Notas iniciais
Que comece a saga do baile de abertura das aulas, hihi.

O baile estava acontecendo no lado externo da Hollywood Arts, iluminado por luzes coloridas que piscavam ao ritmo da música alta. Tori e André estavam no palco, cantando, e a energia no ar parecia contagiar tudo e todos. Quando paramos na entrada, percebi os olhares fixos em nós. Não sabia se aquilo era normal, mas com Sam ao meu lado, tudo parecia mais intenso.

— Por que estão nos olhando assim? — Perguntei mais para mim mesmo do que para ela.

Sam deu uma olhada rápida ao redor e deu de ombros, como se não fosse nada demais.

— Ah, é só porque você me escolheu para ser sua acompanhante. Eles devem ter estranhado. — Ela desviou o olhar para a pista de dança, desinteressada. — Agora, vamos lá.

Ela não parecia nem um pouco afetada pela atenção, como sempre. Eu, por outro lado, estava começando a me sentir desconfortável com a ideia de estarmos sendo observados.

Quando entramos, nossos amigos estavam todos ali. Carly, Jade, Beck, Cat e Robbie se reuniam perto da pista de dança, conversando e rindo. E, claro, assim que nos viram, todos os olhos se voltaram para Sam e para mim. O olhar deles era uma mistura de surpresa e curiosidade, como se tivessem presenciado algo inusitado.

— Uau, quem diria que vocês dois viriam juntos! — Cat exclamou, a voz carregada de ironia, uma risadinha escapando.

Jade, com um sorriso cínico, arqueou uma sobrancelha.

— Sam, você está arrasando, como sempre. E você... Freddie...não está tão mal…Sabia que vocês até combinam? — Deu um sorriso travesso.

Sam revirou os olhos, como se já tivesse ouvido esse tipo de comentário mil vezes. Eu soltei uma risada nervosa, tentando disfarçar o desconforto que sentia. Era difícil não perceber que todos estavam nos observando, analisando cada gesto, especulando sobre o que aquilo significava. Não queria que isso a deixasse desconfortável. Afinal, não éramos apenas dois amigos se divertindo no baile, ou havia algo a mais em jogo?

— Acho que estão animados com a volta do icarly…— Olhou em direção às pessoas que nos observavam e cochichavam. — Ouvi comentários sobre. — Disse Beck.

Antes que eu pudesse responder, Carly se aproximou, com um olhar curioso, mas com um toque de ansiedade.

— Freddie, já deixou os equipamentos pronto para a hora do show? — Ela perguntou, como se aquele fosse o maior foco da noite.

— Sim, tudo prontinho para gravar. — Respondi, tentando sorrir, mas o sorriso saiu mais forçado do que eu gostaria.

O ambiente estava carregado de tensão. Havia uma energia nervosa, quase como se estivéssemos gravando o iCarly pela primeira vez de novo, com todos os olhos atentos e as expectativas nas costas.


[…]


P.O.V : Tori


O baile estava no auge, mas eu mal conseguia aproveitar a festa. O clima estava estranho, como se algo estivesse prestes a acontecer. Acho que era nervosismo para o primeiro show da banda. Decidi pedir um vinho para ver se eu me acalmava. Não era muito de beber, mas precisava de uma tacinha para me acalmar.

E, de repente, Shelby apareceu diante de mim, com aquele sorriso frio no rosto. Eu tentei ser educada, mas dentro de mim uma sensação de desconforto começava a crescer.

— Tori, que surpresa te ver aqui. — Shelby falou com um tom de voz que soava mais ácido do que amigável.

Eu respirei fundo, tentando manter a calma.

— Bom, eu estudo aqui e…adoro bailes. — Disse forçando um sorriso.

Shelby riu baixinho, como se tivesse ouvido uma piada que ninguém mais pegou.

— E sua bandinha, vai tocar mesmo? — Deu um sorriso de canto. — O que você vai fazer? Cantar? — Ela olhou para mim com uma expressão de desdém. — Já te vi cantando, Tori. Não é nada demais. — Se aproximou e cruzou os braços. — Você até que tem uma voz legalzinha…mas te falta presença, carisma, autenticidade.

Senti a respiração dela perto do meu rosto. A morena me fitava calmamente enquanto vomitava essas palavras em cima de mim. Eu sempre soube que Shelby tinha um tipo de inveja, mas não sabia que chegaria a esse ponto. Ela estava claramente tentando me provocar, e parecia gostar disso. Mas eu não ia deixar ela me afetar. Não dessa vez.

— Shelby, você sabe que eu não sou você, certo? Eu não preciso competir. Só quero me divertir e cantar com os meus amigos. — Dei uma entonação mais forte à palavra amigos. Será que ela conhecia o significado?

Seus olhos brilhavam com algo sombrio, uma raiva velada que eu conseguia entender, mas preferia ignorar e esquecer.

— Não me venha com essa. — Semi cerrou os olhos. — Sua banda vai ser um fracasso, algo sem futuro, porque você destrói tudo que chega perto. — Percebi que os olhos dela ficaram marejados. Quase tive o ímpeto de abraçá-la e…novamente, me desculpar, mas logo a raiva em seus olhos ressurgiu. — Aqui nunca foi o seu lugar e você já deveria ter aceitado isso a muito tempo…nunca será boa o suficiente para se tornar o que quer, e eu farei de tudo para ser sempre assim.

Antes que eu pudesse responder, Shelby deu uma risadinha debochada e se afastou. Eu fiquei ali, de pé, tentando processar tudo o que ela tinha acabado de dizer. Minha mente estava cheia de dúvidas, mas algo estava começando a me incomodar. Eu não sabia o que era, mas algo estava muito errado, era uma sensação ruim em meu peito.

Dei uma golada na minha bebida para espantar aqueles pensamentos ruins. Fui surpreendida com um gosto amargo, mas já era tarde demais. Eu só queria me distrair um pouco daquelas palavras, então tomei mais um gole, ignorando o mal-estar crescente.

— Ei, André — Fui para onde estava meu amigo — esse vinho está um pouco esquisito, né? — Perguntei tentando disfarçar a sensação de que algo não estava bem.

— Ah, está um pouco forte mesmo, mas acho que não é nada que te faça ficar louca, pode ficar tranquila. — Ele deu um sorriso divertido.

Claro, eu estava um pouco desacostumada a beber, mas não seria uma taça de vinho que me deixaria louca, certo? Tinha uma apresentação a fazer e tudo sairia perfeitamente bem. Afirmei para mim mesma tentando me convencer.

Eu ri nervosamente, tentando afastar qualquer sensação estranha. Mas a verdade era que já começava a me sentir…diferente. Como se o mundo ao meu redor estivesse girando mais rápido, mais frenético.


[…]


P.O.V : Beck


Eu estava de pé, observando a festa com um copo na mão, tentando me misturar à multidão, quando notei Tori. Ela estava...estranha. Era como se a energia dela tivesse mudado de repente. Seus olhos pareciam mais dispersos, e ela estava se movendo de forma errática. Eu não conseguia tirar os olhos dela.

De repente, ela subiu numa mesa, rindo descontroladamente e começando a mexer no vestido de uma maneira desconcertante, como se estivesse tentando se livrar dele e vários garotos ao redor estavam a incentivando e batendo palmas para a situação. Meu estômago se revirou. O que estava acontecendo com ela? Isso não era normal.

Ela estava completamente fora de controle. A música, as risadas, as luzes…a forma como ela levantava a roupa e passava a mão pelo corpo, tudo parecia não fazer mais sentido para ela. Tori estava visivelmente alterada, e quando observei alguns garotos tarados tentando se aproveitar da situação e passar a não nela, tive um impulso de querer tirá-la dali o mais rápido possível.

Corri até a morena, tentando manter a calma, mesmo com a situação toda me deixando nervoso.

— Tori, vem, você precisa sair daqui agora. — Falei, pegando-a pela cintura e tentando guiá-la para fora da pista de dança. Ela resistiu um pouco, mas estava tão tonta que acabou se apoiando em mim e eu a joguei sobre meus ombros.

— Beck, o que você está fazendo? Eu só…quero me divertir um pouco… — Ela balbuciou, com o olhar meio perdido.

Eu não sabia o que estava acontecendo, mas tinha que tirá-la daquele lugar antes que fizesse alguma coisa ainda mais constrangedora. A última coisa que eu queria era que ela se machucasse ou pior.

Segurei firmemente suas pernas e a conduzi para a saída, tomando o máximo de cuidado para que ninguém notasse. Eu tinha que protegê-la, fosse lá o que estivesse acontecendo com ela.

[…]

P.O.V : Sam

Eu estava no meio da pista de dança, conversando com Carly e Jade, quando percebi algo estranho. Não vi o Beck nem a Tori por um bom tempo. E o show estava se aproximando. Eles tinham que estar lá, no palco, prontos para a apresentação.

— Gente, onde está o Beck? E a Tori? — Perguntei, tentando disfarçar a preocupação.

Carly franziu a testa, também começando a ficar inquieta.

— Pelo jeito sumiram. E o que está acontecendo com o horário do show? Já está quase na hora, eles precisam estar lá!

André, que estava mais atento, foi o primeiro a notar.

— Tori estava muito bêbada. Eu vi o Beck levando ela para algum lugar…Mas depois disso, não os vi mais.

Eu não conseguia evitar o incômodo crescente no peito. Era como se algo tivesse dado errado e ninguém estivesse prestando atenção. O show estava prestes a começar, e não podíamos esperar mais.

Jade olhou para mim com um sorriso disfarçado. Eu sabia que no fundo ela estava se rasgando de ciúmes.

— Então…eu acho melhor ir atrás deles. — Ela já ia sair disparada atrás do namorado mas foi impedida por André, que segurou o antebraço da morena.

— Não dá tempo! O Freddie já foi lá dentro pegar os equipamentos para a transmissão, daqui 5 minutos entramos ao vivo. — Disse em alto e bom tom para Jade e para o resto do pessoal. Meu coração acelerou.

— Mas…o Beck…

— Está mais que bem! — A fitou sério. — Precisamos de você! — Ele colocou as mãos delicadamente no rosto da morena e ela entendeu o recado. Não podia nos abandonar agora por conta de ciúmes.

— Tudo bem…mas eu não consigo fazer a voz principal, estou um pouco nervosa. — Disse timidamente e com a cabeça baixa.

Aquela era mesmo minha amiga Jade?

— Sam vai ser a vocalista então! — Afirmou Carly.

Fiquei tensa, mas não tinha escolha. Precisávamos que o show fosse um sucesso. A volta do icarly dependia disso.

Eu respirei fundo, olhando para o palco vazio.

— Ok. Eu faço isso. — Eu disse, com um leve receio na voz, mas estava decidida. Eu não deixaria esse momento escorregar. Segurei nas mãos das minha amigas e subimos para o palco.

Eu estava lá, de pé, sentindo a adrenalina pulsar em minhas veias enquanto o público ao meu redor vibrava. André e Carly estavam do meu lado, parecendo tão tensos quanto eu. Jade estava na ponta dos pés, seus olhos vasculhando a pista de dança, como se procurasse uma explicação para o sumiço dos dois. O palco estava montado, as luzes já iluminando a gente como se fosse o começo do show. A plateia estava pronta para ver o primeiro espetáculo da nossa banda.

“Mas cadê o resto da banda?” Eles deviam estar se perguntando.

— O que está acontecendo? — André disse com voz cheia de preocupação após notar como estávamos travadas de medo. — Respirem fundo! Vai dar tudo certo.

A tensão aumentava. Cada segundo que passava parecia que os olhares sobre nós pesavam mais. Eu podia sentir a incerteza se espalhando pelo meu corpo, uma pressão que ameaçava esmagar qualquer confiança que me restava.

— Isso está ficando estranho. — Carly murmurou, os olhos piscando nervosamente para os lados. Ela estava claramente tentando manter a calma, mas eu pude ver que até ela, normalmente tão tranquila, estava começando a ficar incomodada.

— Não dá. — Jade disse, claramente irritada, mas com um toque de frustração na voz. — Esse show vai ser um desastre.

Foi então que a ideia bateu como um raio. Eu me virei para os outros, minha mente fazendo o que sempre faz quando preciso de uma saída rápida.

— Ei, Freddie! — Gritei, tentando não parecer desesperada, mas sabia que a situação já estava tomando uma direção que poderia facilmente sair do controle. — Você vem aqui cantar com a gente, ou o medo vai falar mais alto? — O provoquei, foi meu jeito de pedir socorro.

Ele estava atrás da câmera, como sempre, cuidando da gravação para o iCarly. Mas eu não me importava com isso naquele momento. O moreno estava lá, escondido atrás das lentes, sem perceber que estava prestes a ser arrastado para o centro das atenções.

Eu vi a hesitação no rosto dele, o olhar de dúvida atravessando seus olhos. Mas eu sabia, conhecia aquele olhar. Ele ia me desafiar, como sempre fazia. Ele estava prestes a recusar, a se esconder na segurança de sua câmera, mas o que ele não sabia era que eu estava pronta para dar o passo que ele não conseguiria dar sozinho.

Freddie olhou para a câmera por um segundo, como se estivesse tentando decidir o que fazer. Então, de forma relutante, ele entregou a câmera para alguém da equipe e começou a caminhar até o palco. O público reagiu com entusiasmo, aplaudindo o movimento inesperado. Eles sabiam o que estava prestes a acontecer, e a energia da pista de dança parecia aumentar instantaneamente.

Eu podia sentir o calor do palco, as luzes cegando um pouco os meus olhos, mas minha atenção estava completamente voltada para ele. Freddie se aproximou, o olhar dele fixado em mim, como se estivesse tentando controlar a tensão no ar. E, sinceramente, ele parecia ter um leve sorriso nervoso, mas eu sabia que ele estava em cima da linha, preparado para ceder.

— Vamos lá, Freddie. — Eu brinquei, minha voz suave, mas carregada de provocação. Ele sempre caía nesse tipo de jogada. — Eu…preciso de você. — Sussurrei.

O silêncio foi quebrado por um aplauso. Os outros membros da banda estavam sorrindo, tentando disfarçar a tensão, mas a verdade é que todos esperavam por isso. Ele subiu no palco, e quando nossos olhos se encontraram, algo mudou. Não foi apenas uma brincadeira. Era como se a atmosfera ao redor de nós tivesse mudado completamente. A primeira linha da música foi minha, e quando comecei a cantar, vi o jeito como ele reagiu. Aquela energia, aquela tensão...Eu sabia que ele sentia, assim como eu.

Hey, Stephen, I could give you fifty reasons to leave...— Minha voz saiu mais suave do que eu queria. Mas não era só a letra que eu estava cantando.

Ele respondeu com um sorriso torto, a voz dele suave, mas com um tom que parecia se misturar com o meu, uma conexão invisível entre nós. A música, que antes parecia uma brincadeira, agora era real. As palavras que estávamos cantando estavam carregadas de algo mais, algo que eu não sabia explicar, mas que sentia com cada sílaba.

But hey, I’m still in love with you. — Ele cantou, e aquele olhar, aquele sorriso, me deixou sem palavras.

Eu olhei para ele, e algo no meu peito acelerou. Eu estava completamente fora de controle, e não sabia como voltar atrás. Freddie tinha esse poder sobre mim, algo que eu não podia explicar, mas sentia com cada fibra do meu ser. Ele não estava mais apenas cantando. Ele estava falando comigo. E, naquele momento, a música não era mais apenas uma letra.

Era um diálogo.

O público estava em êxtase, mas eu mal conseguia ouvi-los. O único som que eu conseguia focar era a voz de Freddie, ecoando no palco, cada palavra carregada com uma emoção que eu sabia que era mais do que apenas a música.

Eu podia ver os músculos de seu pescoço se contraindo enquanto ele cantava, seus olhos fixos nos meus, e algo em mim se aquecia, algo que eu nunca tinha sentido tão forte antes. Ele estava tão próximo, o cheiro de seu perfume misturado com o ambiente, e por um momento, senti que o tempo desacelerava.

I’ve got this feeling, I could give you fifty reasons to leave, but I wouldn’t want to see you go… — Minha voz saiu suave, quase tímida, mas a intenção por trás das palavras estava clara. Cada frase era um grito silencioso, uma mensagem que eu não sabia como expressar de outra forma.

Ele me olhou intensamente, e sua resposta foi como um desafio sussurrado no meio da música. A voz do moreno soou suave, mas com uma força por trás que me atingiu de forma inesperada.

But hey, I’m still in love with you… — A frase saiu carregada de algo entre o provocativo e o verdadeiro.

Eu me senti exposta, mais vulnerável do que nunca. Por um segundo, eu quase parei de cantar, mas, então, eu vi o sorriso torto no rosto dele, a maneira como seus olhos brilhavam com algo que eu não podia ignorar. Era algo que eu sempre evitei, mas que agora parecia tão claro.

Hey, Stephen, I could give you fifty reasons to leave, but I wouldn’t want to see you go...— Eu continuei a letra agora vindo mais forte, mais direta. Eu só queria que ele soubesse que eu estava aqui, que não iria fugir, que aquela química, aquela tensão, era mais do que um jogo.

O olhar dele permaneceu fixo em mim enquanto a música continuava, e eu sabia que ele sentia o peso daquilo, tanto quanto eu. Ele me respondeu, a voz dele mais baixa, quase um sussurro, mas com uma intensidade que me fez gelar.

But I’m still in love with you...— Freddie cantou, e dessa vez a palavra love pareceu saltar no ar entre nós como algo real.

Mas, por mais que quisesse responder com a mesma sinceridade, algo dentro de mim ainda hesitava. Eu tinha medo de quebrar aquele momento, de arruinar a simplicidade daquilo. Mas ele não parava de olhar para mim, e isso me fazia questionar o que eu realmente queria.

Hey, Stephen...— Eu me forcei a continuar, minha voz agora mais suave, como se a próxima palavra fosse uma confissão não dita. — I could give you a million reasons to stay, but you're still so far away...

As palavras se misturavam com o som da guitarra ao fundo, e eu senti que a música começava a se transformar em algo mais pessoal, como se todos os olhares na sala tivessem desaparecido, e o palco fosse só nosso. Freddie, percebendo a intensidade do momento, se aproximou um passo, a voz dele quase sombria, carregada de um peso que parecia transbordar de suas palavras.

But hey, I’m still in love with you...

Agora, a plateia estava completamente em êxtase, mas para mim, o mundo todo tinha parado. O que estávamos fazendo não era apenas cantar. Estávamos revelando partes de nós mesmos que talvez nem soubéssemos que ainda existiam.

A música estava chegando ao fim, mas a tensão entre nós parecia crescendo a cada segundo. Eu queria, eu precisava dar a minha resposta, mas não sabia como fazer isso sem perder o controle. Por um segundo, tudo ficou quieto, como se o tempo tivesse parado, e então, as últimas palavras da música saíram de minha boca com uma sinceridade que eu não conseguia conter.

Hey, Stephen, don’t go...— Eu cantei, quase um suspiro.

A música terminou, e o som da guitarra se apagou lentamente, mas o eco daquelas palavras continuou a preencher o ar. Eu não sabia o que aconteceria depois daquela noite, mas havia algo em mim que sabia que nunca mais seria o mesmo depois de compartilhar isso com ele.

Freddie e eu nos olhamos, os corações batendo descompassados. A plateia estava aplaudindo, mas eu mal podia ouvir os gritos. Só podia ouvir a respiração dele, o som de nossos corações batendo no mesmo ritmo. O nerd sorriu. Um sorriso que dizia tudo o que ele não havia dito ainda. E, por um momento, eu não me importei com mais nada além de saber que, por mais confuso, estranhamente certo, aquilo significava algo.


P.O.V: Freddie


A música ainda reverberava no ar, mas dentro de mim, uma sensação estranha me envolvia. Quando Sam e eu cantamos juntos, algo aconteceu que eu não conseguia explicar. Cada palavra parecia ter mais peso do que eu imaginava, e cada olhar dela, cada sorriso, me fez sentir como se o tempo tivesse desacelerado ao nosso redor. Era como se estivéssemos falando em uma linguagem própria, uma que ninguém mais podia entender, e eu não sabia o que fazer com isso.

Naquele instante, o que começou como uma simples performance virou algo mais complexo, mais íntimo. E quando a música terminou, algo em mim ficou ecoando. Eu sabia que não deveria pensar muito sobre isso — Sam e eu éramos apenas amigos agora. Mas, naqueles minutos, tudo parecia confuso demais para ser ignorado.

Eu me afastei do palco, tentando processar o que tinha acontecido. A plateia ainda estava vibrando, mas meu coração parecia estar em outro lugar. Estava perdido em um turbilhão de sentimentos que eu não sabia mais como controlar. E, então, vi Carly ao longe, se aproximando de mim com um sorriso, tentando desviar a tensão que pairava no ar, mas eu mal conseguia me concentrar na morena.

Foi quando, de repente, eu ouvi um grito. O som cortou a música, e eu senti meu estômago apertar instantaneamente.

— Sam! — Gritei impulsivo, sem pensar, minha voz falhando um pouco.

Aquela voz, que antes soava provocadora e cheia de vida, agora carregava uma urgência que não podia ignorar. Corri na direção dela, sem pensar duas vezes, como se tudo no universo tivesse se congelado ao redor de mim. A visão dela tropeçando e caindo no chão foi como um soco no estômago. Não era algo que eu estava preparado para ver. Sam nunca se deixava mostrar frágil. Ela sempre foi tão imbatível, a mais ousada, a mais indomável, era muito estranho ver ela precisar de ajuda.

Quando cheguei até a loira, o impacto da cena me paralisou por um momento. Sam estava no chão, com as mãos segurando a perna, a expressão contorcida de dor, algo que nunca tinha visto nela antes. Ela respirava pesadamente, tentando se recompor, enquanto era rodeada por vários alunos que tentavam ajudar.

— Sam! — Eu gritei de novo, me ajoelhando ao lado dela e afastando todos que a cercavam, sentindo o meu estômago apertar. Não sabia o que fazer, mas sabia que precisava fazer alguma coisa. Era Sam, minha amiga. A garota com quem eu compartilhei tantas risadas, tantos momentos complicados, e que, agora, estava ali, vulnerável.

Ela olhou para mim, os olhos azuis brilhando com uma confusão e dor que me cortaram por dentro. Mas, ao mesmo tempo, havia algo ali que eu não conseguia entender. Era como se ela estivesse me pedindo ajuda, de uma forma silenciosa, como nunca fizera antes.

— Eu...eu não tô conseguindo levantar…— Ela murmurou, ainda tentando se levantar. Sua voz estava mais suave do que eu já tinha ouvido, e isso me fez sentir um nó na garganta. O que era aquilo? Sam nunca tinha sido tão...humana.

Eu não sabia o que fazer com isso.

— Shh, calma, Sam, fica tranquila. — Eu falei, colocando uma mão nas suas costas para ajudá-la a se erguer. Ela gemeu baixinho, se apoiando em mim e eu a joguei em meus braços e eu a senti mais frágil do que nunca. O choque dessa realidade me atingiu em cheio, como um peso inesperado. E ali estava ela, deixando-se cuidar, deixando-me cuidar.

— Você machucou a perna? — Eu perguntei, tentando manter minha voz firme, mas com um leve tremor. Eu não sabia se estava falando com ela ou comigo mesmo.

Sam não respondeu imediatamente, mas sua expressão mudou. Ela balançou a cabeça, como se tentasse afastar qualquer ideia de fragilidade. Mas seu corpo, as mãos tremendo, denunciavam a dor que ela tentava esconder.

— Eu...eu acho que sim…— A loira sussurrou. Ela parecia tentar manter a compostura, mas estava difícil. Eu pude ver que ela estava se esforçando.

— Ok, vamos ficar tranquilos, só não se mexe muito. — Eu disse, com mais calma do que sentia. A última coisa que eu queria era ver Sam ainda mais machucada. Tentei fazer com que ela se sentasse na cadeira que Carly pegou, apoiando a cabeça dela no meu ombro para que ficasse mais confortável.

Eu toquei sua perna suavemente, para ver se ela reagiria à dor em algum lugar, e a loira fez uma careta, mas ainda não disse nada. Eu sabia que a dor era forte, mas o que me deixava mais inquieto era o olhar dela. Aquela Sam que sempre foi tão segura de si, agora estava perdida, quase desprotegida. Aquela cena mexeu comigo de uma forma que eu não conseguia explicar. Algo dentro de mim começou a se transformar.

— Você está bem, Sam? — Eu perguntei de novo.

Ela olhou para mim, e por um momento, tudo parecia parar. Seu olhar não era mais o desafiador de antes. Não era o olhar de “não me toque” ou “não se atreva a me ajudar”. Era algo mais vulnerável, mais...silencioso. Ela me olhou de um jeito que, naquele instante, fez meu peito apertar, e eu soube, no fundo, que estava muito mais envolvido do que eu imaginava, ou gostaria.

— Sim, só estou...pensando. Não imaginei que a noite fosse acabar assim. — Ela deu um sorriso, mas ele não tinha aquele brilho sarcástico de antes. Era apenas um sorriso cansado. — Acho que é um sinal para eu nunca mais usar salto. — Deu um sorriso sem graça.

Eu ainda estava segurando sua mão, não queria soltar. Eu a olhava, sentindo um calor estranho se espalhando pelo meu corpo, e, de repente, eu percebi que, em meio ao caos, à dor e ao medo de vê-la naquela situação, eu estava mais preocupado com ela do que jamais imaginei que estaria.

— Eu acho uma boa ideia. — Falei em um tom brincalhão para espantar meus pensamentos. Algo estava mudando em mim. Algo que eu estava tentando ignorar, mas que se tornava impossível de negar.

E, ali, enquanto ela olhava para mim com aqueles olhos azuis, algo estava se quebrando entre nós. Talvez o que realmente estivesse mudado, o que realmente tinha quebrado, era eu. Porque eu não podia mais esconder o que sentia. Eu a conhecia tão bem, mas, naquele momento, vi algo em Sam que nunca tinha percebido: uma vulnerabilidade que me fez ver o quanto ainda me importava. Como eu sempre me importei. Como ainda a amava, mesmo sem querer. Mesmo que não fosse admitir para ela tão cedo.


Notas finais
O tanto de coisa que vai acontecer nesse baile, iiiih nem te conto. O próximo capítulo vai ser todos os plots seguintes. Ps: eu realmente espero que vocês estejam entendendo todo o processo Seddie e como as coisas estão caminhando. Daqui é só pra frente. XOXO ;)