– Era uma armadilha? Eu não ligo. Meu amado está...

– Aliás, Logan esta vivo — disse, dando as costas e encontrando Thomas do lado de fora — Falarei bem de você para Lilly.

– Espero que sim. Lydia ligou e disse que estão esperando por você na New Tric — disse de volta. Ela o abraçou e depois foi até o ponto de ônibus, pegou e partiu.

Chegando lá, a decoração já estava pronta. Lydia e Davis pareciam conversar como se fossem melhores amigos novamente.

– Vocês parecem bem — disse ela ao chegar — Aquela vadia está presa.

– Que alivio! Queria ter visto a cara dela.

– Estava bem feia — brincou de volta — E Rita?

– Saiu correndo quando a libertei. Assutei-a, não? — Lydia tirou uma fotografia do bolso do casaco — Mas mandou dar-lhe isso.

Era uma fotografia de Rita, mais nova, segurando um bebê nos braços. Atrás, tinha algo escrito a caneta. Estava escrito: Eu e meu bebê. Minha doce Anna.

Notas finais
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