Notas iniciais
A história já está mais emocionante, não acham? Podem ter certeza que em breve ela ficará mais ainda. Estamos apenas no começo, anyway. Boa leitura ;)

P.O.V : Beck


Fiquei surpreso de você ter gostado dos novos alunos. — Disse fitando minha namorada que estava no sofá vendo um filme.


— Eu já conhecia o pessoal do icarly então não foi difícil de me acostumar. — Sentei no sofá e coloquei ela no meu colo. — Mas não fui com a cara de todo mundo não…aquela tal de Shelby Marx mesmo…já chegou causando, ridícula demais.


— A menina mal falou com a gente, amor…


— Ai que novidade…você defendendo uma Vega e ficando contra mim. — Ela travou a mandíbula e me encarou brava cruzando os braços.


Ela ainda sentia ciúmes da Tori?


— Não tô defendendo ninguém…mas a menina não fez nada demais. Quem queria arrumar briga mesmo era aquela tal de Missy…— Ela revirou os olhos e ainda continuava de bico virado para mim. — Acho que você só quer arrumar motivos para odiar a outra versão da Tori.


Arranquei um sorriso dela.


— Sério que quer estragar nosso momento falando de outras garotas? — Me fitava com um semblante mais calmo agora.


— Tudo bem…— Dei um selinho para acalmar ela. — Do que você quer falar então?


— Calado você é bem melhor, sabia? — Ela me puxou para um beijo mais quente.


— Engraçadinha…tentando me calar com um beijo?


— Eu não só tento como também consigo.


Ela me agarrou de novo e seguimos para outro beijo, dessa vez mais caloroso que o outro.


Estávamos na casa dela e como sempre os meus sogros não estavam, eles sempre passam muito tempo viajando e costumam voltar só final de semana.


P.O.V : Jade


Back me carregou no colo até o meu quarto. Eu estava sem sutiã, apenas usando uma regata preta e um short jeans velho, que em poucos minutos já estavam jogados no chão junto com a camisa xadrez dele.


Ele me levou até a cama e eu encaixei minhas pernas no quadril dele.


— Adoro lingerie preta. — Disse ele enquanto admirava meu corpo que só estava coberto por uma calcinha.


— E são as únicas que você pode gostar mesmo! Eu só uso preto, então se gostasse de outra cor não estaria vendo em…— Fui calada por um sorriso safado que logo em seguida voltou a me beijar calorosamente.


Tinha até esquecido da nossa quase briga a momentos atrás.


[…]


P.O.V : Sam

7:34 AM


Depois de tomar meu banho e vestir minhas roupas básicas do dia a dia — um jeans azul escuro, uma camisa azul de botão e minha jaqueta preta — fui procurar a Cat, que tinha se arrumado e saído do quarto sem trocar uma palavra comigo.


Passei a noite refletindo sobre muitas coisas e vi que talvez aquela maluquinha possa ter um pouco de razão. É, com certeza ela tinha.


P.O.V : Cat


Bom dia. — Disse Sam meio cabisbaixa ao sair do quarto.


— Bom dia…quer vitamina de morango? — Estava preparando nosso café da manhã favorito. Confesso que dormi me sentindo culpada pela maneira que falei com a Sam.


A loira tem esse jeitão dela mas sinto que comigo ela se esforça ao máximo para me entender e tentar ser gentil e tudo que eu fiz ontem foi cuspir palavras rudes no momento que ela estava mais sensível.


— Na verdade eu quero mesmo é te pedir desculpas…


Sam me pedindo desculpas? A Sam Puckett?


— E a vitamina…não vai querer? — Perguntei ainda um pouco acuada mas oferecendo a bebida a ela.


— Cat…você tinha razão…— Apertou os lábios. — Eu sempre acabo fugindo de alguma forma, e nem é só da polícia. — Ela se aproximou de mim — Desculpa ter…gritado e ameaçado fazer picadinho de você.


Corri e dei um abraço apertado nela.


— Você pode fazer isso por mais…dois minutos. — Sam separou nosso abraço e sorriu com os dentes de baixo. Estávamos desculpadas mutuamente. — Você me ajuda a achar uma roupa bonita para esse tal jantar?


— CLARO! — Não conseguia conter minha alegria e comecei a dar gritinhos e pulinhos. A Sam nem se importou, só ficou rindo para mim.


No fundo eu sabia que ela também estava feliz com a possibilidade de se aproximar do seu pai, por mais que aquela cabeça dura nunca fosse admitir.


— Cat…só mais uma coisa. — Sua expressão mudou rapidamente. — Ficou sabendo da banda?


— Que você e o pessoal formaram? Fiquei, achei incrível!


— Não está chateada por…não fazer parte?


— Não. Tori me ligou ontem e me convidou, mas eu prefiro atuar, sabe? E…eu não tô afim de participar de uma banda da Jade…ela tocando guitarra me assusta…— Desviei o olhar e passei as mãos no meu cabelo.


— Aí garota, você não existe. — Ela me abraçou.


[…]


P.O.V : Jade


Acordei no outro dia e o Back não estava mais na cama. Cobri meu corpo que estava nu com a camisa xadrez dele e fui procurá-lo pela casa.


Ele estava na cozinha comendo torrada com geleia — estava sem camisa, usava apenas uma calça preta de moletom — a visão era bem gostosa, mas eu não era muito de ficar aumentando o ego dele, porque já era gigantesco.


— Finalmente a princesa acordou. — Me fitou com um sorriso.


— Não sou princesa. — Olhei para ele com a minha cara fechada fazendo manha.


— É a minha rabugentinha favorita, principalmente quando acorda com essa cara amassada. — Ele veio até mim e deu um selinho.


— Acabei não te contando ontem. — Peguei uma torrada para comer.


— Fala. — Ele se sentou e voltou a comer, sem dar muita importância para o que eu estava dizendo.


— O André aceitou fazer parte da nossa banda.


Contei a notícia toda empolgada mas acabei recebendo um balde de água fria com a indiferença que meu namorado fez, ele nem se quer parou para olhar na minha cara.


— Não sei porque foi chamar ele…o André é muito talentoso sim, mas….ele canta coisas mais românticas, calmas…pensei que nossa banda teria outro estilo.


— André não é limitado assim…— Encarei ele semicerrando os olhos. — Tenho certeza que ele se daria muito bem cantando e escrevendo qualquer estilo de música…


— Qual é Jade…Porque elogia tanto esse cara?


— Esse cara, é nosso amigo! — Me levantei e comecei a aumentar meu tom de voz. — Você sabe que eu sou sincera e realmente acho ele muito talentoso. Qual o problema nisso?


— O problema é que em três anos de namoro você nunca elogiou nem sequer um solo de guitarra meu…agora fica por aí elogiando meu amigo pelos quatro cantos do mundo…por que eu acharia isso legal?


— Está se escutando? Sério, isso está ridículo. — Fechei os punhos para conter a raiva que circulava por mim naquele momento.


Ciúmes do nosso amigo? Eu nunca dei motivos.


— Ridículo é você não perceber o que está bem na sua cara. — Ele travou a mandíbula e me encarava sério.


— A única coisa que eu vejo é um namorado fazendo drama por uma coisa sem sentido. — Dei de ombros.


— Me devolve a camisa, por favor…


— Como? — Encarei ele com um semblante confuso e os olhos semicerrados.


— É melhor eu ir embora…essa conversa não vai levar a nada. — Disse ele com a voz mais mansa e um olhar vago.


Corri para o quarto sem questionar muito e vesti minha lingerie. Talvez ele tivesse razão, precisava mesmo de um tempo para pensar.


— Fecha a porta quando sair. — Entreguei a camiseta e me sentei no sofá.


Ele foi embora a passos largos sem nem olhar na minha cara direito.


Mas porque? O André sempre foi meu amigo, como uma coisa tão besta poderia ter irritado o Back daquela maneira?


[…]


P.O.V : Mel


Eu e meu pai estávamos tomando café da manhã juntos — coisa que raramente acontece por que ele sempre sai muito cedo para ir trabalhar — e ele pela primeira vez em anos perguntou sobre a minha irmã.


— Ela aceitou vir jantar com a gente papai. — Contei animada.


— Ótimo…talvez ficar um tempo longe da Pamela tenha feito bem a ela…Me diz, sua irmã continua…você sabe, com aquele jeito agressivo dela?


— Pai! A Sam amadureceu muito, mas…ela continua sendo ela mesma! E eu a amo do jeitinho que ela é.


— Ela só é assim por influência da mãe dela. — Disse desviando o olhar.


— Claro…foi ela que criou a Sam, educou, deu tudo que ela precisava.


— Educar é uma palavra muito forte, você não acha, minha filha? Ela praticamente transformou a menina em uma maloqueira…


Ele se dirigia a Sam com um certo nojo no olhar. Parecia ter repulsa pela minha irmã. Mas por que?


— PAPAI! você prometeu que daria uma chance para SUA FILHA!


— E é o que eu estou fazendo Melanie! Ou o que você acha que é esse jantar? — Aumentou o tom de voz. — Estou fazendo isso por você e por nossa família, por mais que a Samantha me odeie.


— Só prometa que não vai ficar julgando a Sam…ok? — Já sentia meus olhos marejados.


— Tudo bem, mas diga o mesmo para sua irmã…não tenho mais idade para lidar com a versão jovem da Pamela.


Meu pai saiu da mesa e rumou para o seu escritório, me deixando lá com mil preocupações. Será que algum dia teria minha família unida? Será que algum dia meu pai teria a minha irmã como sua filha também? E por que esse ódio todo pela Sam?


Tudo isso parecia tão distante naquele momento.


[…]


P.O.V : Carly

Hollywood Arts — 8:07 AM


Sam, que bom que você chegou. — Disse ao ver a loira estacionando sua moto.


— Preferia ter ficado na minha cama quentinha mas hoje tem aquela droga de peça do pássaro…— Ela já estava com um semblante bravo e com os braços cruzados.


— Eu sei, por que acha que eu estou com essas olheiras aqui? — Apontei para meus olhos que estavam quase se fechando de tanto que o sono me consumia. — Nem maquiagem deu jeito.


— Cat me ajudou a passar o texto ontem, mas para ser sincera eu estou meio foda-se para essa apresentação.


— Mas amiga, se a gente não passar não vamos poder participar de nenhuma peça futura e…


— Eu não estou nem aí. — Desviava o olhar impaciente.


— Acordou com o pé esquerdo hoje? Sai para lá que mal humor pega. — Franzi o cenho sem entender o motivo da falta de paciência dela.


— E quando ela não está de mal humor? — Freddie se aproximou de nós provocando a loira, como sempre.


Eles nunca perdiam esse costume.


— Aí nerd, não enche o saco que hoje não é um bom dia!


— Sam, são oito e dez da manhã ainda…como seu dia já pode ter sido ruim? — Disse Freddie arqueando as sobrancelhas e fitando a loira.


— Mais tarde vou jantar com meu papaizinho, minha irmã e o namoradinho engomadinho dela, tem como esse dia ser bom?


— Falando nela…olha quem vem vindo aí…— Mel e James se aproximaram de nós.


— Oi pessoal…tudo bem? — Comprimentaram a gente.


Vocês estão com umas caras…— Disse James encarando a Sam.


— Dor de cabeça coletiva. — A loira saiu a passos largos e rumou para dentro da escola.


— Ela só está um pouco tensa com a apresentação da peça do Sikowitz…não é nada com vocês. — Percebi que a outra loira tinha ficado um pouco cabisbaixa com a frieza da irmã.


A Mel tenta desde sempre se aproximar da loira raivosa, e mesmo sem sucesso, ela nunca desistiu. Prometi a mim mesma que naquele ano faria isso acontecer.


— Acho que eu vou procurar ela para tentar ajudar. — Disse o namorado da Mel.


— Ajudar? Como assim? — De repente Freddie franziu o cenho, cruzou os braços e foi questionar o loiro.


Conhecendo bem o moreno poderia afirmar que ele estava enciumado.


— O James fez curso de teatro em Paris por dois anos, ele é o melhor ator do mundo. — Disse a loira toda orgulhosa.


— Que exagero amor…é que eu já apresentei essa peça uma vez e acho que poderia dar umas dicas para a irmã dela.


James rumou para a entrada e Freddie continuava com sua expressão séria e os braços cruzados, enquanto a Mel admirava o namorado com cara de abobada. Ela estava mesmo apaixonada.


A Mel já tinha me contado dele em algumas mensagens. A loira me disse que ele a tratava como uma princesa, disse que às vezes o loiro nem parecia real de tão incrível que era.


Achava engraçado como ela era diferente da irmã. Mel era apenas uma romântica apaixonada, enquanto Sam era o caos em pessoa.


[…]


P.O.V : Sam


Estava guardando meus livros no armário e senti uma mão tocar no meu ombro e quando me virei vi o namorado da minha irmã a uma distância bem constrangedora, conseguia até sentir a respiração dele.


— Perdão…te assustei? — Perguntou mantendo seus olhos fixos nos meus que estavam arregalados.


— Não, mas é melhor não fazer isso de novo…— Ele tirou as mãos do meu ombro e se afastou — Posso acabar pensando que é o meu amigo Freddie e eu não me sentiria bem em deixar o namorado da minha irmã com um olho roxo.


Ele deu um sorriso de canto e voltou a me fitar.


— Você é sempre assim? — Molhou os lábios e manteve seu sorriso divertido no rosto.


— Assim como?…Agressiva? — Desviei o olhar um pouco incomodada com a maneira na qual o loiro me fitava, não gostava de me sentir analisada.


Certamente deve ser intrigante para ele conhecer um clone da namorada, só que em uma versão menos delicada.


— Eu ia dizer engraçada…— Ele desviou o olhar. — Desculpa, eu não queria te incomodar e nem te deixar sem graça…


Eu exalava mau humor. Não era nada com o loiro, era só aquela porcaria de jantar que estava me deixando ansiosa.


— Eu não fico sem graça nunca…— Percebi que fui um pouco rude. — Olha, foi a Mel que te mandou vir aqui fazer amizade comigo? Por que se for, avisa sua namorada que está tudo be…


— Não…não foi ela. — Me interrompeu afirmando seguro. — Eu só queria saber se você precisa de ajuda com a peça do Sikowitz…Eu já apresentei uma vez e…


— Eu estou de boa. — Dessa vez foi eu que o interrompi. — Minha amiga Cat já me deu uma forcinha. — Me virei dando de ombros.


— Como quiser. Se precisar eu…


Me virei para ele novamente para tentar por um fim naquele momento constrangedor.


— James…né? — Ele assentiu. — Não precisa forçar uma amizade comigo pela Mel…Eu estou disposta a tentar ter uma boa relação com a minha irmã, ok? — Tentei ao máximo não soar rude, só queria que o coitado não se sentisse na obrigação de fazer uma ponte entre nós duas.


Eu estava mesmo disposta a dar uma chance para essa aproximação com a minha irmã.


— Sam, posso terminar de falar? — Senti minhas bochechas corarem de novo e o encarei séria tentando não parecer intimidada. — Eu te acho uma menina super autêntica, divertida…Sabe, a Mel sempre me falou como a irmã dela tem um bom coração…não é esforço nenhum tentar me aproximar da minha cunhadinha que por sinal eu sou super fã.


A expressão séria no rosto dele logo se transformou em um sorriso de canto e um semblante divertido.


— Já faz um tempo que eu não sou mais uma celebridade da internet…— Falei soltando um sorriso amarelo.


— As pessoas nunca deixaram de gostar de você…— Ele corou um pouco. — De vocês…Tenho certeza que essa volta de vocês será um sucesso. — Engoliu em seco e desviou o olhar. — Então…podemos ser amigos? — Voltou a me fitar.


— Ok…amigos. — Apertamos as mãos selando o começo de uma amizade.


Pensei que meu cunhado fosse só um riquinho, metido e engomadinho, mas no fim ele me pareceu ser um garoto dócil e humilde.


[…]


P.O.V : Freddie


Ei, desfaz essa cara…— Estava distraído decorando as falas da peça e fui tirado dos meus pensamentos por uma chamada de atenção da Carly.


— Que cara? — Me virei para a morena e arquei as sobrancelhas. — Só estou repassando as minhas falas antes do Sikowitz chegar. — Carly sempre teve esse dom de perceber quando tem algo de errado com a gente e eu não estava afim de conversar. — É…tudo pronto para sua apresentação?


— Sim. — Ela não parecia nem um pouco preocupada com isso. — Não é muito diferente de decorar roteiros para o Icarly…mas não muda de assunto, você está estranho desde que saiu lá de fora…não vai me dizer que ficou com ciúmes da…


— NÃO! — Arregalei os olhos. — Eu…eu só estou preocupado com a minha apresentação, não tem motivos para eu estar com ciúmes…dela. — Engoli em seco.


— Realmente…o cara é namorado da Mel, a Sam nunca faria isso.


— E mesmo se fizesse…somos só amigos, eu não teria nada haver com isso. — Disse num tom frio e rude para tentar convencer a morena.


— Vocês dois parecem duas crianças birrentas que não conseguem ver o que está diante dos próprios olhos. — Ela cruzou os braços e revirou os olhos.


— Carly, foi você mesma que disse que a gente não deveria ficar junto…que estávamos tentando transformar um sentimento de amigos em uma coisa de homem e mulher. — Senti um nó na minha garganta ao lembrar daquele dia.


— Eu nunca disse isso…— A morena descruzou os braços, franziu o cenho e me olhou indignada.


— Não diretamente, tipo….na nossa cara, mas você sabe que disse.


— Vocês ouviram a minha conversa com o…


— Esquece isso…— A interrompi cortando o contato visual. — Foi melhor assim. Eu e ela estamos bem melhor sendo só amigos. Ponto final. Não tem nada de ciúmes, você está vendo coisas.


Voltei a folhear meu livro e a ignorei.


— Mas Freddie…


Carly foi interrompida pelo nosso professor maluco que chegou tomando sua água de coco e mandando a gente se organizar para apresentar as peças.


[…]


— Bom, começaremos pela loirinha. — Disse o professor sentando no fundo da sala.


Eu não estava botando muita fé na Sam, é uma peça sentimental e melancólica…duvido que ela saiba o que são esses sentimentos.


— Tanto faz. — A loira rumou até o pequeno palco que tinha na sala e todos ficaram em um completo silêncio observando-a.


— Meu marido me deixou em 1934…sozinha. — Ela estava com a cabeça baixa e o corpo encolhido sobre uma cadeira rústica. — Viver na pradaria foi uma experiência triste, sem telefone, sem rádio…apenas um grande e majestoso pássaro que eu partilhava meus sentimentos. — Ela levantou da cadeira rapidamente e começou a olhar para a sala toda com um semblante neutro. — Um dia ele estava abatido, eu lhe disse…pássaro, você pode voar, pode se livrar dessa solidão…MAS NÃO SE VÁ! — Ela se jogou no chão e estendeu a mão para o teto e o olhava fingindo estar angustiada. — Mas naquela tarde minhas palavras não fizeram efeito…porque ele se foi, e o meu espírito também. — A loira colocou a mão no peito e fez uma expressão de sofrimento.


Todos aplaudiram, mas Sikowitz não demonstrou nenhuma reação.


— Acabou? — Perguntou o professor parando sugar aquele canudinho.


— Sim, não prestou atenção na minha incrível representação de sofrimento? — Disse a loira se levantando do chão e fitando o professor com uma expressão irônica.


— Aprovada. — Deu de ombros.


Todos aplaudiram novamente.


Carly, James, Mel e Shelby também se apresentaram e agora só faltava eu.


Estava mais tranquilo porque aparentemente era muito fácil passar. A Shelby por exemplo, não demonstrou um pingo de emoção, só disse as falas com um tom de desânimo e se sentou. Todos até agora foram aprovados. Eu não seria a exceção…certo?


— Quando quiser. — Disse Sikowitz


Respirei fundo e comecei.


— Minha esposa me deixou em 1934…sozinho. — Forcei minha melhor expressão de tristeza. — Viver na pradaria foi uma experiência triste, sem telefone, sem rádio…apenas um grande e majestoso pássaro que eu partilhava meus sentimentos. — Estendi meu braço para a janela e chamei o pássaro que eu treinei para dar mais impacto na minha apresentação. — Um dia ele estava abatido, eu lhe disse…pássaro, você pode voar, pode se livrar dessa solidão…MAS NÃO SE VÁ! — Me virei para a turma com a mão no peito e forçando lágrimas nos olhos. — Mas naquela tarde minhas palavras não fizeram efeito…— O pássaro saiu pela janela. — Ele se foi, e o meu espírito também.


Todos aplaudiram e eu fui animado até o Sikowitz perguntar se ele tinha gostado.


— Já acabou? — Me olhou confuso.


— Já…Eu fui bem? — Fechei os punhos cruzando os braços para segurar a tensão


— É…não. — Afirmou ele me fazendo arregalar os olhos incrédulo.


— Mas…mas…— Minhas palavras quase não emitiam som.


O sinal tocou e todos se levantaram e me olharam com uma cara de dó.


— Dispensados. — O professor rumou para fora da sala sem dar mais explicações.


Meus amigos vieram até mim, provavelmente tentar me consolar ou talvez afirmar o fracasso que eu sou como artista. Sai a passos largos ignorando a todos.


Notas finais
Será que o Beck tem razão de estar com raiva? Freddie ficou mesmo com ciúmes? :0 Podem ter certeza que esse James ainda vai causar! Se leu até aqui, obrigada. XOXO ;)