P.O.V : Beck


Alguém viu a Jade? — Perguntei enquanto estávamos eu, Tori, Carly e Freddie no pátio.


Estava me dando muito bem com eles.


— A última vez que eu vi ela foi na aula de áudio visual. — Respondeu Tori enquanto guardava um livro no armário.


— Também não vejo a Sam a algum tempo. — Rebateu Carly. — Elas devem estar cabulando aula em algum lugar.


— Típico da lora…— Murmurou Freddie enquanto fechava seu armário.


— Ah, elas estão vindo ali… — Apontou Tori para duas garotas risonhas que se aproximavam de nós.


— Onde estava cabulando aula, mocinha? — Disse Carly questionando a loira.


— Isso são detalhes… — Jade colocou os braços sobre meus ombros e nos olhava com cara de criança que estava aprontando.


— Vai, fala logo o ato ilegal que vocês estavam fazendo. — Disse Freddie.


— O que vocês acham de formarmos uma banda? — Tirou os braços que envolviam meu pescoço e encarou todos com um semblante animado. — Sei que a Carly e a Sam cantam bem, você também amor…e…temos a Tori que…serve também.


— Obrigada por me incluir, querida. — Ironizou Tori.


— Eu achei uma ideia legal…Carly…— Respondeu a loira que esperava a aprovação da morena ao seu lado.


— Bom, depois que paramos com o Icarly eu fiquei mesmo sem um hobby…então….— A morena assentiu.


— Todo ano aqui na Hollywood Arts tem um baile de abertura das aulas, vai acontecer nesse fim de semana e…vocês poderiam gravar a primeira apresentação da nossa banda e meio que inaugurar a volta do Icarly. — Interrompeu Tori que já estava super empolgada com a ideia.


— Olha, eu não…


— Sabe cantar? Sim, verdade. Ele é um desastre. — Disse a loira calando o Benson.


— Não é isso. — Murmurou irritado. — Só não é minha especialidade.


— Você fica bem melhor atrás de uma câmera mesmo. — Segurou os ombros do Benson sacudindo o garoto que franzia o cenho.


— O Freddie pode voltar a ser nosso produtor técnico. — Disse Carly.


— Então isso é um sim? Todos topam criar nossa própria banda? — Nunca tinha visto minha namorada tão entusiasmada com alguma coisa.


Todos concordaram com a ideia.


— Vamos chamar mais gente? — Questionou a Loira.


— Vou convidar o André, ele é super talentoso. A gente precisa dele. — Respondeu Jade.


Nunca tinha visto ela elogiar ninguém antes.


— Não sabia que achava ele talentoso…nunca gosta de nada que ninguém faz.


— É…hoje eu estou de bom humor. — Deu de ombros.


[…]


P.O.V : André


Estava na área externa da escola tocando meu teclado e de repente sinto duas mãos tampando meus olhos.


— Atrapalho? — Jade se sentou ao meu lado.


— Não…estou só fugindo da aula de luta coreografada.


— Também odeio essa aula, que graça tem não poder acertar o coleguinha de verdade? — Ela conseguiu tirar um riso meu. — Mas eu vim aqui para te fazer um convite…


— Fala. — Fitei a morena que me encarava com cara de criança atentada.


— Eu, Beck, Tori, Carly e Sam vamos formar uma banda e claro, precisamos de você.


— Uma banda…tipo os Red Sharks?


Fiquei um pouco preocupado, não queria confusão com aqueles idiotas valentões.


— É, tipo a deles…só que boa.


— Eu sempre quis estar em uma banda, mas…não quero confusão com eles…


— Então isso é um sim, certo?


— Jade! — Fitei a morena que franziu o cenho.


— Aí André, eles não são a primeira banda do mundo. Eu só quero me divertir, nada de confusão….pelo menos não agora.


Ela praticamente sussurrou as últimas palavras e eu não consegui ouvir.


— Tudo bem então, estou dentro! — Apertamos as mãos firmando a cumplicidade e ela se levantou.


— Valeu… — Ela saiu dando um sorrisinho contente.


[…]


P.O.V : Beck


Eai, cara, vai querer uma carona? — Perguntei a Freddie quando estávamos indo embora.


— Não, valeu. O pai da Carly está vindo nos buscar.


— Vocês estão…saindo? — Ele soltou um riso sem graça e desviou o olhar colocando suas mãos no bolso.


— N-não cara…somos só amigos.


— Ah, claro…— Percebi que ele tinha ficado meio tenso com o assunto e tentei descontrair. — E você já sabe o que vai fazer para a apresentação da peça do Sikowitz amanhã?


Talvez não tenha sido o melhor assunto porque o cara ficou ainda mais tenso.


— Para ser sincero, não. Acho que me acostumei a deixar o lado criativo para as meninas e ficar só atrás das câmeras…não estou acostumado com o palco.


— Que isso, cara. Você acha soluções para todos os problemas técnicos, sabe montar um site inteiro do zero…Tudo que você precisa é ter confiança.


— Valeu, mano. A Sam também sempre falava essas coisas para mim quando eu me sentia meio…inútil no programa. — Freddie mudou totalmente o semblante ao falar dela, parece que tinha surgido um brilho no olhar dele.


Ele não iria admitir, mas talvez gostasse mais dessa garota do que deveria.


— Não consigo imaginar a Sam te dizendo…coisas legais…— Dei um sorriso descontraído.


— Teve uma época que ela era mais…amorosa comigo. — Deu um sorriso sem graça que exalava nostalgia.


— A Jade me contou que vocês já namoraram.


— É…mas já faz quase dois anos…a gente confundiu as coisas, sabe? Somos só amigos agora.


— Está me dizendo que largou tudo lá na sua cidade para vir atrás de “uma amiga” ? — Fiz sinal de aspas e olhei para o Benson deixando claro que a resposta dele não tinha me convencido.


— Meu pai já chegou, vamos? — Carly chegou chamando Freddie. — Tchau Beck. — Disseram juntos.


— Tchau. — Fui embora com a certeza que ele me omitiu algo.


Tínhamos acabado de começar uma amizade, mas eu já percebia que meu amigo reprimia sentimos por alguém, e parecia que só ele não se dava conta de quem era.


[…]


P.O.V : Mel


Meu pai não está em casa. — Avisei enquanto jogava minha mochila em algum canto da casa e agarrava James.


Começamos a nos beijar ali mesmo, mas ele logo parou e beijo e se direcionou para o sofá.


— Estou um pouco cansado, amor. — Ele se jogou no sofá e eu resolvi não insistir.


Me sentei em seu colo e comecei a fazer carinho nos seus cabelos loiros e sedosos.


— Sua irmã não se parece nada com você. — Ele me fitou e eu senti cada pedacinho de mim ser analisado.


— Ela tem um jeitão mais agressivo mesmo, nossas criações foram totalmente diferentes…


— E aquele jantar para reunir a família que você tinha comentado, ainda vai rolar…ela aceitou?


— Ela me disse que iria pensar, mas para ser sincera…não acredito que ela queira ver o germano de novo…— Deitei a cabeça no ombro dele um pouco frustrada.


— Meu amor…não fica assim, vai. — Ele levantou a minha cabeça e me deu um selinho. — Olha isso aqui. — Pegou o computador dele.


James me mostrou uma postagem no site do icarly que dizia que no dia do baile de abertura das aulas o programa teria sua reestreia com a apresentação de uma nova banda.


— Então a Sam e a galera estão com a própria banda deles…que demais!


— Eles são incríveis…tenho certeza que será um sucesso….e, você não ficou chateada dela não ter te convidado para fazer parte?


Confesso que não tinha pensado por esse lado até ele comentar.


— Ela sempre gostou de fazer as coisas com os amigos dela e eu não quero forçar a barra. Tudo no seu tempo, baby. — Sorri para ele e roubei outro beijo.


O beijo foi se intensificando e eu já estava ficando sem ar e ele sem camisa.


— Acho melhor eu já ir…— Ele me tirou do seu colo e se levantou.


Eu tentei disfarçar um pouco a frustração porque não queria parecer uma desesperada ninfomaníaca.


— Tudo bem…só…me diz, porque nunca me disse que era fã do webshow da minha irmã?


— Sei lá. — Ele abotoava sua camisa. — Só nunca surgiu oportunidade. — Deu de ombros.


Mas eu sempre comentava com ele sobre o programa…


Decidi mudar de assunto para não brigar com ele. — Você vem para o jantar amanhã?


— Claro, princesa. — Eu o acompanhei até a porta e nos despedimos.


[…]


P.O.V : Sam


SAM, SEU TELEFONE! — Tinha acabado de tomar banho e estava no quarto penteando meus cabelos molhados quando escuto a Cat berrar lá da sala.


Amarei o roupão e fui até ela.


— Cheguei, cheguei! — Peguei meu telefone e atendi.


Era ela…a minha irmã. Já sabia qual era o assunto e também qual seria a minha resposta.


Fui para o quarto atender a ligação.


[ call on ]


— Fala, Mel…


— Pensou com carinho no meu convite?


— Já imaginava mesmo o motivo da ligação…


— Sam…dá uma chance para a nossa família…olha eu prometo que…


— Eu vou.


— Vo-você vem?


— Só para você não ficar choramingando no meu ouvido depois.


— Te esperamos às sete, eu, papai e o James. Ok?


— Porque seu namorado vai estar?


— Ele é da família, Sam…Algum problema?


— Na-não…é…às sete estarei aí então. Tchau.


[ call off ]


Coloquei meu pijama e voltei para sala.


Aceitou o convite da sua irmã? — Perguntou Cat enquanto preparava o jantar atrás do balcão.


— Se eu não fosse a esse jantar a Mel iria encher a minha paciência até o fim do ano! — Senti o cheirinho das almôndegas e fui até a Cat. — Quando aquela loira coloca uma coisa na cabeça não tem quem tire.


— E então porque não tira suas mãos das minhas almôndegas, em?! — A ruiva deu um tapa na minha mãe que tentava roubar uma das almôndegas que estava sobre o balcão.


— Aí! Deixa eu pegar só uma…vai…— Fiz biquinho para convencer ela.


— Essas aqui eu estou fazendo para o Robbie, depois eu preparo outras para você, pode ser?


Rumei até o sofá e me joguei nele.


— Não fica chateada,vai…— Me olhou com cara de arrependida. — Ele fez uma música para mim e eu estou retribuindo com a comida favorita dele.


— Tanto faz…não tô chateada não, só…sei lá…cansada, talvez. — Liguei a televisão e coloquei em um canal aleatório.


Cat veio até mim e desligou a televisão me encarando com um semblante de preocupação.


— Você está um pouco esquisita esses dias…Pode me contar, eu prometo guardar segredo.


— Não tem segredo nenhum…é só que…tem acontecido muitas coisas ultimamente que eu ainda não me sinto pronta para lidar, sabe? — Me sentei encarando a ruiva. — Eu saí de Seattle para deixar os problemas para trás e de repente todos eles vem até mim e…— Meus olhos ficaram marejados e eu abaixei a cabeça para não colocar tudo para fora na frente da Cat.


— Ei, confia em mim, o que tanto está te incomodando? — Levantou meu queixo. — Seus amigos, sua irmã, seu pai, todos que você ama estão por perto…se eu tivesse meu pai pertinho de mim eu iria ser a pessoa mais feliz do mundo…


— CAT! — Gritei assustando a ruiva que agora estava com os olhos arregalados. — Porque eu estaria feliz? Você não percebe o quanto é sufocante ter por perto uma irmã que é superior a você em TUDO, um ex namorado que você ainda gosta mas…olha que legal, ELE É APAIXONADO PELA SUA MELHOR AMIGA, e claro, para completar o banquete, um pai que nunca nem te considerou como uma filha. — Senti a falta de ar me consumir com tamanha velocidade na qual vomitei aquelas palavras.


Estava tudo entalado na minha garganta.


— Sam…desculpa. Você nunca…nunca te vi chorar desse jeito…— Cat começou a se desesperar com meu choro.


Tentei me controlar ao máximo, mas quando me dei conta as lágrimas já alegavam meu rosto e eu soluçava perdendo todo ar que ainda existia dentro de mim.


— Deixa quieto…só estou um pouco sensível, amanhã já vou estar melhor. — Fui me acalmando e me levantei para ir até meu quarto.


— Olha para mim…— Ela segurou minhas mãos me impedindo de ir.


A ruiva era meio maluquinha mas sempre que eu precisava ela estava lá dando o melhor de si para me ajudar.


— O Sikowitz me disse uma vez que o único jeito de superar nossos medos é enfrentando eles…você fugir toda vez que se sente acuada não vai resolver nada. — Olhei para ela com um semblante indignado.


Eu, medrosa? Larguei suas mãos e logo a raiva foi me consumindo.


— Garota, o que você está falando? — Arqueei as sobrancelhas. — Eu sou uma Puckett, eu não tenho medo e nem fujo de nada.


— Então porque foi embora de Seattle? Porque não consegue admitir que gosta do Freddie? PORQUE NÃO ADMITE QUE TEM MEDO DE SER REJEITADA PELO SEU PAI?


Ela parou no mesmo segundo que viu como tinha se alterado. Agora as lágrimas escorriam do rosto dela.


Naquele momento minha vida inteira passou pela minha cabeça, todas as vezes que eu preferi fugir a enfrentar meus sentimentos, todas as vezes que fui fraca por usar da agressividade para me defender do meu maior medo, ser rejeitada, pelo meu pai, pelos meus amigos, por quem eu amava.


— Eu vou dormir antes que eu faça picadinho de ruiva. — Enxuguei as lágrimas e rumei para o meu quarto deixando Cat com cara de arrependida lá na sala.


Notas finais
Guys! Estão gostando? Eu decidi que a história não vai ter um “pov geral” porque vai ser bem mais interessante eles próprios contando do ponto de vista deles e cada um com sua própria personalidade. ( eu particularmente amo Victorious então estou amando escrever desse jeito ) Xoxo ;)