Notas iniciais
Olá! Queria agradecer aos comentários de Himeka-chan, do Spirit, e Fujoshi, do Nyah. Esse capítulo é um presente para vocês. Também queria agradecer ao Happy Wave e ao Shylphion, no Nyah. O primeiro por favoritar a Fanfic e o segundo por estar acompanhando! Obrigado pelo apoio, pessoal! Finalmente, eu agradeço aos leitores que passaram por aqui, mas não deram sinal de vida. Foram 97 acessos dos capítulos no Nyah, em apenas quatro dias de Fanfic, mais os 32 do Spirit. Sério galera, vocês são demais! Lembrando do esquema: Eu só corrigi uma vez, então me perdoem se eu tiver que fazer alterações. No mais, agradeço à paciência e desejo a todos uma boa leitura!

Taiki nunca tinha visto Natsu lutando.

Isso se quiser chamar aquele show de luzes de uma luta.

Tanto Natsu quanto Rikka eram rápidos como Taiki imaginou que ele nunca seria. Seus olhos não conseguiam acompanhar. Toda vez que os dois adversários tocavam seus punhos, um estrondo varria uma nova parte da floresta do mapa. Às costas de Natsu, tudo explodia e queimava. O próprio ar parecia congelar atrás de Rikka.

Lucy não precisava mais conter Sachi e ele. Afinal, eles não tinham chance alguma naquele tipo de batalha.

O rosto de Natsu era feroz. Se Taiki fechasse os olhos, podia ver as garras de dois dragões se colidindo. As asas de cada um golpeando o ar. O som de cada um de seus rugidos furiosos, que quando ecoavam juntos, faziam a terra tremer.

Era, ao mesmo tempo, emocionante e assustador. Lucy só podia assistir, aflita. Taiki ficava imaginando se algum dia ele lutaria daquele jeito. Sachi? Cada palavra era dedicada a depredar a imagem de Rikka.

“É isso aí! Mete fogo nessa vaca!”

Por um instante, vários tremores se seguiram. Então, dois meteoros, um vermelho e um azul, mergulharam do céu. Quando Natsu pousou, o chão estava negro e pegando fogo à sua volta. Quando Rikka pousou, a grama, os troncos de árvore e até mesmo o ar se estilhaçaram como se fossem feitos de cristal.

O corpo de ambos estava cheio de hematomas. As marcas de onde os punhos do adversário tinham atingido. Rikka tinha muito mais do que Natsu. Ainda sim, ela estava furiosa.

“Dragneel!” – a Dragon Slayer de gelo apontou para o oponente, com ódio puro em seus olhos. –“Você ousa insultar a memória de minha mãe? Se esse é todo poder que Igneel lhe deixou, não era digno do seu título de Rei!”

Suas palavras tiveram o efeito desejado. A expressão de Natsu mudou.

“Se você insiste em lutar comigo com esse nível de magia...” – ela banhou-se sobre a neve das redondezas e mudou-as à sua vontade. Uma estaca de gelo enorme agora apontava para o coração de Lucy. – “Então eu retomarei hoje o sangue que me é de direito.”

“Cuidado, sua pirralha de boca grande.” – Nunca em sua vida Taiki havia visto seu pai ficar tão furioso. – “Você pode acabar ganhando o que deseja.”

A expressão de Rikka era desdenhadora. Sem palavras, ela estava dizendo:

É mesmo? Me mostre.

Sem que a garota ordenasse, a estaca de gelo disparou no ar.

Taiki sentiu o tempo ficar mais devagar. Nem ele, nem Sachi, nem Natsu. Ninguém chegaria até Lucy a tempo. Até que o fizessem, Lucy já estaria morta.

Foi quanto o corpo de Natsu brilhou. Uma luz amarela irradiou de seu corpo. Relâmpagos partiram os céus.

Em um instante, Natsu estava parado, segurando a estaca de gelo em suas mãos. Seus braços e pés estavam rodeados de raios, que faiscavam e liberavam descargas elétricas. Atrás dele, Lucy caiu de joelhos, chocada demais para se mover. O rosto de Rikka se distorceu em um tipo de sorriso doentio.

“É isso... Isso que eu estava esperando.”

Um relâmpago percorreu o braço de Natsu, despedaçando a estaca de gelo em mil pedaços. Ele não diria mais nada. Seu olho, sem querer, encontrou os de Taiki. O garoto suou frio. Rikka abriu os braços, cobrindo-os com sua magia.

De nada adiantou. Porque na mesma hora, Natsu estava do lado dela. O soco que ele lhe acertou atravessou a armadura dela e a deixou paralizada. Podia sentir os nervos de seu corpo não respondendo aos estímulos elétricos que a garota dava. A sensação deixou Rikka apavorada.

Três outros golpes pesados se seguiram. O terceiro jogou Rikka para longe, com um raio de trovão amarelo. Mas Natsu não parou por aí.

Rikka teve tempo de erguer um escudo de gelo. De suas costas, duas asas de dragão, transparentes como cristal, cobriram-na pelo corpo inteiro. Isso até que o braço de Natsu se transformou em na ponta de uma lança, de onde várias lanças de aço foram disparadas de forma rápida.

As lanças perfuraram o escudo de Rikka, que se quebrou. Mas ela não estava sobre ele. A garota tinha aproveitado a chance para diminuir a distância entre ela e Natsu. Ela sorriu quando acertou um punho certeiro no rosto do rapaz, erguendo uma nuvem de neve ao redor deles.

Taiki desesperou-se. Não conseguiu ver mais a batalha. Quando a nuvem abaixou, o pavor na voz de Rikka deixou o garoto sem palavras.

“Não pode ser...” – a menina balbuciava. – “O que é você?”

Ela ainda tinha o punho fechado sobre o rosto de Natsu. Não podia ter errado um ataque daquela distância.

Mas não havia dúvidas. O punho de da garota não atingiu a pele de seu alvo, mas algum tipo de crosta dura. O corpo de Natsu estava coberto por escamas de ferro que nem sequer racharam sobre o impacto do golpe de Rikka.

Natsu não lhe respondeu. Ele apertou o braço dela com força. Um soco pesado jogou a garota no ar, fazendo um barulho metálico.

Rikka se viu a metros acima do chão. Sem explicação, Natsu apareceu do lado dela. Sua pele de ferro não mais existia. Em compensação, os dois braços foram envolvidos por ciclones de vento. Como se as próprias tempestades estivessem a favor dele. O rapaz cruzou os braços e juntou os ciclones, que forçaram Rikka a rodopiar para baixo e abrir uma nova cratera no chão.

A garota se levantou, tremendo. Se não fosse pela sua magia e sua armadura, ela já estaria morta. Ela cuspia sangue e procurava Natsu com os olhos.

Ele não estava se escondendo.

Natsu caminhava na direção dela. Mas dessa vez, sua aparência era a mais aterrorizante de todas. Uma linha vertical dividia seu corpo no meio. Do lado direito, as roupas de Natsu, seu corpo e até seu cabelo estavam brancos. O lado esquerdo era uma visão espelhada do direito. Mas tudo era coberto com a mais assustadora das sombras. Sua aura irradiava poder mágico.

O olho ferido de Natsu era um espaço em branco. O olho direito não piscava, e encarava Rikka de uma forma ameaçadora.

De seu braço direito, uma grande quantidade de luz foi liberada. Do braço esquerdo, vieram as sombras. Natsu as juntou as mãos, e apontou-as na direção de Rikka. Um globo de magia cresceu.

E então uma explosão combinada de Luz e Sombras foi disparada no meio da noite.

(...)

Rikka acordou com os braços amarrados nas costas.

Não sabia quanto tempo tinha ficado desacordada. Sabia, porém, que não estava mais no mesmo campo de batalha. Podia vê-lo, no horizonte, com os vários pedaços da floresta destruídos.

Notou que estava sendo carregada por uma mulher. Tinha que ser uma mulher de cabelos rosados. Uma roupa preta cobria seu corpo até um pouco abaixo da cintura e... Aquilo era um avental de empregada?

A mulher apoiou o corpo de Rikka contra uma árvore, mas a garota estava fraca demais para se mover. Só então foi que Rikka reconheceu a presença de Lucy, Natsu, Taiki e Sachi, que seguiam a pé atrás da mulher-empregada.

Hime...” – anunciou a mulher, curvando-se para Lucy. – “A prisioneira já está amarrada e não oferece perigo. Não pode usar sua magia até que alguém a liberte.”

“Obrigada, Virgo.” – Lucy lhe agradeceu.

“Hora da punição?” – Ok. Foi uma pergunta estranha.

“NÃO!” –Lucy gritou, de forma quase cômica. – “Só estou agradecendo. Já pode ir, agora.”

A empregada fez uma reverência e sua imagem tremeluziu. Lucy segurou uma de suas chaves douradas e guardou-a em seu cinto, enquanto a mulher de cabelos rosados desapareceu no ar.

“Então esse foi um dos seus espíritos estelares.” – mesmo em sua condição precária, Rikka não perdia a chance de soar sarcástica. – “Obrigada. Isso pelo menos me poupou de ser carregada por um primata duas vezes seguidas.”

Natsu estava procurando uma desculpa para continuar a briga. Não poderia simplesmente ignorar um comentário daqueles sem protestar aos berros.Foi Lucy que se colocou no meio deles e pediu calma para o rapaz.

“Rikka, nós salvamos a sua vida.” – o tom de voz de Lucy era calmo e sério – “Você nos deve algumas verdades.”

A menina de cabelos prateados riu, como se aquela fosse uma ótima piada.

“Eu não te devo nada, Lucy.” – ela desdenhava daquela frase – “Me mate. Me mate e tudo isso vai acabar.”

Lucy não entendeu. Mas sua resposta permaneceu firme.

“Não.” – A loira insistiu. – “Você não tem essa opção. Você vai responder as minhas perguntas.”

O vento soprava frio. Taiki imaginou como Rikka ainda conseguia sorrir.

“Quem é você?” – Lucy finalmente perguntou. – “E de onde você é?”

Um longo silêncio se seguiu até que Rikka finalmente respondesse.

“O que mais você quer saber? Eu sou Rikka. Sou uma Dragon Slayer. Eu venho de muito, muito longe. E não te devo satisfações sobre a minha vida.”

“Você conhece o portal do Eclipse.” – lembrou Lucy, de forma astuta – “Você queria as minhas chaves. E você mencionou alguma coisa sobre escapar desse inferno. Diga a verdade. De onde você é?”

Rikka virou o rosto. Lucy abaixou-se e ficou frente a frente com a garota de cara amarrada. De novo aquele papo sobre portais e chaves. Taiki já estava emburrado. Odiava não saber de algo que as pessoas sabiam.

Depois de um tempo encarando Lucy, Rikka deixou escapar.

“Eu não pertenço a esse lugar. Eu nem pertenço a este tempo.”

“Quer dizer que eu estava certa.” – Lucy acabou de concluir seu pensamento. – “Você veio do passado.”

Até Natsu pareceu impressionado com aquela descoberta. Rikka fez que sim com a cabeça. Por algum motivo, tentou usar sua magia para se libertar naquela hora.

Claro que não conseguiu.

“Olha, eu não queria machucar ninguém.” – a garota garantiu – “Eu esperava que os dragões mantivessem Dragneel ocupado. Eu não esperava encontrá-lo. Eu cercaria você e o Chibiko. Eu tomaria suas chaves. E nada disso adiantaria de nada, não sem a droga do seu poder mágico.”

Taiki não gostou quando ela chamou-lhe daquele jeito. Mesmo assim, estava surpreso. Rikka sabia tudo sobre ele e sua família. Estava procurando por eles. Se Taiki não a tivesse salvado naquele vilarejo, ou ela estaria morta, ou ela teria matado sua mãe e roubado suas chaves.

Ele agradeceu em silêncio pelo pai estar por perto para salvá-los.

“Eu sou estúpida.” – Rikka martirizou-se – “Devia saber que ela mentiria para mim.”

“Quem?” – quis saber Lucy. – “Quem mentiu para você?”

A expressão de Rikka endureceu, tomando um aspecto sombrio.

“A mesma que me trouxe até aqui.” – respondeu ela, com frieza. – “A mesma que caça vocês como animais ao redor do continente. Estão vendo essa neve à nossa volta? Isso tudo é o reino dela. Ela teme a mim, porque sabe que eu posso acabar com tudo isso. Eu posso tirar dela o seu trono.”

“Explique direito! De quem você está falando?”

“Pergunte a ele.” – Rikka apontou com a cabeça para Natsu. – “Ele sabe.”

Todos os olhos se viraram para o rapaz. Ele demorou um longo tempo para responder.

“Yukiko.” – disse Natsu, por fim. – “A filha da neve. A nova rainha dos dragões.”

(...)

Taiki nunca havia caminhado tanto em sua vida.

Foram vários dias de descida pelos vales, florestas e colinas, desviando-se dos dragões que passavam de vez em quando, procurando-os, até eles finalmente deixarem as montanhas para trás.

Ele e sua família haviam passado a fronteira de Fiore há vários dias. Atravessaram um grande pedaço de terra, até que finalmente chegaram à cidade de Clover Town.

Aquela era uma cidade pequena, situada em uma área montanhosa, rodeada de árvores. A disposição das casas era uniforme, uma do lado da outra. Todas seguindo o formato das ruas, que giravam em espiral.

Sachi estava maravilhada. Era a primeira vez dela em uma cidade de verdade. Taiki devia estar surpreso também. E até estaria.

Isso se Rikka não estivesse caminhando ao seu lado.

Estar perto da garota o deixava nervoso. Ela já tinha ameaçado matar seu pai, sua mãe e só chamava Taiki de Chibiko. Sobre nenhuma hipótese, aquilo estava certo.

A garota tirou o seu rabo de cavalo prateado e colocou o cabelo sobre o ombro. Alisou-o com as mãos, desamarrando os nós. Era como um anjo de olhos azuis. Taiki ficou com cara de bobo.

“Pare com isso, Taiki.” – Sachi puxou a lateral de sua calça – “Ela não é pro seu bico.”

Aquilo fez o garoto voltar a si. Ele assumiu a postura de menino emburrado, de novo. Ninguém percebeu. Ele conseguiu perguntar:

“Afinal de contas, porque viemos para cá?”

Lucy sorriu. Natsu continuava indiferente, ajeitando o cachecol sobre o pescoço. Mas, para o desagrado de Taiki, foi Rikka quem o respondeu.

“Nós queremos vencer uma guerra, Chibiko.” – aquela garota nunca abandonava o seu tom irônico. – “Mas não vamos fazer nada sem chegar à capital. Essa é a última das cidades, ligadas pelo trem. Vamos fazer aquela coisa funcionar e tentar chegar em Magnólia. De lá, eu verei o que podemos fazer.”

“Espere um momento!” – Natsu surpreendeu a todos, fazendo-os parar imediatamente. – “Um trem? Esse é seu plano? Lucy, eu não concordei com esse plano! Eu não vou!”

A loira suspirou e colocou as mãos na cintura.

“Natsu, é a melhor ideia que nós temos.” – Natsu estava com uma cara fechada –“Nós não vamos andar até a capital.”

“É, não reclame, Dragneel!”—Rikka também fechou a cara e fez uma careta. – “Não é como se eu gostasse dessa ideia, também.”

Natsu protestava aos berros, mas logo se calou, quando Lucy murmurou um “Hai, hai...”, forçando o rapaz a continuar andando pela estrada com um puxão de orelha.

Não se via uma cena daquelas todos os dias.

“Mas espere um instante.” – Sachi lembrou, um pouco preocupada – “E se os dragões atacarem o trem?”

“Ah, eles não vão fazer isso.” – Rikka terminou de arrumar os cabelos e amarrou de volta o seu rabo de cavalo. – “Acredite, dragões não gostam de trens. Não vão nos incomodar, eu garanto.”

Taiki franziu as sobrancelhas. Rikka notou a desconfiança do garoto, e completou:

“O que foi, Chibiko? Duvida de mim?” – o garoto não respondeu. – “Ah, não se preocupe. Logo você vai entender porque.”

(...)

Aquela garota idiota e sua ideia cretina.

Taiki nunca tinha subido em um trem antes. Não podia deixar de pensar em como uma máquina daquele tamanho e tão pesada poderia levá-los para outra cidade. Pelo menos, não mais rápido do que o garoto andaria a pé.

Lucy ainda tentava entender os controles e como aquilo tudo funcionava. Ela fez Taiki, Sachi e Rikka encherem o trem de carvão, já que não sabiam se o combustível seria suficiente até o fim da viagem .

Natsu estava ocupado, apertando botões aleatórios no painel de comando e tentando descobrir o que eles faziam.

“Natsu!” – a loira tentou chamar a atenção do rapaz, que na mesma hora levantou as mãos para cima. – “Não toque em nada! Não quero você quebrando o trem antes da gente conseguir sair!”

“Assim não tem graça, Lucy.”

Natsu fez uma cara emburrada. Taiki olhava para aquilo, e reconhecia um lado do pai que até o dia de hoje, ele não tinha visto antes. O lado curioso e brincalhão, o mesmo que Lucy vivia falando para ele.

Mas quando o trem começou a andar, foi que Taiki sentiu o que Rikka e Natsu estavam querendo dizer.

O rosto de Taiki agora era um balão verde e enjoado.

O mundo inteiro parecia estar balançando de um lado para o outro. Porque ele estava tão tonto? Sinceramente, daria para entender se os dragões não gostavam daquilo. Taiki preferia estar lutando com um.

O rosto de Rikka não estava melhor. Ela tinha ataques de ânsia o tempo todo, ameaçando vomitar sobre o carpete vermelho do trem. A garota só conseguiu levantar a cabeça uns poucos segundos para Taiki, como se tivesse dizendo: “Eu te avisei.

Por incrível que pareça, Natsu estava bem. Ele estava de olhos fechados e de braços cruzados. Roncava como um porco. Lucy o cutucou com o cotovelo e ele acordou assustado, olhando para os lados.

“O que é? O que foi?”

A loira olhou para ele, depois para Taiki e para ele de novo. Não precisou dizer nada. Natsu bufou e colocou as duas mãos sobre a testa do garoto. Uma magia brilhou de suas mãos. Taiki se sentiu muito melhor.

“Ótimo.” – disse Lucy. – “Agora Rikka.”

Natsu começou a se aproximar da garota. Então, um sorriso cretino surgiu em seu rosto.

Dragneel...” – Rikka amaldiçoava-o com os olhos, por nem tentar diminuir sua dor.

(...)

Levou várias horas. Eles passaram por várias cidades diferentes. Paravam no caminho para pegar mais carvão, deixando-o espalhado sobre os vagões sobressalentes.

Foi um alívio quando eles finalmente chegaram a Magnólia.

Aquela, um dia, foi uma brilhante e magnífica cidade. Ao sair da estação de trem, Taiki se viu surpreendido pela quantidade de enfeites e luzes que ainda permaneciam acesas. Mesmo deserta, aquela cidade continuava bem viva a seus olhos.

“Não pode ser.” – Lucy deu alguns passos e olhou na direção de alguns prédios destruídos. —“Sigam-me. Acho que arrumei nossa carona.”

Ela guiou os outros até uma série de casas, que tinham desabado em efeito dominó. Sobre elas, não dava para acreditar. Havia uma espécie de navio bombardeiro, todo colorido de azul.

Tinha a forma de um cavalo gigante, com as patas quebradas pela uma aterrissagem forçada. O casco estava marcado por uma logo colorida de um pégaso azul. Mas tirando isso, o navio parecia bem conservado.

Só a asa quebrada é que era o problema.

Praguejando pela falta de sorte, Rikka ficou pensativa por um instante.

“Talvez possamos concertá-la. Você!” – ela apontou para Lucy. – “Entre lá e tente entender os controles. Precisamos fazer essa coisa voar. Você vem comigo, Dragneel. Vamos tentar achar algumas partes para arrumar os estragos.”

“E o que eu faço?” – Taiki perguntou, se oferecendo para ajudar.

“Esqueça, Chibiko.” – o garoto fez uma cara emburrada. – “Não me olhe assim. Se quiser, você e a gatinha podem dar uma voltinha por aí. Só me faz um favor, ok? Não vá longe. Nós estamos com pressa.”

(...)

Não vá longe, ela disse. Foi exatamente o que Taiki fez.

Só que ao contrário.

Ele estava à beira de um extenso lago. O bombardeiro Christina, como Lucy chamava-o, estava agora do outro lado da cidade. Sachi voava acima da cabeça dele. Aquele era um primeiro momento deles sozinhos.

“Seus pais são uns babacas.” – Sachi disse, por fim. – “Eles deixaram a gente de fora.”

Taiki sabia do que ela estava falando. Ele também não gostava daquilo. Lucy, Natsu e Rikka falavam de portais, chaves e de uma rainha dos dragões. Mas sempre que o garoto perguntava, ninguém explicava nada. Sachi continuou:

“Queria entender o que aquela vaca falou para eles. Bruxa... Louca... ”

O ar foi ficando sujo de tantos xingamentos que vinham da boca de Sachi. Mas Taiki não estava ouvindo direito.

O garoto estava olhando na direção de um dos prédios destruídos que chamou sua atenção.

O prédio foi construído à beira do lago. Como todas as outras construções naquela cidade, era feito de madeira e tijolos. O tempo e o clima foram cruéis com ele. Vários pedaços da antiga construção estavam espalhados pelo chão. Mas não foi isso que Taiki notou primeiro.

Agora, o prédio parecia ser feito de gelo. Mesmo a madeira e a pedra estavam cobertos por uma crosta transparente, como se tivessem sido condenados a ficar daquela forma para sempre. E também, havia uma marca muito familiar gravada sobre o portal de entrada.

Taiki não lembrava direito, mas sabia que já tinha visto aquela marca antes em algum lugar. Sachi interrompeu o seu voo, olhou para o prédio e depois para o garoto.

“Ah, não.” – a gatinha resmungou. – “Você não vai entrar aí.”

Tarde demais. Ele já estava lá dentro.

(...)

Era como se eles tivessem entrado em um Freezer.

Taiki achou que estava acostumado com o frio. Mas uma vez ali dentro, ele começou a espirrar e sentiu seus ossos ficarem mais duros. Sachi já estava se abraçando. O garoto ficou com medo de que se a gatinha caísse no chão, se espatifasse como uma escultura de gelo.

Aquele lugar dava medo. Como se alguém, ou alguma coisa, tivesse tido uma atenção especial em deixar cada mesa quebrada, os outros móveis, tapetes e ornamentos eternizados para sempre sobre o gelo.

As paredes no fundo do salão estavam abertas com um rombo gigante. Aquilo não dava pra ver do lado de fora, sem contornar o prédio ou entrar nele. Taiki engoliu o seco. Podia imaginar que tipo de monstro faria um buraco daqueles.

Algo chamou sua atenção. Rachaduras levavam a um corredor destruído, antes escondido nos fundos do prédio. Uma parede antiga, que antes devia bloquear o caminho, estava destruída e corroída pelas rachaduras de gelo. Em seu lugar, havia um alçapão, que dava em uma escadaria escura.

Sachi voou até lá. Aquilo definitivamente era algo suspeito. Taiki respirou fundo e começou a descer.

Ele e Sachi avançavam sobre a escada de pedra em espiral. Quando ficou escuro, ele fez suas mãos brilharem com seu fogo azul. As velas que deveriam iluminar o caminho estavam apagadas. Ficaram um bom tempo nisso, imaginando o que teria no final daquele caminho.

No final, havia uma porta fechada. Taiki tentou abrir com cuidado, mas a porta tombou e caiu para frente.

Eles seguiram adiante.

Estavam agora sobre um salão quadrado. Havia um imenso portal de pedra, fechado diante deles. A marca que Taiki tinha visto na entrada estava agora em todos os lugares. Nos enfeites de bronze, nas paredes e até no teto e no chão.

Porque ele sentia como se conhecesse aquele símbolo? Porque ele sentia que aquilo era uma informação importante?

Quando Taiki pisou na marca que estava no centro, ela começou a brilhar em uma luz dourada.

O garoto e Sachi se abraçaram quando um círculo mágico surgiu na frente deles. Do nada, o portal de pedra começou a se abrir.

Taiki e Sachi continuaram abraçados, de olhos fechados. Os dois não tinham ideia do que havia além daquele portal. Ambos ficaram parados até que as portas de pedra terminaram de se arrastar pelo chão e silenciaram.

Sachi abriu os olhos, olhou para frente e soltou um xingamento.

“Bah, isso é palhaçada!” – a gatinha empurrou Taiki para longe. – “Não sei para que tanto drama. Não tem mais nada aqui.”

Notas finais
E então, galera? O que acharam? Deixe para mim um comentário ou seu favorito. Se der, espalhem para os amigos. O apoio de vocês é muito importante. Sem vocês, não tem história. Agradeço de novo pelo seu tempo, pela sua paciência, e espero ver todos novamente no capítulo 5! Um abraço e até lá! Dicionário do capítulo: Chibiko: Nanico, pirralho. Hime: Princesa. A forma que Virgo se refere à sua dona, Lucy. Hai, hai: Sim, sim. Claro, claro. Nem sei se isso é uma expressão de verdade, mas eu imaginei a cena assim.