O vazio que nos consome.

1 "Os desejos podem matar"


Era uma manhã de Inverno como outra qualquer. O céu estava cinzento, o vento soprava forte.

– Lizzy! — Ouviu-se da cozinha. — Levanta-te ou vais chegar tarde!

Elisabeth abriu lentamente os olhos, acostumando-se à luz. Estava a cheirar a bebida e tabaco. "Que mau aspecto.", pensou ela vendo-se ao espelho da pequena cómoda. Não tinha muitas memórias da noite anterior. Tinha ido a uma rave com Clarissa e chegado bêbada a casa. Outra vez.

Vestiu uma blusa preta dos Pink Floyd, umas calças pretas justas e rasgadas eas all star, pretas, obviamente. Tomou um comprimido para a ressaca e desceu.

– Na minha casa, quando se acorda diz-se bom dia às pessoas. — Disse Robert. Robert era um homem de um metro e noventa. Era forte, sim, mas não era gordo. Era mecânico, usava o cabelo muito curto e um macacão que Elisabeth achava ridículo.

– Bom dia, mãe. — Disse Lizzy, provocante.

– Filha, dá os bons dias ao teu padrasto. — Pediu Lacy, nervosamente.

– Não falo com montes de esterco. — Afirmou Lizzy, enchendo a caneca com café.

Lacy começou por dizer alguma coisa mas calou-se quando Robert socou a mesa. "Esta aqui vai deixar marca.", pensou Lizzy, rindo-se para si própria enquanto examinava o local que o padrasto havia socado.

– Lacy! Nós já falamos sobre isto! Não aturo merdas à tua filha bêbeda e drogada! — Gritou o homem.

– Amor, ela lamenta, ela não o faz por mal, a sério, Robert, — Não teve tempo de terminar a frase. Ele empurrou-a de tal modo que ela caiu ao chão , batendo com o olho na cadeira.

– Mãe! — Gritou Lizzy.

– Vês o que fazes? Sua pirralha mimada! — Gritou ele também. Deu um pontapé na mulher, que já estava de pé outra vez.

– Lizzy... Vai embora. — Disse ela, quase como um suspiro, enquanto chorava e era agredida.

E foi o que ela fez. Pegou na mochila e no telemóvel e bateu a porta atrás de si.