OCASO

10 Segredos 3.3


Notas iniciais
"Não tenho medo do escuro, mas das coisas que vivem nele."

No meio da semana e fora do horário de movimento a cidade mais parecia assombrada. A iluminação ruim, permitia sombras estranhas se formarem aqui e ali. Quando Riley parou em frente à porta dos fundos do estúdio, não havia barulho algum além das batidas ansiosas do seu coração. Olhou ao redor. Na loja de roupa ao lado era fácil se assustar com os manequins de rostos vazios trajando roupas de praia nas mais diversas posições. A luz piscou e a sua imaginação era traiçoeira com as sombras. Precisava ser racional.

Do lado de dentro o ar estava mais abafado. As luzes de emergência eram o suficiente para enxergar todo o estabelecimento. Caminhou silenciosamente pela recepção e depois no corredor. A última porta no fundo, a única de madeira velha, era um deposito para fotos antigas e caixas com coisas inúteis que o pai de Riley se recusava a jogar fora. Encostou-se à maçaneta e forçou até ouvir o trinco se partir. Com as câmeras de segurança filmando tudo, Riley concluiu que contaria ao pai no dia seguinte o que havia feito de qualquer maneira.

Uma nuvem de poeira subiu assim que ela abriu a porta. Fazia muito tempo que o próprio Bill não entrava ali. Havia uma dezena de caixas com etiquetas jogadas por todos os cantos, muitos livros grossos e velhos nas estantes prestes a cair e uma lâmpada falha iluminando o cômodo. Sentiu falta de Matt, ele poderia tornar aquilo mais emocionante do que apenas sentar na poeira e pesquisar.

Passou os olhos pelas etiquetas: “Aniversários”, “Viagens” e pousou em “Evidencias”. Puxou a caixa para si e abriu o mais rápido que conseguiu. Mais poeira levantou, dessa vez revelando pastas, fotos e cartas. Riley mal podia conter a ansiedade.

As fotos eram de pessoas mortas. Seus corpos ainda na cena do crime, machucados, sujos, sangrando. Atrás de cada foto, uma pequena anotação com o local e a causa da morte. Riley deixou as fotos de lado e pegou uma carta. Reconhecia a letra da mãe, pequena, cursiva e delicada. Abriu e começou a leitura:

Querido,

Temo que não consiga convencer o Conselho de que nossa causa seja para um bem maior. Há dias em que sinto estar cada vez mais próxima de convencê-los, mas seu tradicionalismo e ignorância sempre voltam com mais força. O clã do norte ainda não rebateu nossas críticas e isso me leva a pensar que tramam algo nas sombras. Preciso de mais tempo aqui, preciso continuar tentando mostrar a verdade para proteger a nossa família.

Com amor, Alana.

Riley dobrou a carta e guardou no bolso da calça, sentindo o peso de cada palavra. Aquelas seriam as últimas frases de sua mãe antes do acidente? Riley sabia que ela havia falecido em um acidente de carro, essa foi a história que seu pai lhe contou e que por anos pareceu ser verdade, até aquele momento. Estava mais do que claro que Bill tinha conhecimento sobre o que Alana e Riley eram. E não só isso, mas como envolvido com esse mundo sobrenatural. Ao mesmo tempo sua cabeça não parava de pensar nas coisas escritas naquela carta. Clã do norte? Convencer o Conselho do quê?

Puxou um livro para si. Mal se lia o título pela gasta capa que tinha. Abriu esperançosa.

—Só podem estar de brincadeira! -suspirou frustrada. Todo o livro escrito em latim era a última coisa que ela precisava.

Folheou e folheou, nada parecia fazer sentido a não ser os desenhos macabros de seres sobrenaturais. Se as coisas ficassem assim ela só teria mais perguntas, o que a faria cogitar seguir o conselho de Matt... Não! Aquilo não foi um conselho, foi só uma base de sustentação para as verdadeiras intenções de Matt, que nada passavam de críticas sobre a revolta com si próprio.

Parou na metade do livro. Aquele título lembrava algo como clã do norte. Embaixo um desenho sexualizando vampiros com sangue cobrindo seus corpos nus. Um verdadeiro massacre, onde os culpados mais pareciam deuses do que assassinos sobrenaturais. Pegou o celular e começou a digitar algumas frases do capitulo no tradutor, mesmo que esse aplicativo não lhe passasse tanta segurança:

“Rituais com corpos de seres sobrenaturais”

“Habitantes dos países frios ao norte.”

“Indivíduos de genética avançada, vez ou outra com habilidades especiais.”

“Caçadores de meio-sangue.”

Riley congelou. O celular escorregou da mão e bateu no piso de madeira com um baque mudo. Meio-sangue nada mais eram do que mestiços, ela supunha. Era disso que sua mãe falava, precisava protege-la do clã do norte. Sua história se encaixava em harmonia no que parecia obvio. Pegou o celular e sentiu o ar gelado na ponta dos dedos. Colocou o ouvido perto do chão de madeira.

Uma saída de ar.

Bateu na madeira oca e puxou do chão com tanta força que ele se quebrou em duas espalhando farpas para todo lado. Abriu um buraco suficiente para enfiar os dois braços.

—Mas que... -as palavras morreram na boca. Ali estava um arsenal de armas.

Era um simples buraco no chão, como se alguém tivesse desovado facas, bestas, revólveres e todo tipo de instrumento capaz de matar alguém com um clique. Tinha munição, estacas de ferro e madeira. Tanta coisa que foi difícil de acreditar que aquilo não tinha saído de algum filme de ação. Isso era muito pior do que ela havia imaginado. Aquilo era do seu pai?

Pegou um estojo de facas profissionais. Abriu como um pergaminho e observou a beleza como elas pareciam reluzir com luz própria. Ela não sabia explicar como, mas se sentia atraída pelo cheiro do material, o brilho hipnotizante.

Ao tocar na lamina todo o seu corpo recebeu uma descarga e as pontas do dedo esfolaram em queimadura. Recuou o braço e leu no paninho que envolvia as outras duas facas, em uma letra bem pequena, a palavra “prata”. Riu da própria tolice, se pelo menos se lembrasse das coisas que lia ou assistia saberia que prata era vital.

Se virou para pegar a caixa com as cartas e caiu para trás ao ver um homem parado com olhos vazios. Nada, nem mesmo um contorno de cor, naquela imensidão de branco. Vestia roupas velhas, mas que escondiam todas as partes do corpo com exceção da cabeça raspada.

—Quem...

Antes que Riley pudesse terminar de falar, ele a levantou pelo pescoço com uma mão. A facilidade para tira-la do chão foi ainda maior. Ele a encarava, mas Riley não tinha certeza. A acertou com uma faca de prata na barriga, inúmeras vezes até que sua mão ensopasse de sangue e Riley se visse no ápice da morte.

Círculos vermelhos se formaram na sua barriga e pingaram gotas grandes no chão, pensou em gritar, mas sua boca apenas fazia um “O” mudo. Agarrou os ombros do rapaz o suficiente para corta-lo um pouco com sua própria força, um sangue preto como fuligem escorreu devagar. Ele sorriu, um par de presas reluzindo como a última coisa que Riley iria ver antes de apagar. Ele o aninhou em seus braços frios e a acertou mais uma vez com a faca de prata até que seus olhos se fechassem.

(...)

Matt gostaria de ter recebido algum tipo de treinamento para contar a pais quando suas filhas são sequestradas por vampiros. Passaram vinte minutos que ele explicava ao pai de Riley, Bill, tudo o que sua filha havia passado. Não deixou passar a parte em que eles discutem no carro e a parte em que ele incentiva que ela não vá ao estúdio, conta como desconfiou quando Riley não atendeu a sua ligação e se perguntou se ela realmente estava em casa, mas que quando chegou no estúdio soube que aquilo era obra de algum vampiro, havia sangue, o cheiro e as coisas reviradas.

Bill apenas o encarava de braços cruzados sem nenhuma expressão. Aquilo fazia com que Matt ficassem ainda mais tenso, com a culpa o fazendo gaguejar a cada palavra. Bill, no entanto, o torturava com um olhar ameaçador.

—Matthew, não é mesmo? –perguntou falando a primeira coisa em minutos de silencio. Matt assentiu. Na fração de segundo seguinte Bill o acertou um soco certeiro no rosto, tão forte que Matt foi ao chão e voltou tonto. Não sagrou para nenhum dos dois lados, mas em Matt ficaria com um bom hematoma até curar em algumas horas. – Você sabe o que fazia antes de tirar fotos de algumas paisagens do interior?

—Eu não sei. –Matt tocou o rosto sentiu a onda de dor percorrer todo o corpo. Aquilo fez despertar uma ideia. –Você... Você... Era um caçador?

—Sim, Matthew. Eu era um caçador, daqueles que outros grupos pagavam para matar seres sobrenaturais. -aquele olhar era tranquilo demais em contraste com as palavras. – Você faz alguma ideia de quem levou a Riley e por quê? Eles nem mesmo sabiam da existência dela.

—Eu acredito que foi alguém do clã do norte. -Matt estava confuso, parecia absurdo demais acreditar que Riley havia sido levada. – Talvez por minha culpa, já que eles me rastreavam há um tempo...

—Clã do norte? –bravejou Bill e Matt se encolheu. Ele era um caçador, era impossível não sentir um pouco de medo agora que sabia a verdade. — Então eu quero saber Matthew, se eu te matar agora e levar sua cabeça para eles, teria alguma chance da minha filha ainda estar viva?

—Não é como se eles gostassem de negociar... E quando descobrirem que a Riley é mestiça as coisas vão piorar.

Bill levantou a mão, mas logo abaixou respirando fundo. Correu até uma mesinha e pegou um desenho de Riley dobrando de qualquer jeito e guardou no bolso.

—Nós dois temos muito que conversar, mas primeiro me leve ao Jones.

Foram ao carro quase correndo. Matt dirigia, não ia rápido, mas não deixava ser parado nem pelos sinais vermelhos. O carro trepidava à medida que chegava às ruas incertas perto do acampamento. Bill estava impaciente, batucando na porta da picape, os olhos fixos na estrada. Matt não conseguia parar de pensar que Riley poderia estar morta, havia tanto sangue.

Memorias com ela se embaralhando com as que tinha do Will. A semelhança não era gritante, só o suficiente para atormentar Matt todas as noites. Ele poderia perde-la como perdeu Will, mais um mestiço e coisas ruins acontecendo. Estava perto de uma crise de ansiedade,

Olhou para Bill, ele estava tão sereno e silencioso. Podia se deduzir que ele tinha um plano, não estava surtando como Matt, mesmo depois de saber tanta coisa de uma vez só.

—Riley teve que lidar com isso sozinha. –falou Matt com cautela mantendo o foco no caminho estreito que fazia. – Ela não sabia de nada, como pode deixa-la vivendo nessa mentira?

—Não pode cobrar de mim os sacrifícios que fiz pela minha filha. –Bill não pareceu exaltado apesar da acidez nas palavras. – Antes de tudo se vocês tivessem protegido a cidade, um vampiro não teria ativado o lado mestiço dela. Ela ainda seria humana.

—Isso é mentira. –rebateu Matt, estava revoltado por ouvir aquilo. – Nos dois sabemos que era só uma questão de tempo até Riley começar a desenvolver essas habilidades, Josh só foi um acelerador para o inevitável.

—Não queria que ela seguisse os passos da mãe. Um mundo sobrenatural não é o lugar certo para se criar uma mestiça, sendo filha de quem ela é. Eu a protegi mais do que ela poderia se proteger sozinha se eu lhe passasse a vida toda ensinando-a sobre esse mundo. –Bill continuava controlado, dava para entender que a última coisa que ele queria era discutir aquilo com Matt. – Riley é diferente dos outros mestiços, ela nunca teve escolha, eu tive que afasta-la e não vou explicar para um garoto arrogante os motivos que levam um pai a sacrificar tudo pela proteção da filha. Você não entende nada sobre isso.

—Entendo mais do que você imagina. –sussurrou Matt, as mãos se fechando tão firmes no volante que suas juntas ficaram brancas. Ele sabia o que um pai sacrificava por um filho no momento em que ele teve o dele se sacrificando pelo Will. – Agora não faz mais diferença, Riley está com a gente, a matilha é uma...

—Família? Poupe-me de tamanha hipocrisia. –havia rancor no tom da voz de Bill. – Os licantropes enchem-se de gloria há séculos por salvar vidas humanas dos vampiros e manter o equilíbrio sobrenatural, mas esquecem de suas próprias crueldades, talvez você saiba o que até 100 anos atrás faziam com mestiços logo após o nascimento.

Matt engoliu em seco. Qualquer membro das matilhas conhece as antigas histórias que mestiços eram dados como pragas e mortas em rituais de magia negra no nascimento. Uma atitude que só foi proibida depois da criação das principais leis regidas pelo Conselho.

—A mãe de Riley pertencia a uma pura linhagem de lobos brancos na Rússia, muito tradicionais. Eram lobos genuínos, é assim que vocês se chamam, não? –Bill cuspia as palavras em Matt, carregava dentro de si um ódio que assustava. – Alana era a vergonha da família, havia gerado um bebê mestiço e corrompia toda a perfeita matilha. Ela foi caçada por anos, tivemos por muito tempo que fugir ou eles matariam Riley. –ele fechou os olhos com força, quando tornou a abri-los Matt percebeu que estavam úmidos. – Ela era tão inocente, apenas um pouco de magia em seu sangue a tornava sobrenatural demais para os humanos e humana demais para seres sobrenaturais. Eu jamais irei entender esse mundo.

Matt ficou em silencio. Bill não havia se esforçado muito para despertar nele uma antiga raiva que guardava desde a morte do seu pai e do Will. Sentia saudade deles, de todas as vezes que fizera alguma coisa juntos. De como por muito tempo foi fantástico ter um irmão mais novo, que o admirava e o seguia fielmente. De como aprendeu ser uma pessoa melhor com o Will, porque ele incrivelmente era mais amável que qualquer outro, mesmo que levasse uma vida miserável. Definitivamente matilha não era família.

(...)

Riley acordou sem saber onde estava. Ao se mexer sentiu uma pontada de dor fazer seu corpo inteiro tremer. Não conseguiu mexer as mãos e nem as pernas, estava presa pelos pulsos e tornozelos na parede por algemas de prata. A cada movimento elas esfolavam mais a pele, deixando feridas cruéis.

O lugar era só um galpão quase vazio, com exceção de algumas caldeiras aqui e ali. As janelas tão sujas que mal entrava o brilho da manhã. Um cheiro forte de sangue, mas acima de tudo o cheiro angustiante de vampiro.

—A mestiça acordou. –uma voz rouca surgiu do fundo do galpão. Saindo das sombras surgiu um rapaz, um pouco mais velho que Riley, dos cabelos tão pretos quando piche na altura dos ombros. Não foi necessário que ele andasse muito para que ela percebesse que ele tinha os olhos brancos e não tão vazios, porque a camada branca cobria o que antes era um olho azul. – Não deixamos você esperando muito, eu espero.

Outro rapaz se revelou do meio das sombras. Esse tinha a cabeça raspada e tatuagens que subiam pelo pescoço. Era assustador ficar encarando sua aparência brutal ou mesmo o modo que ele parecia brincar com utensílios cirúrgicos. Havia sido ele que a esfaqueara antes, a lembrança fez a dor na sua barriga voltar.

—Gostou da coleira? –perguntou o de cabeça raspada exibindo um sorriso afiado e malicioso.

—Quem são vocês? –Riley perguntou com extrema dificuldade, cada movimento com a boca fazia com que seu pescoço esfregasse mais na prata que o prendia, queimando a pele.

O rapaz de cabelos pretos balançou a cabeça frustrado. Enfiou a mão no bolso para empunhar uma adaga de prata. Riley se sentiu nauseada pela pureza do material, antes mesmo de toca-la já pressentia a dor, mas não conseguia evitar o fascínio pelo brilho.

—Isso é por você ter sido uma garotinha muito má. –anunciou com um sorriso cruel, sua faca desenhou na bochecha de Riley um corte que ia do lábio ao canto do olho. A dor fez com Riley se contorcesse e as trancas de prata esfolassem mais seus braços, pernas e pescoço. Suprimiu o grito. – Você parece forte... Ou estamos deixando você muito à vontade?

O vampiro de cabeça raspada e tatuagens animou-se com as palavras do amigo. No canto da parede havia uma manivela, da qual ele segurou firme e girou lentamente. Todas as trancas que prendiam Riley se apertaram mais contra a pele. Dessa vez foi impossível reprimir o grito.

—Por favor... –Riley engasgou com o gosto amargo que lhe subiu a garganta. – Por favor, parem...

Riley sentia que estava ponto de sucumbir. Doía tanto que era inexplicável. Seus pensamentos se misturavam entre fugir dali, seu pai, Tyler, Matt e tudo o que parecia estar do lado de fora. Tentava focar naqueles dois vampiros, no que levava eles a fazer aquilo, mas a dor falava mais alto dentro de si.

—Espero que Josh te encontre no inferno –o rapaz de cabelos pretos pegou seu rosto, a mão tão gélida quanto de um cadáver. – Malditos mestiços nojentos.

—Josh? -Riley tossiu ao falar aquele nome e um pouco de sangue escorreu da sua boca. Já era para estar morta, mas sua parte lobo batalhava pela sua vida. – Eu não o matei, ele me mordeu e sucumbiu sem eu nem sequer ter tocado nele.

Os cortes iam do rosto descendo pelo corpo até as pernas. Sangravam de um vermelho vivido e doía como se Riley tivesse voltado a ser humana, nem quando quebrou a madeira com as mãos ou amassou o carro de Matt sentiu dor.

—Ei Mason, veja como os olhos dela reagem a prata. –chamou o vampiro cheio de tatuagens. Mason se aproximou, a expressão curiosa era ainda mais macabra pelo vazio dos olhos. – Ficam meio amarelos cada vez que a machucamos com prata. –e cortou a barriga de Riley em uma linha que descia por toda barriga até o começo da calça jeans. O grito dela não pareceu incomodar nenhum dos dois.

—Não acredito que capturamos uma mestiça dos lobos brancos, por isso aquela carta estranha no bolso dela. –Mason estava maravilhado, o sorriso ainda mais aberto expondo as presas. – Pense em todos os privilégios que podemos ganhar com ela levando-a ao clã do norte.

Riley pensou em suplicar mais uma vez, implorar por sua vida. Infelizmente o único esforço capaz de fazer era respirar lentamente, enquanto cada parte de si tentava lutar contra o efeito da prata. Era quase inacreditável acreditar que em tão poucos dias, tanta coisa assim havia lhe acontecido. Ela desejava mais do que nunca apenas fechar os olhos e dormir para sempre.

—Mantenha-a viva. –ordenou Mason segurando o rosto de Riley para analisar com cuidado seus olhos. – Ela será o nosso passaporte de volta para casa.

(...)

—Sua culpa! Da sua maldita matilha! –Bill apontava para Jones. – Tudo o que vocês deveriam fazer era manter a cidade segura e agora minha filha foi sequestrada por vampiros do clã do norte. Josh era um vampiro e mordeu pessoas na sua boate medíocre!

—Bill você precisa se acalmar. –aconselhou Nora, embora nem mesmo ela conseguisse manter a calma naquele momento.

—Não, vocês não estão entendo a gravidade disso. – Bill se afastou andando de um lado para o outro fora de si. Durante todo esse tempo tentava cultivar a paz, não gostava de brigas, nem de guerras e muito menos morte. Mas era como seu pai lhe dizia: “Fomos marcados, destinados a sangrar por toda vida”. Ele não podia perder Riley, não podia perde-la também. – Ela não é como os outros.

—Nós sabemos que ela é uma mestiça. –confirmou Jones da forma mais sutil que conseguiu.

—Não estou falando disso. –fez uma pausa e Nora pode jurar que toda a sala silenciou, todos os membros conselheiros da matilha esperando por suas palavras. – Vão leva-la ao clã do norte, estou certo disso.

—O que tem de especial na Riley? –questionou Jones por todos no lugar.

—Ela é herdeira da linhagem de lobos brancos e dos primeiros caçadores de bestas sobrenaturais. –foi Matt que respondeu surpreendendo todos na sala. – Perfeito sangue para inúmeros rituais de magia negra, fora os experimentos que podem ser feitos para adaptar algumas habilidades dos vampiros, as possibilidades são infinitas já que nem mesmo Bill tem conhecimento da profundidade dos dons de Riley.

Os sussurros na sala cresceram como uma onda. A preocupação estampada em todos os rostos. Rituais de magia negra haviam sido proibidos por um único motivo, poder demais em uma única mão. Com as propriedades mágicas certas era possível prejudicar qualquer uma das espécies sobrenaturais. Riley havia dado o azar de possuir duas heranças genéticas mágicas, lobos e caçadores. Seria atormentada por esse fardo por toda a sua vida e era por isso que Bill tentou afasta-la desse lado.

Jones pediu silencio, porém ninguém conseguia parar por completo os sussurros. Ele estava ainda mais preocupado, tinha passado a mão no rosto mais de três vezes naquele minuto. Se sentou e recompôs a postura.

—Infelizmente não posso decidir por todos, arriscar tantas vidas...

Bill não olhava para Jones, seus olhos estavam em Matt e na reação que ele tinha diante daquelas palavras. Sabia que Jones nunca apoiaria, mas se pelo menos um estivesse contra ele, então saberia para quem pedir ajuda. Matt virou o rosto e fechou os olhos. Estava mesmo consentindo com as palavras de Jones e Bill se sentiu eufórico por isso, chegou mesmo a acreditar que Matt reagiria de outra forma.

—Alguém aqui se oferece para auxiliar Bill nessa investigação? – Jones cruzou os braços e esperou. Todos viraram o rosto, não queriam encarar o olhar suplicante de Bill, com exceção de Matt. Esse o olhava nos olhos, firme e frio. – Sinto muito Bill, não posso obrigar ninguém.

Notas finais
♪ - The A Team (Ed Sheeran)