O show final
7 Inseguranças.
P.O.V : Sam
Eu estava indo pegar meu lanche no meu armário e encontrei o Freddie sentado na escada todo cabisbaixo. Não sou o tipo de pessoa sensível que oferece um ombro amigo nesses momentos, mas vendo meu nerd com um olhar tão vago e um semblante tão triste, tive o ímpeto de ir até lá e acolhê-lo.
— Nerd, sério que vai ficar com essa cara só porque não passou em um trabalho? — Me sentei ao lado dele na escada.
— Fácil falar quando passou de primeira, né?
— Freddie, você sabe quantos zeros eu já tirei, em quantos trabalhos eu já reprovei…isso não é motivo para você ficar desse jeito.
— Sam, você sempre foi mal porque não se importa com nada, não se dedica, não se esforça…— Ele olhava para mim com os olhos marejados.
— Perdeu o amor à vida, garoto? — Interrompi ele e elevei meu tom de voz, fazendo o nerd desviar o olhar.
Eu querendo ajudar e ele vem me humilhar?
— O que eu quero dizer é que…— Ele mordeu os lábios e voltou a me fitar. — Você vai mal nos trabalhos porque não se importa, não faz questão de se dedicar…já eu fui mal por não ter talento.
— De novo com isso? — Semicerrei meus olhos e o encarei indignada. — Você já criou um monte de coisas legais, cuidou de tudo do icarly por anos…Lembra quando curou a visão da filha esquisita do terapeuta da sua mãe?
— Eu sei que eu entendo de tecnologia…e também lembro da menina, mas eu tô falando de outro tipo de talento, fora de um computador, tipo, ser criativo como você e a Carly. — Ele desviou o olhar novamente e abaixou a cabeça. — Não sei se essa escola é para mim.
— Está dizendo que vai desistir da Hollywood Arts por causa de uma peça idiota? — Levantei a cabeça dele e o segurei pelos ombros. — Por acaso desistiu quando o Nevel hackeou o icarly? Ou quando a Nora nos sequestrou pela primeira e pela segunda vez? Ou quando ficamos perdidos no Japão? NÃO! Você nunca desistiu, nem de esperar que um dia a Carly te ame! — Desviei o olhar sentindo minhas bochechas corarem.
Me arrependi instantaneamente das minhas últimas palavras.
— Como? — Me encarou intrigado.
— Olha — engoli em seco e o soltei — você nunca desiste de nada e eu não vou deixar que faça isso agora!
— Você não entende…esse lugar não é para mim.
— Me deixa te ajudar…Ensaio com você para peça e se não passar de novo pode sair da escola ou sei lá… fazer o que você quiser. — Mordi os lábios e me levantei rapidamente.
Ele correu até mim e segurou meu antebraço me trazendo para ele.
— Porque quer me ajudar? — Minhas bochechas coraram com a pergunta e com a distância que estávamos.
— Precisamos do nosso apertador de botões para voltar com o icarly. — Minha voz saiu quase como um sussurro.
Estava embriagada com o cheiro dele.
— Claro…— Ele soltou meu braço e se afastou um pouco de mim. — Então tá combinado, se o Sikowitz não gostar da minha apresentação…de novo, eu vou mudar de escola.
— Tanto faz. — Peguei minha mochila e fui me afastando. — Depois da aula vamos para minha casa.
Ele assentiu e eu fui embora sem olhar para trás.
[…]
Jade e eu estávamos na sala de música tocando guitarra quando a Shelby adentra nos fazendo parar o som.
— Até que vocês tem talento.
— E você uma voz insuportavelmente igual a da sua prima. — Rebateu Jade cruzando os braços e encarando a morena.
Shelby deu um sorriso irônico e se aproximou de nós.
— É sério, vocês mandam muito bem no som, não sei porque perdem tempo andando com um bando de bobões sem talento.
— Qual é a sua em Shelby? Nem parece a mesma que conheci anos atrás…Você era bem mais humilde.
— As pessoas mudam, Sam, evoluem!…Mesmo que alguns gostem de continuar cometendo os mesmos erros.
— Sam, acho melhor a gente sair daqui antes que eu faça uma besteira e perca meu réu primário. — Jade segurou minha mão e queria me arrastar para fora da sala.
— Espera! — Impedi a morena de me levar embora. — O que você quer dizer com isso, garota? — Perguntei soltando a mão de Jade e me aproximando da outra morena.
— Que vocês continuam cometendo o mesmo erro de sempre! Tentam sempre se encaixar e deixam aqueles seus “amigos” — ironizou fazendo aspas — mandarem em vocês. Qual é! Todo esse talento não pode ser desperdiçado com eles!
— Ah, claro…certa é você que anda com uma menina que quase ME MATOU INTOXICADA! — Semicerrei os olhos e travei a mandíbula.
Ela bufou e reviu os olhos.
— Você já fez coisa pior que eu sei, Loira.
— Eu faço com quem merece, não por ser uma louca ciumenta.
— Olha, a Missy não é nenhuma santa e já errou muito no passado…e continua errado, mas bem pior que ela é a sua amiguinha. — Mordeu os lábios e me encarou semi cerrando os olhos.
— Ela está falando da Carly? — Jade se virou me questionando.
— Claro! — Respondeu Shelby. — Enfim, o dia que perceberem que essa menina é uma sonsa e que essa banda de vocês vai ser um fracasso…venham me procurar, prometo que serão bem vindas nos Red Sharks.
— Ainda não estávamos precisando de esmola, obrigada. — Sai da sala a passos largos e Jade veio me seguindo.
[…]
— Dá para acreditar na audácia daquela garota?! A gente vai esfregar o sucesso da nossa banda na cara feia dela. — Estávamos sentadas na mesa da área externa da escola
— E ela ainda chamou a Carly de sonsa. Sonsa é aquela ruiva desbotada que anda com ela. — Apoiei com raiva meus braços cruzados sobre a mesa.
— É, mas…— respirou fundo medindo suas palavras — não acha que às vezes deixa a Carly decidir muitas coisas por você? — Me encarou séria.
— Ela é sensata. — Dei de ombros. — Confio nas opiniões dela.
— Tori também é a mais mentalmente estável do meu grupo e nem por isso terminaria com meu namorado por uma opinião dela. — A morena praticamente cuspiu essas palavras sobre mim.
— Você sabe que não foi bem assim…— Semicerrei meus olhos. — Ela não manda em mim…ninguém manda!
— Ok, ok! — Se deu por vencida. — Vamos lanchar, eu tô morta de fome!
— Eu também, mas…falando de namorado, porque não falou com o seu hoje?
— O Beck deu uma surtadinha hoje de manhã…estou um pouco chateada com ele. — A boca dela transformou-se numa linha dura. — Depois aquele idiota vai vir correndo se desculpar e vai ficar tudo bem de novo.
— Não quer conversar sobre? Aproveita que hoje eu estou inspirada. — Dei um sorriso sem graça.
— Guarde seus conselhos para o seu ex porque eu prefiro me aconselhar com os lanches daquele trailer ali. — Deu um sorriso amarelo.
— Bora então. — Dei de ombros e fomos comprar nosso lanche.
[…]
P.O.V : Beck
— Tudo certo para o ensaio na minha casa hoje? — Questionou Tori animada.
— Não vai dar…a Sam vai ter um jantar com a família dela. — Disse Carly em um tom desanimado.
— Eu e a Jade também não vamos. — Respondi com uma voz rouca e com a cabeça baixa.
— Porque? — Questionou André me fazendo erguer a cabeça bruscamente e o encarar incrédulo.
Ele nem disfarça o interesse nela.
— Vai até a casa dela e pergunta. Tenho certeza que ela vai adorar. — Respondi ríspido, me levantando da mesa e indo embora a passos largos.
P.O.V : Tori
O André e todos ali na mesa ficaram pasmos com a grosseria gratuita do Beck.
— Eu estou ficando maluco ou ele está com raiva de mim?
— Ele e a Jade devem ter brigado, por isso o mau humor…não tem nada haver com você…— Disse tentando confortar o André.
— Na verdade ele me pareceu bem chateado com você. — Rebateu Cat ainda um pouco assustada.
— Robbie leva ela para tomar um sorvete, vai. — Travei a mandíbula para controlar a minha raiva e mandei o Robbie sumir dali com a linguaruda da Cat.
— EBAAA, adoro sorvete!
— Então vamos. — Robbie e Cat foram embora saltitando.
— Eu vou atrás do Back para saber o que aconteceu. — Me levantei e peguei minha bolsa.
— Eu vou com você. — André segurou meu braço me impedindo de ir.
— Acho melhor não… — Mordi os lábios e o encarei insegura.
— Também acha que ele está bravo comigo? — Soltou meu braço e colocou as mãos no peito mostrando sua indignação comigo.
Como eu poderia saber? Só queria ter certeza que não aconteceria nenhuma briga.
— N-nao…é que…OLHA ANDRÉ EU NÃO SEI! — Acabei elevando meu tom de voz. — Deixa eu ir lá conversar com ele e depois a gente se fala…tudo bem?
— Tudo bem. — Ele foi embora de cabeça baixa sem olhar na minha cara.
Porque sempre sobra tudo para eu resolver?
[…]
Depois de muito procurar pela escola encontrei o Beck no teatro caixa preta tocando violão.
— Não acho que o violão tenha culpa do que você está sentindo. — Me aproximei do moreno a passos calmos e ele largou o instrumento que tocava raivosamente e começou a me fitar.
— Tudo que eu tento fazer hoje acaba saindo horrível. — Suspirou com a voz rouca e desviou o olhar.
— Não prefere conversar comigo ao invés de descontar no pobre violão? — Dei um sorriso sem graça e me sentei ao lado dele.
Um silêncio melancólico preencheu o ambiente e depois de um longo suspiro ele voltou a me fitar.
— Eu e a Jade brigamos…
— Você e ela sempre estão brigando e isso nunca foi motivo para tratar o André daquele jeito…Ele ficou super chateado, sabia? — Mudei minha expressão acolhedora para um semblante sério.
— Porque todo mundo se importa tanto com ele? — O moreno elevou seu tom de voz, cuspindo sua raiva em mim.
— Como? — Franzi o cenho e cruzei os braços. — Ele é nosso amigo…Você está…— arregalei os olhos me dando conta do que estava acontecendo — com ciúmes?
— É pecado? — Desviou o olhar e torceu o nariz.
— Quando você deixa triste um AMIGO, que não fez nada de errado, sim, é um pecado…qual um CRIME!
— Eu sei que ele não fez nada de errado, é que…— percebi que seus olhos ficaram marejados — em anos de namoro a Jade nunca fez ou falou nada de bom para mim…e ela rasga elogios para ele…até já o ajudou compondo músicas e…
— E MAIS NADA! — Disse alterando meu tom de voz. — Olha Back…você tem todo direito de sentir um pouco de ciúmes mas tá passando dos limites. A Jade pode ter alguns defeitos…muitos na verdade, mas infiel ela não é.
A expressão do Back exalava arrependimento e angústia. Por mais que ele nunca fosse admitir, o moreno estava inseguro.
— Sei que a Jade não me traiu…— engoliu em seco. — mas eu ainda tenho a sensação que ela gosta mais dele do que de mim…— Inspirou fundo ao admitir sua insegurança.
— Cara…você acha mesmo que a JADE estaria com alguém que ela não goste? Eu já vi ela chorar por você…se humilhar. Tem certeza que ainda acha que essa garota não te ama? — Segurei os ombros dele dando um choque de realidade.
— Talvez eu tenha deixado o ciúmes falar mais alto…— Molhou os lábios e me encarou com vergonha. — Acho que vou procurar ela para conversar…
— E o André também! — Me levantei ficando de frente para o moreno com os braços cruzados. — Ele te adora e não mereceu aquela ceninha ridícula lá fora.
— Tudo bem, senhora mandona…você está certa…Mais tarde vou consertar as burradas que eu fiz. — Deu um sorriso amarelo.
— Que bom! — Rumei até a porta e senti meu antebraço ser puxado.
— Tori…— Me trouxe para perto de si.
— Oi? — Senti minhas bochechas corarem.
— Valeu. — Me encaixou em um abraço terno. Fiquei embriagada com seu cheiro.
Porque tinha que ser tão cheiroso?
— Amigos servem para isso, né? — Me soltei dele e o encarei ainda um pouco corada. — Dar uns choques de realidade de vez em quando. — Dei um sorriso sem graça.
[…]
P.O.V : Shelby
— Eai amiga…elas aceitaram? — Depois de conversar com Sam e Jade, fui até a sala onde meus amigos estavam me esperando e quando cheguei já fui bombardeada com a ansiedade da Missy.
— Não. — Dei um suspiro derrotada e me sentei.
— Vocês só podem ter enlouquecido…Acharam mesmo que elas topariam entrar na nossa banda fácil assim?
— Cala boca, Brad! — Bufou a ruiva.
— Ele tem razão Missy…Esse seu planinho de vingança não tem como dar certo. — Afirmou Steven.
— Vocês prometeram que estavam comigo nessa! E você também Shelby…— Arqueou a sobrancelha e me encarou travando a mandíbula. — Ou já desistiu de dar o troco na sua priminha por…
— SIM! — Gritei fazendo a ruiva se calar. — Você sabe como eu quero! — Suspirei fundo. — Olha meninos, isso vai ser bom para todo mundo…Elas são muito talentosas…ter essas duas com a gente só vai ter vantagens…tanto para banda quanto para nossos interesses pessoais…
— Aí eu comecei a ver vantagem…— Disse Steven maliciosamente.
— Achei que seu tipo fosse a sonsa da Tori e não garotas rebeldes. — Disse Missy com um tom irônico e as sobrancelhas arqueadas.
— Vamos combinar que elas são duas gostosas né, Missy. — O loiro riu com malícia.
— Parem com esse fogo no rabo! — Exclamei irritada e me levantei.
— Elas estão com ciúmes, mano? — Perguntou Brad para Steven.
— Nos seus sonhos! — Cruzei os braços e fechei a cara.
— Porque vocês não calam a porra da boca e começam a usar a cabeça de cima para pensar em um jeito de trazer essas duas para a nossa banda, que tal? — A Ruiva saiu a passos largos da sala, bufando de tão irritada.
[…]
P.O.V : Sam
Como tinha prometido, depois das aulas levei o nerd para minha casa para o ajudar com a sua apresentação da peça do pássaro.
— Cadê a Cat? — Perguntou o moreno se sentando no sofá.
— Acho que ela saiu com o Robbie. — Dei de ombros.
— Então estamos…sozinhos? — O nerd já estava corado.
— Algum problema? — Arqueei a sobrancelha. — Juro que eu não mordo. — Me sentei ao lado dele o fitando.
— Não mais, né? — Deu um sorriso sem graça e desviou o olhar.
— Cala boca. — Me levantei rumando até a cozinha para fuçar a geladeira. — Não tem comida pronta, mas tem pizza de três dias…um queijo de cinco quilos e almôndegas de ontem…Vai querer alguma coisa?
— Queijo de…cinco quilos? — Arregalou os olhos.
— A gente descobriu que criança ama fazer esculturas com queijo, sabe…ao invés de botar fogo na casa elas fazem um dinossauro de cheddar…É bem útil. — Fechei a geladeira e fui para trás do balcão.
— Ainda não consigo acreditar que você cuida de crianças. — Deu um sorriso amarelo e se levantou vindo até a cozinha.
— Ué…qual a graça? — Franzi o cenho e o fitei séria.
— Você sempre odiou crianças…na verdade, pessoas no geral. Lembra quando me disse que crianças te dão náuseas e que nunca…— engoliu em seco — que jamais seria mãe.
— Ah, Freddie…eu tinha quinze anos, lógico que eu não pensava nisso. — Torci o nariz.
— Então agora…você pensa? — Ele se levantou do sofá e veio se aproximando da cozinha.
Estava com uma voz rouca e olhando bem no fundo dos meus olhos. Senti cada pelinho do meu corpo arrepiar.
— E-eu…ah, quem sabe daqui alguns anos…depois que eu me formar, fazer faculdade e encontrar alguém especial…
— Nunca conheceu ninguém que te desperta-se esse desejo?…— Cruzou os braços e continuou me fitando. — Tipo, nunca amou tanto alguém que te fez sentir vontade de passar o resto da sua vida ao lado dessa pessoa e formar quem sabe…— inspirou fundo — uma família?
— N-não sei…— Me virei para poder pegar um copo no armário. — A gente é muito novo para pensar nisso…— Minhas palavras soaram de uma maneira muito constrangedora. Corei na hora. — Digo…a gente é muito novo para pensar em ter um futuro com alguém, entende?
Peguei a jarra de suco na geladeira e despejei no copo. Quase derrubei tudo de tão trêmulas que minhas mãos ficaram.
— Entendo. — Sentou na banqueta e ficou brincando com a pulseira de pano que estava no seu pulso. Estava tentando não me encarar? — É que…você sabe, eu cresci só com a minha mãe e…sei lá, sempre quis saber como é ter uma família de verdade, completa…
— Quando eu era pequena também tinha essa vontade, mas…Olha, porque a gente não começa a ensaiar logo para essa peça…Seu papinho bad vibs aí tá nos atrasando e mais tarde vou lá na casa do meu…do Germano. — Virei o suco de uma vez na minha garganta.
O nerd se levantou da banqueta e foi até a sala.
— Você não está feliz em se reencontrar com seu pai? — Questionou ele quando eu saí de trás do balcão.
— Ele nunca foi e nunca será meu pai, tá legal?! — Me aproximei franzindo o cenho e com os punhos fechados. — Agora pegue logo esse livro antes que eu me arrependa de perder meu tempo te ajudando.
— Ok, ok, estresadinha. — Deu um sorriso amarelo.
— Não enche, garoto. — Revirei os olhos e me joguei no sofá.
[…]
Estavamos repassando a peça pela terceira vez. O nerd não é pior ator do mundo, mas tudo que ele fazia ainda soava muito robótico. Não passava verdade.
— Freddie, você precisa colocar mais emoção nisso…— Massageei minhas têmporas e respirei fundo. — O cara está literalmente falando que a esposa dele o deixou e você faz essa cara de panaca aí? Eu sei que é a única que você tem mas podia tentar dar uma melhorada, né?!
— Não estou com cara de panaca, estou com cara de cansado! Sabe….isso não é para mim…não consigo forçar o que eu não sinto. — Bufou e jogou o livro no sofá.
— Você é tão inteligente para algumas coisas e tão incompetente para outras, Freddnerd.
— Você que é incompetente, falou que iria me ajudar e a única coisa que você faz é me ofender. — Cruzou os braços contraindo os músculos.
— Perdão se eu feri seus sensíveis sentimentos. — Sorri sarcástica.
— Acho melhor eu ir embora…— Ele se virou rapidamente já indo pegar seu casaco para ir embora.
— Deixa de ser bocó…Volta aqui.
— Vai me ajudar ou vai ficar me enchendo? — Olhou de soslaio.
— Falei que ia ajudar, não falei? — Mordi os lábios e descruzei os braços. — Olha, tenta colocar sentimento nessas cenas….sabe, pensa em alguma vez que você ficou muito triste por perder alguma coisa.
— Ou alguém….
— É…tanto faz…— Minhas bochechas coraram e eu engoli em seco desviando o olhar.
— Ok…— Pegou o livro novamente.
— Quando quiser.
P.O.V : Freddie
— Minha esposa me deixou em 1934…sozinho. — Encarei a loira que estava na minha frente. — Viver na pradaria foi uma experiência triste, sem telefone, sem rádio…apenas um grande e majestoso pássaro que eu partilhava meus sentimentos. — Minha voz ficou mais rouca e melancólica e meu olhar não saia dela. — Um dia ele estava abatido, eu lhe disse…pássaro, você pode voar, pode se livrar dessa solidão…mas não se vá! — Me veio um impulso repentino e quando percebi já estava puxando a loira pelo braço e a trazendo para mim. — Mas naquela tarde minhas palavras não fizeram efeito…— Nossos olhares e nossas respirações já tinham se encontrado. — Ele se foi, e o meu espírito também.
— Uau…v-você foi…bem, nerd….— Ela engoliu em seco mas não se desvencilhou de mim.
— É…acho que ficou legal…Bom, se o Sikowitz não gostar dessa vez eu realmente desisto.
— Se você fingir todo esse sentimento durante a apresentação, tenho certeza que vai ser aprovado…
— Fiz o que você falou…pensei em um momento que uma pessoa importante…me deixou…— Fui me aproximando dela e quando percebi nossas respirações já estavam se encontrando novamente e eu já sentia o seu cheiro doce.
— Em quem você pensou? — Falou quase como um sussurro, mantendo o olhar em meus lábios.
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