Parecia uma cena em câmera lenta. Patrick entrou na sala, sacando a arma do bolso de trás da calça. Jane com a arma apontada direto para Patrick. Pete pulando em cima do Kevin para protegê-lo. Numa fração de segundo, Jane puxou o gatilho e atingiu Patrick bem no meio do peito. O barulho do tiro ecoou por todo o laboratório.

— Porque você fez isso? – gritou Pete.

— Ele ia nos matar! Eu estava protegendo a gente! – respondeu Jane.

— Temos que fugir, e rápido! – disse Kevin, com medo.

— Não saio daqui até achar Marie.

— Kevin – sussurrou Jane –, você sabe onde Marie está presa?

— Sinto lhes informar, mas Marie não está presa neste prédio.

— ONDE ELA ESTÁ? – gritou Pete. Passos vinham em direção a porta.

— Ninguém se mexe! – disse uma voz do lado de fora da porta que Pete reconheceu como sendo a de Martin. – Espera... Quem está morto?

Martin entrou na sala e, ao ver o corpo de Patrick, soltou um grito.

— NÃÃÃÃÃÃÃO! MEU IRMÃO ESTÁ MORTO!

— Por aqui! – murmurou Kevin, encontrando uma oportunidade e abrindo a janela para Pete e Jane fugirem do edifício.

Ninguém falava nada enquanto andavam pelo jardim do hospital. Pete viu que o nome do local onde estavam presos era Hospital Ética e Poder. Lembrou-se de que estava abandonado pela prefeitura. A porta da frente do prédio se abriu. Dezenas de homens armados corriam em direção aos três, atirando contra eles. Kevin se dirigiu ao estacionamento, pegou uma ambulância velha e suja e tentou ligá-la, tirando um molho de chaves do bolso da calça e testando no veículo.

— Anda! Anda! Liga!

Após testar uma chave, o carro ligou e eles saíram do prédio.

— Onde Marie está? – finalmente perguntou Pete.

— Antes de falar onde ela está, gostaria de dizer uma coisa – disse Kevin, sério – Estou procurando a minha filha de nove anos, chamada Lucy. Se puderem me ajudar, ficarei muito agradecido.

— Claro que ajudaremos, ajudaremos sim – disse Jane.

— Obrigado, muito obrigado. Ela está em um prédio comercial no centro da cidade, chamado Cosmic Jive. Sabem onde fica?

— Eu sei – afirmou Jane. – Já trabalhei lá como escrivã.

— Ótimo.

— Antes que possamos prosseguir com o nosso plano, preciso passar em casa para arrumar algumas coisas e fazer uns documentos falsos – explicou Jane.

— Ok, me mostre o caminho.

Após chegarem à casa de Jane, deixaram a ambulância no meio da rua e entraram na residência.

— Vou ligar o rádio, pode ser? – perguntou Pete.

— Ok.

Uma voz feminina irradiou do aparelho:

— Começamos agora com o programa Notícias da Rádio, onde você encontra os principais destaques do dia. Governo inaugura hospital no sul do Estado, parece que ele está cumprindo o que prometeu, não é mesmo, Cleevey?

— É isso mesmo, Denise, e por falar nisso, o hospital Ética e Poder, supostamente abandonado no sudoeste do Estado funcionava como sede para uma organização ilegal de marginais. Moradores próximos ao hospital ouviram disparos vindos do local e ligaram imediatamente para a polícia, que chegou em menos de 5 minutos. Segundo informações, o chefe dessa organização está foragido, junto com seus assistentes pessoais.

— O clima está tenso hoje, viu? Agora vamos falar de esporte. Hoje à noite, no estádio...

Kevin desligou o rádio.

— Provavelmente, Martin e seus capangas estão indo para o esconderijo deles no centro da cidade. Precisamos nos hospedar em um hotel, já sabem onde moramos.

— Vou ligar para um amigo meu, Roger, para ele fabricar alguns documentos falsos.