Notas iniciais
4/10.

Pete estava cara a cara com o homem que raptou sua mulher.

— Olá, Martin – disse Pete.

— Oho!— exclamou Martin. – Vejo que já sabe o meu nome. Quem lhe contou?

— Seu telefone.

— Ah, sim. Esqueci meu telefone na casa da sua amiga. Por falar nisso, quem é ela?

— Não é da sua conta – respondeu Jane.

Martin fez a cara de quem levou uma bofetada no rosto.

— Olhe os modos, mocinha. Quer ter o mesmo fim que a esposa de Pete?

— ONDE ESTÁ ELA? – gritou Pete.

— Não é da sua conta – disse Martin, rindo. – Patrick, prendam os dois.

Pete e Jane foram levados para uma sala com aparência de um leito de hospital. Pelo o que puderam perceber durante sua transferência de sala, o prédio parecia um laboratório, com cientistas, microscópios, experiências e relatórios. Após chegarem à sala, foram presos a duas cadeiras com algemas nos pulsos.

— Se comportem criancinhas – zombou Patrick.

A sala foi trancada.

— E agora, o que a gente faz? – perguntou Jane.

— Não sei Jane, tenho que pensar – disse Pete.

— Tem alguma ideia de porque eles estão fazendo isso com você e sua mulher?

— Acho que é dinheiro – respondeu Pete. – Ela ganha mais do que eu, mas acho que não é só esse motivo que está envolvido. No passado, ela foi usuária de drogas. Não sei se tem algo haver, mas nunca se sabe.

A porta da sala foi aberta. Um faxineiro entrou e começou a limpar a sala com um esfregão. Ele tinha uma cara cansada.

— Bom dia – cumprimentou o faxineiro.

Nenhum dos dois respondeu. Ao ver Pete, ele se animou.

— Você é o Pete, certo? – disse apontando para ele.

— Sou, por quê?

— Está procurando Marie, certo?

— Sim.

— Eu sei onde ela está e posso lhe ajudar.

— Desculpe, não queremos sua ajuda.

Ao dizer aquilo, o faxineiro ficou perturbado. Atirou o esfregão no chão e segurou Pete pelos ombros.

— Você sabe quantas pessoas estão presas aqui? – gritou ele. – Sabem quantas pessoas eu ajudo? NENHUMA! Vocês não sabem a sorte que estão tendo e jogam ela no lixo como se fosse nada! NADA!

— Desculpe, se acalme, por favor. Como é o seu nome?

O faxineiro pareceu aceitar o pedido de desculpas.

— Meu nome é Kevin. Kevin Sheldon.

— Prazer, como você já sabe, eu sou o Pete e essa é a...

— Jane – completou Kevin, enquanto varria o chão da sala.

— Espera... Como você sabe?

Kevin apontou discretamente para a câmera de segurança.

— Sou o faxineiro e o responsável pela vigilância do prédio. É um serviço monótono, então resolvi trancar a porta da sala de segurança e vim limpar aqui. Ninguém liga muito pra mim.

— Certo... E como você espera nos ajudar?

— Roubei da sala das armas. Veja.

E mostrou duas armas que carregava dentro da bolsa de produtos de limpeza. Entregou uma a Pete e outra a Jane. Tirou também uma serra, que usou para serrar as algemas dos dois.

— Provavelmente eu vou ser demitido ou torturado, mas eu não ligo muito – disse Kevin rindo.

— Não vamos deixar isso acontecer – disse Jane, séria.

— Não precisam se...

Kevin parou de falar. A porta da sala se abriu.