O Último Grande Roubo
1 Prólogo
Os primeiros raios de sol surgiam no horizonte distante, iluminando a estrada que entrecortava o bosque de carvalhos. O ar era gelado, e junto as folhas caídas em tons amarelados pelo chão, indicava a chegada do outono. Um vento constante balançava as copas das árvores e o som áspero da folhagem se movimentando soava ensurdecedor no silencio da manhã
Mas, gradualmente, surgiam outros sons: sons de cascos de cavalos e do ranger da madeira, do amassar de folhas secas, aumentando em intensidade. Uma carruagem puxada por dois cavalos então surge na curva da estrada, como que surgida das sombras, com seu condutor, uma figura encapuzada, batendo energicamente nas rédeas de couro, exigindo maior velocidade dos animais.
"Quanto falta?"
O condutor não houve a voz de imediato, vinda da parte interior da carruagem. Seu foco estava na estrada ainda escura, na respiração pesada dos cavalos condensando como que fumaça contra o ar frio.
Eles estão no seu limite, pensou o condutor, sabendo que não poderiam continuar naquele ritmo por muito tempo, os cavalos precisam se alimentar e tomar água... Precisamos parar.
Um grito agudo junta-se a cacofonia produzida pelo correr da carruagem.
Pulando de susto, o condutor gritou em reflexo a dolorosa pontada que sentiu nas costelas. Assustado, ele gira rapidamente o tronco para trás, o que faz com que seu capuz caia revelando o seu rosto. Era um garoto de pele clara e cabelos e olhos escuros, sua expressão estava contorcida em uma careta de dor e aflição.
Ela acordou, ele pensa e ao concluir isso, tira as rédeas de suas mãos e as prende sob os seus pés, e se vira.
"Arya!"
Ele exclama, em um tom calculado, cuidadosamente afastando a cortina atrás de si para olhar no interior da carruagem. Escuro quase total, exceto pela luz que entrava agora por uma das janelas foi o que ele viu primeiramente. Ele pisca e aperta os olhos como que para forca-los a se acostumar com aquela penumbra, e mesmo assim ele demorou para entender o que estava vendo.
Os cabelos claros caindo sobre o banco foi o que primeiramente acusou lhe a posição da cabeça dela afundada sobre um casaco de viagem. Arya tinha se coberto inteira com uma manta escura, o que dificultou que ele diferenciasse a sua forma dos embrulhos e caixas que amontoavam o apertado espaço. Ela tinha se deitado de costas no assento e como a extensão dele não era suficiente para que se esticasse, ela parecia ter encontrado a solução levantando as pernas e colocando as quase verticalmente contra a porta, com seus pés tocando o teto de lona.
Essa posição não parece nem um pouco confortável, ele pensa incrédulo, seu olhar recaindo sobre o braço esticado dela e depois sobre suas mãos segurando a ponta de seu arco longo, empunhando-o como se fosse uma vara para cutucar animais. Ou no caso, eu, o condutor pensou, ligeiramente irritado.
"Bom ver que está acordada..."
"Estamos chegando?" Ela perguntou soando alerta o suficiente para parecer impaciente.
Bom dia para você, também...
"Faltam cinco horas até a cidade de Ravena." Ele a informa, em um tom cheio de profissionalismo.
Previsivelmente, Arya resmunga, o pano sobre seu rosto fez seus xingamentos inteligíveis. "Melhor você ir o mais rápido possível, aprendiz." Ela responde, mas não depois de uma pausa de puro descontentamento.
Como se você me ensinasse alguma coisa.
"Já disse para me chamar de Kyle." Ele corrigiu, exasperado, e, com um certo senso de retaliação, ele acrescenta:
"Os cavalos estão muito cansados, precisamos parar..." De novo, Arya resmunga, mas Kyle a ignora. "... Se não fizermos isso agora e eles chegarem a exaustão e vamos perder muito mais tempo."
"Que merda... Quanto tempo?" Ela pergunta, soltando seu arco para levar uma mão ao rosto. Um olho escuro entreaberto o encara quando ela puxa sua cobertura.
"Duas horas, pelo menos." Diante disso, Arya joga sua coberta para o lado.
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