O ultimo cavalheiro
2 Novos amigos
Ele ouviu o som da lamina penetrando no corpo de seu pai, aquele som inconfundível soou novamente alto e claro na sua cabeça. Adam despertou de repente, estava atordoado. Ele olhou a hora que o aparelho de som do carro marcava. 9:09.
— Você esta bem? — Sophia perguntou.
— Estou. — Adam respondeu, ainda que um pouco ofegante.
— Para onde estamos indo a final de contas. — Ele perguntou.
— O carro esta ficando sem gasolina, vamos ter de parar em um posto para abastecer. — Sophia respondeu.
— Vocês anjos não podem... Materializar coisas? — Adam perguntou curioso.
— Existem de fato classes celestiais que podem materializar... Coisas, mas nós anjos não podemos. — Sophia esclareceu.
Um barulho estanho surgiu, era o estomago de Adam roncando, o som era baixo, mas Sophia conseguiu ouvir facilmente.
— Aproveitamos para comprar alguma coisa para você comer. — Ela disse.
— Eu não trouxe nenhum dinheiro. — Adam falou um pouco envergonhado.
— Não se preocupe com dinheiro, eu tenho o suficiente. — Disse Sophia.
— Como? Se você mesma disse que não pode materializar coisas. — Ele questionou.
— Mais uma vez... Não se preocupe com o dinheiro. — Respondeu evasiva.
Poucos minutos depois chegam a um posto de gasolina. Sophia desce do carro, mas antes de ir abastecer ela volta sua atenção para Adam.
— É melhor que você fique no carro, não tem problema ficar sem a proteção dos selos contanto que seja por pouco tempo, mesmo assim espere aqui, eu vou voltar logo. — Sophia explicou.
Ela fechou a porta do carro e se dirigiu ao posto, após comprar algumas coisas e abastecer o carro ela voltou.
— Me disseram que existe um motel não muito longe daqui. — Disse Sophia.
— Você tem certeza de que isso é uma boa ideia... Uma mulher e um homem e um motel já é motivo para as pessoas falarem... Mas você aparenta ser bem mais velha que eu então. — Adam questionou.
Sophia deixou escapar uma risada.
— Não tenha duvida que eu seja bem mais velha que você... Mas se você sabe que esta fazendo a coisa certa então por qual motivo a opinião das outras pessoas é importante? — Sophia respondeu.
Adam não tinha argumentos contra aquilo, ele sabia que ela estava certa. Pouco tempo depois chegaram ao motel Sophia foi à frente, alugou um quarto e em seguida sinalizou que Adam podia ir, ao passar pela recepção recebeu um olhar de estranheza da atendente, Adam notou uma TV ligada que ficava próxima ao balcão da atendente. Eles seguiram até o quarto, espaçoso com um banheiro e uma TV, Adam se sentiu apreensivo sobre onde eles iriam dormir já que só avia uma cama de casal.
— Só tem uma cama... — Adam foi interrompido.
— Não se preocupe eu não durmo. — Ela respondeu.
Sophia fechou a porta, tocou a parede e vários símbolos se formaram no teto.
— Bom nesse caso acho que tudo bem. — Adam concluiu.
Ele pegou o controle perto da TV sentou na cama e a ligou, mudou algumas vezes de canal até chegar a um noticiário.
— Ainda não se sabe nada sobre o motivo que levou a este assassinato ou mesmo o suspeito de telo cometido. — Disse a repórter na TV.
— É a minha casa. — Adam exclamou.
Sophia sentou na cama ao lado dele.
— Na casa moravam pai e filho, até agora não se sabe do paradeiro do jovem rapaz chamado Adam. — Uma imagem do Adam apareceu na tela.
— Parece que não só anjos e demônios estão atrás de mim... Humanos também. — Disse Adam encarando Sophia, mas sua atenção logo se voltou novamente para a TV.
— O senhor viu alguma coisa? — A reporte perguntou a um homem, a câmera focou nele e logo Adam e Sophia perceberam que era o anjo que estava com Sophia.
— Infelizmente não... Mas eu tenho certeza que ele será encontrado muito em breve. — Encarou a câmera como se soubesse que eles o estavam assistindo.
Adam não pode evitar ficar nervoso. Foi quando se lembrou da TV que avia visto na recepção.
— E se a mulher na recepção estiver vendo isso? — Adam perguntou.
Sophia o olhou, em seguida olhou para a TV, fechou os olhos e as luzes piscaram para depois se apagar assim como Tudo no motel, a queda de energia fez os hospedes reclamarem, podia-se os ouvir gritar dos outros quartos.
— Melhor você dormir agora, eu vou ficar de vigia. — Disse Sophia.
— É, acho que sim. — Adam não podia vela o quarto estava totalmente escuro, ele tirou os chinelos que usava, deitou e depois de algum tempo acabou dormindo.
Adam abriu os olhos, já era dia, o relógio a cima do criado mudo marcava 9:52. Adam ouviu o som do chuveiro, olhou para o banheiro e a porta estava fechada, foi quando o som da agua escorrendo parou, cerca de um segundo depois a maçaneta girou, só podia ser Sophia, mas não avia como ter dado tempo dela se vestir ou mesmo se enrolar em uma toalha Adam pensou, ele sentiu um forte frio na barriga, imaginou que ela devesse achar que ele ainda estava dormindo por isso não se importou em se cobrir, não teve muito tempo para pensar em nada quando a porta do banheiro abriu Sophia estava lá vestida com uma roupa diferente, calça comprida preta e uma blusa preta justa com mangas longas.
— Que bom que já está acordado. Tome um banho, nós precisamos ir. — Sophia falou enquanto caminhava para a cama, sentou e começou a calçar um par de tênis que estavam próximos a cama.
— Você saiu à noite? — Adam perguntou.
Eu tive de sair um pouco, mas não se preocupe eu voltei logo e verifiquei tudo, ninguém notou que você é o garoto desaparecido. Adam balançou levemente a cabeça sinalizando que entendeu.
— Você está bonita. —Adam deixou escapar.
— Obrigada... — Sophia não sabia bem o porquê do elogio.
Adam levantou e foi até o banheiro para tomar banho. Eles saíram do motel entraram no carro e se dirigiram a cidade.
— Para onde vamos agora. — Adam perguntou.
— Para algum lugar onde você possa comer. — Respondeu Sophia.
— Acho que aquele shopping serve, não é? — Adam apontou um shopping grande.
Sophia olhou pela janela e viu o grande edifício do shopping, fez a curva para entrar no estacionamento. Já dentro do shopping eles se dirigiram para a praça de alimentação.
— Hambúrguer e refrigerante, não é bem um café da manhã, mas... — Adam falou, para depois dar a primeira mordida.
— Já é bem tarde então finja que é almoço. — Sophia falou esboçando um sorriso meigo perecia tentar conforta-lo.
— Você não vai comer nada? — Adam perguntou um pouco depois.
— Eu não preciso comer. — Ela respondeu.
— Nunca? — Adam perguntou.
— Nunca! — Sophia respondeu.
Algum tempo depois Adam terminou de comer o Hambúrguer e estava terminando o refrigerante.
— É assim que eu vou viver a partir de agora?... Viajando o tempo todo sem poder... Sei lá ter uma vida normal? — Adam perguntou, mas era uma pergunta que Sophia não queria ter que responder.
— Quer dizer você mesma me disse que eu sou a ultima esperança de nascer um filho de um casamento puro, mas como vou poder conhecer alguém se eu nunca fico no mesmo lugar? — Adam não via uma solução.
— Eu nunca te disse que isso seria fácil, mas nós vamos dar um jeito, nós... — Ela foi interrompida por um jovem que se aproximou de Adam segurando alguma coisa.
Um jovem que aparenta 18 anos com corpo forte de pele bronzeada, um rosto comum, olhos castanhos e cabelo curto e preto. Sua presença transmite testosterona e pouca confiança. Ele parecia eufórico, segurava uma espécie de bússola antiga com entalhos que pareciam símbolos, aproximou a bússola do ombro direito de Adam que logo percebeu que a bússola apontava para ele, o jovem começou a mover a bússola ao redor de Adam até o ombro esquerdo, incrivelmente a bússola apontava sempre para Adam, o rapaz ficou ainda mais eufórico.
— Não sai dai! — Largou o objeto em cima da mesa onde Adam estava comendo e correu para longe.
Adam encarou Sophia sem saber como reagir ou quem era aquele rapaz.
— Ele não tem cheiro de demônio, mas de qualquer forma não podemos arriscar, vamos sair daqui. — Sophia falou já se levantando.
— Eu encontrei ele. — O jovem disse para uma moça de corpo magro, seios médios, e um rosto meigo muito bonito, olhos pretos, cabelo moreno até um pouco depois do ombro, Sua presença transmite liderança e proteção.
— Cadê a bússola Ricardo? — Disse outra garota também bonita com cabelos negros até antes do ombro, ao lado dela um garoto coma a mesma altura e aparência incrivelmente parecida com a dela, suas presenças transmitiam confiança e cooperação.
— Você não vai nos dizer que perdeu, vai? — Disse o garoto ao lado dela.
— Eu não perdi... Eu deixei com ele. Ângela vamos logo. — Ricardo falou para a garota com quem ele avia falado inicialmente.
— Você... Certo, não vamos perder tempo vamos logo. — Disse Ângela, visivelmente irritada.
Adam e Sophia saíram às pressas e foram até o estacionamento do Shopping, entraram no carro.
— Mas se ele não era um demônio... — Disse Adam, mas foi interrompido.
— Ele pode ser apenas um humano que assistiu aquele noticiário, de qualquer forma não é uma boa ideia arriscar. — Disse Sophia.
Sophia dá a partida no carro, e começou a sair da vaga onde estava estacionado.
— Mas e aquela bússola, parecia mágica, ela estava realmente apontando para mim... Cuidado! — Adam gritou ao ver que um grupo de jovens estava à frente do carro.
Sophia freou bruscamente, o carro parou a tempo a cerca de um metro do grupo. Sophia desceu do carro.
— E melhor que você espere no carro. — Sophia disse para Adam, em seguida foi até a frente do carro.
— Quem são vocês? — Sophia perguntou, ela não sentia cheiro de demônio.
— Calma, nos queremos ajudar... Ele. — Ângela falou olhando para Adam.
Adam abriu a porta e saiu do carro, caminhou em direção a onde eles estavam.
— Vocês sabem... Que... — Adam gaguejou.
— Nos sabemos quem é você... Você... É o ultimo cavalheiro. — Ângela falou, ela parecia surpresa.
— O quê? — Sophia não entendeu bem o termo.
— Eu disse que era um nome ridículo... Mas me ouviram? Não. — Ricardo falou.
— Nem era pra você fazer parte do grupo pra começar. — Disse o outro rapaz que estava com o grupo.
Sophia sentiu um leve cheiro de demônio que estava aumentando de intensidade cada vez mais.
— O que você disse... — Ricardo falou, mas foi interrompido.
— Sinto cheiro de demônio. — Disse Sophia.
— Você disse que sente o cheiro de um demônio? — Ângela perguntou confusa.
Um som forte de derrapagem vindo de traz da turma os chamou a atenção. Um carro modelo esportivo com tração nas quatro rodas vinha em alta velocidade em direção à turma.
— Saiam da frente! — Sophia gritou.
A turma correu para fora do curso do carro. Sophia agarrou Adam e o carregou para o mesmo lugar onde a turma avia fugido. O carro em alta velocidade bateu de frente no carro de Adam e Sophia, o destruindo. O cheiro de demônio agora estava forte e vinha do carro.
— Caramba! — Exclamou Ricardo.
Sophia foi rapidamente até os destroços arrancou a porta do carro que provocou a batida, e em seguida tirou de lá um homem de aparência comum, ela o ergueu no ar o segurando no pescoço, colocou a mão direita no peito dele, no momento seguinte os olhos dele se incendiaram. Ela o arremessou novamente nos destroços.
— Como você fez isso? — Ângela perguntou. Apesar de alterada estava bem mais calma que o resto da turma que estava quase em estado de choque.
— Nos não temos tempo para explicações. Adam, precisamos ir. — Sophia falou já caminhando em direção a Adam.
— Espera! — Ângela pediu, nos temos uma vã, venham com a gente.
— Não é uma boa ideia. — Disse Sophia.
— Nos estamos sem carro. Eles disseram que querem ajudar. Então... Por que não? —Adam argumentou.
Sophia o olhou, e ponderou.
— Esse lugar vai se encher de curiosos. — Ângela falou para apressa-los e convence-los.
— Vamos logo. — Disse Adam puxando Sophia.
— Vamos dar o fora daqui. — Ângela falou para o resto da turma que ainda estava confusa com oque estava acontecendo.
Eles foram até uma vã verde com uma aparência antiga, A turma entrou na vã, Ângela no banco ao lado do motorista, Adam ao lado da janela logo atrás do motorista, Sophia sentou ao seu lado e o outro casal ao lado dela. Ricardo sentou no banco do motorista ligou, deu partida e arrancou para fora do shopping. Sophia levantou a mão direita para tocar no teto e fazer surgir os símbolos, mas percebeu que a vã já tinha os símbolos que impedem a localização.
— Quem são vocês afinal? — Sophia perguntou.
— Engraçado que eu ia te fazer a mesma pergunta, mas ao invés de quem... O quê é você? — Ângela rebateu a pergunta.
— É parece que tem muita coisa pra ser esclarecida. — Disse a garota que estava ao lado de Sophia na fileira de traz.
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