O vazio que habita em mim
3 2.Para Qualquer Lugar...
Depois que papai apagou nos dois saímos de casa às pressas apenas com a roupa do corpo e meu ursinho de pelúcia favorito o senhor Colmeia, que naquela noite eu descobrir ser o esconderijo secreto de mamãe. Dentro dele havia uma quantia considerável de dinheiro guardada para uma emergência.
Mamãe e eu estávamos muito machucados devido as pancadas que tínhamos levado, temendo que ele acordasse e fizesse algo pior nossa única alternativa foi fugir depois do que mame havia feito.
Aquele homem estava em cima de mim, com as mãos em volta de meu pescoço, me tirando o ar. Vendo aquela cena, mamãe se levantou com dificuldade, voltou a sala pegou um dos jarros de gesso maciço de cima da mesinha de centro e usando toda sua força proferiu contra ele um golpe certeiro na cabeça que o fez cair sobre mim desnorteado.
Ela o empurrou para o lado me libertando dele.
— Venha, rápido! — Ela disse pegando o ursinho em cima da cama.
Corri até ela e a abracei com força. Mamãe me segurou em seus braços com força e saiu correndo para a rua. Nenhum de nós ousou olhar para traz com medo de que papai aparecesse, ela apenas correu desesperada em busca de ajuda. Ajuda essa que nunca veio.
Era tarde da noite, e como era de se esperar nenhuma viva alma na rua, apenas mamãe e eu correndo sem rumo.
— Perdoe-me meu querido. — ela dizia enquanto me abraçava. – Ele não vai fazer mal para nenhum de nos.
Algum tempo depois chegamos a rodoviária da cidade, um lugar nada agradável para uma criança uma hora daquelas, não havia uma viva alma ali, as barraquinhas, os quiosques, a praça, tudo estava fechado. Ela simplesmente sentou-se em um dos bancos que ficavam mais escondidos e esperou.
Eu podia sentir o desespero vindo dela, suas mãos tremiam enquanto me acalentava nos braços, lagrimas vertiam de seus olhos inchados.
— Mamãe por quê o papai bateu na gente? O que foi que eu fiz de errado? – Perguntei enxugando suas lagrimas.
— Não, meu querido. Você não fez nada de errado, é que o papai tá doente e ele não consegue fazer as coisas direito. Quando ele bebe fica esquisito, mas depois passa.
— A gente volta pra casa quando ele ficar bom?
— Não... Nós não vamos voltar para casa.
— Pra onde a gente vai?
— Pra qualquer lugar... bem longe daqui!
Depois disso eu adormeci, quando acordei estávamos num ônibus rumo a uma nova vida.
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