OTH - Dias de Luta

15 Sonhando Alto


Notas iniciais
O sonho de Logan...

A vida de casado é alegria, é festa, é tédio, é emoção, é tristeza, é tudo e essa é a graça nela, porque quando você se casa, não passa por tudo isso sozinho. Você tem alguém que te ama o suficiente para passar por isso com você.

E é com esse pensamento que Logan acorda todos os dias, olha para o lado e vê sua doce esposa, Elizabeth Scott Evans, com um olhar apaixonado, apesar de terem se passado cinco anos, depois que quase perdeu-a por burrice.

– O que está olhando?

– Desculpe se te acordei — ele a deu um beijo de bom dia e sorriu — Estava aqui, admirando a minha bela esposa e agradecendo a Deus em silêncio pela familia maravilhosa que construimos juntos.

– Você sabe seduzir uma mulher, garanhão... — se beijaram — Será que você pode acordar as crianças para a escola? Eu estou de folga, afinal...

Ele se levantou, vestiu uma bermuda e camiseta, saiu do quarto e entrou no cômodo ao lado, aonde haviam duas camas, uma com lençól azul e outra rosa, aonde dormiam um menino de cabelos negros e olhos azuis, como Ellie, e uma menina de cabelos e olhos castanhos, como ele.

– Hora de acordar, pessoal! — ele foi até a cama de cada um e acordou-os com um beijo na testa.

– Bom dia, papai — disse sua doce Hartley, uma menina dedicada as tarefas de casa, aos estudos e as pessoas com as quais ela se importa. Sempre sorridente e de bom humor, ela se levantava da cama, se deliciava com um waffle que Logan preparava com louvor, vestia o uniforme, hoje em dia obrigatório, e ia para o ônibus da escola.

– Bom dia para você tambem, Garth — disse ele a seu filho. O menino era o oposto de sua irmã, sempre calado, não conseguia expressar seus sentimentos e, quando o fazia, não causava bons resultados. Comia um pote de cereal mergulhado no leite, vestia o uniforme e ia para a escola em sua bicicleta.

– Tanto faz — respondeu, mal criado.

Depois que mandava as crianças para o ônibus da escola, ele voltava para o quarto e reacordava Ellie com uns beijos por todo o seu rosto. Ela sorria e tentava puxá-lo de volta para a cama, mas o dia mal havia começado e, ao contrário dela, ele tinha muito o que fazer. Não estava de folga.

Logan trabalhava na editora Art, que ele montou ao lado de seus amigos Davis e Lily. Davis, casado e feliz ao lado de Lydia, uma morena um tanto controladora, mas não podia negar o quanto ela era charmosa. Já Lily havia conhecido o amor da sua vida, mesmo que indiretamente, graças a ele. Thomas era um delegado de policia. Eles haviam se casado dois anos antes de Logan e Ellie.

– Davis, e ai? — cumprimentou-o, ao entrar. Depois foi direto para o próprio escritório, aonde Davis entrou logo em seguida.

– Cara, você tem que ler isso. Diário do racismo, de Aidan Lewis. Eu descobri ele — Davis sorria e comemorava internamente como se tivesse ganho seu primeiro salário.

– Diário do racismo? Você é racista, Davis? Sobre o que é essa história? E pare de rir — disse Logan.

– Não é sobre um cara racista. É sobre um cara que sofre de racismo nos dias de hoje, dias que deviam ser modernos. Cara, eu chorei demais. Muito bom!

– Eu vou ler. Deixe-o ai... Diga! Quer editar ele, Davis? — apesar de ter entrado para a sociedade junto, ele apenas havia entrado com ideias, enquanto Lilly entrou com dinheiro e Logan com o talento. Apesar disso, Logan fora o único que já editou algum livro, que se chamava Chamas de desejo, de uma garota de 19 anos chamada Reagan Meddley. Davis nunca editara, mas parecia apaixonado por esse tal Aidan.

– Acha que já estou pronto?

– Se não achasse, não convidaria. Chame esse rapaz aqui. Estarei lá quando o fizer — disse.

Aquela manhã foi bem tranquila. Logan lera boa parte do livro até a hora do almoço, quando se juntou a Davis e a Lilly no Billy's Restaurant. Os três dividiram um belo sushi, depois dividiram uma garrafa de cerveja.

– Sabe que você tinha razão. Estou amando esse livro, Davie. Tudo o que esse cara, o Marconne, sofreu durante a infância... Coitado! — falou, entre o primeiro e o segundo copo de cerveja.

– Com esse nome também, quem não sofreria — Lilly brincou.

Eles deram algumas risadas, quando algo chamou a atenção dele do outro lado da vitrine do restaurante, do outro lado da rua, havia uma mulher em um vestido preto, seu rosto estava embaçado, mas ele teve a certeza de que ela o olhava.

– Logan! Está viajando, irmão? — Davis o chamava. Logan tirou os olhos da rua por um instante, mas, quando voltou a olhar, ela havia desaparecido.

– Estou bem aqui com vocês, Davie — respondeu.

Eles sairam do restaurante e voltaram para a editora, quando o telefone do escritorio tocou e Logan atendeu.

– É você, Ellie?

Precisa me encontrar no colégio das crianças agora. Eu vou matar aquele desgraçado, eu juro...

E desligou. Preocupado, Logan guardou suas coisas na maleta, avisou a Davis que tinha que sair e partiu o mais depressa que pode.

Quando chegou, encontrou Hartley no corredor da secretaria andando de um lado para o outro, brincando com seus próprios pés para se distrair.

– H, você está bem? — Logan a abraçou, depois beijou o alto de sua testa.

– Quem não está é o G, papai. Ele brigou de novo — disse ela e voltou a se distrair com os pés — Por que não senta? Estão ai dentro a horas.

Quando sentou, Logan pode ver o vulto de uma mulher com vestidos negros passar de um corredor para o outro. Ele levantou e a seguiu, mas não viu nada além de vazio.

– Logan? — Ellie o chamou da porta da secretaria — E não olha para a minha cara — gritou para Garth, que saiu logo atrás dela — Se eu fosse violenta, estaria morto, moleque.

– O que aconteceu, gente? — perguntou ele, meio perdido — H disse que você se meteu em uma briga. Porque se meteria em uma briga agora?

– Se o senhor conhecesse o Jonny, entenderia. O cara é um vagabundo de cabelo engomadinho — respondeu ele, sem um pingo de remorso na voz.

– Se eu batesse em todo vagabundo que encontro, todos teriam olho roxo. Não pode ser esse o motivo, G... Não se bate em uma pessoa simplesmente porque não gosta dela.

– Não me chame de G. Eu não sou mais criança. Se não gosta do meu nome, porque o escolheu, droga! — os dois berravam no corredor, se tornando o centro das atenções de todos da escola.

– Não grite droga para mim, garoto! Você pode não gostar, mas eu ainda sou seu pai — gritou de volta.

– Vocês dois, acabou! Estamos em publico. Estou me sentindo a mulher barbada e não quero me sentir assim. Não estamos em um circo. Vamos embora e assassinamos nosso filho em casa, na nossa privacidade — disse Ellie, pegando Logan pelo ombro.

Todos foram para casa em total silêncio. Ellie foi direto para a cozinha e pôs uma agua para ferver, afim de fazer um chá. Logan se juntou a ela, enquanto as crianças tomavam banho.

– A partir de que idade nosso filho se tornou incontrolável? Aos dez?

– Garth é um pouco você. Sabe disso, não sabe? — Ellie comentou, enquanto despejava a água na xicara e mergulhava o sache. Ela lhe ofereceu uma xicara e ele desfez o bico para beber — Devia conversar com seu filho. Não é só porque ele não te pediu, como a Hartley faz, que significa que ele não precisa de ajuda.

Pensando nisso, Logan se dirigiu até o quarto, onde Garth estava com fones de ouvido, tocando um rock bem barulhento. Logan arrancou-lhe os fones e sentiu como se Garth tivesse jogado-lhe uma granada mental.

– Acho que você já me deu toda a bronca que podia, não é papai? Desculpe nõ ser como a doce H — disse ele.

– Então é disso que se trata? Acha que eu dou mais atenção a sua irmã do que a você? G, você não me deixa chegar perto...

– Você não pode chegar perto de mim, não ainda. Você ainda não percebeu? Não estamos aqui. Eu não estou aqui, papai. Essa vida que estamos vivendo não existe.

Logan foi para a cama naquele dia, fez amor com sua esposa, abraçou-a e observou-a fechar os olhos, pensando no que Garth havia dito. Será que tudo aquilo que ele estava vivendo não existia? Por mais louco que isso parecesse, ele tinha a mesma sensação que seu filho.

– Logan? — ouviu um sussurro no ar. Ele olhou em direção a porta e lá estava o vulto da mulher com o vestido negro passando. Ele se levantou e seguiu pelo corredor, em busca da mulher — Logan, você está ai? Está me escutando? Preciso que escute isso...

– Quem é você? Como entrou na minha casa? — ele perguntava, enquanto perseguia uma assombração.

– Eu preciso de você aqui, porque está tudo tão confuso. Eu lembro de como você me desafia e de como você me faz senti mais segura e mais feliz — ele continuou ouvindo, como se houvesse uma caixa de som por perto e alguém falasse no microfone.

– O que está acontecendo comigo? Quem é você? — ele disse, quando, finalmente olhou para trás e, lá estava ela, Ellie, com um vestido negro lindo, contrastando com seus olhos azuis — Ellie? Você tem me perseguido?

– Eu preciso que você volte para mim, porque viver sem você não tem sentido... Você faria isso por mim? Você abriria seus olhos por mim? — ela disse, esticando as mãos em sua direção.

– Eu faria qualquer coisa por você, Ellie. Ainda não entendeu isso? — Logan respondeu. Ele olhou em volta e viu Garth, parado na porta de seu quarto — Filho?

– Liberte-nos, papai... Eu quero nascer. Eu quero ser real — Garth chorava, mas sorria ao mesmo tempo.

Logan sorriu, então pegou na mão de Ellie e sentiu seu corpo ser puxado por uma corrente de vento. Ele instantaneamente fechou os olhos.

Quando ele abriu os olhos novamente, estava em um quarto de hospital, ligado a aparelhos, tendo sua mão segurada pelas mãos macias de Ellie.

– Era você falando? — disse ele, com uma voz rouca.

– Que vergonha... De acordo com o dr. Stanfield, você não estava realmente me ouvindo — disse de volta. Ela ficou com as bochechas avermelhadas, realmente envergonhada.

– Eu tenho que te perguntar uma coisa. Leve o tempo que for para pensar na resposta. Parece que não vou a lugar algum... — quando ela confirmou com a cabeça, ele prosseguiu — Você, por acaso, se casaria comigo?

Notas finais
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