O show final

8 Daddy issues.


Notas iniciais
Esse é um dos meus capítulo favoritos até agora! anyway, boa leitura.

— OI GENTE! — Cat chegou animada, mas logo ficou em silêncio nos observando tão próximos um do outro, com a respiração ofegante. — Eu…atrapalhei alguma coisa? — Disse a ruiva ainda um pouco envergonhada.

— N-NÃO! Eu e ele…nós só…a peça do Sikowitz…— Ela se distanciou de mim e foi até a ruiva.

— A Sam estava me ajudando a ensaiar para apresentar de novo amanhã…— Passei a mão no cabelo ainda sentindo meu coração sair pela boca.

— Ué, mas a peça do pássaro não tem beijo…— A ruiva percorria o olhar por nós dois.

Ela pode ser um pouco ingênua, mas não burra. Claramente tinha acontecido algo ali, que talvez nem a gente tenha entendido direito.

— Valeu pela ajuda, Sam. Tchau Cat. — Falei rapidamente antes de rumar até a porta.

Não pensei duas vezes antes de sair correndo daquela casa.

Entrei no meu carro afoito e com as mãos suando. Durante o trajeto até a minha casa eu só conseguia pensar…O que foi aquilo? Íamos mesmo nos beijar…de novo?


[…]


P.O.V : Sam.


Sam! — Disse dando gritinhos. — VOCÊS SE…

— NÃO! — A interrompi fazendo o sorrisinho da ruiva se desmanchar.

— E o que foi isso que eu acabei de ver?

— Só estava ajudando o nerd para ele não passar vergonha amanhã….Você que está vendo coisas onde não tem…— Cruzei os braços e saí andando.

— Eu não entendo…— Ela veio atrás de mim com um semblante confuso.

Me virei para ela sem paciência para questionamentos. Nem eu estava entendendo que porra tinha acabado de acontecer.

— Normal…Existem muitas coisas que você não entende mesmo. — Mordi os lábios e travei o maxilar.

— É verdade…mas o que eu não estou entendendo agora é o porque vocês não assumem logo que se gostam!

— EU NÃO GOSTO DELE! — Descruzei os braços e avancei nela já um pouco alterada. — Talvez um pouco…mas bem pouco. — Respirei fundo e me acalmei.

— Aí Sam — segurou meus ombros — para de negar o que você sente, amiga…Conversa com ele e diz tudo que está no seu coração…

— Eu já fiz isso, tá legal? — Me joguei no sofá afundando a cabeça na almofada.

— Já? — Se sentou do meu lado.

— Sim! — Respondi com a voz abafada pela almofada. — Ano passado quando ele veio “me visitar” — Desenterrei minha cabeça da almofada e me sentei para poder fazer sinal de aspas na última palavra.

— Achei que tínhamos superado isso…— Desviou o olhar envergonhada.

— Enfim…— Pigarreei. — O ponto é, naquele dia decidimos…


Flashback on


Acordei com o sol invadindo o quarto e percebi que estava deitada em cima de um belo peitoral.

— Freddie…— dei um selinho no moreno — acorda!

— Bom dia olhos lindos…— Falou preguiçosamente.

— Bom dia meu nerd. — Sai de cima dele. — Vou tomar banho.

— Não…— Me segurou pela cintura me impedindo de ir. — Não sem mim. — Ele me pegou no colo e me carregou até o banheiro.

Tomamos banho juntos, sem malícia, só muitos chamegos e beijos molhados. Freddie terminou de se banhar primeiro e eu fiquei lá mais uns minutos lavando meu cabelo.

Depois que o barulho do chuveiro se cessou percebi que havia uma voz um pouco alterada que vinha do quarto. Hesitei por alguns instantes mas não me contive e decidi abrir uma frestinha da porta. Me deparei com o Freddie andando de um lado para outro pelo quarto enquanto discutia com alguém pelo telefone.

— Mãe, você não entende…Eu precisava ser a Sam. — A voz dele estava pesada, como se estivesse se desculpando, mas também se defendendo. — Me disseram que ela tinha sofrido um acidente mas…foi só um engano…Sim, ela está bem…Não mãe, eu vim visitá-la e não vou embora antes do previsto…Porque eu am-…porque eu gosto muito dela…Não, a gente não voltou…— Senti um nó na minha garganta ao ouvir aquelas palavras. Era como se a mesma história estivesse se repetindo novamente. — Mãe…logo logo eu estou de volta, agora eu preciso desligar…tchau.

Senti uma dor estranha, algo misturado com frustração e uma aceitação amarga, como se finalmente eu tivesse recebido a verdade, que eu já sabia, mas não queria encarar.

Como as coisas poderiam ser diferentes dessa vez sendo que não conseguiríamos lutar contra tudo que nos impedia? Não só a louca da mãe dele, mas também as memórias do que já fomos um dia, as mil coisas não ditas, os sentimentos mal resolvidos…E eu não estava pronta para lidar com tudo aquilo de novo, pelo menos não agora.

Me enrolei na toalha e abri a porta por completo. Saí do banheiro calmamente e fui até a cama onde estava a minha mochila com as minhas roupas. O moreno me olhou assustado e veio até mim com um semblante preocupado.

— Sam…Eu só estava…

Eu o interrompi, com a voz tranquila, mas com um tom sério.

— Freddie, eu não acho que isso vá funcionar…Não sei mais se a gente pode tentar de novo. Tem a sua mãe, tem toda a confusão que foi quando a gente namorou daquela vez…E eu…Eu não sou mais aquela garotinha de antes. — Suspirei e senti meus olhos marejaram.

— Eu sei que nossa relação nunca vai ser simples, mas…— Ele ficou me olhando sem reação, buscando palavras para tentar remendar algo quebrado.

A noite, a paixão presente no nosso olhar, a confusão , tudo parecia um erro que tentávamos corrigir, mas que no fundo, já estava fadado a falhar.

— Talvez a gente só devesse ser amigos… — Me aproximei e deitei minha cabeça no ombro dele. — Eu não sei mais o que a gente pode ser.

— Sam…eu…eu te amo. — Ele me segurou pela cintura e eu o fitei sentindo as lágrimas inundaram o meu rosto.

Dei um selinho demorado nele e me afastei. Coloquei minhas roupas e peguei minhas coisas espalhadas pelo quarto de hotel. Freddie me observava em silêncio enquanto se vestia também.

— Eu…eu já vou. Obrigada por…tudo. Espero que me visite mais vezes. — Dei um sorriso amarelo.

Sem mais palavras, peguei minha bolsa e sai do quarto. Quando fechei a porta senti imediatamente um enorme vazio que percorria o meu peito e fechava a minha garganta, como se tivesse deixado lá dentro o eco do que nunca poderia ser.


Flashback off.


Decidimos que o melhor era sermos só amigos. — Sai das minhas lembranças e espantei toda melancolia que me consumiu após lembrar daquele dia.

Foi melhor assim. Foi a melhor decisão para nós nois. Eu acho.

— Mas Sam, vocês se….

Cat, deixa isso quieto! — Respirei fundo. — Você prometeu que ia me ajudar a me arrumar para o jantar e já está ficando tarde.

— TÁ BOM! — Se deu por vencida. — Eu comprei um vestido lindo!

— Ah não, nada de vestido! — Resmunguei.

— Deixa de ser chata! — Ela me arrastou para o quarto e me fez ficar mais de uma hora definindo meus cachos, passando maquiagem e experimentando mil roupas diferentes.

Depois de ser feita da boneca pela ruiva por tanto tempo, finalmente fiquei pronta. Escolhi um vestido azul marinho de alcinhas e um tênis branco. A Cat surtou quando eu disse que não iria usar salto de jeito nenhum. Dito e feito, nada de salto. Estava bonita e confortável em um look elegante mas ainda do jeito Puckett de ser!

Peguei um táxi porque não dava para ir na minha moto usando aquele vestido.


[…]


Chegando lá eu até tentei disfarçar o meu deslumbrante, mas foi impossível. Era uma mansão enorme, com um jardim extremamente bem cuidado e tinha um caminho de pedras que dava até a enorme porta. Toquei a campainha e quem me recepcionou foi a Mel. Bom, na verdade ela não me recepcionou, ela se jogou em cima de mim.

— Não acredito que você veio mesmo!

— Porque eu perderia a oportunidade de comer de graça? — Ela riu e voltou a me abraçar. — Tá me sufocando maninha…

— Desculpa…— Cessou o abraço. — Vou lá no escritório chamar o papai.

Enquanto eu esperava na sala, a funcionária que trabalha na casa abriu a porta e um loiro adentrou a mansão. Era James.

— Oi amor. — Disse docemente. — A Sam já chegou?

Não é possível que a Cat tenha me transformado tanto ao ponto de me confundirem com a minha irmã! Era a primeira vez na vida que isso acontecia.

— Sim…Ela está bem aqui. — Dei um sorriso sem graça.

— SAM? — Arregalou os olhos e me analisou por inteiro. — Você está…diferente.

— Às vezes eu deixo meu lado motoqueira…de lado.

— E ficou…linda. — Ele corou. — E a Mel…cadê? — Ele parecia um pouco inquieto e constrangido.

— Foi chamar o germano lá no escritório. — Dei de ombros.


[…]


A mesa estava impecavelmente posta, com pratos finos e taças de cristal. O ambiente era elegante, mas a atmosfera entre os presentes se mantinha desconfortável. Que a comida era boa, isso é fato. O prato principal foi steak au poivre, basicamente um bife com molho de pimenta do reino e algumas batatas gratinadas do lado. Eles disseram que era um prato francês mas para mim era só um bife normal — mas extremamente gostoso. — Tentei ser um pouco mais educada e não falar de boca cheia para não ter olhares de reprovação daquele homem. Antes de sair de casa eu comi umas almôndegas da Cat para não estar com tanta fome porque na casa de rico as porções parecem que são feitas para crianças.

Mel estava ao meu lado, radiante e doce, tentando, como sempre, manter o clima leve. O Germano tinha um olhar distante e desinteressado. James tentava ser simpático com todos, mas algo em seu olhar sempre se voltava para mim. Algo naqueles olhos azuis brilhantes me traziam um desconforto, é como se eles gritassem alguma coisa indecifrável.

— Como andam as coisas na escola, meninas? — Questionou Germano tentando ser simpático, mas seu tom ainda soava autoritário e seu olhar só se direcionava a Mel.

— Melhor do que eu esperava, pai. — Sorria docemente. — Não é tão rígida quando os internatos de Nova York que eu já estudei, mas é muito boa. Estou adorando as aulas de canto e atuação. A Sam está me ajudando muito. — Pegou na minha mão e eu dei um sorriso sem graça.

— Meu amor realmente leva jeito, mas você tem um estilo único, Sam, é de impressionar. — James me fitava com um olhar de admiração.

Como alguém consegue ser tão gentil e doce O TEMPO INTEIRO? Nem a Carly Shay conseguia tal feito.

Ele desviou o olhar e deu um selinho na Mel.

— Não sabia que você se interessava por artes, Samantha. — Pela primeira vez na noite, Germano direcionou seu olhar para mim.

Por trás do seu olhar curioso e intrigado existia uma busca inquietante, como se ele tentasse entender quem era aquela desconhecida na qual ele conhecia. O sentimento era mútuo.

— Não é como se você soubesse muita coisa sobre mim. — Pigarreei após dizer isso quase como um sussurro.

— Bom, sei que você faz um webshow junto com seus amigos, certo?

— Já mostrei para o papai alguns dos programas, Sam. — A loira tentava sanar o clima tenso que percorria aquela grande e farta mesa.

— Eu particularmente sou muito fã! — Disse James dando uma força para a namorada.

— Não sabia que você gostava desse tipo de humor, rapaz. — Retrucou Germano com um tom soberbo.

— O que você quer dizer com “esse tipo de humor”? — Estava tentando ficar numa boa nesse jantar, mas parecia que a todo momento ele tentava me diminuir indiretamente.

— Não me leve a mal, Samantha. Apenas pensei que James gostasse de coisas mais…— hesitou — intelectuais.

— Acho que o papai tá querendo dizer que o James nunca demonstrou interesse por esse tipo de programa…tipo comédia. — Novamente minha irmã se mostrava tensa e usava toda sua doçura para contornar a situação.

— Sim…Bom, eu curto muito coisas clássicas, boas peças de teatro, livros cultos, mas todo mundo precisa descansar um pouco a mente com um bom humor, né?!

De que século aquele menino tinha saído? Livros cultos? Só falta falar que escuta opera.

— Tudo bem, eu entendo que talvez meu humor seja muito…chulo para o nível de vocês. — Falei calmamente, mantendo a educação mas com um tom totalmente irônico.

Germano mudou de assunto. Estava claramente sem muito interesse na conversa e com um olhar distante. Mel praticamente implorava com o olhar para que o pai ponderasse suas palavras.

— Eu sempre achei que a Mel se sairia bem no mundo das artes... Ela sempre foi muito aplicada, só a timidez que talvez a trave um pouco…— Direcionou seu olhar para mim novamente. — Seu talento para a comunicação fará bem para ela, Samantha.

Tudo que importava para ele era a Mel. Ela parece até uma extensão dele, e talvez seja mesmo, porque eu não consigo enxergar nada, absolutamente nada, da minha mãe presente nela.

— Bom, a Mel sabe que pode contar comigo para o que precisar. — Disse verdadeiramente, direcionando o olhar para a loira ao meu lado. Ela sorriu.

James, que até então se mantinha calado, saiu de seus pensamentos e deu um selinho sútil nela.

— Seu Germano, eu também farei o possível para ajudar suas filhas. Como eu fiz alguns anos de teatro e canto, estarei à disposição para o que elas precisarem. — Ele mantinha um sorriso que esbanjava orgulhoso de si mesmo.

Como alguém consegue ser tão educado e arrogante ao mesmo tempo?

— Eu sei que não será fácil, mas talvez esse jantar seja um bom começo, né? — A loira tinha seus olhos marejados enquanto encarava com ternura todos que estavam presentes. — A gente estar aqui…agora, já é um passo. Estamos tentando nos conectar, e acho que isso já é algo. — A minha irmã tentava suavizar a tensão com uma voz doce e um sorriso leve.


[…]


— Bom, foi ótimo jantar com vocês, mas eu já vou me recolher. Amanhã eu tenho que ir bem cedo para o escritório. Boa noite a todos.

— Pai, será que a Sam pode dormir aqui? — Mel tentou convencê-lo usando sua voz mais doce.

Perda de tempo. Não via a hora de sair daquele lugar.

— Se ela quiser, não vejo problemas. — Deu de ombros. — Posso pedir à empregada para arrumar o quarto de hóspedes.

— Não tem necessidade, pode deixar a mulher descansar. Minha amiga já deve estar me esperando em casa, tenho mesmo que ir.

— Não seria incomodo nenhum, Sam! A Valentina nem foi dormir ainda e também já está tarde para você voltar sozinha.

— Amor, eu posso levar ela…se você quiser, claro…— Disse James me encarando um pouco desconcertado.

Resolvi aceitar a gentileza do loiro. Pelo jeito era a especialidade dele.

— Bom, não vou dispensar carona, né.

Eu e James nos despedimos da Mel e do Germano — que antes mesmo de sairmos já tinha rumado para seu quarto — e fomos para o carro dele, e que caro, em! Eu estava tentando não olhar demais, mas não consegui, era simplesmente…impressionante. Era uma Porsche 911 Turbo S, a coisa mais linda que eu já vi. O design era tão perfeito que parecia ter saído de um filme de ação, mas com uma elegância que só um carro como aquele poderia ter. Era um carro quase tão lindo quanto o do Benson…Porque mesmo eu estava comparando?…Porque eu estava pensando nele?

James é mais quieto, na dele, quase não conversamos por boa parte do caminho, ele só veio puxar assunto quando me pediu para escolher uma música para colocar no rádio e eu escolhi smells like teen spirit do Nirvana.

— Eu não sabia que você gostava de Nirvana — Disse o loiro em voz baixa, quase reverente.

Dei de ombros, fingindo um desinteresse casual.

— Eu gosto de músicas boas. — Mantinha meu tom sério e meu olhar direcionado para a bela vista da janela.

— Sabe, a letra, a raiva…eu até consigo ver um pouco de você descrito ali. — Seu olhar estava fixo na estrada.

— Você acha que a música é sobre raiva? — Direcionei meu olhar para o loiro. — Eu achava que era mais sobre desespero, sabe? Tipo, essa coisa de não se encaixar e tudo mais…

— Eu vejo isso também. — Engoliu em seco e começou a me fitar. — Mas é uma raiva boa, no final das contas. Uma raiva que te faz querer gritar, mas ao mesmo tempo te faz sentir mais você mesmo…

— Não sei se ser eu mesma me trouxe grandes coisas. — Respirei fundo. — Nem o meu próprio…pai — falei essa palavra sentindo um nó na minha garganta — gosta do jeito que eu sou.

— Você sabe que não é bem assim…— Mordeu os lábios. — Esse jantar foi a prova disso, que ele está tentando mudar…dá uma chance, apesar de tudo…seu Germano não é um homem ruim. — Disse suavemente.

— Ter ido até lá foi a prova de que eu estou tentando fazer isso…dar uma chance. Só espero não sair machucada. — Falei as últimas palavras quase como um sussurro mas James conseguiu ouvir.

— Eu e a Mel estaremos aqui — colocou uma mecha do meu cabelo atrás da orelha — sempre que você precisar…— Corei instantaneamente e o silêncio se instaurou no carro e eu voltei a admitir a paisagem, que era apenas as ruas de Los Angeles a luz da lua e a música no rádio que dizia :

“With the lights out, it's less dangerous

Here we are now, entertain us

I feel stupid and contagious”

— A Mel nunca ouviria isso. — Comentou rindo baixo e quebrando o silêncio. — Ela prefere aquelas coisas mais... fofas, românticas. Taylor Swift, sabe?

— Gosto quando ela canta que se você não sangrar…nunca vai crescer…Já a Mel provavelmente deve escutar lover no último volume. — Dei um sorriso amarelo.

— Eu sei. Ela é muito diferente de você. — Eu o encarei por um momento, surpresa. Não sabia o que ele queria dizer exatamente com aquilo. A curiosidade piscou em meus olhos, mas resisti firme em não perguntar. — Mas você também é...diferente. — Ele continuou, como se tivesse que completar a ideia. — Você é mais...de fazer as coisas acontecerem. Sem se preocupar muito com o que as pessoas pensam. Acho que isso te torna mais, sei lá, interessante…

Não soube como responder. Minha única reação foi arregalar os olhos e logo em seguida desviar o olhar novamente para a vista da janela. Mas aquilo não saiu da minha cabeça.

Sempre soube que era diferente da Mel, sempre gostei de ser diferente dela, mas alguém dizer isso sem me diminuir, sem dar a entender que eu tinha que ser mais como ela era tão…novo para mim.

Tentei mudar o foco dos meus pensamentos e quebrar o silêncio que novamente tinha se instaurado.

— E você, James…sempre foi assim, tão... certinho…culto? — Soei um pouco irônica. — Desculpa, mas alguém que conhece Nirvana não vai a peças clássicas. — Usei meu tom mais divertido.

Ele sorriu, mas a expressão era um pouco triste, como se a pergunta tivesse tocado algo em sua alma.

— Ah, nem sou tão certinho assim. Às vezes só. Mas curto uma boa peça também. — Deu um sorriso de canto. — Só fico com medo de ser quem realmente sou, sabe? Como se fosse mais fácil seguir a linha e fazer o que se espera de mim…— Engoliu em seco.

O silêncio caiu de novo, mas desta vez, ele não parecia desconfortável. O ar estava carregado com um sentimento que eu não conseguia identificar.

James me olhou novamente, dessa vez com uma intensidade que eu não sabia como lidar. Ele queria dizer algo, mas não disse.

— Bom, entregue. — Chegamos na minha casa e ele saiu do banco do motorista para abrir a porta para mim.

— Você cumpre todos os requisitos de namorado da Mel. — Ele deu um sorriso sem graça e eu fui rumando até a porta. — James! — Me virei novamente e o chamei antes dele entrar no carro. — Valeu. — Disse com um sorriso tímido.

Ele assentiu com a cabeça e entrou no carro. Rumei para dentro de casa me vendo finalmente livre daquela noite interminável.


Notas finais
Primeiramente quero que vocês me contem o que acharam do flashback do encontro! E também preciso dizer que vai ter momentinho Seddie de uma forma mais “explícita” ( hahaha ) não vou deixar só subentendi ( mas tudo no tempo certo! ) . E sobre a Sam com o James, fiquem tranquilos, não terá triângulo amoroso. Tenho certeza que a história com o James vai surpreender vocês. XOXO :)