O Último Chamado
3 Capítulo 3
O dia amanheceu pálido. O céu ainda estava nublado, mas não chovia. Guido despertou tão naturalmente que se sentiu grato por não estar sobressaltado ou assustado por qualquer pesadelo. Passaram a noite na sala, num confortável e grande sofá. Estava nu, e ao seu lado dormia Thomas. Guido sentiu, como uma brisa, o perfume do outro. O cheiro natural que exalava de seu corpo era doce, e o deixava completamente entregue. O melhor dos perfumes, pensou. E sorriu. Mas havia outro aroma. Um mais forte, e mais secreto. Ainda sentia o gosto em sua boca: amargo no início, doce no final, e suave agora. A noite foi perfeita, em todos os aspectos. E Guido não queria levantar dali, não queria sair pra vida lá fora. Thomas dormia tão calmo, tão sereno abraçado a Guido, que seria injusto levantar agora. Decidiu ficar por mais algum tempo deitado nos braços de Thomas, e a proteção que sentia naquele simples gesto era inexplicável. Fechou seus olhos e ficou assim por vários minutos. Um tempo depois veio a consciência. Ela o avisou que precisava levantar e ir para o seu trabalho. Teria uma reunião importante com clientes, e tinha de terminar alguns desenhos para que fossem plotados1. Além disso, a cruel realidade estabelecia que não deveria passar a noite ali. Não podia! Ronald estava à espreita, como um débil mental que não servia para nada, somente para infernizar a vida dos outros. E se Guido continuasse frequentando aquela casa, colocaria em risco o trabalho e integridade de Thomas. Não era essa a sua intenção. Com um cuidado zeloso, desvencilhou-se do abraço de Thomas, mas a todo o momento o olhava, com vontade e carinho. Mas não queria acordá-lo. Queria ir embora sem falar com ele, para não tornar tudo mais difícil e doloroso.
Guido procurou suas roupas, mas então se lembrou de que elas estavam secando no banheiro da suíte, no segundo andar. Subiu as escadas, e lá em cima, enquanto pegava suas roupas, foi tentado a tomar um banho. Mas resolveu que não. Tinha de sair dali o mais rápido que conseguisse. Vestiu-se, e estremeceu ao sentir o frio das roupas parcialmente úmidas. Mas tinha de vesti-las, mesmo assim. Não queria sair com as roupas de Thomas. Se não depois teria de devolvê-las, e não podia. Precisava se afastar dele.
Desceu as escadas, e viu que Thomas ainda dormia. Seu peito pesou instantaneamente. Amava-o tanto, que doía. Queria se jogar nos braços dele, de novo. Queria fugir com ele. E sem perceber, ficou por minutos parado, observando-o dormir. Uma lágrima brotou de seu olhar, e escorreu pelo rosto. É tão injusto, pensou Guido, triste. Uma parte sua queria que ele acordasse, e o impedisse de ir embora. Mas a parte lógica sabia que não poderia ser assim. Preciso ir, pensou.
Antes de sair, foi até o escritório procurar papel e caneta. Depois escreveu um bilhete para Thomas, um bilhete cujas frases variavam entre “não podemos mais nos ver” e “precisamos nos afastar”. No final, com a cabeça girando, quase rasgou o papel. Mas deteve-se no último minuto, e respirou fundo, com seu coração aos pedaços. Levou o papel dobrado para a cozinha, largando-o sobre a bancada. Certificou-se de colocar uma caneca qualquer por cima do bilhete, de modo a fazer peso para que o papel não voasse com o vento que entrava pela janela da cozinha próxima ao pequeno jardim dos fundos. Depois, com uma última olhada no homem que amava e que dormia profundamente, deixou a casa. A porta trancou-se automaticamente por dentro, e então Thomas não poderia mais abri-la. O bilhete ficara lá, a espera de Thomas, e não havia mais volta.
(...)
A última noite voltou a sua memória, mesmo enquanto tentava se concentrar no trabalho. Então Guido sorriu sem perceber. Thomas era algo que ele não podia explicar, e Guido percebeu que mesmo após seis meses afastados, nada havia mudado e o sentimento era ainda absoluto. Ele amava Thomas. Mais do que qualquer amor ou paixão que tivesse sentido por qualquer outro homem, em qualquer outra época. Eram jovens, mas desde o primeiro instante sentiam como se conhecessem um ao outro há mais de mil anos! E mesmo assim, sempre que via Thomas, o coração acelerava como se fosse a primeira vez novamente. Guido desconfiava que aquele sentimento fosse do tipo que só se sente uma vez na vida. E desejou ardentemente que pudesse resolver tudo para poder ficar com Thomas, em paz. Mas Ronald ainda tinha a tal gravação. E, injustamente, ainda ameaçava Thomas de forma fria e cruel. E Guido não queria prejudicar o homem que amava. Amor fácil? Amor fácil é para os fracos. Amor forte, para os corajosos. Amor impossível não existe, então aquele só poderia ser um amor proibido. E esses são, definitivamente, os piores só por serem os melhores. Guido, Guido, ai de você... E perdeu-se em pensamentos sobre ele e Thomas. Sobre as sensações e os aromas. Sobre tudo o que lhe fazia bem. Mas nem tudo está bem, Guido. E, ao pensar nisso, olhou instintivamente a ferida em seu braço. Já criara casca, e não incomodava mais. A ferida cicatrizava realmente rápido. E, por mais paradoxal que fosse, Guido sentia medo por isso. Ao refletir, percebeu que sentia medo demais, e sabia que isso não estava certo. Mas o medo era inexorável. Assim como os pesadelos recorrentes que o acompanhava desde os dezoito anos. Pensou que se aquele pesadelo pôde feri-lo, então outros poderiam? Questionou-se. Era a primeira vez que algo daquela dimensão – a do sonho – vinha para a realidade. E estremeceu involuntariamente. Será que podem me matar?, sussurrou para si, e teve muito medo da resposta. Estava mergulhado num transe, vagando para bem longe por seus medos e receios, quando de repente seu celular começou tocar, e a alta chamada do telefone lhe provocou um susto maior e mais violento do que deveria. O coração estava disparado quando, sem querer, o nervoso Guido esbarrou com as costas da mão direita em uma caneca de café que estava próxima, e esquecida. A caneca virou, derramando a bebida já fria sobre o teclado do computador no qual trabalhava.
— Merda! — disparou, com certa ira. Não soube o que fazer primeiro: atender ao telefone, ou cuidar do teclado. E no ápice da dúvida, Nate surgiu em sua frente.
— Quer ajuda? — ofereceu, mas já estava com um pano seguro em uma das mãos, e um sorriso descontraído estampado no belo rosto. Guido o encarou ainda abalado pelo susto, embora seu coração já voltasse a bater normalmente. Ágil, Nate se aproximou já metendo a mão no teclado sem fio, pegando-o para si.
— Obrigado, Nate... — suspirou Guido, meio sem graça.
Nate riu.
— Você está distraído, como eu nunca vi. Problemas? — perguntou, enquanto enxugava o teclado, embora achasse difícil que voltasse a funcionar.
— O de sempre...
—... Pesadelos? — indagou Nate, a expressão séria. Guido o olhou outra vez, sem resposta. Nate sabia dos pesadelos, porque era ex-namorado de Guido. Conheceram-se na faculdade, e ficaram juntos durante quase quatro anos. Estavam juntos quando se formaram, e com um patrocínio dos pais de ambos, abriram um escritório juntos. Após o fim do relacionamento, um pouco traumatizante por sinal, pensaram em desfazer a sociedade. Mas tudo aconteceu na mesma época em que estavam trabalhando no primeiro grande projeto, para o primeiro grande cliente. E chegaram a um consenso de que, por mais difícil que fosse, deveriam ser profissionais até o fim daquele trabalho. Meses se passaram. E eles apenas se acostumaram com a rotina de trabalhar juntos todos os dias. A comunicação ficou mais fácil, e o entendimento fluiu. A mágoa se foi, ou tão perto disso que não fazia diferença2. O dinheiro estava entrando com fartura, e então firmaram amizade. Mas Nate conhecia Guido, e o conhecia bem. E sabia dos pesadelos, porque por muitas madrugadas abraçara-o, quando esse ainda acordava aos prantos por seus sonhos ruins. Guido não sabia, mas Nate ainda sentia algo muito forte por ele. Algo que nunca conseguiu deixar de sentir, apesar de toda a besteira que fez no passado. Guido não pensava nisso, porque seu coração agora sentia por alguém algo que nunca sentira antes. E o passado, ficou para trás, ou tão perto disso que não fazia diferença.
O telefone parou de chamar, e Guido voltou sua atenção para o visor.
— Eu não tenho aqueles pesadelos há algum tempo — mentiu, enquanto fazia sei lá o que no telefone tentando não demonstrar nada além de suas palavras.
Nate pôs o teclado de qualquer jeito em cima da mesa de vidro, e puxou uma cadeira de escritório que estava vaga. Sentou próximo de Guido. Olhou-o, bastante sério.
— Eu conheço você bem o suficiente, Guido. — falou.
Guido o encarou, finalmente.
— Já almoçou, Nate? — perguntou. Nate deu uma risada qualquer.
— Não.
— Quer ir comigo?
A expressão de Nate era de desânimo. Por baixo de sobrancelhas contraídas, um lânguido sorriso se desenhou em seus lábios, e Nate viu que Guido não queria falar sobre seus pesadelos.
— Pode ser... — disse, como se não houvesse escolha.
(...)
Depois que acordou, Thomas tomou uma ducha rápida. Pensava em Guido, e somente nele. A todo o momento imagens da noite anterior voltavam aos seus olhos, deixando em Thomas o desejo louco de ter Guido nos braços novamente. Pensou em ligar, pensou várias vezes em ligar... Depois do banho, quando foi para a cozinha pegar café, viu o papel dobrado sobre a caneca que Guido usara para tomar chá na última noite. Pegou-o, e leu o bilhete. Leu cada palavra... Mas sua reação foi neutra. Não mesmo, pensou. Em seguida amassou o papel e o arremessou para a lata de lixo. Thomas já esperava por isso, mas não agiria daquela forma. Amava Guido e não abriria mão dele. A noite havia sido perfeita, e agora mais do que nunca ele sabia que Guido ainda o amava, o sentimento não havia mudado. O jovem psicólogo até entendia o motivo pelo qual o outro queria o afastamento, mas ele mesmo não se importava. Ronald poderia mostrar a gravação que quisesse, e ele poderia responder um processo, mas não era certeza que perderia sua licença. E, por mais irresponsável que pudesse parecer, dentre tudo que estava em jogo, a única coisa que ele não suportaria perder era Guido. Amava-o como nunca havia amado ninguém. Sabia que seu olhar brilhava quando o via, amigos diziam. Sempre sentia que fora construído para Guido. Não queria se afastar, mas também não iria telefonar para ele, ou muito menos procurá-lo. Acreditava que fosse melhor esperar até o fim do dia, para que Guido percebesse a besteira que seria se eles se afastassem novamente. Da primeira vez fora difícil, e Thomas vivia indo atrás de Guido, e Guido vivia indo atrás de Thomas. Mas agora sentia que iriam ficar juntos decisivamente, acontecesse o que acontecesse.
Entre um gole e outro de café, lia a Drowned3, revista especializada em estudos psicológicos. Thomas estava perdido em um dos muitos artigos quando a campainha de sua casa tocou. Seu olhar foi instintivamente direcionado para a porta. Guido?, pensou. Ele e seu coração amariam que fosse Guido, mas não era o caso. Quando Thomas abriu a porta, a pessoa que esperava do lado de fora era a última que ele gostaria de ver, no mundo.
— O que você quer aqui? — disparou Thomas, duro e seco. Ronald sorriu para ele. Um sorriso arrastado, e quase dissimulado. Ronald era bonito. Seus cabelos eram escuros, cacheados. Os traços em seu rosto, bem feitos. Ele possuía o físico atlético, fruto da natação que praticava. Mas para Thomas, Ronald era horrível. O relacionamento de ambos começou pouco tempo depois de Ronald se tornar paciente de Thomas. No começo, realmente estava apaixonado, e fazia planos com ele. Queriam morar juntos, e quem sabe adotar um filho. Até que um dia, o relacionamento com pouco mais de um ano e meio, Thomas descobriu que Ronald o traía com um empresário britânico que frequentemente viajava para Nova York, a trabalho. O resultado? Guerra! Thomas e Ronald agrediram-se, tanto fisicamente quanto verbalmente. E Thomas descobriu muito mais coisas a respeito da traição. Inclusive que Ronald já estava com tudo acertado para ir embora para o Reino Unido. E no final, Thomas sentia nojo de si mesmo por ter um dia dividido a cama e a vida com Ronald. Quatro anos se passaram desde que o outro fora embora para a Inglaterra. Nesse tempo, Thomas conheceu Guido. A atração surgiu desde o início, mas não o amor. Thomas não se permitia amar, estava decepcionado e desapontado, e não acreditava que fosse um dia sentir algo muito mais forte e maior do que o que um dia sentiu por Ronald. Até Guido desarmá-lo. Em termos de amor, Thomas aprendeu o seguinte: nunca o sentiu por Ronald, porque simplesmente nunca sentiu por ninguém o que sentia agora por Guido. Era como uma força da natureza, constante e brutal. E um dia, refletindo sobre isso, percebeu que existiam males que vinham para o bem e que a traição de Ronald lhe deixou livre para conhecer Guido, e amar de verdade, pela primeira vez.
Apesar de todo o mal que lhe causou e lhe causava, Thomas não odiava Ronald. Mas também não gostava dele, e não o queria novamente por perto.
Ronald pigarreou.
— Eu quero conversar com você. Eu vim em paz...
— Vai me devolver as fitas? — Thomas disparou, cortante. Ronald deu uma risadinha.
— Não. Mas eu juro que vim em paz. Quero que você veja uma coisa...
— Ronald, nós não vamos voltar a ficar juntos. Isso não vai acontecer. — disse Thomas, convicto. Encarava Ronald nos olhos, e havia muita dureza em suas palavras. Ronald somente ouvia, sem expressão. Thomas semicerrou os olhos. — Se quiser, tem meu consentimento pra me denunciar ao conselho de ética. Pode até acionar o presidente... eu não me importo. Perco minha licença de psicólogo, mas não fico com você.
— Calma, Thomas... eu sou tão ruim assim?
— É.
Ronald soltou outra risada dissimulada.
— Tudo bem. Eu assumo que errei. Mas hoje eu vim como amigo. — disse, já puxando o celular do bolso de sua calça. Mexeu rapidamente no aparelho, e entregou-o a Thomas. Mas esse não o pegou. Nem ao menos fez menção de pegá-lo.
— Vai embora, Ronald. — mandou Thomas, já virando para entrar de volta em casa. Mas Ronald pegou seu braço, impedindo-o. Rapidamente, Thomas se desvencilhou. Pelo seu olhar, sentia nojo.
— Não toca em mim. Você é repulsivo...
— Você não achava isso quando a gente fazia sexo...
— Não era sexo, era sujeira...
Ao ouvir aquilo, a fúria de Ronald cresceu e, instantaneamente, seu punho fechado já se projetava contra o rosto de Thomas, mas o psicólogo foi mais rápido, e com mais força, deteve a agressão fechando sua mão direita por cima do pulso de Ronald. Thomas apertou com bastante força, mais do que pretendia, e em seguida virou seu agressor de costas, trazendo-o para próximo de si, quase torcendo o braço que segundos antes se projetara para desferir um soco contra ele. Com o coração acelerado, por raiva e adrenalina, Thomas apertou com mais força o braço de Ronald.
— Se manda, vai embora! Nunca mais volta aqui. Pode me denunciar pra merda que você quiser. Não me importo. — disse, a voz mais dura do que nunca. Ronald, mesmo naquela situação, não desistia.
— Me solta... Thomas... — arquejou. — Ele não vale tanto assim...
A ira de Thomas cresceu ainda mais, e seu coração batia em descompasso.
— Cala a boca! CALA ESSA BOCA IMUNDA! — berrou Thomas. — Ele vale muito mais do que você sonha em valer um dia...
— É? Enquanto você está aqui, me agredindo, seu Guido está num restaurante com um ex-namorado. Eles estão almoçando juntinhos...
A revelação não serviu ao seu propósito. Mas Thomas sentiu ciúme, do mesmo jeito. Deduziu que o tal ex-namorado fosse Nate. E ele já sabia há muito tempo que ele e Guido eram sócios. Apesar do ciúme, sabia que nada acontecia.
Soltou Ronald, empurrando-o...
— Você é patético, Ronald. — disse Thomas, com desprezo. Ainda sentia o coração acelerado. Ronald, por sua vez, massageava o pulso no lugar onde Thomas apertara.
— Ele deve estar traindo você...
Foi o bastante. A gota d’água. E Ronald não esperava por aquilo. Não esperava pelo soco pesado e raivoso que levou em cheio no canto do queixo. Mas foi exatamente assim que Thomas reagiu. Ronald girou, e caiu. O celular que segurava na outra mão se espatifou, abrindo-se. Por um instante, Ronald apenas gemeu. Sentia uma dor monstruosa. Após um tempo, ele se levantou devagar, e virou-se para Thomas. Olharam-se nos olhos.
— Você vai se arrepender. — ameaçou. Mas Thomas não respondeu. No lugar disso, apontou para a rua.
— Sai. — disse, com muita frieza.
Depois de Ronald ter ido embora, cuspindo ameaças, Thomas entrou em casa novamente. Jogou-se em seu sofá, emocionalmente exausto. Em sua mente passavam mil coisas. Nunca desconfiou de Guido, não tinha motivos, mas sentia ciúme. Muito ciúme. Quis ligar pra ele. Quis tirar satisfações, mas sabia que não era a melhor hora. Estava nervoso, alterado e aborrecido. Mas teria de ligar, porque precisava avisar a Guido que um louco o estava rondando, e seguindo seus passos. E ao pensar nisso, sentiu um forte aperto no coração, e temeu pela segurança do homem que amava. Mesmo com ciúme, queria correr até Guido, enfiá-lo dentro do carro e leva-lo embora. Mas as coisas não seriam tão simples assim.
Notas finais
2 - A expressão "tão perto disse que não faz diferença" é muito utilizada nos romances do George R. R. Martin (As Crônicas de Gelo e Fogo). E eu acho essa expressão muito descontraída, não me perguntem o motivo. Achei que ela caberia perfeitamente na passagem sobre o passado de Guido e Nate. Acredito que o fato de ela estar ali, torna a história reticente e permite que haja a formação de hipóteses a respeito do que passou. Ou do que ainda não.
3 - Drowned: revista fictícia.
...
Obrigado por ler!
Não se esquela de comentar e dizer o que achou! Motivação é sempre bom!
:]
Fale com o autor