O Último Dragão Rei

5 Sem Tempo para Dizer Adeus


Notas iniciais
Pessoal. Atenção aqui. Eu fico feliz de anunciar que nossa Fic já conta, hoje, com 204 acessos, em apenas cinco dias de fanfic. Isso sem contar o dia de hoje. 147 no Nyah, e 57 no Spirit. Queria agradecer, de coração, à Fujoshi, e sua recomendação incrível. Para quem não sabe, o Nyah permite que os leitores recomendem as Fanfics que eles leem. E eu estou emocionado de verdade com o que essa minha leitora escreveu. Para todos os outros que passarem por aqui, eu nunca tive um público tão grande. Pra mim, 204 é muito mesmo. Então mesmo para quem não comentou, obrigado, de coração. Queria deixar um abraço para a Himeka-chan, que apoiou essa fic desde o primeiro instante. E queria agradecer também à LadyYami, que favoritou a fanfic no Spirit. Aliás, LadyYami, queria te pedir um favor. Da próxima vez que postar vídeos em seu perfil, coloque um aviso do lado. Aquela coisa pode ser extremamente viciante. Eu mostrei para um amigo meu e ele ficou me perguntando se era aquilo que eu vivia fazendo da minha vida todo dia. Se eu esqueci de alguém, não se preocupem. Eu edito. Lembrando a todos, ainda podem haver erros que eu não tenho problema em reconhecer e corrigir. Agradeço a todos mais uma vez, e desejo-os uma boa leitura!

Do lado de fora do prédio congelado, Taiki tentava entender o que havia visto.

Ele se perguntava que tipo de pessoa cavaria tão fundo no subterrâneo, faria uma câmara enorme daquele tamanho, só para esconder um monte de nada. Ainda tinha o problema da marca, que o garoto não havia reconhecido. A cabeça dele estava entrando em curto.

Mas de uma coisa, Taiki sabia. Aquele lugar era importante. O suficiente para alguém odiá-lo a ponto de deixar o lugar intacto, congelado exatamente da forma que havia sido foi destruído.

Como um lembrete, para todos aqueles que viviam naquele prédio.

“Bom, foi divertido.” – anunciou Sachi, se colocando no ar com suas asinhas minúsculas. – “Mas eu acho que se demorarmos mais um minuto, a Lucy vai querer arrancar os meus bigodes. Vamos. Vamos voltar para o Cavalo gigante.”

E dizendo isso, a gata lançou-se preguiçosamente para o céu e se direcionou para a rua em que o bombardeiro Christina estava caído. Taiki fez menção de segui-la. Mas quando o garoto deu seu primeiro passo, algo o assustou.

Uma risada. A voz de uma menina.

Taiki virou de costas, e olhou para o que restou das escadas que davam acesso ao prédio congelado. Foi quando ele a viu pela primeira vez.

Sentada sobre os degraus, estava uma garota de rosto sorridente. Seu rosto era sereno. Ela estava feliz. Um cabelo loiro, longo e ondulado, estava solto pelas suas costas, chegando até a altura dos pés. Uma única mecha dele apontava para frente e... Aquilo eram asas cor de rosa em sua cabeça?

Seus olhos eram verdes e sem íris. Ela usava um robe rosa-claro, que a cobria os braços e pernas até um pouco acima dos tornozelos. Um laço vermelho estava amarrado sobre o pescoço dela. Em torno do peito havia três desenhos azuis da roupa, com formato de diamante. Cada um deles tinha dois triângulos azuis em cima, adornados em rosa quente.

Seus pés estavam descalços. E ela os balançava timidamente, para frente e para trás, já que a altura deles não atingia o chão.

Ela riu novamente. Taiki achou que ela estava rindo dele. Antes que ele pudesse tirar satisfação, a menina perguntou:

“Então? Foi você que me acordou?”

O garoto não entendeu. Só de olhar o rosto dele, a garota da escada parecia ter vontade de rir de novo.

“Já se passaram anos desde que você veio me visitar. Eu fico feliz que tenha vindo.”

“Do que está falando?” – Taiki estava começando a suspeitar que aquela garota era maluca. “Eu não te conheço.”

“Não, suponho que não.” – a garota garantiu, sorrindo. – “Você era um bebê. Não tinha como se lembrar.”

Taiki estreitou os olhos. Estava claro. Ela era maluca.

“O que está fazendo aqui?” – o garoto perguntou, ainda meio preocupado – “Não sabe que é perigoso? Tem dragões por aí. Você devia vir comigo.”

A garota sorriu gentilmente, mas recusou a oferta com a cabeça.

“Eu fico feliz.” – ela continuou – “Mesmo depois de tanto tempo, o espírito da minha Guilda está vivo. Me desculpe, mas não posso. Essa é a minha casa. Eu não vou embora.”

Ela ainda sacudia os pés, fazendo uma cara de inocente. Seu rosto era radiante.

“Vá, agora.” – a garota de cabelos loiros ordenou. – “E se quiser meu conselho, mostre aos seus inimigos o que eles precisam ver. Use o que você tem.”

Suas palavras não faziam sentido. Taiki estava ficando nervoso. Antes que ele pudesse se aproximar e pegar no braço da garota, ele ouviu Sachi chamando lá ao longe.

“Ei!” – a gatinha reclamava. Ela se aproximou de Taiki e ele se virou para ela. –“Qual o seu problema? Porque essa cara de imbecil?”

“É essa garota! Ela não fala coisa com coisa!”

“Garota?” – Sachi olhou para os lados – “Que garota?”

Taiki estava a ponto de gritar. Ele apontou para a escada do prédio, e olhou para lá com raiva. Então, ele espantou-se.

A garota com asas no cabelo não estava mais lá.

“Se está querendo ficar maluco, tudo bem.” – afirmou Sachi – “Mas faça isso mais tarde. Nós temos que ir andando.”

“O que pensam que estão fazendo?” – uma voz irritada surgiu do meio das casas.

Rikka vinha correndo na direção deles. Sachi já encheu a garota de um monte de palavrões, mas Rikka pouco se importava. Ela agarrou o braço de Taiki e começou a puxá-lo para a direção do bombardeiro.

“O que houve? O que está acontecendo?”

“Apenas cale-se, Chibiko! Continue andando e não olhe para trás!”

O garoto ouviu Sachi soltar uma exclamação desesperada, passando a voar em disparada na frente deles. Só por implicância, Taiki quis desobedecer a garota e olhar para cima, na direção do sol.

Primeiro ele achou que fosse um eclipse. Depois, entendeu o desespero de todos. Rikka atirou um projétil de gelo para cima, sinalizando que tinha encontrado Taiki e Sachi.

E os três começaram a correr.

Porque um exército de dragões voava na altura do horizonte, pronto para causar um pandemônio.

(...)

Tempo era essencial.

Lucy já havia dominado os controles. Natsu e Rikka tentaram usar as partes que conseguiram achar para tentar concertar a asa quebrada. Mas não tinham mais tempo. Uma vez que todos estavam à bordo, Natsu envolveu a asa com uma magia de vento poderosa.

O bombardeiro Christina levantou voo.

Porém, mesmo com o domínio de Lucy sobre a máquina, ela ainda voava muito devagar. Os motores ainda estavam aquecendo. Até que conseguissem uma velocidade razoável, os dragões já estariam encima deles.

Eles precisavam de um plano. Taiki andava de um lado para o outro, tentando encontrar uma solução. Natsu se concentrava em manter o navio no ar.

Naquela hora, o garoto lembrou-se das palavras que seu pai havia dito, vários dias atrás.

Os dragões conhecem o meu cheiro. Eles podem sentir a minha magia.”

Ao mesmo tempo, as estranhas palavras da menina de cabelos loiros subitamente faziam sentido.

Se quiser meu conselho, mostre aos seus inimigos o que eles precisam ver. Use o que você tem.

De repente, ele tinha um plano. Ele sabia o que fazer.

“Sachi!” – o menino a chamou. Antes que Lucy ou Rikka pudessem impedi-lo, ele se jogou da borda do navio e começou a cair em pleno ar.

Não precisava ter medo. Sachi mergulhou para pegá-lo. Ela segurava o amigo pelo casaco dele, perguntando sem palavras: “Para onde?”. Taiki apontou para a estação de trem. Eles voaram para lá.

Quando chegaram à estação, Taiki foi até a cabine de comando do trem e começou a fuçar nos controles. Algum daqueles botões tinha que fazer aquela coisa andar. Sachi ajudava, mas não importava o que fizessem, eles não conseguiam colocar o trem em movimento.

Rikka apareceu bufando de raiva. Ela entrou na plataforma chutando uma porta semiaberta. A garota parecia que estava pronta para explodir alguma coisa.

“Ficou maluco, Chibiko?” – ela estava realmente à beira de um ataque de nervos. – “Tem ideia da cara que sua mãe ficou, e o que ela ameaçou fazer comigo se eu não trouxesse você de volta?”

“Cala a boca!” – Taiki não parou de tentar mexer nos controles. – “Me ajuda a ligar essa coisa! Tem carvão espalhado pelo trem inteiro. Se eu colocar meu fogo nele, o dragões vão seguir o trem! Talvez...”

A expressão de Rikka mudou várias vezes em um curto espaço de tempo. Passou de desespero para raiva, depois para pensativa, até que finalmente mudou para aquela cara de: “Caramba, ele tem razão!”. Sem que o garoto precisasse convencê-la, ela se aproximou para ajudá-lo.

Era o melhor plano que eles tinham.

Alguns minutos se passaram. Taiki girou uma chave e o motor do trem começou a zumbir. Ele e os outros soltaram um grito de alegria. Mas para o desespero de todos, o trem só andou alguns centímetros e parou com um ruído metálico.

“O que foi agora?” – Rikka reclamou. Ela, Taiki e Sachi continuaram apertando os botões.

A gatinha de pelo vermelho se cansou. Ela flutuou até uma alavanca que estava próxima, enchendo o trem de xingamentos.

“Sua lata velha! Você não serve para nada!”

Com raiva, Sachi chutou a alavanca. Os freios foram acionados e o trem começou a se mover. Os outros dois olharam para ela, surpresos.

“Olha só, gatinha!” – Rikka sorriu para ela. – “Você é um gênio.”

“Não faça isso.” – pediu Taiki. – “O ego dela já é grande demais.”

Todos se permitiram um sorriso. Enquanto Sachi terminava de se vangloriar, Taiki passou correndo pelos vagões, espalhando seu fogo azul pelas pilhas de carvão que ele encontrava. O garoto saiu do veículo bem a tempo de vê-lo disparar sobre os trilhos, deixando um rastro de fumaça preta pelo caminho.

Sachi decolou e levou Taiki de volta para o convés do Christina. Lucy abraçou o filho como se quisesse quebrar suas costelas magrelas. A loira olhou para os lados, desesperada.

“Onde está Rikka? Ela não conseguiu?”

Como se respondesse sua pergunta, a garota de cabelos prateados apareceu na frente deles. É claro que ela conseguiu. Em suas costas, havia um par de asas de dragão feitas de gelo. Era mais um truque de sua magia.

“Exibida...” – Sachi deixou escapar.

Naquele momento, Lucy mudou para seu modo macabro. Ela apertou tanto as bochechas do filho que parecia querer arrancá-las fora.

“Então, você gosta de me deixar maluca, não é?” – o tom na voz de Lucy era assustador. – “Acha engraçado pular de um navio voador em movimento, não é? O que você estava pensando?”

Ela escutou o plano. De repente, Lucy teve vontade de largar as bochechas do filho. O garoto gemia de dor, enquanto tentava massagear o local dolorido. A mãe sorria de orgulho.

O Christina agora estava longe, cruzando os céus na direção oeste. O trem pegando fogo estava segundo para o sul. A legião de monstros estava se aproximando de Magnólia, cobrindo a cidade com suas sombras gigantescas.

Taiki sorriu. Os dragões ignoraram completamente o cavalo voador gigante e continuaram a seguir o rastro de fumaça que o trem deixava para trás.

“Eu tenho que admitir, pirralho...” – Natsu se concentrava em manter o navio em curso – “Você não é tão idiota assim.”

Vindo do pai, era o melhor que Taiki podia esperar.

(...)

Depois de um tempo, Rikka fez um trabalho meio porco, afinal, ela não era mecânica. Mas por fim, a asa quebrada do bombardeiro passou a funcionar sozinha. Natsu desfez sua magia e eles não caíram.

Já estava bom.

Taiki estava na proa do navio, com os braços apoiados no corrimão dourado, ao lado de uma gigantesca cabeça de cavalo. Ele olhava para baixo, vendo aquele monte de árvores e montanhas pintadas de neve, passando depressa.

Não estava enjoado. Por algum motivo, estava bem. Voar nunca o deixava com mal estar.

Eles deviam estar com sorte. Nem mesmo um único dragão apareceu para incomodá-los. Mesmo se àquela altura já tivessem descoberto o truque do trem pegando fogo, já seria tarde demais para interceptá-los.

Mas não era em nada disso que ocupava a mente de Taiki. Ele tentava entender o que tinha acontecido há algumas horas atrás.

O garoto tinha certeza que o prédio congelado estava vazio quando ele entrou. E então, aquela garota de pés descalços apareceu, falando como se já o conhecesse. Ele tinha certeza, nunca a tinha visto antes. E ela desapareceu do nada. Não deixou cheiro nem rastro.

Era como se ela fosse um fantasma.

O pensamento fez Taiki sacudir a cabeça. Chega. Pare de pensar naquilo.

“Você mandou bem lá atrás, Chibiko.” – Rikka aproximou-se sem cerimônia. Taiki virou-se e bufou de tédio. – “Salvou os nossos traseiros.”

“Foi sorte, eu acho.” – Taiki não soava muito convincente. Não queria contar sobre a dica que recebeu da garota loira. – “Não sabia se ia funcionar.”

“Não importa.” – a garota afirmou – “E eu não acredito nessa coisa de sorte. Você já me salvou uma vez. Essa de agora não conta.”

O menino ficou de costas para ela e continuou olhando para longe.

“Esquece isso.” – Taiki pediu. – “Eu só fiz o que eu achava que...”

O beijo dela o calou.

Foi algo inocente. Na bochecha, de leve. O garoto corou rapidamente, enquanto Rikka fingia nojo pelo que havia feito, limpando os lábios com as mãos.

“Eca. Gosto de Dragneel.” – Ela continuou fingindo, virando de costas para o garoto e caminhando na direção da cabine do piloto. Levantando uma das mãos para cima, Rikka continuou : – “Não se esqueça, essa de agora não valeu. Eu só estou te devendo uma.”

E seja lá o que a garota tenha dito depois daquilo, Taiki estava muito ocupado, sorrindo como um idiota, para tentar entender.

(...)

Mais alguns dias se passaram.

Natsu já estava enjoado depois de ficar tanto tempo no ar. Se tinha alguma coisa em que ele e Taiki concordavam, era que eles tinham chegar em terra firme o mais rápido possível.

Com o tempo, as tempestades de neve aumentavam. Quanto mais eles se aproximavam da capital, mais violentos eram os ventos. O grupo foi obrigado a fazer um desvio na sua rota em linha reta, já que o navio não aguentaria seguir adiante acima das montanhas.

Eles passaram pelas ruínas do que devia ser uma cidade muito importante. Agora, quase tudo estava soterrado pela neve. Só dava para reconhecer uma montanha de pedra erguida no centro da cidade. Encima dela, os resquícios do que parecia ser um imenso palácio de mármore branco.

“Ali era ERA.” – Informou Lucy, para os ouvidos atentos de Taiki e Sachi, que não tiravam o olho do palácio. – “Era aqui que o conselho se reunia e discutia sobre tudo o que acontecia no mundo mágico.”

E tão logo eles passaram por ali, o passeio turístico acabou.

Antes que percebessem, eles estavam sobrevoando outra gigantesca cidade. Essa era bem mais organizada, com as ruas ligadas a um círculo no centro. Paralelas à cada rua, milhares de casas erguiam-se uma ao lado da outra, em perfeita harmonia.

O círculo no centro era rodeado de um muro de concreto, separando os limites entre as casas de camponeses da imagem de um gigantesco castelo dourado. Mesmo da distância em que estavam, o ouro reluzente das torres altas brilhava contra o casco de Christina.

“Bem vindos, forasteiros.”—anunciou Rikka, imitando uma voz de comissário de bordo – “Essa é Crocus, capital do reino de Fiore, lar da perigosa e assassina rainha dos dragões.”

(...)

“Calma...Calma... AGORA!”

Lucy empurrou o manche com toda força, mergulhando Christina contra uma das estradas de uma maneira brusca demais.

Fazer o que? Ela não tinha trens de pouso.

A rua e calçada foram arrastadas, levando embora o que sobrou do casco e das asas do navio. Quando eles finalmente pararam de tremer, Rikka não deixou de comentar.

“Eu estava pensando em jogar o navio pra cima do castelo e explodir a gente junto. Sua ideia foi melhor.”

Sachi ajudou todos a descer, e então o grupo subiu as escadas, em direção ao castelo.

Os portões estavam abertos. Não havia ninguém vigiando.

E quando eles atravessaram os portões do castelo, o mundo ficou ainda mais frio.

Lá dentro, tudo era enfeitado de vermelho. Desde o carpete por onde Taiki andava, até as cortinas das janelas e os enfeites dos candelabros e dos lustres pendurados no teto.

“Por aqui.” – disse Rikka. – “Eu conheço o caminho.”

Lucy, Sachi e Natsu a seguiram. Taiki ficou um tempo admirando um grande quadro emoldurado na parede. Nele, um homem baixinho carregava a filha pequena nos ombros, que tinha um cabelo verde curto e um sorriso no rosto. A menina estava de olhos fechados e braços abertos, como se pudesse bater asas e voar.

O garoto saiu de seu devaneio e seguiu adiante com os outros.

Tudo estava bem. Rikka os guiava pelo que parecia ser um labirinto interminável de salões gigantescos. Taiki teria se perdido fácil. Mas o senso de direção da garota parecia inabalável.

Foi quando uma voz ecoou em seus ouvidos. O garoto arregalou os olhos, e percebeu uma reação similar no rosto de todos.

Seus humanos desprezíveis...” – havia ódio naquela entonação. – “Vocês ousam invadir a minha casa?

“Não escutem ela.” – Rikka tinha o pavor estampado em seu rosto, mas ainda conseguia falar – “Não usem magia. Assim, ela não vai saber onde estamos.”

Vocês confiam mesmo nisso?” – a voz parecia querer provocá-los. – “Confiam suas vidas a essa menina?

“Ela não sabe de nada. Vamos! Estamos quase chegando.”

Mesmo contrariados e alarmados, o grupo seguiu em frente. A voz ainda tentava envenenar os pensamentos deles contra Rikka, que não parava mais para contra-argumentar.

Ela os guiou pelos corredores, até que chegaram a um portão fechado. Rikka fez menção de abri-lo.

“Espere.” – Natsu ordenou. – “Eu vou. Sozinho.”

“O que?” – Lucy e Taiki disseram ao mesmo tempo.

“Eu posso sentir o cheiro dela. Ela está atrás dessa porta.”

O coração de todos pareceu parar. Se o que Natsu estava dizendo fosse verdade, a própria rainha dos dragões estava ali, esperando por eles. Lucy confiava no faro Natsu. Sabia que ele não estava mentindo.

“Lucy, você precisa ir.” – Natsu girou os músculos e alongou-se. Estava pronto para a luta. – “Ache aquele portal idiota. Abra-o. Eu sei que você consegue fazer isso.”

As lágrimas de Lucy começaram a cair. Já havia visto aquela cena tantas vezes. Já havia perdido tanto. Porque ainda doía? Porque as palavras de Natsu soavam como uma despedida?

“Eu posso dar tempo a vocês. Vocês precisam ir.”

Taiki queria dizer alguma coisa. Mesmo sendo seu pai, aquela era a mais poderosa e mais perigosa de todos os dragões. Natsu não sobreviveria. Não por muito tempo.

“Taiki...” – Seu pai o chamou.

O garoto sentiu um frio percorrer sua espinha. Era a primeira vez que seu pai o chamava pelo nome. O garoto deu um passo à frente, temendo o que viria a seguir.

“Quando Igneel me deixou, ele não me disse nada.” – o pai olhava diretamente nos olhos do filho. – “Ele se foi. Eu por meses até que ele voltasse, mas ele não veio. Ele me deixou sozinho. Por isso, enquanto eu posso, eu quero dizer algumas coisas pra você.”

Era difícil encarar o pai e tentar esconder as lágrimas que não paravam de cair.

“Nunca se esqueça de quem você é. Seu nome é Taiki Dragneel. Você também carrega o legado que Igneel deixou para nós. Eu sei que você vai continuar lutando, não importa o que aconteça. Eu sei que você não vai desistir.”

O coração de Taiki estava partindo em pedaços.

Lá no fundo, ele entendia que aquilo era uma despedida. Ele entendia que seu pai não iria mais voltar.

“Mas nunca se esqueça...”— Taiki podia jurar que aquele era um sorriso no rosto do pai. – “Nós somos diferentes desses idiotas. Nós lutamos por um motivo. Nós sabemos o que vale a pena proteger.”

O rapaz de cabelos rosados colocou uma das mãos sobre a cabeça do filho. Bagunçou um pouco mais os cabelos loiros da criança, como se aquele fosse um último ato de carinho que um pai tinha a obrigação de fazer.

Até que, de repente, Natsu virou de costas.

Foi a última coisa de que Taiki se lembra. Ele não ouvia som de seus próprios gritos de protesto e não sentia a força de Lucy puxando-o para um corredor paralelo. A imagem de Natsu foi desaparecendo aos poucos.

O guerreiro de cabelos rosados expirou, reassumindo sua postura de batalha. Ele abriu o portão e entrou em um imenso salão decorado.

E lá dentro, um dragão gigantesco esperava por ele.

(...)

“Controle-se, Chibiko. Estamos quase chegando.”

Ouvir a voz de Rikka não ajudava.

O que sobrou de Taiki continuava sendo arrastado pelos corredores do castelo contra a sua vontade. Se não fosse pela insistência de Lucy e Sachi, o garoto nem sequer sairia do lugar. Suas pernas simplesmente não funcionavam mais.

Como as coisas acabaram assim? Ele queria que tudo aquilo não fosse real.

Só daquela vez, ele quis que Rikka se calasse. Taiki havia acabado de deixar o pai para morrer. Não precisava escutar a opinião daquela garota intrometida.

Ele e seu grupo pegaram um caminho alternativo e continuaram descendo uma escadaria longa. Aquela parte do castelo não parecia igual às outras. Quanto mais eles desciam, mais escuro e sombrio ficava.

Aquela passagem parecia antiga, escondida desde a época da construção daquele castelo. Luzes sobrenaturais iluminavam o caminho. Quando eles finamente chegaram ao fundo do subterrâneo, Rikka abriu uma porta.

Eles estavam diante de uma espécie de porão circular. Várias colunas antigas sustentavam o peso do teto de pedra, que parecia querer desabar a qualquer momento.

E no centro daquele imenso salão, estava o portal do Eclipse.

Não era nem de longe como Taiki imaginava. Parecia um portão comum, adornado de detalhes azuis, verdes e dourados. Entretanto, ele era enorme. Perto dele, Taiki se sentia um nanico.

“Já chega.” – o garoto ia por um fim naquela história. – “O que está acontecendo? Não dou mais um passo até que alguém me responda!”

É claro. Ele não ia simplesmente obedecer, calado. Não aceitaria mais ser tratado como uma criança, não quando tanta coisa estava em risco. Taiki queria a verdade.

Lucy cruzou olhares com o filho, enquanto o avaliava de cima a baixo. Parecia estar considerando um plano. Era como se ela estivesse julgando a determinação de Taiki com aquele olhar.

“Preste atenção.” – a loira, por fim, se decidiu. – “Eu vou contar tudo.”

A partir desse momento, o mundo de Taiki se quebrou.

As palavras que saíam da boca de Lucy eram duras e severas demais. Quase não havia emoção nenhuma nelas.

Como alguém poderia ser tão frio consigo mesmo? Como Lucy poderia ter guardado tanta dor, durante todos esses anos sem deixar que ninguém percebesse?

Era como as histórias que Taiki ouvia ao redor da fogueira todas as noites. A diferença é que essa história não teve um final feliz. No final dessa história, só havia dor e morte. No final dessa aventura, só havia tristeza e arrependimento.

Taiki queria a verdade. Mas agora que ele sabia de tudo o que seus pais perderam... Agora que ele sabia de tudo o que eles sacrificaram para sobreviver...

Parte dele acreditou que aquilo não era só uma história.

Rikka virou o rosto. Aos poucos, as palavras de Lucy tomaram um aspecto sombrio. Elas soavam cada vez mais como instruções e ordens. Taiki e Sachi ouviam em silêncio enquanto a loira lhes contava seu plano louco.

Um plano desesperado para mudar o destino.

“Você tem que estar brincando.” – os olhos de Taiki estavam vermelhos. – “Eu não posso fazer tudo isso.”

“Não temos mais tempo.” – a mãe argumentou. – “Você e Sachi precisam ir com Rikka. Eu preciso ficar e manter o portal aberto.”

“Se fizermos isso, você vai morrer! Como pode me pedir algo assim?”

“Taiki... Você é gentil, como o seu pai. Mas é esperto, como eu. Você entende que é preciso. Lembre-se do que Natsu disse. Ele acredita em você. Você tem que conseguir.”

“Por favor, Lucy!” – o garoto estava agora implorando. – “Não faça isso! Você não pode me deixar!”

“Você vai ficar bem, Taiki. Eu sei que vai. A vida que nós vivemos... Eu não queria isso pra você. Você vai conhecer o mundo como ele era. Você terá a chance de mudar tudo. Se não quiser que tudo o que eu te contei aconteça, então transforme o nosso futuro.”

Foi a partir daí que Taiki surtou. Rikka e Sachi tiveram que agarra-lo e levá-lo à força. Ignorando os protestos do filho, Lucy liberou o todo o seu poder mágico.

As dez chaves douradas sobre sua posse brilharam e se ergueram no ar. Duas outras, que pertenciam a Rikka, também atenderam ao chamado da maga estelar. Unidos, os poderes dos espíritos de Lucy se transformaram em uma só luz dourada.

A luz brilhou em direção ao portal. Ele se abriu. Rikka, Sachi e Taiki foram sugados por ele.

E a última coisa que Taiki ouviu foram três simples palavras, que se perderam no tempo quando o portão se fechou sobre o rosto choroso de Lucy.

Notas finais
E então, galera? O que acharam? Deixe para mim um comentário ou seu favorito. Se der, espalhem para os amigos. O apoio de vocês é muito importante. Sem vocês, não tem história. Agradeço de novo pelo seu tempo, pela sua paciência, e espero ver todos novamente no capítulo 6! Um abraço e até lá! Dicionário do capítulo: Chibiko: Nanico, pirralho. Proa: Ponta da frente de um navio. Convés: Piso superior um navio.