O ultimo cavalheiro
1 A quarta-feira
Notas iniciais
- Em uma escola qualquer no Rio de janeiro.
Cinco da tarde, dezenas de alunos com pressa para chegar em casa, com pressa para sair daquele lugar, com um vago sentimento de liberdade caminham a passos apressados em direção e através do portão na frente da escola. Em meio a todos aqueles alunos caminhava a passos bem mais calmos um jovem rapaz cabisbaixo, tem uma aparência jovem com um corpo magro e não muito musculoso, olhos castanhos em um rosto com belas feições, cabelo moreno com costeletas curtas, carregava uma mochila com apenas uma alça, sua presença transmite indiferença. À medida que caminhava alguns dos alunos o observavam com olhares de certo desprezo e ignorância. Adam tinha boas notas, entretanto não muitos amigos, era um pouco antissocial, ou talvez não, ele não costumava conversar com outros alunos pôs costumava observa-los e para Adam nenhum deles era muito interessante, todos sempre conversavam sobre as mesmas coisas, coisas superficiais, ele se perguntava por que deveria ser amigo dessas pessoas?
Adam caminhou até o ponto de ônibus como sempre faz, ele sentou-se, o sol já não estava tão forte, algumas pessoas sentadas perto dele conversavam. Tudo igual todos os dias, mas naquela quarta feira não, era estranho ele não conseguia explicar, mas avia alguma coisa o incomodando apesar de estar tudo no seu devido lugar. O transporte coletivo chegou e ele subiu, sentou-se perto da janela, ficaram alguns lugares vazios incluindo o ao lado dele, quando o veiculo já estava para partir uma ultima passageira subiu, ela estava um pouco eufórica afinal teve de correr um pouco para não perder o ônibus, Adam a olhou e percebeu que era uma aluna pois estava vestindo uniforme, tinha sua altura era magra tinha seios médios um belo rosto e cabelo loiro até o pescoço, carregava uma mochila rosa. Ela caminhou em direção a ele e sentou ao seu lado, o olhou e esboçou um leve sorriso, mas não era um sorriso forçado comum naquelas situações, era mais que isso, era como se ela tivesse gostado de velo.
— Você é da minha turma, não é? – Ela perguntou.
Falou um pouco tímida, sua presença transmitia carência e insegurança. Adam a olhou, não pode evitar ficar curioso para saber o motivo que a levou a falar com ele.
— Eu acho que sim. – Falou esboçando um quase imperceptível sorriso.
— É, eu percebi. Você é bem quieto. – Ela percebeu que aquilo avia soado um tanto negativo.
— Mas não estou dizendo que você seja estranho, só que eu reparei isso em você lá na escola. Falou em um tom de voz mais alto, parecia um tanto desesperada para se explicar.
—Tudo bem, tudo bem você não precisa se explicar, eu não me ofendi. – Falou em um tom de descontração, mesmo assim não foi o suficiente para evitar o silencio constrangedor que veio logo a seguir.
O ônibus fez uma curva fechada a direita que os obrigou a se apoiarem nos bancos da frente, quando a curva terminou o silencio foi quebrado pela garota.
— Meu nome é Pamela. – Posicionou seu braço direito para cumprimenta-lo, não por formalidade, mas para criar um clima de descontração.
— Adam. -Ele apertou a mão dela.
— Você é bom em matemática, não é?... Eu percebi que o professor sempre te elogia quando te entrega suas provas. – Pamela perguntou.
Adam imaginou o quanto ela ficava prestando atenção nele durante as aulas para saber até mesmo que ele tem boas notas em matemática. Será que era normal prestar tanta atenção em alguém sem estar interessada nele.
— É eu acho que sim. – Adam estava realmente interessado para saber onde aquela conversa iria dar.
— Eu sou péssima. – Falou enquanto deixava escapar uma leve risada.
— A gente poderia estudar juntos algum dia, tipo na biblioteca da escola ou sei lá. Mas só se você quiser. – Ela falou olhando fixamente nos olhos dele, tirando qualquer duvida sobre se aquilo era ou não uma indireta.
Adam mal sabia como reagir, estava acontecendo rápido.
— Claro, as duas ultimas aulas amanhã são vagas... – Adam mal pode terminar de falar.
— Perfeito! – Pamela interrompeu.
— “Ok”, então esta combinado. – Adam completou, inevitavelmente com um pouco de esperança sobre aquilo tudo.
O ônibus chegou a mais um ponto, e quando parou Pamela levantou-se.
— É aqui que eu desço. – Pegou a mochila e antes de ir acenou timidamente com a mão.
— A gente se vê amanhã. – Adam se despediu com um leve aceno das mãos e um sorriso desajeitado.
Ele não pode evitar ficar olhando Pamela mesmo depois dela já ter descido, ele a olhou até ela desaparecer quando fez a curva em uma esquina. Não muito tempo depois chegou o ponto onde Adam deveria descer, quando levantou percebeu que no banco onde Pamela estava avia um celular, muito provavelmente pertencia a ela, ele o apanhou e saiu do ônibus, pretendia devolve-lo no dia seguinte.
— Pai? – Disse Adam ao entrar em casa.
Jogou a mochila em cima do sofá, é uma sala não muito grande, a TV fica em frente ao sofá e não muito longe da porta da frente.
— Pai? – Falou enquanto caminha até a cozinha, passando pela sala de jantar não muito maior que qualquer outro cômodo.
— Adam... Chegou bem na hora. Já estou saindo. – Estava terminando de beber um copo d’agua.
Um homem alto, cabelo curto, com um corpo magro, mas aparentando alguns músculos. Sua presença transmite melancolia.
— Você pegou as chaves? Do carro? A da casa?
— Esta tudo aqui.
Caminhou até a pia e deixou o copo depois que terminou de beber.
— Eu comprei pizza, sobrou bastante e coloquei na geladeira. – Disse enquanto caminhava até a sala. Mas parou quando percebeu um celular próximo a mochila que estava no sofá.
— Este celular não é seu, é? – Pegou o aparelho para ver de perto.
Adam estava a caminho, ainda na sala de jantar quando o ouviu andou mais rápido até a sala, mas parou bruscamente assim que chegou.
— Há é de uma amiga que esqueceu ele comigo... Vou devolver amanhã.
— De uma amiga? – Esboçou um visível sorriso no rosto enquanto olhava para Adam, deixando claro o motivo da pergunta.
— É. — Deixou escapar um sorriso. Não pôde evitar olhar para baixo por um segundo, mas logo voltou a olhar para o pai.
— Bom, tenho que ir. – Recolocou o celular na mochila e caminhou até a porta.
— Tchau. Disse já saindo pela porta.
— Tchau. – Adam respondeu.
No relógio da cozinha 7:32. Adam está na sala assistindo TV, ele levanta e gira seu corpo para a esquerda ouve-se o som de alguns ossos da coluna estalando, ficou muito tempo sentado, caminha até a cozinha, em seguida vai até a geladeira, mas antes que pudesse abri-la ouve o som de uma musica vinda do quarto, um segundo depois percebe que deve ser o som de um celular, mas o seu celular estava na sala. Ele corre até o quarto, abre a bouça onde avia deixado o celular de Pamela, assim que o pegou ele parou de tocar, no visor do aparelho estava escrito Júlio. Ele se sentiu apreensivo sobre quem era esse tau Júlio, mas não teve muito tempo para ponderar sobre isso, o aparelho voltou a tocar, o mesmo Júlio. A coisa certa a se fazer é atender ele pensou. Ele atendeu.
— Alô? – Estava nervoso.
— Adam? – Uma voz feminina do outro lado da linha o surpreendeu.
— Sim, sou eu...
— Sou eu, Pamela, você esta com o meu celular, né? – Aquilo o pegou de surpresa.
— Sim – Gaguejou um pouco.
— Você o esqueceu no banco do ônibus. – Adam concluiu.
— Graças a deus, achei que tinha perdido. – Falou aliviada.
— Eu estou quase chegando à sua casa.
— O que?... Na minha casa? – Ficou ainda mais surpreso, como Pamela poderia saber onde ele mora?
— É, desculpa se for uma hora ruim, mas eu preciso de meu celular de volta. – Enquanto falava parecia ofegante.
— Não, não tem problema... Mas você sabe mesmo onde eu moro? Não vai ser perder?
Adam ouviu um suspiro, como se ela tivesse terminado de fazer algo e finalmente pudesse descansar.
— Espero realmente que não, até Porque já estou aqui.
Adam escutou o som da campainha da casa tocar. Era impressionante como toda vez que ele conversava com Pamela, as coisas aconteciam de forma rápida e intensa.
— Abre a porta pra mim? – Falou com um tom de voz propositalmente meigo.
— Tá, eu estou indo. – Adam desligou o telefone e correu até a porta da sala.
Girou a chave que já estava na maçaneta e abriu a porta. Pamela estava lá com um celular na mão short a cima do joelho, mas não muito curto e uma blusa preta decotada.
— Que bom que eu acertei. – Andou até a porta, ficou de lado para não esbarrar em Adam e entrou na casa.
— Poxa vida que bom que você está em casa. – Caminhando foi até próximo à cozinha, estava tudo quieto.
— Não tem ninguém em casa? — Perguntou já voltado para a sala.
Adam esperava entregar o celular ainda na porta, e que ela iria embora em seguida. Ela ter entrado e perguntado aquilo era bem mais do que ele esperava. Uma surpresa agradável, ele pensou.
— Sim, o meu pai está trabalhando. – Fechou a porta. Pamela sentou no centro do sofá.
— E sua mãe? – Ela estava apoiada com as duas mãos no sofá, uma vazia e a outra segurava o celular com o qual ela fez a ligação.
— A minha mãe... Ela já morreu há muito tempo. — Baixou a cabeça, não por tristeza, mas por vergonha.
— Há... Entendi... Desculpe, eu não sabia. – O clima ficou pesado de repente.
— Tudo bem, isso já faz muito tempo. – Alguns segundos de silencio vieram a seguir.
— Ainda bem que consegui achar sua casa, uma amiga me contou onde você mora. Eu peguei o celular do meu irmão...
— Júlio? – Adam interrompeu.
— É... Senta, a casa é sua. Vai ficar ai de pé? – Bateu de leve com a mão direita que segurava o celular no sofá indicando onde ele devia sentar.
Adam sorriu, em seguida caminhou até o sofá e sentou-se. Ele notou que sentou um pouco mais perto de Pamela do que ele avia calculado, mas se ele se afastasse poderia parecer estranho, como se ele estivesse fugindo pensou.
— Então, eu estava pensando que talvez você pudesse me ajudar com matemática... Se não tiver nada melhor para fazer é claro. É noite você deve estar ocupado...
— Não... – A interrompeu, ela parecia constrangida.
— Eu acho que te ajudar com matemática vai ser a melhor coisa que vou fazer esta noite.
Ambos riram, um clima de descontração apareceu, sentiam como se estivessem ficando mais próximos. Então Pamela o olhou nos olhos e esboço uma expressão levemente mais séria, mas ainda descontraída.
— Eu acho que estar com você vai ser a melhor coisa que eu poderia fazer estar noite. – Ela disse.
Adam congelou, ele não fazia ideia de como reagir, foi pego totalmente de surpresa. Pamela largou o celular que estava segurando e a levou devagar até o rosto de Adam, começou a aproximar o rosto, mas seu movimento foi interrompido por Adam, que colocou sua mão esquerda no ombro da garota.
— Espera... Isso não é certo... Nos não nos conhecemos totalmente. – Sua voz soava calma, ele estava tentando não magoa-la.
— Desculpe Adam. – Balanço a cabeça e se afastou um pouco.
— Me desculpa você tem toda a razão. – Estava visivelmente envergonhada, suas bochechas ficaram levemente coradas.
— Não, tudo bem... Eu...
— Eu posso ir à sua cozinha? Beber agua? – Interrompeu bruscamente.
— Não, fica ai eu pego. Esboçou um sorriso forçado e levantou-se. — Estava visivelmente nervoso.
Adam caminhou até a cozinha, foi até a geladeira, mas não a abriu, encostou sua cabeça nela. Nem tudo estava indo como ele imaginou. O sentimento de desilusão era a ultima coisa que ele queria sentir aquela noite. Quando voltar para a sala, a menos que ele quebrasse o gelo de alguma forma o clima iria piorar. Levantou os braços e bateu com os punhos fechados na geladeira, devagar evitando que Pamela o escutasse da sala, notou que em sua mão direita estava o celular dela, era o motivo pelo qual ela estava lá para começar, o fato de ele ter esquecido de devolve-lo a ela, era um assunto razoável para quebrar o gelo, quem sabe até faze-la rir um pouco, ele pensou. Pegou um copo em cima da geladeira, o encheu. Com o copo d’agua na mão esquerda e o celular na mão direita ele respirou fundo e caminhou voltando para a sala.
Adam chegou à divisória entre a sala e a sala de jantar, mas parou imediatamente ao presenciar a cena que ele não podia imaginar nem em seus piores sonhos. Um metro de algum tipo de metal que possuía um brilho que Adam nunca avia visto antes, compunha uma espada que atravessara Pamela, entrando em pouco a cima do umbigo e saindo pelas costas exatamente na mesma altura. Pamela estava suspensa no ar, acima do sofá já manchado com o sangue que escorria do ferimento. Um espeto de carne humana era o que lembrava aquela cena que sem duvida ficaria marcada na mente de Adam para sempre. Um homem empunhava a espada com apenas uma mão, devia ter cerca de um metro e noventa de altura e um corpo tão musculoso quanto o de um halterofilista, não possuía cabelo, seu rosto era um tanto inexpressivo, não muito bonito ou feito com um furo no queixo que chamava um pouco a atenção, sua presença transmitia força bruta e disciplina. Adam deixou cair o copo que segurava que quebrou chamando a atenção do Homem que voltou sua atenção para ele, e surpreendentemente Pamela também olhou para Adam, que até então tinha certeza de que ela estava morta, mas algo estava errado na expressão no rosto dela, devia ser dor e medo, mas ao invés disso era pura raiva.
— Que pena garoto. Va ser do jeito fácil no final das contas. – Pamela falou, mas a voz não era a dela, era uma voz extremamente grave. Sorriu enquanto falava e seus dentes estavam sujos de sangue.
Pamela gritou mais uma vez com aquela voz estranha, no mesmo instante os seus olhos se incendiaram, o fogo saiu não só pelos olhos, mas também pela boca, o fogo vinha de dentro para fora. O homem que até então a segurava a deixou cair no sofá, em seguida com um único puxão retirou a espada que saiu sem muita dificuldade, guardou a espada e voltou a olhar Adam, em choque com tanta informação o garoto tenta recuar, mas acaba tropeçando nos próprios pés e quando cai corta sua mão direita com os estilhaços deixados pelo copo que deixara cair momento antes, um pouco de sangue escorreu.
— Calma Adam. – Disse uma mulher na porta da frente que até então não avia sido notada, ela caminhou até ele.
— Não! – Gritou e levantou-se rapidamente.
— Fique calmo, ela não era quem você pensa. – Agora já estava bem próxima ao Adam. Uma mulher incrivelmente bonita, cabelos pretos até quase a cintura, rosto bonito olhos pretos e um corpo muito bem esculpido. Sua presença transmite paz e proteção.
— Quem era ela? – Adam perguntou ofegante. Estava nervoso, mas sabia que tinha algo errado para Pamela ter agido daquela forma.
— Era um demônio. –A mulher respondeu sem cerimonias.
— Espera um demônio? — Ele deu uma rápida risada, não sabia como reagir aquilo.
— Vou me livrar do corpo dela, volto o mais rápido possível – Falou o brutamontes que avia matado Pamela, ele pegou o corpo dela e a colocou no ombro esquerdo para no momento seguinte desaparecer instantaneamente sem deixar nenhum rastro, simplesmente desapareceu em pleno ar.
— Como ele fez isso? Para onde ele a levou. – Perguntou ainda mais ofegante, já entrando em desespero.
— Nos também não somos humanos, por isso ele consegue fazer isso, ele a levou para algum lugar onde não possa ser encontrada. – Respondeu olhando fixamente em seus olhos, ela parecia estar disposta a responder tudo que ele perguntasse.
— Vocês também são demônios?
— Não. Estamos aqui para ajuda-lo, Nos... Somos anjos. – Demorou um pouco para falar, já sabia que ele não creditaria facilmente.
— Anjos? – Colocou a mão atrás da cabeça e caminhou até o sofá, mas quando ia sentar-se notou a mancha de sangue e recuou.
Ela se aproximou devagar e estendeu a mão sobre o sofá, às manchas desaparecerão como se evaporassem.
— Melhor você se sentar. Tem muita coisa que você precisa saber. – Ela falou.
— Suponho que sim. – Adam respondeu com um tom de deboche. Sentou no chão ao lado do sofá.
— Por que aquele demônio possuiu... Pamela?
— Por causa de quem você é. – Ela agachou-se para poder olhar nos olhos dele.
A curiosidade o atingiu fazendo com que ele esquecesse por um instante o que avia acabado de acontecer.
— Como assim, quem sou eu? – Já não estava tão ofegante.
Ela também sentou e respirou fundo, voltou a encara-lo.
— Você, eu tenho certeza, já percebeu o quanto este mundo é corrupto e superficial. — Adam agora já não entendia mais nada. – Ela começou a explicar.
— Pois eu lhe digo que ele esta ainda pior do que você imagina. Eu vou ser bem especifica, no mundo atualmente das bilhões de mulheres apenas alguns milhões delas são puras.
— Como assim puras? Virgens?
— Não tem nada a ver com virgindade, tem a ver com caráter, saber distinguir o certo do errado e mais importante escolher o lado certo.
— E onde eu me encaixo nessa historia?
— Eu ainda não acabei. Agora quanto aos homens, dos bilhões sobrou... Apenas um... Você.
Uma pausa de alguns segundos se sucedeu. Adam olhou para baixo e novamente para ela.
— Não, são bilhões e vocês esta me dizendo que de todos os padres e revolucionários e monges nenhum deles tem caráter?
— Eles têm. Alguns tem muito caráter, outros além de caráter têm muita sabedoria, mas nenhum é totalmente puro, mesmo o que dentre eles tem mais caráter se fosse submetido à tentação correta na quantidade correta na hora exata não resistiria a ela.
— E eu resistiria? Tem certeza? – Adam custava a acreditar.
— Nos anjos enxergamos a alma humana, e reconhecemos almas impuras, a sua é... Linda. – Ela parecia admira-lo.
— Então aquele demônio queria me matar?
— Não, ele queria te corromper, te fazer cair em tentação. Mas já que não funcionou agora vão tentar te matar.
— E por que vocês interferiram? Iria fazer diferença se todos os homens da terra fossem impuros ao invés de apenas um não ser? – Custava a acreditar que aquela História era verdade.
— Nos interferimos porque no momento que você morrer... A esperança de nascer um filho de um casamento puro morrera junto com você.
— E isso será o que vocês chamam aqui na terra de a gota d’agua. – Interrompeu o outro anjo que voltou reaparecendo da mesma forma que desapareceu.
— Este é... Bom você pode chama-lo como quiser. Meu nome é Sophia. – Ela levantou-se, e Adam a fez o mesmo.
— Ele não tem nome? – Adam perguntou.
— Ele é um guerreiro que adquiriu muitos inimigos durante a vida. – Disse Sophia.
— Meu nome pode ser usado em feitiços contra mim, por isso é melhor que não saiba. – Conluio o anjo.
— O que você quis dizer com gota d’agua? — Dirigiu a pergunta apara o homem.
— Basicamente... – Olhou para Sophia e voltou a olhar Adam.
— O apocalipse. Sem a possibilidade do nascimento de uma criança de um casamento puro, a raça humana estaria condenada. — Ele respondeu.
Adam não podia acreditar em tudo que estava acontecendo, anjos demônios e ainda por cima a possibilidade de um apocalipse. Imaginou que aquilo devia ser um sonho, mas ele sabia que não era.
— Adam? – Era o pai de Adam. — Quem são eles? Seus amigos? – Caminhava enquanto falava até onde estava Adam.
— Sim, eles são sim pai. – Gaguejou um pouco, aquilo foi inesperado.
— Senhor Leandro... – Sophia não pôde terminar a frase percebeu um cheiro horrível vindo dele.
— É um demônio! – Sophia gritou, mas já era tarde ele já estava bem perto de Adam, o pegou como refém o segurando com uma chave de pescoço.
— É, um demônio, e passei bem debaixo dos seus narizes. Os anjos não são tão impressionantes como dizem. – A mesma voz grave saia da boca dele, com uma entonação diferente talvez.
— Pai? – Adam tentou o olhar nos olhos. O demônio gargalhou.
— O garoto é tão inocente... Esses são os que me dão mais prazer em matar.
— Vai estar morto no momento seguinte, demônio. – Disse o anjo.
— Me deixa pensar. Minha vida em troca de todos os humanos mortos... Eu acho que é uma troca lucrativa. – Fazia questão de demonstrar um sorriso largo.
— Pai! – Gritou, deixou uma lagrima escorrer.
O demônio sorriu, mas percebeu em seguida que uma lagrima escorria do seu olho direito.
— O que, em nome do mestre é isso? – No instante em que disse isso perdeu a consciência.
O soltou e recuou alguns passos. Avia recobrado a consciência.
Adam virou-se para trás com os olhos lacrimejados. Não conseguiu entender imediatamente o que viu. O anjo que estava próximo à porta agora já estava lá, com aquela mesma espada atravessando desta vez o coração do demônio. A expressão no rosto dele era difícil de descrever parecia uma mistura de tristeza e alivio. O anjo retirou sua espada deixando o corpo cair.
— Pai! – Gritando correu e ajoelhou-se ao lado do cadáver.
— Não! – Berrou já chorando incontrolavelmente.
— Mata-lo era necessário? Podia telo expulso do corpo dele. – Sophia parecia triste.
— Não é assim que nos lidamos com demônios. Você sabe disso. – Respondeu o anjo.
— Saiam daqui! – Adam gritou.
— Se sairmos você morre. – O anjo falou.
— Depois de acabar com a minha vida, você me diz isso? – Falou, em meio a soluços e lagrimas.
Adam levantou e segurou o anjo pela jaqueta que vestia.
— Eu cuido de tudo de agora em diante. – Disse Sophia.
— Tem certeza? – O anjo respondeu.
— Sim, pode ir.
No instante seguinte o anjo desapareceu mesmo com Adam o segurando com toda sua força. Adam voltou a se ajoelhar.
— Não era para isso ter acontecido. Abaixou e pôs a mão no ombro dele.
— E agora? – Ele a olhou.
— Você precisa de proteção.
— Seu tipo de proteção eu não quero! – Gritou. Estava inconsolável.
— Mas você precisa. Não faça isso por você faça pelo resto do mundo.
— Como vocês vão me proteger? – Não tirava os olhos do corpo sem vida de seu pai.
— Vamos te levar para algum lugar isolado onde mesmo que demônios te encontrem serão mortos imediatamente.
— Que tipo de vida eu teria?
— Bom... – Não queria responder aquela pergunta.
— Eu não quero, vou me virar sozinho. – A essa altura Adam já avia refeito totalmente sua ideia sobre anjos.
— Como?... Como vai explicar isso pra policia?
— Qualquer coisa é melhor que viver do jeito que vocês querem que eu viva.
Uma longa pausa se sucedeu. Sophia começou a compartilhar da dor de Adam, e ela sabia que ele estava certo no final das contas.
— Você tem razão, não é certo. Mas você precisa de proteção... E eu vou protegê-lo mesmo sabendo que isso pode ser considerado traição pelos meus irmãos.
Adam a encarou, não esperava aquela reação. Ela o olhava fixamente, parecia decidida.
— O que quer dizer?
— Você não pode ficar aqui, mas para onde você for eu irei, vou protegê-lo por quê... Você precisa ser protegido. – Ela parecia confiante, mas nervosa.
— E o que eu devo fazer agora?
— Fugir. Seu pai tem um carro vai servir.
— Você não pode se tele portar como seu amigo?
— Se fizer isso eles poderão me rastrear.
— Os demônios?
— Não só eles, os anjos também... – Ela não perdia seu olhar confiante, mas o nervosismo foi sendo suprimido.
— Por que vai fazer isso?... Não seria mais fácil me obrigar a concordar com o método deles?
Ele realmente estava curioso e por um momento esqueceu o quanto estava triste.
— Não é certo interferir no livre-arbítrio, principalmente no de alguém puro... Principalmente no seu.
Adam a voltou a olhar apara o pai e não conseguia por mais que tentasse assimilar tanta informação.
— Nos precisamos ir agora, Adam. – Ela não queria apreça-lo, mas devia.
Adam se aproximou novamente do seu pai e pareceu sussurrar algo no ouvido dele, em seguida o beijou na testa. Levantaram. Sophia foi à frente até o carro que estava na frente da casa, Adam pegou as chaves que estavam no bolso do pai e foi em seguida.
— Você sabe dirigir?
Ela abriu a porta e eles entraram. Sophia levantou uma das mãos, encostou dois dedos no teto e vários símbolos apareceram no teto do carro.
— O que são esses símbolos?
— Tem muita coisa que não sabe sobre anjos. Eles são feitiços que impedem nosso rastreamento... Pegou as chaves?
Adam entregou as chaves, foi quando notou que ainda segurava o celular de Pamela, aquilo foi um pouco nostálgico, Sophia deu a partida e o carro começou a andar. Adam notou que uma mensagem avia sido enviada para Pamela, no visor estava escrito que a mensagem avia sido recebida as 6:56, ele abriu a mensagem, “Se não conseguir ainda essa noite, então tem permissão para mata-lo.”
— Melhor jogar isso fora. Eles podem nos rastrear através disso... – Disse Sophia.
Ele arremessou a celular pela janela com toda força que pôde reunir. Sophia notou sua raiva.
— Não vai ser fácil Adam. Mas você precisa superar para seu próprio bem...
— Superar... É tudo que tem a me dizer? – A encarou.
— Aquilo não foi culpa minha nem de ninguém. Foi uma fatalidade. – Não conseguiu olhar nos olhos dele enquanto falava.
— Tente dormir um pouco... Vai ser melhor.
Dormir era uma das coisas que Adam mais queria naquele momento, mas falar era fácil.
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