O show final
9 And if my wishes came true.
Notas iniciais
P.O.V : jade.
Estava no meu quarto com o fone no último volume quando minha mãe entrou e me avisou que o Beck estava na sala querendo falar comigo.
Joguei uma camiseta por cima da regata preta que eu usava e fui até a sala.
— O que veio fazer aqui? — Cruzei os braços e o encarei.
— Precisava te ver e tirar esse peso da minha consciência. — Se levantou do sofá e ficou bem na minha frente, me fitando com um semblante triste.
— Se quisesse mesmo falar comigo teria me procurado na escola e não passado o dia todo pendurado no pescoço da Tori. Agora é tarde. — Desviei o olhar e travei o maxilar.
— Não são nem onze da noite…— Segurou meu queixo, trazendo meu olhar novamente para si.
— Tarde para se arrepender de ter sido um babaca comigo SEU IDIOTA! — Dei um tapa na mão dele e me afastei. — Sabia que eu liguei para a minha mãe e pedi para ela voltar, de tão triste que eu estava?! — Senti meus olhos marejarem. — Tem noção de como você me deixou hoje de manhã? Eu fiquei me sentindo uma… — Ele me puxou pela cintura e me calou grudando nossos lábios.
Cessamos o beijo pela falta de ar e nos encaramos com os olhos marejados. Ficamos em silêncio por alguns segundos, mas eu entendia tudo que ele dizia apenas com olhar. Era verdadeiro. Eu sentia.
— Desculpa ter duvidado de você. — Acariciou meu cabelo.
— Acho bom! — Dei um tapa de leve no ombro dele e soltei um sorriso sem graça.
— Estou perdoado?
— Só cala boca e me beija. — Ficamos ali por vários minutos só apreciando o gosto um do outro e tentando entender como podemos ter uma ligação tão grande que nunca nos deixa romper por completo. Por mais difícil que seja o problema, algo dentro de nós sempre acaba nos unindo novamente.
Como? como ele pode achar que eu amaria outra pessoa como eu amo ele? E porque eu também sempre caio no mesmo erro?
[…]
08:20 AM — Hollywood Arts
P.O.V : Freddie
— É o meu relógio que não está funcionando ou o Sikowitz que tá atrasado?
— O Sikowitz, Robbie. — Respondeu Tori.
— Tomará que ele nem venha hoje. — Resmunguei.
— Ei nerd, só nós alunos antigos temos a licença poética para não gostar do Sikowitz. — Jade franziu o cenho. — É lunático, mas é o NOSSO lunático.
— Amiga, ele está é com medo de apresentar a peça…de novo. — Disse Sam.
— Não é bem medo…é só…ansiedade. — Coloquei as mãos no bolso para esconder o nervosismo.
Ninguém precisava saber que eu quase não dormi de tão ansioso que fiquei para apresentar essa peça. Outra reprovação seria o fim do meu status de nerd.
— Ah, isso me lembra você Tori…— disse Jade com um sorriso largo — quando apresentou três peças para no fim…
— JADE! — Beck a Interompeu. — As regras! — Fuzilou a namorada com o olhar e ela revirou os olhos.
— Me falem logo que tal regras são essas, por favor! — Supliquei.
— Foi mal cara...não podemos.
— Olha, o Sikowitz chegou…Boa sorte, Freddie. — Carly me deu um abraço de lado.
— Arrasa, nerd! Seja um nerd! — Sam soltou um sorriso amarelo.
Meus amigos me encorajaram e eu fui lá com toda a pouca esperança que ainda me restava.
[…]
— …Mas naquela tarde minhas palavras não fizeram efeito…Ele se foi, e o meu espírito também…— Terminei minha apresentação e todos da turma aplaudiram. Até eu estava orgulhoso de mim! Desci do palco e me aproximei do Sikowitz. — Olha, sei que não foi nem de longe a melhor apresentação que você já viu…mas foi com o coração. Entreguei todo sentimento que existe dentro de mim para esse personagem…e mesmo que eu não seja tão bom quanto a maioria dos alunos daqui…eu estou orgulhoso de mim e sei que dei o meu melhor. — Falei confiante.
O professor e a turma me aplaudiram novamente e eu dei um sorriso sem graça.
— Vejo que ele entendeu o sentido da peça, não é turma?! — Deu um tapinha no meu ombro. — Parabéns garoto. — Fui me sentar feliz da vida e meus amigos me olharam orgulhosos. — Agora vamos falar do trabalho de conclusão de curso de vocês…Achei mais justo fazer o sorteio na frente de todos para não haver problemas, meus queridos. — Ele pegou uma pequena caixa e sacudiu. — Venha aqui na frente um representante de cada grupo, tire um papelzinho e escolha seus integrantes. ATÉ. SEIS. PESSOAS! — Disse pausadamente.
Sam, Missy e Tori se direcionaram para o palco.
— Grupo 3…cantar. — Disse a ruiva com um sorriso de orelha a orelha enquanto fitava as duas meninas ao seu lado. — Meu grupo vai ser…Shelby, Brad e Steven.
— Pode escolher mais gente, querida. — Disse Sikowitz.
— Não precisamos de mais ninguém. Os Red Sharks vão mostrar o que é uma banda de verdade. — A ruiva encarou todos da turma com um ar de vitoriosa.
— Ah, garota, cala a boca. — Sam revirou os olhos e pegou seu papelzinho dentro da caixa. — Grupo 1…Filme. — A loira fechou a cara, ao contrário de mim que dei um sorriso largo. — Vou escolher o nerd, a Carly, a Jade, o André e o Beck. — Falou em um tom de desânimo.
— Bom…— Tori retirou seu papelzinho da caixa. — Então eu fiquei com a peça…e com a Melanie, a Cat, o James e o Robbie.
— Vocês têm muitos meses pela frente para entregarem o melhor de vocês. — O professor respirou fundo. — E por favor, façam o melhor mesmo…se não a diretora vai me comer vivo ou pior…me demitir por incompetência…E isso me lembra minha ex mulher…— Saiu da sala choramingando.
[…]
— Iou ou…— Disse entrando na sala de música, onde a Sam estava tocando seu violão. — Então é aqui que você mata aula? — Me aproximei dela, a observando com um sorriso meio sem jeito.
— É…também venho para cá quando não quero ver a cara feia de ninguém. — Ela ainda estava com os olhos fixos nas cordas, os dedos deslizando sobre elas com a naturalidade de quem já passou horas ali.
— Bom, por sorte a minha não é feia. — Aquelas palavras tinham saído sem pensar, quase como uma tentativa de quebrar o gelo.
Ela levantou os olhos, encarando-me por um segundo, antes de olhar de volta para o violão, seu rosto imperturbável.
— Se você acha… — Ela deu de ombros, voltando à sua concentração, como se o violão fosse seu único refúgio naquele momento.
Eu me aproximei um pouco mais, sentindo a tensão leve entre nós dois. Talvez fosse pela situação estranha de eu ter vindo ali só para dizer "obrigado", ou talvez pela maneira como ela estava sempre tão distante, mas ao mesmo tempo, de alguma forma, próxima. A verdade é que, mesmo depois de tantos anos, eu ainda não sabia muito bem como lidar com a Sam. Quando não estávamos gritando e pulando no pescoço um do outro, ficava um vazio entre nós, como se ambos quisessem algo que não poderiam ter. Não mais.
— Só vim agradecer pela ajuda. — Disse, tentando ser mais direto. — Sem você, eu teria sido um fracasso nessa peça…de novo.
Ela deu uma leve risada, algo meio amarga, e finalmente olhou para mim de novo, dessa vez com mais intensidade.
— Só fiz o que qualquer amiga faria…e você nem é tão fracassado assim…até que tem um pouco de talento. — Ela deu um sorriso rápido, quase imperceptível, mas eu pude perceber.
— Então…isso quer dizer que você acredita em mim? — Perguntei, meu tom um pouco mais sério do que eu pretendia, mas eu não conseguia evitar.
Sam fez um gesto com as mãos, como quem não quer se comprometer com palavras.
— Você tem algo, Freddie. Só…talvez não saiba aproveitar direito. — Ela deu uma risada curta e ficou em silêncio por um momento, como se pensasse nas palavras antes de falar. — Eu só te dei um empurrão, mas o trabalho foi seu.
— Ah, claro, você foi tipo…o gps da minha vida. — Falei, tentando aliviar o clima com humor.
Ela levantou os olhos, como se fosse me dar uma resposta sarcástica, mas pareceu hesitar. O violão ficou em silêncio entre nós, e o espaço à nossa volta ficou repentinamente mais apertado. Eu queria dizer algo, mas não sabia bem o que.
O silêncio entre nós se alongou, até que eu decidi perguntar, sem muito contexto, mas talvez esperando que fosse a maneira certa de encerrar aquela conversa.
— Vai ao baile de abertura das aulas sábado?
Ela me olhou de relance, arqueando uma sobrancelha.
— Claro que vou…Não combinamos de fazer a volta do icarly e a primeira apresentação da banda?! — Ela riu baixo, como se fosse uma piada.
Fiquei ali, de pé, imaginando se era esse o momento de perguntar o que realmente queria. Mas, de alguma forma, o medo de rejeição fez as palavras ficarem presas. Eu queria perguntar se ela queria ser o meu par, mas hesitei. Ao invés disso, só sorri, tentando fazer a pergunta parecer menos importante do que realmente era.
— Na verdade eu estava querendo saber se você já tem acompanhante…
O som do violão novamente quebrando o silêncio tenso. Ela parecia mais distante, mas ao mesmo tempo a presença dela ali, naquelas horas que passávamos juntos sem dizer nada demais, me fazia querer mais, querer ter mais dessa versão tranquila dela, que poucos tinham acesso.
— Não tenho não… — Ela começou, mas parou. — E você…— se auto interrompeu — Vai chamar a Carly, claro.
Eu a observei, tentando entender o que ela queria dizer. As palavras da loira pareciam ecoar em algo que eu sabia, mas nunca tinha dito em voz alta. A gente meio que estava sempre ali, entrelaçados por pequenas conversas e olhares furtivos, mas nunca conseguimos ultrapassar aquele limite sem nos irritarmos logo em seguida.
— Não. Não estava pretendendo chamar ela não. — Disse desviando o olhar.
O violão da Sam parou de repente. Ela olhou para mim por um momento, como se estivesse decidindo se diria algo mais.
— Vai dizer mais alguma coisa ou…— Disse a loira em um tom impaciente.
— Bom, se não arrumar ninguém…sei lá…posso te dar uma carona e ficar com você por lá. — Coloquei as mãos no bolso para disfarçar meu nervosismo.
Será que é agora que ela pega esse violão e dá na minha cabeça? Pensei.
— Tá me chamando para ir com você ou apenas fazendo caridade, Benson? — Franziu o cenho e me olhou com um sorriso de canto.
— Vou passar as sete na sua casa. Esteja pronta, princesa Puckett. — Ela assentiu e eu dei um sorriso amarelo.
Eu fiquei ali por mais alguns segundos, observando ela tocar. E, por um momento, eu me senti como se estivesse no lugar errado e na hora certa, ao mesmo tempo. Fui me afastando cada vez mais até finalmente sair da sala.
Quando não estava mais na presença da loira, respirei fundo e me perguntei se, de algum jeito, ela também sentia a falta de algo, como eu sentia. E se, de alguma forma, nós dois estávamos esperando que o outro fosse capaz de fazer a primeira pergunta.
[…]
P.O.V: André
09:45 PM
…'Cause you know that if
you live in your imagination
Tomorrow, you'll be
everybody's fascination
In my victory, just remember me
When I make it shine….
— Ual! Ficou ótimo, galera. — Eu disse, me afastando do microfone e olhando para os meus amigos. Estávamos na casa da Tori, ensaiando para a nossa primeira apresentação que iria acontecer no sábado. Não era um grande evento, mas era importante para mim, para nós. Pela primeira vez, estávamos juntos em uma banda. E era… divertido. O som, a vibe, todos dando seu melhor.
— Ótimo não é suficiente para nos destacarmos dos Red Sharks! Precisamos ser impecáveis! — Jade, como sempre, não estava nem um pouco satisfeita. O tom dela estava alterado.
— Só pela volta do iCarly, já tenho certeza de que as pessoas vão amar. — Tori retrucou.
— E se mudarmos a música? Tem tantas melhores que Make It Shine… — Jade, em tom desafiador, sugeriu.
— Jade, é só uma apresentação no baile da escola… — Beck respirou fundo. — Nas nossas próximas apresentações a gente vai melhorar..
— Vocês não entendem nada, né? — Jade bufou, o olhar carregado de frustração. Ela se virou para todos nós, como se fosse impossível alguém compreender o que se passava na cabeça dela. — Aquela Missy — falou com repulsa — vai adorar nos humilhar se nós formos um fracasso e a banda dela arrasar.
Missy era uma ameaça. Uma ameaça constante. Ela sabia exatamente como manipular qualquer situação a seu favor, e seus amigos…bom, os Red Sharks eram, no mínimo, “diferentes”. Para não dizer, maldosos. Eles podiam não ter tanto talento mas faziam o suficiente para parecerem incríveis sobre o palco e com a guitarra prestes a explodir o tímpano de alguém.
Jade estava certa sobre uma coisa: se a nossa apresentação fosse um fracasso, Missy faria questão de fazer isso parecer o maior evento do ano, só para humilhar a gente. A morena já chegou a andar por um tempo com os atuais amigos da ruiva diabólica, então provavelmente ela deve saber o que está dizendo.
— Eu já te disse, Jade, a gente vai arrasar. E ninguém vai superar a nossa energia — Disse Carly, tentando acalmar a tensão, mas sem muito sucesso. Ela e Sam também estavam nervosas com a apresentação, embora não demonstrassem tanto quanto Jade.
A conversa continuou por mais alguns minutos, mas eu mal estava prestando atenção. Não sei se era a tensão do ensaio ou se era algo em mim, mas minha mente estava em outro lugar. Aquela situação com o Beck ainda me angustiava.
Nós éramos amigos, melhores amigos, mas no ano passado, em um daqueles momentos de calafrios e hormônios, eu meio que…me apaixonei pela namorada dele. Foi algo rápido, passageiro. Algo que passei a tentar esquecer logo depois, porque eu sabia o que isso significava. Eu tinha respeito pelo Back, e sabia que eles estavam juntos. Então ver ele bravo comigo parecia tocar na minha consciência e lembrar de como eu me senti culpado naquela época, mesmo sem ter feito nada de errado.
[…]
— Galera, eu e a Carly já vamos indo. — Disse a loira se levantando do sofá.
— Isso é um pedido indireto de carona, Sam? — A morena deu um sorriso irônico.
— Gosto que você me conhece, amiga. — As duas se direcionaram para a porta.
— Bom, já que o ensaio acabou…vamos Beck? — Jade se levantou também.
— Pode ir entrando no carro que antes eu preciso conversar com o André…— Deu uma piscadinha para a morena e ela assentiu.
— Vou abrir o portão…lá fora. — Tori rapidamente saiu junto com as meninas e ficamos só nós dois na sala.
— Fala, cara. — Iniciei a conversa com um tom calmo, logo quebrando aquela muralha que estava entre a gente.
— Cara, eu…eu não sei como te dizer isso, mas… — Ele deu uma pausa, como se estivesse escolhendo as palavras com cuidado. — Eu sei que a Jade e você são amigos, mas…tem alguma coisa entre vocês? Tipo…sentimentos, sabe?
Meu estômago deu um nó instantâneo. Ele perguntou isso com uma leveza que me fez até duvidar se ele estava falando sério, mas a preocupação nos olhos dele era clara.
A verdade é que eu não sabia o que responder. Na hora, a primeira coisa que veio à minha mente foi o quanto isso me deixou confuso. Claro que eu não sentia mais nada por ela, éramos só amigos, mas porque olhar nos olhos do meu melhor amigo e dizer isso, soava tão falso?
Eu respirei fundo, tentando manter a calma.
— Calma…aquele seu…surto, dias atrás, era por conta disso? — O encarei com um semblante incrédulo. — Você está com ciúmes? Dela comigo? — Meu cenho estava franzido e minha mãe estava em meu peito, de tamanho choque.
— Cara, eu sei que parece ridículo…inseguro, mas…sei lá…foi o que eu senti. — Engoliu em seco e respirou fundo. — Acho que não foi nem ciúmes, eu fiquei…com um pouco de inveja de como ela te admira…e com um pouco de ciúmes também, confesso. — Disse em um tom quase como um sussurro enquanto mantinha sua cabeça baixa.
— Back, você sabe que a Jade é…bem, ela é uma pessoa difícil de entender, né? — Eu sorri meio sem jeito, tentando não parecer tão nervoso. — Ela tem o jeito dela de demonstrar carinho….Tenho certeza que ela te ama, cara. — Engoli em seco.
— Eu sei…— Back me olhou por um momento, parecendo avaliar minhas palavras, antes de dar um suspiro aliviado. — Eu fui muito babaca e…você me desculpa, irmão?
— Claro…— Demos um abraço rápido e ele parecia entalado com alguma outra coisa. Seu semblante pergunta algo que sua boa não conseguia pôr para fora. — Então…tá tudo bem entre a gente? — Perguntei inseguro.
— Óbvio. — Respondeu sem muita firmeza. — Eu só queria…eu preciso…Cara, eu quero que você seja sincero comigo…você tem algum sentimento pela Jade?
Antes que eu tivesse chance de responder mais alguma coisa, a Tori entrou na sala e nos encarou um pouco envergonhada. Deve ter notado o clima tenso que nos rodeava.
— Back, a Jade está impaciente lá no carro…melhor você ir acalmar a sua ferrinha. — Deu um sorriso sem graça.
Confesso que me senti muito aliviado com o fim da conversa. Aquele assunto ainda era muito desconfortável para mim. Era só dizer a verdade! Mas a verdade soava tão falsa e superficial.
— Então, é isso — eu disse, tentando não deixar transparecer a confusão interna. — Falou, povo. — Acenei para eles.
Back só assentiu, mas eu percebi que ele estava esperando por algo mais. Uma resposta, talvez. Mas, por algum motivo, eu não conseguia dar.
Sai da casa de Tori a passos largos e com a mente a milhão.
[…]
P.O.V : Freddie
Sábado — 07:00 PM
Estava mais nervoso do que deveria, mas por que eu estava nervoso? Só estava indo buscar minha amiga para um baile da escola — e tudo o que eu conseguia pensar era o quanto isso ia ser estranho.
Eu ainda não conseguia definir exatamente o que estava acontecendo entre nós. A verdade é que, no fundo, eu sabia que sentia uma coisa a mais por Sam. Mas eu não podia admitir isso. Não depois de tanto tempo tentando superar tudo aquilo e mantendo distância. Ela era só uma amiga, certo? Amiga... apenas amiga. Repetia comigo mesmo.
Buzinei uma vez quando cheguei na frente da casa dela, e o som da buzina ecoou pela rua escura e tranquila. O que eu não esperava era o que veio depois.
A porta se abriu, e lá estava ela. Sam, com um sorriso que eu não conseguia decifrar, usando um vestido preto que parecia feito sob medida para ela. O vestido era simples, mas tinha algo nele que parecia dizer “olhe para mim” de uma forma sutil e sedutora. Ele tinha uma modelagem justa no torso, destacando a silhueta dela, mas a parte de baixo fluía de forma suave, caindo até os joelhos. O corte do vestido era elegante, mas o decote suave dava um toque provocante, sem ser exagerado. Não que eu fosse o tipo de cara que entendia muito de moda, mas até eu sabia que ela estava deslumbrante. O que eu nunca admitiria para a loira raivosa.
Queria dizer alguma coisa, mas as palavras simplesmente não saíam da minha boca, ficavam entaladas na garganta.
— Você vai ficar aí me olhando por mais quanto tempo? — Perguntou a loira com um sorriso de canto, arqueando uma sobrancelha. Aquele tom de desafio estava presente, como sempre. Ela adorava me provocar e fazer eu me sentir desconcertado.
— Você…— engoli em seco — você está ótima, Sam. — A palavra “ótima” pareceu um eufemismo comparado a como ela realmente estava.
Ela riu, um som leve e confiante, como se soubesse exatamente o que estava fazendo comigo.
— Você não está tão mal assim, Freddnerd. — Caminhou até mim calmamente. — Vamos logo. O baile não vai esperar.
Eu fiquei ali, sem saber se estava mais impressionado com o modo como ela estava deslumbrante ou com a forma que ela ainda tinha de me deixar em choque. Aquele vestido preto não estava apenas chamando minha atenção — ele estava me fazendo lembrar de tudo o que eu tentava esquecer. Como ela tinha esse poder sobre mim? De me fazer parecer um bobo?!
Entramos no carro e no momento em que a loira se sentou ao meu lado, eu percebi que estávamos mais perto do que deveríamos estar. A tensão entre nós estava quase palpável, e eu não sabia como lidar com isso. Tentava não olhar muito para ela, mas ao mesmo tempo, a forma como ela mexia nos cabelos, a maneira despreocupada com que falava sobre os outros, fazia tudo parecer mais...difícil. Eu me sentia em um campo minado, esperando o momento em que eu falharia e confessaria o que estava no fundo da minha mente.
Sam lançou um olhar rápido em minha direção, e eu quase traguei o ar.
— Acho que você está mais nervoso do que eu, nerd. — Colocou a mão sutilmente sobre meu ombro. — É só uma festa normal. A jade disse que acontece todo ano e todo mundo é muito gente boa.
Eu ri nervosamente, tentando disfarçar.
— Não estou nervoso, só...preocupado com a volta do icarly…— respirei fundo — ansioso, apenas.
— Qual é! — Disse revirando os olhos e soltando um riso. — A gente fez isso por anos…impossível ter esquecido.
— É…eu não me esqueci. — A fitei encarando profundamente aqueles olhos azuis.
Talvez isso não seja exatamente sobre o programa.
— Então vamos logo…— Desviou o olhar e se ajeitou no banco do carona. — A Carly já me mandou umas cinco mensagens perguntando se estamos a caminho. — Deu um sorriso sem graça.
Eu assenti e fomos o caminho todo trocando apenas algumas palavras. Ela estava bem mais quieta do que o normal mas não deixou de me dar uns dois ou três xingos quando eu deixei alguns carros nos ultrapassarem.
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